Todos os cavaleiros se recuperaram e Hyoga finalmente despertou do coma. Agora que as batalhas contra Atlas estavam acabadas, faltava resolver ainda os assuntos da guerra de alguns corações...
Capítulo 25 - Vida Nova
Eire e Hyoga ficaram se olhando sem nada dizerem um ao outro. Ela, feliz por poder olhar dentro daqueles olhos azuis de novo. Ele, por poder abri-los novamente. Passaram-se alguns segundos e ele quebrou o silêncio, ainda com aquela voz de quem está fraco:
– Devo estar com a aparência pior que a de um lutador de MMA... - brincou Hyoga.
– Continua lindo, pra mim... - Eire respondeu sem pensar, arregalando os olhos e tapando a boca com uma das mãos na mesma hora, arrancando uma risada divertida do cavaleiro de Cisne, que colocou a mão em direção ao abdômen, com uma careta de dor, imediatamente.
– O que foi? - preocupou-se Eire - Está passando mal?
– Não é nada... - ele disse ainda com cara de dor - Devo ter quebrado alguma costela, está bem dolorido...
– Correto, Sr. Yukida, quebrou três na verdade... - interrompeu o médico, entrando no quarto - Além do braço, em dois lugares diferentes...
Eire espantou-se, mas o médico continuou:
– Como se sente?
– Muito bem, apesar das dores... Estou vivo, afinal.
– É verdade, não há presente melhor que a vida... - concordou o médico - Vamos dar um jeito nas suas dores, não se preocupe... Mas vai ter várias recomendações a seguir e algumas restrições...
– Como quais? - quis saber Eire.
– Sua casa tem mais de um andar, Sr. Yukida?
– Tem sim, doutor. - respondeu o loiro.
– Então acho que vai ficar algum tempo sem visitar esses andares... - o médico seguiu, com tom grave - Tem uma inflamação bem feia nas costas, precisará do máximo de repouso que puder fazer e subir escadas está terminantemente proibido...
Hyoga suspirou profundamente com pesar antes de responder:
– Acho que posso aguentar...
– E seria bom também se pudesse arranjar uma enfermeira... Vai ser meio difícil conseguir fazer as tarefas do cotidiano, pelo menos por enquanto.
– E por quanto tempo isso será necessário, doutor? - questionou o cavaleiro.
– Tudo vai depender da sua recuperação, mas certeza que por no mínimo um mês...
Hyoga piscou os olhos longamente e fez uma cara desanimada. Em seguida, perguntou ao médico:
– Bem, faz parte não é mesmo? E pode ter certeza que seguirei tudo o que o senhor mandar, pra melhorar logo... Agora, já posso ir embora?
– Todo cavaleiro é apressadinho assim? - perguntou o médico para Eire, simpaticamente, ao que ela sorriu e respondeu com a cabeça, afirmativamente. O doutor prosseguiu - Ainda tem mais alguns exames a fazer antes que eu possa te liberar...
Hyoga bufou e respondeu, serenamente:
– Então, vamos a eles? Quero terminar logo tudo de uma vez pra sair daqui o quanto antes...
– Naturalmente que sim, vamos providenciar tudo. Terá que me dar licença, mocinha... - o médico falou educadamente para Eire.
– Com todo prazer! - Ela respondeu, dando uma piscada pra ele.
Já fora do quarto e sem se caber em si de tanta felicidade, pegou o celular e discou:
– Mino? É a Eire. Tenho uma notícia fabulosa pra dar!
– X - X - X - X - X -
NO DIA SEGUINTE...
No orfanato, Mino tentava organizar o lanche das crianças. Corria de um lado para o outro freneticamente, para que tudo ficasse pronto rapidamente. Nos últimos dias Eire se ausentava à tarde para visitar Hyoga e organizar algumas coisas pra volta dele e deixava tudo na mão de Mino e das demais ajudantes. Mino não achava ruim, pelo contrário, dava a maior força. Sabia que se fosse o inverso, a amiga faria o mesmo. Mas mesmo assim, não era fácil. As meninas não tinham tanta experiência e agilidade como Eire. Estava absorta em seus afazeres quando a campainha tocou:
– Mitiko, abra a porta pra mim, por favor?
A campainha insistiu e Mino gritou mais uma vez:
– Mitiko! Você ouviu o que eu disse? Pode abrir a...
