Capítulo 25 – Ano Novo, Vida Nova

A manhã de Natal só começou na República depois do meio dia, o horário onde todos os moradores já estavam despertos. Foi difícil para Lily sair da cama quente. Só levantou quando ouviu Anita começar contar sem parar para Lorens que tinha ficado com Sirius.

- Você ficou com ele mesmo? – Perguntou Lily, se sentando em sua cama.

- Bom dia pra você também, Lily! – Cumprimentou Anita, sorrindo.

Lily balançou a cabeça, enquanto Anita voltou a narrar os acontecimentos para Lorens, que ouvia-a atentamente.

- Então, eu até pensei na Marlene, mas não estou arrependida. Tenho certeza absoluta que eles não têm mais nada depois daquela história toda, e todo mundo sabe que eu fico com o Sirius muito antes que ela. –Falou Anita.

- Você tem razão, Anita! – Disse Lorens, indo até seu guarda-roupa e abrindo-o. – Você não é de ferro, e ele já andava tentando ficar com você. E você só ficou com ele depois de ter certeza que ele não tinha mais nada com ela.

- Anita, tirando a Marlene dessa história... – Começou Lily, cautelosamente. – Você acha que ainda gosta dele?

Lorens estava escolhendo o que vestir, e virou para olhar a loira responder.

- Eu gosto. Já me conformei com a idéia, e ainda acho estranho começar a gostar dele só depois de dois anos. Mas eu gosto, sim.

- Mas você sabe que ele...

- Conheço perfeitamente o Sirius. – Respondeu Anita. – Óbvio que não vou me iludir pensando que ele vá me pedir em casamento.

Lily resolveu não argumentar, apesar de ter certeza que a amiga tinha as esperanças negadas acima. Lorens voltou a procurar uma roupa no guarda-roupa.

- E não foi só isso, Lorens... – Começou Anita, sorrindo marotamente. – Ontem a Lily estava quase beijando o James! Eu vi!

- Mentira! – Disse Lily, corando.

- O quê? Não acredito que eu fui dormir tão cedo! Perdi tudo isso? – Exclamou Lorens, desacreditada. – Lily, você vive brigando com o James, mandando ele lavar o banheiro, mas na verdade...

- Isso é impressão da Anita! – Interrompeu Lily, com firmeza na voz. – Eu nunca vou ficar com ele!

- Lily, admita! – Falou Anita, divertida. – Você ia beijar ele, sim, se eu não tivesse atrapalhado!

- Claro que não! – Insistiu Lily. – Ele foi me entregar o presente de Natal, e é claro que ele estava tentando me beijar como ele sempre tenta, mas eu nunca me rebaixaria a tanto.

- Sei, sei. – Anita fingiu concordar, depois se virou para Lorens. – Lorens, daqui a pouco teremos mais um casal nessa República.

Lorens riu, tinha finalmente escolhido o que usar e estava segurando uma blusa de frio.

- Lily, porque você não fica com ele de uma vez? Tenho certeza que se você não quiser que ninguém saiba, o James não contaria. – Disse Lorens, deixando Lily mais irritada.

- Não! Isso está fora de cogitação.

Anita e Lorens continuaram rindo, enquanto Lily começou a arrumar sua cama cuidadosa e simetricamente. Lorens se vestiu e começou a pentear os cabelos.

- Hoje é a estréia da minha peça. – Disse ela. – Vou chegar lá mais cedo, tenho que resolver um monte de coisas.

- Conseguiu decorar todas as falar? – Perguntou Anita.

- Sim, mas nem sempre é bom decorar. Antigamente, teatro era a arte do improviso. – Lorens pegou sua mochila e largou a escova de cabelo de lado. – Bem que eu queria ter um Natal tranqüilo, e estar realmente de férias, mas não é sempre que eu o meu grupo temos onde apresentar peças, então qualquer data ou temporada é bem-vinda.

- Eu vou assistir você lá! – Afirmou Anita, sorridente.

- Você não merece, mas eu também vou te assistir. – Disse Lily, arrumando seu travesseiro perfeitamente sobre a cama.

Lorens riu e andou até a porta.

- Geralmente as pessoas não vão ao teatro em pleno Natal, a peça é mais para os turistas. Quanto mais gente melhor, então... obrigada, meninas! Começa às nove horas.

Lorens se despediu das duas e saiu do quarto. Lily foi tomar banho, e Anita desceu para tomar café da manhã.

Quando chegou à cozinha, encontrou a mesma cheia de louça da noite passada esperando para ser lavada. Mas parecia que ninguém tinha descido ainda.

Anita não tinha a menor vocação para culinária, não sabia fazer quase nada, portanto se contentou com um pão com manteiga. Saiu da cozinha finalizando o pão, se lembrando que tinha que ligar para os pais mais tarde.

- Bom dia. – Disse uma voz em seu ouvido.

Antes de se virar, Anita sabia que era Sirius.

- Oi, Sirius. – Disse ela, sentindo um solavanco no estômago.

Sirius estava vestido todo de preto, seus cabelos estavam molhados e a barba recém feita, aparentando ter acabado de sair do banho.

- Dormiu bem? – Ele perguntou.

- S-sim.

- Eu dormi maravilhosamente bem. – Disse ele, seus olhos brilhando.

Anita entendeu a indireta perfeitamente bem. Ela sorriu fracamente, sentindo-se uma idiota por não saber o que dizer.

- Eu vou... subir. – Falou Anita, sem saber o que estava dizendo.

Ela estava passando por ele, indo em direção a escadaria, mas ele a segurou pelo braço.

- Anita, eu quero falar com você. – Ele disse. Anita constatou que ele estava sério.

- Pode falar.

Sirius respirou fundo e olhou para os olhos da amiga.

- Por que você está diferente? – Ele perguntou. – Sei lá... você mudou. Antes a gente conversava sobre tudo, andávamos juntos na faculdade. De uns tempos pra cá, eu começo a falar sobre qualquer assunto e você mal responde, finge que não me conhece na faculdade, passa reto e...

