Nota do James: Milagres acontecem! Finalmente o capítulo certo na data certa! A partir de hoje, vamos voltar ao ritmo normal de um capítulo por semana.

Aproveitem a volta à rotina! (Com toda a intenção do trocadilho! XDD)

CAPÍTULO XXIV

DE VOLTA À ROTINA

- Isso é tudo que consegue fazer, bebê? – Enquanto o Lutador Solitário falava, sua beyblade aumentava a própria velocidade de giro, expulsando a gosma por meio de uma lei da física. – Se você já terminou, acho que está na hora de eu fazer a minha pequena demonstração. Kid Dragoon, Tempestade Fantasma!

Um vendaval mais forte do que o criado por Fenhir ameaçou tirar Yoshiyuki do chão no momento em que seu mestre deu o comando. Alarmado, Koichi levantou-se e correu em direção a arena, à tempo de ver seu irmãozinho apavorado cobrir o rosto com o braço esquerdo na tentativa de se proteger do ataque. Segundos depois, Ceres saiu voando da arena, em rota de colisão com seu mestre, que, impedido de ver o que estava acontecendo, não conseguiu se desviar em tempo. O impacto do choque fez Yoshiyuki praticamente voar de encontro ao irmão, gritando com a dor de ter seu braço quebrado em várias partes por sua própria beyblade. O garotinho só teve tempo de encarar o irmão antes de perder os sentidos.

A luta contra Shinji Ueno continuava a perturbá-lo, mesmo três dias depois da maldita semifinal. Eram raras as ocasiões em que Yoshiyuki agia como a criança de quase sete anos que era, na maior parte do tempo seu status de gênio fazia com que ele convivesse com, ensinasse e vencesse crianças e adultos muito maiores do que ele. Durante os últimos três dias, no entanto, dúvidas quanto à extensão de sua genialidade explodiam uma após a outra enquanto o garotinho não fazia nada além de deitar-se em seu futon e observar o irmão treinando no jardim.

Sua última derrota havia sido humilhante. Yoshiyuki estava muito abaixo de Shinji em níveis de poder, Ceres não teve chance contra Kid Dragoon. De início, este modo de pensar parecia lógico, afinal seu adversário realmente não tivera dificuldades para derrotá-lo. Entretanto, após passar algumas horas refletindo sobre a luta, um outro argumento para a superioridade de Shinji Ueno em relação a ele surgiu: Shinji era mais maduro, mais sério, mais preparado para enfrentar o mundo real. Além de ser mais fraco, Yoshiyuki era uma criança ainda, gênio ou não, e por isso não conseguira vencer seu oponente

- Pra mim chega, eu não quero mais ser um gênio.

Ao pensar em si mesmo como uma criança normal, o orgulho por estar oito anos avançado na escola e por ser muito mais inteligente do que muitos professores transformou-se em seu pior kharma. Yoshiyuki estava cansado de seu tratamento especial, de ser a exceção para todas as regras, de sentir o olhar suspeito dos professores que pensavam que o fato de ele estar na mesma turma que seu irmão oito anos mais velho fosse apenas um erro de cálculo, não o fruto de seis anos sendo superestimulado por seus pais. Estava cansado de ser avaliado o tempo todo, de ter que provar para os outros a sua capacidade.

Porque depois de sua última derrota, ele estava começando a achar que esses outros estavam certos, e não havia uma capacidade extraordinária que ele deveria provar.


Enquanto Yoshiyuki se fechava no quarto pensando, Koichi e seu avô treinavam no jardim. Não era segredo para ninguém que o líder dos Taichi desaprovava a atitude de seus companheiros de time, que escolheram apoiar Shinji Ueno em uma luta com conotações suicidas. Ele não gostava do líder dos Kita no Ookami, e não apenas porque ele ganhara de Yoshiyuki em uma semifinal – Koichi seria muito infantil se o fizesse. Sua relutância em se aliar a Ueno devia-se em grande parte ao tipo de energia que rodeava o garoto, a marca dos que, assim como ele, tiveram que amadurecer muito depressa e passar por treinamentos que crianças de sua idade não deveria nem saber que existiam. Ele, Ueno e os Soldier of Russia eram similares neste aspecto, e por isso o garoto relutava em se aproximar dele.

