Disclaimer: Twilight não me pertence, mas sim a Stephenie Meyer. Stop Drop and Roll também não, a história pertence à Bronze. Mas a tradução é minha! E lembrem-se, plágio é crime!


EPOV

Eu estava deitado no quarto de hóspedes, o cheiro dos lençóis me acalmando e meus pés para fora da cama, devido ao meu tamanho. Aparentemente eu havia crescido desde que me mudara.

Meu quarto, do outro lado do corredor, era virtualmente o mesmo. Eu ainda podia ver o cinzeiro que tinha feito, na aula de arte, no meu primeiro ano, dizendo a minha mãe que era um prato de moedas. As estantes estavam sem meus livros, mas Elizabeth as tinha enchido de porta-retratos com armações prateadas e pequenos balangandãs que ela tinha colecionado ao longo dos anos, dando alguma vida ao ambiente. E se você chegasse bem perto, poderia ver a pequena descoloração na parede, no ponto onde eu havia socado, e tentado encobrir sem lhe contar.

Eram todas lembranças dolorosas do que eu tinha sido, mas a única prova de minha mudança era a bela garota deitada ao meu lado, seu corpo enrolado em uma pequena bola, apoiada na lateral do meu corpo, os cabelos espalhados e a face calma, como se estivesse sonhando. Instintivamente eu passei meus dedos pela sua bochecha, observando cuidadosamente enquanto ela se remexia, resmungando algo incoerente antes de voltar a dormir.

Ela tinha sido tão encorajadora mais cedo e eu estava assombrado com a quantidade de amor que eu vira enquanto ela olhava para a lápide de meu pai. A forma como seu rosto se contorceu em agonia e dor enquanto me ouvia falar, mas por alguma razão eu não conseguia parar. Ela precisava saber. Embora meu pai não pudesse responder, eu sabia que ele podia nos ouvir, e era importante que Bella entendesse aquela relação.

O jantar não fora tão difícil quanto eu tinha esperado, embora qualquer reunião com as amigas de minha mãe fosse uma receita para o desastre. Elas a tinham apertado e mimado, mas Bella tomou isso como um soldado, um sorriso forçado em seu rosto enquanto cumprimentava cada uma.

Eu me lembrava delas vindo jogar bridge com minha mãe, ou como meu pai e seus maridos falavam em jogar golfe quando sobrasse algum tempinho em suas agendas. Elas continuaram ajudando minha mãe depois da morte dele, nunca oscilando em seu apoio incondicional à minha família. Isso me fazia apreciar suas companhias apenas marginalmente, já que havia também o perfume forte e as perguntas que elas lançavam como metralhadoras, para dizer o mínimo. Não eram muitas as coisas que me intimidavam, mas era lamentável dizer que as mulheres de Chicago estavam no topo da lista.

Eu suspirei, observando Bella pelo o que parecia ser a milésima vez nos últimos minutos. Ela resmungou algo antes de se virar de barriga para baixo, levando seu rosto para longe de mim.

Ela tinha sido, por falta de uma palavra melhor, impressionante no cemitério. Eu ainda não tinha certeza de porque a havia levado até lá, especialmente em nossa primeira noite. Eu sentia como se um peso tivesse sido tirado de sobre meus ombros enquanto falava com meu pai, e pela primeira vez, as lágrimas não estavam presentes. Minha voz tinha permanecido forte e firme enquanto eu falava com ele como se ele estivesse ali ao meu lado. Eu percebi o quão importante era apresentá-la a ele; o "encontro" entre as duas pessoas que mais importavam para mim havia sido mais simbólico do que eu poderia ter imaginado. Partiu meu coração vê-la chorar, mas pela primeira vez eu entendi isto do seu ponto de vista. Ela estava tentando se colocar em meu lugar, e pela primeira vez, eu deixei.

"Edward?" Eu a ouvi murmurar, com a voz ainda grossa de sono. "O que você está fazendo acordado?"

Eu me curvei, aproximando meu rosto do seu, depositando um beijo no vão sob sua orelha. "Volte a dormir, amor."

"Que horas são?" ela perguntou, olhando ao redor e esfregando os olhos. Eu olhei brevemente para o relógio, a empurrando novamente para baixo.

"4h13", respondi baixinho.

Eu a vi se sentar, seu contorno proeminente na escuridão. "O que está te mantendo acordado?"

Eu suspirei, encolhendo os ombros enquanto apoiava minha cabeça em sua barriga. "Apenas pensando", respondi distraidamente. Ela bocejou, correndo os dedos pelo meu cabelo, arranhando suas unhas pelo meu couro cabeludo ternamente. Eu me achei lutando contra o sono, mas assim que o som de sua regular e profunda respiração me atingiu, eu me vi me entregando, ainda com os pensamentos sobre meu pai em minha mente.

Eu não consegui me manter inconsciente por muito tempo. Assim que o sol começou a querer surgir, apesar das cortinas fechadas, eu me vi levantando e descendo para a cozinha, onde minha mãe já se encontrava, sentada à mesa, com uma xícara de chá e um livro.

"O que você está lendo?" perguntei suavemente, me apoiando no alizar da porta. Ela ofegou, colocando uma mão em cima do coração antes de me encarar.

"Edward, não me assuste deste jeito", ela reclamou, sorrindo suavemente. "Apenas um livro que peguei outro dia. Eu precisava de uma boa leitura."

Eu estirei meus braços por sobre a cabeça, suspirando à medida que meus músculos relaxavam, o sangue fluindo. "Como você dormiu?"

"Bem", ela respondeu, com um tom estranho em sua voz. Eu tentei ver o que poderia estar errado, mas não consegui. "E você?"

"A cama parece um pouco mais curta desde a última vez que vim aqui", pisquei e fiquei surpreso ao vê-la um pouco ruborizada, tomando um gole da sua caneca.