Anita estava se sentindo cada vez mais sem palavras, tudo que queria era parecer estar bem e responder a cada argumento dele com precisão, mas parecia que sua mente estava bloqueada.

- E...

- E... você sabe, Anita, eu sinto falta das nossas conversas. – Sirius olhou brevemente para o chão, depois voltou a olhar a amiga. – Lembra que a gente ficava horas conversando no meu quarto? Eu te contava das mulheres que eu ficava, você contava dos caras que você saía...

Ela ficou em silêncio por um momento. Por um momento, se lembrou que uma vez, Marlene havia lhe dito que Sirius falara que ela era a melhor amiga dele.

- Ah, Sirius, acho que estamos vivendo fases diferentes agora.

- Fases? Não vejo o que tem de diferente na sua vida.

Não reparou o que tem de diferente? Em que mundo você vive?, pensou Anita, que sentiu vontade de revirar os olhos e o chamar de 'idiota!', mas se controlou, apenas repetindo mentalmente que não contaria nada a ele.

- Sirius, a minha vida é a mesma, mas eu me refiro à... maturidade. Minha cabeça mudou, entendeu?

Sirius sorriu.

- Entendi. Apesar disso não impedir que as coisas sejam do jeito que eram.

Claro que impede, seu idiota!, voltou a pensar ela, mas sabia que sua resposta não fora muito convincente, portanto não quis falar nada contra.

- E tem outra coisa. – Ele começou. - eu ainda não me esqueci do jeito que você me tratou no dia que eu e você estávamos no Três Vassouras. – Continuou Sirius, sorrindo sedutoramente.

Anita não resistiu e revirou os olhos.

- Sirius, aquele dia você estava traindo a Marlene!

- Anita! – Ele começou a rir. – Antes se eu saía com qualquer amiga sua, mais amiga que a Marlene, e no mesmo dia te contava que tinha ficado com a recepcionista da academia, você não gritava comigo, o máximo que você fazia era ficar falando pra eu terminar com uma, mas nunca me tratou daquele jeito!

Sirius estava rindo enquanto Anita engolia seco. Como ele não percebia que ela gostava dele? Afinal, se ele juntasse todos os fatos que o próprio tinha citado e usasse um pouco de lógica compreenderia na hora. Sirius, pare de me complicar!

- Ah, Sirius, aquele dia eu estava... de TPM. – Mentiu Anita, sorrindo amarelo.

Ele começou a rir.

- Ah, sim, agora eu entendi!

- Então, é tudo impressão sua... esse semestre não foi um bom momento pra mim, principalmente aquela época que eu fiquei sem emprego. – Disse Anita. Em parte isto era verdade.

- Ok, então. – Sirius parecia bem convencido. – Espero que você volte a ser como antes. Faz falta, sabe.

Anita riu.

Inesperadamente, Sirius a abraçou e ela retribuiu o ato. Antes de largar a amiga completamente, Sirius deu um selinho em Anita e a deixou para trás, sem palavras.

- Feliz Natal, Anita! – Exclamou ele, entrando na cozinha, sem olhar para trás.


Lily estava olhando a neve cair da janela do quarto, penteando os cabelos molhados. Depois de um tempo, seus olhos caíram sobre o livro que James lhe dera na noite passada, que estava em cima do criado mudo. Hesitou momentaneamente, mas a curiosidade de lê-lo era enorme.

Sentou-se sobre a cama e pegou o livro cuidadosamente. Abriu-o e começou a ler, esquecendo-se totalmente de que era Natal, que não tinha comido ainda e que tinha uma cozinha infestada de micróbios para limpar.

- Oi, Evans.

Lily se assustou e fechou o livro numa fração de segundo. James estava parado na porta do quarto, sorrindo.

- V-você...

- Estava lendo o livro que eu te dei? – Ele perguntou, indo até a cama onde a garota estava sentada.

Lily o olhava ainda sem entender.

- Não, eu só estava arrumando as minhas coisas. – Mentiu Lily, colocando o livro rapidamente sobre o criado mudo novamente.

- Ah, claro, você é orgulhosa demais pra admitir que estava lendo esse livro só porque fui eu quem te dei. – Disse ele, com uma voz suave demais, com um toque de ironia. Porém, seu rosto permaneceu sorridente e bem-humorado.

Lily pareceu ter entendido uma série de coisas pelo jeito que mudou o tom de voz.

- Ah, Potter, pelo amor de Deus! – Ela se levantou da cama e o encarou. – Aliás, você tem que parar com esse hábito de ficar entrando no meu quarto sempre que te der vontade!

- Ah, por quê? – Ele perguntou, se fazendo de ofendido.

- Como assim, por quê? Por quê? Você ainda pergunta? Você nem bate na porta! – Ela o olhou indignada e ele a olhou divertido. – Imagina se... se um dia eu estiver me trocando e você abre essa porta!

- Eu iria adorar.

Lily ficou muito vermelha.

- E eu iria te matar! – Berrou ela, enquanto ele riu. – Não ria, Potter, você sabe que eu sou capaz!

- Evans, as únicas coisas que você é capaz de matar são os micróbios. Você é até vegetariana pra não matar os animais!

James passou a mão pelos cabelos, enquanto Lily bufava de raiva repetidas vezes, para recuperar o fôlego, xingando o garoto mentalmente.

- Afinal – Começou Lily, mais calma. – O que você quer aqui?

- O meu presente de Natal.

Lily o olhou durante alguns segundos, refletindo.

- Muito inconveniente da sua parte exigir um presente. E se eu não tivesse comprado?

- Mas você comprou.

Ela revirou os olhos, imaginando o que teria feito para atrair uma pessoa tão impertinente para morar na mesma República que ela. Andou até o seu guarda-roupa e abriu a porta, procurando o embrulho. Não percebeu que James a seguira.

