DISCLAIMER: Eu não sou proprietária ou dona da saga TWILIGHT, todos os personagens e algumas características são de autoria e obra de Stephenie Meyer. Mas a temática, o enredo, e tudo mais que contém na fanfiction JUST JUSTICE, é de minha autoria. Dessa maneira ela é propriedade minha, e qualquer cópia, adaptação, tradução, postagem ou afins sem a minha autorização será denunciado sem piedade. Obrigada pela atenção.
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N/A: Olá meus amores!

Como todo mundo anda por aqui? Sim eu sei, eu sei que desapareci deste universo e nem dei explicações. Mas quem acredita que foi esse capítulo o responsável pelo meu sumiço? Acreditem se quiser, este capítulo conseguiu me consumir durante 16 dias! Diz que não é coisa pra ficar maluca?

Mas enfim, com ajuda das forças celestiais e o incentivo de todos direta ou indiretamente consegui concluir. O capítulo ficou imenso. O maior desta fic, mas não o maior que já escrevi. 39 páginas, 18.500 palavras foi o resultado final. Resultado que conforme escrevia, me emocionava, sentia o pesar da situação em alguns pontos, mas também aproveitei a emoção de concluir mais uma fic. Ainda falta o epílogo que deve vir lá pelos meados de abril, mas em tese esta fic está terminada.

Agradeço imensamente a todos que acompanharam e leram, foram vocês que incentivaram a concluir esta fanfic. Vou me despedindo por ora, por aqui, e um conselho: peguem seus lencinhos, pois lágrimas ocorrerão.

Nós falamos mais no final. Boa leitura a todos. ;D

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JUST JUSTICE

capítulo vinte e quatro
Enfim Para Todo o Sempre

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"Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida,
pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda."
-Provérbio Chinês -

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Isabella Swan

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A escuridão é uma maneira de trazer medo extremo, como também uma tranquilidade confortadora. Contudo, pela primeira vez, a escuridão que me encontrava não me deixava com medo ao extremo ou tranquilamente confortável, ela me deixava sufocada, constringida, incomodada. E por mais que eu tentasse abrir meus olhos e escapar dela, para enfim encontrar a claridade que me daria às respostas necessárias, não conseguia. Era impossível.

Sons metálicos, atrito de tecidos, zumbido de equipamentos eletrônicos, vozes humanas, tudo eram captados pelos meus ouvidos, contudo ainda eram inteligíveis para mim o que diziam ou de onde partiam. E toda vez que me esforçava para ouvi-las, uma dor como a de um machado afiado penetrando minha cabeça e cérebro me tomava, retornando a mesma escuridão sufocada de anteriormente.

Não sei dizer quantas vezes estava prestes a sair do limbo da negritude quando de repente voltava a cair nas profundezas dela, mas nunca de maneira inoportuna. Sempre confortável.

Foi libertador quando, finalmente, meus olhos se livraram da escuridão incomoda e encontraram a claridade apática de sabe-se lá onde estava. Ao encarar o teto do lugar que me encontrava, imediatamente uma sensação de perda, de dor, de compaixão me dominou. Era tão forte que podia sentir todos os meus órgãos se apertando ou então se revirando, em um claro sinal de nervosismo, medo, ansiedade.

Com uma força hercúlea, que nem imaginava ser necessária para me movimentar, virei meu rosto para analisar as paredes do lugar que me encontrava. Brancas e verde-claras. Frias e apáticas. Tristes e melancólicas. Doentias e mórbidas.

Tinha uma vaga ideia de onde eu poderia estar, mas para confirmar o meu pensamento encarei os aparelhos que estavam conectados ao meu corpo emitindo sons mecânicos, robóticos e contínuos. Senti milhares de picadas de agulhas intravenosas espalhadas pela extensão dos meus braços, os deixando gélidos e doloridos. Em meu rosto uma sonda para alimentação impedia que o ar entrasse puro pelas minhas narinas indo aos meus pulmões. Outras sondas acompanhavam a que estavam em meu nariz, desta vez, conectadas em meu corpo.

Hospital. Eu estava em um hospital. E eu odiava hospitais.

Odiava porque eles sempre trazem más recordações. Me recorda dos meus acidentes na infância. Me recorda pela morte sofrida de minha avó. Me recorda pelas dores e aflições que senti. Mas principalmente, me recorda da vez que perdi meu filho.

Filho. Eu estava grávida.

Levei minhas mãos instantaneamente a minha barriga, sentindo uma longa e grossa bandagem a cobrindo. Imediatamente me perturbei ao não conseguir sentir a pele do meu ventre. Minha garganta se fechou e a sonda que estava em meu nariz me afogou por alguns segundos, impossibilitando toda e qualquer passagem de ar. Pelo eletrocardiograma ouvi meus batimentos acelerarem violentamente, apitando estridentemente indicando que estava prestes a ter um colapso.

A porta do quarto abriu em um rompante revelando um homem e uma mulher, ambos vestidos de brancos e com expressões nervosas e aflitas. Antes que eu pudesse expressar qualquer palavra ou som, a mulher, que parecia uma enfermeira munida de uma seringa com um sedativo a conectou em um cateter em meu braço onde o medicamento caiu em minha corrente sanguínea me tranquilizando imediatamente e me arrastando mais uma vez a escuridão confortável, porém incomoda de antes.

XxXxXxXxXxX

Voltei a abrir meus olhos, não sei quanto tempo depois, livrando-me por fim da escuridão incomoda em que estava mergulhada desta vez sendo trocada pela escuridão noturna. Ainda sentia os efeitos do sedativo em meu sangue; não sentia dor, não conseguia colocar meus pensamentos em ordem, não sentia absolutamente nada. Um frio cortante assolou meu corpo, o arrepiando completamente, assim como um tremor propagava por todos meus ossos e músculos.

Desta vez, antes que eu pudesse entrar em pânico, uma mulher entrou no quarto, com uma expressão preocupada em seu rosto. Antes de dizer qualquer coisa, ela conferiu o prontuário que estava preso ao leito em que estava, e depois verificou os equipamentos que estavam ao lado da cama. Quando finalizou sua checagem a mulher, enfim, acendeu uma luz ao lado de onde eu estava tirando, assim, o quarto da penumbra em que se encontrava.

Um sorriso sincero estampava o rosto gentil da mulher. Me senti confortada com aquele gesto e mesmo impossibilitada pelos inúmeros equipamentos médicos tentei retribuir.

- Vejo que a senhora está melhor. – compadeceu a mulher. – Eu sou a Dra. Eve Jones. – apresentou-se.

- O que aconteceu? Por que estou com uma bandagem em minha barriga? E como está meu bebê? – perguntei em uma torrente, sentindo o nervosismo aumentar novamente, algo que foi comprovado pelos aparelhos ao meu lado.

- Isabella, acalme-se. – pediu a Dra. Jones pacientemente. – Ou terei que sedá-la mais uma vez.

Fechei meus olhos cadenciando minha respiração e meus batimentos cardíacos. Contudo o nervosismo que sentia por nada se enfraquecia, fazendo assim que sentisse meu coração se apertando, minha traquéia comprimindo e meu estômago revirando.

- Isto. Tranquilize-se. – solicitou a médica.

Foi lento o processo de aquietação, mas mesmo assim um sentimento de perda ainda me dominava. A Dra. Jones notando que ainda estava inquieta instruiu-me em alguns exercícios para acalmar, o que lentamente ajudou um pouco o incomodo da mão invisível que apertava meu coração. Ela sorriu simpática e solidariamente para mim, antes de se acomodar ao lado do meu leito, meio sentada, segurando com firmeza as minhas mãos.

- Isabella, você se recorda do porque veio parar no hospital? – perguntou lentamente.

Me forcei a relembrar o que havia acontecido para que eu fosse parar ali. Contudo as minhas memórias estavam nubladas e confusas. Recordava de gritos, sons angustiantes, sons de cápsulas metálicas, ecos horrorizados. Recordei no medo nauseante e congelante que dominou todo o meu corpo, entretanto, minhas memórias não iam além disso.

Uma lágrima solitária e gélida caiu de meus olhos, correndo por todo o meu rosto, caindo por fim sobre os lençóis brancos do hospital. Não fazia ideia porque estava chorando, mas sabia que as minhas lágrimas tinham tantas explicações, tantos fundamentos, que só de pensar no que quer que fosse meu coração pesava, como se tivesse amarrado a ele um pedaço de concreto e este caísse em alto mar, para as profundezas inexploradas do oceano.

- Acalme-se, Isabella. – pediu mais uma vez a médica.

A voz calma e tranquila da Dra. Eve Jones ia me ajudando a me acalmar, era tão confortável, que as minhas pálpebras tornaram-se pesadas. Sobressaltei-me quando o timbre de soprano da médica me retirou da semi-inconsciência adormecida que me encontrava.

- Isabella, você me ouve? – pediu serenamente. Confirmei com a cabeça, mas antes que ela me pedisse para dizer algo; resolvi fazer por mim mesma.

- Sim. – murmurei em um sussurro. Ela deu um meio sorriso no mesmo instante que balançava sua cabeça.

- Certo. – concordou, assinalando algo em sua prancheta, que até então não tinha visto. – A senhora e seu esposo, o agente Edward Cullen, deram entrada em nosso hospital as nove e quarenta e sete da noite, da sexta-feira, dia onze de março. – começou dando alguns dados, o que não me ajudou muito a assimilar tudo. – Ou seja, a cerca de cinco dias. – completou.

- Eu... eu fiquei cinco dias desacordada? – perguntei aturdida.

- Não. Você ficou em coma induzido, minha equipe e eu achamos mais aconselhável pelo estado que a senhora estava. – explicou pacientemente.

Engoli em seco, com dificuldade, uma vez que a minha garganta voltou a se constringir.

- O... o que aconteceu? Em que estado eu estava? – questionei nervosamente, tentando, em vão, me sentar.

- A senhora e seu marido conseguiram encontrar uma informação sobre um grupo de criminosos que há meses estavam investigando, e estes, pelo que me parece, ficaram sabendo e os cercaram em uma rua atrás do Capitólio. – expôs ligeiramente confusa.

"Pelo o que o Secretário de Segurança me informou, ouve uma troca de tiros. Seu esposo Edward, tentou protegê-la, mas ele não foi muito bem sucedido, pois acabou sendo atingido." – completou laconicamente, tentando controlar o desconforto que pesava sobre seus ombros.

- Edward está bem? – me vi perguntando inesperadamente, temerosa pelo que pode ter acontecido a ele.

- Está se recuperando bem. – sorriu saudosa. – Está no quarto aqui ao seu lado, acredito que amanhã você irá poder vê-lo. – explanou compreensiva.

- O-ok. – respondi tolamente. Acredito que ninguém no hospital saiba que Edward e eu somos somente marido e mulher no papel, que em nossa vida não cumprimos este papel há muito tempo. Ignorando os pensamentos negativos e controversos sobre meu casamento com o ruivo, questionei sobre o que mais importava no momento. – Mas o que aconteceu? Por que estou aqui? O que aconteceu com meu bebê?

- Calma, Isabella. – pediu a médica, ao verificar pelos equipamentos que meus batimentos cardíacos e pulsação começaram a acelerar.

Desta vez o meu processo de tranquilização foi mais lento do que eu e a Dra. Jones prevíamos, mas mesmo assim ela não acelerou ou desistiu de terminar a conversa que estávamos tendo. E algo no meu íntimo me dizia que o pior ainda estava por vir.

- Bom, continuando. – voltou a contar a história, com um semblante sério. – Você e Edward, foram atingidos. Edward com quatro tiros, um em seu ombro esquerdo, um em sua coxa direita e dois em suas costas, mas como eu disse anteriormente ele está se recuperando bem. – explanou disfarçando uma preocupação latente em seu rosto.

"Você foi menos atingida que Edward, mas também teve alguns ferimentos sérios, mas que felizmente conseguimos intervir a tempo." – encarou-me profundamente, antes de continuar. – "Você levou três tiros, um de raspão em sua perna esquerda que precisou somente de uma limpeza e um curativo; outro que acertou o seu ombro esquerdo, mas que após uma cirurgia conseguimos remover a bala, e o outro..." – começou, mas hesitou por longos segundos.

- O que aconteceu, Doutora? Onde foi este terceiro tiro? – inquiri nervosamente.

- Isabella, acalme-se. – pediu com autoridade.

- Só se a senhora me contar o que realmente aconteceu! Eu tenho o direito de saber! – exclamei nervosa.

- Sim, você tem o direito de saber, mas o seu estado clínico não está totalmente recuperado e como sou sua médica, posso me abster de te contar, caso você não se acalme. – expôs com arrogância.

- Tudo bem, eu vou me acalmar, mas Doutora... Eve, por favor, se ponha em meu lugar, eu preciso saber o que aconteceu com o meu bebê! – exclamei alucinadamente, sentindo o gosto do desespero em minha boca, e as grossas lágrimas se acumulando em meus olhos, contudo , me bastava saber se seriam de pesar ou alívio.

- Isabella, eu sei que é algo terrível o que aconteceu. Sei também que você sofreu um aborto devido há um acidente a quase cinco anos em Boston, mas... – ela novamente hesitou, fechando seus olhos, antes de me encarar novamente. – Infelizmente, um dos agressores que cercaram você e seu marido, o que desferiu todos os tiros, não foi nenhum pouco piedoso com nenhum de vocês, e em um dos seus últimos golpes, ele...

Dra. Eve Jones engoliu em seco. Seu rosto tinha uma estranha expressão de pesar. Seus olhos estavam baixos e temerosos, mas ela mantinha a sua postura profissional e a voz firme quando voltou a falar.

- O agressor, propositalmente, segundo as pessoas que se encontravam no local – falou, claramente rodeando a questão principal. -, que ele não satisfeito em acertar dois tiros em você, decidiu acertar um último – ela tomou uma respiração profunda, e encarou meus olhos. – em seu ventre. De caso pensado. – completou pesarosa.

Uma sensação como a de uma bola de ferro caiu pelo meu estômago. Sentia-me doente, mas ainda eu precisava ter certeza. Precisava ouvir com todas as palavras o que tinha acontecido.

- E meu bebê? – perguntei lentamente sentindo um nó se formando em minha garganta.

- Isabella. – começou a Dra. Jones, com lágrimas discretas banhando seus olhos castanhos claríssimos. – O tiro perfurou a placenta, e o bebê, que segundo seu obstetra estava com catorze semanas, foi atingido... – ela fechou os olhos novamente. – Ele tinha pouco mais de nove centímetros e cerca de vinte e quatro gramas, era perfeitamente saudável. Mas o corpo miúdo não foi páreo para um projétil de dois centímetros de diâmetro e acabou... – ela tornou a tomar uma respiração profunda, para em seguida continuar. – se alojando na cabeça dele.

Não sei dizer o que aconteceu primeiro. Se foram as minhas lágrimas caindo copiosamente, ou se foram os aparelhos que estavam ligados ao meu corpo, medindo meus batimentos cardíacos e pulsação que começaram a apitar estridentemente, indicando que meu estado nervoso; ou ainda se foram ambos juntos.

Eu me sentia como se estivesse caindo em um buraco fundo e sem fim, como a Alice de Lewis Carroll, porém sem a curiosidade dos itens surreais, ou atrás de um coelho branco com um relógio. Era um buraco sem fim de dor, desespero, angústia, temor, pesar, tristeza. Eu sentia como se estivesse sendo morta mais uma vez. Perdendo mais um filho. Entrando novamente no mesmo trauma.

A médica tentava me acalmar, me amparar com palavras doces e calmantes, mas nada o que ela dizia era suficiente para sanar a dor que sentia. O pedacinho de James que eu carregava já não existia mais. E não existia tudo por causa daquela informação que ele me deu. Por causa da amaldiçoada máfia italiana.