"Eu sinto muito", ela disse, soando verdadeiramente sincera. Eu me senti mal pela brincadeira e me sentei, apertando um de suas mãos. "Eu não fui lá em cima a não ser para limpar, então nem pensei nisto. Eu não percebi o quanto você tinha crescido."

"Mãe, não se preocupe com isto, eu a assegurei. "Bella e eu não poderíamos estar mais felizes."

Um enorme sorriso iluminou sua face, como se eu tivesse acabado de acender a árvore de Natal. "Oh, Edward", ela disse, acariciando minha bochecha maternalmente. "Você não sabe como me deixa feliz ouvindo isso."

Eu tentei forçar meu cérebro a entender o que a faria tão feliz. "O que?" perguntei finalmente, me sentindo frustrado enquanto ela ria.

"Não é mais apenas você", ela explicou. "Agora é você e Bella."

Eu olhei para baixo, para a torrada que ela havia colocado em um guardanapo para mim. "Oh", resmunguei, mordiscando o alimento de modo a não precisar responder. Ela não precisava saber o quão entusiasmado eu me encontrava também.

"Eu estava pensando que nós poderíamos comprar a árvore de Natal hoje", ela prosseguiu, inclinando-se para trás em sua cadeira. "Eu ia fazer isso eu mesma, mas depois imaginei que você e Bella poderiam querer escolher." Ela disse com um sorriso presumido em seu rosto.

"Você terá que vir conosco, é claro." Eu disse, elevando uma sobrancelha. Ela riu, levando a caneca novamente até seus lábios.

"Se você insiste."

"Hum, bom dia."

Eu me virei para ver Bella de pé desajeitadamente perto do balcão da cozinha já vestida. Seu cabelo estava bagunçado pelo sono e seus olhos vagavam pelo cômodo, olhando tudo, menos eu e minha mãe.

"Bom dia, Bella!" Elizabeth disse. "Você gostaria de um pouco de chá e torrada?"

Ela balançou a cabeça, torcendo as mãos ao mesmo tempo. "Não, obrigada. Eu não tenho fome."

Eu me levantei, a encarando. "Você realmente precisa comer algo."

Ela encolheu os ombros, se aproximando após eu abrir meus braços, em um convite mudo. Eu abracei seu corpo quente junto ao meu, beijando sua cabeça à medida que ela se sentava na cadeira ao meu lado.

"O que você acha de irmos comprar uma árvore de Natal hoje, amor?" Eu perguntei, me sentindo mais e mais empolgado com a idéia ao ver um sorriso surgir em seu rosto. Eu ri quando ela tentou controlar isto, acariciando seus braços suavemente.

"Eu posso supor que você gostou da idéia?" perguntei retoricamente. Ela se ruborizou, tornando ainda mais difícil não beijá-la.

"Eu sempre gostei de escolher as árvores de Natal", ela sussurrou como se estivesse longe. "Mesmo Renee não se lembrando disso antes da véspera, geralmente."

Eu ri. "Bem, nós vamos ser um pouco mais organizados que isso."

Eu observei enquanto ela acenava com a cabeça, mordiscando sua torrada. "Eu provavelmente deveria me arrumar", ela falou de repente, ruborizada. Sua desculpa não era totalmente válida, já que ela estava vestida, mas eu estava disposto a lhe dar o benefício da dúvida. Eu já me encontrava em meu ápice, apenas pelo fato dela estar ali.

Eu me inclinei, beijando sua testa suavemente. "Tome seu tempo", eu falei. Ela acenou com a cabeça, terminando o café da manhã rapidamente e correndo escada acima novamente.

"Ela é uma graça, Edward." Minha mãe disse enquanto observávamos Bella se afastar. Eu olhei para cima, em êxtase ao ver o mesmo sorriso estampado em seu rosto. Aquele que sempre estava ali quando Bella aparecia ou quando ela nos via interagindo.

"Eu sei", murmurei, rindo comigo mesmo. "Confie em mim, eu sei."


BPOV

Eu puxei minhas luvas, minha mão parada na maçaneta da porta. Eu queria sair, mas precisava encontrar coragem. Era impressionante o quão nervosa eu me encontrava com essa viagem.

Parecia tão íntimo, tão familiar. Renee e eu nunca fizemos um grande percurso para comprar uma árvore de Natal, usávamos calça de flanela e comprávamos tudo na loja da esquina. Não era grande, e não parecia especialmente importante, mas com Edward e Elizabeth parecia diferente. Mais simbólico, e eu não sabia ao certo como agir

"Bella?" Eu ouvi a voz de Edward do outro lado da porta. "Você está bem?"

Eu respirei fundo. "Sim", respondi, rezando para que minha voz soasse forte o suficiente. "Eu já estou saindo."

"Eu posso entrar?"

Eu mordi meu lábio. Eu o queria ali?

Eu não tive nem tempo de pensar em uma resposta. A porta se abriu suavemente e ele colocou primeiramente a cabeça para dentro, antes de entrar completamente, pegando minha mão.

"O que está errado?" ele perguntou, beijando minhas juntas por sobre a luva. Eu encolhi os ombros, esperando parecer indiferente.

"Nada", murmurei. Eu ruborizei quando Edward me deu um olhar desacreditado, mas me mantive firme. Não que eu pudesse explicar o que estava errado, eu não fazia a mínima idéia.

"Bella, você não tem que ir, mas minha mãe realmente gostaria de ter você nisso."

Eu suspirei. "Eu quero ir, eu juro. É que... eu sinto como se estivesse me intrometendo em uma tradição pessoal."

Edward me pegou de surpresa ao jogar sua cabeça pra trás, rindo. "Oh, minha Bella", ele sussurrou, acariciando minha bochecha. "Você faz parte dessa tradição agora. Você faz parte desta família."

Eu derreti com cada palavra saída de sua boca. "Obrigada", murmurei. Era tudo o que eu conseguia pensar em falar e felizmente pareceu ser o bastante.

