Warnings: Incesto, linguagem chula e cenas explícitas de morte e sexo.
Disclamer: Naruto não me pertence, não ganho nada escrevendo essa história.
N/A: Amei a propagação do ultimo capitulo. Adorei todas as reviews, alerts e favoritos ^^ Fiquei feliz, inclusive, por ter gente que fez perfil no site para comentar, assim eu consigo responder (eu adoro responder vocês).
ERRATA: No capitulo anterior esqueci de colocar uma informação na divisão das cenas. A cena que Itachi e Sakura conversam se passa antes da cena de Sasuke e Orochimaru no fim do capítulo. A diferença de tempo entre as duas cenas é 10 dias. Eu já arrumei isso no capítulo anterior, mas resolvi avisar neste capítulo também para quem já leu.
[N/A (15/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]
PRIDE AND JOY
Naruto acordou com uma sensação desconfortável de que estava sendo observado, apesar de ter certeza que era tarde da noite e todos deveriam estar dormindo. Não abriu os olhos, acreditando ser apenas sua imaginação, desejando voltar a dormir e a sonhar. Depois de alguns minutos, ouviu um suspiro leve, fazendo-o abrir os olhos na curiosidade de descobrir quem estava em seus aposentos.
Gaara estava sentado no sofá de acompanhante, onde Kakashi previamente passava seu tempo, analisando com curiosidade o loiro dormir. Naruto fez um barulho de impaciência com a boca.
_ Para de ficar me olhando dormir, é assustador.
_ Que culpa eu tenho? Você fica sexy quando dorme.
Naruto não se conteve e deu uma leve risada em resposta.
_ Está a dois minutos sentado no lugar do Kakashi e a perversão dele já te contagiou?
_ Não estou pervertido, apenas constatei um fato. - Gaara, exibindo um sorriso nada comum, levantou-se e aproximou-se da cama do loiro, levando consigo um notebook. Primeiramente, afagou os cabelos de Naruto e beijou com ternura seus lábios, para posteriormente abrir o notebook no colo deste, esperando que um programa específico se iniciasse – Conversei com o médico hoje enquanto você dormia, você vai receber alta amanhã.
Naruto, que primeiramente sorriu com a carícia e a informação, franzia o cenho para a tela à frente.
_ É um rastreador. Kakashi está rastreando o telefone de Kabuto. Descobrimos seu numero particular.
Visivelmente interessado, Naruto se ajeitou melhor na cama, analisando a tela sem entender nada. Coçou a cabeça no esforço de fazer as informações tomarem um maior sentido, Gaara riu baixo.
_ São coordenadas Baka. Não vamos ver um caminho de Kabuto andando no google-maps, né?
_ Eu imaginei. - respondeu, fazendo bico e olhando para o mais longe possível do ruivo. Gaara não pareceu prestar atenção na indignação de Naruto, olhando para a tela com uma seriedade antes posta de lado. O loiro conferiu novamente o equipamento, mas não entendia o que de tão importante chamara a atenção de Gaara – Oi, Gaara, o que você...
_ Espere. - sussurrou com urgência. Naruto calou-se e aguardou alguns instantes, e já abria a boca para falar novamente quando o ruivo buscou o celular no bolso com urgência, aparelho novo não rastreado que adquira há pouco tempo. Discou e aguardou alguns segundos ate que a ligação fosse atendida – Kakashi, preciso falar com você urgentemente, volte para cá.
Isso dito, desligou o celular.
_ Vai me informar o que está acontecendo? - Naruto perguntou, levemente irritado por Gaara não estar compartilhando seu grande achado.
O ruivo encarou o loiro como se tivesse acabado de recordar de companhia.
_ Encontrei um padrão na movimentação de Kabuto há alguns dias. Eu estava suspeitando que o esconderijo dele e Orochimaru fosse aqui – disse, apontando para uma localidade no rastreador – e mandei Kakashi investigar. Não sei sequer qual foi o resultado da investigação ainda, mas aconteceu que Kabuto saiu da rota clássica nesse exato momento e está em uma propriedade da Kekken Genkai Inc.