Nessa hora, a campainha tocou de novo. Sem resposta da Mitiko, Mino jogou o pano de prato na pia e resmungou enquanto caminhava apressada em direção à porta:
– Mas que desespero! Vai tirar o pai da forca, é? - destrancou a porta e não acreditou no que seus olhos viam - Seiya?!
– Oi, Mino, posso entrar? - perguntou o cavaleiro de Pégaso meio sem jeito.
– Ah, claro, claro, entre... As crianças vão ficar felizes com sua visita, você nunca mais veio aqui...
– É, eu sei... As coisas mudaram muito em pouco tempo, né? Mas... Eu não vim ver as crianças, vim falar com você. Tem um minuto?
Vendo a cara de desconfiada que Mino fez e conhecendo-a bem o suficiente para saber que se iniciaria um interrogatório, tratou de se explicar:
– Olha, é um assunto de seu interesse! Na verdade, diz respeito à sua amiga e ao meu amigo...
Mino relaxou e Seiya riu ao reparar que ela tinha ficado menos tensa. Pensou consigo que assim era melhor, afinal, embora não namorassem mais, ele não queria perder a amizade dela.
– Ok, Seiya, sem problemas! Mas terá que me ajudar a servir os lanches primeiro...
Depois da festa que os pequenos fizeram ao ver Seiya lá e quando já estavam devidamente sentados e lanchando, Seiya e Mino sentaram-se em duas cadeiras afastadas do refeitório para conversar:
– Muito bem, Seiya... O que está armando dessa vez?
– Nossa, Mino, que imagem você tem de mim! Do jeito que fala parece até que eu apronto mais que essas crianças...
– E não apronta? - Mino respondeu, rindo da cara de ofendido que o cavaleiro fez - Mas falando sério, o que aconteceu?
– Bem... Não é segredo pra ninguém que a Eire ainda é caidinha pelo Hyoga... E eu também tenho minhas desconfianças de que ele ainda arraste um bonde pra ela, apesar de tanto tempo... - Mino imaginou a cara de felicidade que Eire faria se escutasse aquilo e por um instante pensou em perguntar ao moreno o que o fazia pensar assim, mas achou que era melhor não interromper a sua linha de raciocínio - Estava aqui pensando numa forma de unir o útil ao agradável pra ver se aqueles dois se acertam de uma vez.
– Qual é seu plano? - Mino perguntou curiosa, abraçando as pernas que estavam apoiadas em cima da cadeira.
– Pelo que eu fiquei sabendo, o Hyoga vai ser liberado em alguns dias e não vai poder fazer algumas coisas, sendo necessária a presença de uma enfermeira ou cuidadora nesse primeiro momento.
– É, a Eire comentou isso comigo...
– Bom, a sua amiga se formou em enfermagem, embora não pratique, não é?
– E...?
– E que o Hyoga é muito turrão para aceitar que alguém cuide dele como uma babá, se for uma pessoa que ele goste e confie, fica tudo mais fácil, concorda?
– Acho que estou gostando da sua ideia... - Mino aplaudiu.
– Pensei em sugerir a ela que cuide do Hyoga nesse tempo. Você podia parar de ser tão ruim e dar umas férias pra garota... - ele disse maroto.
– Vou desconsiderar a parte do ruim... - Mino respondeu e ficou pensativa - Mas me lembro dela comentar que ele não vai poder subir escadas e a casa dele é um sobrado. Como que ela vai carregar ele pra cima e pra baixo?
– É aí que eu entro na história! - animou-se Seiya - Tinha pensado em pedir à Saori que os deixem ficar na casa de campo dela. Está vazia, tem empregados que estão na maior calma sem nada pra fazer ali, além de ser um lugar tranquilo, perfeito pra uma recuperação...
– E extremamente romântico também, pelo que já ouvi falar de lá...
– É, isso também... - ele riu.
– Mas você acha que ela vai topar?
– Ela já topou!
– Caramba, Seiya! Rapidinho você, hein?
– Na verdade a ideia partiu dela... Ela ia pedir que ele ficasse uns dias lá descansando, acha que vai fazer bem pra ele depois de tudo o que aconteceu... Como eu disse, eu só juntei o útil ao agradável...
– Eu converso com a Eire, acho que ela vai amar a ideia, mas...
– Sempre tem um mas... - Seiya falou desanimado, apoiando o queixo na mão.
