Capítulo 25 – Guarda-chuvas e Cicatrizes
Kamus – Me atrasei?
Mu – Não, ninguém desceu ainda.
Kamus, que acabava de voltar da cidade, deixou o guarda-chuva de lado e foi se recostar na mureta onde Mu se debruçava para olhar a chuva. Foi então que notou o olhar distante e desanimado do ariano.
Kamus – Vous está bem, Mu?
Mu – Eu acho que sim… não tenho muita certeza.
Kamus – O que aconteceu agora? Shaka de novo?
Mu – Parece que ele tá voltando ao normal, pensando com coerência de novo, só que de uma forma um pouco mais… aberta (?) do que ele vinha sendo antes.
Kamus – E qual a parte ruim disso?
Mu – A parte ruim é que ele percebeu alguma coisa que… o mantém sendo um ótimo melhor amigo. E não era isso o que eu queria, você sabe. Não era o que eu pensava que poderia acontecer, a resolução que poderíamos ter caso ele entendesse o que vinha acontecendo. Eu me surpreendi duas vezes, uma por vê-lo novamente agindo como a pessoa por quem eu me apaixonei e a outra por ele ter dispensado de modo gentil – e muito claro – qualquer expectativa romântica entre nós.
Kamus – Oui? Ele fez isso?
Mu – MUITO claramente. E disse para não tomar mais nada do que ele faça como provocação, que qualquer coisa, uma dúvida, poderia apenas perguntar a ele.
Kamus – Isso… soou estranho, non acha?
Mu – Acho que soou exatamente como devia soar. Acho que ele só não quis dizer com todas as letras.
Nesse momento, Dohko e Aioria chegaram, debaixo dos guarda-chuvas.
Dohko – Olha, eu sabia que gatos não gostavam de água, mas não pensei que fosse tanto…
Mu – Ahm?
Dohko – Deu o que fazer pra trazer esse aqui só por causa dessa chuvinha…
Aioria – Não sou um gato, sou um leão!
Dohko – Aham, to vendo mesmo. E já pode sair de baixo do guarda-chuva, já estamos dentro de casa…
Aioria – Ah, é, né… - Deixaram os guarda-chuvas de lado, indo para perto de Kamus e Mu.
Kamus – Agora é esperar os atrasados de sempre…
- Num tem atrasado nenhum, não! – A voz sempre alta do escorpiano alcançou os amigos assim que ele entrava no templo, também deixando o guarda-chuva de lado. – Só que nós vamos ter que ensaiar sem o vocalista hoje…
Dohko – O que aconteceu com Shaka?
Miro – Nada, ele só tá meditando, e como fazia tempo que ele não meditava tão em paz, eu achei melhor não chama-lo.
Dohko – Foi uma boa decisão. Bem, vamos reorganizar o modo do ensaio de hoje, então.
…
Após o ensaio, que tinha decorrido anormalmente calmo, Kamus não sabia muito bem como tinha acabado subindo junto com Miro de volta. Provavelmente porque Dohko e Aioria tinham preferido ficar com Mu na casa de Touro, já que lá tinha cheiro de janta preparada pelo Deba.
O francês não tinha a menor vontade de abrir a boca depois do ocorrido pela manhã, mas aquele dia vinha sendo inteiro anormal e tinha lá suas dúvidas do motivo. Continuou sem falar porque preferia descobrir por outros meios, como fofocas do Afrodite, frequentemente funcionava. Quem abriu a boca, pra variar, foi o sempre discursivo escorpiano.
Miro – Escuta, Kamus…
Kamus – Oui?
Miro – Me desculpa por hoje de manhã. Nunca mais vai acontecer qualquer coisa daquele tipo, então… só não precisa ficar preocupado quando for passar pela minha casa, eu não vou mais incomodá-lo. No final das contas, acho que precisava daquilo pra acordar, mas um tapa na cara também teria funcionado. Então, realmente, ao menos por hoje de manhã, me desculpe.
Kamus – Non é novidade vous vir pedir desculpas por algune besteira.
