Every You & Every Me

Autor: Rebeca Maria

Categoria: spoilers até a 3ª temporada e alusão da 4ª.

Advertências: Futuro smut, Angst.

Classificação: M/MA - Nc17

Capítulos: E este é o vigésimo segundo

Completa: Não

Sinopse: "É sempre tudo sobre você e tudo sobre mim, Temperance! Sempre. Eu quero fazer com que seja tudo sobre nós!"


Every You & Every Me

Capítulo 22

Temperance's Memories

Booth & Bones

Romance

Smut


TEMPERANCE'S MEMORIES

"De acordo com os registros, Brennan já vem escrevendo desde que saiu do hospital, antes mesmo de ela dizer que estava confusa." – Angela deu mais alguns cliques, abrindo o décimo documento no computador de Brennan.

"Então está tudo aí, Angela?" – Booth apontou para a tela. Um projeto de sorriso apareceu em seus lábios.

"Você quer ler?"

Ele afirmou. Angela levantou-se da cadeira, dando espaço para ele, e saiu da sala, deixando Booth sozinho. Era um momento dele.

Os documentos estavam em ordem de acontecimentos, Booth percebeu. O primeiro deles, no entanto, não tinha nada a ver com Doser, e estava nomeado como 'Booth's Heart'.

x.x.x

Eu não dormi aquela noite. Nem várias seguintes. A voz de Cullen continuava soando na minha cabeça, martelando, me lembrando a todo momento que Booth não estava mais lá. Nem estaria.

Angela falou alguma coisa sobre me levar pra casa, me tirar daquele corredor de hospital. Mas eu não queria ir. Eu ainda tinha esperança de que alguém saísse do centro cirúrgico e me avisasse que tudo era apenas um pesadelo, e que eu acordaria logo e Booth ainda estaria vivo.

Eu estaria na minha cama e a campainha ia tocar antes das 7 da manhã. Eu atenderia e veria Booth, impecavelmente arrumado, segurando dois copos de café e ostentando um sorriso debochado. Eu perguntaria o que ele queria tão cedo de manhã e ele diria 'minha parceira', olhando nos meus olhos e ainda sorrindo. Era assim que tinha que ser. Tinha.

Eu não dormi aquela noite. Eu não fiquei no meu apartamento. Eu precisava parar de pensar. Andei até o Jeffersonian, fazendo questão de desviar o caminho só para passar na frente da casa de Booth. Por um instante, apenas um segundo, eu tive a impressão de que a luz da sala estava acesa. Mas era apenas um truque da minha mente. Eu passei em frente à casa de Booth todos os dias no caminho para o Jeffersonian. E era horrível ver sempre as luzes apagadas.

Passei dias no Jeffersonian. Dormi no meu sofá. Acordei com aquele maldito pesadelo que reproduzia toda aquela cena na minha mente. A música. O tiro. Os gritos. Os pedidos. O olhar vazio de Booth. Ou então, o outro pesadelo era pior, porque me fazia acreditar que Booth estava muito mais perto de mim antes de eu vê-lo ir embora.

Era este que me atormentava quase todos os dias. Quando eu estava prestes a acordar todas as manhãs, depois de um sono quebrado e ruim, e eu podia sentir a claridade do quarto. Mas eu também podia sentir minha mão espalmada no peito dele e minhas pernas entrelaçadas às dele. E eu podia ouvir o coração dele batendo. Tum. Tum. Tum.

Eu abria os olhos e a primeira coisa que eu via era o olhar dele sobre mim. Eu sempre sorria. Tum. Tum. Tum. Booth piscava algumas vezes e então eu percebia que ele fazia um esforço enorme para abrir os olhos novamente.

"Booth, olhe pra mim." – ele olhava. Mas era nossa hora que os olhos dele ficavam tão escuros e vazios como estiveram naquela noite no karaokê-bar.

Ele sempre colocava a mão dele sobre a minha depois disso, entrelaçando os dedos nos meus. E eu o sentia gelado e via o sangue começar a se espalhar entre os nossos dedos. E meu coração falhava uma batida, junto com o dele. Tum. Tum.

"Booth, por favor, não..."