"Vamos", ele disse e o pensamento de 'no que foi que eu me meti' surgiu em minha mente ao me dar conta da duração do trajeto.

"Que tal esta aqui?" ele disse assim que chegamos ao local, apontando para uma árvore monstruosa de tal alta, sobre nós, o cheiro opressivo de seiva me deixando enjoada.

"Não", eu disse sem rodeios. "É muito grande."

"Bella, não é muito grande", Edward rebateu. "O pé direito é de 3,5m. A árvore só tem 3m de altura."

"Nem sempre o maior é melhor", eu repliquei. Ele riu, balançando a cabeça.

"Mas neste caso, quanto maior, mais no clima do feriado você fica."

"Parecemos um velho casal", resmunguei tremendo ao sentir a neve caindo sobre nós. Edward riu, passando o braço pelos meus ombros enquanto me conduzia por entre as árvores. Todas pareciam iguais para mim: grande, verde... mas eu não conseguia manter Edward próximo de nada que tivesse menos de 3m.

"Onde está Elizabeth?" Eu perguntei, olhando por sobre os ombros largos de Edward. Ele me aconchegou mais junto a si, com um sorriso infantil no rosto.

"Sem dúvida olhando as árvores artificiais do outro lado do lote", ele disse com falso desdém. "Eu disse a ela que no dia que ela trouxesse uma árvore de Natal branca, daquelas falsas, para casa, eu nunca mais viria para Chicago nos feriados."

"Sim você viria", eu retruquei. "E aproveitaria todos os segundos possíveis ao redor da tal árvore."

Edward bufou beijando minha cabeça. "Você me conhece bem."

"E que tal aquela?" Perguntei, batendo o dedo indicador em meus lábios enquanto encarava uma em especial. Não era demasiado grande, mas tinha um certo charme, e a neve depositada em seus galhos a deixava ainda mais bonita.

"Não é muito alta", Edward pontuou enquanto eu erguia uma sobrancelha para ele.

"Isso importa?"

"Não particularmente." ele sorriu descaradamente, me beijando. "Ei, mãe. Que tal aquela?"

Elizabeth emergiu por entre duas árvores, enrolada em um grande casaco e com os mesmos protetores de orelha que havia usado no aeroporto. "Edward, é linda! Mas, eu estou surpresa que você tenha gostado dela."

Eu ri baixinho. "Eu também."

"Definido então" , ele disse, ignorando nossos comentários. "Esta será a Árvore de Natal da Família Masen este ano."

Eu não poderia explicar como meu coração disparou ao ouvir o título Árvore de Natal da Família Masen, e se dar conta de que eu era uma parte dela.

Edward percebeu o sorriso bobo estampado em meu rosto e sorriu, apoiando sua testa na minha. "Sim, Bella. Você é tão parte desta família quanto eu."

Eu ruborizei, arrastando meus pés na neve. "Eu não sei sobre isso..." tentei contradizê-lo, mas ele não permitiu.

"Com licença", eu o ouvi dizer, olhando para algo atrás de mim. "Nós levaremos esta árvore."

Eu tive que rir do seu senso de proteção enquanto ele passava os braços ao meu redor, a medida que o homem se aproximava com o grande machado. Ele a cortou rapidamente, verificando a cada poucos segundos se eu estava observando e quando percebeu que eu não estava, finalmente desistiu. Com mau-humor, ele cortou a árvore; os olhos de Edward brilhando de contentamento enquanto pagava a ridícula quantia e amarrava a árvore no topo do carro.

"Você está seguro de que não vai cair?" Eu perguntei cepticamente quando ele deu a partida no carro. A ponta oscilava com o vento e os galhos se dobravam em uma angulação estranha. Eu esperava, pelo bem dos que vinham atrás de nós, que ela realmente não caísse.

"Sim", ele respondeu confiantemente. "Pessoa de pouca fé."

Como ele havia assegurado, nós três e a árvore chegamos inteiros em casa e logo depois ela estava de pé, já toda decorada, brilhando no cômodo escuro. Eu não conseguia parar de olhar; o modo como cada enfeite se encaixava na árvore ou a vivacidade da estrela no topo.

"O que você acha?" Edward perguntou, surgindo atrás de mim. Ele me abraçou pela cintura, me puxando para mais junto do seu corpo e eu suspirei, sem tirar meus olhos da árvore à nossa frente.

"Está linda", eu falei honestamente. "Eu nunca vi nada igual."

"Você escolheu uma boa árvore."

Eu me assustei com um flash vindo de algum lugar e me afastei instantaneamente de Edward. Elizabeth riu suavemente, segurando uma máquina fotográfica.

"Era um momento muito perfeito para deixar passar", ela explicou. E, por alguma razão, eu sabia exatamente o que ela queria dizer.

O jantar passou sem incidentes e em pouco tempo eu estava ajudando Elizabeth com os pratos, enquanto Edward enxugava a louça, como sempre fazia. Foi rápido e indolor, e terminamos rapidamente, voltando para a sala depois do pôr-do-sol.

"Como foi o casamento?" ela perguntou sociavelmente. Eu sorri, me lembrando que Alice já tinha me enviado algumas das fotografias que Carlisle e Esme tiraram.

"Você gostaria de ver algumas fotos?" Eu perguntei depois que o Edward e eu nos alternamos falando sobre o casamento e a recepção. Ela acenou com a cabeça entusiasticamente e nós fomos até o computador.

"Oh", ela disse, colocando seus óculos. "Vocês estavam tão lindos!"

Eu fui passando pelos vários convidados, rindo de algumas expressões faciais. Eu não estava muito bem na maioria das fotos, mas uma das últimas chamou minha atenção.

"Volte", eu falei para Edward que estava controlando o mouse. Ele fez o que eu pedi, me observando enquanto eu encarava a tela.

