FicWriter – Arika Kohaku

Beta Reader – Akimi_Tsuki

25

A Família Uchiha

Dois dias mais tarde Sasuke já se conseguia mexer, meter-se de pé e andar, no entanto, cansava-se rapidamente e precisava de fisioterapia mais intensa, por isso, Sakura ainda não lhe dera alta. Passara as ultimas 48 horas com Nasasu sempre ao seu lado, só saindo para ir a sua casa trocar de roupa e tomar banho ou para ir ver a irmã que ficara no quarto ao lado, estranhamente.

Ainda não fora ver a rapariguinha, apesar da insistência de Nasasu, que descobriu que tinha uma teimosia que batia os recordes da sua e mesmo da de Naruto. Mas apesar de ter o estranho desejo, que era bastante intenso, de ver Oshi tinha receio que a miúda o visse como um intruso, e isso impedia-o de ir ver a adolescente.

Estava naquele momento a tomar o seu pequeno-almoço, num dos poucos momentos em que se encontrava sozinho, e pensava em como Naruto aparecia cada vez mais nervoso na sua presença e como disfarçava as conversas muito mal. Riu-se interiormente ao pensar na ingenuidade do louro. Naruto continuava a pensar que ele não sabia de nada. Podia ter perdido a memória mas sabia usar a cabeça. E para confirmar tudo vira que a sua aliança tinha gravada a palavra Kitsune.

Ouviu a porta a abrisse devagar, elevou a cabeça e viu uma adolescente de 14 anos entrar de muletas no quarto. Com uma vasta cabeleira loura e uns olhos azuis, embora os rasgões deles não fossem tão largos e abertos como os de Naruto e Nasasu, ela parecia uma versão mais nova e feminina do louro.

Fechou a porta com os pés e Sasuke viu-a avançar tremulamente até à ponta da sua cama. Não se sentou ficou apenas a mirar a pessoa que tinha à sua frente e depois os seus olhos encheram-se de lágrimas e ela, fraca como estava, caiu ao chão. Sasuke levantou-se o mais rapidamente que conseguiu e viu a rapariga deitada no chão. Continuava a chorar, e tentava levantar-se, mas a anca não a deixava mover-se como desejava.

– Merda! – Praguejou.

– Pára quieta. – Pediu Sasuke. – Não devias ter saído da cama. – Adivinhara quem era apenas pelo aspecto da pequena e por ter no coração um sentimento quente. Ajudou-a a sentar-se no chão e depois, indo buscar forças onde não soube que as tinha levantou-a e pousou-a sobre a sua cama encostando-a às almofadas.

– Eu só queria conhecer-te! E como não foste ao meu quarto… – Calou-se sentindo um aperto na garganta, começou a chorar ainda mais intensamente. Tinha poucas lembranças do pai antes deste entrar em coma e depois as que tinha dele eram tristes pois Sasuke encontrava-se sempre da mesma maneira, na mesma posição. – Sabes quem sou?

– Sei. – Respondeu Sasuke revelando-lhe a verdade. – O teu pai pensa que eu não sei raciocinar. Eu já percebi que tu e Nasasu são meus filhos. Não te fui ver por receio. Tu não me conheces e eu não me lembro de ti. Não me lembro nem de um bocadinho de vocês. E isso faz-me sentir muito mal comigo mesmo.

– Papá… - Abraçou Sasuke com força e sentiu os braços deste envolverem-na. – Eu também não me lembro muito de ti, mas não faz mal, a partir de agora poderás lembrar de tudo o que fizermos daqui para a frente. Nunca mais partirás, não é? – Perguntou soluçando contra o peito do pai.

– Eu prometo!

