A Realidade
"Vocês lutaram valorosamente. Lord Voldemort sabe apreciar a bravura. Vocês sofreram pesadas baixas. Se continuarem a resistir a mim morrerão, um a um. Não quero que isso aconteça. Cada gota de sangue mágico derramado é uma perda e sacrifício. Lord Voldemort é misericordioso. Ordeno que as minhas forças se retirem imediatamente. Vocês têm uma hora. Dêem destino digno aos seus mortos. Cuidem de seus feridos.
Eu me dirijo agora diretamente a você, Harry Potter. Você permitiu que seus amigos morressem por você em lugar de me enfrentar pessoalmente. Esperarei uma hora na Floresta Proibida. Se ao fim desse prazo, você não tiver vindo ao meu encontro, não tiver se entregado, a batalha recomeçará. Desta vez eu participarei da luta, Harry Potter, e o encontrarei, e castigarei até o último homem, mulher e criança que tentou escondê – lo de mim. Uma hora."
Sarah ouviu a voz de Voldemort ecoar pelo castelo, e voltou para o salão principal correndo, seguida por Fred e George. Quando chegou, alguns corpos se estiravam no salão, entre eles alguns conhecidos, como Colin Creevey. Sentiu um aperto no estômago, e demorou em perceber que estava sentindo tristeza pela morte. Há muito tempo não sentia – se assim, e sentiu de repente um par de braços puxá – la com força, e ouviu a voz da Sra. Weasley em seu ouvido, chorosa:
- Percy me disse o que aconteceu, querida! Obrigada, obrigada! Você salvou a vida do meu filho!
Constrangida, Sarah se separou da mulher, e olhando adiante, viu o restante dos Weasley, inclusive Charlie, sorrindo agradecidos para ela.
- Eu... Ah, não tem... De nada. – disse por fim, sentindo o rosto esquentar. Quieta, passou pelos cadáveres e feridos, achando quem procurava alguns corredores acima. Harry andava. Estava muito pálido.
- Harry!
- Oi, Sarah. – ele disse, quase num sussurro. – Eu... Eu preciso te dizer uma coisa.
- Pode falar. Colin... Ele...
- Eu vi. Sarah, descobri o plano de Dumbledore.
- Descobriu? Qual era? Não era destruir as horcruxes e depois Ele?
- Eu tenho que morrer, Sarah.
Sarah parou de falar, e olhou para Harry.
- O que? Depois de todo o esforço que fizemos, você tem que morrer? Por quê? Olha, só porque Ele disse não quer dizer que... Temos um plano, eu tenho certeza! Remus... Remus vai ajudar, Harry! Ele... Ele tem um plano. Harry! – acrescentou ela quando o garoto tirou a capa da invisibilidade dos bolsos.
- Sarah, não tem jeito. Vou abrir o pomo lá fora.
- HARRY! – gritou ela, correndo atrás dele pelo castelo, sem se importar se as pessoas pensassem que estava gritando para lugar nenhum. Quando chegou aos jardins, desceu correndo as colunas, e escutou mais adiante o farfalhar da capa sendo tirada.
Andou mais um pouco e viu Harry, girando a pedra três vezes.
- Harry, não... – gemeu ela, temerosa, chegando até ele.
Foi quando aconteceu. Algumas pessoas saíram da pedra. Pareciam fantasmas, mas eram sólidos.
- Pai? – Harry perguntou, quando o primeiro apareceu. Era da mesma altura de Harry, e tinha os mesmos traços e cabelos arrepiados. Sarah arregalou os olhos.
- James?
O homem sorriu para os dois.
- Estou orgulhoso de você, Harry. Sarah, você cresceu demais. Me lembra Sirius.
Logo em seguida, Lily apareceu, sorrindo gentilmente.
- Meu filho! – e adiantou – se para Harry, abraçando – o. Seu sorriso era enorme, e quando olhou para Sarah, exclamou:
- Sempre achei que seria corajosa. Padfoot é assim.
Sarah sorriu involuntariamente, mas seu sorriso morreu quando viu um homem moreno, poucos centímetros mais alto que ela, emergir. Assim que olhou os dois, sorriu.
- Sarah.
- Pai?
Estava incrédula. Só então reparou que todos realmente tinham razão. Seus olhos tinham o mesmo tom enevoado dos dela, os cabelos eram tão pretos quanto os dela, até os traços do rosto eram iguais. O sorriso era igual. E então ela parou. Parou de pensar, parou de respirar, só olhando para aquele que ela sempre jurou ser indiferente, mas sempre precisou. E correu para ele, aninhando o rosto em seu peito.
- Papai. – disse, num sussurro. Sentiu – se infantil, mas ao mesmo tempo aliviada. Parecia que aquela palavra estivera entalada em sua garganta havia anos, e que nunca a usara. Não teve muito tempo para saborear, pois uma voz doce e gentil a chamou:
- Sarah? Princesa?
Olhando subitamente para trás, primeiro localizou Harry, conversando com os pais, sorridente. Logo atrás dele, então, viu quem ela já sabia que estivera chamando – a. Os mesmos cabelos pretos, os olhos que ela lembrava estarem lá, a mesma altura que ela, o sorriso radiante. Marlene McKinnon.