– Será que ele não pode se irritar, achando que estão forçando a barra para os dois ficarem juntos? Ainda mais agora, com a morte de Naida ainda tão recente...
– Pensei nisso também... Mas acho que ele não vai se opor, mesmo achando que é uma armação. Está fragilizado com tudo o que aconteceu, vai gostar de companhia, vai por mim... Acho que será mais difícil ele aceitar alguém profissional cuidando dele. Se for a Eire, ele ficará menos resistente. É pro bem dele mesmo, afinal... Pra saúde dele... - Seiya falou de forma marota as últimas frases, fazendo com que Mino gargalhasse.
– Olha, Seiya, eu nunca imaginei que ia te dizer isso um dia... Mas você está de parabéns, seu plano é brilhante! Eu estou dentro, conte comigo.
– Caramba, Mino, era só dizer que topava e estava bom... Precisava acabar comigo desse jeito?
Mino riu tanto que nem conseguia falar.
Nisso os dois escutaram passos de alguém chegando e riram um pro outro ao verem a loira de quem falavam se aproximar.
– Oi gente, tudo bem? Seiya, você por aqui! Quanto tempo!
– Eire, que bom que você chegou! Estávamos mesmo falando de você! - interrompendo a amiga e sem deixar Seiya responder, Mino falou com olhar de alguém que se não tinha aprontado ainda, ia fazer isso logo.
– Tenho até medo de perguntar o que falavam... - assustou-se a loira, dando um passinho pra trás.
– Relaxa... Nada demais. Pelo contrário! Algo de seu total interesse... - Seiya comentou levantando da cadeira - E agora eu me vou, porque vocês terão muito o quê conversar... - finalizou o cavaleiro, piscando de leve pra Mino e sendo prontamente retribuído.
– Por que será que tenho a sensação que isso cheira a armação? - perguntou Eire se fazendo de ofendida, mas extremamente curiosa pra sabendo que se tratava.
–Não precisa ir, Seiya, fique e jante conosco. - Ignorou Mino, pra desespero da loira.
– Agradeço o convite, mas fica pra outro dia. Combinei com a Saori de jantar fora, ela está precisando relaxar. Se eu demorar mais, vou acabar atrasando e não quero fazê-la esperar...
Mino não resistiu e disse:
– Quem te viu e quem te vê, hein, Seiya Ogawara! Pelo menos esse estresse com você a Saori não vai passar... Espero que continue assim, senão ela estará perdida...
– Já você, que decepção... Parece que o Ikki não anda te fazendo bem. Está ficando mais sarcástica que ele...
Os três riram como há muito tempo não faziam, como se seus sorrisos limpassem toda a agonia e desespero que haviam passado há pouco.
– X - X - X - X - X -
Passaram-se mais alguns dias e finalmente Hyoga seria liberado. Eire tinha acabado de sair banho e estava em frente ao guarda-roupa, num terrível dilema de escolher o que vestir. Queria estar deslumbrante, mas sabia que não podia. Afinal, só ia acompanhar Shun para buscar o cavaleiro de Cisne no hospital. Era estranho, mas ela tinha a sensação de que sairia para um encontro, embora ainda fosse algo bem distante disso. Foi interrompida por batidas na porta.
– Oi... Posso entrar? - Mino colocou a cabeça pra dentro - Mas você ainda está assim? Precisa se apressar, o Shun ligou avisando que já está a caminho... - completou entrando no quarto.
–Não sei o que vestir... - a loira sentou na cama, desanimada.
– Mas não é isso que está te preocupando, eu te conheço... - Mino sentou ao lado da amiga.
Eire sorriu e apertou as mãos de Mino. Não conseguia esconder nada dela, nem quando queria. Era como se seu coração fosse um espelho límpido que refletisse sua alma para a amiga.
– Olha, ficar ansiosa é normal... Vai dar tudo certo você vai ver... - Mino respondeu como que lendo os pensamentos da loira.
– Tenho medo de que tudo fique ainda pior... Estamos nos dando tão bem, pareço estar recuperando a confiança dele. Tenho receio de estragar tudo.
– Amiga, se você não arriscar, nunca vai saber... É uma oportunidade perfeita!
– Mas, Mino, e se ele ficar bravo por causa dessa combinação toda?