Pensar no mestre de Kid Dragoon por este ângulo inevitalvemente forçava-o a pensar em Hajime Yuy. Durante um treino, pensar no homem que ele mais odiava não era exatamente uma coisa ruim, seus golpes sempre acabam mais precisos e fortes quando ele o fazia.

O fato de Hajime e Koichi serem pai e filho já não era mais tão importante depois dos quase quinze anos de relações conturbadas e dois meses de confronto direto no último campeonato mundial. O líder dos Taichi não considerava mais aquele homem como seu pai há muito tempo, sua relação sanguínea era apenas um capricho de algum Deus com péssimo senso de humor. Hajime era seu rival, o oponente que ele precisava derrotar. Pouco lhe importava se o homem continuava desaparecido depois de quatro meses de investigações, ele sabia que um dia ele mesmo acharia Hajime Yuy, e quando este dia chegasse os dois poderiam finalmente acertar suas contas.

- Koichi! Koichi! – Exclamou Yukio Yuy, chamando o neto de volta à realidade. Apesar de estar próximo de completar seus sessenta e seis anos de vida, o avô de Koichi conservava a força e vitalidade de um jovem de metade da sua idade, o que era um requisito de sobrevivência necessário para treinar alguém como seu neto, que aos quatorze anos de idade e 1,82 m de altura podia derrotar homens com o dobro de seu tamanho. – Koichi, você quer lesionar seu treinador e ter que ficar sem treinar pelas próximas semanas? Eu não lembro de ter dado permissão para extravasar seus instintos assassinos ainda.

Ao ser repreendido pelo avô, Koichi parou de atacar. Como normalmente acontecia em seus treinamentos, o garoto liberara um pouco mais de força do que o aconselhavel para um treino leve ao pensar em Hajime Yuy, forçando Yukio contra a parede sem perceber.

- Me desculpe, vovô, eu vou prestar mais atenção nos meus golpes a partir de agora. - Sussurrou a voz controlada do líder dos Taichi, preparando-se para recomeçar seus ataques assim que seu avô desse a ordem.

- Eu sei que você costuma pensar em Hajime durante os treinos, Koichi, mas se não tomar cuidado, nem mesmo eu vou conseguir pará-lo. Vamos encerrar o treinamento por hoje, amanhã continuamos. – Declarou Yukio, encarando o neto com seu olhar autoritário. A realçao de Koichi foi imediata:

- Ainda é cedo, vovô, nós podemos treinar mais.

- Não, não podemos. Estamos aqui há quatro horas, seu corpo deve estar perto do limite mesmo que não queira admitir. – Quando Koichi abriu a boca para interromper, Yukio calou-o. – Você ainda tem quatorze anos, Koichi, não vai te fazer bem treinar demais. Já é hora do almoço, nós precisamos fazer Yoshiyuki comer agora.

Yukio sabia que ao mencionar o neto mais novo, o mais velho imediatamente se acalmaria. A apatia de Yoshiyuki chegava a tal ponto que o garotinho se recusava a comer a não ser que seu irmão e seu avô o forçassem a isso. Nem mesmo chocolate era capaz de abrir seu apetite. Três vezes por dia, no café da manhã, almoço e jantar, Yukio e Koichi passavam pelo menos meia hora argumentando com o garotinho até convencê-lo a aceitar a refeição.

Como o mestre de Ceres se recusava a deixar o quarto, nem ele nem Koichi estavam indo para a escola. O irmão mais velho estava decidido a voltar apenas quando seu irmão se recuperasse, não queria dar aos seus professores a satisfação de vê-lo em sala sem o pequeno gênio ao seu lado. Assim como o irmão, ele estava bem ciente do ponto de vista dos professores, que se recusavam a aceitar que uma criança de seis anos pudesse passar oito anos de escola e ainda figurar entre os melhores alunos da sala.

Yoshiyuki ganhou seu almoço. Koichi voltou a treinar – sem o avô – logo após terminar de comer. Os irmãos Yuy não viam a necessidade de sair de casa ou de se comunicar com seus amigos uma vez que eles provavelmente estavam ocupados ajudando Shinji Ueno. A rotina da família não mudou muito no restante da semana, a não ser pelo telefonema do diretor da escola exigindo que os irmãos voltassem a estudar. Sem outra alternativa, Koichi se viu acordando cedo na segunda-feira de manhã, vestindo seu uniforme e se despedindo do avô e irmão menor rumo à Juunan Chuugakko, sua escola em Akihabara, tentando se preparar para a chuva de perguntas e provocações que o aguardavam em sala de aula.


