O coral de crianças cantavam à direita, todos alinhados e afinados. Suas pequenas vozes eram como o canto da paz. Pareciam vozes de pequenos anjos. Maya estava sentada segurando a mão de sua mãe, ela não entendia muito bem o que era a morte, mas sentia-se muito triste por perder um de seus melhores amigos. Logo atrás, estava Lorna, Nicky, Red, Vee e Benjamin, sentado em seu colo. Taystee chegaria horas depois, Alex estava em uma viagem, mas mandou seus sentimentos através de Red. A igreja estava cheia, Brad tinha muitos amigos. A cerimonia foi bem emocionante, sem muito chororô, Brad era um homem alegre, bem humorado. O cerimonial era para honrar sua memória, e o clima depressivo fora dispensado, uma vez que a personalidade dele não era assim. Após o enterro, cerca de trinta pessoas foram até o apartamento onde Brad morava. Sua avó, Margareth, contava as rebeldias do neto quando pequeno. Maya e Benjamin corriam divertindo os adultos presentes. Piper estava na cozinha acompanhada de sua mãe e Nicky, Red precisou retornar à Manhattan. Lorna e Taystee bebiam uma taça de champanhe prestando atenção nas crianças.
– Querida, você está bem? – Vee perguntou, ao notar o olhar perdido de Piper.
– Na verdade não, eu só preciso ir pra casa, descansar, quem sabe dormir um pouco.
– Nós podemos ir agora, Piper. – Nicky terminava de comer seu pochê com tostada.
– Ok. – Piper respondeu contragosto.
Já em seu apartamento, se jogou na cama de bruços. Ficou assim por um bom tempo, até que alguém tocou-lhe a perna.
– Ei mamãe! – Maya a chamou.
– Oi, pequenina. – ela arrumou sua postura, ao capturar os olhões curiosos analisando-a.
– Você tá triste? – inquiriu, sentando na cama.
– Um pouco, meu amor.
– Por que Deus levou Brad?
Piper buscou o ar com calma, não queria mais tocar no assunto naquele dia, só queria deitar, e descansar. Sua cabeça doía muito, sem contar as costas, que estava castigando-a.
– Deus o levou porque era a hora dele, Maya.
– Deus o queria como amigo?
– Bem, sim.
Maya cruzou os braços, zangada.
– Por que Deus não arruma os próprios amigos? Ele gosta de tomar as pessoas de mim, ele tomou o Papai, e agora o tio Brad, mamãe, ele tomará você?
– Maya, deixe a mamãe descansar. – Vee interferiu, chamando a menina que aguardava uma resposta de Piper.
– Mamãe..
– Meu amor, estarei sempre aqui para você.
Maya a abraçou, satisfeita.
– Eu amo você, não fique triste. Tio Brad está brincando nas nuvens branquinhas.
– Eu te amo, e aposto que ele está surfando por toda a imensidão azul.
– Maya, venha. – Vee a chamou novamente. – Vamos tirar uma soneca, Benjamin a espera.
– Tô indo, vó! – Levantou-se. – Até depois, mamãe.
Assim que a porta se fechou, Piper se deixou chorar. Estava horrorosamente sensível, só queria acordar desse pesadelo movediço em que sua vida se situava atualmente. Abraçou o travesseiro, logo o sono veio como um manto agradável em uma noite fria.
Xxx
Três meses depois.
– Você está tão linda grávida, que inveja. – Polly disse, ligando a torneira da pia, colando Brin sentada.
– Não seja exagerada, Polly. – Piper mastigava um pedaço de cenoura crua. – Ela é tão amável. Lembra muito Maya quando tinha essa idade.
– Ela ama me sugar o dia inteiro, daqui uns dias minha teta esquerda murchará.
Piper acabou rindo com gosto de sua dramática melhor amiga.
– Porra, eu me sinto tão gorda. – ela disse, olhando sua barriga de três meses.