Ele fechava os olhos lentamente e eu fechava os meus, sentindo as lágrimas descerem no meu rosto. E quando Booth abria os olhos de novo, eu estava com os olhos nele.

Mas então, de repente, eu não conseguia mais olhar para ele. De repente não havia para onde olhar. Porque ele não abriu mais os olhos. Eu fechava os meus, tentando acreditar que aquilo não era real.

"Booth, por favor. NÃO!" – Tum.

Era sempre nessa hora que eu acordava de verdade, chorando, me contorcendo na cama sem conseguir respirar por conta das lágrimas. E eu percebia que ainda era madrugada. O céu ainda estava escuro e longe de amanhecer. E eu certamente não voltaria a dormir. Eu não dormia nessas noites de pesadelo. Nem em nenhuma noite. Durante duas semanas. Porque todas eram noites de pesadelo. Todos os dias não pareciam reais.

Esse pesadelo me atormentou mesmo depois que eu descobri que Booth ainda estava vivo. E de vez em quando, raramente agora, ele ainda insiste em aparecer na minha mente. Mas sempre que eu acordo de noite eu posso realmente sentir que Booth está ao meu lado. E vivo.

x.x.x

Booth suspirou profundamente. Ele queria ler aquele documento de novo. Mas não agora. Botou para imprimir e seguiu para um próximo documento, sem nome.

O que ele leu o deixou com mais raiva do que qualquer outra coisa que ele pudesse se lembrar.

x.x.x

"Eu te disse que eu fazia muitas coisas, Tempe." – ele falou, com os lábios tão próximos ao meu ouvido que eu senti meu pescoço se arrepiar, mesmo que meu corpo estivesse se sentindo totalmente dormente.

Tentei virar a cabeça e olhar para o banco de trás, mas não consegui. Quando eu percebi, depois de piscar algumas vezes, eu estava no banco do passageiro e um homem estava no banco do motorista. Olhei, tentei reconhecê-lo.

Cabelos lisos, escuros, batendo no meio do pescoço, com uma franja sobre os olhos. Pele bronzeada. Sorriso charmoso, um tanto singelo. Voz conhecida. Esses foram os traços que eu consegui ver. Mas a minha visão embaçada e minha mente confusa não me permitiram analisar mais do que isso.

"O que você me deu?" – eu sussurrei, pausadamente.

"Um anestésico que te permite ficar acordada, mas me garante que você não vai lembrar da nossa conversa. Propofol. É muito usado em neurocirurgias em que é necessário manter o paciente acordado para testar algumas coisas enquanto se investiga o cérebro." – eu franzi o cenho, forçando a respiração. Vi-o sorrir – "Eu te disse que fazia muitas coisas, Tempe." – ele repetiu.

"O subconsciente guarda coisas, você sabe." – eu falei, quase que automaticamente.

"Mas a questão é como o subconsciente traz coisas à tona. Essa é a parte difícil."

"Quem é você?" – eu perguntei, e ele riu mais uma vez. Uma risada que eu reconhecia e me era bastante nostálgica.

"Eu não sou o Doser, Tempe. Mas eu o conheço. Eu não mato pessoas. Mas ele mata. Eu apenas tenho esse problema..."

"Problema?"

"Eu faço muitas coisas por pouco período de tempo." – eu o vi parar o carro num estacionamento entre dois prédios e de repente ele estava inclinado sobre mim – "Quando se faz uma coisa por muito tempo isso se torna obsessivo. Eu sei disso, sempre soube. E eu conseguia parar de fazer aquela coisa quando eu me via ficar obsessivo. Eu parava. E fazia outra coisa. Mas não com você."

"Comigo?"

"Eu não vi a linha passar. Eu não vi quando você, Tempe, se tornou a minha obsessão. O mais engraçado foi que eu parei. Nós paramos."

"Nós?"

"Mas a obsessão ainda estava lá, dia após dia. Eu pensei. Mas não saía da minha cabeça que tudo tinha sido por causa do Booth. É sempre ele, não é? E é sempre você. Nunca era sempre nós. Eu. Você. Ele. E ele de novo. E de novo. Ele é a sua obsessão, não é? Eu te disse que nunca ia te abandonar. Eu não fui embora porque eu quis, Tempe. Eu fui porque eu precisava diminuir a obsessão que eu já tinha por você, antes que eu fizesse alguma besteira. Mas não adiantou de nada, não é? Teria sido mais fácil se você tivesse aceitado meu pedido."