Era Edward e eu, mas nós não estávamos olhando para a câmera. Na verdade, o foco desta nem estava em nós. Nós estávamos mais para o lado, Edward parecia girar ao meu redor, enquanto eu segurava meu vestido numa tentativa infrutífera de não tropeçar nele. Estávamos sorrindo, e embora não fosse uma foto particularmente significativa, eu não conseguia parar de olhar para ela.

"Quem são eles, amor?" Eu ouvi Edward perguntar, se referindo obviamente às pessoas que estavam em primeiro plano, sorrindo abertamente para a câmera.

"Eu não sei", murmurei, olhando de volta para ele. "Mas..."

Eu apontei para a tela, rindo do quão ridículos nós realmente parecíamos. Meu rosto estava vermelho e suado, o cabelo de Edward mais bagunçado do que nunca, mas ainda assim, era doce.

"Isso vai para a parede." Elizabeth disse, determinada. Eu ri, franzindo minha sobrancelha.

"Parede?"

Ela apontou para uma grande parede sobre a lareira que continha inúmeras fotos de Edward, Elizabeth e Edward Sênior, juntamente com outros que eu nunca tinha visto antes. "Juntei fotos e pendurei-as ali por anos, e essa vai para o canto, perto das fotos de formatura de Edward.

Eu ri baixinho. "Eu vou fazer parte da parede, Edward."

Em vez de replicar ele sorriu um pouco ternamente. "Claro que sim."

O resto das fotos passaram rapidamente e logo tínhamos dito boa-noite e eu me encontrava deitada na cama. Edward estava falando com Elizabeth ainda e eu lutava para manter os olhos abertos, mas estava difícil.

"Bella?" Eu o ouvi chamar suavemente. "Você ainda está acordada?"

Eu rolei para o outro lado, grunhindo. "Sim."

Ele riu, me beijando suavemente ao se deitar ao meu lado. Eu deixei meus olhos se fecharem novamente, rindo da ironia.

"O que é tão engraçado?" ele murmurou, acariciando meu cabelo.

"Eu não sei", admiti. "Apenas o fato de que Charlie já havia pago um quarto de motel para você e sua mãe é tão compreensiva sobre toda a situação."

"Eu não culpo o Charlie", Edward disse. "Ele apenas está tentando proteger a filha dele."

"Mas sua mãe não se importa se eu corromper o filho dela?"

"Touché", Edward riu, me beijando suavemente. Eu me virei melhor, de modo que pudesse alcançá-lo, meus braços em volta de seu pescoço em uma tentativa não tão sutil de puxá-lo para perto de mim.

"Bella", ele advertiu. "Não esta noite."

Eu apertei meus lábios. Eu sabia que não deveria estar irritada com o fato dele sempre parar, mas eu não podia evitar o sentimento. Eu não queria que ele parasse. E ele sabia disso muito bem.

"Bella", ele disse, tentando soar persuasivo e tentador. "Olhe para mim."

Eu lhe dei uma olhada rápida mostrando que eu reconhecia sua presença ali e beijei sua bochecha rapidamente, antes de apertar meu rosto no travesseiro.

"Boa noite", resmunguei, minha voz amortecida. Eu o ouvi suspirar e se aproximar ainda mais de mim, sua respiração quente batendo em minha bochecha.

"Isabella", ele murmurou, beijando os dedos que estavam agarrando a extremidade da fronha. "Por favor?"

Eu sabia que nunca conseguiria negar o que quer que fosse para ele. "O que?" Eu me virei, pronta para confrontá-lo, mas minha raiva se perdeu assim que meus olhos registraram sua expressão desoladora.

"Você sabe que isso realmente me mata."

Bastava um olhar rápido para sua face, para que ninguém ousasse discutir isso. "Eu sei." disse suavemente, envergonhada por sempre tentar forçar a barra.

"Mas saiba que eu te amo mais do que qualquer outra coisa e nós vamos tentar."

Eu odiava me sentir dessa forma, como uma adolescente rejeitada no baile de formatura, mas eu simplesmente não conseguia evitar. Eu precisava dele e ele sabia disso.

"Eu te amo", ele repetiu antes de se inclinar para desligar o abajur. Eu exalei ruidosamente, me inclinando para ficar face a face com ele.

"Eu também te amo."

O sorriso torto surgiu novamente enquanto ele se deitava ao meu lado, um braço em volta da minha cintura e o outro me erguendo um pouco, de modo que ele pudesse colocá-lo confortavelmente sob mim.

E mesmo que não fôssemos mais longe do que crianças da sétima série, eu não trocaria o nosso relacionamento por nada. Ele era quebrado, cauteloso e assombrado. Eu era ansiosa e ingênua.

Em algum lugar nessa bagunça toda, existia o amor que sentíamos um pelo outro e isso era o bastante para mim.


Os dias passaram depressa demais, a temida data em que teríamos que voltar para Portland pairava sobre nossas cabeças. Eu não queria ter que voltar nunca, isso era certo. Eu tinha desenvolvido um laço forte com Elizabeth e nós tínhamos passado mais tempo juntas do que eu imaginei que passaríamos. Edward encontrou alguns amigos ocasionais, enquanto andávamos pela rua e aquilo me fez desejar saber exatamente como ele agia na escola secundária.

Nós estávamos no supermercado, comprando algumas coisas para a festa da Véspera de Natal, quando eu notei um homem parado, um pouco afastado de nós, encarando Edward estranhamente. Seu olhar ia do rosto dele para nossas mãos entrelaçadas e ele parecia totalmente desconcertado.

O pote de sorvete de creme estava gelando minha mão, praticamente queimando de tão frio, mas eu não conseguia parar de olhar para o homem. Ele finalmente me viu olhando e me deu um sorriso fraco antes de se aproximar, olhando para o chão.

"Edward Masen."

Eu gelei junto com Edward. Ele girou ao redor, torcendo meu pulso em um movimento doloroso.

"Ai", eu assobiei, puxando meu braço em direção ao peito. Ele olhou para mim, parecendo realmente sentido, enquanto pegava minha mão novamente, beijando meu pulso suavemente.