– Ah! Não fode, Piper. – Polly rebateu. – Sua barriga nem bem cresceu ainda, espere até chegar ao oitavo mês.
– Mamãe, Maya me chamou de gorducho! – Flynn chegou aos prantos na cozinha.
– Maya! – Piper a chamou.
– Ah Piper, não esquenta, eles vivem ofendendo um ao outro.
– Oi.. – ela apareceu com o rostinho desconfiado.
– Peça desculpa ao seu primo. – Piper ordenou.
– Desculpa, Flynn. – pediu.
– Não!
Polly revirou os olhos, tirando Brin de seu banho.
– Flynn, eu vou dar-lhe uns cascudos.
Piper se aproximou de Polly, empurrando-a para o lado.
– Cuide da briga deles, eu troco essa gostosura.
– Nem fodendo. – respondeu, antes de dar uma beijoca na solinha do pé da bebê.
– Qual é, Polly, eu preciso ir treinando, faz tanto tempo..
Polly estudou o rosto dela, e acabou concordando.
– Tá, você ganhou. – cedeu o seu espaço a ela. – Brin é impaciente, não demore muito.
– Eu sou tão fofa! – Piper fez uma voz infantil ganhando a atenção da neném.
– Vocês dois, querem se abraçar ou eu terei que deixa-los de castigo? – Polly ameaçou-os. – Vai demorar?
Timidamente, Maya abraçou Flynn. Piper espiou por cima do ombro de Polly, deu uma risadinha baixa para não tirar a sua moral, e ela continuou.
– Se querem se matar, façam isso depois do casamento de vocês, eu sou nova para ficar me estressando com essas briguinhas bobas.
– ECA! – As crianças fizeram cara de nojo, e saíram correndo ruidosamente para sala.
- Em breve!
Polly girou o pescoço, olhando Brin que sorria exibindo sua gengiva vermelha.
– Você é rápida, ela nem chorou. Traíra!
– Ela gosta de mim, não é Brin? – Piper segurou-a erguendo seu pequeno corpinho no ar. O bebê olhou-a bem, antes de chorar dolorosamente.
– Não gosta não. – Polly tirou sarro, recuperando sua pequena chorona. – Você quer sugar meu seio, não é? – Brin resmungou em sua linguagem de bebê.
– Essa menina vai conquistar o mundo, viu?
– Não se chateie, Piper. – confortou-a.
– Tudo bem, tudo bem. – sorriu exibindo seus dentes branquinhos. – As crianças estão atrasadas.
Polly encaixou a boca de Brin em seu seio, antes de responder.
– Pete já deve estar a caminho, ele é uma lesma.
– Ou você que é rápida demais? – provocou-a.
– Vai-te catar.
Uma hora depois, as duas amigas estavam aguardando na sala de espera do hospital. Piper descobriria o sexo de seu bebê. Estava muito nervosa, andava pra lá e pra cá, ora, ou outra, tomava um copo de água, ou lia alguma revista sobre viagens. Lembrou-se de Alex, três meses que não a via, nem falava com ela. Maya relatava que ela estava muito ocupada em seu trabalho, sem outros detalhes. Suspirou. Após quinze minutos de espera, Piper finalmente estava deitada, a médica espalhava o gel em seu abdômen e movia um pequeno retransmissor.
- Interessant. - Dra. Figueroa Disse.
Piper sentiu um friozinho em seu estômago, será que tinha alguma coisa errada com o bebê? O medo à fez perguntar.
– Algum problema? – Questionou, apertando a mão de Polly.
– Não, não. – ela respondeu sem tirar o olho do monitor. – Vocês estão vendo aqui?
Polly e Piper olhavam o ponto que a médica indicava.
– Sim. – Responderam em uníssono.
– Aqui está a cabeça do bebê.. – circulou com o dedo o local. – E aqui, a outra cabecinha.
– O que? – Piper quase gritou.