- Isabella, tente se acalmar. – pediu com urgência a Dra. Jones.

- Que me acalmar o caralho! – explodi, sentindo todas as dores dos meus ferimentos e mais algumas desconhecidas repuxando meu corpo. – Eu perdi mais um filho! Como o mundo pode ser tão injusto? Por que sempre tem que existir um desgraçado para acabar com a minha vida? O que eu vou fazer agora? O que será de mim? – gritava a plenos pulmões insanamente, lutando contra as mãos da médica que tentavam tocar a minha pele.

- Eu vou sedá-la. – informou a médica para alguém que não era eu no quarto.

Em questão de segundos senti meus músculos relaxarem contra a minha vontade, a sensação de incomodo passar e meus olhos pesarem, sendo encobertos pela inconsciência. A última coisa que visualizei diante meus olhos – ou talvez tenha imaginado – fora um pequenino caixão branco, a cor da pureza, onde seria a morada eterna de mais um filho que nunca poderei criar por conta de todas as fatalidades que me cercam.

XxXxXxXxXxX

Poderia ter se passado um minuto ou uma década, a dor que pesava em meu coração – mesmo com o excesso de tranquilizantes em meu sangue – ainda comprimia meu peito de maneira pungente. Um vazio asfixiante impedia que eu respirasse sem a ajuda de aparelhos. Minha cabeça era um rodamoinho de sentimentos penosos. Meu corpo era a visão da miséria, da dor, do desespero.

Mesmo sendo sedada quando descobri sobre a fatalidade que havia desmoronado mais uma vez sobre a minha vida, e ficando assim mais de vinte horas mergulhada na inconsciência induzida dos medicamentos, a sensação de dor, de tristeza não enfraquecia ou extinguia. Ela permanecia imutável e crescente em meu íntimo.

O estado que me encontrava poderia ser explicado por uma única palavra: catatônico. Claro que notava a movimentação contínua no meu quarto, seja por enfermeiros, médicos ou técnicos, mas nem mesmo aquelas pessoas, que tentavam arduamente conversar comigo estava conseguindo me tirar daquele estado de inexpressivo temor. Nem mesmo o Dr. Stuart, meu terapeuta, que já estava habituado com meus traumas, e normalmente conseguia me guiar sabiamente não conseguia uma reação sequer.

Eu queria sim falar. Mas a minha voz havia sumido, assim como a vontade de expressar qualquer coisa. Somente meus pensamentos, ou sentimentos – não saberia definir – suicidas conseguiam ter um lugar claro em minha cabeça, juntamente com a enchente de lágrimas dolorosas e tristes que parecia nunca secar.

Sobressaltei-me quando inesperadamente a Dra. Eve Jones, acompanhada do Dr. Henry Stuart, dois enfermeiros e um homem desconhecido que deduzi ser um outro médico adentraram o meu quarto. Notei a Dra. Jones verificando meu prontuário, seguido pela checagem dos aparelhos que estavam ao meu lado. Fora só depois de anotar tudo no papel preso na prancheta transparente que a médica disse alguma coisa.

- Boa tarde Isabella, eu sei que você ainda está abalada diante dos fatos que a senhora descobriu recentemente, mas o Dr. Jack Cooper que está conduzindo o tratamento de seu esposo Edward gostaria muito de lhe falar. – expôs de maneira ácida, parecia que ela não queria que a sua paciente, no caso eu, fosse incomodada com os problemas de qualquer pessoa, seja o grau de proximidade que tenha comigo.

Olhei para o médico que não reconhecia. Era um homem bem apessoado e extremamente novo. Não possuía as rugas que o Dr. Henry Stuart trazia em torno de seus olhos ou o cabelo branco da Dra. Eve Jones. Percebi que o Dr. Cooper era um homem jovem, porém com um ar de competência que transparecia por seus poros, pelo seu olhar e pela sua postura. Ali estava um homem que faria de tudo ao seu alcance para salvar seu paciente, nem que neste caminho tivesse que incomodar um paciente de outro médico que estava em estado crítico.

- Boa tarde senhora Cullen. – saudou o médico me fitando com seus grandes olhos verdes claros. – Demonstro o meu pesar pelo que lhe ocorreu, e sei que este não é a melhor hora para lhe pedir qualquer coisa, mas acredito que já posterguei este momento por um longo tempo, e analisando os documentos de Edward, e depois, obviamente, o consultando, a senhora é a única que pode tomar a decisão ao lado dele sobre que tratamento lhe devo dirigir. – narrou lentamente.

"Contudo, esta decisão deve ser tomada em conjunto por vocês dois. E por conta disto solicitei esta 'reunião' com a Dra. Jones e o Dr. Stuart. Eu preciso levá-la até onde está Edward para explicar a situação aos dois e assim ambos decidirem o que fazer." – o Dr. Jack Cooper lançou um olhar de esgoela para Eve Jones que mantinha uma expressão de poucos amigos. – "Eu gostaria de trazer Edward até aqui, para que assim eu pudesse conversar com os dois, sem mover à senhora, mas não é o caso. Seu marido está se recuperando de quatro ferimentos à bala, extremamente graves e se movê-lo o mínimo que for pode causar alguma sequela ou dano irreparável." – completou.

- Isabella, se você não quiser não precisa ir – começou o Dr. Stuart lentamente, lançando um olhar de compreensão entre seus dois colegas. -, mas acredito, e aqui vai o conhecimento que tenho de sua mente e da proximidade que partilhamos por conta de suas sessões terapêuticas, que seria bom se você se ocupasse com outra coisa, ou pensasse em outra questão. – disse o homem que há anos vinha esmiuçando a minha mente, conhecendo vastamente todos os meus medos, aflições, traumas, tristezas e até mesmo minhas poucas felicidades.

Deliberadamente encarei os olhos castanhos escuros, quase negros, de meu terapeuta e pela primeira vez vi uma urgência pungente para que a minha resposta fosse positiva para ir ao quarto ao lado ver Edward.

- Tudo bem. – disse com um fio de voz, que saiu tão baixo que se tornou inaudível devido aos equipamentos ao meu lado que abafaram o som de minha voz. – Eu vou. – completei um pouco mais alto.

Os dois médicos do sexo masculino que ali se encontravam suspiraram aliviados, em contrapartida a médica bufou irritada lançando um olhar repressor ao seu colega mais novo, que provavelmente estava de plantão com ela na noite que demos entrada naquele hospital. Se o Dr. Cooper notou o olhar da Dra. Jones, ignorou muito bem, pois no segundo seguinte orientava os dois enfermeiros em algo.

A minha ida ao quarto em que Edward estava foi feita de maneira bastante lenta. Como ainda aparelhos estavam conectados ao meu corpo, precisou que fosse feita a substituição por alguns destes móveis, assim como os bolsões de soro que estavam interligados ao meu corpo por agulhas intravenosas.

Os três médicos me acompanharam ao quarto onde meu esposo estava. Segundo entendi, todos eles iriam participar dessa tal 'reunião' caso algo desse errado para nos acudir com mais rapidez.

Da mesma maneira que era decorado o quarto em que estava, era o de Edward. A única diferença, é que Edward não se encontrava catatônico como eu deveria ter estado em meu quarto nos últimos dias. O ruivo tinha a sua atenção toda a um livro que lia com demasiada concentração.

Visualizei que tinha, assim como tinha comigo, aparelhos e agulhas intravenosas ligados a Edward, entretanto, ele ao contrário de mim, parecia sequer ligar para aqueles mecanismos incômodos.

Olhei para Edward. Seus cabelos de um tom singular de bronze mantinham a bagunça rotineira. Sua pele ainda era tão clara e pálida como a minha. Seus olhos verdes como esmeraldas brilhavam enquanto corriam palavra por palavra sobre o livro. Notei uma atadura em seu ombro e outra em sua coxa, assim como outros ferimentos de pequeno porte em seu rosto e braços, porém não fora nada disso que me perturbou. O que abalou foi ver as pernas tão bem torneadas e esguias de Edward estendidas sobre a cama. Elas pareciam sem vida. Elas estavam... mortas.

Tive que engolir em seco, no mesmo instante que Edward levantava a sua cabeça e via a multidão que havia entrado em seu quarto. Contudo ele não se sobressaltou como eu imaginei, ele se manteve impassível, porém quando me viu no meio daquele mutirão de pessoas com jalecos brancos, seu famoso e único sorriso torto brotou em seus lábios.

- Bella! – exclamou com uma felicidade palpável e totalmente inapropriada para a situação.

Sem conseguir pronunciar uma palavra sequer, por conta do nó que se acumulava em minha garganta, sorri tristemente.

- Oh querida – começou rindo. -, não se preocupe com isto – apontou despreocupadamente para suas pernas. – é temporário, não é mesmo Jack? – questionou divertido para o médico que olhou preocupado para seus colegas profissionais e depois de mim a Edward.

- Edward. – ele começou lentamente.

Senti novamente uma bola de ferro caindo pesadamente em meu estômago, enquanto meu coração e traquéia eram comprimidos e lágrimas dançavam em meus olhos, embaçando a minha visão.

- O que aconteceu? – perguntou com urgência Edward, percebendo que algo muito ruim estava acontecendo naquele leito de hospital. – Jack... – clamou encolerizado.

- Edward, por favor, acalme-se. – pediu a Dra. Jones com sua voz tranqüilizadora de soprano.

- Não Doutora. Como vou conseguir me acalmar se todos estão com cara de velório? – rebateu asperamente.

Percebi o Dr. Cooper fechar seus olhos como se fizesse uma prece, em seguida respirando profundamente, para enfim abrir seus olhos e encarar seu paciente.

- Edward, você se recorda sobre o que conversamos assim que você saiu do coma? – questionou lentamente.

- Sim. – respondeu prontamente Edward. – Que meus ferimentos, principalmente os da coluna foram bastante graves, porém estavam todos bem. Não haveria sequelas.

- Você também se recorda que esse quadro poderia mudar, devido à natureza das lesões, correto? – pressionou mais uma vez o médico.

- Sim me recordo. – concordou Edward. – Jack, por favor, me diga o que está acontecendo, por que sinceramente não estou conseguindo acompanhar o seu pensamento.

Jack Cooper hesitou por meio minuto, e foi com um tom de pesar que resolveu não mais postergar o inevitável.

- Edward, nos exames que realizamos ontem, eu e minha equipe conseguimos enfim ver o tamanho do dano que o projétil que o atingiu em sua lombar causou. – começou explicando limpidamente. – Eu tinha esperanças, antes de realizar os exames, que a lesão se reestruturasse e você por fim recuperasse os movimentos dos membros inferiores, mas...

Edward que percebendo onde iria parar aquela conversa, endureceu seus olhos verdes e travou seu maxilar, inflando suas marinas com raiva. Seus pulsos se fecharam em nós, suas veias ali saltavam com a pressão. Por fim, agindo de maneira rude e sem nenhuma polidez interrompeu o médico e explanou sem rodeios:

- Eu estou paraplégico. Para sempre. – o âmago em sua voz, fez com que sentisse o mesmo em mim. Edward, que sempre fora uma pessoa cheia de vida, alegre, cheia de esperança mudou sua expressão para uma triste, amarga e sem nenhuma esperança.

- Edward, ainda é cedo para avaliarmos a extensão do dano e se ele será permanente. – contrapôs o médico vendo a fisionomia de seu paciente.

- Me responda Dr. Jack Cooper, quantas pessoas o senhor conhece que levou um tiro em sua coluna e não morreu ou ficou para sempre inválido? – perguntou cheio de escárnio. – Eu não conheço e não imagino que exista nenhum. – respondeu amarguradamente.

- Senhor Cullen – começou o Dr. Stuart. -, eu imagino o quão difícil está sendo processar esta informação, mas existem grupos de apoio para pessoas na sua situação. Não é como se tivesse acabado a sua vida. Você ainda pode ter uma vida normal, ter filhos, trabalhar no FBI, tudo como fazia antes.

Pela primeira vez desde que havia descoberto a notícia, Edward encarou meus olhos lacriminosos. O vi travando o maxilar.

- Filhos? – perguntou cheio de menosprezo. – Já contaram a minha esposa, que só esta esperando o mês de setembro chegar para assinarmos finalmente o nosso divórcio, que ela não poderá ter mais filhos? – questionou cheio de ódio.

Pela minha visão periférica vi a Dra. Eve Jones levar suas mãos a boca, se contendo para não rebater aquela informação, porém, sua postura indicava que Edward estava correto no que dizia. Encarei os olhos verdes de Edward, que estavam escurecidos como jade, duros e frios e notei que ele dizia a mais pura verdade.

- É verdade, Dra. Jones? – perguntei lentamente, sentindo grossas lágrimas rolando por meus olhos.

Fora a vez da médica que estava depositando seus cuidados a mim, fechar os olhos e fazer uma prece silenciosa aos céus.

- Isabella – começou lentamente a médica. – é uma questão que não posso afirmar com clareza. A natureza toma caminhos que a ciência ainda não pode explicar. – justificou.

- Doutora? Eve? – implorei.

- Não posso dizer com absoluta certeza o que realmente irá acontecer, mas o projétil que lhe acertou no ventre, rompeu um tecido de seu útero. Não sabemos dizer se ele irá se regenerar ou não, ou então se terá capacidade de gerar um feto. – explanou. – Caso você consiga gerar uma nova criança será uma gravidez complicada, onde você, provavelmente, terá que passar os nove meses em repouso, senão resultar em uma cesariana antes do tempo. Sinto muito, Isabella. – ponderou sinceramente a médica.

Tentei segurar as lágrimas que insistiam em cair por meu rosto, encarando todas as pessoas que estavam naquele quarto, deixando por último Edward, que mantinha um semblante duro, revoltado, cheio de ódio. Seus olhos verdes me desafiavam de maneira grotesca.

- Vai me acusar disso também? – provocou raivoso.

- Sua vida não acabou. – rebati pesarosa.

- Engano seu, Isabella. – replicou irritado. – Você ainda poderá andar com suas duas pernas, quem sabe adotar uma criança, enquanto eu... bem... eu ficarei preso para o resto da minha vida em uma cadeira de rodas. – vociferou.

- Como você pode ser tão... tão egoísta neste momento? – devolvi, desta vez me rendendo as lágrimas que inundavam meus olhos.

Edward riu sarcástica e arrogantemente.

- Pelo menos eu comecei a ser agora e com motivos aparentes. Ao contrário de você que sempre foi uma puta egoísta. – devolveu com repugnância.

- Seu... – explodi, no mesmo instante que os aparelhos ligados a mim, começaram a brandir, instantaneamente a Dra. Jones interrompeu:

- Devemos levá-la ao seu quarto, foi um dia cheio de emoções. – disse atrapalhada enquanto verificava os aparelhos e dava ordens aos enfermeiros.

- E não precisa voltar. – clamou Edward arrogantemente.

- Eu não vou! – brandi desesperada enquanto um dos enfermeiros empurrava a cadeira de rodas que estava de volta ao quarto em que fiquei nos últimos dias.

Não percebi os enfermeiros me colocando de volta no leito, ou então re-conectando os aparelhos médicos a mim. Meu desespero era tamanho que sequer eu ouvia o que era pronunciado, e não foi surpresa nenhuma, pelo menos não para mim, que a Dra. Jones entrou em meu quarto, munida de uma seringa com tranquilizantes que rapidamente injetou em minha corrente sanguínea finalmente me acalmando através de um sono sem sonhos.