A luta final entre Rumiko e Shinji havia sido há uma semana, porém o inusitado resultado ainda não fora esquecido pelos fãs do esporte. Koichi não havia nem sequer se aproximado do portão da escola antes de ser abordado por colegas curiosos. O assunto das perguntas variava: da extensão do poder de Shinji Ueno até o orgulho ferido dos campeões mundiais derrotados por ele, enquanto o fã-clube de Yoshiyuki perseguia-o tentando saber quando o garotinho estaria de volta.

Sim, Yoshiyuki tinha um fã-clube. Sim, o fã-clube era povoado por garotas de todas as idades que idolatravam sua carinha fofinha, sua inteligência e seu amor por chocolates. E sim, elas eram sem dúvida o grupo de garotas mais irritantes de toda a escola, ao menos para Koichi.

- Eu já disse que não vou responder nenhuma pergunta. Saiam da minha frente antes que eu decida mostrar porquê eu ganhei o campeonato nacional de karatê por dois anos seguidos. – A ameaça do líder dos Taichi, combinada com sua voz firme e intimidadora, encarregou-se de afastar qualquer companhia indesejada no caminho para a sala de aula. Uma vez dentro da sala da turma 3-A, o garoto sabia que estaria livre de encomodações, uma vez que seus colegas o conheciam a tempo suficiente para saber que não devia falar com ele a não ser que ele se aproximasse primeiro. Mesmo estando fora por todo o segundo ano, a reputação que contruíra em seu ano de novato – antes de se juntar aos Taichi e tornar-se um ser mais "sociável" – ainda persistia entre seus colegas, e ele não fazia questão de mudar isso.

Ao entrar na sala, porém, o líder dos Taichi não encontrou o ambiente calmo e quase relaxado, com colegas conversando em pequenos grupos à espera dos professores que normalmente caracterizava sua turma. Aquela segunda-feira no meio de abril aparentemente marcava não somente o seu retorno à escola, mas também o retorno de um colega que ele não via desde a partida para Hong Kong.

Praticamente escondido entre o amontoado de colegas que o cercavam, Makoto Umeragi conversava animadamente com os velhos colegas, gesticulando um pouco mais do que o necessário para dar um tom profissional ao seu pequeno discurso. Koichi e Umeragi não era exatamente amigos, conheciam-se desde a segunda série do Shoogakko, quando o líder dos Taichi mudara de escola após a partida de seus pais para a Rússia. Desde então, sua relação com o colega era de quase rivalidade, uma vez que os dois eram sempre os únicos a conseguir cem por cento em todos os testes de todas as matérias e a se sair bem em todos os esportes na educação física. A única diferença entre eles – que parecia estar ali apenas por capricho – era que, enquanto Koichi tornara-se um mestre na luta com mãos vazias, Umeragi dominava o clube de kendô, capaz de vencer até mesmo os alunos da Juunan Kookoo.

O Makoto Umeragi que se encontrava diante dele não havia mudado durante o peíodo de mais de ano em que os dois perderam contato: seu cabelo castanho continuava cortado curto e levemente despenteado, tinha o mesmo brilho levemente malicioso no olhar, a mesma habilidade para fazer discursos cativantes que chamavam a atenção de todos os seus colegas. Koichi precisou chegar bem perto do garoto para perceber a única grande mudança em seu colega, a razão pela qual ele demorara tanto tempo para aparecer em sala de aula: Makoto Umeragi estava em uma cadeira de rodas, com as pernas cobertas por um cobertor negro.

- Umeragi? O que... – Koichi começou a perguntar, levemente curioso. Não que ele estivesse preocupado ou fosse ficar com pena do colega, mas re-encontrar um conhecido depois de mais de um ano sem contato e achá-lo em uma cadeira de rodas deixaria qualquer um com vontade de fazer perguntas.