Miro – Olha, eu ainda acho que quem devia se desculpar por muita coisa, era você, mas… sabe, não faz diferença. Não vai mudar nada. E eu não quero – e não vou – ficar brigando por isso. E mais uma coisa… dá pra esquecer a metade do que eu disse hoje de manhã? Porque só uma parte é como eu realmente me sinto… a outra foi um impulso amargo pela primeira parte…
Kamus – Qual parte é o que vous realmente sente, Miro?
Miro – A parte da mágoa por você não ter confiado e acreditado em mim.
Kamus – E qual a parte que vous quer que je esqueça, que non é real, então?
Miro – A que eu disse que ainda te amava. Eu fiquei apegado na raiva pela nossa amizade quebrada pela sua falta de confiança. E não por qualquer amor.
Kamus – Ah, agora, depois daquele agarro sem o mon consentimento e de entupir os mes ouvidos com choses que je non queria ouvir, vem me dizer isso? Pra quê, Miro?
Miro – Não é pra ficar bravo, eu não quero brigar, pelo menos não hoje, eu acho que eu to… sei lá, tentando me explicar de alguma forma…
Kamus – E por que vous teria que se explicar a moi?
Miro – Porque tinha UMA coisa na qual você estava certo. Você me disse pra ir atrás do Shaka já que era ele que eu queria tanto. Era nessa.
Kamus – E ainda acha que je non tinha razão em non confiar em vous?! Je sabia!
Miro – Kamus, como raios você sabia de uma coisa que nem eu mesmo sabia?!
Kamus – Ah, non? – Ergueu uma sobrancelha, irônico.
Miro – Não. Porque isso não foi desde o começo. Acho que foi o processo todo das últimas semanas, meus sentimentos mudaram e aquela situação desagradável que eu criei entre nós hoje de manhã me empurrou a levar a sério as coisas que eu vinha sentindo…
Kamus – Vous está bem diferente…
Miro – Não sei, acho que não muito, que algo começou a mudar agora apenas, mas foi algo muito forte. O que está muito diferente é somente o tom da conversa.
Kamus – Se vous diz…
Terminaram a escadaria que separava Leão e Virgem e adentraram ao sexto templo. Miro deixou o guarda-chuva de lado, secando aberto no chão, enquanto seguia pela casa.
Miro – Bem, eu vou entrar agora. Boa noite, Kamus.
Kamus – Bonne nuit. - O francês observou enquanto o escorpiano passava para o corredor que dava no lado particular da casa. "Que seja… fui eu mesmo que disse que ficasse com ele de uma vez então…" Terminou de atravessar a casa e prosseguiu a subida… mas não tinha aberto de volta o guarda-chuva. "E ainda disse ao Shaka para fazer bom proveito… o entreguei com todas as letras num acesso de fúria… Mas é verdade que Miro vinha bem triste desde o dia do Drive-in, e cada vez que ele via ao Shaka, bem mais triste do que ele, ficava suspirando aborrecido. Talvez ele tenha mesmo pensado que estava só preocupado com um amigo… a diferença é que o Dite estava muito mais amuado e, embora Miro sempre demonstrasse se importar, não pegava fundo daquele jeito nas próprias emoções. Quando terminei tudo na frente do Shaka, ele não veio atrás de mim… ficou lá… ficou lá porque Shaka é importante e eu estive certo todo o tempo em pensar que… Mon Dieu, quanto besteira. Ao final das contas, existia só uma coisa na qual eu estava errado: em achar que Miro era um homem das bagunças e indecências, um pervertido que cairia em qualquer gandaia por aí… As bagunças e indecências dele são com e para uma pessoa só. Não era libertino como eu pensava… Ele só queria alguém que o quisesse do jeito louco que ele é. E Shaka o quis, quando ainda era aquele monge moralista e difícil de conviver pra quase todo mundo, viu algo no Miro que certamente foi bem diferente do que qualquer um via… e desejou o que ele viu. Bem, parece que foi tão correspondente às expectativas dele que continuou e continua querendo tanto a ponto de ter deixado de lado qualquer possibilidade de romance com o Mu… Pobre Mu… Certamente entre nós, ele era o único que não merecia nenhuma dessas dores…"
…
Quando o aquariano passou por Capricórnio, encontrou-se com Afrodite na saída, que acabara de se despedir de Shura e prosseguiram a subida juntos.