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Os dias no Hospital Geral de Washington passavam-se melancólicos e habitualmente iguais. Do quarto que ainda estava em recuperação, uma semana depois da trágica conversa com Edward, conseguia ouvi-lo reclamando, xingando, vociferando críticas ou reclamações a tudo e a todos. Todos que tentavam conversar com ele eram rebaixados e expulsos do quarto aos berros. A desculpa que ele usava a plenos pulmões para o seu comportamento era que ele agora era um inválido.

Sua rabugentisse perante a sua deficiência recém adquirida era enervante, desgastante e incomoda. Até mesmo as suas meninas – Alice, Rosalie e Angela -, que sempre ficaram ao lado dele nas situações mais complexas no FBI de Los Angeles e até mesmo desde que vieram para Washington foram expulsas aos berros e se encontravam chateadíssimas com a atitude do chefe-amigo. As únicas pessoas com quem Edward maneirava na questão de gritos eram os médicos, Eleazar e em raras situações seus pais, que o pareciam o culpar pelo que aconteceu, por Carlisle ter se desvirtuado e se aliado ao inimigo.

Assim como os pais de Edward, os meus também vieram ao Distrito de Columbia. Minha mãe, Renée, sempre tão sentimentalista e preocupada expressou seu terror diante de tudo o que havia acontecido, afirmando que eu nunca deveria ter escolhido esta profissão. Meu pai, Charlie, como um bom chefe de polícia, demonstrou obviamente sua preocupação, mas vendo que eu estava me recuperando bem se tranquilizou e passou a tentar fazer o mesmo com a minha mãe.

Nos dias que ainda estava no hospital, recebi visitas dos agentes da minha equipe, e alguns membros de outros departamentos do FBI, assim como as visitas diárias de Eleazar, que mostrava uma preocupação fraternal em mim e em Edward.

Fora em uma de suas últimas visitas, que apesar dele querer colocar Edward e eu em uma mesma sala, foi recomendado pelos médicos de nós dois a não fazer, que estava dando a nós algumas semanas de licença, e quando esta expirasse ele desejava que nós dois tivéssemos superado nossos problemas porque necessitava, sim, de uma reunião conjunta para decidir as nossas novas funções.

Nenhuma palavra sobre a Camorra, Aro Volturi, Riley Clark, Carlisle Cullen ou Jacob Black fora dita por Eleazar ou na imprensa sobre o tiroteio desenfreado ocorrido atrás do Capitólio, a única informação que saiu nos jornais – por ser impossível esconder algo deste tamanho da mídia – foi que dois agentes federais haviam sido atingidos em ação. E por conta disso que todas as vezes que tentava questionar algo a Eleazar, ele me dizia que aquele não era o momento para se conversar qualquer coisa.

Edward deixou o hospital durante a manhã do último dia de março. Segundo Alice, ele por fim havia aceitado os conselhos médicos e os pedidos de seus pais e iria passar as próximas semanas em Chicago, junto com a família, participando de programas de reabilitação para pessoas na mesma situação que ele, que haviam perdido os movimentos nos membros inferiores.

Eu, que também deixaria o hospital naquele dia, porém à tarde, havia me decido refugiar estas semanas de licença em Forks. Minha mãe que odiava o clima frio e chuvoso de Forks protestou continuadamente do porque eu não iria para Flórida com seu clima tropical e com sol escaldante. Por fim, ela aceitou as minhas condições e iria passar esses dois meses comigo e com meu pai na cidade que mais odiava no mundo.

Forks, como logo constatei, assim que entramos naquela cidadezinha minúscula com menos de quatro mil habitantes seria uma estadia longa e sem nenhuma novidade. Gostava de Forks, porém para ficar alguns dias, no máximo uma semana. Ficar ali durante oito semanas por conta de férias forçadas seria quase que uma tortura.

Meus pais me incentivavam a ir aos parques nacionais próximos a cidade, ou então ir ver o mar, pela praia de La Push, contudo voltar a La Push estava fora de cogitação. Lá eu tinha muitas lembranças com Jacob, e ainda aceitar que ele havia traído todo o país e por fim sentenciado a mim e a Edward a uma vida de amargura ainda era enervante e imperdoável.

Renée todos os dias tentava me convencer a ir para Flórida, afirmando que o clima tropical seria muito melhor para a minha recuperação; mas nenhuma de suas palavras conseguiu me persuadir do contrário. No momento nada melhor do que o clima bucólico de Forks para me ajudar nesta situação de dificuldade.

Abril e maio passaram num piscar de olhos, principalmente por ficar estas oito semanas não fazendo absolutamente nada na modesta casa do meu pai. Foi em meio a um dia quente atípico de Forks que voltei para a Capital Federal.

Estava temerosa com o que encontraria no apartamento que um dia dividi com James, que agora seria onde viveria sozinha. Alice, Rosalie e Angela, agindo de uma maneira totalmente estrangeira para mim, que nunca confiei em uma mulher, haviam contratado alguém para limpar e organizar o apartamento, e também ao meu pedido redecoraram o mesmo para que não sentisse tanto a presença de James ali.

Meu avião pousou no Aeroporto Ronald Reagan Washington Nacional sobre uma leve garoa, contrastando com o dia abafado que fazia na Capital do Governo Americano. Peguei as minhas malas na esteira e quando estava saindo da sala de desembarque, me surpreendi ao encontrar Jasper e Emmett me esperando.

- O que vocês fazem aqui? – perguntei surpresa.

- Você nos subestima, Bella. – declamou Emmett fingindo ultraje.

- Queríamos que na sua volta a Washington, você encontrasse com alguns rostos amigos. – ponderou Jasper.

- E eu sou a única que recebi este tratamento? – questionei desconfiada, por saber que hoje também seria a volta de Edward.

Jasper e Emmett trocaram um olhar e riram nervosos diante da minha percepção.

- Alice e Rosalie já estão com ele. – explicou concisamente Jasper.

- Hum... – me fiz de desinteressada, mas a minha hesitação foi o suficiente para atrair a atenção do sempre muito perceptivo Jasper.

- Ele melhorou o comportamento, Bella. Pelo que Alice me disse, e também o que pude comprovar nas conversas com Edward, estas semanas na reabilitação lhe deu uma nova perspectiva. Óbvio que deve ser traumático saber que nunca mais você irá poder andar com suas próprias pernas, e é claro ele terá momentos frágeis e de erupção nervosa diante da deficiência, mas tudo é possível mudar. – disse sensibilizado.

- É... assim espero. – murmurei fingindo desinteresse, procurando meu celular em minha bolsa para ligá-lo.

Emmett e Jasper, como dois excelentes amigos, antes de me levarem ao meu apartamento, me levaram para jantar em uma churrascaria brasileira. Algo não muito típico de cidadãos estadudinienses, mas que depois de nos fartamos de diversas carnes, saladas e comidas típicas da culinária do maior país da América do Sul, comprovei ser algo maravilhoso.

Depois da comilança exagerada, entrar no apartamento que um dia já compartilhei com James foi surpreendente. Não havia absolutamente nada que remetia a antiga decoração. A única recordação de que um dia aquele apartamento foi um lar de um casal prestes a se casar, era uma imensa fotografia minha e de James emoldurada sobre o aparador na entrada do mesmo. Fiz uma anotação mental de agradecer as meninas, antes de ir para o quarto onde agora deveria passar as minhas noites sozinhas.

Foi o tempo de tomar um banho morno, vestir um pijama e deitar na imensa cama, que já estava mergulhada na inconsciência dos sonos.

XxXxXxXxXxX

Despertei-me antes do despertador soar. Me sentia estranhamente ansiosa para a reunião com Eleazar e consequentemente ver Edward depois de mais de dois meses. As lembranças do nosso embate ainda estavam vivas na minha memória. As palavras de Edward naquela situação foram rudes e sem nenhuma espécie de tato, e não importava que naquele momento ele havia acabado de descobrir que não poderia mais andar, ele não necessitava agir daquela maneira comigo.

Meus pensamentos permaneceram em imagens de como seria este nosso reencontro quando tomava um banho, me arrumava, tomava café e depois pegava um taxi para ir ao Departamento do FBI de Washington, já que o meu carro havia sido completamente destruído no tiroteio que causou tantas fatalidades.

Foi soltando uma lufada de ar, que não fazia ideia que estava segurando, que sai do táxi que estava, quando este parou em frente do prédio de pintura acinzentada que era da Polícia Federal dos Estados Unidos.

O salto do sapato que usava ecoava pelos pisos de granito do hall de entrada. Várias pessoas, algumas conhecidas outras não, me davam as boas vindas, pelo que parecia a notícia do que realmente havia acontecido naquela noite de onze de março não era segredo dentro daquele prédio.

Agradecendo timidamente as boas vindas, caminhei diretamente para o elevador que me levaria até o andar onde ficava a sala de Eleazar, já que foi esta a instrução que recebi do mesmo: ir direto para a sua sala assim que pisasse naquele edifício.

Tudo, como logo percebi quando as portas prateadas do elevador se abriram, continuava igual. Os móveis tinham as mesmas disposições de quase três meses atrás, bem como Lauren, a secretária de Eleazar, continuava com sua postura arrogante atrás de sua mesa de trabalho. Ela não me desejou boas vindas ou sequer me cumprimentou, somente disse secamente que Eleazar estava aguardando a minha chegada e que eu poderia entrar.

Eleazar, que sofria praticamente um colapso dentro da segurança do país, principalmente por conta do caos que a descoberta de três agentes do FBI e da Interpol envolvidos com um grande esquema do crime organizado estava causando, aparentava uma expressão de cansaço e fadiga. Imensas olheiras arroxeadas se acumulavam sobre seus olhos que estavam vermelhos e vidrados. Sua pele tão sempre corada estava com um aspecto doentio e abatido. Ele havia perdido peso nestes últimos meses, como logo constatei.

- Isabella. – saudou-me. – Sente-se, Edward deve estar chegando em alguns minutos, parece que ouve um problema de acessibilidade na sua chegada ao prédio. – avisou despreocupadamente Eleazar.

Limitei-me a sorrir, imaginando se Edward sofreu um problema de acessibilidade na entrada do prédio ele deveria estar com um humor terrível. Senti um âmago de preocupação, que durou apenas dois segundos, já que a imensa porta de carvalho se abriu revelando Edward Cullen guiando sua cadeira de rodas.

Edward, apesar da deficiência que havia paralisado suas pernas, continuava lindo. Os cabelos bronzes estavam costumeiramente desalinhados. A pele branca estava mais translúcida do que me recordava. O verde de seus olhos, entretanto, não possuía o brilho esmeraldino de outrora, eles estavam opacos e se vida, escuros como uma esmeralda sem lapidar. Exatamente da mesma forma que vi pela última vez.

As pernas, agora imóveis dele, mesmo cobertas pela calça social negra, já começava aparentar a atrofiação dos músculos inutilizáveis; o que era um contraste enervante com os músculos de seus braços, que mesmo escondidos por debaixo do blazer negro marcava o quanto estes haviam aumentado nas últimas semanas.

Meu marido lançou-me um olhar inexpressivo e gélido, do qual ele não demonstrou nenhuma afeição, reconhecimento ou sequer uma saudação. Eles demonstravam desgosto de me verem.

Tive que engolir em seco.

Eleazar deve ter notado o clima de apreensão e hostilidade, pois rapidamente saudou Edward, pedindo para que nos acomodássemos para iniciar a reunião. Antes que o Secretário de Segurança dissesse qualquer coisa, virei para Edward e o saudei.

- Olá Edward. – sibilei com uma falsa despreocupação. Notei o ruivo travar seu maxilar e fechar suas mãos em punho.

- Isabella. – disse entre os dentes, sem sequer olhar em meu rosto. Senti meu estômago revirar. A indiferença de Edward tinha um gosto amargo.

O olhar altivo de Eleazar percebeu a animosidade entre Edward e eu, contudo ele não disse uma palavra sequer sobre, iniciando sem delongas a reunião que havia nos convocado.

- Fico imensamente feliz em vê-los depois desse longo e merecido descanso que tiveram. – iniciou Eleazar sentando-se em sua cadeira de couro negro em frente a nós. – Compreendo que ambos passaram por situações complicadas que requerem um tempo de adaptação e terapia. – seu olhar foi de mim para Edward, repousando por fim em sua cadeira de rodas. – Mas acredito que uma mente desocupada não auxilia muito na recuperação psicológica de vocês.

"Visto isso, e observando também as novas circunstâncias." – Eleazar olhou para as pernas de Edward, mais uma vez. – "Acredito que devemos ter um novo remanejamento de cargos. Na ausência de vocês, comecei a demandar alguns agentes para outros departamentos, para auxiliar outras equipes. Entre estas mudanças estão alguns membros da equipe que ambos lideraram. Indiquei Jared Brown e Paul Adams, para os cargos vagos no setor da Interpol que trabalham junto com o FBI." – pontuou, dando breves relances em um papel sobre a sua mesa. – "Pedi para que o agente Eric York se unisse a Heidi Collins no comando da equipe de ciberguerra. E também, durante a ausência de ambos, demandei que os agentes Emmett McCarty e Jasper Whitlock ficassem no comando da equipe de crimes organizados. Os dois, como ex-soldados das Forças Armadas, se mostraram muitíssimo competentes para a tarefa, contudo falta um teor de liderança que somente você, Isabella, consegue dar." – sorriu torto me encarando com seus profundos olhos castanhos.

"Desta maneira, acredito que você deveria continuar no comando da equipe águia, juntamente com dois subchefes, os agentes McCarty e Whitlock." – pontuou Eleazar, me entregando um documento para que lesse e assinasse, contendo exatamente o que ele havia acabado de me dizer.

- Obrigada, Eleazar. – agradeci, enquanto passava o olho pelo papel.

- De início, Isabella, eu gostaria que você não saísse para nenhuma missão de campo, que ficasse somente com a questão interna. Tudo para evitar qualquer dano. – ordenou demorando seu olhar por um longo tempo em meu ventre que havia sido atingido por uma bala e causado danos irreparáveis em mim.

- Ok. – respondi com um aceno mínimo de cabeça, voltando a ler o documento que ele havia me entregado, tentando disfarçar a emoção que queria me tomar.

- Por sua vez, Edward. – disse Eleazar, voltando o seu olhar para Edward. – O conselho interno do FBI gostaria que te aposentasse por invalidez – sibilou com pesar, atraindo a minha atenção para longe do papel. Notei o pomo de adão de Edward mexer-se incomodamente, mas mantendo uma expressão neutra em seu rosto. -, contudo, eu fui contra esta decisão. Você, Edward, é um excelente agente, que infelizmente foi vítima de uma fatalidade que não existem palavras para explicar ou lastimar, partindo disso decidi lhe dar o cargo que antes era ocupado pelo responsável por essa tragédia. – ponderou o Secretário de Segurança com um meio sorriso em seu rosto.

"Gostaria que você assumisse não só o posto de Chefe do Departamento do FBI de Washington, como gostaria que você assumisse o posto de Chefe Geral do FBI." – expôs com prudência Eleazar.

Percebi pela a minha visão periférica Edward ficando surpreso com a nomeação do novo cargo, porém no mesmo instante que um lampejo de preocupação tomava seu rosto, que era praticamente um espelho do meu. Uma vez, acredito que meu cônjuge deve ter se lembrado do atual Chefe Geral, o Comandante John Sacks.

- E o que será do Comandante Sacks? – perguntou Edward, visivelmente preocupado. Notei Eleazar sorrindo, percebendo que apesar da atitude hostil, arrogante e egoísta de Edward, ele ainda se preocupava com o bem-estar de outras pessoas. Ou quase todas as pessoas, pois parecia nem querer saber se eu estava bem ou não.

