Capítulo Vinte e Cinco
McGonagall's Message
(A Mensagem de McGonagall)
O Salão Comunal da Grifinória estava, pela primeira vez, completamente silencioso. Até aquele garoto do terceiro ano, McLaggen — e seus amigos —, que estivera jogando uma partida muito barulhenta de Snap Explosivo havia poucos momentos, parecia não ter algo a dizer.
McGonagall era um pouco parecida com a mãe nesse sentido, Ginny não pôde evitar pensar; ela sabia como se fazer ouvir... se bem, Ginny pensou, que alguém tão quieto quanto Neville Longbottom, do ano de Ron, teria feito todos o ouvirem se falasse as mesmas palavras.
— O Herdeiro de Sonserina se apresentou ao diretor — disse ela. — E a um de nossos alunos...
O silêncio terminou quando as pessoas começaram a fazer perguntas: quem?, teve um ataque? Ou o Herdeiro? Quem?
— Primeiro, quero saber quem não está aqui — disse McGonagall por cima deles todos. Ela olhou ao redor, penetrante. — Levantem as mãos! Não quero ninguém gritando.
— Angelina e Alicia foram se trocar — disse uma garota do quarto ano, balançando a mão para a professora.
— E Fred e George, também — disse Lee.
— Wood voltou com a gente — disse Katie Bell, cujo cabelo estava enrolado em uma toalha molhada. — Acho que ele também foi pro dormitório.
Um dos alunos do sétimo ano tinha ido se deitar mais cedo, e um do quinto ano tinha ido visitar sua namorada na Lufa-Lufa. McGonagall mandou um gato prateado procurar a professora Sprout para confirmar essa informação e mandou que os alunos que estavam no Salão Comunal fossem procurar o que estavam nos dormitórios.
— Uma confirmação verbal teria sido o bastante, senhor Wood — disse McGonagall quando Wood escorregou pelas escadas dos dormitórios masculinos para anunciar que estava lá e bem, e perguntar o que tinha acontecido. Ela o mandou ir vestir algo além de uma toalha e crispou os lábios para as garotas que suspiraram quando ele começou a subir as escadas. Ginny não entendeu; tinha visto vários garotos de toalha para saber que não era nada especial.
Aí, Hermione falou.
— Professora — chamou ela. — O Harry. — Ela, Ron e Draco pareciam abatidos. Harry não estava com eles. Ginny sentiu seu estômago se apertar e torceu para que ele estivesse bem.
Wood parou no meio das escadas e disse para McGonagall:
— Ele bateu a cabeça e foi embora mais cedo do treino, mas eu não sei para onde... isso foi há uma hora, professora...
— Obrigada, senhor Wood — disse ela. — Sabemos onde o senhor Potter está — disse a ele, a Ron, a Hermione e a Draco. Wood abriu a boca. — Não quero te ver nem te ouvir até que esteja vestido — falou, apontando para os dormitórios; Wood sorriu e correu para o quarto. — Mais alguém? — Murmurinhos soaram pelo Salão Comunal, enquanto Ginny observava de sua poltrona confortável. — Muito bem. — Alisou a frente das vestes. — O diretor pediu certas informações. Eu, e o diretor por mim, quero saber de qualquer atividade suspeita que qualquer um de vocês possa ter visto hoje à noite. Pode ser algo tão óbvio quanto uma mensagem direta do Herdeiro, quanto algo tão sútil quanto um mau pressentimento em uma parte da escola ou perto de alguém. — O Salão ficou em silêncio. — Ficarei aqui por mais um tempo — disse, crispando os lábios. — Eu cuidarei de vocês e se quiserem conversar discretamente sobre qualquer coisa que possam ter visto, estou à disposição. Meu escritório está aberto a quem quiser me ver, seja para dar informação, seja só para conversar.
E, assim, gradualmente todos voltaram ao que estiveram fazendo; o jogo barulhento de McLaggen voltou a acontecer, e McGonagall o olhou com irritação por sobre o ombro, enquanto corrigia trabalhos, esperando que alguém a abordasse. Hermione foi a primeira a ir conversar com ela, e isso não surpreendeu Ginny. Elas conversaram por um tempo, e Hermione foi se juntar a Ron e Draco, e os três juntaram as cabeças. Ginny estava longe demais para tentar ouvir o que diziam, por isso voltou a observar o fogo. Estava cansada demais para fazer o dever de casa, e Tom estivera quieto por duas horas, mas Percy tinha lhe dito que ela não parecia muito bem mais cedo, por isso decidiu não ir para a cama cedo, porque ele se preocuparia.
