Esperando que a droga da briga comece – Parte 2

{Grimmjow Jagguerjack}


Ninguém estava tranqüilo. E quem é que estaria?

Tínhamos acabado de invadir o palácio, nos separar, lutar, resgatar a garota, sair de lá, lutar mais um pouco, eu tive que tirar o Kurosaki de debaixo de uma pedra, nos reencontrar, abrir uma Garganta para que eles fossem embora e agora estávamos todos nós voltando ao Las Noches pelo mesmo motivo de antes.

Só que agora, vou garantir que seja definitivo. Não vou deixar que nenhum dos habitantes daquele palácio continuem perambulando por ai.

Eu jamais tinha pensado na possibilidade de que a Caja Negación passe pela mesma dimensão que usamos para abrir uma Garganta. E muito menos jamais pensaria que ele iria conseguir capturar a garota novamente dentro da Garganta.

Se eu tivesse que listar os meus dias mais azarados num papel, este dia estaria na primeira linha.

Antes de ter que invadir novamente o Las Noches, eu tinha que saber quantos dos Arrankars foram derrotados. De acordo com o Quatro Olhos, o grandão e o Kurosaki, três Privarón Espadas foram derrotados. A nanica conseguiu derrotar o Nono Espada, Aaroniero (O que me deixou realmente impressionado.). Mas ela estava realmente machucada dessa luta.

Os que restaram ainda estão por ai, prontos para atrapalhar a qualquer momento. Tirando eu, que virei a casaca e acabei passando para o lado do inimigo.

Para falar a verdade... Eu nunca fui do lado do Aizen. Eu nunca fui do lado de ninguém. Estava do meulado. Não precisava de nada e nem de ninguém, só de mim mesmo e da minha sombra, talvez. Mas depois daquela garota, as coisas ficaram todas de cabeça para baixo. Eu não sabia mais o que sabia antes (Se é que isso faz algum sentido.).

E ai vieram esses caras. Eles tinham o mesmo objetivo que eu. Acabei provando a mim mesmo que quando muitos se unem pela mesma razão, as coisas são mais fáceis. Isso não é algo que eu diria, reconheço.

Ainda soa estranho...

Nem parece que sou eu que estou falando...

Sem falar que eu estava confiando neles. E eles em mim...

A única sorte foi que toda essa confusão aconteceu debaixo do céu falso do Las Noches, então não demoraria uma eternidade até chegarmos ao palácio novamente.

Tínhamos que ficar atentos a qualquer tipo de movimento.

Quando estávamos prontos para usar nossas Reiatsus de apoio para subir uma das torres, percebi uma oscilação estranha...

O que mais poderia acontecer agora?

Parecia que mais alguém estava entrando no Hueco Mundo. E não estava sozinho.

– Sentiram isso? – a nanica perguntou.

– São quatro. – respondi.

A nanica paralisou, de olhos arregalados. Acabamos parando também, bem em frente à parede branca da torre.

– Nii-sama? – ela sussurrou.

– Sentiu o que? – essa é a prova do quanto o Kurosaki é inútil.

– Tá demente, Kurosaki? – falei. – Tem quatro Reiatsus novas aqui.

– Bem, eu... – o pobre Kurosaki estava constrangido.

– Ele nunca foi bom nisso. – o Quatro Olhos comentou.

– Temos que saber quem... – a nanica não pode terminar de falar.

A parede explodiu bem nas nossas caras. Parece que já descobriram que estamos dispostos a invadir o palácio novamente. A poeira estava impedindo que eu visse quem era o idiota que iria se colocar no meu caminho, mas aquela Reiatsu inutilmente liberada até quase o extremo revelava quem era. Nnoitora.

– Vão a algum lugar, meninas? – aquela voz me dá nos nervos.

Quando a poeira baixou, aquela figura magrela e alta surgiu. Parecia um cipó com pernas. Ele caminhou até nós em passos calmos. Aquele enorme sorriso debochado que vai de orelha a orelha. Estava segurando aquela estranha Zampakutou apoiada nos ombros como sempre. Logo depois dele (como sempre), vinha o Tesra. O fiel Fracción do Quinto Espada. Ou deveria dizer, o namorado dele?