- Bom, acredito que ambos devem ter percebido que este excesso de trabalho que coloquei em cima de mim nos últimos meses, desde a morte de Thompson, causou alguns problemas a minha saúde. – sorriu descontraído. – Já não sou mais um novo General com vontade extrema de trabalhar. – divertiu-se de si mesmo. – A idade está avançando e me condenando. Desta maneira, decidi voltar ao meu posto de Secretário de Segurança, enquanto o Comandante John Sacks se tornará o novo Superintendente, assumindo as funções de Thompson que acabei assumindo após seu assassinato. – pontuou com clareza. – Era algo que eu gostaria de fazer a tempos, mas o envolvimento que tive no caso do crime organizado italiano só fez com que eu postergasse este momento. – com um gesto de aceno Eleazar ilustrou a palavra 'postergasse'.

"Assim, Edward, você aceita o cargo que estou lhe oferecendo?" – questionou sério, mudando num piscar de olhos seu semblante antes descontraído para sisudo, juntando suas mãos e apoiando-as sobre sua mesa de madeira de lei.

Por mais que eu não quisesse olhar para Edward, foi impossível não voltar meu rosto para o dele. Um sorriso genuíno e torto brotava em seus lábios e um brilho flamejante piscou em seus olhos, contudo, durou apenas alguns segundos. Suas mãos que estavam fechadas em nós se relaxaram.

- Eu estava achando que seria descartado em algum departamento sem importância. – disse Edward com um leve tom de surpresa em sua voz. – Mas nunca, nem no meu sonho mais delirante, imaginava assumir um cargo dessa magnitude. Obrigado Eleazar, e ficarei honrado em assumir a Chefia Geral do FBI. – afirmou com um sorriso torto, enquanto as suas mãos apertavam e relaxavam contra o metal frio que o permitia movimentar suas 'novas' pernas, sua cadeira.

Eleazar sorriu amplamente o que foi seguido por Edward que estendia a sua mão para que o Secretário de Segurança a apertasse. Me vi sorrindo com a cena e inesperadamente sentindo uma grossa lágrima correr por meu rosto. Sim, eu estava feliz por Edward, por mais que estivéssemos, como nunca antes, tão afastados um do outro. Antes que a minha comoção fosse percebida pelos dois homens, tratei rapidamente de me recompor, esperando o que mais Eleazar teria para nos dizer naquela reunião.

- Distribuição de cargos decidida – iniciou novamente Eleazar. -, vamos agora para assuntos não tão agradáveis. – uma sombra de preocupação e ódio cruzou pelo seu olhar.

"A informação que o agente James Scott lhe deixou Isabella foi algo que nunca imaginei, tamanha a grandiosidade desta. Além da descoberta dos três pérfidos que auxiliavam no plano do Sr. Aro Volturi, descobrimos também como funcionava todo o esquema. Quem eram os criminosos dentro do país que permitiam o crescimento do crime organizado, do qual a muito trabalhamos para extinguir." – expôs detalhadamente. – "Conseguimos desmembrar boa parte da quadrilha, mas ainda existem peças que nem mesmo James ou os infiltrados conseguem explicar através da delação." – afirmou com um ar irritado e cansado.

- Hum... Eleazar – começou Edward, interrompendo a explicação que o Secretário nos dava. – O que aconteceu naquela noite? No dia onze de março? – questionou curioso, algo que também guardava dúvidas para mim, mas que estava temerosa demais para questionar.

Eleazar deu um meio sorriso e acenou com a cabeça, lançando um longo olhar em mim.

- A estratégia que Isabella montou ao lado do agente Whitlock foi o que nos ajudou a conseguir as informações, executar as prisões e prevenir um desfecho pior do que ocorreu. Como ele e a agente Brandon sabiam do conteúdo do cofre e tinham elementos que conseguiam comprovar a veracidade, conseguimos adiantar muitas coisas e traçar uma estratégia enquanto esperávamos o retorno dos dois. Todavia, isso foi antes que percebêssemos que havia acontecido algo a vocês. Foi o agente McCarty que nos deu o alarme de que vocês haviam sido descobertos e estavam no alvo deles. – o rosto de Edward estava endurecido e atento a Eleazar, que esquadrinhava o rosto do ruivo de maneira curiosa.

"Felizmente chegamos a tempo de executar pelo menos cinco prisões, contudo, tarde para evitar certas tragédias." – novamente Eleazar demorou longos segundos observando a cadeira em que Edward estava e depois meu ventre. – "Carlisle Cullen e Jacob Black, junto com mais três criminosos perigosos que fugiram de um presídio na Geórgia, contratados pelos italianos, foram presos na ocasião, mas infelizmente não fomos capazes de executar a prisão de Riley Clark, que fugiu assim que percebeu que vocês os haviam delatados." – expôs com pesar.

Eleazar calou-se por alguns segundos, percebendo que tanto eu quanto Edward estávamos absorvendo o que ele nos disse, a respeito das prisões que havia feito.

- Foi complicado o interrogatório dos dois. Jacob Black se recusava a dizer qualquer coisa. Enquanto Carlisle afirmava não saber nada, que somente entrara no esquema por segurança, já que Riley o havia ameaçado por ter descoberto algo envolvendo desvio de verbas federais. – continuou sem nenhuma emoção. – Por fim, depois de muitas horas em vão, Carlisle Cullen se abraçou ao instituto da delação premiada e da possível redução de pena e contou o que sabia sobre as operações dentro do FBI. – Eleazar se segurou para não rolar os olhos.

"Riley, segundo Cullen, era quem comandava as operações. Era o único que de fato tinha uma ligação próxima com o il dio ou que falava com ele. E assim distribuía as funções entre os dois subordinados infiltrados e mandava dados sigilosos de nossas investigações ao chefão da Camorra. Também foi relatado por ele, que as suas funções eram de somente alterar e acrescentar informações equivocadas no sistema que tínhamos acesso e por vezes fazer as ligações a Itália, que eram recebida sempre por Felix De Nicola." – Eleazar lançou um olhar no monitor de seu computador, para em seguida abrir sua gaveta e tirar um frasco com medicamentos, onde retirou dois comprimidos e o engoliu, em seguida bebendo um copo de água que estava ao seu lado.

"Para o cansaço." – respondeu a pergunta silenciosa que provavelmente eu e Edward fazíamos com nossos olhares. – "Carlisle também confirmou que era Jacob Black quem apagava os empecilhos, por assim dizer. Foi ele o responsável pelo assassinato de Laurent Thompson, Sam Uley, Emily Young, James Scott e pelos tiros que os acertaram, como vocês devem ter conhecimento." – disse amargurado.

"Depois que Carlisle nos disse tudo o que podia, chamamos Jacob para um novo interrogatório, onde ele sem hesitar ou titubear confirmou os assassinatos e a tentativa de encerrar a vida de ambos, como também revelou ser quem criou o programa de ligações codificadas, podendo fazer as chamadas de dentro do departamento, e também como também ele que havia instruído Royce King a trabalhar para a Camorra na Itália, o que iniciou através de uma ameaça pensada pelo próprio Jacob." – uma expressão de desgosto tomou o rosto de Eleazar, antes que ele continuasse.

"Jacob Black também nos informou, depois de muita pressão, os motivos que o levaram a se unir ao crime organizado, e como vocês devem supor, foi por causa de poder, dinheiro, reconhecimento. Riley o 'convocou' logo nos primeiros meses que ele começou a trabalhar para o FBI, quando o apadrinhou." – Eleazar me viu movimentar inquieta. – "Ele também tinha a intenção de te recrutar, Isabella, mas acabou desistindo, segundo Black." – explicou e imediatamente me senti mais tranquila. Tudo o que eu não precisava neste momento era ser acusada de traição. – "Voltando à história de Jacob; quando o questionei do por que Riley Clark o convocou ele deixou escapar, sem querer, algo que ele depois tentou reverter, que tudo iniciou porque Riley é um filho bastardo de Arthuro Lewis Giordano." – um sorriso malicioso e frio apareceu nos lábios do Secretário de Segurança a minha frente.

A surpresa que recaiu sobre mim e Edward ao ouvir aquela sentença foi enervante, como assim Riley Clark era filho de Arthuro Lewis Giordano? Me recordava de ver nas informações de James, e nelas afirmavam que Riley não tinha nenhuma ligação com italianos, a não ser o seu pai que trabalhou na fazenda dos Lewis.

- Vocês estão considerando certo. – pronunciou Eleazar que havia se encostado ao encosto de sua cadeira e nos encarava. – A mãe de Riley, a senhora Rebecca Watson, foi junto com o marido para a fazenda dos Lewis no Colorado e teve um caso muito tórrido com o então Arthur Lewis, e desse romance proibido gerou Riley. Contudo, nossas investigações apontaram que a senhora Rebecca Watson convenceu seu marido, Joshua Clark, que a criança era filho dele. – sorriu em contragosto. – Riley só soube que Aro ou Arthur era o seu pai em dois mil, e depois de um longo reencontro entre pai e filho, Riley começou a fazer tudo o que o papai demandava. – completou com sarcasmo.

Eleazar fez uma longa pausa, admirando o rosto meu e de Edward e depois demorando seu olhar pelas largas janelas de seu escritório que se viam todo o percurso do Capitol Hill.

- Nossas investigações não estão sendo muito bem sucedidas – voltou a falar Eleazar, ainda mantendo o seu olhar sobre o obelisco Washington Monument que ficava ao fim do percurso que iniciava no Capitólio. – a fuga de Riley Clark, motivou o envolvimento da CIA, como também algumas agências internacionais. A Polícia Federal Italiana conseguiu ordens judiciais para investigar todo o clã Giordano e seus comparsas, e exigiram a presença de Aro Volturi na Corte Judicial para explicações. – narrou sem emoção.

"Mas como o filho de uma puta se declamava o 'deus', il dio, e não se submete a nada, nem mesmo a lei é páreo para ele. E assim, querendo um final épico se isolou em sua ilha particular na Grécia e cometeu suicídio. Fez o que Eurípedes foi convencido a não fazer. Encerrou a sua vida num cenário onde a mitologia diz ter sido a morada de muitos deuses, algo que ele buscou tanto ser." – o amargor na voz de Eleazar era palpável.

"Sua vida pode estar morta, mas o seu legado nunca estará." – disse reflexivo. – "Já foi localizado outros ramos da máfia ou quadrilha internacional, a meu ver, no meio de grupos extremistas e nem um pouco amigáveis, tornando impossível a erradicação disso tudo. E pelo que parece, mas não posso afirmar com cem por cento de certeza, Riley se tornará o novo 'deus', ele que herdou todo o legado do pai e está escondido em meio a grupos de milícias, bem mais armados do que a minha imaginação permite imaginar."

Uma risada rouca e atípica saiu pelos lábios de Eleazar.

- O filho de uma puta é tão filho daquele desgraçado que agora está apagando todos os rastros, ou pessoas que poderiam levar a ele ou lhe causar problemas. – expôs o Secretário de Segurança.

- O que você quer dizer, Eleazar? – questionou Edward curioso, quando percebeu que Eleazar estava nos escondendo algo.

- Ontem eu recebi um comunicado da Prisão de Segurança Máxima da Virginia, onde os indivíduos presos naquela noite fatídica estavam. – explanou. – Nenhum dos sistemas de segurança, pessoas ou animais treinados conseguiram encontrar nada, o que me leva a crer que alguém dentro do presídio trabalha para o jovem e novo senhor Lewis. Um bolo ou pão, não consegui compreender muito bem, foi entregue na cela de Jacob Black. Este alimento estava contaminado com elementos químicos que causam envenenamento, desta maneira, levando a óbito em instantes o Senhor Black.

Ao ouvir as palavras de Eleazar um sentimento estranho apertou meu coração. Jake havia traído a nação, traído a mim, traído a Edward, assassinado uma legião de pessoas, entre elas James, tentado me matar, assim como Edward; mas um carinho, devido ao tempo que passamos juntos na nossa infância e adolescência em Forks, a amizade que compartilhamos, como também ao fato de que gostaria de ver Jacob pagar pelos seus crimes não se livrar deles, aceitar o seu assassinato era algo difícil de processar.

- E Carlisle? – questionou Edward, com um olhar duro a Eleazar.

- Depois que descobrimos a ameaça, mandamos Carlisle para outro presídio de segurança máxima, no Texas. – respondeu firmemente, percebi Edward respirar aliviado.

- Porém, devido a este quadro controverso em que nos vemos sem poder comprovar absolutamente nada ou indiciar ninguém pelos crimes mais gravosos, a nossa investigação sobre a Máfia Camorra foi arquivada pelos meus superiores. – declarou amargurado Eleazar. – As investigações agora passaram todas para a Polícia Federal e Serviço Secreto Italiano, nos desvinculando totalmente do caso.

"Entendo perfeitamente que este não era o desfecho que vocês, nem ninguém gostaria, ainda mais depois de sofrerem perdas inigualáveis e danos irreparáveis. Mas infelizmente é o que aconteceu. Espero, com sinceridade, que Riley Clark ou Riley Lewis, como estão chamando-o agora, volte a tentar dominar o nosso país, para que assim, vocês ou agentes que irão continuar nosso trabalho consiga dar um fim a tudo." – o tom de derrota de Eleazar era inaceitável para a situação. – "Com isso, peço um último favor aos dois, como agentes responsáveis por toda a operação, pelas investigações e por fornecer informações importantíssimas gostaria que fizessem um último relatório sobre as atividades realizadas. Eu sei que já se passaram quase três meses dos eventos, e também tenho conhecimento que eles possam soar um tanto emocional, mas imploro – e aqui mais como um amigo do que como um superior – que não se limitem a dados técnicos, exponham a verdade do que realmente se passou naquele momento." – decretou Eleazar.

Um silêncio de expectativa recaiu sobre a sala. Era visível que cada um ali estava refletindo sobre os acontecimentos.

- Estão dispensados. – pronunciou Eleazar, levantando-se de sua cadeira e caminhando deliberadamente até a porta a escancarando, em um claro sinal para que saíssemos.

Edward foi o primeiro a sair, guiando com perícia a sua cadeira para fora da sala de Eleazar. O que rapidamente foi seguido por mim, com um olhar cabisbaixo e tenso. Dei um sorriso confortador a Eleazar que somente acenou com a cabeça, fechando em seguida a sua porta.

XxXxXxXxXxX

A minha sala estava da mesmíssima maneira que havia deixado há três meses. Notei a camada de pó sobre os papéis, eletrônicos e móveis que ali ficavam. Pela primeira vez, encontrar um lugar onde eu ficava boa parte do meu dia, daquela maneira, não foi incomodo nenhum. Bati com as minhas mãos para afastar um pouco da poeira para enfim sentar na minha cadeira, no mesmo momento em que ouvia Edward praguejando a plenos pulmões sobre a falta de acessibilidade de sua sala.

Tive o instinto de ir ajudá-lo. Eu ainda me preocupava com Edward, mas qualquer movimento meu ao seu redor poderia ser recebido como uma afronta pessoal. Contive meu anseio de auxiliá-lo, sentando-me na minha mesa de trabalho e iniciando meu computador.

Nestes últimos quatro anos sendo agente e depois acumulando o cargo de chefe, me auxiliaram muito, principalmente na confecção de relatórios sobre as missões que trabalhava. Contudo, este último relatório sobre a Máfia Napolitana tinha o gosto amargo da derrota.

Enquanto estive em Forks tentei ao máximo bloquear a dor que sentia, por perder uma vida inocente e também por nunca mais gerar uma. Óbvio que tinha meus momentos de crises aonde ia para a uma clareira a alguns poucos quilômetros da casa de Charlie, meu pai, e chorava copiosamente. Chorava por não ter esperança. Chorava por ter falhado. Chorava por ter feito de minha vida um túnel escuro e inabitável.