"Eu sinto muito, amor." ele sussurrou, mas sua atenção estava totalmente voltada para o homem que se aproximava lentamente de nós.

"Edward Masen", ele repetiu incredulamente. Eu observei enquanto Edward dava um passo para frente, sua expressão se contorcendo em uma careta por mais que ele tentasse parecer desesperadamente agradável.

"James."

Eu mordi meu lábio, observando a interação. Eles deram um aperto de mão firme, sem qualquer outra palavra.

"De volta para os feriados?" o homem, James, disse finalmente. Edward acenou com a cabeça bruscamente, estendendo a mão em minha direção, como que para se certificar de que eu não tinha ido embora. Eu fui para o seu lado, finalmente largando o pote de sorvete na cesta.

"E você?" A pergunta soou forçada... automática. Ele estava tentando ser educado e eu tinha que lhe dar crédito por isso.

"Eu ainda moro aqui", James explicou. "Eu me formei na Northwestern e estou fazendo minha residência médica agora."

"Que ótimo", eu me lembro de Edward ter murmurado, desinteressado. O silêncio caiu entre eles novamente e o homem olhou para mim, elevando uma sobrancelha.

"James, esta é minha namorada, Bella." E não me passou despercebido que ele não o apresentou para mim, como seria usual.

"Muito prazer", ele disse suavemente, com a voz visivelmente descendo uma oitava. Edward tinha apertado seu abraço em volta da minha cintura, empurrando-me para trás dele sutilmente

"Bem, Edward, eu estou surpreso. Eu nunca o vi namorando."

O rosto de Edward ficou tenso, seus olhos escuros num tom de esmeralda derretida. "As coisas mudam."

Foi só mais tarde que Edward me explicou o relacionamento hostil que os dois tiveram por toda a escola; James sempre o provocou, o que geralmente acabava com Edward partindo pra cima deste e sendo suspenso por brigar. Foi em parte por causa dele que Edward tinha começado a se drogar, mas eu não lhe pedi que explicasse mais do que isso.

"Apenas coloque isto no forno", Elizabeth instruiu, me entregando uma panela." E programe-o por cerca de meia hora. Vamos observar de perto."

Eu fiz como ela pediu, ocupando meu tempo observando Edward arrumar a sala de estar. Ele havia colocado um paninho vermelho no fundo de todas as travessas de prata já em seus devidos lugares. Uma guirlanda havia sido colocada perto da escada e a árvore estava acesa, dando a tudo uma aura de Natal daqueles de especiais da TV.

"O que você acha?" ele perguntou ao me ver ali, parada observando tudo. Eu sorri, balançando a cabeça.

"Você dois se excederam."

"Tudo com sua ajuda, é claro."

Eu não estava ansiosa pela festa. Eu nunca me sentia particularmente animada para reuniões ou o que quer que fosse que envolvesse grandes grupos de pessoas, mas eu não tinha escolha. Elizabeth tinha sido tão incrível o tempo todo, o mínimo que eu poderia fazer era passar algum tempo por ali, cumprimentando seus amigos.

Eu sabia que Edward também não estava exatamente empolgado com a idéia. "Nós deveríamos começar a nos preparar provavelmente, ele disse, olhando para o relógio. "Os amigos de minha mãe não sabem o significado de ser 'elegantemente atrasados'. "Eles estarão à nossa porta às seis."

Assim que terminei de me vestir, em um vestido verde que Alice tinha empacotado para mim, com um cinto preto amarrado na parte de trás, comecei a me sentir nervosa. Eu estava na cozinha – o lugar onde me sentia mais confortável. Eu não queria sair e cumprimentar a multidão.

Ao contrário do que tinha sido dito, não havia apenas alguns amigos próximos presentes. A casa estava lotada e Elizabeth parecia conhecer cada uma daquelas pessoas. Edward também tinha sido levado a cumprimentar cada um, apesar de não parecer prestar muita atenção. Havia uma luz em seus olhos que eu ainda não havia visto e eu me perguntava que tipo de relação ele tinha com aquelas pessoas.

Talvez se eu deixasse a cozinha, eu descobrisse.

"Bella?"

Droga, eu tinha sido descoberta.

"Bella, vem pra cá." Edward disse rindo, parado na porta. Eu olhei para ele que vestia uma calça preta e uma camisa de botões vermelha, com as mangas enroladas até os cotovelos; e fiz o que ele pedira, me xingando a cada passo por sempre ceder ao seu poder.

"Não é tão ruim, eu prometo. Eu te protegerei."

"Você me acusa de estar com medo de um grande grupo de pessoas que eu não conheço, mas você pode ficar apavorado com um pequeno grupo de doces senhoras de um clube do livro?"

Edward fez uma careta. "Não é a mesma coisa."

Eu rolei meus olhos, agarrando sua mão. "Claro que não."

"Bella, estes são nossos vizinhos, Sr. e Sra. Cope", Elizabeth apresentou. "Esta é a namorada do Edward, Bella Swan."

Eles não conseguiram esconder a surpresa. "Namorada, hã?" o homem repetiu, apertando minha mão. "Muito bem, filho."

Da forma como eles falavam sobre mim, você poderia pensar que Edward tinha ganho o Prêmio Nobel da Paz. Todas as apresentações se deram da mesma forma. Eu finalmente parei perto da mesa de comida, fazendo amizade com o homem que tinha sido contratado como garçom, falando apenas quando falavam comigo.

"Eu sinto muito por isto, amor." Edward sussurrou, roubando um camarão do meu prato. "Está quase acabando, eu prometo."

A verdade é que eu não me importava de vê-lo interagir com os outros. Ele era gracioso, confiante e animado fosse qual fosse o assunto. Seus gestos eram exagerados, e seu cabelo estava bagunçado pelo vento, quando ele voltou até mim, mas ele estava feliz. Eu podia ver isso em seus olhos.

"Você deve ser uma mulher extraordinária."

