Mentiras (repostado)

Caso estivesse numa boa distância ou quem sabe nas aldeias próximas, podia se ver o clarão alaranjado e quente invadindo a madrugada congelante junto com o poder do vento vindo da Tessaiga. Caso alguém tivesse a ideia de ajudar os habitantes daquele lugar deveria estar pronto para duas situações que poderia lhe acontecer, acabaria sendo ferido ou até mais do que isso.

Era isso que Miroku e Sango viam, eles estavam tomando distância da aldeia enquanto lutavam contra youkais que ameaçavam os humanos que Kaede e Kikyou os levavam para um lugar longe e seguro da confusão, Kirara e Ah-Un estavam no ar levando os que tinham mais dificuldades em fugir o mais rápido com as crianças no torso. Volta e meia as flechas de Kikyou brilhavam no ar, purificando o máximo de youkais que voavam assim ajudava um pouco o grupo que ficaram na parte de trás. Apenas InuYasha havia ficado na aldeia para lutar contra Naraku, entretanto sabia que eles voltariam imediatamente assim que tivessem certeza de que os aldeões estejam a salvos, era só questão de tempo.

Na aldeia InuYasha tentava ajudar os aldeões que ficaram para trás e tentavam se defender dos youkais, quando o hanyou fazia essa boa ação usando a Ferida de Vento destruía as cabanas que ainda estavam de pé e pegando fogo. O que seria uma morada ao ser comparada com a vida? Usava esse lema por enquanto.

Pelos cantos dos olhos ele via o túnel de vento de Miroku ser usado para diminuir na batalha e o bumerangue feito de osso de Sango voando pelo o céu escuro para abater os youkais que seguiam Kirara, ou melhor, Koraku. Todos sabiam do porquê Naraku aparecer de repente. O fragmento da joia que estava em Koraku.

- Deve estar muito preocupado com seus amigos. Será que conseguiria me vencer com tantas distrações? Ou seria melhor que a sua alfa estivesse aqui para orientá-lo? - riu ao escutar um rosnado antes de uma Ferida de Vento ser usada como resposta, achava engraçado ver a perturbação estampado no rosto do hanyou já que a barreira em volta de si ainda estava intacta e tanto Naraku e Kanna ao seu lado estavam a salvos.

- Não preciso de Kagome para acabar com a sua raça! - praguejou cortando ao meio um youkai que se intrometera na sua frente.

- Acho que está enganado.

Naraku elevou seu youki fazendo os youkais fracos pararem de atormentar as pessoas que ficaram para trás para atacar apenas InuYasha. Naraku gostava da habilidade de usar os amantes burros e loucos por poder para conseguir o que queria, não precisava de muito para manipulá-los.

- Você é um covarde, usa esses sem cérebro para fazer o seu trabalho sujo. Venha me enfrentar!

Naraku pouco ligou para a irá do adversário, pois tinha que desviar de uma flecha cheia de reiki mandada pela Kikyou, mesmo ela longe da aldeia Naraku podia ver raiva nos olhos castanhos dela. Seria um dom que causava nos outros? Não sabia, mas gostava muito disso, não tanto quanto a destruição podia causar, principalmente se for ele causando.

Outro ataque foi lançando pela Tessaiga, não podia negar que achava admirável a persistência e a teimosia idiota do hanyou, assim que o efeito do ataque passou, ele notou no que InuYasha estava pensando. Em instantes a katana ficou vermelha antes dele pular para destruir a barreira de Naraku. Mas não teve sucesso no que pretendia já que um youkai urso apareceu e o puxou para baixo.

- Foi inteligent... O que é que estou dizendo?

Naraku se sentia muito feliz e confiante, afinal estava presenciando aflição e raiva do hanyou que lhe deu dor de cabeça deste que apareceu em seu caminho, entretanto não era nada comparado com a intromissão da sacerdotisa que não estava na batalha.

Até aquele momento. O som de destruição e gritos dos humanos eram como música para seus ouvidos e tudo estava indo de acordo com o seu plano.

Seus olhos vermelhos procuraram pelo o motivo de estar ali e o viu em cima do gato de fogo, era só pegá-lo para si. Deixou que os youkais mantivessem o hanyou ocupado e voou para eles. Em questão de segundos Naraku estava na frente deles com um sorriso perverso, o coro assustado dos humanos abaixo dele e do que estavam no torso do animal o anunciou.