- O que aconteceu comigo? Ah, Yuy, nada demais, nada demais... – Ao começar a falar, Umeragi assumiu a postura de um orador profissional, como se a sua história fosse parte de um grande discurso dirigido a todas as pessoas do mundo. O garoto tinha o dom de tornar até mesmo a mais mundana das conversas em uma narrativa excitante, seu carisma atraía professores e alunos sem distinção e sua inteligência contribuía para dar a impressão de que ele sabia mais do que qualquer um sobre qualquer assunto. – Um pequeno acidente na noite de ano novo, minha mãe jogando o carro no precipício pra que o meu pai não pudesse mais ficar com a gente. Sabe como são esses casais em vias de se separar... discutindo sobre tudo, querendo tudo... Ela só queria evitar que o meu pai ficasse comigo depois de passar os últimos anos sem nos dar atenção. O mais puro amor de mãe, eu diria... Infelizmente pra ela, eu sobrevi, e meu pai ficou comigo agora que ela não faz mais parte deste mundo...

Algumas meninas que estavam por perto suspiraram, colocando em palavras exatamente o quão tocadas estavam pelas palavras de seu colega. Em meio aos suspiros e babações, Koichi conseguiu perceber mais uma pequena mudança, esta quase imperceptível: apesar de suas palavras, o acidente deixara suas marcas no antigo Makoto Umeragi, contaminando seus sorrisos – maliciosos ou não – e seu olhar aguçado e alerta com uma sombra negra e amarga, alimentada pela tristeza e o desespero que o garoto conseguia esconder tão bem em suas palavras enfeitadas. Se Koichi não fosse tão bom em ler as expressões alheias, ele mesmo não teria percebido essa mudança.

- Eu ouvi dizer que a nossa turma ganhou um aluno novo esse ano, é verdade, Yuy? Um certo bebê que saiu do berçário direto para o Chuugakko com um empurraõzinho da família superpoderosa? – Os olhos de Umeragi estavam totalmente concentrados em seu rival. Mesmo com a nova sombra de pensamentos negativos, Makoto Umeragi continuava sendo Makoto Umeragi, seu hábito de provocar Koichi sempre que possível não poderia desaparecer com um simples acidente automobilístico. – É uma pena que ele não está aqui hoje, eu queria tanto conhecê-lo... Será que o bebê cansou de bancar a criança grande resolveu voltar para creche?

A única coisa que impediu Koichi de avançar contra o colega foi a entrada do professor de geografia em sala. O professor sorriu ao perceber Umeragi de volta em seu lugar de costume, na carteira a frente de Koichi. Não era segredo para ninguém em Juunan Chuugakko que Daichi Arai gostava muito do garoto, favorecendo-o sempre que possível por qualquer motivo. Só faltava a Arai-sensei fundar uma religião para Makoto Umeragi, tamanha sua idolatria. Em comparação, seu ódio por Koichi já era praticamente uma lenda na escola, não havia uma única aula em que o primogênito dos Yuy não fosse forçado a se retirar por algum motivo besta. Como era de se esperar, a aparição de Yoshiyuki servira para reforçar ainda mais esse ódio, que passou a ser dirigida à família Yuy como um todo. O fato de Koichi estar presente sem seu irmão menor deixava-o tão ou mais satisfeito que o retorno de Umeragi.

- Sentem-se todos e não façam nenhum barulho enquanto eu faço a chamada. – A ordem era um tanto desnecessária, uma vez que todos os alunos já se encontravam sentados e em silêncio. Assim que todos os nomes foram chamados, o professor se levantou, caminhando até a carteira de seu aluno favorito com um grande sorriso no rosto. – Classe, hoje é um dia especial, como podem ver. Depois de cinco meses afastado de nós, a mente mais brilhantes desta sala de aula está de volta ao nosso convívio diário. Vamos aplaudir o nosso guerreiro que passou cinco meses em uma batalha de vida ou morte para estar presente aqui no dia de hoje! Vamos aplaudir Umeragi-kun!

A classe obedeceu imediatamente, com a maioria dos alunos aplaudindo tão entusiasmadamente quanto o professor. Koichi foi o único que se recusou a juntar e separar as palmas de suas mãos mais do que duas vezes consecutivas, o suficiente para atrair a atenção de Arai-sensei:

- Ora, Yuy-kun, o que houve? Esqueceu como se aplaude? – Provocou o professor, dando um passo a frente para ficar mais perto de seu aluno mais odiado. – Ou será que você está tão tristinho porque seu irmãozinho foi mandado de volta para a pré-escola que não consegue mais dar demonstrações de felicidade?