Eu nunca entendi como é que o Tesra conseguia passar tanto tempo seguindo o Nnoitora. Nenhum dos Fraccións tinham uma relação com os Espadas como aquele cara. Ele parecia não ter medo e nem se importar com o que o Quinto Espada fazia e dizia com ele.

Não é problema meu. Então não me interessa.

– Nnoitora, saia do caminho. – mandei. Encarando-o.

– E qual é a autoridade que você tem sobre mim, traidor? – ele liberou mais ainda a Reiatsu, tentando me intimidar.

Os outros lá atrás pareciam estar meio atordoados com o impacto da Reiatsu dele, mas eu não tinha tempo para isso.

– Saia do meu caminho. – repeti.

– Me obrigue. – ele desafiou.

Quer brincar? Então vamos brincar. Só que essa brincadeira só acaba quando um dos dois não conseguir mais ficar de pé.

O primeiro golpe foi meu. Eu sei que Nnoitora acha que não pode ser cortado por nada, então, a hora de testar se isso realmente é verdade é essa. Investi contra ele usando uma quantidade de força relativa. Não tinha a intenção de acabar com ele logo no primeiro golpe. Precisava ver antes qual é a intenção dele (Isso não é a minha cara.). A única coisa que ele fez, foi defender-se, colocando a Zampakutou dele a frente do rosto.

– Isso é tudo o que sabe fazer? – ele perguntou, com aquele sorriso irritante estampado no rosto. Se ele estava tentando me tirar do sério, ele estava conseguindo em muito pouco tempo. Acho que ele tem o Record.

Soltei uma das mãos. E a minha resposta para a pergunta dele, foi um Cero direto naquela cara magricela. A melhor parte foi ver a expressão surpresa dele.

Consegui ser mais rápido ao ponto de ele não conseguir desviar. Afastei-me um pouco. Os outros estavam me olhando como se estivessem na presença de um demônio.

Eu não tinha percebido que o meu Cero tinha feito um estrago como aquele. Já meio recuperado, Nnoitora se ajeitou de pé com o rosto queimado.

– Seu... Desgraçado...! – ele falou.

– Você não disse que nada pode te atingir? – provoquei. – Ei, vocês! Vão logo! – gritei, sem olhar para os dementes que já deveriam ter entrado no palácio.

Tão logo vi os vultos deles passando pelas laterais. Evitando passar perto de Nnoitora e Tesra. Eles entraram com sucesso.

– Não pense que vai ficar com toda a diversão sozinho, Arrankar. – o Cabelos de Fogo falou bem ao meu lado.

– Eu mandei vocês irem. – repeti.

– Eles podem até te obedecer, mas eu não. E além disso, tem dois ali, então devemos ficar em dois aqui também.

– Vão ficar ai de conversinha? – Nnoitora avançou em corrida.

– O problema é seu, Shinigami! – dizendo isso, já estava eu indo diretamente para outra investida com ele. – Fica com o aquele ali, que eu cuido do magrelo!

Eu não iria prestar atenção na luta do Cabelos de Fogo, tinha que me preocupar comigo mesmo. Nossas Zampakutous se chocaram ruidosamente, chegando a formar faíscas. Eram vários golpes seguidos um do outro, uns para atacar, outros para defender. Eu sabia que ele não estava aqui para defender o Las Noches, ele estava aqui apenas para lutar.

O som das lâminas se chocando uma contra a outra era uma melodia da qual eu sentia falta de ouvir. Experimentar outra batalha também era algo que eu queria reviver. Apesar de essa não ser a batalha que eu queria travar, eu estava sorrindo como nunca. Jamais esquecerei de como é divertido lutar. Ver o sangue do inimigo jorrar e saber que fui eu que o derrotei. Poder jogar na cara do perdedor quem é o mais forte.

Esse duelinho vai servir para um aquecimento. Precisava acabar logo com aquilo.

– HAHA! – o magrelo estava gargalhando. Ele me encarava durante os poucos segundos em que as espadas ficaram paradas. – Acha mesmo que com essa sua espadinha vai conseguir me cortar?

– Não interessa! – logo desferi mais um golpe, mirando o pescoço dele.

A intenção foi de degolar a cabeça dele e vê-la rolar pelo chão, mas a lâmina apenas bateu contra o Hierro.