O túnel de vento do monge foi ativado e foi em sua direção no exato momento que a exterminadora lançou o bumerangue para afastá-lo, mas os youkais influenciados pelo o seu miasma se colocaram na frente para protegê-lo.

Sabia que eles protegeriam Koraku, era de esperar. Por serem previsível era fácil enganá-los.

- Sabem o que eu quero. Principalmente você, Koraku. Vim buscar o que me pertence. Mas...

Kirara lançou fogo em Naraku e desceu para esconder Koraku. Ao chegar no chão as pessoas já tinham fugido rapidamente do confronto se espalhando para a floresta, apenas ficou os membros do grupo cercados novamente.

- Sabe, eu sinto falta de algo. Acho que é paixão pela luta que vocês sempre têm. Agora noto o que é a falta de um líder.

Se calou quando diamantes foi lançando em sua barreira, embora a força do poder de Tessaiga ser grande não foi o suficiente para deixar um arranhão sequer. Inuyasha apareceu e ficou diante dos amigos, o mesmo tinha aberto caminho e deixando a distração para trás, afinal seu problema era apenas com hanyou desprezível. Odiava a arrogância e confiança que ele tinha, como se não fosse possível acabar com a sua raça, estava ansioso para provar o contrário.

O zumbido de asas batendo apareceu e ficou mais fortes com o passar do tempo. Miroku colocou imediatamente as contas de selo em volta da mão. Não queria e nem podia ser envenenado no momento. Os insetos voaram para Naraku e soltaram os fragmentos na palma da mão dele. Os pedaços da joia ficaram negras antes de serem absorvidas na pele, foi nesse momento que Kikyou lançou mais uma de suas flechas, ela penetrou na barreira, mas Naraku desviou a tempo.

- Tentando matar alguém distraído, isso não é nada bonito, principalmente para uma miko.

- Como se eu me importasse. Eu quero é sua morte!

- Ser odiado ou não ser? - falou sarcasticamente olhando de novo para cada fragmentos entrar na pele. Sentia eles unido dentro de si e lhe dava mais força. - Prefiro ser odiado.

Na sua declaração os youkais os atacaram de uma vez, os deixando bastante ocupados. Era o momento perfeito.

Seus tentáculos saíram de suas costas e foram a procura do seu alvo. Um certo filhote de raposa. Escutou um grito desesperado infantil ao ser apanhado e sentiu o debater nos tentáculos junto com uma sensação de algo quente, fechou ainda mais em volta dele a ponto de estar imóvel. Tinha um sorriso maligno e olhos em diversão quando o trouxe para dentro da barreira, prometia muita dor. A sensação só aumentou quando os grandes olhos verdes brilhantes e marejados mostravam medo.

- Quieto, não vou machucá-lo... Não agora.

Isso não acalmou nem um pouco já que o fez chorar alto. Shippou chamava pela mãe.

- Solte Shippou, agora! - ordenou InuYasha.

O grupo estavam tão concentrado de que o alvo era Koraku que o defendia de tudo e não entenderam o porquê do Shippou ser pego.

- O que vai fazer, InuYasha? Não consegue me machucar com esse pedaço de ferro. Nenhum de vocês podem!

Um último inseto voou em sua direção e soltou o fragmento. Quando o pedaço foi absorvido, Naraku percebeu um detalhe e pelo o olhar de Kikyou, ela também sabia.

Era o momento que tanto esperava.

Kagome acordou de repente com sua respiração estando errática, sabia que tivera um horrível pesadelo, mas não se recordava do que se tratava porque o terrível pressentimento que sentiu de manhã retornou junto com a vibração dos fragmentos. Sentia que algo horrível tinha acontecido.

Sentou-se rapidamente e se concentrou nos fragmentos. Precisava saber, precisava ter certeza.

- O que aconteceu, Kagome? - apesar de Sesshoumaru estar ao seu lado, a sua voz soava estar muito distante.

- Só resta um único fragmento. - disse baixo com a testa franzida cheia de preocupação ao constar o seu temor. Não podia ficar na sua Era, não mais. - Devemos voltar. Agora.

No que terminou de falar e saiu da cama correndo para pegar uma de suas mochilas na lavanderia, ela voltaria para a Era Feudal imediatamente.