Me continha para não cair no desespero, no limbo da tristeza, da depressão outra vez, ainda mais na frente dos meus pais, mas aquilo tudo parecia tão impossível, porém de alguma maneira atípica eu consegui.

Ou esperava ter conseguido.

Assim que a primeira palavra fora escrita no arquivo do relatório, lágrimas desesperadoras e sofridas tomaram o meu rosto, e meus pensamentos me levaram a reviver aquele momento fatídico.

O medo, o frenesi, o barulho, as vozes, os tiros, a dor. Um caleidoscópio de sensações e sentimentos que me deixavam apática e temerosa.

Demorei horas até conseguir concluir cinco páginas de relatório, algo que fazia em no máximo uma. No momento que terminei e pedi para que imprimisse, me dei conta de que deveria ir até a sala de Edward para que ele assinasse o meu relatório e eu pudesse assinar o seu. Tentei controlar o meu choro, e tirar o aspecto de desespero que aparentava para enfim enfrentar o leão selvagem recém enjaulado.

Pelos vidros que delimitavam a sua sala, notei um Edward cabisbaixo que vez ou outra admirava o monitor a sua frente, e cada vez que fazia isto um lampejo de ódio inarrável cruzava seu olhar. Engoli em seco antes de bater na sua porta e entrar.

Notei logo de início que Edward estava impaciente me esperando.

- Ah... Aleluia a chefinha resolveu dar o ar de sua graça. – pronunciou cheio de sarcasmo. – Achei que teria que ficar esperando-a eternamente, algo que não tenho a mínima vontade de fazer outra vez.

Eu vi vermelho. Pelo que parecia Edward iria me culpar pelo que aconteceu com ele.

- Perdão a minha demora Senhor Cullen, mas redigir esse relatório foi algo muito sofrível e emocional para mim. – devolvi ácida.

Edward arqueou suas sobrancelhas grossas e bem desenhadas, enquanto seus olhos esquadrinhavam o meu rosto.

- Sofrível? Emocional? – questionou retoricamente, antes de rir em escárnio. – Você não perdeu nada, Isabella. Você não sofreu nada. Você não faz ideia do que é ficar emocional. – cuspiu irritadiço.

- Ah, então você acha que só você sofreu? Só você teve consequências emocionais? Acorda, Edward! Uma vida inocente foi tirada com extrema violência em meu próprio ventre! Você faz ideia do que é perder outro filho de maneira tão violenta? – retruquei irritada.

- Agora para somar com a história de que eu sou um assassino a história do bastardinho. – provocou irônico.

- Por que você está fazendo isso, Edward? Por que você está agindo dessa maneira? Você disse que queria criar aquela criança ao meu lado, o que mudou? – perguntei confusa, me sentando ereta em uma poltrona de frente para ele.

Suas narinas inflaram enquanto ele me encarava com ar de repugnância.

- Eu nunca quis criar o filho de outro homem. – afirmou sem pestanejar. – Sim, eu disse que ficaria ao seu lado, mas estava torcendo para que você perdesse essa criança, que seria uma lembrança eterna para mim da sua escolha. Você sempre escolheu ele, e iria escolher ele se Jake não o tivesse assassinado. Eu nunca fui nada para você, a não ser um brinquedinho no qual você se divertiu. Usou e abusou e depois no primeiro e único erro jogou fora como se não fosse nada! – seu corpo inconscientemente se curvou para frente, enquanto seus olhos duros e frios encaravam o meu rosto. – Eu te amei, Bella. Te amei de verdade, a ponto de me deixar insano, mas você nunca retribuiu o amor que eu sentia por você. Você sempre foi egoísta, sempre amou mais a você mesma do que qualquer outra pessoa. Mas agora compreendi seu joguinho e não vou cair nele outra vez, por nada nesse mundo! – vociferou, batendo seus punhos fechados contra a mesa, ecoando o barulho oco de madeira pela sala de vidro.

- Você é patético. – brandi com ódio. – Todo se fazendo de vítima por que ficou paraplégico. Acorda Edward, o mundo não gira em torno de você! – exclamei. O ruivo riu em escárnio.

- Nem em torno de você, querida. – contrapôs sarcástico.

- O que você quer, Edward? – perguntei exaltada. – Quer que eu assuma a culpa por você estar nessa cadeira de rodas?

- Seria bom, afinal, só vim parar aqui porque tentei te proteger. – replicou.

Meus olhos se arregalaram. Senti a cor sumir do meu rosto. Minhas pernas ficarem moles como gelatina, meu estômago revirou e minha traqueia e coração foram comprimidos por uma mão invisível.

- Eu não pedi isso. – murmurei com um fio de voz.

- Claro que você pediu. – devolveu lentamente. – Você me consome, quer dizer me consumia tanto, que quando você estava em perigo eu te defendia. Para evitar que acontecesse qualquer coisa com você, eu entraria na frente de um tanque, levaria tiros por você. O amor que tinha por você era doentio, e só consegui perceber isso quando aconteceu a porra desta tragédia. Você sequer me agradeceu por salvá-la. Você não me perdoa por um erro cometido quando estava em um estado de conturbação, e vire e mexe taca isso na minha cara, mas quando eu tento te salvar, te proteger, você não me dá um obrigado sequer.

"Você é egoísta e arrogante, Isabella. Eu deveria ter te dado ouvidos e sumido desta cidade, da sua vida naquele maldito baile em que Thompson foi assassinado. Eu fui um idiota teimoso, eu tinha esperanças de te conquistar" – riu em escárnio. – "você ainda se recorda o que eu te disse naquela noite? Enquanto nós estávamos naquele jardim verdejante e escuro e nosso Superintendente era assassinado pela pessoa que nos apresentou?"

"Você disse com todas as palavras Isabella, que o nosso romance, se é que pode ser chamado assim, era doentio, suicida, homicida. E olha como você tinha razão... justamente Jake que nos apresentou, me motivou a te conquistar, a ficar com você, tentou nos assassinar. E quase conseguiu, mas o destino..." – riu sem nenhuma diversão. – "Essa porra de destino que designou que nos conhecêssemos só fodeu com a nossa vida, ou pelo menos a minha. Por sua causa Isabella eu estou inválido para todo o sempre e você, como uma puta egoísta que é, só consegue se preocupar com a merda do filho que perdeu." – o rosto de Edward estava lívido. Eu estava lívida. Não conseguia compreender como ele pode estar me acusando de ser a culpada de tudo! Mas se ele queria colocar a culpa em cima de mim, que assim seja.

- Chega! – vociferei, ficando de pé enquanto batia uma de minhas mãos na mesa de Edward para em seguida estender o meu dedo em riste em sua face. – Quer me culpar por tudo? Me culpe! Só que não preciso ficar ouvindo você me ofendendo. – puxei o relatório dele que estava em uma pilha no canto extremo de sua mesa e o assinei. – Você pode entregar a Eleazar os dois relatórios. – falei, empurrando o seu e o meu para ele e saindo o mais rápido possível de sua sala, mas não sem antes ouvi-lo comentar exacerbado.

- Sua covarde! – meus instintos gritaram para mim voltar àquela sala e acertar o rosto de Edward com as minhas mãos e dizer tudo o que estava implorando para sair de mim. Mas me contive. Não daria este gosto para ele. Se ele não quisesse nunca mais me ver, assim seria. Faria o possível e o impossível para não cruzar com ele pelos corredores daquele edifício e se mesmo assim ocorresse, não hesitaria em pedir a minha exoneração da Polícia Federal Americana.

XxXxXxXxXxX

Após a discussão que tivemos, onde parecia termos colocado os pontos nos 'is' e riscado todos os 'tês'; Edward e eu evitávamos nos encontrar. Constatei que tínhamos entrado numa espécie de entendimento estranho e que ninguém seria capaz de colocarmos os dois na mesma sala novamente. Sempre que havia necessidade de uma conversa com Eleazar que ainda estava ajeitando suas coisas para deixar o prédio, o Comandante Sacks e Edward, o ruivo sempre convocava Jasper para participar destas, e por incrível que pareça não me incomodava nenhum pouco em não participar destas reuniões. Na realidade me sentia aliviada.

Minha advogada, Dra. Diana Harris, era quem fazia o intercâmbio entre mim e Edward, assim como o advogado de Edward, Dr. Alexander Morgan, fazia comigo. Instruindo-nos sobre o processo de divórcio que enfim seria assinado. O juiz de Las Vegas que iria conduzir a nossa audiência de dissolução matrimonial pediu diversos documentos para avaliar a situação, como também testemunhas para serem usados seus relatos sobre nós dois, para a sua decisão.

Na minha mais sincera opinião era algo desnecessário, mas segundo a minha advogada era algo rotineiro a se fazer, tudo para evitar fraudes conjugais. Ou seja, um casal que afirma estar separado, mas que na realidade compartilham uma vida junto e que desejam fraudar o fisco ou qualquer meio público.

O verão veio de sua forma sufocante e incomoda, devido aos impactos ambientais sofridos no mundo. Desde a discussão entre eu e Edward no início de junho, não mais nos vimos, a não ser em uma raríssima ocasião em que fomos obrigados a ficar no mesmo auditório junto com mais duzentos agentes do FBI, felizmente na ocasião não tivemos um embate, porém eu vivia na tensão, na apreensão do que ocorreria na audiência no dia três de setembro.

Enfim, o fim.

O fim para Edward Cullen e Isabella Swan-Cullen, um casal que partilhou um curto tempo juntos, mas que nunca deveria ter acontecido.

Diana Harris, minha advogada, exigiu uma reunião comigo em meados de agosto e tive que voltar a Boston, a cidade onde tudo começou. Foi uma visita rápida, coisa de oito horas na capital de Massachusetts. Diana, uma mulher que construiu uma longa e dedicada carreira em situações conjugais e causas de família, me inquiriu sobre tudo. Ela não gostaria de ter surpresas na audiência, ou que Edward ou seu advogado declarassem algo que ela não tinha conhecimento, da mesma maneira que gostaria de estar preparada para qualquer coisa que o juiz, Dr. Liam Evans, questionasse ou contrapusesse.

Como sabia que era ridículo esconder qualquer coisa a minha assessora jurídica, lhe contei tudo. Tudo o que havia acontecido comigo e com Edward, desde o bebê que perdi quando o flagrei com Renesmee até a nossa mais recente briga, onde rompemos qualquer vínculo que tínhamos. Aproveitei para contar também que no último ano trabalhamos juntos, partilhamos a mesma cama algumas vezes e trocamos juras de amor.

Era de se supor que ela ficaria abismada com as minhas revelações, contudo a única pergunta que ela me fez fora:

- Tem certeza que não há volta para vocês?

Refleti a questão por alguns minutos.

Será que ainda existia a mais remota esperança para mim e para Edward? E se existisse, quando ela apareceria? Será que iríamos conseguir superar as dificuldades? Esquecer nossos erros e superar juntos tudo o que aconteceu?

- Não, Diana. – respondi com imenso pesar. – Infelizmente não há uma gotinha de esperança neste imenso oceano de fatos e história.

Deixei Boston ainda com as mesmas perguntas na cabeça, mas não conseguia em nenhum momento enxergar qualquer esperança ou um final diferente.

Setembro tomou o seu lugar, junto com um espírito de expectativa. Expectativa de saber que aquele amor adolescente, aquele primeiro amor seria extinto para todo sempre. Meu voo para Las Vegas podia estar lotado, mas nunca me senti tão sozinha em minha vida. Quase sete horas em que só conseguia sentir o âmago da tristeza, da solidão, do desespero, da falta de expectativa que só aumentou quando a aeronave pousou em solo. Como não tinha nenhuma bagagem sai do aeroporto o mais rápido que conseguia indo direto para o quarto de hotel que reservei próximo ao Fórum.

Passei a noite em claro. Meus olhos se recusavam a fechar e meu cérebro negava-se a desligar por algumas horas para que eu pudesse dormir. Tentei ver um filme para esperar o sono, assim como também tentei ler, mas em nenhuma das duas opções surtiram efeito. Às sete e meia quando meu despertador e o telefone do serviço de quarto que havia designado para me despertar caso meu celular não fosse suficiente, ressoaram por todo o recinto, eu já estava a muito devidamente pronta para enfrentar o longo dia que me esperava.

A audiência de divórcio estava marcada para as nove da manhã no terceiro andar do Fórum de Las Vegas. A Dra. Harris gostaria de ter uma pequena conversa comigo antes de entrar na sala de audiência. Ela mais uma vez questionou se eu estava certa da separação, e se eu e Edward havíamos conversado sobre a audiência. Sim e não foram as minhas respostas paras as perguntas, infelizmente em ordem respectiva.

Faltando cinco minutos para o início da audiência que Edward chegou guiando sua cadeira com suas próprias mãos, acompanhado de seu advogado, que caminhava serenamente ao seu lado. Foi inevitável não sentir um sentimento de falha passar por todo o meu corpo quando olhei profundamente nos orbes verdes como esmeraldas sem lapidar de Edward. Um peso de dor, um sentimento de incompetência me consumia como fogo em meio a um palheiro.

- Bom dia, Diana. Isabella. – cumprimentou o advogado de Edward, Dr. Alexander Morgan, com um sorriso genuíno em seu rosto.

- Bom dia Alex. – pronunciou Diana. – Edward.

Da mesma forma que eu, Edward limitou-se a acenar com a cabeça em reconhecimento, entretanto o seu olhar frio e duro estava perfurando o meu rosto. Senti um nó crescendo em minha garganta, e lágrimas querendo rolar por meus olhos. Tive que engolir em seco.

Estava tão perturbada ainda encarando os olhos gélidos de Edward, que se Diana não tivesse me puxado pelo braço, nunca teria notado que deveríamos entrar na audiência. O juiz que iria conduzir o julgamento, Liam Evans, estava sentado em sua cadeira em um respaldar um pouco mais alto do que sua assessora e escrivão, no centro da mesa longa que de esticava a sua frente, onde Edward e eu deveríamos ficar.

Diana supersticiosa e com manias jurídicas, optou para nos sentarmos do lado esquerdo, do lado do escrivão, enquanto Edward e seu advogado se acomodavam em nossa frente, do lado direito. Percebi um lampejo de curiosidade passar pelo olhar do Meritíssimo Evans quando este notou a deficiência de Edward, assim como também reparei no lampejo de raiva de ver que a sala de audiência não era acessível para cadeiras de rodas.

Quando finalmente Edward se acomodou, o Meritíssimo Liam Evans iniciou a audiência sem mais delongas.

- Audiência de divórcio de Edward Anthony Cullen e Isabella Marie Swan-Cullen a ser realizada no dia três de setembro de dois mil e onze no Fórum Estadual de Las Vegas, em virtude do casamento constituído pelas partes referidas no dia treze de julho de dois mil e seis nesta cidade. – iniciou o juiz recitando o cabeçalho.

"Nesta cidade, e neste Fórum, no dia cinco de setembro de dois mil e seis, Isabella Swan-Cullen deu entrada no pedido de separação judicial contra Edward Cullen, que não foi autorizada pelo o Juiz Estadual da situação, Meritíssimo Alfred Jonas Williams, uma vez que as referidas partes compactuaram a uma cláusula contratual em um acordo pré-nupcial registrado no Cartório de Contratos Matrimoniais desta cidade no dia em que contraíram o casamento."

"Dito isto, damos início a esta audiência de divórcio." – ponderou o Meritíssimo Evans encarando de mim a Edward com seus olhos acinzentados vorazes e penetrantes. – "Senhor e Senhora Cullen, durante estes cinco anos, teve alguma possibilidade de reconciliação que possa assim ter esperança para esta sociedade conjugal?" – inquiriu como de praxe.