Sentiu um aperto no peito. Perdera tudo aquilo Tivera 10 anos em coma, perdera dez anos da vida dos filhos, anos ao lado de Naruto e sentiu que a promessa que lhe tinha feito tinha sido quebrada. Balanceava-se para trás e para a frente, tentando acalmar a rapariga que tinha entre os braços. Aos poucos Oshi acalmou-se e quando deu por ela esta tinha adormecido. Deitou-a na cama, ajeitou-lhe as almofadas e tapou-a, revolvendo os cabelos louros da filha com carinho.

Sentou-se no sofá e permaneceu a olhar aquela criatura perfeita aos seus olhos. Apesar da sua sensação de perda, descobriu o amor adormecido que agora renascia no seu interior, podia ter perdido a memória, mas percebeu que o seu amor ainda ali estava. Fechou os olhos e uma memória surgiu-lhe na cabeça. Acabara de acordar, na sua recordação, sentia-se dorido e depois de perceber onde estava, olhou para o seu corpo e faltava lá qualquer coisa que o fez entrar num pânico, até que ouviu um choro de bebé e encontrou um dos seres mais bonitos da terra entre uns lençóis cor-de-rosa. Pegara na bebé com um babygrou amarelo aos ursinhos e a pequena acalmou-se instantaneamente, limpara-lhe as lágrimas e falara-lhe:

"- Eu sou o teu papá! Tem calma, alguém virá por ti, haverá sempre alguém. – A bebé fez uma careta e ele beijou-lhe a testa"

Alguém bateu à porta trazendo-o de volta ao presente. Entraram no quarto e apanharam-no a rir-se feliz, relembrara alguma coisa da filha de antes da bebé ser aquela adolescente que agora dormia na sua cama de hospital, e já depois de ter 16 anos. Havia esperança para a sua memória perdida.

– Estás a rir-te sozinho? – Perguntou um alegre Naruto que viera à procura da filha e encontrara-a na cama de Sasuke.

– Apenas uma boa memória. É pequena, mas é muito bonita.

– Lembraste-te de quê?

– Dela. – Apontou para Oshi.

– OH! – O que é que aquilo queria dizer? – Já sabes quem ela é?

– Sei desde o dia em que acordei. Nasasu não parece ser bom a guardar factos secretos. – Calou-se e estendeu a sua mão a Naruto. Este deu-lhe a sua e Sasuke puxou-o fazendo com que o louro se sentasse no seu colo. Naruto ficou automaticamente vermelho. – Eu tenho uma recordação deste que acordei. Tu pediste-me para que eu não te deixasse.

– Pois foi. – Confirmou o Sexto olhando nos olhos de Sasuke e perdendo-se lentamente neles.

Sasuke não esperou que Naruto ganhasse coragem, por isso, beijou-o. Por momentos não foi correspondido, pois Naruto foi surpreendido. Não era tocado pelo marido à 10 anos e aquela aproximação rápida não estava nos seus planos, até porque Sasuke estava sem memória, apenas se lembraria das noites secretas aos treze anos, da sua vingança, não teria consciência do namoro, do casamento. Mas, depois, envolveu-se no beijo.

– Anda! – Ordenou saindo do colo de Sasuke e puxando-o para ir consigo até à casa de banho.

– Naruto! – Gemeu Sasuke, logo após de ter fechado a porta do compartimento e de ser ferozmente atacado pela boca do louro. – Que estás a fazer? Nós não…

– Com receio Sasuke? É para ficar espantado! – Comentou sorrindo maliciosamente.

– Bem, não… quer dizer, sei que já fizemos isto, mas é que eu não me lembro. Eu só te beijei porque tinha essa vontade. Eu só me lembro do que aconteceu antes de eu partir.

– Eu sei disso, mas eu não te vou magoar. Só te quero beijar sem ter a nossa filha ao lado. Se ela acordasse seria embaraçoso.

– Eu pensava que… como é que fizemos isto? Quero dizer, eles são parecidos com os dois, mas como é isso possível? Teve que haver uma mãe e só um dos dois é que poderia inseminá-la.