Dite – Kamucho, por que você não tá abrindo o guarda-chuva? Ta aí, se encharcando todo…
Kamus – Porque estou feliz é que non é.
Dite – Ai, credo, mas é um pinguim de geladeira, mesmo, que humor horroroso!
Kamus – Non entendo mais nada do que acontece em ma vida. Tento colocar as coisas nos eixos, mas tudo dá errado, com duas pessoas, no mesmo dia, por causa da mesma…
Dite – Carma ruim, isso, credo. O que exatamente aconteceu?
Kamus – Mon "carma ruim" tem nome, mon dieu, nunca imaginei que aquele "santo" recluso um dia seria une pedra no sapato!
Dite – Que você está falando do Shaka, eu já sei, né, bem? Esqueceu que eu estava com você no dia que tudo começou? Quando ficamos sabendo do beijo e do encontro do Carlo com o Mu e aquela bagunça toda…
Kamus – É verdade. Isso também começou machucando a vous…
Dite – Tá, mas não foge do foco, eu perguntei o que exatamente te aconteceu?
Kamus – Bien… depois de virar a minha vida do avesso e criar todo o caos e transtornos que pôde nela, agora Miro vem me dizer que non me ama, ao menos non mais, se é que um dia amou, que todo o tempo ele estava mesmo olhando para o Shaka…
Dite – Ah… - Afrodite suspirou e olhou escada acima, talvez não encontrasse o que dizer. – Isso… foi uma briga de vocês?
Kamus – Non. Miro está estranhamente calmo. Ele non oscilou pra me dizer nada disso, mas também non demonstrou nenhuma hostilidade. Era apenas o que ele tinha a dizer. E acho que non sei lidar com a calma dele… porque é provavelmente a única coisa que non sei o que significa.
Dite – Significa que ele se encontrou. Fui eu quem falou com ele quando ele percebeu que… que era mesmo o Shaka pra ele. Do jeito que ele estava, não dava mais pra empurrar, as brigas e problemas que as irresoluções estavam causando, estavam destruindo vocês… e a nós atados à vocês de alguma forma. Eu tenho minhas culpas e acho que todo mundo tem. Mas pelo menos um parece que encontrou por onde começar a consertar as coisas.
Kamus – Non sei o que je teria que consertar, se todo o tempo je disse que o problema era o Miro não desgrudar os olhos do ex enquanto namorava com moi e isso realmente estava acontecendo.
Dite – Difícil, né? O ex dele é um chato 90 por cento do tempo com todo mundo, mas foi carinhoso pra ele, bem quando ele já estava mesmo desencanando de você por nunca rolar nada, então você foi um chato pra ele 90 por cento do seu tempo juntos, e nem vem falar que não foi, porque você sabe que esteve insuportável. E provavelmente o que ele não conseguia tirar do "ex" não era bem os olhos, era o coração, e foi você mesmo que o levou a entender isso.
Kamus – Se ele já estava se apaixonando pelo Shaka desde o início, o que je poderia ter feito, então? Já non estava tudo perdido?
Dite – Você poderia ter sido o amor que você mesmo disse que queria ser.
Kamus – E vous está me dando bronca?
Dite – Eu queria que alguém tivesse me sacudido pela quantia de escândalos e pensamentos fora de controle antes, eu não sei quanto tempo eu perdi por ficar deixando meus medos e paranoias serem maiores do que os meus motivos para ser forte. Pensa em tudo o que você perdeu por deixar os seus medos e paranoias serem maiores do que os seus motivos para ser amável. E não repete isso, Kamucho.
Kamus - Très bien, levei une bronca de um peixinho dourado…
Dite – E eu vou terminar a subida, porque você precisa de um banho quente e vestir algo SECO. Se você precisar de alguma coisa, eu to aqui do lado, você sabe.
Kamus – Merci.
