História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo – Sem planos...

Saga acordou às 5:00hs da manhã. Ele acordara fora do horário e não conseguia voltar a dormir. Aquilo era tão incomum que ele nem mesmo sabia o que fazer. Ele, então, olhou para o lado e se deu conta de que Kanon ainda não havia voltado. Sim, realmente Kanon andava absurdamente feliz nestes últimos dias. E tudo parecia ter a ver com um tal de Afrodite, que Kanon alegava que Saga conhecia. Podia até ser... Já havia muito, muito tempo que Saga não se incomodava com as pessoas. Ele as conhecia, conversava, por vezes transava, e as apagava de sua mente. Poucas pessoas eram importantes para si. Poucas pessoas permaneciam em sua memória. Claro que uma delas era Kanon. Sempre Kanon. Recentemente Milo passara a esta categoria também. Mas, agora, ele tinha certeza de outra pessoa que ficaria para sempre em sua memória... Shion.

Aquele médico exótico, folgado, de sorriso onipresente, voz calma, cabelos amarelo-esverdeados e estranhos (muito estranhos!) olhos arroxeados.

E Saga se levantou e foi para o terraço fumar, enquanto se lembrava da noite passada.

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Depois que Kamus arrastou Milo para fora da faculdade, Saga esperou Shion por um bom tempo. Oras, se Saga marcava um horário ele cumpriria aquele horário. Para ele era absolutamente inimaginável deixar alguém esperando ou se atrasar. Talvez por isso ele se dera tão bem na Inglaterra. Ele estava irritadíssimo quando, enfim, Shion apareceu. Claro, óbvio, ululante, que Shion, além de não se desculpar, o cumprimentou com aquele sorriso de sempre. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse recebido a ordem (afinal, soara como uma ordem!) para estar ali naquele horário. Claro que ele quisera se recusar a obedecer. Shion estava a fim dele! Pois sim! Shion, desde que o conhecera, dera-lhe ordens e o contrariara sempre que pudera. Isso até que eles se encontraram no hospital. Então, Shion cuidara dele e Saga só se sentira seguro se Shion estivesse por perto. Mas claro que isso tinha a ver com a relação médico-paciente! Saga tinha vergonha daquilo, mas, afinal, ele batera a cabeça e ficara confuso. Por isso ele se apegara a Shion daquele jeito. Era isso. Só isso!

Mas Shion caminhava à sua frente, como se nada tivesse acontecido, sem esperar por Saga, que se apressou para acompanhá-lo.

- Shion ... er ... para onde vamos? – não foi surpresa nenhuma quando Shion se voltou para ele com aquele sorriso.

- Você vai saber no momento certo, Saga.

- Mas... – Saga odiava não saber para onde ia.

- No momento certo, Saga.

- Mas... eu gosto de saber para onde vou, Shion.

- E é exatamente por isso que você não vai saber, Saga. – e não é que o sorriso havia aumentado?

Saga parou no meio da rua. Quem aquele folgado achava que ele era? Um cachorrinho de estimação? Uma criança? Que saco! Qual era a desse Shion? E, afinal, por que ele viera encontrá-lo? Chegava daquilo! Saga iria embora! Mas Shion, como se sentisse o que se passava pela cabeça de Saga, aproximou-se dele e o olhou diretamente nos olhos. Saga sentiu-se hipnotizado. Ele não gostava de Shion. Aliás, ele praticamente o odiava, mas ele reconhecia a força do caráter de Shion. Era realmente impressionante. E, depois de olhá-lo sem nada falar por alguns segundos, finalmente Shion falou:

- Eu ando pensando muito em você, Saga! – Shion falou com aquela voz rouca e suave. Saga estremeceu. Claro que devido ao vento frio, pensou Saga. Mas Shion continuou:

- E eu acho que descobri porque você quer controlar tudo. Você tem medo que a vida te surpreenda. Você quer que tudo siga um plano. E se o plano não for cumprido, você se descontrola e toma atitudes que nem mesmo você gosta.