- Que organização com as roupas... – Observou ele.

Lily continuou a tatear em busca de alguma coisa enquanto respondia.

- Ah, eu as separei por tipo, modelos e cores, da esquerda pra direita e... – Ela percebeu que ele estava olhando para ela de um modo constrangedor e se calou.

Ela lhe entregou um embrulho timidamente e se afastou, inconscientemente evitando o que poderia ter acontecido na noite anterior. James o pegou, mas não o abriu.

- Evans, eu sou obrigado a te dizer uma coisa. Se também você se lembrou de me comprar um presente, então você já pode admitir que somos amigos.

- Já falei para não exagerar.

- Qual é o problema de admitir isso?

- O problema é que isso não é verdade. – Disse Lily, secamente. - Quantas vezes eu falei dos meus problemas pra você? O que você sabe do meu passado? Você só acompanhou os últimos quatro meses da minha vida e...

- Sei mais do que você pensa. – Contestou James, sério. – Mas pelo menos acho que você já pode parar com essa idiotice de me chamar de Potter.

- É o seu nome, não é?

- Meu nome é James.

- Isso soou muito "meu nome é Bond. James Bond". – Lily falou, começando a considerar a idéia de chamá-lo pelo primeiro nome.

- Obrigado. – James riu, e Lily acabou rindo também. – E eu sabia que você tinha um pouco de senso de humor bem aí no fundo!

James estendeu a mão livre.

- Chega de brigas agora, Lily?

Era extremamente estranho ouvi-lo chamá-la pelo nome daquela maneira. A ruiva demorou alguns segundos para apertar a mão dele.

- Depende do jeito que você se comportar. – Ela respondeu, apertando sua mão.

Ele a puxou pela mão para mais perto, mantendo o olhar sedutor. Lily arregalou os olhos como uma criança assustada.

- Você não me deixa ficar comportado...

James já estava enlaçando-a pela cintura quando ela o empurrou.

- Pare de me assediar! – Ela se afastou dele e abriu a porta do quarto. – Você estava sendo gentil demais para querer só uma trégua. Deveria ter imaginado.

Ele revirou os olhos.

- Lily, você deveria experimentar antes de dizer que não gosta.

- Tchau, Potter. – Cortou Lily, indicando a saída com a cabeça.

- James.

- Tchau, James.

Ele saiu do quarto lentamente, levando o embrulho, sem evitar um sorriso de conquista no rosto.

- Obrigado pelo presente, Lily.

Ela revirou os olhos e bateu a porta maldosamente na cara dele. Não queria pensar sobre sua decisão de chamá-lo pelo primeiro nome, não queria pensar nele tão cedo. Mais uma vez se perguntou porque ele era tão insistente.


Durante a tarde, Lily tentou arrumar a cozinha, mas Sirius, Remus e Anita não deixaram, dizendo que era Natal e que ela deveria fazer alguma coisa de diferente e esquecer a limpeza. Depois de muito insistirem, os três conseguiram convencer Lily e a convidaram a fazer bonecos de neve.

Lily aceitou, e mais tarde James se juntou aos quatro amigos. Não demorou muito para a brincadeira se tornar uma competição entre Lily e James, onde um queria superar as idéias do outro – quase todas absolutamente idênticas – para montarem o melhor boneco de neve.

Por fim, James fez uma boneca de neve, que tinha um corpo insinuantemente curvilíneo o que fez Sirius aplaudir. Lily finalizou o seu boneco com um toque delicado onde enfiava um graveto para ser o nariz. Isso fez seu boneco desmoronar por completo e James rir compulsivamente dela.

- Você não muita vocação para arte, Lily. – Ele falou, entre risadas.

Lily fez uma careta e cruzou os braços, olhando o monte de neve que anteriormente fora seu boneco.

- Espera aí. – Disse Anita. – Do que você a chamou, James? De Lily?

- Pois é, a Lily resolveu agir como alguém de dezenove anos agora.

Anita virou-se sorrindo para Lily. A ruiva revirou os olhos, presumindo que a amiga estava insinuando que eles tivessem finalmente se beijado.

- Já te avisei que dependendo do seu comportamento, você pode voltar a ser o Potter em questão de segundos. – Retrucou Lily.

- Já era hora, hein, Lily! – Falou Sirius, se divertindo com o diálogo dos amigos. – O James mora aqui há meses e só agora vocês vão parecer gente conversando.

- Temos um psicólogo aqui para cuidar dos problemas dos dois. – Falou Anita, indicando Remus com a cabeça.

- Remus, você poderia explicar qual é o problema que impede a Lily de me chamar pelo primeiro nome? – Perguntou James ao amigo.

- Não, Remus! – Interveio Lily. - Explique para mim qual é o problema do Potter, já que ele está demorando meses pra entender que eu não quero nada com ele.

- Já está chamando ele de Potter de novo! – Exclamou Anita, cansada das idênticas discussões dos dois.

Lily e James permaneceram olhando para Remus. Ele chacoalhou os ombros e falou:

- O problema da Lily é a falta de problema no James. – Ele falou, como se estivesse dando aula. – E isso se torna um problema para o James, que não consegue entender a implicância da Lily com sua falta de problema.

Um breve silêncio dominou o grupo de amigos, enquanto Sirius e Anita trocavam olhares divertidos.

- Não entendi nada. – Disse James, por fim.

- Você é um burro, James. – Constatou Lily, com um olhar superior. – E eu não concordo com você, Remus.

- Ah, chega! – Falou Anita, passando as mãos nos braços, tentando se aquecer. – Vamos entrar antes que a gente congele aqui fora!

E a discussão se encerrou por aí, os cinco entraram na República e começaram a se arrumar para irem mais tarde ao teatro de Lorens.