– Você não vai conseguir, Grimmjow! – ele provocou. – Sabe muito bem que de todos os Espadas, o meu Hierro é o mais forte!

– EU JÁ DISSE QUE NÃO INTERESSA! – odeio repetir a mesma coisa.

A fúria que eu estava sentindo por causa das provocações dele era tão forte que eu não percebi o quão densa ficou a minha Reiatsu. O golpe que eu desferi diretamente contra o rosto dele acabou fazendo o que eu realmente queria. Cortá-lo na região do alto do nariz, logo abaixo dos olhos. Ele se afastou rapidamente. Eu continuei onde estava. Minha Zampakutou ficou manchada com o sangue sujo dele. Algumas gotas escorreram da ponta. Nnoitora pareceu atordoado, levou a mão ao nariz que se sujou com o sangue, olhou para a mesma.

– Tem certeza que o seu Hierro é tão forte quanto diz, Nnoitora? – perguntei, em provocação.

– Não fique se achando! – ele revidou. – Só por que conseguiu uma vez, não quer dizer que vai conseguir de novo!

Não respondi nada. O que eu queria era acabar logo com tudo aquilo. Não tão longe dali, o Cabelos de Fogo parecia estar com problemas. Cara... Como alguém perde pro Tesra?

– BANKAI! – ouvi ele gritar.

Pelo cantos dos olhos, vi como é a liberação da Zampakutou do Cabelos de Fogo. Sua espada se transformou numa espécie de serpente gigante. Nos ombros, parecia que estava usando um casaco de pele e no ombro direito, havia um crânio. Uma bela Reiatsu estava vindo dele.

Tesra também não ficaria impune. Pelo pouco que vi, ele estava muito machucado. Se liberasse a Ressurección, ficaria com o dobro da força. E foi isso o que ele fez. Eu não pude mais ver o resto, Nnoitora me atacou com um soco direto no rosto.

– Pra onde está olhando, hein? – ele gritou.

Aquele maldito tem uma força monstruosa nos braço. Eu rolei pela umas cinco vezes até conseguir ficar novamente de pé. E ele já estava vindo na minha direção. Fora mais rápido que eu e acabei ganhando um belo ferimento superficial no peito. Levei a mão até o corte e esta ficou suja com o meu sangue que começou a escorrer.

– HAHAHA! – ele gargalhava. – Está acabado, Sexto Espada!

– Quantas vezes eu tenho que dizer, que isso NÃO INTERESSA? – avancei novamente.

Eu não estava mais pensando. Nada se passava na minha mente. Era só matá-lo o mais rápido possível.

Golpe seguido de golpe. Defesa seguida de defesa. Com aquela luta, já tínhamos nos afastado do palácio. Ao nosso redor só havia areia e pilares quebrados e espalhados.

Segurando pela enorme corrente que prende o cabo da Zampakutou, ele saltou e começou a girá-la. Aquele movimento estava puxando o ar ao seu redor, formando um pequeno tufão de areia.

Eu já tinha visto aquilo. A areia era a distração, pois o verdadeiro ataque era lançar a lâmina da Zampakutou contra o oponente. E foi isso que ele fez, no meio de toda a areia eu vi aquela enorme arma vir na minha direção.

Saltei para a lateral e desviei, mas Nnoitora já estava a minha espera. Ele surgiu logo na minha frente e falou:

– E ai?

Golpeei com a Zampakutou, mas então ele já não estava mais lá. Procurei-o pelos lados e então senti algo me atingir na lateral. Batendo no meu ombro direito, braço e costelas. Não foi profundo, mas conseguiu me ferir severamente.

Cai no chão, tentando me levantar assim que senti a areia contra o meu corpo. Eu não podia me importar com aqueles ferimentos. Forcei-me a ficar de pé.

– Ainda está vivo? – ele perguntou mais para si mesmo do que para qualquer outro que estivesse ouvindo.

Usei o golpe da espada para distraí-lo. Assim que ele defendeu, segurei o rosto dele com a mão livre e fiz outro ataque. Um outro Cero, dessa vez com a intenção de desintegrar a cara dele de uma vez.

Ele tentou se afastar, mas eu não deixei. Poderia ter tentado cortar o meu braço, mas acho que isso nem passou pela cabeça dele. A força causada pelo ataque foi tão forte que os dois foram lançados para lados opostos. O estrago que fiz apenas aumentou. O rosto dele que já estava queimado, agora estava em carne viva.