- ... – ah, aqueles estranhos olhos arroxeados!

- Saga...me deixa te surpreender. Sem plano nenhum...

Nunca antes Saga ouvira Shion falar tanto. Mas ele realmente duvidava que de fato tivesse ouvido tudo o que Shion lhe falara. A voz de Shion parecia uma carícia. Era envolvente. Seus olhos pareciam enxergar muito além do que havia para ver. E, mesmo sem saber o que Shion falara, ele sabia que Shion tinha razão. Shion parecia um encantador de serpentes. E Saga sentia-se encantado. Shion, então, tocou levemente o rosto de Saga com a mão direita, e completou:

– Vamos agora, Saga?

E Saga o seguiu.

0000000000000000000000Fim do Flash back0000000000000000000000000000000

Milo acordou com sede. Tudo escuro. Droga! Tonto de sono, e pulando, Milo se levantou para ir à cozinha. Ele contornou a cama, virou à direita e... deu de cara na parede. E Milo gritou. Quem colocara a parede lá?

Kamus acordou sobressaltado. Quem gritaria seria aquela às 5:00hs da manhã? E Kamus acendeu o abajur para encontrar Milo sentado no chão, segurando o nariz. Ele estava tão engraçado xingando a parede que Kamus começou a rir. A rir muito. Eram 5:00hs da manhã. E Kamus ria. Só mesmo o Milo! É claro que Milo ficou ainda mais irritado.

- Mon amour, o que você faz aí sentado no chão?

- É que... bom... eu me perdi...

- Ah, tu es perdu, mon amour1...

- Que saco, Kamus! Pára de falar em francês!

- Milo, mon ange, como você se perdeu neste quarto TÃO grande?

- É que eu estava com sono e pensei que estava no quarto da casa do Saga.

- Ah! E daí você se perdeu... – Kamus voltou a rir.

- Pára de rir, Kamus!

- Milo, viens avec moi dans ma chambre2. Lá é maior. E você pode se perder com mais espaço...

- Não vou! Você fica rindo da minha cara. – pronto! Lá estava aquela cara de criança birrenta de novo! Lindo! Lindíssimo!

- Ah, Milo, na minha cama tem lençol de seda. – algo imediatamente se acendeu em Milo.

- É?

- É. E se você não se perder, eu posso deixar você se esfregar nele. – saco! Kamus andava TÃO engraçadinho...!

- Não quero.

- Então eu vou para lá me esfregar sozinho no lençol. Maintenant3! – ah, isso não! Sozinho, não!

E Milo pulou de volta para a cama. O lençol, afinal, podia esperar mais um pouco. (é, o entusiasmo continua!)

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Shion sorria. Ele sempre acordava cedo. Na verdade, para ele, o início da manhã era um momento mágico, cheio de energias. Ele nunca desperdiçava esse horário dormindo. Era pela manhã que ele organizava seus pensamentos. Era pela manhã que ele manifestava seus desejos mais secretos. Era pela manhã que ele agradecia pelo que tinha conseguido. E nessa manhã, particularmente, ele tinha muito a agradecer. E muito a desejar.

00000000000000000início do Flash back 00000000000000000000000000000

Finalmente Saga parecera ouví-lo e parara de se recusar a acompanhá-lo. Saga era mesmo uma pessoa estranha. Metódico. Sério. Controlador. Competente. Mas era justamente por isso que ele era tão atraente, certo? Não, não era por isso. Saga era também misterioso, charmoso, lindo, magnético. E, ainda, assim, não era isso. Saga era ambíguo. Sim, era isso. Nunca se sabia como ele podia reagir. E isso lhe dava um poder de atração absolutamente devastador. Shion sentira-se atraído por ele desde a primeira vez em que o vira. E,então,veio a surpresa. Saga era ciumento, controlador e, talvez, perigoso. Mas, depois que cuidara dele no hospital, Shion notara que Saga era inseguro, carente e solitário. Ele não tinha nada de perigoso. Muito pelo contrário. Na verdade, ele arriscara a própria vida para ajudar Milo. E Shion verdadeiramente acreditara que se alguém desse a Saga a atenção que ele necessitava, ele podia deixar de ser controlador. E ele resolvera que seria essa pessoa. Mas ele não podia ser impulsivo. Com Saga isso não daria certo. Ele seria paciente, por mais que odiasse isso.

