Notas da Autora
O vulto que observava Youko, enfim revela-se...
Quanto isso, um jovem gennin tem que lidar com a dor da perda de seus amigos, juntamente com o ódio pelos assassinos deles.
Capítulo 25 - Ódio e dor
Do alto de uma árvore, o vulto que estivera observando Youko por mais de uma hora desce ao chão, ajeitando o seu imponente yoroi com 6 osodes com chifres (ombreiras em placas) sobrepostos, duas espadas na cintura e o cabelo alvo preso em um rabo de cavalo longo. Seus orbes azuis como o céu, em nenhum momento, deixaram de olhar aquela que ele amou por toda a vida e que por serem de diferentes espécies, tornava-se impossível a união, aliado a promessa que foi feita antes dele nascer, além da punição de Tsukiomi no Mikoto.
O que achava irônico, é que agora que estava viúvo e nada mais o impedia como antes, não podia ficar junto dela ou se revelar, enquanto a punição do Deus da Criação continuasse ativo. Teria que esperar a redenção dela e dos demais.
Ele então desperta de seus devaneios, censurando a si mesmo, pois seu tempo era curto e precisava retornar o quanto antes ao seu reino. Deveria estar aproveitando para conversar com ela, toca-la, nem que fosse rapidamente, sentir o cheiro que o inebriava, olhar nos orbes dela. Orbes agora rubros e não mais azuis como o céu de outrora, além da cor rubra dos cabelos, tão diferente da alvidez aristocrática de antes e das roupas simples e comuns, tão diferentes do juni-hitoe imponente de 16 camadas que ela usava antigamente, quando era a Imperatriz de um reino.
Mesmo tão diferente, ela ainda o fascinava. Era uma febre que não podia ser curada. Desejava ela e somente ela. Mais ninguém. Morreria por ela, se assim fosse ordenado.
Claro que sabia que beirava a obsessão o seu amor por Kurama e que seria assim eternamente, mesmo que não fosse correspondido, porque ela sempre deixara claro que o via como um grande amigo e nada mais. Não podia deixar de sentir um imenso ódio e ciúmes do humano que a tocava, a beijava e a detinha, mesmo sabendo que ele seria a única salvação dela e dos demais.
Desejava de todo o coração varrer o humano da face da Terra, não se importando com as leis rígidas e punições demasiadamente severas por ousar machucar um humano, pois eles eram profundamente protegidos pelos Deuses da Criação, além da obrigação que os Tenshis tinham para com os humanos, que era cuidar e protege-los.
Ele cerra o punho e os dentes, enquanto lembra de quando viu ele tocar o rosto dela e olhar de um jeito apaixonado. Com muito custo, conseguiu conter-se. Mas, não sabia se poderia conter a si mesmo se a visse beija-la na sua frente.
Controlando sua raiva, retira seu kabuto (capacete com centenas de estilos diferentes que variavam conforme o período, simbolizando o poder e status do samurai e podiam ser adornados com chifres ou formas de monstros), colocando-o embaixo de seu braço e preparando-se para se aproximar dela, já tendo rastreado todos os chakras ao redor deles e sabendo que não havia nenhum humano por perto, pois uma das várias ordens recebidas para ter a autorização de ir a Dimensão dos humanos, é que não podia ser visto pelos mesmos.
Em um piscar de olhos, se desloca velozmente e em menos de 1 segundo, encontra-se em frente a Youko, que não percebe por estar distraída lendo um livro, até que ele a cumprimenta em um tom gentil:
– Ohayou-gozaimassu (Bom dia) , Kurama-chan. O-genki desuka. ( Como vai?)
Ela levanta a cabeça e fica embasbacada, pois eram poucas as pessoas que falavam naquele tom com ela e quanto ao olhar dele, somente uma pessoa a olhava assim. Naruto, além de que, mais ninguém, a não ser os demais bijuus, sabiam o seu verdadeiro nome.
Demora algum tempo para ela se refazer.
Então, ela ergue o rosto, deixando o livro de lado com um marcador na página que já leu e pergunta, desconfiada, dando dois passos para trás, enquanto suas orelhas se voltavam para a frente e suas caudas ficavam tensas, passando a rosnar levemente:
– Quem é você? E que armadura é essa? O que quer comigo? Como sabe o meu verdadeiro nome?
