Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D

Ela é o cara.

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Uma intrusa em minha cama

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_Não a assuste desse jeito! – Sango repreendeu enquanto me ajudava a beber um copo de água.

_Desculpe. – Kouga estava sentado a nossa frente – Mas ela está fugindo de mim desde a semana passada, ou eu a pegava de surpresa ou ela fugiria de novo.

Eu toquei meu pulso e olhei para o relógio, medindo a minha pulsação. Sango olhou-me e depois se virou para Kouga com sua irritação ainda mais inspirada.

_E você não pensou que ela pudesse ter problemas cardíacos? Ela podia ter tido um enfarte!

_Mas ela joga futebol! – ele defendeu-se.

_Futebol faz bem para o coração. – murmurei terminando de medir minha pulsação.

É pena que eu não tenha um esfigmomanômetro aqui comigo para medir minha pressão arterial também, porque eu tenho certeza de que ela deve estar bem alta há essa hora.

A minha frente Kouga tamborilou nervosamente na mesa.

_Você... Tem problemas de coração?

_Não. – Sango respondeu em meu lugar – Mas ela poderia ter!

_Por favor, parem de se referirem a mim publicamente no feminino. – pedi temendo que alguém os escutasse.

Já me basta o incidente de ontem com Naraku.

Kouga passou a mão no rosto e resmungou alguma coisa como "Isso não está indo nada bem".

_Olhem, eu só quero conversar, tudo bem?

Sango passou o braço protetoramente por meus ombros.

_Mas el... Ele, não tem nada para falar com você.

_Mas eu só quero ter duas palavrinhas com ela, digo, ele!

Sango pensou um pouco.

_Hum, então acho que tudo bem. – o que? – Vamos lá, você não pode fugir dele para sempre.

Completou batendo amigavelmente em minhas costas. Eu olhei-a chorosa, achei que fosse minha amiga Sango! Eu realmente achei!

Sango suspirou.

_Não me olhe como se tivesse sido traída, agora seja uma boa menina e vá com ele está bem?

_Não! – neguei – Eu não vou a lugar nenhum sem você Sango!

E para comprovar minhas palavras agarrei-me firmemente a ela, como se eu fosse alguma criancinha assustada por ter sido deixada sozinha num quarto escuro, Sango o meu ursinho de pelúcia e Kouga o monstro mal que se escondeu debaixo da minha cama ou no meu armário!

É claro que todos nós sabemos muito bem que esse negócio de bicho papão não é real, não tem qualquer fundo de verdade, é sim apenas uma crendice infantil muito popular da literatura portuguesa e brasileira, embora seu mito também se espalhe pela península ibérica, ele é uma criatura que representa todos os medos infantis, e pode ter qualquer forma mutante imaginável, geralmente devorador de criancinhas, e é mais provavelmente um conto inventado pelos pais para assustar os filhos e obriga-los a se comportar.

_Está bem. – Kouga cedeu – Mas vamos para outro lugar está bem?

Eu não queria ir, mas Sango me obrigou a levantar e arrastou-me ao encalço de Kouga.

Oh Kohaku, onde é que te meteste numa hora dessas?

Kouga levou-nos até um ginásio de basquete, que estava totalmente vazio e escuro, mau sinal! Mau sinal!

Nós somos apenas duas garotas frágeis e indefesas – talvez a Sango nem tanto – e ele é um youkai grande e forte, por que nos traria aqui? Será que ele quer nos matar?! É isso! E esse é o lugar ideal para fazer isso, porque aqui ninguém ouviria nossos gritos! Arregalei os olhos.

_Nós podemos entrar aqui? – Sango perguntou.

_É claro que não mulher! – eu pensei querendo sacudi-la – Vamos nos virar e correr!

_Podemos se tivermos a chaves. – Kouga sorriu mostrando-nos um chaveiro com três chaves. – Digamos que eu tenho... Um amigo. Vamos sentem-se.

Eu não quero me sentar! Eu quero sair correndo daqui gritando feito uma doida!

Sango o que você está fazendo? Por que está se sentando? Ah, eu não posso deixa-la aqui sozinha com esse psicopata! Mordendo o lábio inferior eu sentei-me ao lado de Sango.

_E então. – eu me recuso a encará-lo – Sobre o que você quer falar?

_Sobre isso!

_Isso o que? – fiz-me de desentendida.

_Isso! – ele insistiu.

_Eu ainda não sei sobre o que você está f... Ai Sango! – reclamei quando ela bateu em minha cabeça – Para com isso!

_Você terá de desculpar a minha amiga. – falou ignorando-me por completo.

Como assim ele vai ter que me perdoar?!