Suspirou em irritação, o choro inacabável do filhote de raposa estava começando a lhe dar nos nervos, já não estava mais suportando os berros. Por isso que bateu forte na cabeça do pequeno que imediatamente desmaiou, o golpe tinha sido forte o suficiente para a presa de Shippou furar os próprios lábios e teve uma fileira de sangue pingando no queixo.

- Criança mal-educada, nunca o ensinaram que deve ficar em silêncio quando os adultos estão conversando. Vou falar isso com sua mãe, imediatamente. - disse alto só para ver as reações dos outros. Deu Shippou para Kanna enquanto os observava, gostaria de ver quando notarem o que ele faria.

Voou em direção ao tal poço, estava ansioso para saber onde aquela coisa levava. Percebeu que o pedaço da joia estava quase completo quando saiu de sua mão, faltava apenas duas partes, uma estava com Koraku e a outra estava com o seu brinquedo. Era o momento de visitá-la.

Se divertia com os berros de InuYasha em suas costas e nas tentativas inuteis de desviou de impedi-lo pelos ataques de Tessaiga, deve ter se livrado dos youkais novamente. Com a joia vibrando em sua mão, ele entrou no poço e em segundos uma luz azul o cobriu, a magia que existia no poço começou a queimá-lo, não era bem-vindo. Mas isso não o impediu de continuar caindo, suportaria as chamas invisíveis.

No que tocou no chão sentiu o cheiro de Kagome e de Sesshoumaru, eles não estavam longe, isso podia dizer.

Saiu do poço e destruiu a porta para seguir os aromas e descobrir mais aquele lugar estranho. Entretanto, ele se impediu de continuar porque havia ficado surpreso ao ver seus recepcionistas, o que realmente captou a sua atenção era as auras familiares deles.

Eram dois kitsunes, o maior tinha pelugem negra com chamas azuis nas patas e nas oitos caudas, o menor tinha o pelo ruivo com chamas em suas três caudas. Entre eles estava um inu branco maior que os kitsunes, seu rosnado era alto e intimidante. Reconheceu de imediato as marcas entre os olhos vermelhos e as listras no longo do focinho.

Fez uma estudada rápida na sua situação e seu um pouco de temor pela primeira vez. Afinal, que lugar era aquele que deixa os youkais mais fortes? Embora uma dúvida cresceu mais do que os questionamentos relacionados ali. Como alguém poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo? Já que o filhote de raposa ainda era o seu refém e estava escondido atrás de si com Kanna.

Outros rosnado do inu silenciou seus pensamentos, então sentiu mais auras e vinha da casa grande ao lado, podia dizer que eram de Kagome, de Sesshoumaru e de uma outra sacerdotisa.

Onde estava não era um lugar normal. Mas pouco lhe importava com essas novidades e complicações interessantes. Porque ele ainda tinha vantagem sobre eles.

Ainda se sentia cansada, mas o mal pressentimento que surgiu ao acordar fez quer o seu coração parar, embora o mesmo batia rapidamente como se estivesse corrido uma maratona inteira por causa da adrenalina. Então no meio do caminho para o seu quarto, sentiu os fragmentos vibrarem mais forte e o puxão familiar deles, então escutou um enorme estrondo do lado de fora seguido por trovões que pareciam muito com rosnados. Mal sabia o que pensar.

Sentiu o youki de Sesshoumaru estar mais forte e hostil, parecia que vinha de todas direções. Também sentia outras auras, eram mais fracas ao serem comparadas com do Senhor do Oeste. Mas não deixavam de causar medo.

A única coisa que podia imaginar, era que os youkais da cidade a tivesse sentido e quiseram saber quem era ou quem sabe pegar os fragmentos. Ainda achava impossível que tivesse youkais no seu tempo, afinal InuYasha podia tê-los tinha sentidos enquanto estava na sua época, não?

Sesshoumaru apareceu no alto da escada, tinha colocado a armadura e as katanas no lugar, estava pronto para batalha. Kagome engoliu em seco, pela primeira vez escutou a voz dos seus sentimentos do qual dizia para ele não ir, o queria seguro. Se xingou por descobrir na pior hora que estava apaixonada por ele.

Seguiu para o quarto e jogou a mochila sobre a cama. Andava pelo quarto, pensando afastar os pensamentos sobre ele naquele momento, se ao menos tivesse levado suas armas consigo não seria um estorvo para Sesshoumaru. Lá estava ela pensando nele de novo.