– São gêmeos, mamãe. – A doutora afirmou.
– Meu Deus, Piper! – Polly estava boquiaberta.
– Gêmeos.. – ela repetiu para si mesma, tentando se convencer com a descoberta. Ainda bem que estava deitada, caso contrario, teria desabado no chão. Dra. Figueroa deu dois tapinhas em sua mão, encorajando-a.
– Bem, e aqui, os coraçõezinhos.
– Uau! Isso é tão emocionante. – Polly sorria feliz por Piper. Brin começou a ficar inquieta, ela então se levantou balançando a menina.
– Nem sei o que dizer. – a batida dos coraçõezinhos preencheu seus ouvidos. Seus olhos se encheram de lágrimas. – Eu estou tão surpresa..
– Querem saber o sexo dos bebês?
– Sim. – Polly se apressou em dizer.
– Não.. – Piper respondeu logo atrás, sem conseguir distinguir direito o que estava vendo na tela.
– Dra. Figueroa, não dê ouvidos a ela. – Polly se aproximou.
– Bem.. – A médica fez suspense. – São dois meninos.
– Dois meninos? Parabéns, Piper, eu estou tão feliz por você que beijaria sua bunda.
Dois meninos!, Piper exclamou em pensamento.
– Feliz, mamãe? – A Dra. Questionou, limpando seu abdômen.
– Apesar da surpresa, sim, eu estou feliz.
Xxx
Em sua cama, Piper planejava sua nova vida, com a chegada dos bebês, teria que se mudar para um apartamento maior, de fácil acessibilidade. Pensaria neste assunto com calma, agora, só queria curtir a ideia de ser mãe de gêmeos. O que Brad acharia se estivesse vivo? Com certeza seria a melhor notícia de sua vida. Sorriu imaginando seus menininhos correndo pela casa, ou até mesmo brigando com Maya, ou Benjamin. Estava tão feliz, que chegava a ser grotesco. Seu celular começou a vibrar com as novas mensagens de Vee e Taystee, respondeu bem vagamente. Apanhou uma foto de Brad que estava na cabeceira da cama. Olhou-a com adoração, Brad era tão pequeno. Seus cabelos lisos caiam sobre os olhos, em seu rosto, um sorriso espetacular era exibido. Ela adorava aquela foto em especial, havia conseguido dois meses atrás quando esteve na Alemanha para assinar os bens que estavam em seu nome. Margareth lhe presenteou com a foto, afirmando ser a única imagem dele sorrindo, pois o garoto odiava ser fotografado. O interfone tocou repetidamente, com dificuldade, levantou e foi atender de uma vez.
– Hei Mammaaa! – Nicky segurava um buquê de rosas nas mãos.
– Olá, mamãe! - Lorna passou Nicky para trás, e abraçou Piper com cuidado, ela parecia muito frágil.
– Que surpresa. – ela sorriu, dando um espacinho. – Entrem!
Todas acomodadas na sala, Piper resolveu enrolar para contar sobre os bebês.
– E Benjamin? – perguntou ela, sentindo falta do menino espoleta.
– Ele está com a mãe dele, ela chegou de viagem, e ele grudou nela igual chiclete. – Nicky respondeu, impaciente.
– Oh sim. – Piper mudou de assunto. Queria perguntar mais sobre Alex, mas se deteve, ela provavelmente já a esquecera.
– Fala logo, mamãe..
Maya distribuía beijinhos em sua barriga.
– Eu acho que é uma menina. – Lorna afirmou, como se estivesse certa de sua convicção.
– Eu acho que é um menino. – Nicky neste instante abraçou Lorna, fechando os olhos, exausta.
– São dois bebês. – resolveu soltar a primeira ''bomba.''
– Lorna, eu estou drogada, ou a Piper disse que espera dois bebês?
– Foi o que ela disse, amor. – Lorna estreitou os olhos.