"Eu não sei do que você está falando."

"É claro que sabe, Brennan. Você sabe de tudo..." – ele suspirou, fechou os olhos e olhou para mim novamente – "Oh, não... as únicas coisas que você não sabe são aquelas que estão bem à sua frente."

"Não..."

"Eu estou bem à sua frente e você é incapaz de me reconhecer." – eu senti a mão dele pousar na minha cintura e subir lentamente até cobrir o meu seio direito. Meu corpo se retraiu um pouco, apenas o tanto que o anestésico deixou – "Não reconhece o meu toque porque o toque de Booth já está tão gravado na sua pele que você esqueceu todos os outros." – eu quase podia sentir realmente o toque dele sobre o tecido da minha camisa quando ele forçou mais o toque – "Eu não vou te abandonar. Isso é uma promessa."

Alguns segundos depois ele se afastou e voltou a ficar sentado direito no banco do motorista. Eu podia ouvir a respiração pesada dele. A consciência que me restava tentava analisar qualquer coisa, qualquer pista que pudesse me dizer quem era ele.

"Eu não sou o Doser. Não o Doser original, pelo menos. Ele é apenas um louco que me apareceu na hora certa para os meus propósitos. A obsessão, você sabe. Mas bem, talvez eu nunca tenha sido o Doser para os outros. Mas para você eu era o Doser, sempre fui... porque quando eu quis ser alguma coisa antes, você não deixou." – ele suspirou, meio cansado – "Infelizmente, nós temos algo em comum."

"Eu." – eu concluí, sem que ele precisasse dizer – "Por quê?"

"No meu caso porque eu não consegui parar. Eu não consigo parar, Tempe. E eu quero, antes que isso...Não, eu não quero parar, nem vou." – a mão dele pousou na minha coxa e subiu um pouco, quase tocando a minha virilha – "E você teve a infelicidade de se parecer extremamente com Andrea, a mulher dele. Eu tive a felicidade de encontrá-lo e fazê-lo tão obsessivo quanto eu. Ele não tem culpa... ele nunca quis te machucar, mas ele vai. Ele quer parar. Eu não quero parar. Mas parar já não é uma opção para nenhum dos dois. Querendo ou não."

"Me machucar?"

"Você e a Dra. Saroyan. Ele não segue padrões. Ele não seguiria o seu, justamente porque você se parece muito com a Andrea. Mas a Dra. Saroyan sempre esteve nos planos dele, isso ele me disse. Eu diria para você procurá-la no porão da casa dele, do Doser, eu digo, mas você não vai se lembrar disso."

Eu fechei os olhos, sentindo a mão dele desabotoar o botão da minha calça. E quando eu abri, eu não estava mais no carro. Eu estava no corredor do meu apartamento, encostada à minha porta com o corpo dele colado ao meu, me mantendo de pé, coisa que eu dificilmente conseguiria fazer sozinha.

Senti a respiração dele no meu pescoço. E eu creio que só estava fraca porque meu corpo não estava respondendo tão bem a qualquer estímulo.

"Você está tão linda, Tempe. Mais do que quando eu te deixei. Eu disse que eu ia voltar. Eu disse..."

Tentei afastá-lo, mas tudo que eu consegui fazer foi colocar meus braços sobre os ombros dele. Baixei a cabeça até apoiá-la, sem querer dando espaço para que ele beijasse meu pescoço.

O cheiro cítrico invadiu minhas narinas. Eu conhecia aquele cheiro. Eu conhecia aquela voz.

Ele me tocou novamente. E eu creio que não tenha sido um toque leve, mas eu agradecia pelo anestésico fazer parecer dessa maneira. Quase inexistente no meu seio. Na minha barriga. Por cima da calça.

Meu celular começou a tocar quando ele começou a digitar o código de entrada no apartamento.

"Finja que é o oceano." – ele sussurrou pausadamente, pontuando cada palavra com um beijo no meu pescoço, orelha, lábios.