– Calma. Deves ter notado que não sou uma ameaça a ti. Portanto, Kurama-chan não precisa ficar nervosa e desconfiada. Só desejo bem a ti e nada mais. Se acalme, por favor. Não quero nenhum humano por perto. principalmente aquele desgraçado. - no final, não pôde conter um rosnado audível ao pensar no Naruto.
O rosnado dela cessa, embora ela se mantivesse atenta, pronta para tentar se defender caso fosse necessário, embora soubesse que não teria nenhuma chance, já que seus poderes ainda estavam lacrados em seu jinchuuriki.
– Quem é?
Ele suspira cansado, remexendo o pescoço. Sabia muito bem que as memórias dela de seu passado como Tennin foram lacradas e na situação atual, achava que era algo misericordioso. Pois, se ela se lembrasse de quem era, ou melhor, fora, sofreria ainda mais.
Portanto, não podia responder a muitas das perguntas que lhe fazia. Não seria ele a faze-la lembrar de seu passado. Seria demasiada crueldade e tinha receio que seu nome despertasse alguma recordação dela e isso era algo perigoso. Não podia correr o risco.
– Não posso fala. Apenas direi que sou alguém que lhe ama profundamente e que morreria por ti. Nada mais a declarar e peço desculpas pela aproximação abrupta. Não pude mais resistir e peço-lhe novamente desculpas pelo que farei. Algo tão insensível quando indelicado. Sinto, mas não posso conter-me mais, minha amada.
Antes que ela pudesse processar o que ele lhe dissera, pois via alguns flashes difusos quererem se manifestar, ele leva a sua mão direita até o queixo dela e o erguendo, beija apaixonadamente, segurando-a na cintura e reclinando o pescoço dela, descendo os lábios aristocráticos para seu pescoço, aspirando o perfume inebriante dela.
Nesse momento, ao passar os flashes e sentir os lábios dele dirigindo-se ao seu ombro, querendo baixar a manga da roupa dela, ela o empurra e se afasta, cambaleando para trás e quase caindo, quando ele a segura em seus braços fortes, fitando-a de um jeito intenso e apaixonando, a deixando desconcertada.
Mesmo assim, por algum motivo que não compreende, sente uma imensa ira pelo que ele fez e sem tomar conhecimento de sua mão, age com instinto e dá um tapa no rosto dele que a solta, enquanto ela apoia uma das mãos na mesa, respirando com dificuldade e olhando-o com imensa raiva, agora rosnando violentamente.
Achava confuso o porque de ter dado um tapa no rosto dele. Não tinha sentido. Só sabia que fez de uma maneira inconsciente, como um reflexo sem controle.
Ele a olha com um olhar pesaroso e fala, entristecido:
– Desculpe... Esqueci o cavalheirismo. Fiz algo infame e desonroso. Perdoe-me. Não suporto teu ódio para comigo.
Ele ergue o rosto e seu cenho arqueia, para depois rosnar baixo, sentindo seu sangue ferver, pois o odioso humano, um dos que a escravizara, estava vindo até eles.
Sentia um desejo imenso de trucidar o humano, lentamente, pois sabia dos sentimentos dele para com sua amada e aquilo o enervava demasiadamente.
Antes que fizesse uma insensatez, pois não confiava em si mesmo, decide retornar à Dimensão do Tenkai, mas, não sem antes curvar para Kurama, que fica surpresa com tal ato, ainda mais com o seguinte, quando ele pega delicadamente a mão dela e beija o dorso gentilmente, antes de erguer o rosto e fita-la com um olhar apaixonado, para depois, virar um olhar de ódio, quando vira o rosto para o lado, na direção de onde vinha Uzumaki.
Ele se transforma numa esfera de luz fraca, para não chamar demasiada atenção e então, desaparece, sem deixar vestígios.
Alguns minutos depois, Naruto aparece ao lado dela, assim como Bee, Tenzou e Jiraya.
O loiro então pergunta, preocupado:
– O que houve, Youko-chan? Senti você ficar nervosa e depois assustada.
