O terceiro navio que só observou a aliança de Kid atacar estava prestes a agir por conta. O capitão deste navio, orientado pelo seu superior, ordenou que se aproximasse e pegasse algo ou alguém no navio de Kid, para atrair a atenção dele.

Ele, que era um usuário de uma Fruta do Diabo tipo Zoan, transformou parte do seu corpo em um polvo, com tentáculos enormes e grossos. Aproximou seus tentáculos do navio de Kid, e foi detectando qualquer ruído ou presença pelos sentidos dos seus tentáculos. Por azar do destino, Rhina estava na beira do navio, observando a noite estrelada, enquanto Misa estava um pouco mais atrás, limpando a sujeira da noitada de bebidas que havia terminado. Atraída por uma coisa comprida que se contorcia perto donde ela estava sentada, Rhina se aproximou, olhando aquilo.

– Isso... é alguma serpente marinha gigante? Misa, venha ver...

O tentáculo se esticou, revelando-se enorme e grosso. Rhina deu um grito e Misa virou-se para trás. Também gritou ao ver a irmã sendo enrolada por aquele tentáculo e sendo recolhida até o tal navio dele. Misa gritou por socorro por todo o barco, acordando Kid e os outros.

– Rhina foi raptada! Olhem para aquele tentáculo!

– Que tentáculo, Misa? – Killer não estava vendo mais nada ali.

Kid teve o instinto de ir até a beira do navio e viu um outro navio navegar apressadamente.

– Filhos da mãe! Fogo neles, agora! – bradou o homem, desesperado.

Rapidamente, aprontaram-se para usarem os canhões novamente depois de um intervalo de poucas horas. O navio inimigo, percebendo que o tal navio de onde raptaram Rhina estava se movendo em direção a eles e apontando os canhões, submergiram. Mais uma vez, Rhina gritava aos choros.

– Kid! Socorro! – ela tentava se mover, tentando sair do tentáculo que a apertava firmemente.

– Quer parar de se sacudir aí? Senão, vou esmagá-la até os ossos! – ordenou o homem, que estava com um charuto acesso na boca.

Kid deu um soco firme em uma parte firme do navio, ao perceber que os danados raptores de sua amada submergiram. O den den mushi deles tocava insistentemente. Era Apoo querendo saber o porquê do navio deles se distanciarem dos navios dos outros dois da Aliança.

– Podem esquecer-se de mim ao prosseguir o ataque! Vou salvar uma de minhas tripulantes, primeiro!

– Kid! Mas não dá para...

– Cala a boca! Já disse! – ele desligou o den den mushi na cara do outro e dirigiu-se ao seu direto – Killer! Vamos rápido submergir!

Rapidamente, Killer tomou as providências. Kid praguejava e jurava de morte todos daquele navio infeliz. Misa fazia o que lhe era ordenada aos choros, preocupada com a irmã, que ainda estava presa ao tentáculo do capitão do outro navio.

– Achou que isso era algum tipo de serpente, menina? Não... isso é um tentáculo. Sou usuário da beta-Tako Tako no Mi, uma sub-Akuma no Mi do tipo Zoan. Ghêghêghêghê... – terminou rindo da sua forma esquisita e até engraçada.

– Por favor, não me faça nada! Sou apenas uma serviçal do meu capitão! Se quiser, retorna-me até ele, eu te levo até ele e aos outros.

– Ghêghêghê... mas isso é o que realmente não quero, sabia? Se ele quiser, que venha até nós! Até vou deixar meu rastro dos meus tentáculos para ele se guiar... só se ele ficou com medinho e desistiu de você! Ghêghêghêghê...

O tal homem-polvo levou um dos tentáculos livres até o queixo dela, levantando-lhe o rosto em lágrimas.

– Hummm... que bela prenda. Talvez seu capitão queira vir que nem um louco. É melhor que eu acelere mais! – virou-se para uns poucos que tinham ali – Rápido, acelerem essa porcaria! Devemos leva-la até nosso chefão!

Com um "urra" bem forte, todos concordaram e fizeram o que lhe foi ordenado. O capitão ainda ficou brincando com um dos tentáculos deslizando pelo corpo dela, ainda sem tocar-lhe as partes íntimas. Rhina apertava os lábios, tensa. Achava que nunca mais na vida teria que lidar com raptos novamente. Ah, como queria que Kid já estivesse ali a salvando.

...

– E então? Conseguiram trazer uma isca? – disse o tal chefão, do outro lado do den den mushi.

– Sim, chefão! Uma bela prenda... você vai gostar...

– Que prenda é essa?

– Posso fazer mistério até entregar pessoalmente?