– Você acha que o Seiya ia armar alguma coisa que fosse prejudicar o Hyoga? - vendo que Eire não se convencera do argumento, Mino prosseguiu - Tá, eu sei que o Seiya dá umas mancadas às vezes... Mas e o Shun? Ele também topou participa melhor amigo do Hyoga, acima de qualquer suspeita!
– É, pensando por esse lado... Mas mesmo assim, tenho medo...
– Ainda está em tempo de desistir, se quiser... - provocou Mino.
– Desistir, está louca? Já entrei nessa, agora vou até o fim!
– É assim que se fala! - Mino bateu uma palma, abraçando a canadense em seguida - Ai, amiga... Eu só quero sua felicidade...
– Eu sei... - Eire respondeu, ainda abraçada.
– Então vamos com isso, precisa acabar logo de se arrumar. Eu te ajudo!
– X - X - X - X - X -
Hyoga já estava impaciente dentro do quarto. Olhava o relógio, olhava a janela e nada. Não via a hora de sair de lá. Olhou para a cadeira de rodas e fechou a cara. Odiava não poder fazer as coisas sozinho. Mas, não tinha muita escolha. E se não fazer esforço ia livrá-lo daquele martírio, que assim fosse! Batidas na porta o tiraram de seus pensamentos. Uma enfermeira lindíssima, morena de olhos verdes, entrou sorridente no quarto, para dar a Hyoga a notícia que ele tanto esperava:
– Sr. Yukida, seus amigos chegaram. Está na hora.
Hyoga se ajeitou na cama e a enfermeira entrou para ajudá-lo a ir pra cadeira de rodas. Nisso, Shun e Eire entraram no quarto. Não passou despercebido pelo loiro o quão bonita Eire estava. De vestido branco, com flores vermelhas, bem delicado, um pouco acima do joelho, sandália branca de plataforma, cabelos trançados, uma maquiagem leve e um gloss rosa nos lábios. Ele adorava quando ela usava gloss rosa.
– E aí, pronto pra ir? - Shun perguntou sorrindo, tirando Hyoga de sua admiração.
– Com certeza!
– Olá, Sr. Amamiya! Bom vê-lo recuperado. Veio bem acompanhada Srta. Stalteri, esse foi um dos meus melhores pacientes. - Eire sorriu em resposta e Shun cumprimentou o médico com um aperto de mão. O doutor continuou - Aqui estão todos os exames, receitas e recomendações para seu amigo, ele deve segui-las à risca para recuperar-se totalmente.
– Nos encarregaremos para que ele cumpra, doutor. - Eire falou, pegando a pasta das mãos do homem.
– Pensou a respeito do que eu lhe disse sobre a enfermeira, Sr. Yukida? - perguntou o médico. Shun respondeu antes que o amigo pudesse se pronunciar:
– Ele ainda está pensando no assunto, não é, Hyoga? Além do mais, terá vários enfermeiros e enfermeiras cuidando dele.
– Façam como acharem melhor, mas reitero o que eu disse aquele dia. Não quero ver esse rapaz voltando aqui por não ter seguido alguma regra. Se quiserem, posso lhes emprestar a Leila, é de extrema confiança e uma das melhores do hospital. - finalizou o homem apontando para a morena, que abriu um sorriso encantador ao responder, olhando para o paciente:
– Seria um prazer imenso.
– Agradecemos muito, doutor. Mas como o Shun disse, Hyoga ainda pensará na ideia, não é? - interrompeu Eire, levemente irritada com o assanhamento da enfermeira.
– É isso mesmo, doutor. Ainda vou amadurecer a ideia... - Hyoga completou, tentando não rir do ciúme demonstrado por Eire e vendo na mesma hora a cara de decepção da enfermeira.
– Bem, como quiserem! Se mudarem de ideia, basta me avisar.
– Agradecemos novamente, mas realmente não será necessário, doutor. - Eire respondeu já se dirigindo pra porta - Vamos? - perguntou com certa pressa olhando para o Shun, que acenou afirmativamente com a cabeça enquanto empurrava a cadeira de Hyoga pra fora do quarto. Cumprimentaram o médico e a enfermeira e saíram. Eire a encarou discretamente antes de sair e pensou consigo: "Abusada!"
Quando chegaram ao carro, Shun e Eire ajudaram Hyoga a se acomodar no banco traseiro. Eire estava afivelando o cinto pra ele enquanto Shun ligava o carro, quando o loiro segurou na mão dela e disse:
– Obrigado por cuidar de mim. - Eire sentiu-se faiscar com o toque dele e sorriu em resposta a ele, que continuou - Você está linda...