Lily estava congelando mesmo usando seu sobretudo mais grosso, luvas e seu cachecol. Ela e os amigos se encontravam na fila da bilheteria, no centro de Londres, na porta do Teatro onde Lorens estava prestes a se apresentar.

De todos ali, James parecia o mais tranqüilo. Lily não entendia como ele conseguia transparecer sempre aquele ar de calmaria, mesmo com a neve soterrando os seus pés e aquele vento gelado.

A rua estava deserta, a não ser pelas pessoas na fila. Os comércios estavam fechados, somando com o frio e a data, portanto as pessoas não circulavam por ali. Os postes e os lampiões espalhados pela cidade estavam todos decorados a moda natalina.

- Essa fila não anda! – Resmungou Lily. De sua boca saiu o habitual vapor que é marca registrada do inverno.

- Parece que tem uns estrangeiros com dificuldades. – Falou Remus, apontando para três pessoas que estavam na bilheteria, gesticulando sem parar. – Não devem saber inglês.

- Que maravilha! – Disse Lily, impaciente.

Anita estava distraída conversando com James e Sirius e só desviaram sua atenção da conversa quando o homem que trabalhava na bilheteria gritou para a fila:

- Alguém aí sabe falar russo?

As pessoas da fila se entreolharam e começaram a murmurar, mas ninguém se manifestou.

- Russo? – Perguntou Anita. – Se fosse alemão até dava pra enganar...

- Acho que esses russos deveriam desistir... – Falou Sirius. – Se não sabem nada de inglês, pra quê vão assistir a peça? Nem vão entender...

Nesse momento, praticamente todas as pessoas da fila desviaram a atenção para a mesma coisa. A rua, anteriormente deserta, foi iluminada por lanternas de motos, que chegaram em alta velocidade e pararam exatamente na altura do grupo de universitários na fila.

Eram duas motos muito bonitas e brilhantes. Na primeira, tinha um homem usando capacete, uma jaqueta de couro e luvas. Na segunda, tinham duas pessoas, também usando capacetes. Uma delas era notavelmente uma mulher, por conta da bota de salto e dos cabelos loiros que desciam pelas costas.

Depois de estacionarem, o primeiro rapaz tirou o capacete. Era Christopher.

- Christopher! – Chamou Anita, acenando.

O garoto olhou para ela e acenou de volta. Os cabelos longos dele estavam presos e bagunçados. Ele chamou o casal de amigos e se aproximou do grupo.

- Oi, pessoal. – Ele cumprimentou. – Achei que chegaria tarde demais...

Os dois amigos de Christopher olhavam para o grupo. Lily os conhecia de vista da universidade, mas não sabia o nome deles.

- A Lorens sabe que você veio? – Perguntou Anita.

- Não, eu queria fazer uma surpresa. – Respondeu Christopher. – Hoje eu não tenho nenhum show porque é Natal, então eu vim correndo de Dorset até Londres.

- E como correu! – Murmurou a amiga loira de Christopher. Ela estava arrumando os cabelos loiros que foram fatalmente desarrumados quando ela tirara o capacete.

- Ah, antes que eu esqueça, eles são da minha banda. – Disse Christopher. – Estão na turnê e quiseram vir ao teatro comigo.

- Sou Sophie! – Disse a garota.

- Olá, Sophie. – Disse Sirius, galante. – Sou Sirius.

Anita olhou feio para o garoto, mas ele não reparou.

- Eu sou Richard, namorado da Sophie. – Falou o outro rapaz, que viera dirigindo a segunda moto. Ele tinha os cabelos castanhos e lisos e caídos sobre o rosto, e seus olhos castanhos fitavam Sirius. Obviamente, deveria saber da fama do garoto.

Sirius disfarçou o sorriso. Depois de todos se apresentarem, a fila começou a andar novamente. Os russos haviam desistido definitivamente.

- Adorei a sua moto, cara. – Falou Sirius, olhando para a moto de Christopher estacionada. – Um dia vou comprar uma também.

Christopher, que estava acendendo um cigarro, interrompeu o movimento para falar:

- Eu comecei a juntar dinheiro desde os dezesseis anos e só comprei essa moto ano passado. Eu nunca conseguia economizar muito, já que nem sempre entra dinheiro e eu gasto muito com CDs. – E, por fim, Christopher acendeu o cigarro. - Além de trocar de guitarra sempre que dá.

Finalmente, os estudantes conseguiram comprar suas entradas e se dirigiram para os seus assentos. James, Sirius, Remus, Christopher e Richard conversavam sobre motos e carros enquanto a peça não começava, entediando as garotas. Sophie, que estava sentada ao lado do namorado, virou-se para Lily que estava do seu outro lado e disse:

- Posso andar com esses meninos o dia inteiro, mas não entendo nada de motos.

Lily sorriu.

- Eu moro com três deles, eles falam sobre futebol todo dia e até hoje não sei a diferença entre um artilheiro e um atacante. – Disse a ruiva, simpaticamente.

- E aí, Sophie, o que você faz na banda? Ou só vai nas turnês cuidar do seu namorado, pra nenhuma groupie se atirar pra cima dele? – Perguntou Anita, sorrindo.

Sophie riu, parecia ter se surpreendido com a pergunta.

- Eu sou a tecladista e back vocal! – Ela sorriu. – Mas aproveito e fico bem de olho no Richard, sempre tem vadias que não se controlam quando vêem um músico e jogam pra cima dele.

- Você cursa Música também? – Perguntou Lily.

- Não. Faço jornalismo, mas toco piano e teclado desde pequena.

As três garotas continuaram a conversar até a peça começar. Do palco, Lorens não reconheceu os amigos, era notável sua concentração. O grupo com quem Lorens atuava era composta, pela sua maioria, de alunos de Hogwarts, tanto de veteranos, quanto de calouros.

A peça fora muito bem encenada, com cenas engraçadas e bem escritas. Lorens conseguira fazer muito bem sua personagem e estava quase irreconhecível sob o figurino.