_ E..? Ele pode estar trabalhando, ele não trabalha para vocês? - Naruto perguntou, girando a cabeça de leve devido a duvida. Gaara parecia pensativo.
_ Kabuto está de férias Naruto. Seria um pouco estranho ele estar em Otogakure a trabalho e sair para trabalhar de madrugada, não acha? E justamente por estar de férias, é estranho que ele esteja indo para um dos terrenos da Empresa, até porque não faz parte do trabalho dele ir nesses tipos de locais. Kabuto é nosso gerente administrativo, só faz trabalho na sede principal. Alias, só estamos perdendo nosso precioso tempo rastreando o Kabuto por ele estar na mesma localidade aonde os Uchiha desapareceram, pois isso é um grande indício de que está envolvido.
_ Vocês tem um terreno nesse país de fim de mundo? - Naruto perguntou, levemente curioso. Gaara suspirou, colocando as mãos na cabeça e massageando as têmporas numa tentativa de relaxar.
_ Esse não é o ponto, mas sim, nos temos terrenos em todos os países do continente. Alguns são filiais, prédios já construídos, mas este, no caso, é um terreno novo que acabamos de comprar para fazer uma filial que ainda não foi construída. Eu só me recordo da localidade dele justamente por ter sido comprado há poucas semanas atrás, mais ou menos no momento que você foi baleado por Sasuke.
_ Isso quer dizer que...?
_ Fugaku não pode comprar nenhum terreno sem o consentimento de meu pai, que é o outro sócio da empresa. Um dia antes de você ser baleado, meu pai me mandou um e-mail falando que acabara de assinar o contrato de compra e venda de um terreno indicado pelo Fugaku em pessoa, deixando claro que deveria ser uma filial para se dar enfoque dobrado, pedindo que eu o ajudasse a organizar uma equipe à ser transferida para lá. No momento não dei muita bola pra isso, estava preocupado demais com você por ter ido atrás dos Uchiha a esmo, e depois por ter ouvido no telefone o filho da puta do Sasuke te balear. – as feições de Naruto se entristeceram visivelmente, enquanto as de Gaara indicavam uma raiva eminente – Até porque Fugaku faz varias coisas na empresa que chegam ao meu conhecimento todos os dias... Parecia algo comum, de rotina. Obviamente não era.
_ Gaara eu não estou entendendo.
_ Essa propriedade não foi coincidência, Fugaku pode tê-la comprado por um proposito maior. Pode ser que Kabuto esteja indo para aonde Fugaku está, onde provavelmente Itachi está, se ainda estiver vivo.
_ Mas não faz sentido. - Naruto se sentou na cama, ignorando o arrepio que sentiu em imaginar Itachi Uchiha morto – Kabuto e Fugaku não estão juntos nessa, Kabuto é comparsa do Orochimaru, não é?
_ Faz todo o sentido Naruto.
O ruivo enfiou a mão no bolso de sua calça, retirando um bilhete franzido pela tentativa de ser desamassado, e entregou-o para o loiro, que leu seu conteúdo com atenção.
"Sasuke Uchiha,
Tenho uma proposta a fazer. Se quer ser grande e cumprir seus objetivos, não será andando a esmo para locais inabitáveis e improváveis de se conseguir uma vingança que terá sucesso.
Quer encontrar Fugaku Uchiha? Juntos podemos fazê-lo implorar para jamais ter nascido.
Entre em contato com Kabuto, ele saberá aonde me encontrar.
Orochimaru."
No verso, encontrava-se o telefone de Kabuto. Oh. Agora ele entendia como conseguiram fazer o rastreamento.
_ Encontramos isso na casa dos Uchiha depois que Sasuke e Kabuto saíram. Me admira o fato deles deixarem uma pista tão grande para trás, só posso concluir que foi em um momento de descuido.