Cuidei de ficar logo de pé, antes que ele chegasse novamente. E com eu imaginei, ele usou o Sonido e surgiu logo atrás de mim e me golpeou com a Zampakutou. O que senti naquele instante foi um ardor insuportável. Com toda a certeza ele conseguiu abrir um belo corte em minhas costas. Ele chutou em cima do ferimento, derrubando-me no chão. Antes que eu pudesse levantar novamente, senti outro golpe logo abaixo da costela, seguido de outro ardor. Quando olhei para a areia abaixo de mim, estava lá uma poça do meu sangue.

Eu não podia morrer agora. Não agora. Não posso perder para esse desgraçado.

Ele estava se aproximando devagar. E eu rastejando como um verme. Olhei para frente e o Cabelos de Fogo estava caído na areia, aquela serpente gigante estava em pedaços. Tesra, em sua forma liberada, estava se aproximando. Era como um javali gigante. Cada passada dele fazia a terra tremer.

Todo aquele sangue que eu perdi estava fazendo a minha visão tremer. Eu estava cansado.

Ouvi o barulho de pequenos sinos tilintando.

Por um momento, Tesra estava se aproximando do Cabelos de Fogo, no outro, ele quase foi partido ao meio por alguma coisa.

Tinha mais alguém ali.

Uma sobra me cobriu. Forcei meu pescoço a se virar para ver quem ou o que era.

Um homem com uma capa branca. Cheirava a Shinigami.

– Quem...? – eu mal conseguia falar.

– Fica calado, que agora é comigo. – a voz rouca daquele homem não era familiar.

– Ken-chan! O que eu faço com ele? – alguma coisa me apoiou. Parecia ser uma criança. Minha visão estava turva demais para ver o que era.

– Leve para a Unohana. E não me atrapalhe. – o outro falou.

– Hai, hai!

Pela voz aguda, só podia ser uma menina. E eu me perguntava como uma menininha conseguiu me arrastar até essa tal Unohana.

Fiquei um bom tempo sem enxergar nada, mas aos poucos estava me sentindo melhor. Estava deitado. Tinha uma figura sentada ao meu lado. Mexi uma das mãos e vi que não estava deitado sobre a areia. Era um tecido fino. Virei o rosto para o outro lado e o Cabelos de Fogo estava lá também.

Subitamente uma cara de bochechas rosadas e cabelo rosa estava olhando para mim de cabeça para baixo. E estava perto demais.

– Por que o seu cabelo é tão azul? – ela perguntou.

– AAHH! – eu acabei me assustando com aquela pirralha.

Eu acabo de me livrar de uma de cabelo verde, e me surge essa de cabelo rosa.

– Yachiru-chan. Não assuste-o desse jeito. – disse a pessoa que estava ali sentada.

Minha visão já estava normal. Era uma mulher. Bonita, longos cabelos negros presos numa trança na frente do corpo como um colar e estava sorrindo.

– Olá, senhor Arrankar. – ela disse, simpática.

– Er... Olá. – respondi. – Quem... É você?

– Unohana Retsu. Capitã do 4º Esquadrão do Gotei 13. – mais uma Shinigami. – Vim para curar os feridos.

– Curar? – agora que ela falou, forcei o pescoço para ver por que os braços dela estavam esticados.

As mãos dela estavam a poucos centímetros de distância do meu corpo, com um brilho azulado. Aquilo parecia ser um tipo de técnica de cura. E estava funcionando. Olhei de lado e vi que tinha outra Shinigami, e esta estava cuidando do Cabelos de Fogo.

– Logo, logo estará totalmente curado. – ela disse.

– Ahm... Obrigado, mas... Por que está curando os meus ferimentos?

Eu podia estar ajudando, mas ela não sabia disso. Sabia?

– Foi um pedido do tenente Abarai, antes de perder a consciência. – ela respondeu. – Eu gostaria de saber... Você é um Espada?

– Sim. – respondi. – Sexto Espada, Grimmjow Jagguerjack.

– E por que está nos ajudando? – ela tinha mesmo que fazer essa pergunta?

– E-eu... Eu não sei. – se é possível dar de ombros enquanto se está deitado, eu fiz isso.

