Capítulo 25

Não era um dia comum na Inglaterra, já que não chovia. O céu estava aberto, fazia calor, mas era um dia comum pra mim, como aqueles dias em que eu pensava – convencida - sem medo de estar errada: "Eu tenho a felicidade eterna". Esse pensamento invadia minha mente toda vez que eu via o seu sorriso, o rosto perfeito, sentia o perfume embriagante. E eu via tudo isso todos os dias. Já estava me acostumando de ter tanta sorte. Isso já era comum para mim. Eu estava deitada na areia quente, observando o mar, fazendo o peito de Teddy de travesseiro, escutando seu coração, sentindo sua respiração em meus cabelos.

- Teddy? – chamo baixinho.

- Hum?

- Achei que você estivesse dormindo.

- Estou quase – diz.

Me viro para encará-lo. Passo a ponta dos meus dedos pelo seu cabelo e seu rosto, contorno o sorriso dos seus lábios.

- Assim eu vou dormir pra valer.

- Tudo bem. Eu paro! – me sento na areia e me afasto.

- Você fica linda fazendo charminho.

- Quem disse que eu estou fazendo charminho?

Ele se senta também e eu me viro de costas pra ele, fazendo ainda mais charminho. Teddy ri, me abraça e beija minha nuca. Ficamos assim por um tempo, observando o mar.

- Vamos entrar? – ele pergunta.

- Entrar onde? – fico sem entender.

- No mar.

- Não mesmo.

- Por favor?

- Não, Teddy. Daqui a pouco eu tenho que encontrar as meninas – digo rindo, olhando para o relógio. – Daqui a pouco não... Agora! – me levanto e saio andando rápido, indo direto para o chalé.

- Você está fugindo de mim – grita Teddy ainda sentado.

- Eu? Fugindo de você? Lógico que não, só estou... tentando não me molhar. – digo sem olhar pra ele, dando um tchauzinho para o ar. Mas em menos de dois segundos Teddy estava me carregando e ameaçando entrar comigo no mar.

- Não, Teddy! Eu juro que outro dia eu entro, mas hoje não. Por favor.

- Só estou brincando com você, ok? Não vou te molhar – ele diz rindo e depois me beija. – Vai encontrar com as meninas onde?

- Na Madame Malkin do Beco Diagonal.

- Quer que eu te leve lá? – ele pergunta e eu faço que sim com a cabeça.

Fui até o chalé e peguei minha bolsa, e logo depois já estava em frente à Madame Malkin dando um beijo de despedida em Teddy e entrando para encontrar Mia, Cris e Sarah. Ajudei Sarah e Mia a comprar vestidos e Cris uma blusa, eu não queria nada. Depois fomos ao Florean Fortescue tomar sorvete e colocar a conversa em dia.

- Minha mãe já deve estar louca atrás de mim – disse Sarah se levantando.

- Não é só a sua, amiga – disse Cris.

- Então vamos todas embora? – pergunta Mia com cara triste.

- Amanhã a gente se vê, Miazinha – disse Sarah, abraçando e beijando todas. – Na minha casa, não esqueçam. Cris, você vai comigo?

- Sim senhora. Beijão amores – Cris se despede mandando beijos no ar.

- Bom, acho que devemos ir também. – diz Mia.

- Sim. – respondo – Mas quero passar na Floreios e Borrões antes.

- Ui amiga, vou te deixar nessa. Quando você entra lá dentro, só Merlin pra te tirar! – Mia ri, me abraça – Até amanhã, florzinha.

Ela se afasta, eu fico um tempo sentada na mesinha do Florean Fortescue e desisto de passar na Floreios e Borrões. Vou andando pelas ruas movimentadas do Beco Diagonal quando algo me chama atenção.

Os cabelos loiros, quase brancos, não estavam mais penteados com gel. Os olhos claros, cor de mel, observando o copo com a bebida amarela. Ele estava mais forte, mais bonito, tinha que ser honesta e dizer que era até irresistível. Meu coração batia forte contra o meu peito enquanto eu observava Phillip Blauth sentado em uma mesa de bar com outros garotos. Eu estava estática, tensa, recebendo flashes dos nossos últimos encontros, olhando tão fixamente para o Phillip que não percebi o garoto ao lado o cutucando e falando alguma coisa em seu ouvido. Só fui reparar nisso quando o meu olhar encontrou com o dele.

Eu dei um passo para trás, assustada, trombei com uma senhora que passava, derrubando as sacolas que ela carregava.

- Oh, me desculpe – menti.