E então, tudo aconteceu num segundo. Um piscar de olhos.

Minha mente estalou. Eu ergui a cabeça. Eu sabia quem ele era. O alarme estalou. A porta do apartamento se abriu. Doc avançou.

Ele se afastou, eu escorreguei até o chão. Doc parou entre mim e ele. Os olhos vermelhos, dentes à mostra, rosnando, os pêlos do pescoço eriçado, postura armada. Pronto para atacar.

x.x.x

Booth chegou ao final do documento ainda sem saber quem era o Doser, mas agora tinha algo mais em que pensar.

Angela bateu na porta alguns segundos depois que ele abriu o terceiro documentos. Dessa vez, não um documento de texto, mas sim de imagens.

"Eu sei que você não está nas investigações, mas estou repassando informações do Hodgins." – ela começou, tirando a atenção de Booth da tela do computador – "A perícia chegou com os resultados de todos os gravadores que temos até agora."

"E?"

"Há dois padrões de voz no último gravador. Há o padrão comum de todos e mais outra pessoa. A pessoa que diz que está cansada e que quer parar e que está com Cam, mas que não machucá-la é o padrão diferente."

"Isso explica o último documento da Bones. Nele ela deixa claro que são duas pessoas. Uma que esteve com ela antes da festa e outra antes do acidente." – Angela parou diante da tela do computador e olhou.

"Uau!"

A primeira imagem era de uma mulher extremamente parecida com Brennan. Exceto pelo cabelo, que era meio loiro claro, e pelo formato do rosto, que era ligeiramente mais arredondado. Mas principalmente os olhos, eram os mesmos.

Embaixo a legenda: Andrea Antonelli.

A segunda imagem era de uma menina de 5 anos, muito parecida com Andrea. Esta era Isabella Antonelli. E a terceira imagem era de George Warren/Matteo Antonelli.

Booth se martirizou internamente na hora em que viu a foto e associou o nome. Como ele fora tão burro em não reconhecê-lo? Não que ele tivesse tido participação direta no caso de George Warren 6 anos atrás, mas ainda assim...

"O ex-namorado da Brennan é o Doser?" – Angela meio perguntou, meio afirmou.

"No momento, ele é o maior suspeito de ser."

Booth falou enquanto pegava o telefone da sala de Angela e discava o número do FBI.

"Mande uma equipe de busca para a casa de Matteo Antonelli, advogado do Jeffersonian. O endereço é..." – ele olhou na tela do computador e viu o endereço logo embaixo da foto. Seu celular tocou. Era Brennan.

Ele passou o celular para Angela. Brennan parecia eufórica, assustada e nervosa ao mesmo tempo. E a primeira coisa que Angela perguntou foi se ela estava bem. Ela disse que sim, mas também disse que tinha se lembrado de muita coisa.

"Booth já mandou uma viatura para a casa do Antonelli, Brenn." – Angela informou e ouviu Brennan suspirar fundo antes de dar mais uma informação para ela.

Angela deixou que o queixo caísse. Estava chocada e assustada.

"Você ainda está com o FBI?" – ela perguntou para Booth, vendo-o fechar o punho com raiva, já esperando alguma má notícia – "Aproveite e peça um mandado de busca e prisão para Tim Sullivan."

x.x.x

N/Rbc: bom, quer queiram quer não, aqui acaba a história do Doser. Fim do Doser. Não quero dar mais explicações sobre ela porque eu to puta com ele e essa era pra ser uma fic só b/b. O Doser entrou de intrometido que é.
Teria ficado melhor se eu revisasse o capítulo e acrescentasse algumas coisas, mas enfim, se eu não colocasse esse capítulo hoje, só colocaria na terça de noite SE eu estiver de bom humor. Porque até lá eu vou ter que me matar de estudar numa matéria pra não correr risco de eu cair fora da facul. E isso tá me deixando angustiada e com medo e puta.
Torçam para eu passar, porque se eu não passar, vocês vão realmente saber o que significa o meu apelido "Angst-Queen". E não vai ser nada legal. *vontade de chorar*

"É a vida. E a vida é triste."- meu lema.