- Fique aqui.

- O quê? Claro que não!

Seus olhos azuis se arregalaram ao sentir outro youki e o puxão familiar que os fragmentos faziam com ela ficarem mais forte, em instante a ideia mais impossível começou a lhe atormentava juntamente com o miasma que invadiu a casa, aquilo foi a confirmação da ideia maluca. Como ele estaria ali, não sabia, mas sabia que tinha que derrotá-lo, não podia permitir que estivesse solto em sua Era.

Nara invadiu o quarto, estava de pijama e segurava um arco e uma katana.

- Quem é esse?

- Naraku. - disse Kagome.

Nara segurou a respiração, sequer tinha a noção da magnitude do perigo que sua filha estava passando no passado e o relato dela não chegou perto do que sentia em sua energia, porque o youki dele fazia o seu corpo inteiro se formigar só para se purificar. Entregou a katana para Kagome com o olhar determinado, algo totalmente raro nela.

Assim que a miko tocou no cabo sentiu o chamado da katana e ficara surpresa ao tirar a espada da bainha, seu reiki a cobriu por completo fazendo a lâmina ter um brilho fraco.

Soube que ela era a sua, a mesma que tinha deixado no passado.

- Como?

- Ela sempre esteve no templo, a espera da verdadeira dona.

Depois que Nara falou, foi para o quarto do filho tinha que protegê-lo junto com o sogro. Os deixando a sós, Kagome apertou o punho no cabo, se sentia pronta.

- Agora estou pronta.

- Você não vai. - interviu Sesshoumaru.

- Como assim? Você não irá me impedir! É Naraku que está lá fora e pelo barulho que ouvimos, posso dizer com toda certeza do mundo que estar tendo uma guerra em frente de minha casa. Eu irei defender meu lar e finalmente corrigir o meu erro! Apesar de tudo do que eu sinto, você não vai me deixar aqui para lutar sozinho contra eles. Eu vou, quer esteja ao meu lado ou não!

Decidida passou por ele, não o queria ali. Sabia que ele era extremamente forte, mais do que ela, mas não conseguia impedir o seu medo falar mais alto dentro de si, o queria no passado e seguro. Achou a ideia absurda, ela com medo de perder aquele youkai arrogante e frio, que provou ser alguém misterioso quando estavam a sós, deste que deu atenção a atração que sentia não sabia mais o que pensar.

Saiu da casa, a luz da cidade iluminava terrivelmente o templo, mas dava para enxergar o que ocorria no pátio do templo, três youkais caninos de grande porte ou até maior que sua casa, lutavam contra Naraku que estava em sua típica barreira e usando os tentáculos para se defender ou até para pegar alguém desprevenido.

Kagome teve vontade em vários momentos em colocar as mãos contra os ouvidos para suportar o uivo e os rosnados vindo deles. Claro que tinha percebido a hostilidades deles e se sentiu aliviada ao notar que não caira sobre ela e a sua família até aquele instante.

Sentiu a barreira de sua mãe em volta da casa ser elevada novamente e ser mais concentrada. Então Kagome fez o mesmo.

Naquele momento iria lutar ao lado dos... aliados? Eram, por enquanto.

- É falta de educação deixar visita esperando, Kagome. Agora sei onde a pequena raposa aprendeu a ser tão malcriada.

Ela olhou confusa para Naraku tentando imaginar o que hanyou estava falando, apenas conhecia um filhote de raposa e estava com o seu grupo. Seu coração começou a disparar no que poderia imaginar que havia acontecido na sua ausência.

- O que fez ao Shippou?!

- Nada. Ainda.

Foi interrompido quando o inu foi para cima dele. Num breve instante ela estudou seus aliados, dois menos tinha chamas saindo de suas patas, uma era azul e a outra era alaranjada e o mais alto, era de fato um cachorro branco e tinha saliva de ácido saindo pela mandíbula e ele era muito, mais muito rápido.