– NÂÂÂO! Quero saber agora! – gritou o tal, mas depois amansou um pouco a voz – Diga ao menos que tipo de criatura é!

– Uhh... certo, certo. É uma bela fêmea!

– Ahhh... jura?

– Pelos meus tentáculos! Ghêghêghê...

– Então venha rapidamente! – falou o outro, com tom de malícia na voz.

O chefão desligou. Levantou-se de onde estava. Coçou a cabeça.

– Uma distração para mim... já que a vida insiste em me manter vivo, vou aproveitar! –disse esse, mordendo levemente seu dedo com certa malícia.

...

– Capitão Kid... acho que ele deixou rastros! – disse Wire, que conduzia o navio por baixo das águas e olhando pela luneta.

– Siga, os então!

– E se for uma armadilha para confundir-nos? – comentou Misa.

– Cale-se! Isso é assunto entre os homens! – repreendeu Kid.

– Mas ela pode estar certa, capitão.

– Vamos seguir todas as suspeitas! Vamos até o inferno, se for preciso! – Kid apertava os dentes ao proclamar total guerra aos raptores de Rhina.

– E então, capitão? O que faremos? – Wire pediu uma resposta precisa.

– ...faremos tudo que for no nosso alcance! Siga os rastros e não achar, vamos seguir por tudo que é caminho!

Wire seguiu o tal rastro. Por sorte, era o que o tal homem-polvo realmente deixou para eles se encontrarem.

O homem-polvo havia prendido Rhina em correntes, deixando-a livre daquele tentáculo forte e levemente gosmento. Mas ele ficou ali, com ela.

– E então? Está gostando do passeio, mocinha?

– ... desde que não em machuque e que me faça retornar ao meu capitão.

– Ah, mas seu capitão deve estar vindo atrás! Vamos até o nosso chefão, tomar satisfações por causa dos nossos dois barcos prejudicados. Morreram alguns de nossos preciosos colegas! – ele fez suspense ao falar o que havia ocorrido.

Rhina só o olhava, com a cabeça baixa.

– E...o que justamente eu... tenho a ver com isso?

– Oooooohhh! Tão meiguinha e frágil... – ele se aproximou dela mais um pouco e começou a fungar distantemente em direção ao pescoço e busto dela – mas acredita em mim, nada de mal faremos a você. Até mesmo porque... uma criatura como você não merece dor... e sim prazer... – acariciou a face dela com a ponta de um dos tentáculos – muito prazer... ghêghêghêghê!

Rhina virou o rosto, fechando os olhos. Sentia certa repugnância ao ser tocada por aqueles tentáculos. O tal capitão tinha seus braços e mãos normais, mesmo com seus tentáculos, e não os usava. Somente os tentáculos. Rhina só temia o pior, já imaginando o que fariam com ela... o mesmo que fariam os Tenryubitos, quando a raptaram para vendê-la como escrava... e sexual.

Ambos já estavam perto de onde estava seu chefe. Este estava em uma ilha qualquer, descansando enquanto tinha apenas consigo um den den mushi e algumas frutas que havia pego naquela ilha. Aproximando-se da ilha, o navio emergiu novamente. O chefe levantou-se do meio das folhas enormes de bananeiras gigantes para ir recebê-los.

– Kaido-sama! – os outros do navio gritaram. Um destes foi até o capitão avisar que haviam encontrado o então chefão.

– Ooooo! Onde está essa prenda? – o gigante homem assustador reclamava. E eis que aparece o homem-polvo, com Rhina presa pelo tentáculos pelos pulsos, sendo suspensa por este.

– Veja que bonita essa fêmea, chefão!

– Olhaaa! Mas é tão pequena e frágil! – Kaido aproximou o rosto perto dela, analisando-a. Rhina deu um grito, ao deparar-se com tal gigante se aproximando. Ele se incomodou com tal grito fino e estridente – Ah! Não precisa gritar desse jeito, eu não sou surdo! – e virou-se para o capitão – Kotako, traga essa fêmea mais para perto. Quero vê-la melhor! – disse ele, voltando a se sentar entre as folhas gigantes de bananeira.

Kotako soltou-a diante de Kaido, já sentado. Rhina caiu de quatro no chão, diante de tal monstro. Apoiando a cabeça no punho fechado, ele admirava a moça.

– Uma bela isca para atrair quem quer me desafiar... e então, mocinha? De onde vem? O que faz?

– Eu... sou... uma serviçal do meu capitão, mais nada...

– Ora, não fica assim tão encabulada. – ele coçava a barba, enquanto falava – Olha para mim e diga tudo de novo, sem gaguejar.