– PUTA MEEEERDA, P! – Nicky levantou num salto, ao aproximar-se de Piper, tirou Maya, que beijava a barriga dela. A menina xingou baixinho. – Tem dois bebês aí dentro?
Piper balançou a cabeça, mordendo a ponta do dedo indicador. Nicky era uma tremenda maluca.
– Jesus! – ela passou a mão nos cabelos. – São duas meninas?
– Não..
– Um casal? – insistiu.
– Hm.. São dois meninos. – revelou de vez, forçando uma risada ritmada.
– Dois.. DOIS MENINOS? – Gritou. – Porra! – riu debochada, beijando a pequena colisão dela. – Ei meninos, é a tia Nicky, sua tia mais gata, nós vamos sair para pegar umas cachorras, e comer xoxotas de todas as raças.
– Ok, já chega. – Piper a afastou.
– Você vai o que, Nicky? – Lorna tirou o salto, atirando-o em sua direção.
– Era brincadeira! Ai! Amor! – ela desviava, dando uns pulinhos.
Maya estava emburrada, olhando-as.
– O que foi, meu amor? – Piper perguntou.
– Eu quero uma irmã!
– Ih.. – Nicky murmurou, se jogando no tapete felpudo.
– Amor, isso não é importante. O que importa é que seus irmãozinhos estão bem, e isso, está chateando eles.
A expressão dela suavizou.
– De onde eles vieram? – seus olhinhos olhavam a barriga dela.
– Bem.. A mamãe os comprou pela internet. – Foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça. Nicky falaria algo, mas calou-se diante da sua expressão.
– E não tinha meninas? Eu queria uma irmã, já tenho um irmão.
– Querida-
– Meninos são chatos! Eu quero uma irmã!
Maya correu em direção ao quarto, estava totalmente chateada.
– Ótimo, terei um longo trabalho pela frente..
– Ela vai aceitar, Piper. – Lorna disse em apoio.
– Alex surtou quando mamãe lhe contou que esperava uma menina, no caso eu, ela chorou por três dias achando que eu tomaria o lugar dela.
Piper timidamente sorriu, imaginando uma miniatura Vause berrando por não querer uma irmã. Lorna e Nicky logo foram embora, Maya dormiu aborrecida. Piper deu um beijo em seus cabelos e foi deitar-se.
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Duas semanas depois, Polly ajudava Piper com a decoração da festa de seis anos de Maya. Não era uma festa grandiosa com diversos programas infantis, como a de Benjamin. A menina escolheu o tema Califórnia Girls, da Katy Perry, na qual era fissurada. A decoração em si, era toda rosa com muitos doces. Muitos deles foram personalizados com perucas azuis. Cupcakes enormes com uma cereja em cima, enfeitava a mesa, que, também havia pirulitos de todas as formas e tamanhos. Red insistiu para que ela fizesse a festa em Manhattan, mas recusou educadamente.
– Caramba, nós somos boa nisso. – Polly comentou olhando o resultado de seu trabalho fantástico.
– Sinto saudade da minha sala. – Piper brincou, apalpando um balão vermelho. – Tá tão rosa, estou levemente enjoada, Pol.
– Para de ser chata, está tão esplêndido. – Falou Polly com empolgação. – E além do mais, tem muitos doces ali. – Apontou para a mesa.
Piper mordeu o lábio esfregando sua barriga. Desde a ultima semana, seus enjoados bebês, vinham recusando qualquer tipo de doce que ela ingerisse. Ela não sabia se agradecia, ou se chorava.
– Taystee já chegou com o bolo, você recebe ela que irei dar uma olhada em Brin. – Polly avisou olhando o celular.
– Tudo bem.. – disse, suspirando.
– O que foi? – Polly a olhou fazendo uma careta.
– Bem, você sabe..