Depois de uma hora, as cortinas se fecharam e os aplausos encheram o teatro. Christopher aplaudia sorridente, o que lembrou Lily a última peça que Lorens apresentou e Bill quase a crucificou por ter beijado tecnicamente um ator.

Após saírem do teatro, os amigos se dirigiram para a saída dos fundos, onde lá estava Lorens conversando com os amigos, sorridente, desejando feliz Natal a todos.

A morena não demorou muito para avistar os amigos e foi até eles.

- E aí, o que acharam? – Ela perguntou animada.

- Você esteve ótima! – Disse Anita, acompanhada de várias exclamações afirmativas.

Os olhos azuis de Lorens se focalizaram num rosto muito conhecido. Ela demorou segundos para manifestar qualquer reação ao ver Christopher.

- Christopher! – Disse Lorens encarando o rapaz, abrindo a boca de surpresa. Seus olhos brilharam.

Ele a cumprimentou com um beijo rápido.

- Você veio! – Ela disse, sorrindo. – Achei que você não viria!

- Eu dei um jeito. – Disse ele. – Mas amanhã eu já tenho show marcado, essa madrugada mesmo eu já vou pegar a estrada...

Enquanto o garoto falava, ela o abraçou.

Lorens estava completamente alegre naquela noite. Tudo parecia ter dado certo, a peça, a venda das entradas, Christopher.

O frio parecia ter ido embora para o grupo. Eles permaneceram em pé, conversando, comentando sobre a peça. Aos poucos, as pessoas que também tinham assistido à peça começaram a ir embora e finalmente, apenas o grupo de universitários permaneceu na calçada.

Porém, Sirius e Christopher ainda permaneciam no mesmo assunto de motos.

- E você ouviu falar que a Honda tá comercializando réplicas de corridas? – Perguntou Sirius. – Pena que elas não devem correr tanto assim...

- Mas devem ser igualmente caras. – Disse Christopher.

Lorens, que estava ao lado de Christopher revirou os olhos com o assunto, dizendo para as amigas:

- Por que será que homens gostam tanto assim de motos?

- Eu já acostumei. – Falou Sophie. – Namoro há um ano com um motoqueiro.

Enquanto isso, Lily falava com Remus, quase a cochichos:

- Remus, eu simplesmente não concordo com sua teoria!

- Que teoria, Lily?

- A que você disse hoje a tarde! – Ela estava contendo sua falta de conformidade. – Eu não vejo problema na falta de problema no Potter! Ele tem problemas sim!

Remus riu.

- Você não tá chamando ele de James?

- É o hábito. – Ela revirou os olhos.

E assim, a noite foi avançando, e mais um Natal ficou para trás. Quando era perto das duas horas da manhã, Sophie chamou Richard e Christopher de lado, dizendo:

- Já são duas horas! Até chegarmos à Dorset vão ser umas quatro horas!

Richard olhou seu relógio de pulso.

- Amanhã a noite nós temos um show, é bom a gente dormir bem antes. – Ele disse.

- Ok, então. Vou me despedir da Lorens. – Avisou Christopher.

Ele andou até a garota, que contava detalhes da peça a James e Anita, sorridente ao extremo.

- Lorens, eu já tenho que ir.

Ela se aproximou mais dele, deixando James e Anita conversando para trás.

- Mas já?

De repente, Christopher teve uma idéia.

- Lorens, porque você não vai comigo?

Lorens ponderou por alguns instantes, sentindo o vento gelado bater em sua face.

- Ah, Chris, eu tenho que apresentar a peça até o ano novo. – Ela disse, com uma pontada de tristeza na voz. – Não vou poder ir.

O rapaz baixou o olhar. Lorens se aproximou do rosto dele e o beijou. Se beijaram por alguns minutos, enquanto Sophie e Richard se despediam dos outros amigos.

- Olha, Lorens... a gente tá... ficando já faz um tempo. – Começou ele, desconcertado. – Mas não se sinta presa a mim. Eu gosto muito de você, mas não quero te prender.

Lorens franziu o cenho.

- Se quer saber, Chris, não sinto vontade de ficar com outra pessoa.

- Mas se você sentir, não se sinta desimpedida, certo? E se você ficar com outra pessoa, sinta-se livre para me contar ou não.

Lorens não estava gostando muito de ouvir aquilo. Isso significava que ele também ficaria com outras garotas e ela não ficaria sabendo se ele assim decidisse. Será que ele já tinha ficado com outra, ou pretendia fazer isso e por este motivo estava falando tudo aquilo?

- Tudo bem, Chris. – Ela murmurou.

Ele a beijou mais uma vez e depois se afastou até onde sua moto estava estacionada. Richard já estava sentado em sua moto, com a namorada atrás dele, abraçando-o por sua cintura. Christopher colocou o seu capacete e ligou a moto. Acenou antes de sair, com Richard ao seu encalço.

Lorens esperou até as luzes das motos desaparecerem da rua para falar:

- Vamos embora?


A semana transcorrera tranqüilamente, com muita neve. Alguns dias antes do Ano Novo, Lily passara na casa dos pais para cumprimentá-los e matar as saudades. Desde as férias de verão ela não os via. Antes de ir, James insistira para ir junto com ela. Lily não sabia se ele estava brincando ou não, mas por via das dúvidas, discutiu com ele e disse que ele tinha que se colocar no seu devido lugar. A discussão só teve fim quando ela lhe dera as costas e saíra da República, depois de perceber que James não estava disposto a se irritar e parar de insistir.

Anita aproveitou a última semana de férias e saiu bastante, as vezes com Lily e Lorens (quando não estava apresentando a peça), as vezes com suas outras amigas que cursavam Moda.

James, Sirius e Remus também saíram quase todos os dias. Remus parecia bem melhor, e raramente se lembrava de Helena. Esta, segundo Alice, continuava chorando em sua cama todos os dias, se recusando a ser ajudada.