A loira enrubesceu de leve e agradeceu. Shun, que via tudo pelo retrovisor, sorriu e pensou:
"Isso vai ser mais rápido do que imaginávamos..."
– X - X - X - X - X -
Ao chegar na mansão Kido, Hyoga foi recebido com muita festa. Todos o cumprimentaram e se dirigiram para a sala de jantar, onde Saori serviria um almoço de comida típica russa, em homenagem ao cavaleiro. Quando todos estavam devidamente acomodados, Saori se levantou e tomou a palavra:
– Depois de tanto tempo, finalmente estamos todos aqui. É gratificante olhar o rosto de cada um, lembrar de tudo o que passamos e poder dizer: nós vencemos. Não sem sacrifício, sem tristeza, é verdade. Mas o que importa é que esse fato de estarmos todos aqui hoje me fazem ter a certeza que a justiça sempre prevalece e que, não importa o que e nem como aconteça, o bem vence o mal todas às vezes. - E se dirigindo diretamente a Hyoga, completou - Ficamos muito preocupados com você e rezamos muito para que melhorasse logo. Repito o que disse ao Ikki e ao Shiryu quando saíram do hospital: quero que saiba que fico extremamente honrada de tê-lo entre meus cavaleiros e que o admiro pela sua fibra e persistência, por não desistir mesmo quando as forças se esvaíam e as adversidades pareciam maiores que a esperança, ou quando o coração parecia ter deixado de bater e sangrava de dor, pela sensação amarga de impotência. - Obrigada, Hyoga, tenho muito orgulho de você!
Hyoga escutava aquelas palavras e os olhos marejaram. Não queria perder o controle e chorar na frente de todos, mas tinha ficado muito emocionado com aquelas palavras. Percebendo a situação e conhecendo bem o cavaleiro, ela encerrou o discurso:
– Gostaria de fazer um brinde. Um brinde à nossa vitória, mas principalmente àquela que nos ajudou, dando sua vida para que a justiça reinasse uma vez mais. À Naida!
– À Naida! - repetiram todos, em coro, bebendo suas bebidas e fazendo uma salva de palmas a ela.
– Muito obrigada, Saori. Tenho certeza que ela gostou da homenagem, onde quer que esteja... - Hyoga falou tentando não chorar, de modo que apenas Saori escutasse.
– Não precisa me agradecer. Ela teve seu mérito e eu sei reconhecer isso. - e agachando-se à altura do cavaleiro, completou, segurando nas mãos dele - Acho que vai gostar de saber que a enterramos no cemitério dos cavaleiros, no Santuário. Era o mínimo que eu podia fazer.
Hyoga sorriu para Saori e meneou um sim com a cabeça. Não ia conseguir falar mais nada sem chorar, então, preferiu ficar calado.
Todos estavam começando a se servir quando Shiryu levantou, pegou um garfo e bateu na sua taça, chamando a atenção de todos:
– Bem, agora que estamos todos reunidos, eu queria aproveitar para fazer um pronunciamento. Essa guerra me fez perceber que, ainda que passemos anos de paz, nunca teremos a certeza de que não aparecerá um novo inimigo querendo destruir essa paz. A nossa vida é frágil e nós não temos como saber quando será o último dia, por isso, devemos aproveitar cada minuto. Pensando nisso, Shunrei e eu decidimos antecipar nosso casamento. Marcamos a data para o fim deste ano e queríamos chamar vocês, Seiya, Saori, Shun, June, Ikki, Mino, Hyoga e Eire, para serem nossos padrinhos. Seria uma honra imensa pra nós se aceitassem o convite.
Todos começaram a aplaudir, assoviar e cumprimentar os noivos, agradecendo o convite. Quando foi a vez de Hyoga cumprimentar Shiryu, o moreno perguntou, com expressão preocupada:
– Espero que não tenha problema em termos chamado a Eire para ser nossa madrinha com você, mas é que ela...
– Shiryu, não precisa se justificar... - o loiro respondeu rindo - Não poderiam ter feito escolha melhor.
Os dois se abraçaram emocionados, e Shiryu agradeceu-lhe.