Ela apenas sorriu e continuou com o que estava fazendo.

Em pouco tempo eu já conseguia ficar de pé. Já o Cabelos de Fogo tinha apanhado muito mais do que eu. Ele estava com vários ossos quebrados.

– Você ainda não respondeu por que o seu cabelo é tão azul! – a pirralha estava fazendo bico.

– Pelo mesmo motivo que o seu é rosa. – respondi, e ela pareceu satisfeita com a resposta.

– Você é muito gentil, para um Arrankar. – comentou a mulher.

– Hunf... – ignorei esse elogio e comecei a ajeitar os ombros. – Quantos de vocês vieram?

– Viemos em oito. Quatro Capitães, três Tenentes e um de meus oficiais. – se vieram em oito, os outros devem ter Reiatsus realmente insignificantes. Acho que só podia sentir a Reiatsu da outra que estava cuidando do Cabelos de Fogo e a da pirralha por que elas estavam perto.

– Então, vieram para ajudar?

– Sim! O Ken-chan te salvou do magrelo! – a pirralha subiu nas minhas costas e começou a mexer no meu cabelo. – Hum... É muito azul!

– Desce daí, pirralha! – mandei, tentando puxá-la de algum jeito.

– Grimmy-chan, você é muito irritado!

Eu mereço... Mais uma pra me dar apelidos.

– Gr-Grimmy...-chan?

A mulher estava rindo baixinho.

– Yachiru-chan, deixe-o em paz.

– Haaaa... Eu queria brincar um pouco com o Grimmy-chan! Já sei! Vou assistir a luta do Ken-chan! – subitamente ela escorregou das minhas costas.

– Tome cuidado. – falou a mulher.

– Haaaaai! – ela sumiu. A única coisa que vi foi a poeira que subiu por onde ela passou.

Acho que a mulher percebeu que eu estava surpreso e disse:

– Ela é a tenente do 11º Esquadrão. – certo. Aquilo realmente me deixou surpreso.

– Ela...? – apontei para o caminho que ela fez e a minha resposta foi um sorriso daquela mulher.

Essa tal Unohana fez um bom trabalho. Eu estava novinho em folha. O Cabelos de Fogo começou a acordar, mas ainda estava meio grogue. Não estava muito longe do palácio. Estávamos perto da quinta torre.

– Ahm... Obrigado. – agradeci.

Logo já estava retomando o caminho, quando senti algo estranho. Como se alguém acabasse de invadir a minha cabeça.

– Estão me escutando, caros intrusos? – falou uma voz.

Aizen...

Pelo jeito que ele está falando, todos podem ouvir a voz dele.

– Em sinal de respeito a vocês, que foram capazes de adentrar o Hueco Mundo e resgatar, mesmo que por pouco tempo, vou contar o que está para acontecer. – fez uma pausa e depois continuou. – Neste instante... Nós iniciaremos a invasão ao Mundo Real. Deixarei Inoue Orihime na quinta torre. Se quiserem, podem ir salvá-la. Pois para mim, ela não tem mais serventia.

O quê...? Não tem mais serventia?

Fechei os punhos com tanta força, que minhas mãos poderiam sangrar.

Ele continuou.

– Um dos verdadeiros objetivos de trazer essa jovem para cá, era atrair os Ryokas da Soul Society. Inclusive o Substituto de Shinigami que teria sido um grande reforço para o Gotei 13. E por sorte, ela atraiu também... Quatro capitães. Sem saber... Que todos eles seriam aprisionados aqui.

No mesmo instante em que ele disse isso, ouvi o barulho de alguma coisa fechar. Olhei para cima e havia uma Garganta aberta. E no mesmo momento que olhei, ela se fechou.

– Desgraçado...

– Foi tão fácil abrir caminho... – Aizen continuou. – Meus cumprimentos aos meus antigos companheiros. Agora só resta desaparecer com a cidade de Karakura, recriar a Ouken e dominar a Soul Society. Enquanto isso, fiquem ai. Vamos conversar com calma, depois que tudo isso estiver concluído. E durante todo esse processo, eu deixarei Las Noches sobre seus cuidados, Ulquiorra.