Viu os tentáculos de Naraku atacar por todas direções até que segurou dois kitsunes, era o seu momento de ajudá-los. Deixou seus poderes espalhar pelo o corpo e tomar conta da katana, correu para o kitsune vermelho e cortou o tentáculo que o enforcada e depois de ter ajudado o kitsune, ele soou um grunhido baixo e reconfortante antes de tocar o focinho no peito em forma de agradecimento. Ela gostou e tocou no focinho para fazer um carinho, kitsune grunhiu de novo antes de afastar e ir ao auxílio do outro. Achou estranho, mas deixou de lado, se virou para encarar Naraku.

Sesshoumaru já estava lá ao lado do inu usando Toukijin para derrubar a barreira, em poucos segundos o dragão feito de energia apareceu atrás do lorde e Kagome sentiu a garganta fechar ao perceber para onde aquele ataque iria. Para Naraku, para o poço. Não pensou ao levantar uma barreira a tempo de proteger a sua única passagem para o passado da Souryuuha. Se sentiu aliviada depois que o clarão dissipou, sua barreira protegeu o poço e infelizmente Naraku ainda estava vivo.

Ela fez um corte no ar e lançou o seu reiki na direção do vil hanyou antes que um kitsune fosse para cima dele, mas o seu poder não foi forte o bastante para destruir a barreira. Estava começando a ficar frustrante tudo aquilo, o hanyou usando o fragmento como vantagem, os tentáculos que estavam fatiados voltavam a se unir como se nada tivesse acontecido. Não dava para destruir algo que sempre se restaurava.

Quando o viu distraído com os ataques percebeu que era a hora perfeita, então lançou o seu reiki novamente. Mas os seus tentáculos se colocaram na frente para se proteger, assim começou a espalhar miasma.

Desta vez não teve mais oportunidade em ajudá-los já que estava cercada pelos tentáculos e tentavam pegá-la. Numa vez ou outra se defendia, embora a maior parte do tempo se esquivava, sabia se continuasse nesse ritmo ficaria cansada e até sufocada pelo gás venenoso. Escutou alguém lhe chamar antes de perceber uma flecha passar sobre sua cabeça e acertar um dos membros só para ser purificada. Por cima do ombro viu a mãe lançando mais flechas. No começo não tinha acreditado que ela era uma miko, mas ao sentir o poder que emanava e a determinação no olhar passou acreditar e se chama de tola por não ter notado antes. Apesar da situação achou admirável o modo como ela lutava.

- Fique atenta na luta.

Revirou os olhos e suspirou, como podia ter se apaixonado por esse cara arrogante? Foi a pergunta que ecoou no cérebro ao perceber que estava ao seu lado a defendendo com... Tenseiga?

O viu fazer um corte no ar e uma meia lua negra com estrelas surgiu e sugou as partes que estavam no chão e o miasma. Teve que se segurar com força no braço dele para não ser levada junto. Deduziu que não precisava ter tanto receio assim por ele.

Sesshoumaru usou o Meido novamente só que em Naraku desta vez, assim os três youkais se afastaram, viu o hanyou desviar a tempo, mas o corte pegou em cheio os tentáculos e os sugou para o vazio do submundo junto com as árvores e os restos da casa do poço.

Achou estranho quando o inu rosnou em advertência, para não usar aquele golpe novamente.

- Isso foi perigoso, Sesshoumaru-sama. Por que pensam em lutar quando eu vim em missão de paz?

- Deste de quando a palavra paz existe em seu dicionário! - retrucou Kagome.

- Aconselho a controlar seus cães sarnentos, Kagome. Meu assunto é com você e aposto que é de seu interesse.

- Vai se entregar? Por que não disse antes? - era difícil controlar o sarcasmo e também não quis saber, afinal tudo o que ele falava era mentira.

Lançou mais outro ataque só para ser frustrada novamente. Desviou de um ataque de Naraku e lançou a sua energia pela katana, meias luas cortavam e purificaram, mas em questão de segundos os tentáculos estavam restaurados e a atacavam novamente. Sabia que ela era o alvo e os outros youkais também sabiam, já que tomavam a frente dela para protegê-la em inúmeras. Não os conheciam, mas até aquele momento podia confiar neles.

Escutou um grito feminino atrás de si e ao olhar, percebeu que sua mãe havia sido atingida na costela. Sentiu o ar sumir de seus pulmões e uma raiva lhe dominar, no que foi ao seu auxílio, Kagome cortou o tentáculo que estava em Nara.

- Mãe? Mãe? Você está bem?