Naruto sorriu, e o seu sorriso continuava a crescer à medida que Sasuke falava as conclusões a que chegara.

- Oh! Mas houve uma mãe, apesar não se poder dizer que tenha sido a mais natural. – Aproximou-se de Sasuke e abriu-lhe a parte superior do pijama e tirou-lha. Deixou o marido em tronco nu. Passou-lhe um dedo cicatriz que Sasuke tinha ligeiramente acima do cós da calça.

- Eu? – Sobressaltou-se Sasuke, encostou-se à porta. – Mas como é que isso é possível? Eu sou um homem.

-Foi um jutsu. Sakura passou dois anos na prisão por o ter usado num homem, mas se não fosse por ela nós não teríamos ficado tão depressa juntos como ficamos.

– Como é que eu… dois bebés… como?

- Pelo método normal. – Respondeu casualmente. – Quero dizer… normal entre homens juntado o jutsu da fertilidade.

- Humm…

Havia qualquer coisa que lhe estava a afectar o orgulho do Uchiha, percebeu Naruto, suspeitando já o que poderia ser aquela mudança de atitude. Riu, chamando a atenção de Sasuke que fixara os olhos na sua barriga, provavelmente tentando imaginá-la grande e redonda.

- Sasuke tira-me o casaco. – Ordenou virando-se de costas esperando que Sasuke puxasse o casaco até este sair. E quando o fez reparou no símbolo que estava estampado no colete verde.

- O símbolo Uchiha? – Admirou-se.

- Uchiha Naruto! Soa bem, não achas? – Perguntou virando-se novamente para Sasuke. Retirou o colete verde e pendurou-o no lavatório. Sasuke puxou-o para si e beijou-o furtivamente. Levantou-lhe a camisola preta pela cabeça, achando que não era justo ser o único em tronco nu ali. E perdeu-se observando o corpo de "Deus Grego" de Naruto.

- Eu não sei como é que não me consigo lembrar-me disto. – Comentou.

- Eu também não percebo. Queres ser esclarecido pela Sakura?

- Ela já me tentou explicar, mas eu fiquei na mesma. Tu… - Olhava para a cicatriz que Naruto tinha sobre a linha horizontal da calça. O louro sorriu, quando Sasuke passou por lá um dedo.

- Esta foi a única cicatriz que a Kyuubi não conseguiu curar, ou que não quis curar. E eu não me importo que assim seja, é uma recordação boa. – Aproximou-se de Sasuke juntando os corpos semi-nus e envolveu-lhe o pescoço com os braços. Deu-lhe um beijo superficial e sorriu. – Achavas que eu não tinha feito nada? Eu tive Nasasu com 19 anos. Sakura lançou o jutso sem eu saber, pois apanhou-nos juntos durante uma missão minha, quando eu me escapuli à noite… é uma história cumprida…

- Mas eu quero saber!

- Tu já estás a tremer de cansaço. Estás há muito tempo em pé. Vamos para o quarto, tu sentas-te e eu conto-te.

Sasuke termia não por causa do cansaço, mas por causa da aproximação de Naruto e por isso acabou por aceitar a sugestão do marido. E tornaram-se a vestir. Depois voltaram para o sofá onde com Naruto ao colo aninhado contra si Sasuke ouviu aquilo que acontecera no nascimento de Nasasu, mas quando quis saber mais coisas, como, por exemplo, como é que tinham voltado a ficar juntos, Naruto recusou-se a responder, achava que eram coisas demasiado emotivas para a sua cabeça sem memórias.

oOo

Nasasu soluçou com sono. Andava devagarinho pelos corredores hospitalares levando nas mãos um papel com a alta médica para o pai e para a irmã.

- Sensei! – Interpolou-o Hizumi, que estava à porta do quarto de Oshi e tinha no rosto a preocupação. – A Oshi não está aqui!

- Levantou-se? Hum… - pensou por uns momentos. – Ela deve ter ido para o quarto do meu pai.