Naruto encarou o papel por mais alguns segundos, até explodir em uma gargalhada animada. Gaara analisava a cena sem entender, mas antes que pudesse vocalizar sua duvida ao loiro a porta se abriu, exibindo um ofegante Kakashi, dissipando qualquer conversa anteriormente começada.
_ Eu encontrei Sasuke.
_ O QUÊ? - o loiro e o ruivo gritaram em uníssono.
(***)
Sasuke ouvia os passos de Orochimaru se aproximarem de maneira lenta à sua cama, e esperava estático por aquilo que sabia que viria a seguir. Entretanto, abruptamente, o homem mais velho parou de andar. O Uchiha ainda sentia o olhar intenso de Orochimaru em suas costas, causando-lhe um arrepio e um desejo de terminar tudo o mais rapidamente possível.
_ Vire-se. – A cobra comandou em voz alta e ríspida – Isso não é um pedido.
Ainda com as feições indecifráveis, que lembravam claramente as expressões que Itachi o direcionava nas poucas vezes que estivera na cela do Uchiha mais velho, Sasuke girou o corpo na cama, ficando de barriga para cima, fitando o rosto do homem mais velho lateralmente. Orochimaru sorria por antecipação, se aproximando novamente.
_ Estive esperando por esse dia desde quando Fugaku me entregou uma fotografia sua. Originalmente, você seria meu pagamento, Sasuke-kun.
O garoto agarrou firmemente com os punhos cerrados os lençóis ao lado de seu corpo, a fim de impedir que seus braços estremecerem de raiva. Obviamente suspeitava de uma negociação do gênero, mas descobrir da própria boca de Orochimaru aumentava consideravelmente sua ira.
_ Mas eu não tenho como mérito principal minha palavra, muito menos Fugaku, por assim dizer. – ao chegar próximo o suficiente da cama, inclinou o corpo, debruçando-se e acariciando o rosto do garoto que ainda continuava a fitá-lo com feições apáticas – Ele não pretendia cumprir o combinado, e muito menos eu. Entretanto, eu sou deveras melhor nesse quesito do que o Fugaku, que não passa de um peixe pequeno tentando negociar com cachorro grande. Sei quando e como devo cumprir o combinado... e se, realmente, há a necessidade deste ser cumprido.
Orochimaru se moveu com agilidade, subindo na cama e sentando sobre as pernas de Sasuke, fazendo-o gemer de dor e surpresa. Possuía um agilidade tremenda para alguém da sua idade, e tamanha velocidade apenas o fez relembrar de suas noites com Itachi e sua velocidade sobre-humana, deixando-o consideravelmente com mais raiva.
_ Não olhe assim para mim. – Orochimaru sussurrou, começando a desabotoar a camisa branca que o Uchiha utilizava, lentamente e sem quebrar o contato visual. Sasuke supôs que sua expressão facial não mais se encontrava em branco, a raiva era grande demais para se manter escondida – Não estou te forçando a nada. Você veio até a mim por livre e espontânea vontade. Está deitado nessa cama e fazendo uma justa negociação comigo porque deseja. Então, Sasuke-kun, faça o que se predispôs a fazer.
Os lábios de Orochimaru, que se aproximavam a cada palavra por ele proferida, encontraram o pescoço do Uchiha, sugando com força a sua pulsação de maneira dolorosa. Sasuke parou de respirar, seu corpo evidentemente tenso e seu desconforto estampado em todos os músculos de seu corpo.
O toque de Orochimaru era tão diverso do toque de Itachi, mais ríspido e violento. Se por vezes Itachi perdia o controle e realizava o ato com mais selvageria, mas sempre certificava-se de não machucar o adolescente. Orochimaru, pelo contrário, fazia questão de certificar que estava, sim, machucando de maneira extremamente dolorosa. Cada caricia era ríspida, manchando-lhe a pele. Cupões roxos formaram-se por seu pescoço e peitoral, sua pele era arranhada pelas unhas longas, fazendo o sangue brotar na superfície em alguns pontos.