Kagome largou a katana e começou a curar o ferimento de Nara. Mas a mãe negou. Podia deixar fazer isso e não queria que a filha desperdiçasse seu poder com ela. Sesshoumaru apareceu ao lado delas e pegou Nara no colo antes levá-la para entrada da casa.

- Cuide dela, Sesshoumaru-sama. - falou com dificuldades assim que Souta e Yuri a pegou do lorde.

Só de ver no olhar dele ela sabia que não precisava dizer, mas o instinto de mãe falava mais alto.

Então sentiram a aura de Kagome aumentar que deixou o ar quente ao ponto de ser desconfortável e formigar a pele. Era a mesma aura de quando ela estava deixando as emoções lhe dominar, de quando se transformava numa bomba atômica de reiki. Kagome pegou o arco e uma flecha tinha uma ideia fixa na cabeça, pois se tratava da mesma raiva que sentiu ao cair nas ilusões de Tsuki, a mesma que lutou contra o oni que comeu crianças de um vilarejo. Apenas tinha uma ideia fixa, ela faria Naraku pagar por tudo que havia lhe feito e aos outros, principalmente a sua mãe.

A flecha brilhava na mesma tonalidade que os olhos da miko do quanto era envolvida pelos seus poderes purificadores, viu a flecha desaparecer no ar depois de ter soltado a corda e tinha um sorriso vitorioso no rosto até sentir o seu mundo cair e ela ir junto com ele. Seu coração batia acelerado e não iria diminuir até que seu menino estivesse longe do perigo e em seus braços. Apenas o havia notado quando Naraku conseguiu desviar da flecha que passou pela barreira, o hanyou tinha ficado surpreso com o que poderia ter acontecido se não tivesse visto a raiva nela a poucos segundos.

Mas sabia que tinha vencido deste que pegara Shippou, prova disso foi ver o desespero e agonia tomar conta dela. Saiu de frente de Kanna, não precisava mais escondê-los.

- Shippou!

Se desesperou ao ver outro Meido ir em direção ao Naraku, ao Shippou. Gritou, e correu em direção a ele, mas foi segurada. Percebeu que Naraku o protegeu ao se esquivar. Seus olhos ficaram no menino que continuava dormindo no colo de Kanna e ficou aliviada por isso.

- Viu? Por isso que eu disse para controlar seus cães.

Ela engoliu em seco, não sabia como poderia impedir que os outros youkais machucasse Shippou na tentativa de pegar Naraku. Fez o que jamais faria, ela levantou uma barreira em volta de Naraku e a aumentou para afastar os outros. Os risos de Naraku ecoou quando os youkais pararam de tentar pegá-lo, quem diria que uma criança podia ser tão vantajoso.

Kagome ignorava tudo, até mesmo o aperto em volta do pulso que a impedia de ir até Shippou quando tentava puxar o braço.

- O que você quer?

- Sabe o que eu quero. Os restantes dos fragmentos e... você. Te avisei Kagome, você voltaria para mim de uma maneira ou de outra.

- O que vai acontecer com Shippou? - perguntou puxando o braço de novo.

- O libertarei se vier para mim e colocar esse bracelete que fiz especialmente para você. - a viu lutar internamente, mas sabia que ela cederia ao seu ponto fraco. - Vamos Kagome, seja uma boa menina e venha para mim.

- Liberte o Shippou antes! – gritou ela.

- Sabe que isso não vai acontecer sem antes de colocar esse lindo bracelete e vim para mim de boa vontade junto com os fragmentos que têm.

Kagome ignorou os rosnados vindo dos kitsune e do inu, até mesmo de Sesshoumaru. Apenas observava impotente o seu filho dormindo nos braços de Kanna, tentava encontrar alguma maneira para libertá-lo sem que saia machucado.

Quis ir até ele quando viu Naraku o pegar no colo e o balançar violentamente até acordar.

O choro do pequeno acabou de vez com todos os seus pensamentos. Não podia permitir que seu filho sofresse algo, se pudesse tomaria o lugar dele sem pensar. Como naquele momento. Qualquer ideia desaparecia num piscar de olhos e a única opção era arriscar que o hanyou tivesse alguma palavra.

Deu um passo, ia em direção a Naraku pronta para tomar aquele destino para si, mas esqueceu do aperto que a impedia. Ao olhar para quem não permitia ir, Kagome percebeu a fúria nos olhos dourados ao fitar Naraku enquanto bolava algum plano que não envolvesse a sua miko se entregar para resgatar o filhote.