- Nada relevante, Meritíssimo. – respondeu Edward prontamente, fazendo todos na sala voltaram seu olhar para mim.

- N-não. – assenti com a voz falha.

- Ambos estão de acordo com o contrato pactuado entre seus advogados para a não divisão de bens, continuando cada um com o que conseguiu construir desde o casamento, sem a interferência de bens? Aceitam o acordo de separação total de bens? – continuou o juiz inquirindo.

- Sim. – desta vez fui a primeira a responder, mas não sabia o porquê desta atitude corajosa.

- Com toda a certeza. – respondeu friamente Edward.

- Edward Anthony Cullen e Isabella Marie Swan-Cullen, vocês estão de acordo com o fim desta sociedade conjugal?

- Sim. – respondemos em uníssono.

- Para a efetivação e não contestação da decisão tomada nesta audiência preciso da assinatura de ambos na ata e no documento de divórcio. – disse o juiz, enquanto a sua assessora entregava aos nossos advogados uma cópia para eles verem se estava tudo certo.

Logo que o Dr. Alexander Morgan confirmou que estava tudo ok, deu o documento para Edward assinar, que o fez sem hesitar. Passando para mim o papel para que eu firmasse enquanto pegava o que a Dra. Diana Harris lhe estendia.

Vagarosamente peguei a caneta que Diana havia colocado sobre a mesa, quando fiz tal ação meus olhos bateram para o documento que estava a minha frente. Seu cabeçalho estava escrito com letras garrafais 'Sentença de Divórcio', enquanto no final da folha os nomes meu e de Edward estavam lado a lado sob linhas pontilhadas. Enquanto o meu espaço estava em branco, o lugar de Edward estava rubricado com sua assinatura perfeita.

Senti um amargor. Uma tristeza arrebatadora.

Segurei a caneta sobre a linha pontilhada, sentindo o meu coração batendo ruidosamente contra a minha caixa torácica. Meus olhos inundaram de lágrimas pesadas e pesarosas. Minha cabeça rodopiou. Meus músculos ficaram fracos.

A caneta que segurava caiu ruidosamente sobre a mesa atraindo a atenção de todos na sala. Com minha visão turva e embaçada olhei para todos na sala, finalizando em Edward que pela primeira vez em muito tempo vi o brilho em seus olhos que me fizeram apaixonar por ele.

- E-eu na-não po-pos-posso. – gaguejei, levantando-me com uma agilidade estrangeira da cadeira em que estava. – Perdoe-me, Meritíssimo. – falei por fim antes de recolher a minha bolsa e sair correndo pelas portas adornadas da sala de audiência.

Corri como nunca corri em minha vida. O meu desespero, a minha vontade para sair daquele Fórum era tamanha que não olhei sequer para trás ou me preocupei com as pessoas que mostravam preocupados com o meu estado. Escutava, obviamente, pessoas me chamando, mas eu não queria parar, eu não queria ver ou pensar em nada, eu só precisava fugir.

Foi muito conveniente que um táxi vazio estava em frente ao Fórum de Las Vegas, e assim que entrei neste comandei desesperadoramente para o motorista que me levasse para o aeroporto.

Não foi uma viagem muito longa. Na verdade ela se passou tão rápida que me surpreendi quando o homem de origem árabe disse que havíamos chegado. Joguei algumas notas para o motorista, que acreditei satisfazer a quantia do trajeto e sai o mais rápido possível para o balcão da companhia aérea que me levaria para Washington.

Paguei um valor alto e sem o reembolso ou alteração da passagem que tinha antes para poder voltar para casa. Tudo para conseguir embarcar no voo que estava prestes sair, mas não me incomodei com valores. Na verdade minha menor preocupação no momento era dinheiro.

As exaustivas e longas sete horas entre o estado de Nevada e o Distrito de Columbia não foram suficientes para abrandar o meu estado emocional extremamente abalado. Os comissários de bordos e alguns passageiros vieram me inquirir se eu estava bem, e sem conseguir pronunciar qualquer palavra somente acenava afirmativamente com a cabeça.

Fui a primeira a sair da aeronave, e sem ter a necessidade de parar para pegar bagagens corri para fora do aeroporto encontrando um taxi que estava sendo desocupado naquele segundo. Comandei com a voz quebrada e desesperadora meu endereço.

Foi como um borrão. Não me recordava do caminho até meu apartamento. Não me recordava quanto havia pagado ao taxista. Não me recordava de cruzar o hall de entrada até o elevador. Não me recordo de entrar em meu apartamento e trancá-lo. Me recordava somente de ter ido direto ao meu quarto, me despir e mergulhar uma banheira de água quente, que consegui preparar.

A exaustão física e emocional deve ter me consumindo, pois acabei adormecendo na banheira, que apesar de a ter enchido com água quente não era necessário por estarmos no verão, algo que se comprovou consolador, pois como a água acabou esfriando devido ao longuíssimo tempo, evitou que eu tivesse uma hipotermia.

Contudo, meu despertar não se deu por conta da minha consciência enfim notando que estava com frio, mas sim pelo barulho irritante da companhia, e também como o oco da madeira da porta. Fiquei irritada com aquilo, mas me contive em não abrir a porta e dizer poucas e boas para quem tirava meu sossego; mas quem disse que a pessoa cessou o que estava fazendo?

Bufando de impaciência, vesti meu felpudo roupão branco e atravessei meu apartamento a passadas pesadas em direção a porta para descobrir quem me atormentava – lancei um olhar ao relógio do micro-ondas – às quatro da manhã, pela escuridão que percebi pela imensa janela de minha sala.

- O quê é? – brandi enquanto abria a porta, todavia a surpresa me consumiu ao ver quem estava ali.

"Edward?" – murmurei estupefata e surpreendida por vê-lo, ali, em sua glória, por mais que esta fosse delimitada por sua cadeira.

- Olá Isabella. – saudou com simpatia nos olhos.

- O que você faz aqui? – questionei, enquanto inconscientemente apertava o roupão ao meu corpo, evitando que exibisse a minha nudez.

- Estava achando que tinha lhe acontecido algo. Estou a duas horas batendo em sua porta. – comentou despreocupadamente, enquanto seus olhos viajavam para o meu corpo coberto com o tecido atoalhado branco. – Precisamos conversar.

- Conversar. – repeti lentamente. – Ok. Hum... er... entre. – pedi, abrindo toda a porta e me afastando desta para que ele pudesse entrar com sua cadeira de rodas.

Notei os olhos de Edward vorazes e astutos admirando toda a arquitetura e decoração modesta do apartamento. Como os móveis foram trocados recentemente e eu não tinha tantos recursos como gostaria para gastar com decoração, havia muitos espaços para transitar o que de uma maneira estranha permitiu que Edward pudesse se locomover com facilidade por minha casa.

- Belo apartamento. – comentou enquanto seu olhar fixava na fotografia minha e de James sobre o aparador de entrada. – Como é morar aqui, com todas as coisas dele? – questionou completamente curioso.

- Não há nada dele aqui. Não mais. A não ser a fotografia. – respondi. Edward voltou seus olhos para os meus, que me inquiriram do porque sem emitir um som sequer; me aproveitando dessa paz momentânea resolvi lhe explicar o porquê. – Pedi para que as meninas da equipe reformassem e redecorassem para mim enquanto estava de 'férias'. – dei de ombros.

- Hum... – murmurou reflexivo, acomodando a sua cadeira em frente ao sofá do qual me sentei totalmente ereta e hesitante. Não pude deixar de notar que Edward carregava uma pasta azul marinho.

'Os documentos do nosso divórcio estavam ali para que eu assinasse.' – ponderei com meus pensamentos.

- Bella. – chamou Edward, atraindo a minha atenção que estava na pasta para o seu rosto. – Acho que seria mais adequado que você vestisse uma roupa. Ficarei aguardando. – pediu, soando mais como uma ordem.

- O-ok. – gaguejei, enquanto me levantava lentamente, apertando o roupão ao meu corpo. – Fique a vontade. – praticamente corri até meu quarto com a minha respiração arfante e irregular, e meus batimentos cardíacos acelerados.

Vesti a primeira roupa que encontrei: um vestido florido dos meus tempos de faculdade. Prendi meus cabelos em um coque mal feito e retornei a sala, sentindo meu coração batendo acelerado contra minhas costelas. Sentei-me timidamente no sofá de frente para Edward que me encarava de maneira avassaladora com seus grandes olhos verdes, que mantinham um resquício do brilho que tanto conhecia.

- O que aconteceu? – perguntou depois de longos segundos. – Por que você saiu às pressas e desorientadamente da audiência?

Respirei profundamente. Eu sabia que aquela questão viria mais cedo do que supunha. Fechei meus olhos enquanto avaliava a questão.

- Não sei, Edward. – respondi depois de alguns minutos em silêncio, abrindo meus olhos e controlando para que as lágrimas não rolassem por minha face. – Medo, insegurança, desespero, pesar, tantos poréns e sentimentos que não sei classificá-los.

- Não compreendo, Bella. – afirmou Edward aturdido.

- Durante quatro anos eu vivi esperando que enfim acabasse o prazo que nos foi imposto. Que nós mesmos nos impusemos. Porém neste último ano, acredito que por conta de sua proximidade, eu ficava muito dividida. – ri sem humor. – O que é irônico. Eu queria que setembro viesse logo, assim como gostaria que ele nunca chegasse. Estava relativamente conformada com nosso divórcio, mas uma parte de mim acreditava – parei, tentando colocar meus pensamentos em ordem, antes de voltar a falar. -, sei lá, que ele nunca se confirmaria, comprovasse, não sei. Achei que nunca iria acontecer. – confessei. – Então aconteceu toda a torrente de tragédias que ambos conhecemos bem. – comentei evasiva e desanimadamente lançando um olhar à cadeira de rodas de Edward.

"Evitei, mais do que imaginaria confessar, pensar na audiência ou no nosso divórcio. Era como se algo dentro de mim exigisse que eu tomasse uma atitude que não era condizente com a nossa situação. Só que o tempo não parava para que eu agisse, ele corria e logo estava no dia de voltar a Las Vegas para dar fim em tudo. Dar um fim na nossa história." – abaixei meu olhar para as minhas mãos que estavam sobre as minhas coxas e se torciam nervosamente. – "Eu tinha certeza que estava preparada para tudo. Para a audiência, para te enfrentar e principalmente para assinar." – prendi meus lábios com os dentes, e olhei distraidamente para o lustre da sala, observando sem realmente ver a lâmpada.

"Mas, eu não estava. Ouvir a nossa vida, o que partilhamos, ser contado em algumas linhas, ver a hostilidade que existia entre nós, admirar o seu rosto sem expressão e com ódio de mim foi muito. Porém, só acreditei no muito quando vi a sua assinatura naquele papel." – agora as lágrimas rolaram por minha face sem autorização, enquanto um arrepio frio passava por todo o meu corpo. – "Eu sempre me achei a mais cética, a mais impertinente, a mais correta de nós dois. Sempre imaginei que seria eu que assinaria primeiro aquele documento enquanto você se recusaria veemente em assinar. Exigindo, sei lá, uma nova chance. Me implorando para que eu visse com meus próprios olhos o que estava na minha frente. Que você estava ali para mim." – sorri admirando o rosto de Edward, seu maxilar firme e o nariz reto e ligeiramente cumprido.

"Não foi isso que aconteceu. Eu vi a sua assinatura. Eu vi você a fazendo sem nenhuma hesitação, sem nenhum pesar, sem nenhum protesto. Aí que percebi que você já tinha desistido de nós a muito mais tempo do que eu sequer supunha. Você não iria lutar. Tentar mais uma vez me convencer de não fazer aquilo. Eu senti o peso de quase uma década que partilhamos cair sobre meus ombros exigindo que eu tomasse qualquer atitude." – sorri timidamente, enfim encarando os olhos de Edward. – "Então eu fiz o que eu sempre faço desde o inicio. Eu fugi. Fugi mais uma vez."

- Onde você está querendo chegar com tudo isso, Bella? – inquiriu Edward com suas sobrancelhas grossas e masculinas arqueadas.

Instintivamente me levantei do sofá e me abracei com meus próprios braços, caminhando lentamente até a janela do meu apartamento que dava para ver a iluminação precária das ruas e alguns letreiros luminosos ao longe, entretanto, as ruas em si estavam desérticas naquele horário.

- Bella. – chamou Edward com sua voz grave, porém com uma pitada de surpresa. – Você está dizendo o que eu entendi que você está dizendo? – questionou confusamente.

- O que você entendeu? – repliquei virando-me para encarar seu rosto.

Foi a vez de Edward segurar uma respiração. Sua boca abria e fechava tolamente. Seu pomo de adão subia e descia. Os olhos verdes que até alguns segundos atrás estavam como esmeraldas sem lapidar, tornavam esmeraldas líquidas de tão brilhantes que estavam. A pele pálida de Edward ficou repentinamente corada em suas maças.

- Você... Bella... tem certeza disso? – perguntou bobamente.

Ri nervosa, voltando para o sofá em que antes estava tornando a sentar.

- Sim. – concordei depois de alguns segundos. – Acho que sempre soube disso, mas simplesmente não tinha coragem de assumir para mim mesma.

Edward aproximou sua cadeira do sofá onde eu estava me perfurando com aqueles espetaculares orbes esmeralda. Quando a distância entre nós era de uns trinta centímetros mais ou menos, Edward travou sua cadeira, sem nunca tirar seus olhos de mim. Tirou a pasta que estava sobre o seu colo e a colocou no sofá ao meu lado.

- Você me perdoou? – perguntou ainda desconfiado. – Perdoou por tudo o que fiz, falei, e também pelo que eu não fiz? – seus olhos estavam conjecturados e confusos.

- Não tenho que te perdoar por nada. – respondi confiante. – Ambos erramos. Erramos muito. Dizemos coisas que nunca deveríamos ter dito. Estávamos sobre a influência dos nossos estados emocionais todas as vezes que conversamos. Não digo que vamos esquecer e superar tudo, porque ainda somos humanos e é complicado superarmos tudo, mas o tempo é que vai determinar muitas coisas, mas uma coisa que o destino decidiu há muito tempo e nós dois fomos teimosos demais para compreender e aceitar é que devemos ficar juntos. – sorri para ele, contendo as minhas mãos que gostariam de afagar o seu rosto.

Respirei profundamente. Eu sabia que a minha próxima frase poderia mudar tudo.

- Eu te amo, Edward. – pronunciei com clareza, enquanto grossas lágrimas caiam copiosamente pelos meus olhos. Vi a surpresa tomar o seu rosto, mas tão rápido quanto à situação permitia, ele devolveu:

- Eu... eu também te amo. – disse Edward com os olhos marejados.

Apesar da declaração que partilhamos exigir que a selássemos, Edward e eu nos mantivemos em nossos lugares com os olhos conectados um no outro. Verde e castanho perfurando um ao outro. Conversando um com o outro, com verdadeira devoção e carinho. Ficamos naquele momento por um longo tempo, até que finalmente Edward quebrou o nosso olhar, indo para as suas mãos que timidamente buscava a minha para enlaçar.

Grandes e masculinas, as mãos de Edward me transmitiam um conforto, uma paz interior maravilhosa. O calor que elas tinham, parecia penetrar em minha pele e avançar por todo o meu corpo como ondas de energia. A atração que partilhávamos, era como imãs, atraindo um ao outro sem hesitação ou indecisão, era sentida por todos os meus ossos, músculos e órgãos. Todos os sentimentos compartilhados eram de amor, esperança, devoção, companheirismo e paixão.