Mas ele resistia à dor. Sabia como a cabeça de pessoas como Orochimaru e Fugaku funcionavam: desejavam o controle e a soberania, em todas as circunstancias, inclusive nos atos sexuais. Como Orochimaru era incapaz de controlar Sasuke pelo prazer, estava deveras satisfeito em atingir o controle por meio da dor.
E Sasuke não daria a ele este mérito.
Irritando-se visivelmente com a dificuldade para desabotoar a camisa, Orochimaru arrancou os últimos botões, jogando-a para o outro lado do quarto. Com a mão esquerda, tomou-lhe o queixo, atacando os lábios de Sasuke com brutalidade. Este, por sua vez, não correspondeu o beijo, mantendo os lábios selados. Rosnando pela falta de reciprocidade, o homem mais velho mordeu sua boca, forçando a passagem. A despeito da dor, o garoto não apartou os lábios.
_ Coopere – A cobra sibilou, distanciando o rosto o suficiente para observá-lo, demonstrando irritação. Sasuke abriu de leve os olhos, focalizando os lábios de Orochimaru, avermelhados de sangue: seu sangue. Engoliu em seco, sentindo o gosto metálico finalmente se fazer presente em seu paladar – Coopere, pois eu posso muito bem ligar para Kabuto e desfazer o trato. Não tenho o mínimo interesse de transar com um corpo inanimado, se desejasse isso já havia te dopado à tempos.
Sasuke piscou, avaliando cautelosamente a situação. Com uma velocidade superior à de Orochimaru, girou ambos os corpos, sendo que agora era ele quem estava no corpo. Inicialmente a cobra pareceu surpresa, mas relaxou quando sentiu as mãos ágeis de Sasuke no cinto de sua calça.
_ Bom menino – suspirou, deixando a cabeça relaxar no travesseiro enquanto sentia seu cinto ser puxado para fora da calça. Sasuke parecia saber o que fazia, e Orochimaru estava ansioso para avaliar as habilidades do garoto na cama.
Gemeu alto quando a mão de Sasuke o apalpou por cima da calça que, lamentavelmente, ainda cobria seu membro. E gemeu uma segunda vez, quando o adolescente, pegando-o de surpresa, proferiu um soco extremamente doloroso em sua região intima. Sentiu a dor se alastrar por todos os órgãos de seu corpo, não conseguia sequer respirar.
Em milésimos de segundos, Sasuke ergueu seu corpo pela gola da camisa enquanto se colocava de pé na lateral da cama. Sorrindo maleficamente, observou o olhar assustado de Orochimaru, antes de arremessá-lo com força para fora da cama, batendo com um baque surdo contra a parede e caindo sentado no chão. Cuspindo sangue no assoalho, levantou o olhar na tentativa de entender o que havia acontecido. Não foi capaz sequer de focalizar o garoto parado a sua frete, quando um soco de punho fechado acertou em cheio sua face, fazendo-o perder o equilíbrio e qualquer noção de espaço.
_ Orochimaru.
O homem, recompondo o pouco de dignidade que ainda o restava, olhou para cima, encarando Sasuke em posição de vantagem, em pé a sua frente, com as feições novamente apáticas e frias.
_ Reconheço sua habilidade em realizar a manipulação. – Tateando inutilmente pelo chão a procura das armas que sempre escondia pelo quarto para situação de emergência, a cobra não prestava um segundo de atenção nas palavras do adolescente. Irritado, Sasuke pisou com os dois pés nas mãos do homem, fazendo-o contorcer o cenho pela dor – Mas – sentou-se, agora este sobre o colo do homem acima, imobilizando ao mesmo tempo suas mãos e pernas, tomando-lhe a face com a mão esquerda e posicionando uma lamina afiada em sua jugular com a mão direita – Você não tem nenhuma habilidade em identificar a manipulação.