- Yoshiyuki não voltou para a pré-escola, Arai-sensei. – Koichi encarou o professor com seu melhor olhar intimidador, que ele sabia que o homem poderia sentir mesmo com sua franja entre eles. Ele estava decidido a não engolir a provocação ou perder o controle dessa vez. – Eu sinto ter que acabar com o seu natal antecipado, mas a única razão pela qual ele não está mais vindo pra aula é porque ele não está em condições físicas de comparecer depois da luta nas semifinais do campeonato.

- Condições físicas, você disse? – Makoto virou o rosto para encará-lo, sorrindo provocativamente. – Achei que o grande Koichi Yuy fosse capaz de arranjar uma desculpa melhor para a covardia do bebê. Como você pode ver, eu estou fisicamente incapacitado, e nem por isso deixei de cumprir a minha obrigação de estudante esforçado e inteligente.

Um segundo foi o tempo que Koichi demorou para tomar sua decisão: ele não queria cair nas provocações do professor de geografia, mas responder a Umeragi era uma atividade que ele quase apreaciava:

- É melhor você manter a sua boca bem fechada daqui pra frente, Umeragi, se não eu vou me esquecer de que você não pode andar e vou te fazer voar.

Como Arai-sensei estava exatamente entre os dois garotos nessa hora, não foi nenhuma surpresa vê-lo sorrindo largamente ao mandar Koichi para o corredor acompanhado de um sermão de quinze minutos sobre discriminação e falta de sensibilidade com o colega desfavorecido, o qual foi completamente ignorado pelo líder dos Taichi.


No caminho de volta para casa, depois de mais algumas horas de tortura psicológica ao lado de seu antigo rival, Koichi pôde pensar pela primeira vez no único ponto positivo que a volta de Umeragi trouxera para sua vida: com ele por perto, ninguém mais pareceu interessado no sumiço de Yoshiyuki ou na derrota dos irmãos Yuy nas semifinais do torneio japonês. Umeragi definitivamente sabia como chamar a atenção e atrair seguidores, seu poder persuasivo era impressionante.

Talvez essa habilidade fosse genética. O pai de Umeragi, o homem que "abandonara" a família por seu emprego, era o dono de uma empresa do ramo de tecnologia chamada ShinTec. A empresa entrara sorrateira no mercado, comercializando um ou outro produto semelhante ao fabricado por empresas mais conhecidas, até começar a crescer em ritmo acelerado nos últimos dois anos. O sucesso da ShinTen se devia à habilidade de seu proprietário de negociar, vender e comprar ações de outras empresas, tornando-se o principal acionista de muitas delas, até forçá-las a fundirem-se com a sua ShinTec. Os profissionais do mundo dos negócios apelidavam Ichirou Umeragi de "Papa Tudo" da tecnologia, o insaciável comedor de empresas e apropriador de idéias. Todas essas negociações não seriam possíveis se o homem não possuísse o dom da oratória e um incrível poder persuasivo. A ShinTec crescera tanto que já possuía inclusive filiais no exterior, na China, na Rússia, na Coréia do Sul e na Índia, e já havia planos para futuras expansões.


- Como foi na escola, Nii-chan? – Perguntou Yoshiyuki assim que ouviu o irmão entrar no quarto. Ele continuava sentado em seu futon com as coisas encostadas na parede de madeira, observando o jardim pelo espaço deixado pela porta de correr que no momento encontrava-se aberta. Apesar de perguntar, o garotinho não parecia realmente interessado na resposta.

- O de sempre. Arai-sensei me colocou pra fora em cinco minutos de aula, seu pequeno fã-clube quase me atrasou pra chegar na sala e nenhum dos nossos colegas teve coragem de perguntar como você estava. – Koichi sentou-se ao lado do irmão, pegando sua mão que não estava engessada e colocando entre as suas em uma rara demonstração de afeto. Ele também olhava para o jardim, preferindo esperar até que Yoshiyuki o encarasse para encará-lo de volta. – Ah, e um antigo colega meu que estava no hospital voltou para a escola hoje também. Ao menos ele atraiu a atenção que de outra maneira seria dirigida a mim.

- Você disse para os professores que eu não vou mais voltar? – Perguntou o irmão menor, tentando desvencilhar sua mão das do irmão. Em resposta, Koichi segurou-o ainda mais forte, passando um de seus braços pelos ombros do garotinho. O líder dos Taichi não era de usar demonstrações físicas de afeto, normalmente esse papel era de seu irmão e amigos, porém o estado de Yoshiyuki exigia uma inversão nos papéis.