Fechei meus olhos para me deliciar mais com o prazer adorável que aquele calor, aquele conforto me proporcionava. Não me sobressaltei quando senti a respiração quente e o hálito mentolado de Edward, baterem contra meu rosto, eu somente aguardei o que viria a seguir. Felizmente não tive que esperar muito, pois os lábios voluptuosos, luxuriantes, carinhosos e amorosos dele reivindicaram os meus em um beijo avassalador.

Nossos lábios clamavam um pelo outro com desespero, mas este não era violento ou grosseiro. Era um desespero controlado, por assim dizer. Existia saudade, carinho, amor. Era um beijo diferente de qualquer outro compartilhado por nós. Era único. Nossas línguas se acariciavam, e dançavam como se fossem – e elas eram – para se movimentarem juntas. Nossas bocas estavam em um encaixe perfeito, nossos lábios se tocavam serenamente. Nossas mãos que estavam enlaçadas sobre o meu colo se acarinhavam timidamente, antes de por fim enlaçar nossos dedos e apertarmos com força, em um sinal tão antigo quanto o mundo, de união.

Inevitável, foi também, nossas mãos se desenlaçarem e irem; as minhas para a sua nuca e cabelos e as dele para a minha cintura e nuca. A distância imposta pela cadeira de rodas que Edward estava ainda era um empecilho, mas antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa Edward me puxou para ele, fazendo com que me sentasse sobre as suas pernas incapacitadas.

Porém a minha preocupação com suas pernas não duraram um milissegundo sequer, pois a proximidade de nossos corpos despertou reações e sensações inarráveis no meu. A corrente elétrica que já era conhecida minha, quando estava com Edward, pareceu entrar em curto-circuito. Nossos lábios conectados no beijo avassalador, nunca eram interrompidos. Nossas línguas bailavam juntas no espaço de nossas bocas, como um tango erótico. Nossos dentes, voluptuosos, ansiosos e desejosos, mordiscavam sem hesitação nossos lábios inferiores, os chupando em seguida para mais um beijo da mesma intensidade.

As mãos grandes e masculinas de Edward com uma autorização implícita subiam por minhas coxas, a acariciando e levantando tortuosamente lento o vestido que usava. O calor que irradiava de suas mãos despertavam a minha libido adormecida, enquanto as minhas mãos tateavam o peitoral de Edward sentindo o seus músculos definidos sobre o tecido de linho de sua camisa. Meus dedos ávidos desabotoavam sem hesitar os botões de sua camisa, para que as minhas mãos, enfim, sentissem o calor de sua pele contra eles. Tanto Edward quanto eu, seguramos a respiração, o que resultou em nossos lábios se separarem. Os meus foram para o seu pescoço, e os dele para o meu.

Sensações eróticas, sensuais e luxuriosas tomaram todo o meu ser. Eu queria mais. Eu precisava de mais. Foi inconsciente que me vi apertando as minhas pernas, para fazer alguma fricção em meu ponto pulsante, que Edward somente provocava com a ponta de seus dedos. Porém, Edward interrompeu seus movimentos assim como seus lábios voluptuosos, colocando suas mãos de maneira nada sensual em minha cintura.

- Bella – começou arfante. – desde... desde... eu não fiz isso ainda... depois... depois de... você sabe. – disse envergonhado.

Encarei aqueles estupendos, mas envergonhados olhos verdes.

- Mas... – engoli em seco. – você tem certeza? Quer dizer – senti minhas bochechas esquentando. Era estranho falar sobre isso. -, você não consegue ter uma ereção? – perguntei mordiscando meus lábios. – Você não conversou ou ouviu sobre isso com os médicos e na reabilitação?

Edward mordiscou seus lábios e fechou os olhos.

- Não. Quer dizer... eu não quis saber o que eu poderia ou não poderia. Ainda é difícil me acostumar com tudo isso, e o fato de que eu... eu não teria sexo nunca mais em minha vida foi algo que entendi logo. – confessou.

- Mas Edward – comecei, escolhendo as minhas palavras. – isso não quer dizer que você não possa mais ter sexo. Talvez só precise de estímulo. – tentei.

- Eu tenho o meu estímulo aqui, na minha frente – disse apontando para mim, mas não sei se sou capaz disso. Sinto que eu irei falhar e vou acabar te frustrando. – seus olhos se abaixaram envergonhados.

- Ei, ei, ei... – iniciei, colocando cada uma das minhas mãos ao lado do rosto dele e o erguendo para que ele olhasse em meus olhos. – Você nunca irá me frustrar, entendeu?

- Bella... – começou, mais o calei com meus lábios.

- Eu te amo, Edward. – sussurrei contra seus lábios. – Não vai ser essa sua deficiência que vai mudar o que eu sinto por você. Nós vamos dar um jeito nisso. Eu prometo.

Sem que ele pudesse dizer qualquer outra palavra voltei a beijá-lo sofregamente. Meus lábios e minha língua estavam dispostos a provar que nossa sexualidade ainda não estava acabada, que ela estava viva em nossos corações e em nossos cérebros, e que poderíamos fazer qualquer coisa, porque existia amor entre nós.

Nosso beijo voltou ao ponto em que estava antes de Edward interromper. Quente, desejoso. A volúpia e a luxúria estavam exalando por nossos poros. As unhas de Edward fincavam com prazer demasiado em minhas coxas, e por muitas vezes os dedos longos dele provocava a minha feminilidade pulsante e completamente molhada. Sentia o prazer único e inexplicável nos tomar com força. Quando, enfim, sua mão delicadamente afastou a calcinha que usava e seus dedos tocaram sem temor meu sexo, senti um coque correr meu corpo. Gemi contra os lábios de Edward, fazendo o sorrir orgulhoso. Mas antes que eu pudesse sequer me adaptar com a sensação, seus dedos me invadiram. Meu gemido desta vez foi gutural, e instintivamente rebolei sobre Edward.

Uma surpresa me tomou quando senti o membro de Edward se enrijecendo sob mim. Afastei rapidamente meus lábios dos deles, tamanha foi minha surpresa e encarei os olhos verdes de Edward que demonstravam a mesma surpresa que os meus.

- Eu te disse. – sorri, apoiando minha testa a dele. – Nós nos amamos e não seria esse pequeno empecilho que nos atrapalharia.

O meu esposo sorriu brilhantemente, encantado por aquela descoberta.

- Por onde fica o seu quarto? – inquiriu expectante.

- Eu te mostro o caminho. – disse tentando me levantar de seu colo, mas sendo segurada com força por seu braço.

- Diga o caminho, e eu levo nós dois para lá. Não posso ficar um centímetro sequer separado de você. – pronunciou reivindicando mais uma vez os meus lábios para si.

Não faço sequer a ideia de como chegamos em meu quarto. Só tenho a plena consciência de que quando me vi saindo do colo de Edward, para que ele pudesse se mover para a cama, eu estava sem meu vestido, sem sutiã e somente vestida com minha calcinha, enquanto Edward estava com o peito despido. No momento em que Edward estava sentado sobre a minha cama, eu praticamente avancei para ele o beijando sofregamente mais uma vez. Aproveitando cada sensação que era transmitida por nossos lábios. Toda a emoção concentrada naquela ação.

Quando, por fim, o ar ficou faltante em nossos pulmões. Edward afastou a sua boca da minha, mas sem deixar meu corpo, já que passou a se dedicar ao meu pescoço e lóbulo da orelha. Instintivamente comecei fazer o mesmo que ele, explorar o lóbulo de sua orelha e seu pescoço. O arrepio que passava por nossos corpos era único, era conjunto, era aquela maravilhosa corrente elétrica que existia entre nós, que poderia ser facilmente comparada a uma descarga elétrica.

Lentamente o corpo de Edward começou a cair, deitando-se por completo sobre a minha cama, me levando junto a ele. Suas pernas poderiam estar imóveis, inertes, mas suas mãos e o resto de seu corpo se provaram estar nenhum pouco. Já que suas mãos e braços pareciam estar em todos os lugares possíveis e imagináveis. Mal notei que Edward havia retirado a calcinha que usava do meu corpo, e suas mãos hábeis massageavam meu bumbum, despertando sensações novas e incríveis em meu corpo.

Tive que quebrar o beijo e a sensação que Edward produzia em meu corpo com as suas mãos. Tentando, instintivamente, segurar suas mãos, meus lábios desceram por seu pescoço, peitoral, aproveitando e se deliciando de cada ondulação que os seus músculos tinham. Sentindo a textura de sua pele. Do pêlo tão masculino de seu peitoral. Me vi ajoelhando entre as pernas inertes de Edward no chão, enquanto ele ficava apoiado em seus cotovelos, com a respiração arfante e os olhos meio cerrados me encarando. Sorri sensualmente para ele, enquanto as minhas mãos corriam por suas pernas a procura do fecho de sua calça.

Eu tinha conhecimento que Edward não poderia sentir a avidez, o calor de minhas mãos sobre suas pernas, mas parecia que naquele segundo a imaginação, a vontade seria suficiente para sentir a necessidade, a devoção do meu toque, uma vez que ele urrou de prazer.

Foi lentamente e sobre o olhar atento de Edward que o despi de sua calça e sua cueca boxer. E tão felizmente como supunha, fui brindada por sua gloriosa ereção me cumprimentando, me desejando. A acariciei lentamente, com medo que meu toque pudesse fazê-la desaparecer de minha frente. Edward gemeu timidamente, enquanto seus olhos rolavam na própria orbita totalmente inebriados com o prazer.

Sorri sedutoramente, enfim segurando a sua extensão com minhas mãos. Ele jogou sua cabeça para trás aproveitando a sensação que minha mão lhe proporcionava. Eu podia sentir o pré-gozo se acumulando na ponta daquele suntuoso membro. Sem hesitar levei as minhas mãos até ele fazendo movimentos lentos de cima para baixo que fizeram Edward urrar mais uma vez.

Tomada pela luxúria que o urro de Edward fez crescer em mim passei a estimulá-lo com mais agilidade, alternando movimentos lentos com rápidos. Não resistindo mais a vontade de tê-lo o levei inteiramente em minha boca o que foi suficiente para ele choramingar meu nome. Sorri presunçosamente, e comecei a trabalhar com minha língua por toda aquela extensão, ora eu só acariciava, por outras dava beijos, por outras ainda eu sugava a pele sensível, ou ainda circulava com minha língua.

Edward respirava pesadamente, sibilando palavras incoerentes, mas a que mais estava presentes entre elas eram "amor" e "Bella". O coloquei novamente todo em minha boca e enquanto minha língua o acariciava, tocando no fundo de minha garganta, comecei a estimulá-lo em sua base com minhas mãos. Percebi suas mãos apertando os meus lençóis, se controlando para não segurar meus cabelos e me guiar. Eu sabia que seu extremo estava chegando já que seu membro estava mais rígido do que antes.

- Bella... oh meu Deus... eu vou... – pronunciou rouco, quando enfim suas mãos perderam a batalha com seu cérebro e foram se embrenhar em meus cabelos, no mesmo instante em que intensifiquei meus movimentos, e sentindo um tremor vindo dele, para em seguida se liberar em minha boca.

O sabor de Edward era espetacular. Eu sentia uma falta inexplicável de senti-lo. Me aproveitei, deliciando-me ao extremo com aquele líquido que ele me proporcionava. O notei relaxar sob mim. E quando não tinha mais nenhum vestígio de gozo em seu membro comecei a trilhar um caminho de beijos por seu abdômen, peitoral, terminando em sua boca. Ele me beijou com um desejo impressionante. Seus dedos se enrolavam entre meus cabelos, despertando emoções por todo o meu corpo, principalmente por senti-lo completamente nu sob mim.

- Eu preciso experimentá-la também. – falou contra meus lábios, me colocando ao seu lado na cama.

Seus olhos que estavam negros de desejo admiraram meu corpo; sem nenhum aviso, sem nenhum comunicado anterior, ele começou a beijá-lo. Suas mãos acariciavam minha pele. Os lábios voluptuosos e gulosos de Edward, sem qualquer hesitação reivindicavam meus seios. Ele cultuava o meu corpo. A cada toque de seus lábios na pele sensível dos meus seios minha pele arrepiava-se em antecipação, o desejo me consumia, eu o queria naquele segundo sobre mim, me amando sem nenhuma restrição, sem nenhuma censura. Edward sorriu contra meus seios, quando disse palavras ininteligíveis para os meus ouvidos, quando com toda a voracidade, toda a urgência, o capturou com sua boca, fazendo sua língua circulá-lo com demasiado carinho, demasiada devoção, deixando-me ainda mais nublada de desejo.

A língua de Edward circulava calmamente meus mamilos, fazendo-os parecer a mais deliciosa das guloseimas, para depois os beijar com seus lábios, ora fechados, ora beijos abertos e molhados. Eu a muito já me contorcia de prazer ao seu lado; porém ele ou ignorava, ou fazia de propósito demorando demasiadamente ali, dedicando-se exaustivamente a cada um deles.

Creio que cansado só de explorar meus seios ele começou a distribuir beijos pela minha barriga, contornando com sua língua meu umbigo. Um arrepio nada incômodo por conta do toque de sua língua fez a minha barriga se contrair, e ele riu contra a minha pele antes de puxar meu corpo um pouco mais para cima da cama para que ele pudesse explorar meu sexo.

Naquele segundo, mesmo consumida pelo prazer proporcionado a mim, vi o que a deficiência o limitava de ser criativo ou de me amar completamente, mas meus pensamentos sobre isto duraram pouquíssimos segundos, já que fui tirada deles pelos longos dedos acariciando suavemente minha intimidade úmida e pulsante me deixando louca de desejo, aguardando impacientemente para tê-lo ali. Sua boca e língua despertavam sensações inexplicáveis em meu abdômen, fazendo com que me contorcesse de desejo, quando por fim um de seus dedos me penetrou serenamente, fazendo-me entrar em combustão instantânea de tanto prazer e gemer audivelmente, ecoando o som por todo quarto.

Edward atacou a minha feminilidade com seus beijos. No segundo em que seus lábios tocaram-me intimamente eu me contorci em expectativa, sentindo todo o meu desejo queimando as minhas entranhas. Edward beijava e acariciava com suas mãos quentes as minhas coxas, despertando sensações novas em mim, por fim as beijando com seus lábios abertos e molhados. O ar morno que escapava por suas narinas, ao baterem no local úmido, me fizeram arrepiar de desejo. Um tremor de excitação por conta de seus lábios me assolou, e no segundo seguinte, ele me invadiu com sua língua quente e voraz. Tudo ao meu redor foi esquecido e as únicas coisas que importavam ali era eu, Edward e sua língua me levando a outra dimensão.

Ele me chupava de uma maneira tão sedutora, tão amável que estava impossível respirar. Sua língua traçava um caminho lento e pecaminoso por todo o meu sexo, indo até meu períneo, fazendo-me arquear meu quadril por mais. Depois lentamente sua língua fez movimentos da esquerda para direita, de cima para baixo em todo o meu sexo, deixando-me ainda mais desejosa por mais. Seus dentes morderam suavemente meus grandes lábios, fazendo um urro de prazer romper por minha boca.

Sua língua circulava vagarosamente meu clitóris, para em seguida ele aumentar a velocidade, e sempre alternando entre rápido e lento, rápido e lento. Indo novamente da esquerda para a direita, de cima para baixo, sempre alternando a velocidade, sua língua que antes era calma, estava frenética estimulando todo o meu sexo, por vezes conseguia sentir leves mordidas, e por outras sucções, ali era o paraíso que eu gostaria de estar, que eu amava estar.