- Sensei, eu tenho que lhe contar uma coisa!

- Diz. – Avançou até à porta do quarto seguinte e antes de bater olhou para a Genni.

- Não foi a Oshi que levou a Kunai para o campo de trabalhos. Fui eu. – Depois de confessar corajosamente o que fizera, baixou os olhos envergonhada. – Ela salvou-me a vida.

Nasasu olhou para a aprendiza sem reacção. Nesse momento sentiu que alguém abria a porta do quarto e deu de caras com os olhos azuis de Naruto marejados de lágrimas. Ele não lhe disse nada, passando ao lado e seguindo para a direita.

- Papá?... – Questionou-se sobre o que se teria passado.

- Naruto. – Sasuke apareceu na porta e deu de caras com Nasasu.

– O que se passou? – Perguntou-lhe o filho.

– A Oshi acordou e disse-lhe umas quantas palavras duras. E ele… acabou por lhe dar uma estalada. – Viu os olhos do filho arregalarem-se. Oshi devia ter passado por todas as marcas. Naruto nunca tocara nos filhos com violência.

– Continua a não querer a companhia dele. E a acusá-lo de que tudo o que lhe acontece de mal da vida é culpa dele. – Percebeu Nasasu. Oshi culpava o Hokage por tudo o que lhe acontecia, inclusivamente o seu ferimento na anca, e nem sequer percebia que Naruto já se culpava mesmo sem ser necessário que a filha lho dissesse na cara, mas parecia que tinha ouvido isso mesmo. – Eu vou falar com ele.

– Não, eu vou. Penso que sei para onde foi. – Nasasu reparou então que Sasuke já estava vestido. – Tenta falar com a tua irmã.

– O papá continua sem conseguir falar com ela.

– Não é que ele não tenha tentado. Mas ela recusa-se determinantemente a falar com ele. Eu vou atrás dele. – Passou por Nasasu pousou-lhe uma mão no ombro agradecendo e afastou-se pelo mesmo caminho que Naruto.

– Sensei! – Chamou Hizumi, que por momentos ele se esquecera que ali estava. – Aquele era Uchiha Sasuke? O último do clã Uchiha? – Perguntou a rapariga de olhos brilhantes.

– Último do clã Uchiha? Então e eu? – Questionou-a.

– Bem, mas ele sempre foi conhecido assim Nasasu-sensei.

– Quando ouvires alguém falar assim lembra-lhes que ele tem três filhos. Já não é o último Uchiha!

– Professor, mas como é que isso é possível que seja filho do Hokage e do Maou? Não é preciso haver uma mulher?

– Há um jutso que faz engravidar homens. Era proibido no meu tempo, mas hoje em dia já não é.

– E quem engravidou de si?

– O Hokage.

– Oh! É tão estranho! Imaginar o Hokage-sama com uma grande barriga! – Soltou uma gargalha. – Mas não é difícil!

Nasasu sorriu.

– Bem, menina querias falar com a Oshi?

– Queria pedir-lhe desculpa e assumir a minha responsabilidade. Pelos vistos já vim tarde, o Sexto deve pensar muito mal dela por minha causa.

– Não. O meu pai nunca pensaria nela dessa maneira tão atroz. Ele ama-a mesmo com o mau feitio que ela tem. Falas amanhã com ela e amanhã dar-te-ei o castigo por me teres desobedecido e posto em risco a segurança dos teus colegas.

– Sim sensei. – Concordou.

Nasasu viu a aluna afastar-se comprometida com as suas acções e entrou no quarto. Oshi estava arrogantemente sentada na cama a ler o jornal diário como se tivesse ali há muitas horas em paz e nada tivesse acontecido.

– Tu herdaste duas coisas horríveis por serem completamente desmedidas.

– Que não tivesse o príncipe perfeito a defender o seu papá. O teu papá é um monstro e nem sequer quis ouvir a minha versão da história.