Foi ele quem me beijou! Ele! Ele! Ele! E não eu!

Eu é que tenho que perdoá-lo e não ao contrário!

Porém quando tentei protestar Sango pegou-me num abraço esmagador, como se ela fosse uma daquelas mães corujas que sufocam – literalmente no meu caso – as suas crianças.

_Mas entenda que, apesar de ter essa aparência linda e estar acostumada a se expor publicamente ela ainda é só uma criança!

Quando Sango terminou de falar eu já estava mais vermelha que a capa do super homem, porém não sei se pela vergonha ou pela falta de ar, possivelmente pelas duas coisas.

_Como assim?

_Toda a vida dela Kagome foi superprotegida! – Sango continuou a falar, enquanto eu sufocava deliberadamente – Ela foi protegida pelo pai, e depois pelo irmão, e mais tarde por mim e Kohaku! Ela praticamente foi criada dentro de uma bolha cor-de-rosa onde os contos de fada são reais e as donzelas não têm seus beijos roubados.

Que absurdo! Buda me livre se os contos de fadas fossem reais!

Porque eu posso lhes garantir que eles não têm nada de doce e inocente como os adultos ultra protetores de hoje querem nos fazer acreditar.

Quando eu era pequena, em torno de uns quatro ou cinco anos de idade, eu descobri nas coisas de vovô um livro sobre contos de fadas, e eu, toda alegria e inocência, levei o livro para ler na cama, só que aqueles não eram os contos de fadas que eu havia assistidos em meus açucarados DVDs da Disney, aqueles eram os contos em suas versões originais.

Eram contos macabros com muito sangue e em sua maior parte, sem um final feliz.

Foi simplesmente o começo do fim de minha infância.

João e Maria?

Esqueçam a casinha de doces, e a bruxa má! Na verdade era um casal de demônios em uma carroça. Foi assim, Hansel e Gretel (seus nomes originais) foram abandonados na floresta pelo pai (ou a própria mãe em algumas versões) que não tinha mais como sustenta-los, e ai encontraram um casal de demônios que vinham dirigindo uma carroça, e quiseram devorá-los, então enquanto o macho foi pegar a lenha para cozinha-los, a fêmea mandou que Hansel se deitasse numa espécie de mesa para que ela amarrasse seus membros e depois os cortasse que depois seria a vez da irmã dele, mas Hansel disse que não sabia como fazer e pediu para ela mostrar como era, então quando a demônio fêmea se deitou, Gretel rapidamente começou a amarrá-la enquanto Hansel cortava fora os seus membros, então a deixaram esquartejada no meio da estrada roubaram sua carroça e foram embora antes que o outro voltasse.

Chapeuzinho vermelho?

Não existe lenhador nenhum, o lobo devorou a vovozinha e a menina e fim da estória!

A cinderela?

Em algumas versões ela matou a própria mãe para que a madrasta se casasse com o pai dela, e mais tarde na hora do príncipe procurar a dona do sapatinho de cristal, as suas irmãs cotaram os dedos dos pés e os calcanhares para que o sapato servisse nelas, mas vieram os passarinhos e revelaram o sangue em seus pés, e como punição bicaram seus olhos até arrancá-los, então enquanto Cinderela se casou e viveu feliz para sempre sem nunca receber o castigo pelo fratricídio que cometeu, as suas irmãs foram condenadas a passar o resto das vidas cegas e aleijadas.

Em outras o seu pai, profundamente apaixonado por sua mãe, jurou que só voltará a se casar quando encontrasse uma mulher ainda mais bonita que sua falecida esposa e com os pés tão pequenos quanto os dela, e acaba que sua filha Cinderela é a única que se encaixa nessas condições, mas ela horrorizada ao descobri que seu pai pretende obriga-la a desposá-lo foge e se esconde num guarda-roupa que é jogado ao mar (?) quando o guarda-roupa finalmente chega à terra firme ela é capturada e feita escrava pelo resto da vida.

Tanto o conto da chapeuzinho vermelho quanto essa segunda versão de Cinderela, ensina que jamais se deve desobedecer aos pais, porque senão coisas horríveis acontecerão a você.

E não me deixem esquecer Branca de neve, sabia que ela é inspirada numa história real?

Havia uma princesa cujo pai casou-se novamente, e a nova rainha invejava a beleza da princesa e mandou que a matassem, e lhe trouxessem alguns de seus órgãos vitais – pois naquela época acreditava-se que comendo partes do corpo de uma pessoa adquiriam-se as qualidades do morto, mas a princesa ao descobri isso fugiu e escondeu-se nas minas onde trabalhavam crianças escravas, porém a rainha descobriu-a ali e a matou envenenada.