Sem tardar muito a minha pulsação e meus batimentos cardíacos ficaram aceleradissímos, meus músculos se contraíam involuntariamente, um arrepio inexplicável tomou todo o meu corpo, seguido daquele tremor em minha barriga, o suor escorria em minha nuca, indicando que meu extremo estava próximo, creio que Edward também notou, pois deliberadamente intensificou seus movimentos em minha intimidade estimulando de maneira voraz meu clitóris, e com um tremor involuntário a sensação de entrega me tomou, senti me liberando na boca de Edward que se deliciava do meu orgasmo, deixando-me ainda mais extasiada.

Foi com a enorme sensação de perda que o percebi afastando seu rosto de minha intimidade, caindo ao meu lado na cama. Rapidamente fui até ele, tomando seus lábios com os meus, podendo sentir o meu próprio gosto em sua boca. Ficamos por um longo tempo curtindo aquela sensação. O contato de nossas peles despertando as mais incríveis e impressionantes reações.

Edward gentilmente pediu para que eu deitasse no sentido da cama. Com a cabeça próxima a cabeceira, enquanto ele se postava também deitado, colocando suas pernas sobre a cama. Assim que ele estava deitado, ao meu lado, no sentido da cama, ele olhou em meus olhos. Timidamente acariciou meus cabelos, retirando um fio que caia sobre meus olhos e sentindo a maciez de minha pele.

- Eu te amo – sussurrou. -, tanto que não consigo expressar.

Segurei com minhas mãos o seu rosto e sentindo meus olhos marejarem, enquanto meu coração batia em uma sincronia de paixão.

- Então me ame. – sussurrei contra seus lábios, o beijando suavemente.

Seus olhos brilharam de desejo, expectativa e amor, ele sorriu torto para mim antes de depositar um beijo cálido em meus lábios. Com um pouco de dificuldade, mas não tanto quanto esperava ou imaginava, Edward se postou sobre mim, entre as minhas pernas. Trocamos mais um olhar abarrotado de luxúria para em seguida sentir Edward escorregando todo o seu membro para dentro de mim.

A cada centímetro que ele me preenchia fazia-me sentir plena, mais apaixonada por esse homem que era meu. O que foi destinado para mim. E quando finalmente ele estava todo dentro de mim, encarou-me com seus maravilhosos orbes esmeraldas que me fez retribuir com a mesma intensidade pelos meus castanhos chocolate. Ele me deu um sorriso torto, que eu retribuí, para em seguida começar a se movimentar lentamente.

Nossos olhares estavam conectados, não se desviavam, ele fazia movimentos lentos de vai e vem, depois começando a aumentar a intensidade de suas estocadas, logo comecei a rebolar embaixo dele, o acomodando ainda mais sobre mim. O prazer nos consumia mais ainda. Passei a desejar um contato maior de nossos corpos, fazendo-me abraçá-lo com minhas pernas. Ele gemeu de prazer, o que foi logo em seguida acompanhado por mim, minhas unhas arranhavam as costas de Edward com força e ele parecia não ligar para isso.

Com mais umas estocadas comecei a sentir meus batimentos cardíacos e minha pulsação se acelerando, nosso suor se misturando à nossa fragrância, nossos músculos se contraíram juntos como se fossem somente um corpo, seguido de um tremor que surgia em algum lugar em Edward e espalhava-se por todo o meu corpo, a sensação de entrega já nublava todos meus outros sentidos.

Edward começou a estocar com mais agilidade, seu olhar penetrante no meu dizia claramente "venha junto comigo meu amor", e com um novo tremor, um tremor de entrega ,alcançamos nosso ápice, um gemendo audivelmente o nome do outro. E enquanto ele se liberava dentro de mim, puxou-me para um beijo apaixonado.

- Eu te amo. – sibilamos os dois em uníssono entre os beijos, para em seguida novamente nos beijarmos com fulgor.

Lentamente, Edward saiu de mim deitando-se ao meu lado. Virei o meu corpo, para encarar o seu rosto. Um sorriso singelo estava em seus lábios.

- Foi melhor do que qualquer outra coisa. O melhor sexo da minha vida. – murmurou virando o seu rosto olhando em meus olhos. – Mesmo com essa dificuldade, você continuou ao meu lado. Você é a mulher da minha vida. Dos meus sonhos, Bella. – suas mãos acariciaram meu rosto. – Eu te amo.

Aquelas palavras despertaram um instinto enorme em mim, e sem conseguir me controlar beijei voluptuosamente seus lábios.

- Eu também te amo. – sussurrei, sorrindo para ele.

Os braços de Edward me abraçaram fazendo com que meu corpo se moldasse a lateral do seu. O sono começou a me tomar, me embalando para o mundo dos sonhos, acompanhada por Edward ao meu lado como seria daqui para frente.

Ouvia ele ressoando tranquilamente em meu ouvido, e meus olhos começavam a pesar indicando que logo o acompanharia, quando me recordei de algo.

- Edward? Edward? – o chamei um pouco alto, o balançando para acordá-lo.

- Oi... oi... – disse despertando ansioso. – O que foi? – questionou meio alerta.

- Eu quero te fazer uma pergunta. – disse me levantando para que meu rosto ficasse um pouco acima do dele, e eu pudesse admirar aqueles belíssimos olhos verdes, sua pele branca e seus cabelos bronzes, que eram iluminados precariamente pelos primeiros raios solares que invadiam pelas grandes janelas do meu quarto.

- Hum... faça. – disse ainda atordoado por ser acordado inesperadamente.

- Você quer casar comigo? – questionei sorrindo.

Vi a confusão tomar os olhos de Edward.

- Bella – riu nervoso. -, nós já somos casados. – disse ligeiramente divertido.

- Eu sei. – afirmei sua sentença. – Mas agora quero me casar com você às vistas de todo mundo, sem nenhum segredo, sem nenhuma limitação, sem esconder nada. Eu quero que todo mundo saiba que eu te amo. Que eu quero passar o resto dos meus dias ao seu lado, para todo o sempre. – declarei ligeiramente emocionada.

Notei Edward avaliando meu pedido, com seus olhos brilhantes admirando meu rosto com cuidado.

- Eu aceito me casar outra vez com você, meu amor. – falou, segundos depois com um sorriso enorme em seu rosto.

Imediatamente meus lábios grudaram aos dele. Carinho, compaixão, devoção, companheirismo, esperança, paixão e amor, eram os sentimentos compartilhados pelo ato. Cada fibra do meu ser sentia uma emoção inigualável e única em mim. Quando o ar ficou escasso, nos separamos apoiando nossas testas uma na outra, encarando com fervor nossos olhos, enquanto murmurava para ele:

- Enfim, para todo o sempre.

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N/A: Oie amores!

Todo mundo sobreviveu a esse capítulo? Eu avisei que ele seria muito emocional, e antes que alguém proteste ou afirme que não queria que o Edward ficasse paraplégico um aviso:

Primeiro: ele levou dois tiros na coluna, já foi um milagre ele sobreviver, mas estas situações são complicadas. Eu tenho conhecimento que isto aqui é uma ficção e todo mundo aguarda um final feliz, mas nem tudo na vida é simples. Existiu o final feliz (pra mim o final feliz era eles ficarem juntos) a deficiência dele, é só mais um obstáculo que eles tinham e vão superar com o amor que sentem.

Segundo: ele não vai voltar a andar no epílogo, já afirmo. Foi um dano irreparável que ele sofreu, e como todos devem ter percebido eu gosto de trazer realidade e passar uma mensagem em minhas histórias. Em INEXPLICAVELMENTE AMOR eu explorei o lado do vício das drogas, como as pessoas a volta do viciado se portavam e ficavam, assim como o próprio doente. Aqui em JUST JUSTICE meu instinto pediu para que eu mostrasse esta outra situação, que muitas pessoas têm um preconceito tolo de achar que uma pessoa paraplégica ou tetraplégica não podem ter sexo ou intimidade com alguém. A sexualidade não está no ato sexual, esta na mente de cada um. Na intimidade e na paixão que cada um pode depositar no outro.

Outro ponto que pode vir a causar protestos é que eu não dei um fim na Máfia Italiana. Outra vez falo sobre realidade. Alguém aqui assistiu Tropa de Elite 2? De qualquer maneira o final o Capitão Nascimento aka Wagner Moura diz a seguinte frase ou algo parecido: "eu poderia usar todas as forças combatentes e armadas do Estado do Rio de Janeiro. Poderia meter bala em quantos filhos da puta existir, mas o sistema que alimenta a criminalidade é maior do que eu sequer imaginava. O sistema era comandado lá do alto e se eu queria mudar esta realidade teria que trabalhar incansavelmente e assim mesmo não conseguiria." E fechava o filme num panorama de Brasília. OK, não era com essas palavras que era dito, mas foi o que eu entendi da mensagem que passou. O mesmo vale para aqui. A criminalidade existe e ela não morre nem mesmo quando o chefe, o comandante supremo morre, porque ela já está enraizada na sociedade e contamina a todos, querendo ou não.

Ok, ok, ok... estou muito política nesta N/A, algo que devo deixar para CONEXÕES ILÍCITAS a substituta de JUST JUSTICE, e aí já deram uma olhada nela? Dêem uma passadinha lá: http:/www(PONTO)fanfiction(PONTO)net/s/6770406/1/CONEXOES_ILICITAS

Torço imensamente para que vocês tenham gostado deste último capítulo de JJ. Ele foi difícil para escrever, assim como toda a fic, que passou por uma modificação no enredo em seu quarto capítulo por uma série de motivos. Também tive problemas para escrever esta fanfic, por além de ser complexa em escrever eu tinha certa relutância em expor as minhas ideias com temor que me acusassem de plágio ou a denunciassem pelo mesmo fim. Mas encerro esta fanfic, mesmo ainda faltando o epílogo com a sensação de dever cumprido. Acredito que enlacei toda a trama não deixando nenhum fiozinho solto, e se por acaso faltou um... ele será explicado no epílogo.

Agradeço imensamente a todos que estiveram ao meu lado durante os 18 meses que esta fanfic ficou aberta, dentre este tempo o hiatus que fui forçada a dar por conta de problemas pessoais, a minha demora na postagem de capítulos, e outras tantas eventualidades. Obrigada por não desistirem desta fanfic, por não desistirem de mim.

Vocês ainda poderão me encontrar em TEENAGE DREAM e CONEXÕES ILÍCITAS, que passarei a me dedicar. Obvio que as duas são totalmente diferentes entre si, e diferente tanto de JUST JUSTICE quanto de INEXPLICAVELMENTE AMOR, mas isto não quer dizer que deixarei de me dedicar com carinho nelas.

Peço que deixem reviews carinhosas, mesmo que a fic já esteja encerrada há tempos (para quem ler depois que acabei) porque as reviews são recebidas em meu email e sempre vou lê-las. Posso não responder, e isto é algo pessoal, e sem importância, mas saibam que eu li, sorri e fiquei toda animada com a opinião que deram e que talvez eu possa responder.

Agradeço a Tod imensamente que esteve ao meu lado nesta fic. Ainda vamos estar juntas em minhas outras aventuras, mas JUST JUSTICE para ela é um grande xodozinho. Amore, obrigada por tudo. Por me ouvir, por me ajudar, por betar essa loucura para mim. Os créditos que recebo por causa disto aqui são divididos totalmente com você!

Espero nos vermos no epílogo que deve sair lá pelo meio de abril, quem sabe antes, mas por enquanto fica delimitado lá... tenho uns projetos para concluir antes.

Obrigada mais uma vez pelo carinho e atenção de vocês que foi distribuído pelas reviews, comentários, favoritações, indicações, recomendações... cada pequeno gesto que fez a diferença. Obrigada por tudo. E não se esqueçam eu me apaixonei por vocês e por isso afirmo que os amo muito!

Beijos, com amor,

Carol.

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N/B: A Carol perguntando "todo mundo sobreviveu a esse capítulo?" Sou a primeira a levantar a mão e dizer que NÃO! Não sobrevivi. Não sem chorar muito, ir lavar o rosto duas vezes, e voltar a betar com lágrimas nos olhos.

Parece tão clichê, mas por Deus, não é. Eu já tô chorando de novo. Foram 18 meses acompanhando cada pequeno desenrolar de capítulo, acompanhando as ideias loucas e genuinamente incríveis da Carol, dando uma opinião aqui, outra ali, me empolgando via gtalk, MSN, twitter. Fiz uma conta no Nyah por causa dessa fanfic. Conheci pessoas incríveis por intermédio do amor que compartilhamos por essa história. Daí chega à hora de dizer "tchau", mesmo sabendo que não é um adeus, que ainda estaremos juntos em CONEXÕES ILÍCITAS mas mesmo assim, não está sendo nada fácil.

Tenho tanto a falar, mas sinto que vou meter os pés pelas mãos devida a emoção. Então, vou ser breve porque o capítulo em sai já me destruiu demais.

A Carol sabe que relutei contra a ideia do Edward paraplégico. Porque eu sou uma boba sentimental que queria ver Beward feliz entre flores e arco-íris. Mas daí caiu a ficha, JUST JUSTICE não era pra ser assim, ela era real demais pra acabar de uma forma clichê. De clichê já não basta minhas crises de choro e meus xilikes supremos. A partir do momento que Edward se colocou à frente de Bella durante o tiroteio, por mais que tenha feito por impulso de proteger a mulher que ama, o risco não podia ser amenizado. E não foi. Eis que se o amor dos dois era pra valer, entre tantas brigas e acusações e reconciliações verdadeiras, não seria essa deficiência que ia destruir isso. Não foi. Quase foi pelo fato dos dois serem o casal mais genioso e tempestuoso de todas as fics que já li, o que só aumentava meu amor por eles, mas se toda essa incompatibilidade não os separaria, com certeza uma cadeira de rodas também não. Mas ver a Bella saindo da audiência de divórcio daquela forma foi demais pra mim! Deve ter sido demais pra vocês também, porque até aquele momento não sabíamos se ia ter final feliz. Edward não poder andar NÃO É UM FINAL TRISTE, é consequencia. Agora que aceitei isso, percebi como essa história tem que realmente virar novela da Globo. HAHAHAHAHA. Tá, parei.

Por fim, e o mais importante, queria agradecer a Carol (pelo bilionésima vez) por ter me permitido fazer parte do Universo de JUST JUSTICE. Uma fanfic que no começo foi tão difícil de receber seu devido reconhecimento e que tantas outras fez com que eu conversasse muitas vezes com ela pedindo pra dar mais uma chance e não desistisse pela ausência de reviews. É com honra, orgulho e sorriso nos lábios (e mais lágrimas chegando) que eu digo novamente como admiro essa autora (e amiga) da qual tem os enredos mais criativos, centrados e intensos que eu já tive a oportunidade de conhecer.

Espero que JUST JUSTICE tenha entrado para o "Top 10" da lista de vocês, pois sei que muitos leitores (algumas como a Nessa, Patti, Taty, Dessa, Aninha, Sarah, entre tantas outras) assim me fizeram acreditar no potencial dessa fanfic desde SEMPRE.

Nos vemos em CONEXÕES ILÍCITAS e no Epílogo. Prometo ser menos manteigona derretida, se assim a Carol deixar. Falo que a culpa é toda dela... quem manda ser a melhor autora desse Fandom? *levanta a bandeirinha de fã*

Obrigada pelo carinho de vocês nas reviews, obrigada por mandarem recadinhos pra mim também! Mas acima de tudo, obrigada por não nos abandonarem durante esse 1 ano e meio! Sem vocês, nada disso seria possível!

Bjos,

Tod.

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Quer fazer uma pobre autora feliz? oO

Deixa uma review para mim, dizendo se você gostou, ou se odiou, se você tem alguma sugestão! Pois sugestões e palpites aqui são fundamentais! *.*

Ficarei encantada em ler!

É isso meus amores, obrigada novamente pelo carinho por essa minha fic.

Amo vocês!