– Bem... sou uma simples serviçal do meu capitão. – disse ela, ficando de pé e olhando para ele.

– Seu nome?

– Rhina.

– Rhina... nome de rainha.

Nem com isso ela ficou calma em qualquer segundo que passasse.

– Quem é seu capitão?

Rhina hesitou em falar.

– Anda! ...aliás, tenho que saber quem é para que possa devolver quando precisar, não é?

– Sou do bando dos piratas do Capitão Eustass Kid! – ela falou imediatamente.

Kaido sorriu.

– Acho que sei quem é este... mas... olhando você assim... que serviços você faz para ele... ahhh! Já sei...

– Sou uma serviçal doméstica, senhor.

– Heh... tudo bem. – virou-se para o homem-polvo – Bem, Kotako!

– Sim, chefe Kaidou.

– Vê se traz esse tal de Eustass aqui. Ele terá uma surpresa e uma lição por aprender a mexer com meus subordinados.

– Vai matar ele?

A moça dos longos cabelos castanhos olhou tensa para os dois.

– Não... deixa vivo para ter sua punição. – e voltou a olhar para Rhina – E eu espero que ela não faça tanta falta para eles...

– Por favor... não me mata!

– Hahaha, não, não! Matar, para quê? Será uma ótima distração para mim, enquanto eu não morro. Depois que eu morrer, deixarei você para qualquer outro!

– Kaido! Ó, adorável lenda! Deixaria ela comigo? Cuidaria dela muito bem, principalmente em sua honra! – Kotako bajulava-o por interesses em Rhina.

– Ahh, que coisa irritante, cala essa boca! – voltou para Rhina – Aproxima-se um pouco mais...

– ...o que quer fazer comigo?

– Anda logo! Senão, te arrasto para cá com minhas mãos! – a voz dele era como um forte rugido de um leão bravo.

Rhina suava frio. E temendo que aquelas mãos gigantescas a arrastassem com raiva, ela obedeceu. Bem diante do outro, Rhina ainda estava de pé, porém não lhe olhava nos olhos. Kaido não tinha nenhum interesse em ferir aquela criatura tão frágil. Ele apreciava ver desses civis pacíficos tremerem diante dele. Ele a pegou pelo braço e a puxou para seu colo. Outro grito dela. E pôs a jovem sentada em sua coxa.

– Só sabe gritar! Essas fêmeas...

– Chefão Kaido! Se... me permite falar...

– Fala então.

– Será que... quando estiver cansado dela, poderia dar para mim?

– Pode esquecer, Kotako! – gritou Kaido.

Ambos tamparam os ouvidos ao ouvir tal rugido.

– Vê se faz o que te pedi! Já!

– S-sim, senhor chefe!

Kotako retirou-se da presença dos dois, voltando para o navio.

– Quer comer alguma coisa, pequenina?

– O quê?

– Está surda por causa dos próprios gritos é? Perguntei se quer comer alguma coisa!

– ...não.

– Ah, mas tem que comer alguma coisa! – pegou uma banana gigante, oferecendo para Rhina, que só conseguiria comer aquilo segurando com as duas mãos.

Kaido descascava a banana que só era pequena em suas mãos. Tirou um pedaço e deu para ela.

– Alimente-se. Deve estar com fome.

Rhina realmente não entendia como um homem tão bruto e enorme, um típico titã, tratava-lhe até então com cuidados. Ela pegou o pedaço dos dedos dele e pôs na boca. Nunca um pedaço de banana lhe pareceu tão saboroso!

– Hehehe, estava com fome mesmo, viu só? Toma outro! – ele deu outro pedaço.

Ela aceitou aqueles cuidados que ele lhe prestava. E perguntou até quando duraria aquele momento tão pacato. Kaido conseguiu alimentá-la até ver que ela estava farta. Rhina tinha conseguido repor suas energias até demais, sentindo cair no sono aos poucos. Ele acomodou-a ao seu lado, no meio daquelas folhas macias de bananeira. Ficou admirando a criatura dormindo. "Será que ela fará falta ao capitão dela?" perguntava para si mesmo.

Ele desfrutaria de uma amante tímida e pura como aquela jovem mulher – tentaria, ao menos. Seria uma coisa divertida para experimentar. Até que não foi uma situação ruim em ter um desafiante que pudesse lhe proporcionar aquela oportunidade. Se esse Eustass Kid quisesse, que viesse atrás. Teria mesmo a lição que queria dar por prejudicar seus aliados e causar até a morte de alguns deles.

...