Eu me virei, olhando confusa para o homem parado perto da mesa de bebidas. Ele pegou a bebida que o garçom lhe oferecia e se apoiou na parede ao meu lado, olhando o tempo todo para Edward.

"O que?" Eu não fazia idéia sobre o que ele estava falando ou quem ele era.

"O menino está diferente."

Eu estava cada vez mais irritada com seus comentários curtos e estranhos. "Certo", eu disse, aborrecida.

"Ele está feliz."

Eu tomei um gole de minha bebida, fazendo o meu melhor para ignorá-lo completamente. Eu não tinha sido apresentada a ele antes, então não tinha como saber seu nome e as coisas que ele dizia não faziam sentido.

"Obrigado."

Eu me virei finalmente, de modo a poder encará-lo. "O que?"

"Eu não me lembrava de ver meu afilhado assim, tão feliz."

Eu quase engasguei com um pedaço do gelo. "Afilhado?"

Ele estendeu a mão, os olhos ainda fixos em Edward. "Aro."

Eu assumi que aquele era o seu nome e apertei sua mão. "Bella Swan."

"Eu era o companheiro de quarto do pai de Edward na faculdade", ele explicou, começando, finalmente a falar frases completas. "Nós éramos bons amigos e quando o menino nasceu ele me convidou para padrinho. Eu amava Edward como se ele fosse meu próprio filho, mas quando seu pai morreu, ele se fechou. Eu quase nunca o via, mas quando acontecia, eu sentia medo pelo o que via dentro dele. Ele estava quebrado e todo mundo, exceto Elizabeth, achava que ele não seria capaz de se reerguer."

"Por que não Elizabeth?" Eu me vi perguntando.

"Ela sempre acreditou que tudo o Edward precisava era de alguém com quem ele poderia passar o resto de sua vida e confiar plenamente de novo. Amor incondicional."

Eu acenei com a cabeça entendendo o conceito, mas ainda assim, não conseguindo aceitar que aquela pessoa seria eu.

"Você chocou a todos nesta sala esta noite, Srta. Swan. Você fez o impossível, contradizendo todas as previsões em que nós acreditamos por anos e por isso nós nos rendemos a seus pés. Você o salvou e nos devolveu aquele pequeno menino que nós conhecemos."

Era a segunda vez durante a nossa viagem, que eu ouvia aquelas palavras, mas parecia mais real ao ouvi-la da boca daquele homem do que da de Edward. Ele não me conhecia, mas ele conhecia o Edward. Ele era um observador externo e por isso suas palavras me atingiram com tanta intensidade.

"Aro", Edward disse, o sorriso evidente em sua voz. O homem o puxou para um abraço, batendo em suas costas enquanto dizia algo em seu ouvido, baixo demais para que eu pudesse escutar.

"Bella, venha comigo." ele disse, piscando. Eu apertei minhas mãos, encarando sua face risonha, juvenil.

"Aonde vamos?"

Os olhos dele brilharam com vida. "Isso importa?"

Não. Não importava. Eu o seguiria até os confins da terra, por sobre cacos de vidro ou lavas de vulcão, se ele pedisse. Eu juntei nossas mãos, o deixando me arrastar pelo meio da multidão que nos encarava.

Ele se sentou no banco macio do piano, me colocando entre suas pernas. Eu me surpreendi ao ver um grande número de pessoas se aproximando do instrumento, observando Edward com os olhos cheios de expectativa. Eles pareciam nervosos, contudo esperançosos e eu não entendia o porquê.

Os dedos dele apertaram as teclas suavemente, as testando, antes de começar a tocar Deck the Halls (www(*)youtube(*)com/watch?v=Gzo2V53ztUA) . Não havia partituras, e quando eu olhei para trás, seus olhos estavam fechados. Ele parecia contente e relaxado. Feliz por estar ali.

Eu enterrei meu rosto em seu peito, lembrando-me da maneira como Charlie costumava me entreter na véspera de Natal quando eu era pequena, me contando histórias até que eu adormecesse. Eu cruzei minhas pernas, alisando o vestido enquanto ouvia o familiar clique da câmera seguido do flash, mas eu nunca afastei meus olhos do piano.

As pessoas cantavam junto, mas não foi até eu ouvir Edward cantando suavemente, seu peito se movendo para cima e para baixo a cada frase, que tomei coragem para me juntar a eles, muito quietamente no princípio. Ele riu, os lábios próximos à minha orelha.

"Você sabe que canta lindamente."

Eu ruborizei, brincando com a saia de meu vestido. "Não, eu não sei."

"Bem, eu estou lhe dizendo agora."

Eu balancei minha cabeça. "Você é ridículo."

Edward abriu os olhos, prendendo os meus. Seus olhos pareciam estar queimando e minha respiração ficou presa na garganta, tamanho o impacto. "Mas você me ama."

Eu fingi aborrecimento, mas acenei, apoiando minha cabeça mais uma vez em seu peito. "Você sabe que sim."

Ele continuou tocando, passando por todas as canções de natal que eu já havia escutado e outras composições próprias. Eu estava cansada, mas não queria que ele parasse.

"Edward não tocava cânticos alegres de Natal na festa há anos", eu ouvi alguém murmurar enquanto passava por eles. "Eu estava finalmente aprendendo as letras daquele CD que Elizabeth colocava."

A outra mulher riu suavemente. "Eu gostaria de saber por que ele decidiu voltar este ano. Não que eu me importe, ele sempre foi um belo pianista."

Eu podia sentir seus olhares fixos em mim. "Eu acho que posso imaginar", um das mulheres disse, mas eu não prestei muita atenção. Meu foco estava em Edward que olhava para mim com mais amor e adoração do que eu teria pensado ser possível.

O relógio começou a bater as doze badaladas, sinalizando a meia-noite. Ele sorriu, apertando minha mão suavemente.

"Feliz Natal."

Eu ri, jogando minha cabeça para trás. "Pra você também."