_ Seu...
Sasuke esperou que a cobra completasse a frase, mas ela nada falou. Suspirava com raiva, sabendo o perigo que estava abaixo de seu pescoço. Incapaz de se conter, Sasuke sorriu um sorriso maníaco de pura satisfação.
_ Quando eu fiz cinco anos de idade, Itachi passou a me pegar depois da aula três vezes por semana e me levar para a aulas de artes marciais. Me identifiquei com ninjutsu, assim como ele, e fizemos as aulas juntos, ele naturalmente à níveis superiores do que eu. "Temos que nos defender de Fugaku se a situação fugir de controle" ele dizia. Mesmo depois que ele foi morar fora, eu continuei frequentando o treinamento.
Orochimaru, em um gesto de desespero, puxou as mãos com força, cessando a imobilização imposta por Sasuke. Tentou empurrar o Uchiha para longe, mas ele, em um piscar de olhos, previu o movimento, girando a lâmina afiada por baixo dos braços de Orochimaru e cortando seus pulsos com maestria antes mesmo que este pudesse sequer encostar em seu peitoral e empurra-lo. O homem gritou de dor, perdendo a movimentação das mãos pelo corte profundo em seus tendões, soltando os braços na lateral do corpo.
Sasuke levantou-se, afastando o corpo até o outro lado do quarto, olhando com repulsa o liquido carmesim jorrar em grande quantidade dos braços de Orochimaru, como se acabasse de descobrir que o interior de Orochimaru era tão repulsivo quanto seu exterior. Este, por sua vez, estava petrificado, olhava para o adolescente sem acreditar no que estava acontecendo. Sabia que possivelmente não morreria de hemorragia com cortes no pulso, isso era muito improvável, mas se o Uchiha conseguira se movimentar com aquela velocidade, estava evidente que qualquer tentativa de fuga seria infrutífera. ¹
_ Apesar de todo treinamento, eu nunca consegui colocá-lo em prática. Nas brigas que tive em minha vida, tanto com Fugaku, Itachi e colegas, eu jamais consegui utilizar meu potencial. Devido aos constantes castigos de Fugaku, comecei inutilmente a achar que Itachi ou qualquer outra pessoa iria me bater, me machucar, e isso, por mais estranho que fosse, me impedia de reagir. Itachi ficava puto da cara comigo, mas me fez perder esse medo a algum tempo². Eu era realmente um ser humano deplorável. – O Uchiha falava calmamente, limpando as unhas com a ponta da faca afiada e ensanguentada. A respiração de Orochimaru ficava cada vez mais instável.
_ Veja bem. – o garoto deu dois passos, pisando nas mãos inertes de Orochimaru, fazendo-o lacrimejar. Acocorou-se, para ficar cara a cara com o homem, adorando todo o medo e pavor no olhar de Orochimaru – O que me impedia de reagir sempre foi o medo de ferir aqueles a quem eu admirava, meus amigos e minha suposta família. Mas você... – um sorriso cínico e perigoso brotou-lhe os lábios – não me causa nenhum sentimento além da repulsa.
_ A principio, imaginei que fosse, ao menos, um bom estrategista. Percebi seu primeiro erro na escolha de Kabuto, a meu ver um péssimo auxílio. Deixei passar. - Sasuke se levantou e deu um chute certeiro no estomago de Orochimaru, fazendo-o gemer e parar de respirar com o impacto, seu corpo escorregando para a lateral – Depois, você me traz pra sua merda de esconderijo achando que eu fui encontrá-lo portando apenas uma arma? Sequer se deu ao trabalho de me inspecionar.