– Que versão? A de antes do castigo ou depois do castigo?

– A de antes. Eu ia finalmente conseguir um encontro com o Shika-ju…

– Por favor Oshi! – Passou-se o irmão. - Tu és uma ninja. Não podes meter os teus sentimentos à frente dos teus companheiros e dos teus deveres. Estares sempre em constante guerrilha com Hizumi só por causa do Shikamaru Júnior é uma infantilidade.

– Pois, mas eu ao contrário de ti não tenho milhões de rapazes atrás de mim. Eu tenho que lutar pelo meu amor. Tu tiveste logo a Hyuuga Hina aos teus pés. – Comentou a irmã.

– Mas nunca prejudiquei os meus colegas, não esqueci os meus deveres de ninja, e não arranjei conflitos com o Papá. Aquilo que o papá fez por ti foi muito mais do que imaginas, inclusivamente passou por cima de muitas normas da aldeia.

– O teu papá não fez mais nada senão castigar-me.

– O papá só te castigou para não te expulsar da classe ninja como mandam as regras. Não sabes o que ele já ultrapassou para vos manter às duas como ninjas. Acho que é melhor pensares seriamente se queres continuar a ser ninja e a melhorar o teu comportamento.

– Eu salvei a Hizumi e ela…

– Não te deves gabar daquilo que fazes! – Falou Sasuke que acabara de entrar no quarto tão silencioso que os irmãos não tinham dado por nada.

Oshi levantou os olhos para Sasuke e observou a frieza com que por vezes via Nasasu encarar os seus inimigos estampada nos traços faciais do pai. ´

– Achas que uma boa acção apaga todas as más que fizeste? Achas que culpares o teu pai pelas consequências dos teus actos é a melhor opção? Achas que era intenção dele que fosses para esse trabalho e te ferisses? Quando é que vais deixar de pensar em ti? – Questionou-a Sasuke, tendo a sensação que anos atrás a mesma pergunta tinha sido dirigida a si. A adolescente abriu os olhos espantada com as palavras duras que Sasuke lhe dirigia. – O que foi? Não sou a pessoa que idealizaste enquanto estive em coma? O que tu não sabes é que posso ser muito pior que Naruto. Ele nunca deve ter sido mau, pelo menos não mau no sentido que eu dou ao termo. Deve ter-te criado sempre naquela de compensar a falta que eu te fazia e acabou mimando-te. E herdaste duas coisas más: impulsividade e orgulho excessivo. Agora veste-te, pois vamos sair deste pestilento hospital.

Dando um último olhar de censura a filha, e mostrando-lhe que não gostava de ser contrariado virou as costas.

– Eu espero lá fora. – Avisou antes de sair pela porta sem sequer olhar para trás.

– É melhor não o contrariares. – Aconselhou o irmão mais velho. Ele recordava-se bem do pai. Sabia muito bem como era Uchiha Sasuke.

– Tenho de ir para o meu quarto. – Disse a jovem, as suas mãos tremiam agarradas aos lençóis da cama, os olhos continham lágrimas de desapontamento.

– Eu levo-te lá. – Ofereceu-se Nasasu. Colocou-se sentado à beira da cama permitindo que a irmã se agarrasse para ser transportada às cavalitas.

Cá fora, Sasuke estava encostado na parede branca do corredor do hospital, mesmo à frente da porta, tinha os braços cruzados de olhos fechados e parecia ouvir, com uma profunda ruga entre os olhos, a mensagem que o pássaro de cauda de penas longas, pousado no seu ombro esquerdo, lhe transmitia.

– Otogakure. – Notou Nasasu.

Os olhos azuis-escuros, quase negros, de Sasuke fitaram-no e depois pousaram na filha como que a perguntar porque não estava ela vestida.