– Um estranho me abordou. Não falou o seu nome, mas, se comportava de maneira estranho, inclusive...
Antes que terminasse de falar, Naruto pisou na sombra dela e viu tudo, inclusive o estranho e a armadura imponente dele.
Porém, ao ver que tocou em sua bijuu e inclusive a beijou, fez ele ficar irado e com vontade de matar o desconhecido. Tal ira irradiou, surpreendendo Tenzou e os demais.
Já, Jiraya, mesmo alarmado pela irradiação de raiva do sennin, sentia o traço de um Tenshi ali e suspira cansado.
A joía permitia a ele uma percepção muito sutil de tudo a sua volta e portanto, ele captou a presença. Só queria saber qual Tenshi esteve ali e se Youko se lembrou de alguma coisa de seu passado Tennin por causa dessa aproximação.
Todos se afastam levemente, sentindo a ira de Naruto. Youko fica alarmada e dá dois passos para trás.
Porém, antes que se afastasse ainda mais, pois sentia pelo fuuin a ira de Naruto, este pergunta, segurando-a fortemente pelos ombros, ao ponto dela gemer de dor:
– Como permitiu que ele a tocasse e a beijasse?!
Todos os demais se entreolham, enquanto Bee pensava: " Que doido fez isso? Yeah!". ".
Como você perguntou, a resposta é alguém que não tem medo da morte. Naruto é possessivo demais com a Kurama. Dá medo", Hachibi responde, enquanto sente a imensa ira do Naruto.
" Pelo visto, o selo das memórias continua intacto. Ainda bem.", Jiraya pensa, suspirando aliviado.
Vendo o olhar assustado de Kurama, além do leve gemido de dor e tendo visto que ela deu um tapa no estranho e o empurrou, ele se acalma gradualmente, afrouxando as mãos dos ombros da bijuu, que ainda está receosa e extremamente confusa com o comportamento de seu jinchuuriki, tão diferente do usual, além de ter odiado sentir medo, estranhando também, que o ódio que tinha por ter sentimentos tão diferentes do seu usual de séculos, parecia ter diminuído conforme convivia com os humanos, principalmente com ele.
Após inspirar e expirar profundamente, se acalma e solta os ombros dela para depois murmurar, cabisbaixo, ainda sentindo um pouco do medo dela pelo fuuin e portanto, sentindo-se um lixo:
– Desculpe, Youko-chan. - então, erguendo a face, acaricia o rosto dela com o dorso do dedo indicador e médio, para depois beija-la nos lábios, se afastando em seguida, vendo-a aturdida.
– Quem era, Naruto? - Tenzou pergunta.
– Um homem estranho. Trajava um imponente yoroi com 6 osodes, duas katanas na cintura, um cabelo comprido alvo preso em um rabo de cavalo, dois olhos azuis e as pupilas dele, lembravam a de Youko-chan. Também tinha orelhas um pouco pontudas. Provavelmente tinha 1,76 cm, cor branca. Falou que "Não posso fala-lhe. Apenas direi que sou alguém que lhe ama profundamente e que morreria por ti. Nada mais a declarar e peço desculpas pela aproximação abrupta. Não pude mais resistir e peço-lhe novamente desculpas pelo que farei. Algo tão insensível quando indelicado. Sinto, mas não posso conter-me mais, minha amada.". - nisso, ao falar isso, ele cerrou os dentes e punhos, enquanto ficava com raiva ao lembrar da declaração do estranho.
– Não tem amor a vida! Quem não amaria a sua vida?! Yeah!- Bee fala com a mão em hang loose.
– Como Bee-san disse, é um suicida ou não sabe como o Naruto é em relação a Kyuubi. - Jiraya fala, para não deixarem ele perceber que já sabia um pouco da identidade deste ser.
– Vou enviar um bushin para avisar aos Kages. Essa pessoa parece saber muito sobre a Kyuubi e não sabemos suas intenções.
Nisso, ele faz um selo e surge um clone de madeira que se desloca pela vila até o Quartel general.
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Longe dali, em um Hospital da Vila da Aliança, um jovem gennin está sentado em uma maca num espaçoso quarto, tendo ao seu lado uma mulher de cabelos negros com um menino não tendo mais do que 6 anos no colo, que no momento estava adormecido.