Sasuke caminhou calmamente até sua cama. Debaixo do travesseiro, retirou uma corda espessa e cumprida, sem deixar o sorriso perigoso escapar de seus lábios. Fez um laço na ponta, e jogou a outra ponta por cima do lustre do quarto. Virou o olhar novamente em direção a Orochimaru, que percebeu prontamente o que aconteceria. Tentou se levantar, mas havia perdido sangue demais para se por de pé.
_ Não chegue perto de mim! - Gritou, arrastando-se para trás. Sasuke gargalhou, e no mesmo instante a porta do quarto foi forçada para ser arrombada.
_ Orochimaru-sama! - ouvia os guardas gritarem. Orochimaru suspirou aliviado, estava à salvo!
Mas, para o seu completo horror, assim que a porta foi arrombada, Sasuke arremessou duas estrelas metálicas, que atingiram a testa dos dois seguranças em cheio, fazendo-os cair para trás, inertes. Seu corpo tremia, e ele observava o sangue escorrer por debaixo dos corpos feridos. Sem que tomasse conta da repentina aproximação, Sasuke o agarrou pela gola da camiseta, puxando-o para próximo ao nó da corda.
_ Gostou? São shurikens, não tão modernas quanto o seu grande arsenal militar, mas definitivamente são igualmente uteis. E isso – Sasuke arremessou a faca que usara para ferir Orochimaru em um terceiro guarda que adentrara o quarto, mas perdera tempo analisando os corpos caídos no chão, atingindo certeiramente seu coração – é uma kunai.
O terceiro corpo caiu sobre os demais com um baque seco. Orochimaru se debatia, tentando se livrar das mãos de Sasuke, o desespero evidente em sua face e em seus gritos. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, Sasuke o soltou, no centro do quarto, passando a corda em seu pescoço e puxando a outra ponta, fazendo o homem, forçadamente, a ficar de pé.
No entanto, o Uchiha não parou de puxar. Em poucos segundos o corpo de Orochimaru estava erguido, bons 40 centímetros à cima do chão. Ele se debatia, tentava tirar a corda de seu pescoço, mas seus dedos, imuteis devido ao rompimento do tendão, não possuíam firmeza para tal. Sasuke amarrou a corda em poucos instantes na grade que protegia a janela.
Orochimaru foi surpreendido quando Sasuke colocou a sua frente uma cadeira, anteriormente jogada de qualquer maneira no canto do quarto. Sem maiores questionamentos, a cobra se pós em pé na cadeira, respirando com força. Seu pescoço latejava e inchava, provavelmente exibia um grosso traço vermelho, mas ele ainda conseguia respirar e engolir.
_ Bem dizem que o maior erro daqueles que estão no topo é subestimar os abaixo de si. Você me subestimou Orochimaru. - Sasuke sorria loucamente, uma expressão de pura insanidade em cada milímetro de sua face. Rapidamente amarrou as mãos imuteis de Orochimaru com o cinto, que anteriormente fora jogado em qualquer ponto do quarto.
_ O que você quer? Eu te dou tudo! Te dou dinheiro, te dou Fugaku, Itachi, qualquer coisa!
Sasuke riu de leve, soltando as mãos imobilizadas de Orochimaru às suas costas. Aproximou a boca ao ouvido da cobra, falando em voz baixa, porem extremamente clara.
_ Eu quero que você faça a escolha certa.
_ Sim! Qualquer coisa!
_ Você tem duas opções: Aguardar que a polícia, FBI, ou qualquer outra instituição que estará cercando este local dentro de instantes prender você...
_ Impossível! Eu construí esse lugar! Eu sei como é a segurança! É impossível alguém ter descoberto!
_ Suponho que o homem de cabelos grisalhos que eu vi a pouco tempo no terreno, me encarando pela janela como se eu fosse um fantasma, seja uma mera alucinação, não? Suponho que o fato dele ter visto você subir acima de mim seja uma miragem. E suponho que seja extremamente fácil para um civil comum quebrar a defesa de sua fortaleza, não?