…
Shaka despertou de sua meditação. Constatou logo o quão tarde era. Desde que estivera inteiramente calmo, apenas poderia prosseguir meditando, então não sabia bem o que havia lhe chamado atenção. Levantou-se e deixou o salão, puxando melhor o lenço sobre as costas quando a brisa mais fria percorreu o corredor. Ainda chovia e o som agradável combinava com o cheiro de chá que pairava pela casa. Não se lembrava de ter feito chá. Mas um certo cosmo adormecido lhe dava a pista de quem o teria. Foi até a sala onde estivera descansando pela tarde e encontrou a pequena chaleira que ainda exalava a fumaça quente e duas xícaras sobre a mesinha próxima as almofadas, onde jazia um escorpiano adormecido. Foi sentar-se a beira das almofadas, acariciando os cabelos bagunçados do grego, que acabou despertando.
Miro – Oi, loiro lindo. Incomodei sua meditação? – Perguntou, sonolento.
Shaka – Não, de maneira alguma. Ficou me esperando esse tempo todo?
Miro – Eu saí pro ensaio. Corrigimos algumas coisas nas músicas e logo voltei. – Sentou-se, puxando o indiano para junto de si.
Shaka – Foi tudo bem?
Miro – Sim. Aioria mandou algum material pra você olhar depois.
Shaka – Está bem. Esse chá com cheiro bom é pra mim?
Miro – Eu juro que não baguncei sua cozinha pra fazer!
Shaka – Eu vou tentar acreditar em você e beber tranquilamente antes de ir inspecionar minha cozinha… - Riu-se enquanto enchia as xícaras. Entregou uma ao grego e bebericou a outra. – Era tudo o que eu queria.
Miro – Pensei que queria a pessoa que fez o chá também…
Shaka – Já tenho, não tenho?
Miro – Todo seu. – Beijou os lábios do virginiano de leve, o gosto doce do chá lembrou o primeiro beijo, uma memória bem vinda e que queria guardar pra sempre. – Assim é do melhor jeito…
Shaka – O quê?
Miro – O gostinho do chá… é o sabor que mais combina com você.
Shaka – Você começou a ficar muito fofo, devo ter medo disso?
Miro – É ruim?
Shaka – De jeito nenhum. Pode continuar, por favor.
Miro – Eu com certeza vou. – Dividiu o momento do chá com o indiano em silêncio por um tempo, uma das mãos na xícara e a outra acariciando os suaves fios dourados pelas costas. – Você tá tão calmo que dá pra sentir até no mais sutil fluir do seu cosmo. Acho que foi bom ter te deixado quietinho meditando.
Shaka – Você não percebeu como você mesmo também está calmo?
Miro – Eu não sou um monstrinho hiperativo! (Bem, talvez eu seja). Acredito que o seu emocional tá influenciando o meu emocional… bastante.
Shaka – Quando você me disse que há pessoas que se importam e que sofrem aos nos ver sofrer, naquele dia na escada…
Miro – É, eu estava falando de mim, sim. Ver você triste, me fazia ficar triste. Eu acho que teria entendido o que é DOR mesmo… se tivesse percebido o que realmente sinto por você só depois de ter te perdido…
Shaka – Mas não perdeu. Então não precisa pensar mais nisso.
Miro – Teria ficado uma cicatriz enorme.
Shaka – Miro, para. Eu estou bem aqui com você.
Miro – Desculpa. Eu acho que mesmo assim, eu tenho uma cicatriz. E vai doer às vezes, só não quero que você fique aborrecido comigo por isso…
Shaka – Sobre o Kamus?
Miro – É. É um incomodo que fica lá no fundo, mas que eu sei que vai voltar de vez em quando. Não dá pra apagar da noite pro dia, mas uma hora isso vai se aquietar.
Shaka – Eu não estou te cobrando pelos seus sentimentos. Você não precisa ficar se desculpando por eles. Dê tempo a si mesmo para o seu próprio coração se curar. Eu estou aqui todo o tempo com você e por você.
Miro – Isso inclui que eu posso dormir aqui abraçadinho com você hoje também?