- Eu jamais vou dizer uma coisa dessas, Yoshiyuki.

- Mas por que? Por que, Nii-chan, se eu já disse que não quero mais voltar? – Yoshiyuki finalmente encarou o irmão. Seus olhos grandes e não mais brilhantes estavam úmidos, agitados, diferentes do olhar sem vida que o garotinho vinha sustentando por mais de uma semana. – Se eu já decidi que só volto pro terceiro ano quando eu tiver idade e capacidade pra estar no terceiro ano...

- Você já tem capacidade, Yoshiyuki. – Em contraste com a agitação e fragilidade do irmão menor, o maior dos dois mostrava-se calmo e firme, resoluto, porém ainda assim gentil e atencioso. Somente Yoshiyuki conhecia esse lado de seu irmão, e em outros tempos teria tentado convencê-lo a mostrá-lo aos outros também. – E, se eu não me engano, até semana passada você achava bem divertido ter colegas de classe com mais que o dobro de sua idade.

- Mas...

- Está na hora de você voltar também, Yoshiyuki, você sabe disso tão bem quanto eu.

Os irmãos não trocaram mais palavras. Ao invés disso, permaneceram por horas em silêncio, abraçados observando o reflexo do sol aos poucos sumir de seu jardim.


Yoshiyuki:

Ah-há! XD Finalmente estamos de volta! XD Achei que esse dia nunca chegaria! XD

Makoto: Hey, o que houve com o bebê depressivo que se recusa a voltar pra escola? O.õ

Yoshiyuki: O Jamie bem que tentou me deixar depressivo no off-talk até o capítulo que eu devo voltar a ser eu mesmo, mas aí eu enchi o saco e mandei os planos dele pra lua! XDDD

James: Isso não foi justo, Yoshiyuki... i.i

Yoshiyuki: Foi sim! XD Eu sou o pesonagem mais bunitinho, fofinho, carismático e bom-de-apertar da história, eu não posso ficar pra sempre como um ser depressivo! XD E eu sei que o meu fã-clube concorda! XDDD

(Fã-clube do Yoshiyuki berrando coisas histéricas na platéia)

James: Droga. Odeio quando as criancinhas bunitinhas, fofinhas, carismáticas e boas-de-apertar são mais espertas do que eu... u.ú

(James some do off-talk)

Jing Mei: Hey, vocês já perceberam que agora que o Umeragi entrou na história o Núcleo de Personagens que Ainda Não Apareceram na História tem só mais dois personagens? O.õ

(Os dois personagens do Núcleo dos Personagens que Ainda Não Apareceram na História acenando para o público com os olhos cobertos por uma tarja preta)

Julian: E já perceberam que a gente só está inventando motivos idiotas invadir o off-talk?

Jing Mei: Ara, ara, não é isso que os vilões fazem? n.n'

Satsuki: Eu não vou permitir que os vilões estraguem o off-talk do Yoshiyuki! Se vocês insistirem em continuar aparecendo, vão ter que se ver comigo! (Satsuki determinada com os olhos em chamas)

Ann: É isso aí, vai, Satsuki!

Cathy: Acaba com essazinha aí!

Nathaliya: Mostra pra ela do que você é feita!

(Ann, Cathy e Nathaliya torcendo com os pom-pons da Alice)

(Satsuki entra em modo bersek e detona a Jing Mei)

(Julian, Makoto e todo mundo que já apareceu no off-talk e não faz parte da torcida da Satsuki ou põe "XD" em cada fim de frase saem correndo de medo)

Ann: Ahá! Eu sabia que o nosso treinamento especial ia dar certo! Parabéns, meninas!

(Ann, Cathy e Nathaliya comemoram o sucesso de seu plano de transformar a Satsuki em uma guerreira feminista assustadora)

Yoshiyuki: Nee-chans! XDD Vocês por aqui! XDD (Yoshiyuki abraça as quatro) Agora que estamos só nós no off-talk, será que vocês querem me ajudar a fazer o próximo quizz? XDD

Nathaliya: Você vai fazer o quizz de hoje? O.õ

Yoshiyuki: Vou! XDD Se o Takashi pode, eu também posso! XD Esse é meu capítulo especial, não é? XDDD

(Fã-clube do Yoshiyuki concordando no fundo)

Nathaliya: E quanto à Rumiko? O.õ

Yoshiyuki: Ah... ela tá aproveitando as férias com o Toshihiro em algum lugar secreto...XDD

(Rumiko e Toshihiro em algum lugar secreto tomando banho de sol e nadando na piscina olímpica)

Não disse? XDDDDDDD

Ann: E o que nós devemos fazer?