Já na versão de "conto de fadas" – conto de bruxas em minha opinião – Branca de neve não tinha mais de sete anos, e escondeu-se na floresta junto dos sete anões, mas então comeu a maça envenenada, e enquanto os anões pranteavam sua morte apareceu um belo príncipe, até aí tudo normal, mas diferente do que se acredita hoje, o príncipe não a despertou com um beijo, ao invés disso ele roubou seu corpo com caixão e tudo e levou-a para o castelo, onde pretendia fazer... Coisas. Porque se encantou com a beleza dela.

Isso mesmo, o príncipe de Branca de neve era um pedófilo e um necrófilo também.

Ele ordenava que carregassem o caixão da Branca de neve para onde quer que ele fosse, até que um dia, um de seus servos cansado disso, decidiu dar uma surra em Branca de neve para descontar sua raiva, um dos golpes atingiu a barriga dela que a fez vomitar a maçã envenenada e ressuscitar.

Ela contou ao príncipe quem a havia envenenado, e ele querendo vingar sua amada chamou a rainha a um baile, lá ele a obrigou a calçar sapatos de ferro em brasas que estavam encantados e fizeram-na dançar até a morte.

Mas A Bela adormecida é para mim definitivamente o pior de todos!

Este conto ensina o quão perigoso é para uma mulher ser bonita demais – um pecado grave na Idade média, pois a beleza "pecadora e luxuriosa" das mulheres induzia o homem a pecar.

Na versão original ela não adormeceu por um feitiço, e sim porque certo dia espetou-se com um espinho de uma planta venenosa que se fincou debaixo de uma de suas unhas e a fez cair em sono profundo, enquanto dormia ela teve muito mais do que um beijo roubado, porque aquele príncipe, que na verdade era um rei, aproveitou-se de que ela estava dormindo e...!

_Ela também tem a tendência a sempre levar as coisas á sério demais! – continuou Sango. – Olha a tempestade em copo D'água que ela está fazendo por um simples beijo!

_Tempestade em... Copo D'água?! – afrontei-me, finalmente conseguindo me livra de Sango – Ele roubou-me um beijo num momento em que eu estava vulnerável e traiu a minha confiança!

Sango indicou-me com um gesto.

_Viu só? – E Kouga concordou. – Muito bem, então agora que resolvemos tudo, por que não fazem as pazes?

_Eu não... Ai!

Sango apanhou minha mão e a apertou até parecer que os ossos se fundiam, e depois pegou a mão de Kouga e a uniu com a minha:

_Agora deem um belo aperto de mãos! – mandou.

Kouga apertou minha mão.

_Então... Tudo bem agora não é?

_Sim. – eu o encarei seriamente – Mas nunca mais me beije!

Sango deu uma tapa na própria testa, e assim que Kouga levantou-se e foi embora, encaramo-nos e perguntamos uma à outra:

_Qual é o seu problema?! – irritada por ela colocar a culpa em mim eu defendi-me: – O meu problema, você que disse que eu fico fazendo tempestade em copo D'água!

_E fica mesmo! – ela esbravejou – Mas você estragou tudo Kagome! Será que não entende nada?!

_Tudo o que? Do que você está falando?!

Sango passou a mão pelo rosto.

_Entenda uma coisa Kagome, estamos no Japão. Aqui a inteligência é muita atraente, especialmente se estiver ligada a um rostinho bonito como o seu, mas se ele pensasse que você é só uma criancinha crescida...

_Então perderia o interesse. – percebi – Por que não me contou?

_Porque então você não iria protestar com tanta convicção, e ele não teria acreditado.

_Ah... É, até faz sentido. Mas se tudo saiu conforme você planejou, por que eu estraguei tudo?

Sango suspirou sonoramente e recostou-se ao seu assento resmungando "Será que eu tenho que explicar tudo mesmo?" consigo mesma.

_Porque você disse aquilo.

_Aquilo o que?

_ "Nunca mais me beije!". – imitou-me.

_E daí?

_Ele é um homem!

_E...?

_Talvez você tenha mesmo sido superprotegida... – murmurou – Kagome entenda uma coisa, quando você diz para um homem não fazer algo, ele vai lá e faz!

_Você não pode estar falando sério! – olhei-a descrente.

_Ah não? – Sango arqueou uma sobrancelha – Kohaku nunca teria rasgado o lábio inferior àquela vez quando tínhamos treze anos se não tivesse tentando abrir sozinho a garrafa de cerveja, porque mamãe disse para ele não tomar cerveja porque ainda era novo demais.

Isso não parece bem o estilo de Kohaku, mas eu realmente me lembro de uma época em que ele estava com a boca ferida e não queria dizer o porquê...