E finalmente os dois chegaram ao Jubilee Gardens, jardim construído em 1977, quase às margens do Rio Tâmisa, para comemorar o jubileu de prata da Rainha Elisabeth II. Lá, se encontrava um dos mais conhecidos pontos turísticos de Londres. O London Eye. Uma imensa roda-gigante com 135 metros de altura que possibilitava olhar a cidade de cima. E eles chegaram exatamente no horário que Shion planejara. Ao pôr-do-sol, quando as luzes do London Eye e dos jardins começavam a se acender num espetáculo visual de tirar o fôlego. Shion duvidava que Saga, sério como era, já tivesse ido a uma prosaica roda-gigante. Não que o London Eye tivesse algo de prosaico, mas simplesmente não parecia algo que Saga faria. Aliás, Saga olhava para o London Eye sem acreditar.

- Nós vamos... brincar de roda-gigante, Shion?

- Não, Saga! Nós vamos olhar o mundo de outro ângulo.

Saga assentira e o seguira. Impressionante como ele estava cordato. Ah, se ele fosse sempre assim... Se Shion não tivesse que obrigá-lo a aceitar as coisas como elas eram! Mas Saga era realmente uma pessoa surpreendente. Muito mais do que ele imaginava, sorriu Shion, enquanto entrava com Saga em uma das cabines. E quando chegaram no topo, o olhar maravilhado de Saga valeu por todas as dificuldades. Não seria Shion a quebrar o encantamento de Saga. Realmente a vista lá de cima era impressionante. O rio, os barcos, os prédios, os monumentos históricos. Tudo lindo! Não seria ele a quebrar a magia. E Shion não falou nada.

Quando eles saíram, Shion entrou com Saga em um pub. Por incrível que possa parecer, desde que saíra da roda-gigante, Saga não reclamara nenhuma vez. Na verdade, ele estava mais falante. Ele contava a Shion de sua infância, de como era ter uma irmão gêmeo idêntico e de como Kanon era importante para si. Shion o deixava falar. Era tão raro escutar Saga falar de forma despreocupada. E Shion se levantou para pegar bebidas e trouxe um gim tônica para Saga, que o olhou interrogativamente:

- Quer outra bebida, Saga? Eu troco. É que na boite você só tomou gim tônica...

- Como você sabe?

- Saga, desde que eu cheguei naquela boite eu só vi você.

Sim, Shion notara que Saga se surpreendera com sua confissão. E também notara que Saga não tomara o gim tônica, mas que também não lhe explicara o motivo. Shion ia se levantar novamente para pegar outra coisa para Saga, quando este o segurou pelo braço.

- Não, Shion. Vamos comer alguma coisa. E... eu queria que você me contasse como era a sua vida antes de vir para Londres.

Seria mesmo possível que Saga tivesse algum interesse sobre sua vida? Isso era bom, pensou Shion sorrindo, muito bom!

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Shaka, como sempre, acordou muito cedo. Ele adorava acordar antes do que Mú para olhá-lo. Ele deixava seus olhos se acostumarem com a escuridão e ficava olhando Mú dormir. O rosto perfeito. A respiração calma. A cascata lilás espalhando-se pela cama. Nunca antes Shaka amara alguém assim. Na verdade ele tinha reais dúvidas se já amara alguém, já que o que ele sentia por Mú não tinha nada a ver com que ele já sentira antes.

Seu Mú. Seu carneirinho desligado. Às vezes Shaka sentia que Mú precisava dele. Afinal, ele era tão desligado que Shaka duvidava que ele conseguisse passar pela vida sem sua ajuda. Mas, outras vezes, Mú demonstrava ter muito mais força do que Shaka. E Shaka sabia que sem a força de Mú seria ele quem não conseguiria passar pela vida.