– Não está no seu quarto. – Relembrou-o Nasasu. Entrou no quarto ao lado e momentos depois estava do lado de fora e esperava pela irmã ao lado do pai, num silêncio incomodativo, muito pouco usual noutros tempos, antes do coma, em que os temas de conversas eram muitos.

– Em que pensas? – Perguntou Nasasu.

– Em Karin e em Oto. – Respondeu sinteticamente abandonando-se de novo aos seus pensamentos. Nasasu não gostou disso, pois antes o pai contava-lhe tudo. E além disso ele, Nasasu, era o futuro Maou, podia ao menos saber o que o pai estava a pensar sobre o seu país.

– Tu já te lembras de alguma coisa? – Tinha essa suspeita desde que a porta se abrira e ele vira Naruto à beira das lágrimas e a seguir Sasuke a correr atrás do marido. – Encontraste Naruto?

– Tenho apenas uma pequena recordação do dia em que vi a tua irmã. Lembrou-me de uma promessa que fiz a Naruto, mas mais nada. E não encontrei Naruto, este hospital não é o mesmo de que me lembro.

– Esse foi destruído. Onde pensas que pode estar o papá?

– Pensei que estivesse no telhado, mas já lá fui e não estava. Como é que tu… como é que me distingues de Naruto?

– Hã?

– Como é que me tratas?

– Por Sasuke. Ou por majestade, se preferires. – Gozou um pouco Nasasu.

– A sério?! – Parecia desapontado. – Sou assim tão mau pai que não seja tratado por tal?

– Mau pai? … oh! Não! Eu pensava… ainda não sabia que já sabias que sou teu filho. Queres saber como vos diferencio, não é? Bem o Naruto é o meu papá, simplesmente porque não o posso tratar por mãe. – Brincou. – Mas só o trato por papá em privado. Em assuntos oficiais e de trabalho ele é o meu Hokage. – Bateu com um dedo no frontal com o símbolo de Konoha na testa. – E a ti trato-te por pai e quando voltares para o Pais do Som… – Parou pensando. – Também de tratarei por pai.

Apesar de falar na brincadeira e de uma maneira idêntica a Naruto, Nasasu era bastante mais calmo que o louro, fazia lembrar a maneira calma de falar de Itachi. Aliás vendo bem, apesar das esmagadoras semelhanças que Nasasu tinha consigo, havia pequenas coisas que faziam lembrar Itachi. Como a cor dos cabelos, que não eram do mesmo tom azul quase preto que Sasuke tinha, mas algo mais claro. E ter estas semelhanças com Itachi desgostava Sasuke. Tinha um filho parecido com o irmão assassino. Tentava afastar aquele pensamento corrosivo da sua cabeça. Mas até o facto do filho ser um ninja de elite aos 20 anos também não ajudava.

– O que foi? – Perguntou o filho ao sentir-se analisado pelo pai.

– Pareceste com uma pessoa que conheci em tempos.

Nasasu compreendeu rapidamente quem era a pessoa mencionava. Naruto dissera-lhe a mesma coisa embora não daquela maneira nem com tanto pesar na voz. Mas em pequeno ouvira o pai Sasuke a falar de Itachi com tristeza no olhar com uma voz de lamentação sofrida, mas acima de tudo com amor, mas agora o pai não se lembrava de nada disso.

– O tio Itachi. – Concluiu sem o pesar na voz.

– Tio Itachi? – Surpreendeu-se com a intimidade com que o filho falava da figura. – Sabes se eu… - Naruto não lhe quisera contar, talvez o filho lhe dissesse de uma vez. – Eu consegui matá-lo? Se eu ainda não matei esse cardápio, se eu decidi seguir a minha vida sem completar a minha vingança diz-me… – Nasasu nunca vira o pai com tanto ódio no olhar, e um arrepio passou-lhe pela espinha.