Instantaneamente lembrei-me de mamãe sempre dizendo a papai para que ele não deixasse a toalha molhada em cima da cama, ou a Souta para não deixar a tampa do vaso aberta, ou a vovô para não assistir jornal demais, porque depois ele sempre ficava paranoico achando que seriamos atingidos por uma bala perdida se abríssemos a janela, e de como eles sempre faziam exatamente o oposto!

E também como eu sempre dizia a Souta para não me chamar de coelhinha, ou a papai para não trapacear nas palavras cruzadas olhando as respostas, e a vovô para não ficar alimentando Buyo fora de hora com petiscos que não fazem parte do seu cardápio!

Por Buda, a Sango tem mesmo razão!

_Então quando eu disse a Kouga para nunca mais me beijar...

_Você praticamente o obrigou a ficar obcecado com você.

_Ah meu Buda!

_Mana? – alguém chamou – Você está aqui?

_Estou Kohaku. – Sango se levantou – Como soube que eu estava aqui?

_Perguntei ao Kouga. – respondeu – O que está fazendo aqui?

_Nada, só tendo uma pequena conversa com Kagome, mas já terminamos. Venha Kagome.

Chamou já indo em direção ao irmão.

_Estou indo. – respondi seguindo-a.

_Podemos entrar aqui? – ele perguntou-nos.

E com um sorriso esperto Sango rodopiou no dedo indicador um chaveiro com três chaves.

_Podemos se tivermos as chaves.

*.*.*.*

_Vai Sango, por favor!

_Kagome você disse que não iria mais evita-lo! – ela repreendeu-me.

_Eu também disse ao vovô que foi o Buyo quem quebrou a mini estatueta de Buda que ficava na cômoda dele! – protestei. – Ah vá lá Sango, é só hoje!

Sango suspirou e passou a mão pelos cabelos.

_Kagome, não é como se ele fosse te pegar no meio do treino e...

_Para! – gritei. – Ah Sango, é que eu preciso de um tempo para pensar em uma forma de erradicar a recente "paixão de Eros" que surgiu em Kouga por mim.

_Tudo bem. – concordou relutante – Então eu digo ao Kohaku para dizer ao treinador que você comeu um... Sei lá, burrito estragado, e agora está meio ocupado no banheiro.

_Jura?!

_É. Até porque se você for para o campo desse jeito, vai acabar ficando parada que nem uma pateta, calculando a velocidade e a distancia que a bola percorre, e a qual distancia cada jogador pode chutá-la, então é melhor você...

_Ai, obrigada Sango!

Interrompi-a, dando-lhe um braço entusiasmado e um beijo estalado na bochecha, em seguida virei-me e saí correndo antes que ela pudesse ter a chance de mudar de ideia.

Algumas horas depois quando Inuyasha chegou ao quarto, um pouco mais cedo que o de costume, ele encontrou-me sentada á uma mesa debaixo da janela cercada de papeis, lápis, e canetas, com planos para dar um jeitinho em Kouga, embora Inuyasha não soubesse desta ultima parte.

_Da onde veio essa mesa?! – surpreendeu-se.

_O pessoal do quarto 83 estava despachando ela, e eles aceitaram me vender por uma pequena quantia que não vem ao caso neste momento, eles me deram a cadeira de graça, e um deles até me ajudou a trazer a mesa para cá.

_E como é que ela passou pela porta?

Eu virei-me para ele com um sorriso maroto.

_Nós a viramos de lado, gênio.

Ele girou os olhos, mas acabou sorrindo também, e disse:

_Vejo que está se sentindo melhor.

_O que? – de repente lembrei-me de que ele também faz parte do time – Ah, é! Sim, estou bem melhor agora, mas acho que ainda vou baldear o resto da noite...

Ele tirou algo do bolso e me entregou, era um pequeno vidro branco de remédio, olhei-o confusa e ele me explicou:

_É um elixir, você coloca vinte gotas num copo de água e toma, é bom para vomito e diarreia, passei na enfermaria para pegar para você.

_Ah. – olhei do vidrinho de remédio para ele sem saber o que dizer – Obrigado Inuyasha.

Ele encolheu os ombros.

_Não foi nada. Mas e então, o que está rabiscando aí?

Arregalei os olhos quando percebi que ele estava tentando ler o que eu tinha escrito e rapidamente virei-me com um agudo "Não!" e joguei-me por cima dos papéis, ai imagina os apuros em que eu estaria se ele lesse "Como se livrar de Kouga?" ou então "Quem sabe a psicologia reversa de um jeito em Kouga?".

Inuyasha se afastou um passo para trás.