Eu disse adeus às poucas pessoas cujos nomes eu me lembrava, antes que Edward me dissesse para subir. Eu sabia que deveria estar parecendo exausta e, ao me deitar, fiz o máximo possível para esperar por ele, mas acabei vencida pelo cansaço.

Eu me lembro vagamente do som da porta se abrindo e de Edward vindo para a cama, mas eu estava muito confortável para me mexer.

Eu acordei com Edward deixando um pequeno rastro de beijos pelo meu braço, passando por minha clavícula, e pescoço. Eu tremi, olhando esperançosamente para ele, esperando por uma explicação.

"Feliz Natal, amor." ele disse suavemente. Eu estirei meus braços por sobre minha cabeça, arqueando minhas costas enquanto olhava pra ele, sorrindo.

"Feliz Natal."

Um barulho no andar de baixo nos alertou que Elizabeth já estava acordada, sem dúvidas, limpando a bagunça da noite anterior. Eu decidi deixar a preguiça de lado e me vestir e escovar os dentes seguindo Edward escada abaixo.

"Bom dia, mãe. Feliz Natal."

Elizabeth se virou, um pouco assustada. "Bom dia!" ela disse e eu podia sentir o cheiro das panquecas de onde eu estava. Minha boca encheu d'água e meu estômago resolveu roncar ruidosamente, fazendo Edward rir.

"Com fome?" ele perguntou retoricamente. Eu corei quando ele me entregou um prato e, embora a comida estivesse deliciosa eu mal podia prová-la, enquanto pensava na proximidade da hora dos presentes. Eu não queria nada, mas eu estava com medo que o meu presente para Edward não fosse bom o suficiente.

Nós nos sentamos na sala de estar, trocando uma quantidade exagerada de presentes. Eu me sentia constrangida com os de Elizabeth, mas sabia que não tinha escolha. Havia apenas três agora sob a árvore, incluindo o meu para Edward.

Eu lhe entreguei o pacote mal embrulhado, sentindo o nó em meu estômago. Ele o olhou cuidadosamente, sorrindo enquanto rasgava o papel até a coisa estar inteiramente exposta.

Não era nada especial. Eu tinha levado para imprimir em uma gráfica de modo que não parecesse apenas um monte de folhas grampeadas, mas ao vê-lo nas mãos de Edward e com a grande quantidade de presentes elaborados em volta, eu me sentia mal.

"Bella", ele disse, olhando para mim. Eu acenei com a cabeça como que o encorajando, mordendo meu lábio inferior quase a ponto de sangrar enquanto ele abria a capa, passando os dedos suavemente sobre as palavras grafadas ali.

Eu tinha passado uma semana pensando no que dizer. Tinha que ser significante, sincero. Algo que explicasse meus sentimentos e retratasse o quão feliz eu estava por ele ser o primeiro a ler a única cópia disso.

"Não está terminado ainda", eu disse, rompendo o silêncio. "Mas... eu achei que você poderia gostar." Minha voz soou vulnerável, mas eu não conseguia tirar meus olhos dele. Ele releu a dedicatória enquanto os minutos se arrastavam dolorosamente até que eu não agüentei mais.

"Edward?"

Ele olhou para cima como se eu o tivesse tirado de um transe, mas seus olhos estavam contemplativos... escuros.

Definitivamente não era a expressão que eu estava esperando.

"Bella", ele disse, olhando de volta para o manuscrito encadernado. "Isto é muito."

Eu balancei minha cabeça. "Não é não." insisti. "Não é o bastante, de fato."

Ele me encarou como se eu tivesse cultivado outra cabeça. "Não é o bastante? Bella, eu tenho te provocado por meses sobre isto. Eu estava brincando. Realmente, eu estava."

Eu o encarei de volta. "Edward, eu preciso que você leia isto. Por favor."

Eu sabia que a conversa estava longe de acabar, mas ele deixou o assunto morrer, me beijando suavemente em agradecimento.

"Agora eu posso te dar o seu presente?"

Eu mordi minha língua para não acabar dizendo que eu não precisava de nada e observei curiosa, Elizabeth se levantar, sorrindo antes de afastar resmungando alguma desculpa. Eu estranhei quando Edward não lhe disse nada em resposta e me dei conta de que ela sabia o que eu iria ganhar e estava nos dando alguma privacidade.

"Antes que você diga qualquer coisa, apenas se lembre que eu tinha que te dar alguma coisa."

"Essa é uma boa maneira de começar, "Eu brinquei, mas rapidamente voltei a ficar quieta ao ver sua expressão.

"E lembre-se que eu te amo, e que eu te daria a lua se eu pudesse, mas..."

"Edward", eu o interrompi suavemente, fazendo-o parar de divagar. Ele riu nervosamente, batendo o pé no chão enquanto me entregava uma caixa de forma estranha, como uma caixa de anel.

Eu sabia que era estúpido, mas meu coração parou antes de voltar a bater aceleradamente à medida que minhas mãos abriam a caixa. Eu não estava pronta para casar, mas por outro lado, eu não queria desapontá-lo. Eu não podia dizer não, mas eu não podia aceitar a proposta. Eu não estava pronta.

Eu abri a caixa, deixando escapar um suspiro ao ver que não era um anel de diamantes apoiado no veludo. Ao invés disso, havia um pequeno anel prateado e eu o reconheci imediatamente como aquele que eu havia visto na loja de jóias.

"Isto é..." Eu o apanhei com cuidado, com medo de que ele se partisse quando eu o pegasse.

"É um anel de Claddagh", ele explicou, estendendo sua mão. Eu pousei o anel suavemente ali e ele pegou minha mão direita, deslizando-o pelo meu dedo.

"A lenda diz que um jovem da aldeia de pescadores de Claddagh foi capturado há muito tempo e vendido como escravo. Anos se passaram, e ele se perguntava se o seu verdadeiro amor iria esperar sua volta. Ao longo dos anos, ele roubou pedacinhos de ouro de seu mestre para fazer um anel para ela."