Não conseguiria ficar ali por mais nenhum minuto sequer. Usei o Sonido e fui diretamente para a quinta torre. Não poderia me preocupar com os outros agora. Já tinham resgate, e com certeza, ouviram o recadinho do Aizen.

Com a Reiatsu como apoio, escalei a parede da torre. Entrei pela única janela que ficava no alto. A quinta torre é a sala do trono de Aizen. Sei que do jeito que o Ulquiorra é puxa-saco, ele vai fazer tudo ao pé da letra e não vai hesitar em me matar para proteger o Las Noches. E eu não vou hesitar em matá-lo por se intrometer no meu caminho.

Baixei quase totalmente a minha Reiatsu para que não fosse percebido e adentrei. Virei alguns corredores, e cheguei até a sala. A escadaria do trono de Aizen estava bem a minha frente. E lá no topo, atrás da cadeira, estava Ulquiorra e a garota.

Subi devagar, mesmo que minha impaciência tentasse me impedir disso. Fiquei longe para observar. Ela estava falando algo sobre mim...

Disse que sentia-se feliz quando eu estava por perto...

Que se acostumou a me ter com ela...

Nunca vou esquecer do quanto a voz dela me acalma. Todas aquelas coisas que ela disse poderiam parecer sem sentido para mim, mas ouvir a voz dela era algo sem descrição.

Tudo o que ela estava dizendo para o Ulquiorra, parecia entrar por um ouvido e saindo pelo outro. E aquele miserável ficava apenas olhando para ela. Se ele já sabia que eu estava parado a poucos metros dali só observando, eu não sei, mas se souber, estava me ignorando.

– Quanta besteira. – Ulquiorra disse quando ela terminou o que dizia. – Coração?

Ele estava a menos de um metro de distância dela, então começou a se aproximar. E se ele fizer algo contra ela, vou esquecer do plano todo e começar logo com aquela briga.

– Vocês humanos estão sempre falando de Coração como se... O tivessem na palma de suas mãos. – ele parou bem de frente para ela. – Onde eu posso encontrar esse tal coração?

Ergueu a mão para tocá-la, mas não o fez.

Por que eu estou tão irritado ao ver isso? É o que os humanos chamam de ciúmes?

– Se eu abrir esse peito, o verei ai dentro? Se eu abrir esse crânio, o encontrarei lá?

Essa conversa mole dele já está enchendo o saco.

– Yare, que coisa mais linda! Acho que vou chorar! – falei em voz alta, da maneira mais debochada que consegui e bati palmas sarcasticamente.

A garota olhou para trás e nossos olhares se encontraram.

Não é momento para reencontros sentimentalistas. Terei que fingir. E por mais que me doa, terei que assustá-la.

Sorrindo de canto a canto, aproximei-me deles devagar.

O que eu estava fazendo ali era ganhar tempo. Se os outros chegarem, eles podem simplesmente pegar a garota e sair daqui de vez. Enquanto isso, eu começaria a droga da briga.

– Por que retornou, traidor? – ele perguntou.

– Ora, onde estão os seus modos?

– Não preciso gastar meus modos com alguém como você.

– Ahhh... Isso me deixa tããão triste. Vou perder noites de sono por causa disso! – falei, rindo. – Vejo que tem que cuidar da princesinha, não é?

Parei bem ao lado dela que me encarava. Podia ver que ela estava com medo.

– Minhas ordens foram apenas proteger o Las Noches. – respondeu Ulquiorra, indiferente.

– E o que vai fazer com ela? – perguntei, tentando forçar um tom de divertimento.

Ela estava assustada, mas eu não poderia simplesmente pegá-la e ir embora. Levei uma das mãos até o rosto dela e segurei pelo queixo.

– Seria uma pena destruir um rostinho tão bonito. – tentei falar isso da maneira mais fluente possível.

– Enquanto não me for dada a ordem de executá-la, ela continuará ilesa. – muito bem. Isso já é demais para mim.

– Pena que você não vai viver o bastante para receber essa ordem, Ulquiorra...!

Eu tenho certeza de que ele sabia que eu não tinha voltado aqui só para conversar. Pois assim que ataquei-o ao puxar a Zampakutou, ele defendeu prontamente com o braço. Já a garota, reagiu pelo instinto de se afastar de nós e se proteger com aquele poder estranho que ela possui.

Finalmente... A droga da briga começou.