Várias outras pessoas foram conversar com McGonagall — Angelina, depois Parvati Patil do ano de Ron; então, vinte minutos depois, foi a vez de um garoto do sétimo ano que Ginny não conhecia. Tentou lembrar se tinha visto ou ouvido alguma coisa, mas não tinha, então voltou a observar o fogo e a observar seu irmão e os amigos dele.
Ginny queria ir até eles para descobrir o que estava acontecendo, para se preocupar com Harry junto deles. Mas não o fez. Ron não ia querê-la lá, e Hermione só lhe diria que estava tudo bem e que não precisava ficar com medo, quando esse não era o caso. Preocupação e medo eram duas coisas diferentes. Ginny suspirou, sentindo falta da companhia de Tom e da de Colin, também.
Ele era — ou tinha sido — o único amigo que ela tinha na Grifinória que era só seu, e não de Ron ou dos gêmeos. Decidiu que iria visitá-lo no dia seguinte; ele tinha recebido uma carta hoje do seu irmão mais novo (ou foi o que assumiu, pela letra e pelas coisas que Colin lhe contara sobre Dennis), e ela achou que ele gostaria se ela a lesse para ele. Esperava que ele gostasse.
O Salão Comunal voltou a ficar silencioso e, quando Ginny ergueu os olhos, viu que era porque McGonagall tinha se levantado e guardava suas coisas.
— O diretor e eu cuidaremos da informação que recebi hoje, então obrigada. — Ela ajustou sua pilha de livros e voltou a erguer os olhos, as linhas de expressão ao redor de sua boca relaxando um pouco. — Não é preciso dizer que são tempos perigosos. Cuidem de seus colegas, de seus amigos e de sua família, se ela estiver na escola, e não hesitem em apresentar informações que possam ajudar. Lembre-se, meu escritório está aberto. — E, assentindo para eles, ela foi até o buraco do retrato antes de recuar abruptamente.
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— Tem que ser o anel — disse Padfoot. Harry assentiu, sabendo que ele estava certo, e Dumbledore tinha concordado que fazia sentido; afinal, não podia ser o medalhão de Sonserina, que estava com eles, e o anel provava que Voldemort, Tom, era parente dos Gaunt. — Fique de olho, certo?
— Sim.
Harry se despediu de Padfoot com um abraço e prometeu conversar com ele em breve. O que mais poderia dizer, perguntou-se. Uma parte sua queria agradecê-lo por ter vindo e por ter trazido Quirrell, mas Padfoot sabia que era grato e provavelmente ficaria ofendido se Harry tentasse agradecê-lo. Uma outra parte sua queria chorar e pedir para que, por favor, ele o levasse para Grimmauld, para que Harry pudesse se esconder embaixo da cama pelo resto da vida. Ele podia aparatar para ir ao banheiro, e Monstro podia levar sua comida, e Padfoot podia lhe fazer companhia quando não estivesse trabalhando. Seria uma vida entediante, mas estaria seguro.
Em vez disso, Harry abraçou Padfoot mais uma vez e disse a senha a Mulher Gorda. O retrato abriu e Harry entrou, quase trombando com McGonagall. Ela colocou uma mão em seu braço para que ele não caísse.
— Potter. — Seus olhos correram por ele, parando nas vestes de Quadribol, a vassoura em seus ombros e, por fim, pousaram seu rosto. Ele não saberia dizer o que ela procurava, mas ela assentiu uma vez. — Você está bem?
— Sim, professora — disse, olhando apenas para ela; conseguia sentir inúmeros pares de olhos nele e não gostou nem um pouco disso. Manteve a voz baixa, mas ninguém fizera menção de tentar ouvir melhor; McGonagall não parecia disposta a tolerar muito no momento. — Quanto eles sabem? — Ocorreu-lhe que era presunçoso perguntar, mas McGonagall nem hesitou.
— Que o Herdeiro esteve na escola hoje, que precisam cuidar uns dos outros e que devem informar qualquer coisa incomum.
Harry assentiu lentamente e disse:
— Então, eles não sabem quem?
— Não no momento — respondeu ela.
— Deveriam — falou.
— A ignorância não é o ideal — disse McGonagall brevemente —, mas eles já estão bastante assustados sem saber que Você-Sabe-Quem está por aí, atacando as pessoas com algum tipo de monstro.