– Muito obrigado por vir, Kurenai one-san (tia).
– Imagina. Além do mais, já faz um tempinho que não encontra o seu primo. Ele sempre pergunta de você, Konohamaru-kun.
– Fico feliz com isso - ele força um sorriso.
– Imagino que ainda não superou, né? - então, ergue uma mão e afaga a cabeça dele.
– É difícil, ne-san... O Naruto nii-chan passou anteontem aqui, junto com a Youko-chan. Ficou um pouco comigo e trouxe algumas revistas.
– Imagino que tipo de revista... - ela comenta, revirando os olhos - Já que ambos são pervertidos.
Estava olhando para o seu filho e sabia que ele estava dormindo. Portanto, não ouviria o que ela falou.
– É uma disputa entre homens. A senhora é mulher e por isso não entende. O Naruto nii-chan é tanto o meu sensei, quanto o meu rival. - ele fala deitando-se novamente.
– Mas, não deixa de ser algo pervertido essa competição de vocês de Oiroke no jutsu... Só peço que não ensine isso ao seu primo, senão... - ela fala com um sorriso maligno, que faz Konohamaru engolir em seco e sentir calafrios na espinha.
– Imagina... Não vou, one-san. - ele fala gaguejando, ainda suando frio e forçando um sorriso.
– Fico feliz, Konohamaru-kun - ela sorri e fala, ao ver as horas no relógio - Tenho que ir, está na hora dele tomar banho e tirar um cochilo tranquilo. Volto amanhã.
Nisso, ela se levanta e dá um beijo na testa do sobrinho, saindo em seguida e acenando, antes de sair pela porta do quarto, deixando um gennin pensativo.
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Horas depois, quando a noite cai e ele está dormindo, alguém escancara a porta, cumprimentando alto:
– Yo, Konohamaru! Konbanwa!
Ele senta rapidamente, coçando os olhos, enquanto a visita ascendia a luz.
Após os seus olhos se acostumarem a luminosidade, ele avista Naruto sorrindo e Youko, revirando os olhos, enquanto murmura:
– Energético demais...
– Ah... Naruto nii-chan. É você... Estava dormindo. - fala resmungando.
– Foi mal... É que é tão cedo, ainda, além de que "a noite é uma criança".
– Tomo medicamentos que dão sono... Mas, bem, já estou acordado. Yo, Youko-chan.
Ele cumprimenta a raposa em meio a um bocejo. A bijuu apenas senta numa cadeira no canto, pegando um livro para ler, resmungando mal humorada em um tom baixo:
– Konbanwa, pivete.
– Primeiro, trouxe novas revistas para você.
Nisso, estende revistas eróticas e Konohamaru as guarda em uma gaveta ao lado da cama, agradecendo.
Enquanto Naruto sentava, o jovem gennin fala:
– Gostaria de já poder sair daqui... Não aguento mais. - fala mal humorado.
– Eu sei que é cansativo... Eu também não aguento ficar muito tempo preso no leito de um hospital. - ele comenta já sentado. - Ainda bem que sou um jinchuuriki e por isso, meus ferimentos cicatrizam rapidamente.
– Normalmente, não me importo de ficar no leito, mesmo por muito tempo. Sei que repouso é essencial para a recuperação. - comenta sentando, enquanto olha para a lua pela janela do quarto.
– Então, por que isso o incomoda, agora? - ele arqueia o cenho, confuso.
– Queria já poder ir atrás daqueles bastardos e ajudar na eliminação deles, de uma maneira lenta e dolorosa. Sinto ódio e ira ao saber que eles estão bem, enquanto os meus amigos estão mortos, por terem sido assassinados por eles. - ele fala cada palavra embebida em raiva, cerrando os punhos e dentes - Quando os encontrar, vou mata-los lentamente para sentirem a dor dos meus amigos e a minha em dobro!
Kyuubi olha para o jovem e arqueia um cenho, olhando depois para seu jinchuuriki, que olhava Konohamaru atentamente. Confessava que queria ver como Naruto quebraria o ódio do seu jovem aluno. Desejava saber, se ele era aquele a qual Rikudou falou. Aquele que seria o guia deles. O jovem prometido.