Marlene não tinha ligado nenhuma vez durante as férias todas, mas Alice presumia que a amiga voltaria depois da virada do ano. E desejava profundamente que elas pudessem conversar.

A conversa que tivera com Christopher não saía da cabeça de Lorens. Toda hora ela se pegava se lembrando. Quando contou às amigas, Lily falou exatamente o que ela estava esperando, mas não queria admitir.

- Lorens, você deveria estar feliz. – A ruiva dizia. – Afinal, não era você quem sempre dizia que não queria nada sério com ninguém?

- Mas nunca foi sério com ninguém antes, por isso... ah, esquece. – Falou Lorens.

- Lorens, desde que eu te conheço, quando você percebe que a relação está ficando séria, você termina. – Disse Anita. – Dessa vez, você nem precisou falar, o Christopher foi mais rápido. Melhor pra você, que não precisou dar uma de chata.

- Vocês têm razão. – Concordou Lorens. – Mas vocês acham que ele nessa viagem já ficou com um monte de garotas? Ou até antes de viajar?

Lily e Anita se entreolharam, se lembrando do que Sophie dissera sobre groupies.

- É bem possível. – Disse Lily.

- Ai, Lily! Credo! – Exclamou Anita. – Não fala o que você não sabe! Lorens, a gente não tem como saber disso, isso vai de você deduzir ou descobrir.

Lorens balançou a cabeça.

- Lorens – Começou Lily, séria. – a gente tem o que a gente procura. Você sempre quis ter uma relação como essa, meio aberta e sem compromisso. Agora é a hora pra ver se você gosta ou não.

A morena sorriu, concordando com a cabeça.


O último dia do ano foi, para Lily, como todos os outros últimos dias dos anos. Ela ficou a tarde inteira escrevendo planos para o ano que se iniciaria.

Devo estudar mais. Devo visitar mais meus pais. Devo ser mais paciente...

- Tá faltando uma coisinha aí, Lily. – Falou James, espiando por cima do ombro dela.

- James, pára de se meter nas minhas coisas! – Reclamou ela, se virando para ele.

- Não resisti. – Ele disse, sorrindo.

- Agora me deixa terminar aqui! – Falou ela, voltando a se debruçar sobre o seu papel.

- Falta você acrescentar uma coisa.

Lily revirou os olhos.

- Ah, é mesmo? O quê?

- "Devo aceitar a sair com o James", que tal?

- Sonhe, Potter, sonhe. – Falou Lily, com desprezo na voz.

- Potter, não. – Lembrou James, sorrindo. E depois, se afastou.

Lily não lhe deu atenção e passou o resto da tarde completando sua enorme lista.

Sirius sugeriu que os amigos passassem a virada do ano no centro de Londres, onde teriam uma ótima visão dos fogos de artifício. Todos concordaram completamente com a idéia.

- Chamei o pessoal da Whisky, então acho que dá pra gente pegar carona. – Disse Sirius.

As onze da noite, todos eles estavam na porta da República, muito bem agasalhados. Da República Whisky de Fogo, Bill e Amus eram os únicos que tinham carro. Como Frank ia, obviamente Bellatriz também ia. Bellatriz indo, Sarah também ia.

- Nossa, será que todo mundo vai caber? – Perguntou Amus.

Alice, que tinha acabado de sair da sua República, se aproximou do grupo, falando:

- O Gideon também tem carro, se alguém quiser...

Frank fechou a cara e Bellatriz olhou feio pra ele.

- Vamos logo, a gente vai perder a virada assim! – Exclamou Anita, olhando o relógio.

- Certo. – Disse Bill. – Quem vai no meu carro?

Ficara decidido que no carro de Bill iria Sirius, Remus, Anita e Peter. Amus convidara Lily para ir em seu carro, portanto James resolvera ir no carro dele. Por esse motivo, Sarah se enfiou lá também, já que estava indo por conta de James e, por fim, Lorens. Para o carro de Gideon sobrou apenas Alice, Frank e Bellatriz. Alice não gostou nada, mas era tarde demais, uma vez que os outros carros saíram primeiro.

Em dez minutos, os três carros chegaram à uma bela praça no centro de Londres, coberta de neve. Havia milhares de pessoas ali, todas em grupo, conversando e olhando o ansiosamente o relógio.

Depois de ficar no carro vendo o namorado olhar para Alice o tempo todo, Bellatriz, séria como sempre, o arrastou para longe do grupo, dizendo que queria passar a virada somente com Frank.

Lily, Anita e Lorens estavam juntas, perto da multidão. Mesmo sabendo que faltava mais de meia hora, Lily não parava de olhar para o céu, esperando os fogos.

Sirius, James, Remus e Bill se aproximaram das garotas.

- A gente vai comprar cerveja, vocês querem também? – Perguntou Sirius.

- Eu vou querer! – Falou Lorens, sorridente. Ela tateou os bolsos da jaqueta em busca de dinheiro e entregou-o nas mãos de James.

- Eu também! – Disse Anita.

Lily sacudiu a cabeça negativamente enquanto Anita também começou a procurar dinheiro nos bolsos.

- Não precisa, Anita, deixa que eu pago pra você. – Falou Bill.

- Não precisa! – Falou Anita mostrando uma cédula. – Eu tenho dinhe...

- Faço questão. – Disse Bill, olhando-a sedutor.

Lily e Lorens se entreolharam. Anita franziu o cenho.

- Chega de enrolação, vamos logo! – Exclamou Sirius.

Anita ainda não estava entendendo. Bill mal falava com ela, era um tanto inexplicável essa generosidade.

- Tome, James, não deixe o Bill pagar. – Disse Anita, entregando o dinheiro a James.

Bill balançou a cabeça.

- Ah, então vamos dar uma volta. – Ele disse, tocando o braço dela.

Anita olhou para Lorens com uma expressão interrogativa. Lorens não demonstrava nenhuma alteração, parecia normal.