- Que é isso, minha querida, eu que não olhei por onde estava andando – ela ri.

Me ajoelho e começo a pegar as coisas da senhora que estão espalhadas pelo chão, mas todas se desprendem da minha mão, voando para dentro das sacolas com apenas um toque da varinha.

- Obrigada, mas seu esforço não será necessário.

- Tudo bem, desculpa de novo – peço nervosa, não pela vergonha de ter derrubado coisas dos outros no chão, mas pelo fato de ver, pelo canto do olho, Phillip em pé, não tirando os olhos do meu rosto.

- Sem problemas – ela ri, balança a cabeça e fica séria – Está acontecendo alguma coisa, minha querida? Posso ajudar?

- Oh. – fico surpresa por estar demonstrando tão facilmente minha aflição – Não. Mesmo assim, obrigada.

Ela dá de ombros e, sorrindo, some no meio da multidão. Não perco o meu tempo e faço o mesmo que ela, jogo os meus cabelos no rosto e vou andando para onde tinha a maior concentração de pessoas. Olho para trás pra checar se ele não estava vindo atrás de mim e lá estava ele, tentando o mais rápido possível passar entre as pessoas.

- Victoire! Vicky, espere! – ele grita.

Eu corro, corro o mais rápido que posso entre a multidão para sair, só que Phillip é mais rápido do que eu, muito mais rápido. Ele grita o mais alto possível e as pessoas param para olhar a cena... E a minha salvação está logo à frente. Entro tremendo na Gemialidades Weasley.

- Vicky. – Tio Jorge me chama do segundo andar da loja.

Eu olho para trás, Phillip está entrando na loja, preciso sair daqui o mais rápido possível. Olho para tio Jorge, forçando um sorriso, e aceno.

- Indo para casa – coloco num tom divertido para não deixar suspeita.

Corro para a lareira pegando o pó de flu dentro de um saquinho na minha bolsa, dou uma última olhada em Phillip... Ele está olhando para os lados, me procurando. Jogo o pó dentro da lareira, Phillip me vê e as chamas verdes me consomem.

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Eu estava sentada no sofá, em frente à porta principal do chalé, ouvindo meu pai e minha mãe conversando na varanda ao mesmo tempo em que ouvi o estalo da aparatação dos dois. Olho em seguida para a lareira e Dominique some na chama verde carregando Louis no colo, sorrindo pra mim e mandando beijo antes de sair rodando por aí. Então me vejo, sentada no sofá, em frente à porta principal do chalé, completamente sozinha, começando a ter um surto de desespero.

Já fazia semanas que saí da mesma lareira que Dominique e Louis acabaram de sumir, toda suja de fuligem e completamente sem ar pelo susto de ter encontrado com Phillip. A partir desse dia eu não me deixei ficar sozinha... até hoje. Meus pais saíram para fazer compras e encontrar com alguns amigos, e Dominique e Louis foram para A Toca de repente. Não fazia nem uma hora completa desde que Sarah, Cris e Mia tinham ido embora, e Teddy passara o dia com os meninos prometendo que passaria aqui mais tarde, mas esse 'passar aqui mais tarde' bem que podia ser nesse segundo.

Eu quase tive um impulso de pedir a todos para ficar comigo, mas eles já estavam desconfiados demais da minha desculpa mais freqüente: "não tem nada, são só os N.O.M's. Sei que me ferrei legal". E permaneci nessa, sem contar a ninguém, nem para parede do meu quarto ou a água do meu chuveiro. O fato é que eu não sabia até quando ficaria nessa angustia. Eu só tinha um palpite, o que rodava minha cabeça o tempo todo "fique sozinha, sem ninguém por perto e ele vira até você", então me arrisquei nesse palpite.

- Vicky? – e parece que eu estava certa.

Coloquei ambas as mãos em meu peito, impedindo meu coração de sair do meu corpo de tão forte que batia. Mil coisas passaram pela minha cabeça incluindo planos mirabolantes como: apagar todas as luzes da casa e me esconder dentro do armário, de preferência debaixo de um cobertor, mas eu continuei quieta junto com os meus devaneios e as chamadas pacientes de Phillip. Não fazia idéia de quantos "Vicky" ele já tinha chamado, mas eu tinha que voltar à péssima realidade.

- Vicky, eu sei que você está aí e eu não vou sair daqui enquanto você não abrir essa porta! - ele grita e eu ainda não abro – Será que vou ter que arrombar essa porta?

- O que você quer? – pergunto assim que abro a porta.