— Cobra — falou ele. McGonagall o olhou, irritada. — E ele tem um nome — continuou. O olhar não suavizou, nem um pouco. — Tom Riddle. É ele, não V...
— São a mesma pessoa, Potter — disse ela, cansada.
— Não — insistiu —, não são. — Ela o olhou como se o visse pela primeira vez.
— Potter...
— São pessoas diferentes — falou. — E alguém pode reconhecer o nome...
— Muito bem — disse ela quase sem voz. — Eu... sim, muito bem, Potter. — Ela parecia estar se esforçando para entender, não que Harry a culpasse, mas ela se virou e voltou ao Salão Comunal.
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Ginny e praticamente todos os alunos observavam a conversa entre a Chefe da Casa e Harry. Ela observou Harry ir se juntar ao seu irmão, Draco e Hermione, e não sabia se devia observá-lo ou prestar atenção em McGonagall, que dera um passo para frente, como se fosse falar.
— Temos um nome — disse ela lentamente e hesitou, chamando a atenção de Harry.
— Quem, professora? — perguntou Seamus Finnigan, alto. Fred e George estavam entre os que o mandaram ficar quieto. Ginny esperava que McGonagall os repreendesse, mas ela não o fez. Ela piscou e se virou para olhar para Seamus.
— Tom Riddle — disse, soando fraca.
Ginny achou que seu coração tinha parado de bater.
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Percy sentia o coração na garganta. O nome Tom Riddle tinha vários significados para ele; primeiro, ele tinha sido um Monitor muito respeitado, sobre quem Percy lera em jornais antigos e como quem Percy queria ser: bem-sucedido, esperto, popular e eternamente lembrado através dos prêmios por serviços prestados à escola.
O nome também tinha significado por um motivo completamente diferente; naquele verão, Ginny voltara do Beco Diagonal com um diário, com o nome de Tom Riddle nele. Percy o segurara, mas não olhara dentro. Se McGonagall — na verdade, Harry Potter, já que fora ele quem dera esse nome — estivesse certa e Riddle fosse o Herdeiro, então quem sabia que segredos horríveis estavam guardados no diário?
E Ginny... Ginny teria lido. Ela estava envolvida, de algum modo. Percy se recusava a acreditar que sua irmãzinha escolhera soltar um monstro contra os nascidos muggle — seu amigo do primeiro ano tinha sido atacado, afinal —, mas ela sabia de alguma coisa, Percy tinha certeza. Talvez o diário estivesse cheio de magia negra, como uma maldição Imperius, que a obrigara a fazer essas coisas horríveis. Ela estivera doente e estranha o ano todo, mas ele tinha pensado ser o estresse ou a saudade de casa... talvez fosse mesmo estresse, mas por um motivo diferente. Percy não sabia, mas sabia que tinha que conversar com ela, que tinha que fazer alguma coisa.
E não podia procurar os professores; eles certamente expulsariam Ginny e isso não só quebraria o coração dela e acabaria com seu futuro, mas também séria horrível para a família e para ele. Se sua irmãzinha fosse culpada pelos ataques aos nascidos muggle — e isso certamente aconteceria, por homens como Lucius Malfoy —, então o pai perderia o emprego, e Percy nunca seria Monitor-Chefe.
Ele precisava tirar o diário dela antes que ela causasse mais danos e entregá-lo. Diria que o encontrou em algum lugar, talvez na biblioteca, ou talvez abandonado em um corredor. Dumbledore podia cuidar do diário, Percy seria o garoto que parara Tom Riddle, o Herdeiro de Sonserina, e Ginny estaria segura. Percy podia conversar com ela e entender o porquê de ela ter feito isso, e ajudá-la a ver que suas ações tinham sido erradas. Ele podia cuidar dela, e mais ninguém precisaria saber. Achou que ela gostaria disso.
Ergueu os olhos a tempo de ver Ginny subir as escadas com várias outras pessoas; agora que McGonagall fora embora, ninguém tinha motivos para continuar no Salão Comunal, parecia. Mas enquanto todos falavam alto e faziam perguntas uns aos outros e bocejavam, Ginny estava com a cabeça abaixada, mais pálida do que Percy já a vira e se movia com uma urgência que ele achou ser o único a notar. Engoliu em seco e acomodou-se em sua poltrona para esperar.
Continua.