Kid estava sentado, isolado dos outros. Precisava buscar paz interior, para ter mais controle da situação. Perder Rhina era algo que não admitia. Ele abandonou os outros dois para seguir até onde poderia para achar sua mulher. Sentia a falta dela de verdade. Ele gostava de mantê-la perto ou apenas tocá-la de qualquer maneira, ter o braço em torno dela ou tê-la sentada em seu colo. Era um de seus momentos favoritos quando tinha a bela morena em seus braços e poder ouvir sua doce voz lhe dirigindo a palavra. Até de ouvir a sua voz ele sentia falta. Sequer queria pensar que outro homem pudesse estar fazendo tudo isso com ela. Podia parecer uma atitude infantil por parte dele... mas ele mesmo sabia que a amava. E não fazia pouco tempo.

Sim, ele era um conhecido e cruel, malvado pirata selvagem que torturava e até crucificava seus inimigos... mas ainda tinha a capacidade de amar e se preocupar com alguma pessoa que amasse. No caso, Rhina. E por amor a ela, faria a pior loucura, sem pensar muito. Seus olhos vermelhos e impetuosos fitavam o infinito. Onde, como e o que estava acontecendo com Rhina nesse exato momento? Ele apertava a mão normal contra a mão mecânica. Jurava que ambas destruiriam aquele que apenas ousou em tirá-la de si. Rhina era algo - não, alguém que ele amava e que protegeria a todo o custo, mesmo que tivesse de colocar a sua vida e a do bando em risco.

– Por que não levaram a outra? Justo a minha Rhina! – ele resmungou baixinho em seu silêncio e solidão. E sorte que Killer não estava por perto quando disse isso.

De repente, alguém bateu a porta do porão. Kid estava lá.

– Capitão, achamos uma rota que nos leva até uma ilha. – disse Heat.

– Vamos até lá, então! – disse ele, levantando-se de onde estava sentado.

Killer e Misa trocavam ideias e suspeitas sobre o paradeiro de Rhina. Killer relatava tudo para Kid, já que o ruivo não dava ouvidos para Misa. Seguiram todos até essa ilha cujos rastros de Kotako indicavam o caminho.

...

Acordando, Rhina sentiu uma vontade enorme de vomitar, e assim fez. Tinha comido quase toda aquela banana sem culpa nenhuma. Kaido não estava ali perto dela. Após vomitar e limpar os vestígios, Rhina foi até o litoral perto para beber a água do mar, mas alguém lhe chamou a atenção, fazendo-a parar.

– Onde pensa que vai?

– Ahh... sinto muita sede... não me sinto bem...

– Eu trouxe água aqui, olha! – ele mostrou uma garrafa cheia de água pura que ele havia pegado de uma cachoeira dentro da floresta local – Não vá beber essa água cheia de sal, sua sede vai piorar!

Ele colocou água na tampa e ofereceu como se fosse um copo. Rhina pegou a tampa grande e sorveu aquela água em segundos. Engasgou-se, em seguida. Com a ponta dos dedos indicador e médio, ele bateu nas costas dela, para aliviar aquele engasgo.

– Isso passa! Nossa... estava sedenta mesmo, hein?!

– ...

– E cadê seu capitão? Ele ainda não chegou!

– ...acredito que... deve estar me procurando... que nem um louco...

– Heh... talvez sim. E eu queria muito pessoalmente vê-lo.

– Por favor... não faça nada a ele!

– Ora... pelo visto você está apaixonada por este capitão... – disse fazendo uma careta.

– ...apenas... gosto muito do meu capitão.

– Ahh mas sabe o que ele fez comigo?

– ... o quê?

– Ele matou parte dos meus subordinados à toa! Ele me deve uma satisfação, sabia?

– Mas... ele apenas seguiu o que lhe disseram.

– Como assim, menina?

– Ele se aliou a mais dois piratas... então... acho que deveria tomar satisfação com os outros dois.

– Ahh... então é isso... boa menina! – ele fez um cafuné meio bruto na cabeça dela, fazendo-a lembrar-se de Kid – e quem são estes outros dois?

– Se chamam Apoo e Hawkins.

– são aqueles três moleques, mesmo!

– Do.. que fala?

– Deixa para lá, Rhina! Vá descansar mais...

– Não quero descansar mais!

– Então, o que é que você quer, pequenininha? – ele aproximou seu rosto ao dela, fazendo a outra engolir seco.

– ...quero saber agora de você. Já soube um pouco de mim, não? Agora, me fala de você. – foi a reação imediata que teve, tentando disfarçar seu medo e sua desconfiança perante ele.

Kaido a olhou surpreso. Ela querendo saber dele?

– Ahh... claro. Que quer saber de mim? – ele se sentou, levantando areia entre as folhas de bananeira.