E Shaka, levemente, contornou o rosto de Mú com o dedo. Mas, para a infelicidade de Shaka, Mú tinha o sono extremamente leve. E quando Mú acordou e viu Shaka debruçado tão próximo a si, Mú se assustou e gritou. Shaka assustou-se ainda mais e se desequilibrou, caindo da cama.

Mú sentou-se, ligou o abajur e ao ver Shaka caído no chão, começou a rir. Shaka, meio contrariado, fez menção de subir novamente para a cama, quando Mú jogou-se em cima dele no chão, dizendo:

- Fica aí mesmo, loiro.

Quem era Shaka para contrariar Mú? (é, muito entusiasmo por aqui também).

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Flor acordou muito cedo. E com frio. Também, Kanon roubara todo o seu cobertor. Aquele grego era friorento. E resolvera que como Flor era sueco ele não sentia frio. E Flor olhou para o belo moreno adormecido na sua cama. Todo enrolado no seu cobertor. Flor sentiu-se aquecer. Kanon era tão lindo. E tão... quente.

Mas já que ele estava acordado mesmo, melhor que fosse aguar suas flores. Afinal, quando ele e Kanon chegaram em casa na noite anterior, eles... bom... não se lembraram das flores. E Flor se levantou.

Depois de aguar as flores, Flor voltou para o quarto com o borrifador nas mãos. E Kanon continuava a dormir. E agora se espalhara pelo seu lado da cama. Ah! Ele era mesmo folgado. Pegara o seu cobertor e o seu lado da cama. Sim, Flor faria alguma coisa. E Flor borrifou água em Kanon, como se ele fosse mais uma de suas flores. Kanon levou a mão ao rosto e se secou. Então, Flor fez o mesmo mais duas vezes, até que Kanon finalmente abriu os olhos. Ele viu Afrodite e sorriu:

- Oi, lindo! Eu sonhei que estava me afogando.

- Foi? – Flor fez cara de inocente.

- Eu ... sempre sonho isso. Que estou em uma cela e a água sobe...

- Sério, Ka? – agora Flor estava meio arrependido.

- Mas desta vez foi diferente. Dessa vez – e Kanon se levantou – era você jogando água em mim. – e Kanon pegou Afrodite e o puxou de volta para a cama.

- Não, Ka, não fui eu, não! – Flor mentia deslavadamente mal.

- Ah Que pena! – e Kanon distribuía beijinhos e mordidas pelo pescoço de Flor, que gemia baixinho - eu estava a fim de transar com a pessoa que me acordou. Eu achei que fosse você.

- Bom... Talvez tenha sido eu. – disse Flor.

Mas foi a última coisa que ele conseguiu dizer antes de Kanon tomar-lhe os lábios em um beijo de tirar o fôlego. (é, o entusiasmo também apareceu por aqui).

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Saga já estava em seu terceiro cigarro. Impressionante! Ele nunca fumava mais do que dois. E ele só fumava à noite. O que estava acontecendo com ele? Mas era fácil responder... Shion estava acontecendo com ele. Shion e suas histórias de terras distantes. Premonições. Dons. Coincidências estranhas. Um mundo estranho. Um mundo mágico. Mas Shion era desse tipo de pessoa que fazia com que se acreditasse em magia, deuses reencarnados, santuários perdidos, sentidos não despertados. Esse era o mundo de Shion. Tudo nele transportava para um mundo diferente. E só por ter ficado próximo a ele, Saga já se sentia diferente. No mundo de Shion, com certeza, Saga não conseguiria dar a sua ordem. No mundo de Shion, as coisas não eram baseadas na lógica. No mundo de Shion, as coisas eram coloridas. Muito coloridas. Será que Saga saberia lidar com tantas cores?