– Pai pára! – Pediu Nasasu, numa voz sumida que não fez parar a boca cheia de antigas vinganças de Sasuke. Sentiu o seu chakra aquecer tanto que era como se tivesse lava a correr-lhe nas veias. Activou o sharingan tentando controlar o que tinha dentro de si, mas continuava a ouvir as injurias do pai contra o seu tio Itachi, de quem desde sempre tivera uma admiração. E aquilo magoava o seu âmago. Uma raiva começava a crescer no seu interior, tinha de calar Sasuke, mas era tarde, estava fora de controlo.

– Pai! – O grito apavorado de Oshi retirou Sasuke dos seus devaneios, mas não a chegou a ver à porta do seu quarto já vestida, pois ao seu lado um intenso chakra vermelho envolvia Nasasu, os seus olhos sharingan olhavam-no enraivecidos ao mesmo tempo que choravam. O que se passava ali? Como poderia Nasasu ter chakra de raposa? Então compreendeu que em Nasasu estavam duas personalidades.

Alguém o puxou para trás, e Naruto passou para se dirigir ao filho.

– Sexto! – Rugiu Nasasu numa voz fantasmagórica, grave e demoníaca. – Eu hei-de de sair daqui!

– Sim, quando eu te tirar dai. – Respondeu Naruto. – Sharingan! – Momentos depois os olhos do filho voltavam a ficar azuis-claros e o chakra vermelho desaparecia, para logo a seguir Nasasu cair nos braços do louro. Oshi, ainda com o seu próprio sharingan activo, aproximou-se a correr cheia de dores na anca para se certificar que o irmão, agora meio deitado no chão, meio no colo do pai, estava bem. Caiu de joelhos ao lado do irmão.

– Papá, ele está bem? – Perguntou Oshi com a respiração ofegante. Sasuke aproximou-se atónico. O que era aquilo?

Naruto ergueu os olhos para o ver aproximar-se. Não foi com menor espanto que Sasuke viu que também Naruto possuía um sharingan, ainda por cima nos dois olhos.

– Como é que ele ficou assim? – Parecia pedir explicações a Sasuke pelo sucedido como se a culpa fosse do moreno.

– Estávamos a falar sobre Itachi…

– Vingança Sasuke? – Naruto cortou-lhe a palavra e estava colérico. – Andas outra vez a falar nisso. Sei que não te lembras de nada, mas já tiveste todas as tuas vinganças! Foi Itachi que me deu o sharingan. Se não fosse ele, provavelmente nós dois não estaríamos aqui e a terra não teria paz.

– Do que estás a falar? – Sasuke não compreendia.

– Vamos para casa! – Decidiu Naruto ao mesmo tempo que os seus olhos retomavam ao seu estado normal e uma mão examinava o corpo do filho para se certificar que estava tudo bem. – Se tiveres força, será que o podes levar? – Perguntou a Sasuke, agora no seu tom de voz normal.

– Claro. – Disponibilizou-se o moreno sabendo que teria de aguardar para fazer as perguntas que queria para mais tarde. Naruto estava notoriamente cansado. O uso do sharingan desgastava-o.

– É só até ao andar de baixo. Quando lá chegarmos eu peço ajuda para o transportar-mos para casa.

Pegando no filho às costas foi andando pelo corredor tentando bloquear os pensamentos, sabia que acabara de arranhar uma profunda ferida do seio daquela família que sabia ser a sua, mas da qual se sentia totalmente deslocado.

– Papá desculpa! – Pediu Oshi com as lágrimas nos olhos. Foi abraçada por Naruto, que ainda se encontravam no chão.

– Minha menina, desculpa-me também. – Naruto tentou não deixar cair as lágrimas, mas era impossível, os sentimentos que o atolavam eram muito intensos.

Continua…

Atenção: Dark Lemon no próximo capitulo, ou seja, cenas de sexo explicito entre homens, mas com violência. NCS (no consensual sex) Quando ocorre uma relação sexual sem o total consentimento de um dos parceiros.