Eu olhei para baixo, acariciando os padrões complicados enquanto absorvia suas palavras.

"Ele formou um coração para o amor, uma coroa para a lealdade, e as mãos entrelaçadas como símbolo da amizade. Depois de muitos anos ele voltou para Claddagh e descobriu que seu verdadeiro amor tinha realmente esperado por ele e então lhe deu o anel como um símbolo do amor, lealdade e amizade deles. E este ficou conhecido, para sempre, como o anel de Claddagh."

Eu o girei em meu dedo, sabendo que nunca seria capaz de tirá-lo dali. Era lindo e vindo de Edward, o fazia ainda mais especial.

"Você é minha melhor amiga, Bella. Eu nunca tive alguém que me aceitasse por quem eu sou, apesar de toda a bagagem e tudo mais. E eu te amo... muito. Eu apenas espero que você espere por mim."

Eu finalmente tirei meus olhos do anel, encarando Edward novamente. "Sempre." Eu disse antes de me jogar em seus braços. Ele riu enquanto eu apertava meu rosto em seu peito; a prata do anel refletindo nas luzes coloridas da árvore.

"Obrigada." Eu disse, tentando passar toda a emoção que eu sentia naquela simples palavra. Edward colocou uma mão sob o meu queixo, inclinando minha cabeça para cima de modo que eu estava novamente olhando para ele. Eu colei nossos lábios, em um beijo casto, não querendo forçar as coisas. Hoje seria um bom dia.

"Eu não terminei", ele sussurrou. Eu comprimi meus lábios, cruzando os braços.

"Edward Masen, o que eu lhe disse sobre presentes de Natal?" bufei.

"Seja boazinha", ele pediu, me movendo de modo que eu estivesse novamente sentada ao seu lado.

"Você está me fazendo sentir extremamente inadequada agora." Eu murmurei quando ele pegou outra caixa, ainda menor que a do anel e me entregou.

"Abra."

Eu olhava para ele enquanto abria a caixa, sem nem olhar para o que esta continha, até que eu vi as gotas de suor surgindo próximo ao seu couro cabeludo. Sua boca estava ligeiramente aberta, o rosto vermelho, e seus olhos estavam arregalados de espanto.

"Olhe."

Eu suspirei, olhando para a caixa, mas minha careta desapareceu lentamente assim que eu vi a pequena chave. Parecia tão pequena e insignificante contra o fundo de papelão, mas o significado estava brilhantemente claro.

Eu não sei quanto tempo eu passei olhando para ela antes de colocá-la em minha mão estendida, traçando seu contorno. Cada linha individual, as fendas, a superfície lisa do metal...

"Eu sei que provavelmente é muito cedo", Edward resmungou, mas eu não pude olhar para ele, para checar se ele parecia tão apavorado quanto eu. "Mas... eu não posso mais ficar longe de você."

Eu reconheci aquelas palavras como as mesmas que ele havia me dito, naquele dia, em setembro, quando ele me disse, pela primeira vez, que me amava.

"Eu não sei o que eu estou fazendo; eu já lhe disse isso várias vezes. Eu não sou o mais romântico, ou o mais esperto, ou experiente quando se trata de relacionamentos. Eu te machuquei, reneguei, e eu não mereço você."

Eu abri minha boca, mas ele levantou um dedo, me pedindo que o deixasse terminar.

"Mas já que por algum milagre divino você está comigo, eu quero aproveitar isso. Eu não sei quando você vai perceber que você merece muito mais do isso, mas até lá, eu quero você ao meu lado. Eu quero acordar todos os dias ao seu lado, sem ter que ficar pensando quando vou poder te ver entre suas aulas e o meu trabalho."

"Edward..."

Eu o estava interrompendo mais uma vez. "Venha morar comigo, Bella. Por favor. Eu não posso mais suportar a idéia de não te ter lá comigo."

Meus pensamentos estavam nebulosos e confusos enquanto eu tentava pensar logicamente em minha resposta. Eu sabia que queria gritar sim seguidas vezes, até estar sem voz, mas eu precisava pesar as conseqüências dessa decisão.

"Por favor", ele repetiu, com os olhos queimando.

Oh, Deus.


Oláaaaaaaaaaaaa, alguém vivo por aí? Ushuahsuahsuahus Prontinho, aí está finalmente a troca de presentes que todos estavam curiosos sobre... e então, o que acharam? E aí, o que vocês acham que a Bella irá responder? Será que ela vai aceitar mudar para a casa do Edward? E como a Alice ficará em toda essa história? Que tal vocês me enviarem reviews contando o que acharam do capítulo e quais as teorias para o próximo? Eu só tenho uma coisa a dizer... o drama não está mais tão longe assim... *corre das leitoras com machadinhos como o de cortar a árvore correndo atrás de mim* =D

Bem, vamos as respostas das reviews que não puderam ser respondidas por e-mail:

Yara: oi flor... pois é, eu também chorei! O capítulo passado e esse foram os dois mais lindos, na minha opinião até agora... assim como o da carta, que como eu já disse antes, mexeu muito comigo! Espero que tenha gostado. Bjussss

Cris0407: oi flor, brigadinha pelo elogio viu? Espero que tenha gostado deste também! Bjussss

Sayuri: Oi flor, e então, o que achou dos presentes? Correspondeu à sua expectativa? Bjussss

Helo Zanon: Oi flor... pronto, finalmente a cena da troca dos presentes. E então, o que achou? Bjussss

Elaine: Oi flor... *abraça* tudo bom? Aí está, mais um capítulo quentinho... e pra mim, tão emocionante quanto o anterior. Bjussss

Bianca: pronto flor, mais um capítulo para acabar com a sua agonia rsrsrsrs Espero que goste. Bjussss


Pronto, aí está. Bjinhos e até o próximo! Ah, e claro, não esqueçam das reviews!