- Demorou para abrir a porta. – ele diz, em tom de reclamação – Não vai me convidar para entrar?

- O que você quer? – repito e ele suspira.

- Quero conversar com você... Te fazer umas perguntas, pode ser?

- Não sei, Phillip. – suspiro cansada – Não acho que temos que conversar um com o outro, pra mim já está tudo bem claro e não faço a mínima idéia do que você quer me perguntar. Mas se isso botar um ponto final nessa história, eu faço esse sacrifício.

- Isso é um sacrifico pra você? – ele pergunta ofendido.

- Você não sabe o quanto. – eu rio e paro quando vejo seu olhar de raiva – Espere um minuto.

Vou correndo até ao meu quarto e pego minha varinha enquanto penso pra onde vou com Phillip. já que minha casa está totalmente fora de cogitação. E qual desculpa dou para os meus pais? Tenho que colocar alguém no meio, como se necessitassem de mim e esse alguém não podia ser Mia, Sarah ou Cris, já que é muito fácil meus pais ou minha irmã - e quem sabe até Teddy - ir à casa delas me pegar, ou se comunicar pra ver o que estava acontecendo... Cherry seria perfeita! Assim que termino de escrever a pequena mentira num pedaço de pergaminho, fecho todo o chalé e saio.

Descemos o rochedo até chegar à praia, um lugar estratégico para ninguém nos ver ou ouvir, não muito longe do chalé, mas o suficiente para as pessoas que estão dentro dele nos escutarem com vozes alteradas, bem perto de umas rochas.

- Pronto, Phillip. Pergunte.

- Por que você fugiu de mim no Beco Diagonal?

- Eu não sei, talvez você quisesse me agarrar como fez na sala comunal.

- Eu não iria fazer isso.

- Eu também pensei isso naquele dia.

- Eu estava bêbado. – eu ri da sua mentira.

- Não, não estava. Eu sei diferenciar uma pessoa que bebe três copos da que bebe três garrafas.

- Eu não sei o que aconteceu aquele dia ,ok? Eu meio que apaguei tudo da minha cabeça.

- Sério? Então deixa eu te lembrar.

- Não precisa, obri...

- Você tentou fazer de tudo comigo. À força. Eu pedi milhões de vezes para você parar de me agarrar e você NÃO PAROU. Depois veio com "desculpas" e "eu te amo".

- Você deve se lembrar que eu disse que estava arrependido e que eu te amo. – ele disse chegando mais perto de mim.

- Isso não é amor, Phillip.

- Vamos esquecer isso, por favor. Vamos passar a borracha, virar a página. São coisas do passado, não contam mais. Eu te amo e só eu sei se isso é verdade ou não. – ele pega minha mão e me puxa para si, encostando sua testa na minha.

- Não se apaga assim tão fácil. Acabou, Phill. – eu afasto o rosto.

- Você acha que acabou, mas quem sabe isso tudo não acabou de começar? Eu vou te recompensar por tudo o que fiz... – ele sorri e passa a mão pelo meu rosto – Só não te dou meu coração porque ele já é seu.

- Não importa o que você vai fazer. Não será o suficiente, mesmo me dando seu coração. Prove que me ama e me deixe ser feliz. – digo pegando sua mão e a apertando.

- Você será feliz ao meu lado. – ele diz com convicção e me abraça mais apertado.

- Não, Phill, não serei! Você sabe que não. – não escondo o tom de desespero em minha voz. Ele precisa entender.

- Você viveu pouco tempo pra saber.

- Vivi muito tempo pra saber com quem eu quero ficar.

- Diz que sou eu e prometo nunca mais fazer coisas que você não queria. Diga e vamos sair daqui.

Eu fecho os olhos tentando controlar minha paciência, mas ainda estou atenta aos seus movimentos. Ele puxa a sua mão que eu apertava e passa ela pelos meus cabelos.

- Infelizmente as coisas não são assim. – abro os olhos, sua boca a centímetros da minha – Sua palavra não me garante nada e eu não vou esperar pra ver a suas atitudes. – coloco minhas mãos em seu peio e o empurro, tentando me afastar.

- Não resista. Eu sou o homem da sua vida.

- Eu já achei o homem da minha vida e ele não é você, pare de se iludir! Eu estou com excesso de felicidade com Teddy, me deixe ficar com ele? – peço, quase me ajoelhando aos seus pés, peço quase entrando em prantos.

- NÃO. NÃO DEIXO.