Polly fez uma busca rápida nos últimos acontecimentos a redor de Piper. Enquanto girava o aparelho celular na mão, estudava seu rosto. Na última semana a amiga estava mais abatida, e pelo o que percebeu, ela perdera uns cinco quilos, ou até mais. Mas, estava incrivelmente bonita, seus cabelos estavam maiores, sua pele exalava brilho, ou seja, Piper Chapman sentia falta de algo..
– Alex! – exclamou. – É claro, você sente a falta dela, animal.
- Meu Deus, Polly! Quer parar de divagar?
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– Anda logo Alex! – Nicky jogava a chave do carro pra cima, e apanhava rapidamente.
– Eu não tenho certeza, invente uma desculpa, quebra essa. – ela pediu, passando o delineador pela segunda vez.
– Você está com medo de Piper? É só não ir falar com ela, simples.
– Não é isso. – finalizou, colocando os óculos. – Eu só estou cansada, trabalhei demais.
– Alex, para, ok? Você está infeliz. – Nicky disse com firmeza. – Não tem saído, nem transado que eu sei! E Piper não irá te morder por aparecer na festa da sua sobrinha.
– Tá legal, você está certa.. – respirou fundo antes de prosseguir. – Não será fácil, eu não a vejo tem três meses. E eu.. Não sei como vai ser esse encontro, Nicky.
– Vocês duas são um saco, eu merecia um premio Nobel por aguentá-las. – coçou a cabeça, impaciente. – Ela continua a mesma, bem, exceto pela gravidez, né..
– É isso! Eu não vou reagir bem em vê-la nesse estado, Nicky.. Não sei se posso, meu bom senso não aguentaria muito tempo.
Nicky estava cansada daquela conversinha fiada de Alex. Piper estava apenas grávida, e Alex estava fazendo um drama desnecessário.
– Ela está grávida, porra. Quer parar de drama? Se quiser ficar aqui e se isolar do mundo, tudo bem, só não vem com essa de ''eu não sei se posso.''
– Irei por Maya, ela não merece essa desfeita. – disse, de forma rápida e taxativa, tentando convencer-se disso.
– Sei.. – ela riu. – Luminor! Estamos saindo. – gritou.
O cachorro agora maior, veio correndo na direção delas, abanando a longa cauda marrom.
– Ele vai surtar na festa, Nicky, não é bom leva-lo. – Alex afagava o focinho dele.
– Alguém tem que surtar, né?
– Foda-se. – grunhiu, encoleirando o cachorro.
Alex tamborilava os dedos no volante, sabia que Nicky odiava aquilo. Fingiu não notar seu olhar macabro direcionado a sua direção.
– Ok, já pode parar! – ela disse tão calmamente, na certa conseguiu contornar sua raiva.
– Me ajuda a relaxar, Nics. – Alex riu discretamente.
– Ahhhhh, boceta, para com essa merda, Alex!
Alex travou os dedos no ar, ostentando um sorriso.
– Eu estou tão nervosa, porra..
– E você nem sabe da metade da missa. – Nicky cruzou os pés no painel do carro. Alex desviou os olhos da estrada por um minuto, olhando-a.
– O que houve? – perguntou.
– Deixe pra lá, não é nada de tão importante. – Notando que Alex a examinava, resolveu mudar o foco da conversa. – Maya vai pirar quando ganhar esse pônei rosa.
– Eu pensei a mesma coisa quando o vi.
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Piper prendia um canudinho rosa entre os lábios, sorvendo toda a limonada da garrafinha. Seus olhos azuis bailavam livremente por toda a sala decorada. Maya dançava, e pulava levando Lorna, Red e Vee, consigo. Aquilo era bizarro demais, não pode conter uma risada. As demais crianças jogavam videogame e montavam cupcakes em uma mesa ao centro, Taystee e Cindy os ajudavam.
– Aquilo é tão estranho, para ser sincera, eu preferia estar jogando bingo com Miss Williams. – Polly a olhou.
– Se tem uma coisa que eu amo em você, é sua sinceridade.
Polly balançou a cabeça, encostando o seu pulso no nariz de Piper.