– Eu esqueci de uma coisa! - falou Saori, antes de todos começarem a refeição - depois de tudo o que passamos, precisamos descansar e relaxar. Por isso, nada melhor que merecidas férias. Trinta dias pra fazerem o que quiserem! E vamos comer!
– Finalmente! - Seiya disse, passando a mão na barriga - estou faminto!
Todos riram e começaram a se servir.
Durante o almoço, Seiya resolveu colocar seu plano em prática. Deu um cutucão em Saori, que estava sentada estrategicamente ao lado do cavaleiro de Cisne. A deusa prontamente entendeu o recado:
– Então, Hyoga... Eu estava aqui pensando que as suas férias não serão tão justas quanto às dos demais, já que passará grande parte senão todo esse tempo em recuperação. Então queria te fazer um convite.
– Um convite? - perguntou intrigado o loiro.
– Sim... Queria que aceitasse passar esses trinta dias descansando na minha casa de campo. É tranquilo, aconchegante, e não tem escadas pra subir e descer...
– Agradeço muito, mas não posso aceitar. Não há necessidade de todo esse trabalho por causa de mim...
"Previsível"– pensou Seiya - "É a minha deixa"
– Poxa vida, vai fazer uma desfeita dessas? - perguntou Seiya - Nenhum de nós teve esse privilégio, para de ser chato e aceita logo... Além, do mais, eu não contrariaria Athena se fosse você...
Todos caíram na risada, inclusive Hyoga, que ainda meio sem jeito concordou:
–Tudo bem... Se é para o bem de Athena, eu aceito... - brincou o russo.
– Muito obrigada, Hyoga! Não sabe como fico feliz!
– Eu é que tenho que agradecer, Saori...
"Parte 1, concluída. Vamos à próxima etapa."– pensou Seiya.
– Essa ideia foi ótima, querida. Mas teve uma coisa na qual não pensamos... Não me leve a mal, Saori, mas por mais boa vontade que seus empregados tenham, não são enfermeiros e nosso amigo aqui ainda precisa de cuidados...
– É verdade, Seiya. - Saori concordou e continuou, antes de ser interrompida por Hyoga, que aparentemente queria se pronunciar - Vamos ligar no hospital e arrumar uma enfermeira pra você, e nem quero ouvir que será um incômodo, porque não será.
– Não quero ser mal agradecido, mas, sinceramente, eu prefiro me virar sozinho. Não vou me sentir à vontade na sua casa e com um estranho de babá. Me desculpe, mas seria abusar muito da sua boa vontade... - Hyoga completou.
– Eu concordo com ele, querida... Ia detestar alguém do hospital me torrando a paciência... - concordou Seiya.
– E se não fosse alguém do hospital? - Mino, que esta sentada em frente a Eire, perguntou.
– Como assim? - Saori se fez de desentendida.
– Tipo um amigo, que tenha dotes médicos... Mais precisamente uma amiga, que é uma excelente enfermeira... - Mino concluiu, marota.
No mesmo instante, Eire, que estava sentada ao lado de Hyoga, fingindo estar comendo distraidamente, mas na verdade escutando cada palavra dita atentamente, parou com o garfo no ar, enquanto todos na mesa olhavam pra ela.
– O que? Eu? - perguntou a loira.
– Sim, por que não? - respondeu Mino.
– Ai, gente... - ela falou verdadeiramente sem jeito, largando o garfo no prato e passando a mão na nuca, de forma nervosa - Eu nem sou enfermeira de verdade... Conheço as coisas na teoria, mas a prática é bem diferente.
– Claro que é enfermeira! Quem cuida das crianças quando se machucam? - questionou Mino.
– Ai, Mino, eu sei, mas são situações bem diferentes...
– Tenho certeza que você tem competência pra isso... - Hyoga disse olhando docemente pra ela, deixando-a envergonhada - Mas não acho justo que ela perca trinta dias cuidando de mim.
– Ela tem férias vencidas, está mesmo precisando descansar, assim como eu... A gente pode dar um jeito nisso...
– Mas, Mino, aí fica pior ainda! Não acho certo ela gastar todo seu descanso comigo, vai ser um estorvo...
"Ai, meu pai, e agora? Preciso de ajuda!"– Seiya pensou aflito, já perdendo as esperanças de que seu plano daria certo, quando foi salvo por Shun:
– Por que não deixamos a Eire resolver? Já que as férias são dela...