Shaka – Miro… você é muito abusado! Mas… não é como se eu não quisesse que você ficasse… em verdade, quero… então, sim, isso inclui também. – Afagou os cabelos do grego enquanto prosseguia seu chá. – Vamos terminar o chá e vamos pra cama, sim? Não precisamos dormir aqui no cantinho a noite também…
Miro – Sim, vamos pra onde você quiser…
…
Na tarde do dia seguinte, Kamus e Dohko foram os primeiros a chegar em Áries para o ensaio. Conversaram amenidades por alguns minutos esperando aos demais, Dohko observando os sentimentos pesarosos que ambos os mais jovens carregavam, de maneiras distintas.
Pouco depois, Aioria chegou junto do casal, numa conversa animada. Mu observou a tamanha tranquilidade que Shaka demonstrava, mesmo o seu riso era gentil e alegre, e não exagerado como algumas vezes parecera nos últimos tempos. Suas roupas, equilibradas entre o Shaka de antes e o vocalista de banda. Sua mão esquerda, passada pela cintura do escorpiano e apoiada com um dedo no passador do jeans do… namorado? Devia ser.
Kamus não evitou de reparar na expressão brincalhona que Miro tinha para o amigo leonino, vez ou outra ria com o rosto quase inteiro enfiado nos cabelos do indiano, enquanto seu braço circulava as costas do mesmo de modo protetor e a mão repousada no ombro prosseguia uma carícia incessante. Lembrou-se do que Mu contara sobre não levar mais nada como provocação. Portanto, poderia concluir que, levando isso a sério, aquele realmente era o modo dos dois um com o outro. Tranquilo, alegre, gentil, carinhoso e muito a vontade sobre afeto em público. Tentou se lembrar de um dia sequer em que tivesse sido assim quando era a si mesmo quem estivera com Miro. Costumava sempre e sempre repelir ao modo do escorpiano, ao qual chamava de "muito grudento e carente" e falar sobre o quanto achava desnecessário e desconcertante ficar mostrando afetos públicos, que preferia a reserva e "os momentos certos". E teve certeza de que Miro preferia MESMO aquela pessoa com a qual os momentos certos de amor e carinho eram todos, o dia todo, em quaisquer gestos. Faziam parte de viver. "Será que se tivéssemos continuado, eu saberia ser assim com ele? Ou viveria ainda perdendo os momentos preciosos desse carinho?…"
Todos se cumprimentaram ao terminarem de entrar na casa e ajustaram os instrumentos.
Aioria – Ei, pessoal, podemos começar com Black Label? Faz um tempo que to esperando por isso, hehe.
Dohko – Mas você já quer ficar bêbado antes mesmo de tocar?!
Aioria – Não a bebida! Black Label Society, a banda!
Dohko – Ah, bom, assim, sim.
Miro – Certo, então vamos pela escolha do leãozinho de pelúcia hoje! – Aioria ficou tão feliz com a música poder ser tocada que nem lembrou de reclamar do "leãozinho de pelúcia".
Os instrumentos soaram mais suaves do que costumavam nos ensaios anteriores. E pra quem ainda não sabia muito bem como seria ver Shaka ao seu eu "de sempre" cantando depois de todas as reviravoltas, a resposta vinha com a voz sempre harmoniosa e firme, entregue à música, conduzido pelo som e demonstrado pela letra.
Say your peace
For I'll be on my way
One last look, nothing left to say
As I turn my back, to walk away
I shall forgive
But I won't forget that day
For every sky that shines
Shall meet the pouring rain
For my will shall never break
Though it may bend
Like the scars that heal
Yet never mend
Talvez fosse só impressão, mas o loiro parecia ainda mais conectado com o pequeno universo que a música formava ao seu redor. Seus olhos permaneciam fechados na maior parte do tempo, porque não havia nada diante de si que quisesse enxergar. O que queria, estava em seu interior. Lembrou-se do primeiro ensaio e da frase que o fizera nunca recuar sobre cantar: "Eu acho que amo a sua voz." E tudo tinha virado do avesso muitas e muitas vezes depois daquilo.
When lies become truth
Well, you've got your beliefs
No burdens on your mind
They're buried beneath your feet
As I turn my back, to walk away
I shall forgive
But I won't forget that day
For every sky that shines
Shall meet the pouring rain
For my will shall never break
Though it may bend
Like the scars that heal
Yet never mend
…
Notas: Música – Scars – Black Label Society