– Sente só..
– Que.. – aspirou o cheiro delicioso impregnado ali. – uow!
– Red e seu Chanel N°5!
– Polly, eu não acredito que você esfregou seu pulso nela como se ela fosse a capa de uma revista.
– Fui discreta. – piscou-lhe. – Taystee diz que dá sorte.
– Você não sabe ser discreta. – disse, e fechou os olhos.
– Tudo bem, ela achou estranho, mas gostou, tenho certeza.
– Hum. – ruiu em resposta.
– Piper, vai deitar, você está um caco.
– Não posso, é a festa de Maya. – ela respondeu balançando a cabeça.
– Eu seguro as pontas aqui, depois você volta..
– A Polly tem razão, querida. – Sophia apareceu de repente, fazendo ambas sorrirem.
– Porra, eu senti a sua falta. – Piper deixou a garrafinha de limonada ao lado, e a abraçou. – O cabelo de Maya está incrível, obrigada.
– Não agradeça por isso, senti a sua falta também. Agora vá descansar um pouco.
– Tudo bem, vocês venceram. – Descansou as mãos nos quadris. – Não deixe Polly chegar perto de Red, por favor.
Sophia sorriu educadamente, sem entender aquele comentário adicional.
– Alex é minha próxima vitima. – Polly brincou.
Piper pareceu hesitar, mas sorriu.
– Boa sorte, Holly.
– Você é uma grande filha da-
– Mãe. – Vee se juntou ao trio.
– Definitivamente, Vee! – Polly corou, e beijou sua bochecha. – Ah, Piper.. Brin está dormindo em sua cama com Benjamin, logo irei pegá-la.
– Sem problemas. – Piper sorriu. – Voltarei logo, só preciso deitar um pouco. – retirou-se em seguida. Ao passar por Maya, jogou-lhe um beijo no ar. Ela o pegou com a mãozinha e se aproximou.
– Você está bem, mamãe?
– Muito bem, pipoca. – ela respondeu, segurando o queixo da menina com o dedo indicador. – Está gostando de sua festa?
– Demais, Rose logo chegará, o papai dela vem deixa-la. – respondeu, eufórica.
– Oh! Rose vem mesmo?
Maya sacudiu a cabeça, positivamente, movendo os cachinhos azuis artificiais.
– Que bom, meu amor! – Piper sorriu. – Mamãe irá deitar um pouco, ok?
– Por quê? Tá dodói? – ela a olhou com curiosidade.
– Estou um pouco cansadinha, May. – Maya a abraçou, derretendo seu coração. – Volto em meia hora, certo?
– Certo! – confirmou, dando uma beijoca na barriga de Piper. – Te amo!
– Te amo, minha querida. – afastou-a. – Vá se divertir.
Xxx
Alex contornou o veículo chegando até à porta do carona
– Nicky, quer parar de tirar fotos?
– Sorria! – pediu, tirando uma foto de Alex. – Agora vamos.
Lorna as recebeu na porta, segurando os presentes que ambas traziam. Alex enrolou a coleira de Luminor no pulso, ao entrar. Procurou por um rosto de adulto conhecido, já que o lugar estava cheio de crianças. Avistou Taystee com uma bisnaga de glacê nas mãos, contornando um cupcake. Até que ela levava jeito, pensou. Seus olhos estudaram cada milímetro da decoração, pousou-os em Maya. Ela vestia uma jardineira branca, nos pés um all star vermelho, e em sua cabeça, cachos azuis balançavam quando ela pulava segurando a mão de uma garotinha de traços indianos.
– Ei, Maya Perry! – ela disse, chamando a atenção da sobrinha.
– Oi tia! – Maya soltou a mão de sua amiga, correndo até ela.
– Parabéns! – Alex a ergueu nos braços, esmagando-a em um abraço.
– Obrigada. – respondeu alegremente.
Alex a colocou no chão.