- Vamos comprar logo, eu quero me aquecer! – Disse James, com frio.

- É, vamos logo. – Concordou Remus.

Sirius olhou feio para Anita antes de seguir os dois amigos.

- Lily, Lorens, Anita! Venham aqui! – Alguém as chamou ao longe.

A ruiva se virou para ver quem era e viu Alice acenando alegremente, ao lado de Gideon.

Lily foi até lá, e Lorens a seguiu, olhando para trás no caminho.

- Aproveitando que elas já saíram, vamos tomar uma cerveja? – Perguntou Bill.

- Er... melhor não, acho que vou com as meninas. – Ela apontou as três amigas com o queixo.

- Ah, Anita, vem cá... – Ele começou a puxá-la para perto.

Anita arregalou os olhos e o segurou pelo peito.

- Ei, Bill, tá ficando louco?

Ele a soltou lentamente, e ficou olhando para seu rosto.

- Porque não?

- Porque não, ora! Não estou entendendo qual é a sua!

Bill ficou notavelmente desconcertado, coçou a parte de trás da cabeça com veemência e começou a mirar os sapatos.

- Ah, sei lá, só queria...

- Quer fazer ciuminho na Lorens, não é? – Perguntou Anita. – Muito infantil da sua parte.

- Claro que não, Anita! Eu realmente quero...

- Ah, chega disso! – Ela começou a andar para longe dele. – Tchau.

Ele tentou pronunciar alguma coisa, mas ela já estava consideravelmente longe para ouvir. Ele suspirou e tomou o caminho oposto.


Faltava apenas quinze minutos para meia noite. Anita estava, pela décima vez, explicando a Lorens que não estava entendendo o motivo pelo qual Bill quisera ficar com ela.

- Anita, não precisa contar de novo! – Replicou a morena, quando Anita voltara a falar disso. – Eu não ligo, de verdade!

- Mas saiba que eu jamais ficaria com ele!

- Eu sei, Anita. – Disse Lorens, com ar de tédio. – Eu não tenho mais nada com ele, não faz diferença.

Lily não estava mais ouvindo as amigas. A virada do ano, para ela, sempre foi um de momento de introspecção. Ela costumava pensar sobre suas atitudes, seu futuro, suas escolhas...

Pensou em Louis e na resposta que estava lhe devendo. Tinha quase certeza que não queria começar novamente um relacionamento com ele, mas tinha medo de se arrepender. Lembrou-se dos motivos que tivera para terminar, na terrível cena que presenciou, mas mal sabia se realmente era ele, lembrou-se no quanto era terrível estar com ele e não gostar dele de verdade...

Sem notar, ela se afastou das amigas e começou a andar pela multidão, sem rumo, observando o céu distraidamente.

- Também gosto de pensar na vida no Ano Novo.

Lily se virou procurando o dono da voz e encontrou James Potter, sorrindo para ela.

- Que bom, quem sabe você não muda pra melhor esse ano? – Perguntou Lily, sarcástica.

- Se você quisesse. – Ele disse, ainda sorrindo para a ruiva.

Toda vez em que James falava esse tipo de coisa, Lily revirava os olhos, porque ela nunca acreditava. James achava que estava na hora dela começar a levar suas insinuações mais a sério. E ele também, talvez. Parecia valer a pena.

- Faltam dez minutos. – Ele disse.

- Bom, então eu vou pra lá. – Disse Lily, apontando para frente. – Quero passar a virada do ano sozinha.

James riu.

- Por quê? Eu queria passar a virada com você.

Lily cruzou os braços, farta de ter que sempre repetir a mesma coisa para ele. Começou a andar, ignorando o fato de estar sendo seguida. Alguns metros adiante, James tentou pará-la, mas Lily continuou ignorando-o. Ela apertou o passo e, para acompanhá-la, James acabou esbarrando em algumas pessoas.

- Ai! – exclamou uma garota.

- Desculpa aí. – Falou James, apressado.

E de repente ele parou. Lily também parou, porque James tinha alcançado sua mão e a tinha segurado.

A ruiva notou o olhar que James trocava com a garota. Não demorou muito para que percebesse que eles já deveriam se conhecer.

- James? – a moça abriu um sorriso surpreso. – Meu Deus, faz séculos que não te vejo!

- Wow. – James retribuiu, abrindo os braços. – Faz tempo mesmo, Jess!

Eles se cumprimentaram e Lily permaneceu observando-os, confusa. Jess era muito bonita, tinha os cabelos ondulados até o meio das costas, castanhos como os olhos.

- Lily, essa é Jessica. – James resolveu fazer as apresentações. – Jessica, essa é Lily.

- É a sua namorada, Jay? – Jessica perguntou, fazendo um adeusinho na direção de Lily.

- Não. – Lily respondeu ao acenar de volta, sem jeito.

- Mas e então, James, o que você está fazendo em Londres? – Jessica voltou-se para ele, curiosa. – Ainda está estudando em Oxford?

- Eu me transferi pra Universidade de Hogwarts em setembro, estou morando por aqui de novo.

- Que bom! Temos que combinar de sair urgente! – Jessica continuou a conversa, super compenetrada. – Sabe quem encontrei semana passada no metrô? Oliver Kendall, lembra dele? Nossa, faz tanto tempo que não falo com o pessoal do colégio! Que saudade de todo mundo... você tem falado com alguém da nossa época?

Lily começou a entender um pouco as coisas. Os dois provavelmente foram colegas de classe durante o Ensino Médio. Mas Lily não estava disposta a passar a virada assistindo aos dois relembrarem os velhos tempos, deixada totalmente de escanteio. Enquanto ouvia James responder que estava morando com Sirius, Lily resolveu conferir o relógio do celular e descobriu que faltavam apenas dois minutos para a meia-noite.

E havia mais uma mensagem de Louis.