- Mãe. – sua voz saiu num sussurro, e por um instante, jurara que estivera dormindo todos aqueles anos, e que só agora acordara, percebendo que ainda estava em casa, com sua mãe. Mas o abraço de Sirius a impedia de pensar assim por muito tempo. Foi como se uma barreira se rompesse em seu peito. Sirius e Marlene a envolveram nos braços.
- Sempre estivemos com você, anjo. – ele sussurrou com carinho.
- Mãe... – começou ela, olhando para Marlene. – Desculpa. Eu não queria te deixar para trás no fogo, devia ter voltado, eu...
- Você teria morrido, meu amor. Isso eu nunca iria querer. Você fez o que eu mandei. E agora está aqui, ajudando Harry. Como deve ser.
Então os dois viraram para Harry, que encarava o grupo.
- Não queria que nenhum de vocês tivesse morrido, me desculpem...
- Não foi culpa sua. – Sirius disse, sorrindo.
- Olhem pela Sarah, sim? Vou acabar junto de vocês.
Sarah olhou para ele, os olhos, pela primeira vez, suplicantes:
- Não faça isso, Harry. Por favor, você é... Meu melhor amigo.
- Não posso. Me prometa uma coisa, Padfoot.
- O que você quer?
- Cuide da Ginny?
- Cuido.
Sorrindo, os mortos e Harry começaram a andar em direção à Floresta Proibida, deixando Sarah para trás, com as lágrimas escorrendo dos olhos. Voltou correndo para o castelo. Todos perguntavam por Harry para ela, mas ela não iria parar para ninguém. Até que um par de braços conhecido a puxou.
- Sarah, onde... Você está chorando? – Charlie perguntou, olhando para ela.
Sarah se deixou abraçar, sem forças. Estava exausta, como nunca estivera. E a tristeza da lembrança de Harry envolvia sua alma. O peito de Charlie era confortável e aconchegante, e ele passava as mãos por seus cabelos curtos, tentando acalmá – la.
Ela não saberia dizer quanto tempo ficou assim, até que um grito estridente cortou o ar. Quando Sarah se virou, Hagrid vinha com os comensais, trazendo o corpo de Harry nos braços.
- HARRY! NÃO! – gritou, cobrindo a boca com as mãos.
Harry, de olhos fechados, escutou o choro de todos, mas o grito de Sarah chamou sua atenção. Entreabriu os olhos, e sentiu um arrepio de culpa percorrer seu corpo. Sarah estava chorando. Amparada por Charlie, que evitava que ela caísse no chão. Todos pareciam sem esperança. Sua atenção de voltou para Sarah novamente. Dos olhos dela, lágrimas grossas desciam, e Harry via seu esforço para ficar de pé. Um sentimento de compaixão aqueceu seu peito, e se sentiu feliz, por saber que agora era não era mais aquela garota fria e arrogante que encontrara no cemitério, debochando de tudo e todos.
Hagrid deixou o corpo de Harry no chão, um clarão e escutou Voldemort falar:
- Ora, ora. Neville, meu bravo rapaz, tem sangue puro, não?
- E se tiver?
Outro clarão. Dessa vez a voz de Voldemort saiu diferente, quase macia.
- A menina Black! Vocês, meus caros, dariam valorosos comensais da morte, não? E você, Sarah, não é? Ah, sim, você me provou que pode ser grande...
- Você matou os meus pais, meu melhor amigo e tentou matar todos os que eu amava, Voldemort. – Sarah respondeu, agressiva. Harry sentiu a cólera dela emanando de cada palavra. – Vou matar você, e depois quem vai ficar aos meus pés é o seu corpo, como deveria estar.
Nessa hora, Neville gritou:
- ARMADA DE DUMBLEDORE!
Vários gritos foram escutados, e Harry entreabriu mais os olhos, vendo Bellatrix e Sarah investirem uma contra a outra. Na confusão perdeu o olhar, mas podia escutar os gritos de Sarah:
- AGORA VOCÊ É MINHA, BELLATRIX.
O calor e a fumaça chegando às narinas de Harry confirmaram que Sarah tinha colocado fogo nas árvores próximas. Harry se ergueu e pegou a capa da invisibilidade que estava próxima, onde encontrara com seus pais, e cobriu – se. Andou pelo terreno, e viu os comensais serem nocauteados por seus amigos. Sorriu, mas continuou procurando por Sarah. Encontrou – a lutando com Bellatrix:
- O que vai acontecer com seu corpo quando eu matar você, Princesinha? – debochou Bellatrix, rindo.
- O mesmo eu pergunto a você. – disse Sarah, e Harry ouviu sua voz esfriar quando disse: - AVADA KEDAVRA!
Pega de surpresa, Bellatrix foi atirada para trás, e seu corpo bateu numa das árvores próximas, pegando fogo. Mas de repente, algo aconteceu. O corpo de Bellatrix fez com que o fogo alcançasse outras árvores, e a fumaça tomou conta do lugar. Quando vários comensais já estavam nocauteados ou mortos, Harry ouviu um grito. Charlie estava saindo de dentro da fumaça, carregando o corpo inconsciente de Sarah. Seus olhos pareciam perdidos, e Harry percebeu o quanto ele gostava dela.
- Oh, céus! – Molly gritou, indo socorrer a garota, que mal respirava. Com as lágrimas escorrendo pelo rosto preto por causa das chamas. Remus correu para apagar as chamas com os outros, e logo depois foi até Sarah. Harry viu que era hora de agir. Vingar sua amiga. Melhor amiga.