Eire engoliu seco antes de responder. Era agora a hora da verdade:
– Bem... Eu realmente ia tirar férias, embora não tivesse programado nada de especial... - e olhando para Hyoga, concluiu - Se ele não se importar, eu adoraria passar esse tempo relembrando meus tempos de enfermeira...
– De forma alguma seria um incômodo! - o loiro disse, na sequencia - Eu adoraria a sua companhia... Desde que isso realmente não vá estragar seus planos...
Eire sorriu em resposta, tentando não pular em cima da mesa de tanta felicidade. Era a chance que ela tanto precisava!
– Ótimo, então está tudo decidido! - Saori sentenciou, antes que alguém mudasse de ideia - Tatsume, por favor, ligue para o Isao e peça pra deixar tudo arrumado. Daqui a dois dias ele terá dois convidados muito especiais.
– Perfeitamente Senhorita!
– Dois dias são suficientes pra se organizarem? Ou precisam de mais tempo?
– Não, Saori. Dois dias está perfeito pra mim. - Disse Hyoga.
– Sim, Saori. - completou Eire - Mais que perfeito...
– X - X - X - X - X -
No fim daquele dia, Shun levou Hyoga pra casa. Ele precisaria de ajuda com as malas e cuidados, e ainda não teria sua enfermeira de prontidão naquela noite. Ele passaria a noite na casa do amigo, ajudando com o que ele precisasse.
Shun destrancou a porta e Hyoga sentiu um frio na espinha. Estranhou o fato da porta estar ali, tinha certeza que ela tinha sido arremessada pra longe naquele fatídico dia. E eram exatamente as lembranças daquele dia que o atordoavam.
Quando Shun abriu a porta, Hyoga espantou-se mais uma vez: estava tudo em perfeita ordem, como se nada tivesse acontecido. Vendo a surpresa do amigo, Shun explicou:
–Achamos que preferiria a casa assim... Eire e eu tentamos deixar as coisas do jeito que você gosta. Queríamos que voltasse e se sentisse de fato em casa.
– Eire... - Hyoga falou sorrindo - Não precisavam se incomodar, muito obrigado!
– Não precisa agradecer, você merece.
– Obrigada mesmo, Shun... – e fechando a cara de repente, o russo continuou - Mas ainda não gosto da ideia de você dormir todo torto nesse sofá...
– Já discutimos isso, Sr, Teimoso... Sem chance de você dormir em outro lugar que não seja seu colchão. Precisa se recuperar! Sua enfermeira ainda não esta aqui, mas eu posso puxar sua orelha no lugar dela se precisar, por enquanto...
– Enfermeira, é? - Hyoga sorriu e olhou desconfiado pra Shun - Eu só aceitei essa armação toda de vocês porque realmente preciso de sossego pra me recuperar...
Shun gargalhou antes de responder:
– Quem disse que é armação?
– Nem vem, Shun! Eu conheço vocês direitinho...
– E se fosse uma armação? Você voltaria atrás? - desafiou Shun.
– É uma armação, eu sei, não desafie minha inteligência tentando me convencer do contrário. Mas como eu falei, estou indo porque realmente será ótimo poder descansar longe de tudo. - desconversou o loiro.
– Você não respondeu minha pergunta... - encurralou Shun.
– Shun, eu não voltaria atrás, satisfeito? Estou preocupado demais em ficar bom logo pra perder tempo me irritando com essas besteiras... Só decidi ir, realmente, por causa da minha saúde.
– Só por isso? A companhia da Eire não pesou nem um pouquinho na sua decisão? - Shun cutucou.
Hyoga respirou fundo, aparentemente ganhando tempo pra pensar com cuidado no que responderia:
– Eu não menti quando disse que gosto da companhia dela...
Shun sorriu satisfeito. Conhecia bem demais o amigo pra saber que ele não falaria mais nada e tinha entendido perfeitamente as entrelinhas. E era só isso que ele precisava ouvir.
– X - X - X - X -X -
No orfanato, Eire e Mino se abraçavam radiantes.
– Não te disse que ia dar tudo certo, amiga?
– Ai, Mino... Nem sei como agradecer a vocês pela força! Eu nem acredito que ele topou e que deu tudo certo!
– Ah, Eire, fala sério... Você achou mesmo que ele não ia querer que você fosse? - Mino perguntou se jogando na cama.