Louis: Feliz Ano Novo, meu amor. Queria poder te dar um beijo à meia-noite, mas sei ainda que teremos muitas viradas pela frente para nos beijar. Estou com saudades. (11:57 PM)

Lily sentiu o chão ceder sob seus pés. Então havia, de fato, um compromisso entre ela e Louis. Não haviam falado sobre o assunto, mas ele havia interpretado que os dois estivessem juntos, embora Lily tivesse lhe pedido um tempo para pensar.

- E-eu vou ver os fogos para lá. – Lily decidiu, afastando os olhos da tela do celular. – Até mais.

Ela simplesmente deu as costas aos dois e embrenhou-se na multidão. Uma sensação de culpa se espalhou por ela, deixando-a transtornada. Lembrou-se de que quase beijara James poucos dias atrás. Então, se ela realmente o tivesse beijado, teria sido uma traição à lealdade de Louis. Por que ela se recusara tanto a perceber que, para ele, os dois estavam juntos? Afinal de contas, Louis era apaixonado por ela. Era óbvio que ele não se envolveria com outras pessoas enquanto esperava Lily pensar sobre o futuro dos dois como um casal.

- Ei, Lily!

James a alcançou a passos rápidos e colocou-se diante dela, impedindo-a de continuar seguindo em frente.

- Me deixa passar a virada sozinha!

- Por que você saiu daquele jeito? – ele parecia preocupado.

- Porque falta apenas um minuto para a virada e eu queria ficar sozinha.

- Deixa de ser chata, qual é o problema da gente ver os fogos juntos?

Lily percebeu que não adiantaria insistir. Não era o momento para pensar em Louis e no relacionamento complicado no qual se encontrava. O importante era que, embora houvesse se recusado a admitir o que era óbvio até então, Lily não o traíra. Olhou para o lado e percebeu que James havia inclinado a cabeça para cima a fim de observar o céu, esperando pelo show de fogos de artifício. Imaginou se ele estava pensando em Jessica. Subitamente, achou-o pensativo demais.

- Quem era ela? – Lily perguntou.

- Hummm. Ficou com ciúmes, Lily?

- Ah, você é sempre tão idiota! – Lily rolou os olhos. Não era ciúmes. E não era mesmo. – Eu só fiquei curiosa, você não estava agindo com a naturalidade de sempre.

James ficou em silêncio, ainda olhando para o céu estrelado sobre os dois.

- Jessica é minha ex-namorada.

Lily arregalou os olhos.

- Ex o quê?

- Ex-namorada.

- Você nunca me contou que já teve uma namorada.

James riu.

- Você nunca me perguntou se eu já tive alguma namorada.

Lily o olhou fixamente, mas ele não desviou os olhos do céu.

- Acho que não perguntei porque nunca consegui imaginar você namorando sério com alguém.

James finalmente olhou para ela.

- Eu também não conseguia.

- Até namorar a Jessica, eu suponho.

- Não, Lily. – ele respondeu, sério. – Até encontrar você.

Lily não foi capaz de se mexer ao ouvir aquilo. Na fração de segundo que se sucedeu, ela pensou ter ouvido errado. Mas não houve tempo para que ela pudesse lhe dizer qualquer coisa. Quando virou-se para ele, James deu um passo à frente e a beijou. E Lily o retribuiu com todas as suas forças.

Os fogos de artifício começaram a dançar pelo céu, mas nenhum dos dois pareceu notar. As pessoas ao redor deles abraçaram-se umas as outras, desejando-se "Feliz Ano Novo", até que um grupo de amigos consideravelmente embriagados esbarrou nas costas de James, interrompendo-os.

Quando suas bocas se afastaram, Lily não conseguiu encará-lo. Ela rapidamente direcionou o rosto para cima e contemplou o céu colorido pelas luzes dos fogos. James decidiu fazer o mesmo, apreciando o gosto doce que os lábios de Lily deixara nos seus.

Mas quando os fogos cessaram e James virou-se para encontrar o olhar de Lily, ela não estava mais lá.


CONTINUA.

Aleluia! Esse capítulo foi difícil. O quanto eu apaguei as coisas...mas enfim, aqui ele está! Espero que vocês gostem muito, e me desculpem pela demora.

Gente, eu começo a trabalhar HOJE, em alguns minutos. Assim, fica imprevisto a minha próxima atualização... infelizmente. Juro que vou tentar ao máximo!

- Agradecimentos –

Pessoal, acho que quem lê as fics do Assuero Racsama reconheceu Sophie e o Richard, certo? Pois é, dêem todos os créditos a ele, porque esses dois OC's são dos direitos autorais DELE. Obrigada pelo empréstimo, Rodrigo!

E a personagem Jéssica eu não peguei de ninguém, mas peguei alguém. Hahaha, confuso? Pois é, a escritora jehssik se emprestou para fazer parte da fic. Obrigada, Jéssica!


Pessoal, as respostas das reviews estarão nas caixas de e-mail de vocês ainda hoje ou amanhã! Muito obrigada!

Perfil do Capítulo 25.

Nome: Sophie Gibbs.

Idade: 19 anos.

Cor dos olhos e cabelos: cabelos loiros e olhos castanhos.

Altura: 1,73.

Nasceu em: Manchester - UK.

Por que mora em República: Porque, apesar de ter parentes morando próximos à Universidade, Sophie preferiu viver longe de sua família, com quem tem sérios problemas de relacionamento.

Curso - ano: Jornalismo – 2º ano.

Trabalha como: repórter da rádio universitária.

O que mais gosta de fazer: Ouvir música, escrever, falar, trocar idéias.

O que menos gosta de fazer: de discutir.

Tipo de música que gosta: Beatles, Jazz, Blues, Rock.

Comida favorita: gosta de todos os tipos de comida.

Antes de Hogwarts já conhecia alguém: Não; as amigas de Sophie preferiram cursar suas faculdades em Cambridge.

Até o próximo!