Yoshiyuki: Vocês podem começar trazendo nosso Convidado Oculto, e depois podem construir um barreira para evitar que o Ser Desconhecido do off-talk passado faça muita confusão na hora de se revelar! XDD

Cathy: Isso significa que já advinharam a identidade do Ser Desconhecido?

Yoshiyuki: Sim. XD Por isso ele vai ter que aparecer em algum momento do off-talk para se revelar. XDD Quando isso acontecer, para evitar que ele atrapalhe o meu momento como entrevistador bunitinho, fofinho, carismático e bom de apertar, eu vou precisar das minhas melhores seguranças feministas preparadas! XDDD

Nathaliya: Nós ficaremos felizes em ajudar! ò.ó

Ann: O Yosihyuki pode até ter ficado bonzinho depois do fim da primeira faze, mas que ele ainda tem traços de vilãozinho, ele tem... O.O'

Yoshiyuki: Faz parte do meu charme! XDDDD

Convidado Oculto: (Falando de trás de uma tela branca) Vocês pretendem me entrevistar hoje ou vão deixar para o off-talk que vem? O.õ

Yoshiyuki: Calma, calma, eu já ia fazer isso! XDD Seguranças! XDD

(Ann e Cathy se colocam ao lado do Convidado Oculto)

(Nathaliya se posiciona à espera do Ser Desconhecido)

Yoshiyuki: Agora sim vamos começar! XDD (Yoshiyuki vestido de apresentador de programa de auditório com um microfone na mão) Para essas nossas perguntas, você tem que escolher uma opção entre as cinco que eu vou te dar para servir de resposta, então fique bem atento! XD

Convidado Oculto: Hey, que tipo de quizz é esse em que as respostas são pré-determinadas? O.õ

Yoshiyuki: Um quizz divertido! XDD Primeira pergunta! XD (Todo mundo em silêncio para ouvir o Yoshiyuki) Você tem uma fera-bit? Alternativas: a) Sim. b) Não. c) Talvez. d) Todas as anteriores e) Nenhuma das anteriores) XDDDD

Convidado Oculto: Por que eu não desconfiei que apareceriam esse tipo de alternativas... O.O'''

Yoshiyuki: Pára de reclamar das minhas alternativas e escolhe uma! XDDD

Convidado Oculto: Alternativa A. ¬¬''

Yoshiyuki: Muito bem! XDD Próxima pergunta! XDD O que você acha dos seus irmãos? XD Alternativas: a) Eu amo meus irmãos. b) Algum dia eu ainda vou cometer um ato ilícito contra o meu irmão. c) Irmãos? Eu não tenho irmãos. d) Todas as anteriores. e) Nenhuma das anteriores.

Convidado Oculto: Não vou comentar dessa vez... ¬¬'' Alternativa A.

Yoshiyuki: Muito bem, muito bem... XDD Agora... Quantos países você já visitou? Alternativas: a) Nunca saí da minha cidade. b) 2-5 c) mais do que 5 d) Todas as anteriores e) Nenhuma das anteriores.

Convidado Oculto: Dessa vez é C.

Yoshiyuki: Que bom, achei que fóssemos ficar em A, A, A, A, o tempo todo... XDD As alternativas pra próxima pergunta são: a) Nem sempre. b) O tempo todo c) Nunca d) Todas as anteriores e)nenhuma das anteriores. Qual é a pergunta? XDDD

Convidado Oculto: Cuma? O.õ

Yoshiyuki: Eu te dei as respostas, agora você dá a pergunta. XDD Diga a primeira coisa que vem na sua cabeça que se encaixa nas alternativas! XDD

Convidado Oculto: Hum... É você quem troca frauda? O.õ

Yoshiyuki: Gostei da pergunta! XDD Na verdade, eu ia perguntar se você come chocolate antes do café da manhã, mas essa pergunta é legal também! XDD E qual a sua resposta?