_Você é muito estranho Higurashi.

Endireitei-me quando percebi que ele se afastava e virei-me para vê-lo sentando-se na cama da direita – não sei quando exatamente, mas já tem algum tempo que deixamos de brigar pela cama da esquerda – e ligou a televisão.

_Ei Taisho. – chamei – Você sabe como eu poderia me livrar de uma pessoa?

Inuyasha olhou-me estranhamente.

_Quando você diz se livrar, você quer dizer se livrar – e fez um gesto como se cortasse a própria garganta – Ou só se livrar?

_Não é nada disso! É só... Livrar-me mesmo.

_Ah. – ele inclinou-se para frente e começou a mudar os canais da televisão.

_Quero dizer, tem uma pessoa que gosta de mim, mas eu não gosto dessa pessoa só que... Não sei como despachá-la, me entende? Eu nunca despachei uma pessoa na vida, o que é que eu digo?

_Só diga que ela não é o seu amor verdadeiro. – a princesa Fiona, de Shrek, respondeu na televisão.

Inuyasha e eu nos entreolhamos, depois jogamos a cabeça para trás e gargalhamos.

_Certo. – falei – Obrigado pela dica Fiona.

Ele inclinou-se para frente e voltou a mudar de canal.

_Essa pessoa. – falou – Por acaso é a Sango?

_A Sango? – surpreendi-me – Não por quê?

_Olha! – ele exclamou – Eu adoro esse programa!

_Taisho! – chamei – Por que eu iria querer despachar a Sango?

Ele fingiu que não me ouviu, e aumentou o volume da televisão.

No final, Inuyasha acabou não me respondendo nenhuma das minhas duas perguntas, nem como despachar uma pessoa, e nem por que essa pessoa seria a Sango.

Acordei no meio da noite quando ele jogou-me um sapato no braço.

_Ai. – resmunguei me sentando – Por que fez isso?

_Para de bater na porta! –ele repreendeu-me, parecendo mais dormindo do que acordado.

_Bater na porta? Eu não estou... – Mas tinha alguém batendo a porta – Tem alguém...

Fui atingida no estomago pelo travesseiro de Taisho.

_Para com isso, que eu quero dormir! – reclamou cobrindo a cabeça com o cobertor.

_Tá! – eu sibilei – Eu vou ver quem está batendo!

Levantei-me da cama armada com o travesseiro de Inuyasha, e fui andando pé ante pé até a porta, primeiro abri-a só um pouquinho para saber quem era o maluco que estava batendo às... Que horas são? Olhei o relógio despertador em cima da televisão. Às 00h32min!

Olhei pela fresta da porta e vi Sango ali parada, vestindo calça jeans e a sua camiseta "Fuck you".

_Sango! – arregalei os olhos e fechei a porta num baque, tirei-a do trinco com corrente e voltei a abri-la – O que você está fazendo aqui?

_Até que enfim você abriu a porta. – falou já entrando e ascendendo a luz – Eu perdi as minhas chaves, fiquei praticamente duas horas chamando a Kikyou, mas ela dorme feito pedra, e você também não é muito diferente, sabe há quanto tempo estou batendo na porta?

_85 segundos. – resmungou Inuyasha.

Encolhi os ombros para Sango, que me olhou pedindo explicações, e dei um sorriso sem jeito.

_Ele tem audição sensível.

_Ah. – ela começou a soltar os cabelos – Bem ele não precisa se preocupar, porque eu não ronco, então...

Como assim ele não precisa se preocupar? E por que ela está tirando as calças? Ah, não, ela não vai...

_Espera! – abaixei-me rapidamente e peguei a sua calça do chão – Você está pretendendo dormir aqui?

_Óbvio.

_Ah... Certo, as camas são um pouco estreitas, mas acho que Taisho não vai se incomodar em...

_Eu não vou dormir com Inuyasha! – ela protestou.

_Por que não? Você passou um ano e meio dormindo com Kohaku em toda sexta-feira de lua cheia quando tinha sete anos, depois que o pai de vocês contou aquela estória de lobisomens, por que não pode dormir com Inuyasha agora?

_Você está se ouvindo?! – ela sentou-se irritadamente em minha cama.

Muito bem, tem uma coisa que precisam saber sobre mim: Eu não durmo com ninguém!

Nem bichinho de pelúcia. É sério, pra mim já é um grande esforço dormir com uma pessoa no mesmo quarto que eu, mas na mesma cama, isso é...! Com exceção é claro de quando eu era pequena e me enfiava na cama de Souta nas noites frias, inclusive no inverno eu nem sequer precisava arrumar minha cama porque não a usava numa só noite sequer, mas isso era diferente, porque o Souta era basicamente o meu cobertor térmico. Um cobertor térmico é uma coisa, mas uma... Uma... Como é que eu chamo isso? Colega de cama? Não dá! Ah, mas o que vou fazer? A Sango é minha amiga, não posso coloca-la para fora.