– Rose, venha cá! – Maya chamou-a. – Este é Luminor! – apresentou o cachorro que balançava o rabo, extasiado em vê-la. A menina passou a mão na pelagem macia de Luminor, que cheirou a palminha de sua mão, dando lambidas. Rose riu, e Maya a imitou.
– É seu presente, Maya?
– Não, ele é da tia Alex. – explicou.
– Maya, por que vocês estão conversando em Francês? – Alex estava boquiaberta, olhando-as.
– Rose é francesa, tia Alex.
– Oh! – foi tudo o que conseguiu dizer. Maya era mesmo muito inteligente, dominava a língua perfeitamente bem, sem o sotaque americano. Luminor farejou o chão, agitado. Maya então colocou um chapeuzinho de festa nele.
– Nós vamos fazer cupcake, tia.
– Certo. – ela respondeu. Depois de um segundo perguntou. – Onde está Benjamin?
– Dormindo no quarto da mamãe.
Alex lutou contra a vontade de sair correndo dali. Luminor deu um tranco na coleira, fazendo com que seu corpo se inclinasse para frente. – Quieto, Luminor. – Segurou com firmeza, dessa vez, levando-o até a cozinha, onde teria certeza de que encontraria Lorna e Nicky, Piper possivelmente estaria lá, uma vez que não a encontrou na sala. Encheu o peito de ar, e prendeu a respiração, caminhando em passos indecisos.
– Alex, querida. – Red a chamou, quando ela apareceu no cômodo. Antes de respondê-la, seus olhos procuraram uma figura loira, e grávida. Deu um sorriso enfático, ao não encontra-la ali também. Afinal, onde estaria Piper? Será que ela estaria doente? Sentiu um medo com a possibilidade.
– Olá, Nonna Red! – enfim, cumprimentou-a. Grudando seus olhos em uma peruca lilás que escondia seus fios ruivos. – Uau, Maya faz milagres com a senhora mesmo. – zombou, ao receber um beijo no rosto.
– Está tão ruim assim?
– Imagina, Red. Você parece aquela menina de Lazy Town, não deixe Benjamin vê-la com isso na cabeça. – Nicky respondeu por Alex.
– Essa menina consegue ser desprezível cada vez mais. – Red olhou-a.
Alex ria, controlando a coleira de Luminor.
– Isso é inveja, Red. – Vee mastigava suas batatas fritas. – Ela quer colocar uma também, só não tem coragem para isso.
– Vee, você jogava no meu time, qual é?
– Era um jogo? – perguntou, olhando Alex, que engoliu em seco sustentando o seu olhar.
– Eu achava que era, mas tudo bem. – ela deu de ombros, apertando Lorna em seus braços.
– Irei me sentar na sala, queridas. – Red avisou.
– Irei acompanha-la. – Vee deu uma ultima olhada em Alex, e saiu seguindo Red.
– Ela me odeia! – afirmou. – E eu tenho certo medo dela.
– Alex, você tá blefando. – Instigou Lorna, antes de colocar um pirulito na boca de Nicky.
– Lorna, Piper pediu.. – Polly parou ao olhar Alex.
– Oi Molly! – Mesmo nervosa, Alex não podia deixar passar em branco. Provocar Polly era tão confortável.
– Alex, querida! – Polly decidiu que ela não a irritaria naquele dia. – Que bom que veio! Nicky segure esse bebê aqui.. – entregou Brin a ela. – Dê-me um abraço. – pediu sem esperar pela resposta, abraçou-a demoradamente.
– Que merda é essa? – Alex desvinculou-se daquele abraço um tanto esquisito. – Até onde sei você me odeia.
– Eu? – Polly perguntou, fingindo-se de inocente. – Que absurdo.
– Essa menina é linda! – Nicky interrompeu-as. – Quanto quer nela?