Entendeu a grande vontade dos youkais ao lutar contra Naraku, principalmente o mais novo. Eles sabiam que isso iria acontecer e tentaram mudar o passado.

Kagome olhou para ele, notou que os olhos estavam mudando de cor, quase brilhando em vermelho, as presas estavam a mostra sobre os lábios finos e os rosnados saiam sem parar da garganta dele. Apesar da frieza em seu rosto demonstrava e prometia uma morte dolorosa, ela sabia que ele temia por sua segurança e a de seu filho. Isso a fazia gostar ainda dele. Então finalmente deixou o que sentia por ele lhe dar coragem e mostrar para ele, pois poderia ser a última vez que o veria, sua última oportunidade.

Tocou o seu rosto, o obrigando a olhar para ela, e ficou nas pontas dos pês. Qualquer vergonha em si tinha desaparecido ao tocar nos lábios dele com os próprios, era um beijo simples e castro, mas era o suficiente para mostrar ao lorde seus sentimentos. Ao se afastar sentiu ele soltar o seu pulso e puxar sua cintura possessivamente para prolongar ainda mais o beijo e aprofundar ainda mais a sensação.

Segundos depois se afastaram para ela recuperar o ar.

- Agora mesmo que não permitirei ir. - sussurrou.

- Mas eu vou, devo salvar o meu filho. - sussurou ela ao tirar o braço em volta de sua cintura e se afastar. - Diga para Kikyou proteger Koraku e salvá-lo. Aguentarei o máximo até que me encontre... Não demore.

Sesshoumaru viu lágrimas descerem pelo o seu rosto antes de se virar e ir, a pessoa que escolheu estar ao seu lado estava indo embora.

Ele tinha tudo que poderia desejar, fama de ser o mais temido do seu reino e dos outros, poder e agora tinha o que desejava sem saber que que precisava a bastante tempo. Trabalhou para conquistar tudo isso e se sentia impotente quando viu o que era seu ir se sacrificar para salvar o filho como seu pai havia feito. Mas ele não ia fazer a mesma escolha do passado, assim que Shippou estivesse seguro destruiria Naraku, já passou da hora de acabar com a raça daquela aranha e moveria céus e terras para tê-la.

Por que quem era importante para si tinha que abandoná-lo, por algo maior e sem escolha?

- Kagome! - o chamado de sua mãe a fez olhar para trás. Ela tentava escapar do Yuri e de Souta que a segurava para não cair.

- A senhora melhor do que ninguém sabe o porquê de eu ir. - ela deu um mínimo sorriso melancólico. - Desculpe.

Kagome continuou e passou pela sua barreira, ficou surpresa ao escutar um choramingo entre os youkais, percebeu que era o kitsune que havia ajudado. Olhou bem para cada aliado decorando sem querer a fisionomia de cada um até que reparou melhor o inu, quer dizer as marcas no rosto e a cor dos olhos, o reconheceria em qualquer lugar. Deu um sorriso para ele e depois para Sesshoumaru que avançou até o limite da barreira.

- Queria ter descoberto mais cedo. - confessou e foi para Naraku.

Ela estendeu a mão para pegar o bracelete enquanto olhava para o filho que tentava escapar da mão de Naraku para ir até ela. Shippou queria impedia do que é que ela estava fazendo, mas sabia que ele seria o causador de sua desistência.

- Você ficará bem. Eu lhe prometo isso.

Kagome colocou o bracelete e sentiu suas forças ser sugadas para o metal com tal rapidez que não teve controle mais do seu corpo já que o apenas sentia cair.

- Não deveria prometer o que não vai cumprir, Kagome.

No meio da escuridão que estava caindo conseguiu ver as mãos de Naraku em volta do pescoço de Shippou e num movimento rápido escutou algo quebrar antes de jogar a pequena raposa.

Naraku rapidamente pegou Kagome já desmaiada no colo assim que a barreira dela desfez.

- Te espero do outro lado, Sesshoumaru-sama.

Naraku riu e pulou no poço levando Kanna e Kagome antes que o kitsune negro e Sesshoumaru o atacar, já que o kitsune ruivo caiu no chão no exato momento que matou o filhote de raposa.