_Você não pode ir dormir no quarto de Kohaku? – fiz uma ultima tentativa.

_Eu não confio no colega de quarto dele.

Ela deitou-se em minha cama e puxou o meu cobertor para cima dos ombros.

Suspirei, muito bem, já que não tem jeito... Encaminhei-me até o guarda roupas e guardei ali a calça de Sango, depois puxei um edredom e algumas cobertas...

_Não são panos demais? – Sango me perguntou, mas fiquei calada. – Você vai dormir no chão?

_Eu...

_Higurashi!

_Sango, você sabe que eu...

_Você. Vai. Dormir. Aqui.

Engoli em seco, e voltei a guardar o edredom e a maioria dos cobertores, apaguei as luzes e fui correndo para a cama.

_Está bem, mas chega pra lá.

Embora ela tenha feito o que eu pedi, acabou levando meu travesseiro junto, por isso decidi não devolver o travesseiro que Taisho tão "carinhosamente" jogou em mim.

Eu deitei-me ao seu lado acomodando minha cabeça no travesseiro de Inuyasha, e cobrindo-me inteira com o lençol, juntei as mãos por cima do peito e fiquei olhando para o teto, com certeza não vou conseguir dormir, e esta vai ser uma longa n... Que cheiro é esse? Eu funguei uma e outra vez, na verdade não era um cheiro ruim, longe disso! Era um cheiro bom, diferente e novo aqui em minha cama, mas bom, eu virei-me de lado e peguei cuidadosamente uma mecha do cabelo de Sango, pensando que talvez fosse o cheiro do shampoo dela, mas estava errada, decidida a achar a origem do cheiro eu cheirei o travesseiro.

Ah sim, eu inspirei profundamente, com certeza o cheiro vem daqui. É o cheiro de Inuyasha... Ah, ele é tão bom...

_O que você está fazendo?

Abri os olhos de repente dando-me conta de estar com o rosto enterrado no travesseiro, e olhei surpresa para Sango, que me olhava com uma sonolenta curiosidade.

_Nada. – falei, ah céus, por que estou corando desse jeito?! – Boa noite Sango!

Rapidamente dei as costas a ela.

Mas o que é que eu estava fazendo?! Suspirei e... Acabei adormecendo.

Na primeira vez em que acordei aquela noite, Sango estava ressonando baixinho com a cabeça deitada em meu ombro, e a mão na minha cara, pacientemente eu tirei a sua mão dali e a empurrei para o lado, ela resmungou um nome qualquer, e eu me senti tentada a pergunta-lhe o que ela havia dito, mas falar com alguém dormindo dá má sorte, e eu já havia me arriscado bastante falando com Inuyasha naquela hora que Sango batia a porta.

Da segunda vez que acordei o nariz de Sango roçava em minha bochecha, ela dormia por cima de meu braço coberta até os quadris pelo cobertor, cuidadosamente eu tirei meu braço dali, cobri-a e dei-lhe as costas.

Já na terceira e ultima vez que acordei, dormíamos as duas de bruços com os rostos virados para o lado, e as pontas dos narizes a milímetros de se encostarem, bocejando eu ergui-me sobre os cotovelos e peguei o despertador no criado mudo.

Sete... Seis... Cinco... Quatro... Três... Dois... Um... Zero.

Ele começou a tocar, sorrindo eu desliguei-o e o coloquei de volta no criado mudo.

Sentei-me na cama bocejando e me espreguiçando, ao meu lado Sango dormia tranquilamente, mas é melhor eu acordá-la para que ela vá embora antes que Inuyasha ou o resto dos garotos do pavilhão acordem, não quero que a vejam saindo daqui e pensem mal dela.

_Sango. – sussurrei sacudindo-a levemente pelo ombro – Sango.

Ela resmungou algo inteligível, virou-se de lado e encolheu-se como uma bola, cobrindo-se inteiramente com o cobertor inclusive jogando o cobertor por cima da cabeça como uma espécie de capuz.

_Sango vamos lá, já está na hora de acordar! – insisti sacudindo-a um pouco mais forte – Você tem que sair daqui antes que alguém...

_A veja?

Surpresa eu ergui os olhos, e pude ver na tênue luz do amanhecer que se infiltrava pela janela que Inuyasha me olhava de sua cama com o rosto apoiado na mão e um sorriso brincalhão nos lábios, ele usava calças de pijama azuis, mas da cintura para cima estava nu.