00000000000000000início do Flash back 00000000000000000000000000000

Quando Saga falara que queria jantar, ele não pensara que Shion iria levá-lo para a casa dele. Não! Era a primeira vez que eles se viam... daquela maneira. E ele nem mesmo sabia o que fazia ali. Mas como Shion o estava arrastando pela cidade sem lhe contar para onde iam, Saga somente soube que estavam indo para a casa de Shion quando lá chegaram. Para ser sincero, ele se envolvera com as estranhas histórias de Shion. Travessia pelo Himalaia. Orfanato na Índia. As histórias de Shion pareciam saídas de um livro. Um livro que ele não abria há muitos e muitos anos. E Saga se sentira encantado como quando ouvira seu conto de fadas preferido pela primeira vez. E, então, ele se deu conta de que estavam parados em frente à porta do apartamento de Shion.

- Saga, me dá cinco minutos e entra.

- Mas...

Saga hesitava. Ele não queria aquilo, queria? Não! Mas Shion, novamente, pareceu sentir a sua indecisão e o olhou – novamente – diretamente nos olhos. E falou com aquele tom de voz baixo, exótico e envolvente.

- Saga, eu só quero entrar antes para te dar a chance de ir embora, se esse for o seu desejo. Eu quero te dar o poder de escolher, Saga. E esse é um grande poder.

Cacete! O que aquilo queria dizer? Ele não entendia por que não fazia sentido? Ele não entendia por que Shion o olhava daquele jeito? Ele não entendia por que se maravilhara com a voz de Shion? Ou ele não entendia por que emburrecera de vez? Mas o que ele entendia é que se sentira miseravelmente só quando Shion entrara no apartamento e fechara a porta em sua cara, deixando-o para fora. Ele até tentara ir embora. Ele se dirigira à saída do prédio mais de uma vez. Mas, finalmente, ele se decidira e abrira a porta.

O que lá viu, decididamente o surpreendeu... A primeira vez que lá estivera, Saga achara o apartamento de Shion estranho! Mas agora, à noite, era indescritível. O lugar recendia a diversos tipos de incenso. Não havia uma só luz elétrica acesa. Tudo estava à luz de velas. Velas de diversos formatos e cores. As cortinas com miçangas de cristal refletiam de forma estranha a luz de tantas velas. As paredes vermelhas com seus objetos dourados adquiriam estranhas sombras, que eram refletidas pelos diversos espelhos que ficavam na sala. Uma estranha música oriental tocava, que combinava de forma impressionante com o lugar. E... Shion. Ele estava sentado em algumas almofadas no canto da sala e soltara os cabelos amarelo-esverdeados, que cascateavam pelas suas costas. Mas, o que realmente importava era o modo como Shion o olhava! Com os olhos roxos com um brilho dourado devido à luz das velas e uma expressão de felicidade indescritível. E Shion se levantou e andou em sua direção, parando a poucos centímetros de Saga:

- Obrigado por aceitar o meu convite, Saga!

Por um motivo que não soube explicar, Saga sentiu-se extremamente feliz. Ele se sentira querido, acolhido, algo que ele sempre quisera sem nem mesmo saber disso. Saga não saberia dizer o que comera, não saberia dizer o que bebera. Tampouco saberia repetir o que conversara com Shion. Mas para sempre ele se lembraria de como se sentira feliz naquela noite.

E quando terminaram de comer, os dois sentaram-se nas almofadas jogadas pelo chão e continuaram a conversar e a beber uma estranha bebida dourada. Uma grande intimidade estabelecera-se entre eles. Saga soube que Shion fora adotado aos 9 anos e que ele não se lembrava de sua família ou de seu país. Que ele escolhera ser médico por achar que possuía um dom. Shion, por sua vez, finalmente soubera que Saga e Kanon passaram anos se desentendendo e soube o quanto isso magoara Saga. E Shion entendeu, de certa forma, o porquê de Saga querer tanto controlar as pessoas. Ele tinha medo, muito medo de se magoar. Foi difícil, mas isso o ajudou a se decidir. Saga o atraía imensamente. E ele tinha certeza de que, se tentasse, Saga não iria rejeitá-lo. Mas ele precisava – novamente – dar a Saga a chance de escolher. E Shion aproximou-se de Saga, tirou-lhe o copo das mãos e o fez ficar de pé. Ele sentira Saga estremecer em antecipação. Ele notara que Saga não reclamara. Mas, ainda assim, ele tinha que dar a Saga a chance de escolher. Era a única forma de Saga entender que escolher era melhor do que controlar. E Shion falou bem perto do ouvido de Saga:

- Saga, acho que você deve ir para a sua casa agora. – pelo olhar que Saga lhe lançara, Shion soubera que ele não esperara ouvir aquilo.

- ... – certo! Shion me mandou embora! Nada de dar bandeira e mostrar que fiquei chateado.

- Saga, eu sei que você está pensando que...

- Não, Shion. Eu já estava mesmo de saída. Sem erro.

- Saga, não é o que você está pensando...

- Obrigado pelo jantar, Shion. E pela volta no London Eye. Eu sempre quis ir até lá! Valeu mesmo!

- Saga, fica quieto e me ouve! – o sorriso de Shion finalmente sumira.

- Boa noite, Shion.

Saga pegava o casaco e se dirigia à saída, quando Shion o puxou e o beijou. A noite fora toda surpreendente, mas nada preparara Saga para aquela surpresa. Os lábios de Shion eram absurdamente macios. E exigentes, muito exigentes. E seu coração disparara. E sua respiração falhara e Shion ignorara tudo aquilo e o puxara ainda mais para perto, como se não se importasse que Saga pudesse sufocar. O que estava acontecendo com ele, afinal? Shion era menor que ele, mas ele se sentia ... protegido em seus braços. Como se aquele fosse o seu lugar. O lugar do qual nunca deveria ter saído. Saga sempre fora dominador. Era estranho ser dominado daquela forma. E o pior era saber que ele faria tudo o que Shion quisesse. Mesmo que fosse ser passivo. E Saga simplesmente odiava ser passivo. Mas Shion o afastou de forma abrupta, fazendo com que Saga quase perdesse o equilíbrio e o olhasse sem entender.

- Saga, eu te quero. Eu te quero demais. Mas a escolha tem que ser sua.

E um atordoado Saga foi praticamente empurrado para fora do apartamento. Quando a porta se fechou novamente em sua cara, ele se sentiu só. Miseravelmente só.

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Pelas reviews, notei que várias pessoas estranharam o casal Saga-Shion. Para mim eles têm tudo a ver. Sei que já respondi para algumas, mas aí vai novamente... Eu acho que o assassinato do Shion pelo Saga foi um crime passional. O casal transpira paixão. Bom, pelo menos é a minha opinião. Tomara que eu consiga convencer algumas pessoas.

Eu sei que eu ando atrasando e gostaria de me desculpar. Mas tenho alguns motivos para isso. Muito trabalho e... dificuldade em achar o jeito certo de terminar esta fic. Ela é muito importante para mim. Por isso eu quero finalizá-la do jeito certo. Às vezes até penso se deveria tentar uma 2ª temporada ou algo do gênero...

Eu gostaria de agradecer pelo imenso número de acessos e pelas maravilhosas reviews que recebi pelo capítulo passado. Obrigada Princess Andrômeda, Tsuki-chan, Gigi, Haiku (desculpe, não tenho seu e. mail), Dionisiah, Nine 66, Pure Petit Cat, Botori, Tsuki Torres, Mussha, Sirrah, Kali Cyr Charlot, Litha-chan, Dana, Áries sin, Love Kyo (desculpe, não tenho seu e. mail), Patin, Makie, Ariel (desculpe, não tenho seu e. mail). Também gostaria de agradecer à Dark Ookami que comentou por e. mail!

Beijos da

Virgo-chan

Nov/06

1 Ah, você está perdido, meu amor...

2 Vem comigo para o meu quarto.

3 Agora