– Ah, não sei... O Hyoga é uma incógnita pra mim, às vezes...
– Eu queria ser uma mosquinha pra ver como vocês dois vão ficar lá...
– Deixa de ser enxerida! - Eire brincou, atirando um travesseiro na outra.
– Eu não vou aguentar trinta dias sem saber o que está acontecendo! Vou te ligar todo dia pra saber das novidades...
– E você acha que eu aguento? Se você não me ligar, eu te ligo! Estou tão ansiosa que estou quase começando a arrumar minhas malas agora mesmo...
– Ótima ideia! Podíamos começar mesmo a arrumar suas coisas...
– Podíamos? - Eire perguntou.
– Não quer minha ajuda? Ótimo, vou descansar então... - Mino foi em direção à porta, fingindo-se de ofendida.
– Para de ser besta, claro que quero sua ajuda! - Eire retrucou, jogando outro travesseiro na amiga - Preciso que me dê umas dicas do que levar...
– Pode ter certeza que eu vou te ajudar! Principalmente te ajudando a lembrar o que não deixar de levar... - Mino riu.
– Como o quê? - perguntou inocentemente a loira.
– Uma lingerie, daquelas bem lindonas...
– Mino! Eu vou lá pra cuidar dele não pra atacá-lo! - Eire riu, levemente envergonhada.
– Ah, tá bom! E você não pensou nem por um momento sequer em tirar uma casquinha? - Mino riu e jogou o travesseiro de volta na amiga.
– Casquinha? Eu queria é tirar uma cascona! - gargalhou Eire, tentando ficar séria logo depois - Mas falando serio... Eu não posso apressar as coisas ou vou colocar tudo a perder... Além do mais, ele esta machucado, não pode fazer grandes, err... - Eire pensou uns segundos, tentando achar a palavra mais apropriada para a situação - esforços! Isso, ele tem que repousar.
– Sei... - disse Mino, com cara de que não estava convencida do que ouvia - Pra certos esforços ele não precisa usar o que machucou... E tenho certeza que ele não vai se incomodar em fazer esse tipo de esforço...
– Mino! - Eire respondeu rindo - Tenho que dar razão ao Seiya, você esta ficando igual ao Ikki! Que mente poluída!
– Razão para o Seiya? Ah, isso eu não aceito, principalmente vindo da minha melhor amiga...
– Quer saber? Você tem razão, eu discordo do Seiya... - Eire disse com o travesseiro em mãos, preparando um "ataque" - Você esta ficando pior que o Ikki!
E as duas começaram uma divertida guerra de travesseiros, feito duas menininhas. Após alguns minutos, caíram no chão, exaustas, em meio às penas dos travesseiros.
– Nossa, que bagunça! - exclamou Mino, pegando um punhado de penas do chão.
– Já era arrumar minha mala... - Eire levantou do chão, ajudando Mino a levantar-se também - Vou pegar um saco de lixo e uma vassoura pra arrumarmos essa zona... - a loira ia saindo do quarto quando Mino a segurou.
– Eire... Promete uma coisa pra mim?
– E o que seria?
– Que vai cuidar de seu coração, Eire. Que vai fazer de tudo pra agarrar essa chance e ser feliz, de verdade.
– Mino... - Eire respondeu olhando nos olhos da amiga - eu vou aproveitar minha chance, fique tranquila e torça por mim. Eu vou correr atrás da minha felicidade e, dessa vez, não vou deixá-la escapar dessa vez. Tenho mais medo do que pode me acontecer se eu ficar sem ele do que se estivermos juntos.
– Isso quer dizer que o medo do compromisso acabou?
– Sei que ainda é cedo, nem estamos juntos... Mas se as coisas se encaminharem pra isso... Sim, não tenho mais medo.
– Mais um casamento? Viva! – Mino comemorou jogou as penas pra cima enquanto Eire sinalizava pra ela baixar a voz ou acordaria as crianças – Só tem uma coisa, muito importante, que você não pode se esquecer jamais. - Mino falou tão séria que Eire empalideceu – Se não me chamar pra ser sua madrinha, eu te mato!
As duas riram e se abraçaram. Parecia que a felicidade que chegou à Mino, estava agora batendo à porta de Eire.
– X - X - X - X - X - CONTINUA - X - X - X - X - X -
Obrigada pelos comentários! Sigam acompanhando as emoções finais! Tks! =)