Eu corei, mais por vê-lo sem camisa do que por ter sido apanhada, e isso não faz o menor sentido, porque eu já vi outros garotos sem camisa e até com menos roupa que isso, como naquela vez em que fiz uma campanha de moda praia, e pousei de biquíni junto de outros três modelos masculinos de sunguinha, mas além de mim havia outras duas modelões femininas de biquíni.

_Eu estava com muito sono e não me lembro de como ela veio parar aqui exatamente, mas sei que era tarde da noite, então a deixe dormir mais um pouco, tá bem? – ele bocejou – Nem as galinhas gostam de acordar assim tão cedo. E agora, cale a boca que eu quero dormir.

Ele deu-me as costas e deitou a cabeça no travesseiro improvisado que havia feito com o cobertor, amassando-o até transformá-lo numa bola, em algum momento da noite, porque o seu travesseiro encontra-se comigo por culpa dele mesmo.

_Sango, eu só estou dizendo que se te virem saindo daqui a essa hora da manhã irão pensar mal de você! – argumentei terminando de arrumar a cama duas horas mais tarde.

_Ninguém vai pensar nada do que já não pensam de mim Higurashi. – Retrucou Sango amarrando o seu cabelo no alto da cabeça – Todos já me veem saindo e entrando daqui todos os dias, seja de manha, à tarde ou à noite.

_Ela tem razão. – apoiou Inuyasha, que estava sentado à mesa que eu havia trazido com um caderno e alguns livros.

Suspirei derrotada e estendi a mão para Sango.

_Tá bem, então vamos logo tomar o café da manhã.

Sango sorriu e pegou a minha mão, para sairmos juntas do quarto, por alguma razão temos este hábito de andar de mãos dadas desde que éramos pequenas.

_Ei, que televisão e mesa eram aquelas que eu vi no seu quarto? Não estavam lá da ultima vez.

_Eu comprei a mesa de uns garotos ontem, e a televisão foi o Inuyasha que arranjou.

_Sei...

_Sabe o que? – perguntei desconfiando daquele sorrisinho.

_Nada. – respondeu-me toda cheia de inocência.

_Sango! – ralhei, largando-lhe a mão e me pondo a sua frente com as mãos nos quadris.

Sango deu uma risadinha.

_Quando um homem que conquistar uma garota, ele dá a ela flores e bombons, mas se um homem quiser conquistar você, tem de lhe dar uma televisão.

Eu corei da unha do dedão até o ultimo fio de cabelo.

_Não é nada disso! – protestei – Ele trouxe a televisão porque estava tão entediado quanto eu, e também o Inuyasha ele... – baixei meu tom de voz para um sussurro – Ele nem sequer sabe que sou uma garota.

_Pode até ser. – Sango deu-me um sorriso enigmático – Mas eu me lembro de que antes você só o chamava por Taisho.

Voltei a corar.

_Ah, isto é...! Digo...!

Sango estourou numa risada.

_Fique calma, eu só estou brincando com você Higurashi, você sabe que eu te amo! – e pegou-me de surpresa com um abraço.

Que engraçado normalmente a Sango não é lá muito bem humorada de manhã, mas por alguma razão... Hoje é diferente.

Eu iria comprar para o café da manhã uma fatia de torta com cobertura de chantili e morangos, e um suco de laranja, mas então me lembrei de mamãe, e acabei trocando a minha fatia de torta cheia de calorias por um prato de ovos mexidos com duas torradas com mel e uma maçã.

Mas depois que me sentei, fiquei olhando o meu prato e pensando em comer só a maçã... Ou melhor, posso trocar o resto do prato por um iogurte. Ah fala sério, eu nunca vou conseguir comer tudo isso, e se comer é capaz de eu acabar vomitando, não por vontade própria, mas é que desde pequena eu aprendi a me satisfazer comendo muito pouco, de forma que meu organismo se acostumou com pequenas porções, e se eu comer um pouquinho além da conta eu passo mal.

Suspirei... Ei, não havia duas torradas com mel aqui?!

Quando olhei para o lado Sango estava despreocupadamente limpando o mel dos dedos com um guardanapo... Perto dela não se pode desviar a atenção um minuto sequer.

_Sango. – eu apoiei meu rosto em uma das mãos e dei uma mordida em minha maça – Por que será que Abril é o único mês do ano que não tem a letra o?

Sango franziu o cenho.

_É?

_Você nunca reparou nisso? – surpreendi-me.

_Higurashi. Eu nunca reparei num monte de coisas, mas tudo bem porque você está aqui para me fazer reparar nelas.