O homem abriu a boca, surpreso. Era impossível acreditar que Sasuke decidira agir justamente no momento que se deitara na cama para aguardar o mais velho. O Uchiha estava certo, se alguém estava em seu jardim observando a casa não poderia ser uma pessoa qualquer, fazia parte de alguma instituição de segurança nacional com toda a certeza.
_ Você...
_ Entenda Orochimaru, não há nada que você possa fazer, ou que qualquer outro possa fazer, que meus olhos não possam perceber. - Sasuke, afastando-se do ouvido de Orochimaru, o encarou com as feições frias e apáticas de sempre, fazendo o sangue do homem mais velho congelar. Essa expressão desumana era muito pior do que qualquer chacota – A segunda opção, e a mais preciosa na minha opinião, é que você chute essa cadeira e acabe com a sua imprestável existência.
_ Sua ameaça não me afronta. Já fui preso por tráfico de armas e estou aqui agora, eu sairei da cadeira facilmente.
_ É mesmo? - o adolescente buscou alguma coisa no bolso de sua calça jeans, fazendo questão de mostrar à Orochimaru antes de atirar em sua face, fazendo as diversas fotografias se espalharem pelo chão – Sabe o que é isso, não sabe?
_ Não é possível...
_ Você realmente achou que uma mera porta trancada iria me impedir de vasculhar os demais aposentos? Você realmente me subestimou. - o homem mais velho encarava as fotos sentindo seu coração bater cada vez mais forte. Nas fotos haviam diversos garotos e garotas de no máximo 16 anos em poses sexuais, algumas inclusive em sua própria companhia. Céus, havia foto dele com crianças que não aparentavam sequer 10 anos de idade. Por mais que já houvessem indícios de sua ligação com tráfico sexual e pedofilia, tais crimes nunca foram comprovados pela polícia, e ele não fora condenado neste quesito – Sabe muito bem o que acontece com pessoas como você na cadeia, não sabe?
Orochimaru pretendia falar, mas nenhum som escapou de seus lábios. Sasuke, sem jamais demonstrar mudança na expressão facial, apalpou seus bolsos até encontrar seu aparelho celular, sacudindo-o na face da cobra repugnante antes de guardar em sua própria roupa.
_ Só preciso de mais alguns minutos pra achar a joia, mas tendo em vista sua completa falta de estratégia deve estar casualmente posta em cima de sua estante, não? - ironizou, procurando sua camisa destruída e vestindo-a, preparando para se retirar.
_ Você não vai escapar disso só por que não finalizou meu assassinato. Suas impressões digitais estão por toda parte, há sangue seu em meu corpo. Está condenado também Uchiha!
Sasuke sorriu minimamente, antes de vestir novamente a máscara da indiferença.
_ Eu não tenho a mínima intenção de parecer um santo. Eu sou um vingador, e faço questão que todos saibam. O fato de eu não desejar sujar minhas mãos com o seu sangue não é uma tentativa de sair impune.
O Uchiha, virando de costas, caminhou calmamente para fora do quarto, sobre os berros de misericórdia de Orochimaru. Aguardou no corredor por três minutos, calmamente analisando as próprias mãos, limpando o sangue de seus lábios e cantarolando com paciência, até que a suplica de Orochimaru cessou.
O barulho de móvel sendo derrubado ecoou de maneira alta pelo corredor silêncios, assim como o som de sufocamento e desespero.
Foi incapaz, mais uma vez, de impedir que o sorriso de vitória emoldurasse seus lábios.
_ Menos um.
...continua...
¹ – aos que não possuem conhecimento, não há como morrer com corte nos pulsos. Os suicidas que praticam esse ato são tão ignorantes e incompetentes que sequer conseguem tentar se matar corretamente. O corte nos pulsos é uma pratica de masoquismo frequente, justamente porque o masoquista não pretende a sua morte, e sim sentir a dor e o prazer que adquire com ela.
² – capítulo 8.