Ele me solta e me empurra forte contra as rochas, bato a cabeça na pedra e logo em seguida sinto um líquido grosso e quente descendo pelo meu couro cabeludo, junto com a dor ofuscante. Sinto minha varinha partir ao meio em minha mão por causa do impacto. Dou um passo para frente, coloco a mão nas costas e vejo que não cortei só a cabeça. Olho para Phillip com nojo e ódio enquanto ele vem ao meu encontro. Tento sair da sua frente, mas ele pega meu rosto e me empurra mais uma vez contra as rochas. Tento não gritar de dor.

- O que ele tem de tão diferente de mim? Por que ele e não eu? – pergunta com ódio, segurando o meu rosto com força contra a rocha.

- Porque quando eu peço pra ele parar, ele pára. – cuspo as palavras em cima dele.

- Já disse que me arrependo. – ele grita se afastando – Pare de ficar jogando essa historia na minha cara. Crucio!

A dor veio. Uma dor maior do que todas as outras. Nunca senti algo desse nível antes e não queria ter sentido. Deitei-me no chão me contorcendo e gritando. A dor só aumentava. Meus ossos pareciam estar em fogo, minha cabeça queria explodir. Debatia-me ao mesmo tempo em que soltava urros de dor.

Dor. Só sentia dor.

Meus olhos giravam descontrolados em minha cabeça. Preferia morrer a sentir tudo novamente. Queria perder os sentidos. Queria que tudo aquilo parasse.

E parou.

- E daí? Você vai sentir mais remorso do que está fazendo agora do que qualquer outra coisa que tenha feito na vida. – eu disse, resgatando toda força que ainda tinha. Phillip passava as mãos constantemente pelo rosto murmurando "o que eu penso que estou fazendo, Merlin!". Vendo o começo de um remorso, continuo: – Está vendo, você não me ama, você tem obsessão! Não sei por que você faz isso, não sei por que você é assim, mas tenho total certeza que isso não é amor. Por que não acaba comigo de uma vez? Eu ainda consigo falar.

Phillip tinha lágrimas nos olhos quando chegou perto de mim e se agachou. Passou a mão no meu rosto. Tentei desviar, sentindo nojo. Ele levanta, dá três passos para trás e aparata. Suspiro aliviada sentindo o bolo crescer em minha garganta. Tento levantar, mas não tenho forças, peço desesperadamente para Merlin me dar só um pouquinho de força ou que alguém me encontre e me leve para casa. Era o que eu mais desejava nesse momento e depois... depois eu queria um banho e queria dormir, de preferência ao lado de Teddy. Teddy... Um pensamento me ocorreu, um bem provável. Phillip podia ir atrás de Teddy e fazer com ele coisa pior do que fez comigo. Eu tinha que ver Teddy. Agora.

Me levanto, usando as rochas como apoio, mas assim que dou o primeiro passo eu caio, o vestido que usava sendo rasgado por ficar preso em uma rocha pontiaguda. Não desisto, vou me arrastando, a areia machucando a frente do meu corpo, uma coisa que não ligo já que a dor da minha cabeça superava qualquer outra. Tento levantar sem me apoiar em nada, rio porque consigo, dou três passos a caio novamente. Começo a chorar de desespero, o sangue não parando de escorrer da minha cabeça. Tento várias vezes ficar em pé... dando quatro, cinco passos quando levanto, engatinho um pouco, machucando meus joelhos, mas isso não me impede. O que me impede é a força que eu não tenho. Tento inúmeras vezes ficar em pé ou engatinhar, umas com sucesso, outras não. Rio no meio das lágrimas quando vejo as luzes do chalé.

- PAI, PAI – coloco toda força que me restava na voz – MÃE. PAI. MÃE. TEDDY. TEDDY! Por favor, alguém?! – peço aos prantos.

Me levantei novamente, vi uma sombra na luz da janela, grito por socorro mais uma vez antes de sentir o baque do meu corpo no chão e sentir tudo escurecer.


N/A: Acho que tem alguns cérebros pregados no teto agora, porque todas as pessoas que leram esse capítulo disseram quase a mesma frase 'MINHA CABEÇA EXPLODIU'. Não vou comentar mais nada sobre ele, mas espero super ansiosa as reviews.

Já vou dizendo que o capítulo 26 vai demorar um pouco porque eu ainda não terminei de escrever D:. rezem para eu ter idéias. E eu respondo as reviews amanhã. Desculpa gente, mas eu estou caindo de sono i.i. E não me matem, ok? É tudo pelo bem dos meus personagens.

Beijãão amooores :* Até depois,