Ela balançou a cabeça e deu uma grande mordida em seu sanduiche, confesso que se eu comesse um sanduiche desse tamanho eu iria ficar cheia para o resto do dia.

_Bom dia. – disse Kohaku – Posso sentar-me?

Nós assentimos e ele sentou-se a nossa frente com sua badeja de café da manha super saudável, mas eu percebi que seu olhar estava fixo em Sango.

_Mana. – ele chamou.

_O que? – Sango respondeu com a boca cheia de pão, carne, queijo, ovo e seja lá o que for mais que tem em seu sanduiche.

_Pode me dizer. – ele esticou o punho por cima da mesa e deixou algo cair nela com um estalo metálico – O que as suas chaves estavam fazendo com meu colega de quarto?

E lá estava à chave de Sango no meio da mesa, eu ergui os olhos para a minha melhor amiga.

_Sango. O que você anda aprontando?

*.*.*.*

Pronto desde 18/03/13, eu e essa minha mania de anotar tudo!

Ah eu não estou muito bem, meu astral quase nunca é muito alto mesmo, mas hoje... *suspiro* Acontece que a autora de simplesmente uma das fanfic's mais legais que eu já li decidiu simplesmente abandonar.

E ela tinha fãs, muitos leitores, a fic fazia sucesso, então eu me pergunto se ela não conseguiu por que eu deveria continuar então?

Sinceramente isso me pôs pra baixo mesmo.

AGORA MUITA ATENÇÃO!

Que tal um jogo? Eu sinceramente não iria mais propô-lo, mas como já comentei sobre ele com a Babb-chan, eu não quis desapontá-la, é o seguinte:

O que você diria aos personagens de "Ela é o cara" se um dia encontrasse com eles? Que perguntas fariam? Bem essa pode ser a sua chance!

Envie suas perguntas, quantas quiserem para os personagens que quiserem, usem a criatividade surpreendam! E quando já houver bastantes perguntas, postarei um capítulo especial, com os próprios personagens respondendo suas perguntas.

Respostas as review's:

EllenChaii: Bem agora você já sabe o que ele queria. A pergunta agora é: O que a Sango anda aprontando? KKKKKK

patyzinha: Acho que todo mundo precisa de uma dose de humor de vez em quando para anima os dias, eu por exemplo estou precisando de umas urgentemente. U.U

Ah ás vezes eu demoro, mas não tenho intenção de abandonar, principalmente esta fic que é minha favorita.

ThaliCarvalho: Agora eles idolatram a Rin KKKKK

Bem de uma coisa você pode ter certeza: alguma coisa ele ouviu!

KKKK como você viu ele quase enfartou ela mesmo! Mas o menino só queria dizer pra ela parar de evita-lo, só isso. U.U

Alguns pais fazem isso né? Tentam realizar seus sonhos através dos filhos.

nane-chan: Ah isso é porque depois de pronto, eu ainda fico um bom tempo, modificando um detalhe aqui e outro ali, apagando uns parágrafos trocando outros, até que eu digo "chega se não eu nunca mais posto" KKKKK

Legal com ela ele com certeza não será! Não perca o próximo capítulo: Problemas a vista!

joh chan: Bem, a sobrevivência deles foi um mistério. U.U

Ah esses são fatos aleatórios que eu sei mesmo, e que eu despejo por aqui.

Ela quase enfartou KKKK

Yogoto: Não, não, ele só perdeu a paciência com ela, mesmo. O que me deixa feliz é que eu finalmente estou chegando nas partes que eu quero! ^^

Babb-chan: A o caso do Inuyasha é que a mãe dele o educou bem... Ele que nunca quis aprender mesmo, mas a Kagome já esta botando ele na linha!

Falta de ar realmente é horrível, eu às vezes tenho minhas crises, imagina ela que não pode respirar todos os dias!

Quem diria Sango pode ser organizada! Mas afinal não é pra menos, ela convive com Kagome (que é perfeccionista) há anos, e também mora com Kohaku (que é um tipo raro de homem: arrumado e organizado) desde que nasceu!

Bem nós temos que ver pelo lado de que... Este é o quarto dela. ^^'

Não ligue para as maluquices da Kagome, ela vive no mundo da lua. Entendeu? Mundo da lua, NASA... KKKKK

Não fique assim, eu também não sei andar de saltos. (sou um desastre)

Não ele só perdeu a paciência mesmo, KKKKK ele só queria que Kagome parasse de evita-lo.

Ruh-chan: E o pior é que ela realmente acredita nessa desculpa!

Já até imagino, a Kagome mal vai poder virar uma esquina sem encontrar alguém que saiba que ela é menina!

Agome chan: Todo mundo sempre morre de rir com a Kagome.