– Fala sério? Bem.. – Polly chegou sorrateiramente perto dela. – Trinta e cinco milhões seria o suficiente para eu fazer uma boa plástica, colocar silicone, viajar o mundo a fora, ter outra dessa. – apontou a bebê que mordia o dedo de Nicky. – E então?
– Caralho, você é punk! – disse Nicky, arregalando os olhos, mas depois sorriu. – Onde está Piper?
Alex sentiu uma vontade de abraçar Nicky por sua pergunta, pois essa foi a sua vontade desde que Lorna as recebeu na porta. Mas claro que não perguntaria.
– Piper está deitada, aqueles meninos estão acabando com a energia dela.
– Meninos? – Alex não aguentou, e sua curiosidade pulou pra fora de sua boca. Bem, agora já era tarde.
– Você não sabia? – Polly abriu a boca, como se fosse rir alto, mas esse não veio. – Piper está esperando gêmeos.
Alex sentiu um sorriso triste surgir em seus lábios. Sentia-se enganada por seu próprio coração. Aquilo era puro masoquismo. Como podia ser tão tola a ponto de deixar-se aberta ao sofrimento novamente? Havia lágrimas teimando em escorrer por seu rosto, mas não iria permitir que isso acontecesse ali, diante da melhor amiga de Piper. Por isso foi totalmente enfática, absolutamente rude:
– Uau! Trabalho em dobro, assim ela manterá as pernas fechadas por algum tempo. – Alex passara tantas e tantas noites ansiando encontra-la, agora, parecia ser tarde demais para vê-la e demonstrar tanta preocupação.
Polly bufou parecendo um touro prestes a atacar.
– Polly, segure seu bebê aqui. – a interrupção de Nicky lhe pareceu providencial. – Tchauzinho, boneca! – Disse sorrindo para a neném, agora no colo de sua mãe. – Alex, vamos ver Taystee. – ela a tomou pelo braço, acrescentando. – Eu acho bom você se controlar.
– Você sabia esse tempo todo e não me contou! – ela disse, apertando a coleira de Luminor que insistia em farejar o chão.
– Porra, Alex, você mesma disse que não queria saber de Piper! – Neste instante, Nicky agarrou um espetinho de legumes, e o abocanhou. Alex balançou a cabeça, em negativa. – Quer um?
– Não, cacete!
– Quer se acalmar? Não sei por que você está fora de si, Piper não é de sua conta, e os bebês, muito menos. – Nicky tentava ser irônica.
Alex sentiu um incomodo no peito. Como Nicky pudera intuir que Piper não era de sua conta? Os bebês podia não ser, mas Piper.. era. Calou-se por instantes. Fitando o chapeuzinho de Luminor, que estava todo torto em cima de sua cabeça. Ajeitou os óculos com a ponta do indicador.
– Desculpe, Alex, mas você-
– Tudo bem, Nicky. Eu acho melhor ir embora, não estou no clima. – aproximaram-se da sala. As crianças dançavam e cantavam Dark Horse;
– Aguente mais um pouco! – Nicky disse sem olhá-la. – Vamos dançar com os monstrinhos.
– Fique a vontade. – ela deu de ombros.
Nicky caminhou para o meio das crianças, fazendo uma dança fora de ritmo. Alex recostou-se na parede rindo sem vontade. Girou um pouco o pescoço na direção do corredor que separava a sala dos quartos. Apertou os olhos. Luminor deu um latido ruidoso, chamando a atenção de uma ou duas crianças.
– O que porra você tem? – Alex abaixou-se, lhe coçando os pelos. O cão choramingou, colando seu focinho no chão. A porta do quarto de Maya se abriu, a poucos metros de distância, e Alex sentiu o coração quase saltar por sua boca.
Piper a olhou. Um arrepio percorreu o corpo dela.
– Luminor! – sem sucesso, ela tentou parar o cachorro que correu em disparada na direção de Piper. Ele correra tão precisamente que a coleira rompeu-se.
XXX
Até quarta, pessoal. :)