Convidado Oculto: Erm... eu estou tentado a responder A, embora eu saiba que a C esteja mais próxima da verdade... n.n'' E se você fosse responder a sua pergunta, o que você responderia? O.õ

Yoshiyuki: B, claro! XDDDDD

Convidado Oculto: Que óbvio... Não precisava ter pergutado... ¬¬''

Yoshiyuki: Próxima pergunta! XD Qual dessas letras de música melhor caracterisa você? Alternativas: a) "Sou filho único, tenho minha casa pra morar" b) "Mamãe eu quero! Mamãe eu quero! Mamãe eu quero mamar! Dá a chupeta! Dá a chupeta! Dá a chupeta pro bebê não chorar!" c) "Garçon, aqui, nessa mesa de bar, você já cansou de escutar centenas de casos de amor" d) Todas as anteriores e) Nenhuma das anteriores. XD

Convidado Oculto: Acho que eu sou obrigado a ir com a E dessa vez.. O.O'

Yoshiyuki: "E'? XD Neste caso, eu serei obrigado a mandar mais uma série de alternativas! XDD A) "Can you feel the love tonight" B) "I just can't wait to be King" C) "Hakuna Matata" D)Todas as anteriores E) Nenhuma das anteriores. XDD

Convidado Oculto: Por que todas essas músicas são do Rei Leão? O.õ

Yoshiyuki: Porque criancinhas bunitinhas, fofinhas, carismáticas e boas de apertar como eu que fazem essas perguntas precisam fazer alguma coisa no universo infantil que reflita sua situação! XDDD

Convidado Oculto: ¬¬''

Yoshiyuki: Vai responder ou não vai? XDD

Convidado Oculto: Acho que não tenho outra escolha... Acho que antes de 2003 eu teria respondido C, mas agora... é A com certeza! XDD

Yoshiyuki: Oh, você colocou um "XD" no fim da frase! XDD

Convidado Oculto: Por que? Não posso? ò.ó

Yoshiyuki: Claro que pode! XD Quanto mais pessoas fazendo "XD" no fim da frase, melhor! XDD

Convidado Oculto: Ah, tá! XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

Yoshiyuki: XDD

Convidado Oculto: XDD

("XD" interrompido pelo barulho de alguma coisa se chocando contra outra coisa)

(Yoshiyuki e Convidado Oculto param de fazer "XD" pra tentar descobrir o que está acontecendo)

(Close na Nathaliya brincando de torrar um Ser Misterioso)

Yoshiyuki: Nathaliya, o que você está fazendo? XD

Nathaliya: Você me mandou impedir a invasão do Ser Misterioso, então eu decidi prendê-lo da maneira mais conveniente... ò.ó

Ser Misterioso: Por favor, me ajuuuuuudem! (amarrado em cima de uma fogueira)

Isaac: (Aparece fazendo pose de herói)

Ser Misterioso: Isaac, você veio me salvar! 8D

Isaac: Na verdade, eu vim aqui pra dizer que, já que você é o mestre do fogo, você devia ser capaz de se livrar desta sozinho, não estou certo? n.x Fora que eu não sou idiota de querer mexer com a Nathaliya... n.x

Ser Misterioso: Hey, eu achei que você fosse meu irmão! Isso não é justo!

Yoshiyuki: Mas ele tá certo, você É o mestre do fogo. XDD

Ser Misterioso: Tem razão! (Chamas começam a ser controladas pelo Ser Misterioso e queimam as cordas para libertá-lo) Eu sou Ken Urashima, o Mestre do Fogo, e não vai ser uma chaminha boba como essa que vai me derrotar! 8DDDD

Nathaliya: Ah, é? Isso é que veremos! ò.ó

(Ken e Nathaliya começam uma guerra de lança-chamas)

(Beybladers saem de perto dos dois e deixam eles botarem fogo no cenário

Yoshiyuki: (Correndo pra longe do fogo com o Convidado Oculto do lado) Última pergunta de hoje: Qual a frase mais apropriada para uma situação como essa? Alternativas: a) "Socorro, mamãe!" b) "Pernas, pra que te quero!" c) "Sai da frente que atrás vem gente!" d) Todas as anteriores e) nenhuma das anteriores. XDDD

Convidado Oculto: Quer saber, dessa vez eu fico com a D!!

Isaac: Ah, é? Pois eu tenho outra alternativa...

SALVE-SE QUEM PUDER!! n.x

OWARI!!


XDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD