Capítulo 25 – Distorção
Nos confins do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Divisão Doze, Mayuri andava de um lado para o outro com uma garrafa de rum na mão, que já vazia, insistia em fazer cair a última gota em sua esquisita boca, sem sucesso. Entediado e nervoso, o excêntrico Capitão lançou o objeto para longe em um momentâneo ataque de fúria, fazendo a garrafa voar e se espatifar em pedaços em um dos cantos do amplo cômodo repleto de experimentos e equipamentos complexos. Bufando de raiva, o genioso homem trincou os dentes, enfurecido pela ausência de Nemu. Não se conformava com o fato de sua principal subordinada estar no mundo dos vivos fazendo algo sem propósito. Dias antes. O Comandante Yamamoto recebeu uma notificação de Izuru, onde pedia a permanência de Nemu por mais tempo a fim de lhe auxiliar em algumas análises importantes. Pura conversa, pois Kyone convenceu o loiro a interceder por Nemu, uma vez que ela queria continuar perto de Ishida e o ajudar na restauração dos poderes do jovem Quincy. A morena já não sabia mais o que fazer para reverter a situação, já que não havia outra forma de fazê-lo. Somente Ishida Ryuuken poderia executar tal feito, mas não sabia de nenhum outro jeito de convencê-lo. Tal tarefa estava ainda mais difícil, já que Uryuu havia feito ela prometer que não mais procuraria o Ishida pai, enquanto viviam mais uma quente noite de amor na agora estreita cama do Quincy.
Ter sua Tenente aos cuidados de Kira deixava Kurotsuchi duas vezes mais irritado, e ele estava disposto a ir até o mundo dos vivos e trazer sua criação de volta nem que fosse arrastada pela trança. Saber que o loiro estava "usando" sua subordinada o incomodava profundamente, e ele não ia deixar tal coisa ficar por isso mesmo.
— Aquele moleque abusado... Eu vou acabar com a festa daquele pirralho insolente e da inútil da Nemu. Aquela coisa imprestável só serve para me trazer problemas. – Reclamou novamente.
Com tal ideia fixada em mente, o insano Capitão decidiu que esperaria a melhor hora para agir. Com um sorriso cabuloso, ele foi até a cozinha da Divisão onde esperava beliscar algo gostoso.
Na escola de Ichigo, o Capitão Kira continuava monitorando o céu com seu binóculo especial. Saiu da mansão do nobre Kuchiki bem cedo, pois não queria ter o desgosto de cruzar com o Rangiku de novo. Pela segunda vez se sentiu usado pela ruiva e seu coração doía. Afogar as mágoas se concentrando do trabalho era a melhor coisa que podia fazer por agora, e era justamente isso que ele faria para não pensar no assunto. Estava muito decepcionado, e não queria olhar para a cara de Matsumoto tão cedo. Desde sempre sabia que aquela amizade não daria mais certo depois que os sentimentos dele foram expostos. Mesmo assim resolveu arriscar a pedido dela mesma, mas depois do que houve não tinha como continuar, pois não queria se machucar mais e mais com algo que ele sabia que nunca daria certo. Vigiava bem na escola, já que aquele lugar tinha uma grande probabilidade de aparecimento de Hollows, bem como alunos e professores com elevada manifestação de Reiatsu, fato que foi notavelmente percebido pelo Capitão Ukitake. Ainda era muito cedo e a aula não havia começado. Izuru continuava seu trabalho de vigilância, porém ele mal sabia que estava sendo observado por Matsumoto, que ocultou sua Reiatsu na tentativa de não ser descoberta, mas temia o fato do loiro ser bastante habilidoso na arte do Kido e acabar a descobrindo do mesmo jeito, como já aconteceu. Esperava uma oportunidade, uma chance para conversar melhor com ele e se explicar para tentar desfazer sua burrada. Cerca de meia hora depois, a ruiva finalmente tomou coragem para falar com o loiro, mas quando ia se revelar, foi surpreendida com a presença de Chizuru, que correu em direção ao Capitão alegre e satisfeita.
— Kira-kun! Que bom te ver! – Exclamou animada. — Como foi da última vez? Resolveu as coisas com aquela mulher louca?
— Mulher louca? – Rangiku questionou em pensamento quando uma veia saltou em sua testa.
— Matsumoto-san? Esqueça ela. Apenas saiba que eu sinto muito pelo que aconteceu, e tem minha total palavra de que não vai voltar a se repetir.
— Não se preocupe, lindinho. Mas é que eu percebi uma coisa.
— E o que é? – O loiro perguntou intrigado.
— Eu acho que... Ela é a mulher que você ama.
— É... – Revelou sem cerimônia. — Mas não fique grilada com isso, Chizuru-chan. Matsumoto-san e eu... temos uma relação... complicada, digamos assim.
— Complicada? É por isso que eu digo que essa mulher é louca. Ela tem o seu amor aos pés dela e não te dá valor?
— Não se trata disso. Acontece que ela sempre foi apaixonada por um canalha e não sabia dos meus sentimentos. É por isso que estou dizendo que a nossa relação é muito complicada. Então esqueça, sim? Me fale de você. O que tem feito?
— Cheguei muito cedo na escola hoje, como pode ver. Na verdade, fiz isso na esperança de ver você de novo, e, pelo jeito, acertei.
— Admito que estou surpreso. Como me encontrou aqui em cima? – O melancólico rapaz disse dando um leve sorriso.
— Também não sei. Fui guiada por um instinto estranho, como se eu sentisse que te encontraria aqui, como se sentisse que você estava aqui. Acho que a minha intuição anda muito aprimorada nos últimos dias. – Brincou a jovem, coçando a cabeça.
— Essa garota humana... Inconscientemente pode nos encontrar sentido a nossa Reiatsu. – Izuru concluiu em pensamento, e Rangiku percebeu a mesma coisa. — Mas então? O que você quer falar comigo? Quer retomar aquele assunto de ontem?
— É... – Ela se recosta em um batente e ambos sentam no chão um ao lado do outro. — Eu... – Abaixa a cabeça um pouco envergonhada. — Sempre fui muito mal vista pelos meus colegas de escola por causa do meu comportamento.
— Se refere ao seu gosto por mulheres?
— Sim. Eu sempre acabo sendo rejeitada ou agredida por causa de minhas atitudes. Tenho consciência de que ajo errado, mas de toda a forma, qualquer situação de desprezo a dolorosa.
— Você tem toda a razão. Entendo bem o seu sentimento. – Ele percebe que os olhos da garota se encheram de lágrimas e se senta mais perto dela. Neste momento sente a presença de Rangiku, mas ignora tal fato a fim de prestar só solidariedade à Chizuru. — Eu não queria te dizer isso, mas acho que sou obrigado a falar que realmente a sua postura é inadequada e eu diria até mesmo desrespeitosa. Sabe, não é bom ficar agarrando as pessoas de surpresa. Sei que você não faz por mal. É uma ótima menina.
Chizuru fica tocada em impressionada com as palavras de Kira. Por mais que ela tenha ficado triste, ele disse a verdade, e ela devia agradecer por sua sinceridade. Rangiku observou incomodada. Sabia o quanto o loiro era fechado, mas ele era solidário e atencioso com os problemas alheios. O incômodo no coração da ruiva se chamava "ciúme". Desde quando sentia isso? Queria ser a única a desfrutar daquilo. Era para ser a única a receber suas atenções, seus cuidados e seus consolos, mas agora, os braços acolhedores de Izuru estavam envolvendo outra pessoa, e Matsumoto não estava lidando nada bem com isso. Chizuru começou a chorar. Queria mudar, rever seus conceitos sobre como lidar com as pessoas em sua volta. Não queria mais ser taxada de forma preconceituosa e desdenhosa. Ver o pranto sofrido da jovem fez Izuru a envolver em seus braços, e um terno calor passou a percorrer o corpo da insegura menina, que sentiu uma doçura cálida, uma sensação de paz tão maravilhosa que ela poderia ficar daquele jeito pelo resto da vida, se possível fosse. O que a ruiva sentia nada mais era do que a Reiatsu de Kira. Ele era um bom rapaz. Sua energia era forte, quentinha, nobre e cheia de bondade. Como ela era uma humana com forte Reiatsu, não foi difícil sentir e perceber a energia que dele vinha. Tal sensação maravilhosa e inexplicável apenas provava o quanto o loiro era especial, e que nenhum humano seria capaz de ter uma energia semelhante. Uma contraditória sensação de calor e arrepio passou a ser sentida pela estudante quando a mão dele afagou os fios curtos.
— Não se sinta mal. Você não tem culpa de nada. Somos o que somos e não deve se sentir triste por isso.
— Kira-kun... Você tem uma energia tão boa, tão pacífica. Foi este poder que você usou para me curar, não é?
— Sim. Você está certa. E a sua capacidade de percepção é fabulosa. Eu te dou os meus parabéns.
A triste estudante ficou mais emocionada com a gentileza de Izuru do que com o seu próprio problema em si. Estava recebendo o melhor carinho que já tivera de um Shinigami até ontem desconhecido para ela. Carinho este que nunca recebeu de seus amigos mais próximos ou até mesmo de sua família, que sempre estava longe, e isso não era pouca coisa. Com o queixo apoiado no topo da cabeça da ruiva, o Capitão continuava afagando as madeixas dela com carinho e esmero.
Ao continuar vendo aquilo, as pernas de Rangiku cambalearam como se não tivesse forças para sustentá-las. Já sentiu em si mesma o quanto o abraço de seu adorado amigo era reconfortante, como seus toque gentis a acalmavam, e, claro, como seus beijos eram enlouquecedores. A mente de Matsumoto estava uma bagunça, um caos generalizado como se tudo em sua cabeça estivesse distorcido, desorganizado. Afinal, o que ela sentia? O que tanto a incomodava quando ela via Izuru Kira com outra?
O Capitão preferiu ignorar a presença da ruiva. Não devia nada a ela, sendo assim, o que ele fazia não era de sua conta. Além disso a errada era ela, pois tinha se comportado com ele da pior forma e não era a primeira vez. A indagação mental do loiro logo foi interrompida quando seus lábios foram subitamente envoltos pelos de um outro alguém, e sua boca foi calidamente invadida pela tímida língua quentinha de Chizuru, que num ato carente e impensado, beijou o belo rapaz com inocência e doçura. Ele foi pego de surpresa por aquele gesto tão fofo, mas não fez nada para afastá-la dele. Estava pouco se importando se a mulher a quem sempre amou estava o vendo aos beijos com outra. A verdade é que ele estava saturado pela forma egoísta com a qual ela se portava com ele, e estava fortemente decidido a dar um basta naquela situação. Os melancólicos e belíssimos olhos azuis se fecharam, entregues ao suave beijo da jovem, para o desespero de Rangiku. Os finos dedos da frágil mão da garota foram de encontro ao pescoço dele e sentia a sedosidade dos lisos fios claros. Kira se sentiu bem com aquele afago, e com cuidado, acarinhou a lateral do rosto da jovem ternamente. Inquieta, Rangiku desfez seu Kido e deu uma forte tossida, assustando os dois, que se separaram e abriram os olhos. Ao ver de quem se tratava, Chizuru ficou apreensiva, já que provavelmente a voluptuosa ruiva iria tentar agredi-la de novo. O Capitão levantou trazendo Chizuru consigo e mirou os olhos de Rangiku, que lutava para não desabar em lágrimas. A lindíssima Tenente pôde ver naqueles olhos que ela tanto amava um profundo pesar, uma decepção que ela sabia ser direcionada a ela. Antes de qualquer um dos dois se manifestar, Chizuru deu um passo à frente, fazendo com que o Gentil Capitão a soltasse e ficando bem na frente de Rangiku, declarando em tom acusador.
— Sua egoísta!
— Quê?! – A bela questionou, surpresa com a acusação repentina.
— É o que você é! Não ama o Kira-kun, mas também não permite que ele seja feliz com outra pessoa. Você é mesquinha. – Desabafou.
Cada palavra dita pela garota atingiu Rangiku como choques de realidade dados sem piedade. Em duas únicas palavras ela definiu com perfeição o comportamento da ruiva. Sentiu uma raiva subir por todo o seu ser, e imediatamente fechou os punhos. Izuru observou tal gesto e ficou em alerta. Todavia, a raiva da Tenente não era de forma alguma destinada a jovem estudante. Sua raiva era dela mesma por ser uma pessoa mesquinha e egoísta, que só pensava em si enquanto magoava a pessoa que mais lhe tinha a preço, como Chizuru havia dito. Foi a vez de Izuru dar um passo à frente, colocando-se entre as duas e encarando a Tenente com seriedade.
— Eu vou logo avisando que não vou admitir nenhuma briga entre vocês duas. Então, Matsumoto-san, pode explicar porque estava me seguindo?
— Kira... é que...
— Eu te pedi um tempo. Pedi que me deixasse em paz depois do que você fez ontem, mas parece que, como sempre, tudo entra por um ouvido e sai pelo outro.
— Já percebi para que você queria um tempo. Foi para ficar aos beijos com essa pirralha aí! – Esbravejou num tom mais alterado.
— Nem comece! Não tem direito algum para me questionar. Chizuru-chan acabou de me proporcionar um carinho sincero, inocente e desinteressado, mas você não! Você me beijou à força sabendo perfeitamente dos sentimentos que tenho por ti, e depois fala na minha cara que a única coisa que sente por mim é tesão. Como quer que eu me sinta? Como quer que eu consiga olhar na sua cara depois disso? Anda, Matsumoto, me explica!
— Não! Você está enganado quanto a isso! Eu...
Ela tentava se explicar, porém não conseguia. Nem ela sabia com clareza o que sentia de verdade. Completamente derrotada, a ruiva do 10º Esquadrão estava prestes a dar meia volta e deixar os dois sozinhos, porém, ao ver que não conseguiria nenhuma resposta coerente da parte dela, Izuru concluiu em forma de lamento.
— Não consegue responder? Eu sei porque não consegue. Para mim a resposta é muito simples: Jamais deixará de amar Ichimaru Gin. Nunca irá se libertar deste fantasma, e desse jeito nunca conseguirá ser feliz com ninguém. Infelizmente não é culpa sua, não é culpa de ninguém, mas eu não tenho mais condições de continuar lidando com isso. É por esse motivo, que pela segunda vez eu irei pedir a você, não, implorar... Que não me procure mais. Me deixe em paz, pelo menos para que, mesmo que seja um pouquinho, eu possa te esquecer. – Terminou com os olhos marejados, passando por ela para sair de lá.
— Kira-kun! – Chizuru correu para alcançá-lo.
— Não venha. Por favor, eu preciso ficar sozinho.
Rangiku correu de lá destruída de tristeza e vergonha. Como pôde ser tão burra? Tão egoísta? Pensaria nisso depois, já que o mais importante era ele. Tinha que encontrar um jeito de se redimir, de voltar as boas com ele, mas sabia de antemão que não seria nada fácil...
Na tranquilidade do quarto de Shinji, o mesmo despertava naquele início de manhã. Coberto por um lençol branco do mesmo jeito que Nanao estava, o loiro dormia na mesma posição de antes: no colo dela, onde a Shinigami mantinha uma das mãos sobre os longos cabelos loiros. A primeira coisa que passou por sua cabeça foram os momentos mágicos que viveu com sua amada naquela noite. Ele sorriu verdadeiramente feliz, mas logo veio a realidade... Ela disse que o amava e aquilo o tocou, o tocou a ponto de fazê-lo chorar como uma criança, e foi assim que ele voltou a se sentir. Mais uma vez começou a chorar em silêncio, um silêncio angustiado que fazia parte de seus atuais sentimentos. Poucos minutos depois, a bela morena abriu seus brilhantes olhos arroxeados ao acordar com o som que parecia ser de um choro fraquinho e um leve soluçar. Os sentiu de fato em seu corpo, já que Hirako estava deitado quase em seu ventre. Ela se levanta devagar até se sentar recostada no espelho da cama e ele faz o mesmo.
— O que aconteceu, meu amor? – Perguntou com doçura. — Desde ontem estou para te perguntar porque você chorou quando eu disse que te amo.
Ele nada disse. Balançou a cabeça negativamente, e Nanao pousou sua mão na lateral do rosto de Shinji, tocando nos cabelos grudados neste, já que estavam molhados por suas lágrimas, e em um cândido ato, ela passou a beijar o rosto de seu amado, trilhando com seus lábios o caminho de suas lágrimas, secando-as com sua própria boca. Ele segurou a mão esquerda dela fechando os olhos, apreciando tão doce gesto. Em seguida, beijou a mão de sua adorada com devoção.
— Eu não sei se você vai compreender como me sinto neste momento.
— Basta você desabafar. Pode dizer tudo o que sente. Sabe que pode confiar em mim, não sabe, meu querido?
— É este o ponto. Eu nunca tive ninguém que dissesse que me ama. Sempre tive uma existência vazia e solitária, e quando você disse que me amava eu fiquei muito emocionado. – Pausou em meio ao soluço. — E também muito triste ao mesmo tempo.
Nanao sorriu comovida, e seus olhos marejaram vendo toda a emoção que ele sentia.
— Você é um doce, sabia? – Falou chorosa, acarinhando o lindo rosto de Shinji com ambas as mãos.
— Não... – Envolveu a cabeça dela entre seus dedos, aninhando a lateral de sua face em seu peito nu, fazendo-a suspirar de desejo ao sentir as batidas de seu coração. — Você sim é a coisa mais maravilhosa de todas... o ser mais lindo e mais perfeito que eu tive a sorte de conhecer neste universo.
Nanao abraçou apertado a fina cintura de seu amado Vizard, subindo as mãos pelas costas, fazendo leves carícias pela extensão desta, deixando Hirako arrepiado.
— Então qual é o problema, meu lindo? Por que vhora? – Tornou a perguntar, sentindo um arrepio enorme conforme ele ia acariciando suas madeixas escuras.
— Já deveria saber. Logo você terá que voltar para a Soul Society, e tudo o que vivemos não passará da mais linda e maravilhosa lembrança que eu já tive, mas eu voltarei a ficar só.
A bela Tenente nada respondeu, apenas tomou a boca do loiro para si num beijo apaixonado e enlouquecedor.
Enquanto isso, na parte de fora do terraço, a barreira de Kido feita por Nanao havia cessado, isso porque ao dormir, a mulher interrompeu o controle sobre sua Reiatsu, e isso fez com que a barreira desaparecesse. Hiyori e os outros Vizards tomavam café da manhã na parte de baixo da construção, e a garota continuava enfurecida com o sumiço de seu líder. Subitamente eles passaram a sentir a presença do loiro em seu quarto, e sem demora a pequena Vizard subiu até lá, seguida por Lisa e os outros.
No quarto, as línguas de Shinji e Nanao dançavam tranquilas em suas bocas em um beijo sincero e prazeroso. As mãos dele seguiam pelas costas, fazendo o lençol que cobria os seios escorregar. Distribuiu seus beijos pelo pescoço fino e a segurou firme por trás, fazendo sua língua brincalhona encontrar um dos duros mamilos que ele lambia com cuidado, raspando a argola de sua língua na frágil parte do corpo de Nanao, que estremecia, devido ao tamanho do tesão que isso lhe proporcionava. Sua pele se eriçou em um arrepio cru, e sentiu-se encharcar quando a mão dele apertou o seio livre com moderada força. Shinji também se sentia excitado, mas não tinha intenção alguma de parar, mesmo com seu membro ereto por baixo do lençol.
— Shinji... Shinji... – Gemia o nome dele descontroladamente enquanto seu corpo estremecia e fervia ao mesmo tempo.
Sua intimidade se contraía sem controle até que ela gritou com toda a força de seus pulmões ao atingir o mais delicioso dos orgasmos ao ter seus seios saboreados daquela maneira tão magistral, excitante e estupenda.
Hiyori e os outros ouviram o grito de prazer e satisfação da Tenente, e todos eles, exceto Hiyori, entenderam do que se tratava.
— Mas que porra foi essa? Aquele careca imbecil está matando alguém ali dentro? – Falou a invocada garota ao se aproximar da porta e abrir a mesma com um chute ao mesmo tempo em que Lisa gritou do lado de fora e Nanao de dentro do quarto.
— Não faça isso Hiyori!
— Shinji... eu quero gozar de novo! Me faça tua novamente!
O semblante da morena mudou de imediato, e ela na mesma hora pegou seus óculos no criado-mudo, ajustando as lentes em seu rosto.
— Puta que pariu... – Pensou Hirako ao ver o que tinha acontecido.
Ambos puxaram o lençol a fim de se cobrir, e um olhar de fúria estampou o rosto da bela Tenente, que ao acabar de ir ao paraíso depois de um incrível orgasmo, foi ao inferno em seguida devido à interrupção súbita.
— O que significa essa merda? – A garota gritou possessa ao pegar os dois na cama, voando em cima do casal e acertando uma chinelada no rosto de Shinji, o que aumentou ainda mais a fúria de Nanao, que mais do que depressa, pegou a garota pelos finos pulsos para fazê-la parar. — Me solta, sua vadia! Que espécie de piranha você é para ficar pelada na cama desse babaca?
Hiyori gritava enfurecida, e sem responder, Nanao deu duas bofetadas, uma em cada lado do rosto da pequena Ex-Tenente, cujo nariz sangrou devido a força dos golpes.
— Sua pirralha do capeta! Eu te falei para nunca mais encostar no Shinji de novo! Você é surda ou se finge de retardada? Suma daqui! E se você aprontar outra falseta dessa, eu juro que arrebento todos os ossos dessa sua cara!
— Hiyori! – Lisa gritou enquanto todos entraram de uma vez.
Derrotado, Shinji se jogou na cama sem saber o que fazer. Todos os Vizards tiraram Hiyori de lá à força, deixando os dois a sós novamente. Mesmo ao ver o rosto inexpressivo e o olhar reprovador de seu amado ela não se arrependia de nada.
— Não me olhe assim. Eu tinha avisado àquela pirralha que não responderia por mim se ela fizesse algo assim de novo, mas ela não me ouviu.
— Eu te pedi para não machucá-la. – Falou sem emoção.
— Mas ela pode te machucar? Desculpe, mas eu não quero presenciar esse tipo de coisa. Não vou permitir que ela encoste em você.
— Tudo bem, minha linda. – Falou doce ao se aproximar. — Não vamos nos preocupar. Eu cuido da Hiyori depois, apenas não sou a favor do uso de violência. Vou resolver isso com ela do meu jeito. – Concluiu calmo, dando suaves beijos no pescoço dela, que sente um calor gostoso. — Anda, amor, desfaz essa cara chateada. Que tal um banho? Tenho uma banheira incrível bem ali. – Terminou ao apontar para a porta do banheiro dentro do quarto.
— E eu posso pensar no assunto? – Perguntou fazendo doce.
— Não, não pode.
E com essa resposta rápida e objetiva Hirako pegou Ise em seus braços e a levou em direção ao banheiro, onde mais uma vez se amaram naquela maravilhosa banheira.
Atordoado e confuso depois de sua discussão com Rangiku, Izuru caminhou sem rumo pelas ruas da cidade bem próximas à escola. O Capitão estava se sentindo péssimo, pois não havia nada pior do que ter a sensação de estar sendo usado. Deprimido, o belo rapaz andou por vários minutos até que parou em frente a um restaurante. Ainda era muito cedo e o estabelecimento não estava funcionando. Mesmo assim, o loiro olhou para o interior do local, e vendo o chamativo bar que nele tinha, logo indagou um dos funcionários que cuidava para deixar tudo pronto até a hora de abrir o local.
— Eu quero a melhor garrafa de sake que tenha neste bar. – Falou direto, estendendo uma Generosa nota de dinheiro na frente do outro, que o olhou curioso de volta, sem crer que ele não tinha percebido que o local ainda estava fechado.
— Desculpe, meu rapaz, mas a esta hora ainda estamos fechados, e mesmo que o restaurante estivesse aberto, eu não poderia vender uma garrafa de bebida para você.
— E eu posso saber por que diz isso? – Ele fala um tanto indignado, arqueando uma das sobrancelhas.
— Como assim? Você está vestindo um uniforme de colégio, ou seja, você é um estudante, e pela sua cara, duvido muito que seja maior de idade, e um rapazinho como você não pode sequer chegar perto de bebidas alcoólicas.
— Você está tirando uma com a minha cara? Faz ideia de quantos séculos eu já vivi para dizer isso?
— Séculos? Então eu acho que você já deve estar bêbado a essa hora. Que coisa feia, garoto. Alguém tão jovem como você não deveria...
Não terminou de concluir sua ideia, pois Kira o pegou pela gola da camisa e o levantou. Com os olhos cheios de faísca, ele confrontou o funcionário mais uma vez...
— Venda logo esta porra dessa garrafa de sake ou não respondo por mim!
Intimidado, o homem acabou vendendo a bebida ao Capitão, e o mesmo seguiu de volta para a escola. Ao voltar, ele foi para o mesmo lugar de antes no terraço, e sentando no chão, encheu um copo de tamanho médio e bebeu de uma só vez. Rangiku foi para outro lugar, onde sentou aos pés de uma árvore, passando a lamentar o tamanho de sua burrice e falta de tato. Não conseguia compreender o que sentia por Kira de verdade, mas essa confusão estava causando estragos para ambas as partes.
Após matar aula novamente, Kukkaku foi dar uma escapada e subiu escondida para o terraço, onde ficou de boca aberta ao ver Izuru com uma garrafa de sake e murmurando coisas sem sentido.
— Kira-kun! – Chamou surpresa ao sacudir o loiro pelos ombros. — Que ideia é essa de encher a cara durante o dia, ainda mais aqui?
— Hã? Ku... Kukkaku-san? – Disse um pouco tonto, afetado pelo álcool. — O que faz aqui...?
— O que você faz aqui bebendo? Há dias que não te vejo e quando o vejo te encontro assim? O que foi, gatinho? Mal de amor? – Observou assertiva.
— Ah, ah... – Deu um longo suspiro. — Esse tipo de frustração é tão evidente...
— Ora, não fique assim, meu querido amigo. Amor não correspondido é mesmo doloroso, mas eu sou ainda mais infeliz, pois demorei muito a perceber que também estava apaixonada pelo homem que me amava e agora ele me repudia.
— Ah, Kukkaku-san! – Falou alterado, literalmente sentando a testa no ombro da morena, que o acolheu dando leves tapinhas em suas costas. — Por que amar é tão doloroso e difícil? – Continuou triste, molhando o uniforme da morena.
— Tudo bem, tudo bem. Eu sei o quanto está sofrendo. – Dá leves afagos nos cabelos loiros. — Anda, vamos beber.
A Líder do Clã Shiba se serviu de uma dose, uma única dose apenas, já que o loiro se encarregou de beber todo o resto anteriormente. Os dois desiludidos curtiam sua bela fossa, e Rangiku fazia o mesmo não muito longe dali.
Em outra parte da escola, os belos cabelos cor de prata voavam tranquilos devido ao vento fraquinho que soprava naquela hora. O belo Capitão repousava tranquilamente em um dos bancos do pátio, fazendo uma pausa para comer um lanche gostoso e voltar ao que fazia. Há dias o platinado fora encarregado de trabalhos extras na escola ao pedido de Misato-sensei. Como notou que o gentil homem adorava crianças, pediu que ele fizesse a gentileza de organizar passeios, alguns trabalhos de desenho e atividades diversas para os pequenos. Ukitake aceitou de bom grado, já que seria uma forma de relaxar e fazer o tempo passar mais rápido naquele mundo que ele estava de passagem. Durante a aula, porém, Kyone não o viu, pois o mesmo estava muito envolvido nesse trabalho e não assistiu a aula como todo mundo. Juushiro voltou para a enorme sala de leitura onde fazia parte de alguns cartazes para um festival que os pequenos fariam no próximo fim de semana. Enquanto fazia suas atividades, o platinado tossiu algumas vezes, e esqueceu completamente de que não havia tomado seu remédio desde cedo, mas acabou negligenciando a tosse, indo de volta à sua sala de aula, onde pegaria de volta sua maleta escolar para ir para casa. Já era fim de tarde. Kukkaku e Izuru cochilavam onde estavam desde cedo. Completamente bêbado, o loiro nem sequer tinha condições de sair de lá sem ajuda, e a morena dormiu por pura preguiça mesmo.
Não muito longe, Kyone procurava seu Capitão por toda a parte. Preocupada com a saúde dele, como sempre, a jovem Shinigami corria aflita pelos corredores, e sem sucesso continuava sua busca. Deu de cara com Chizuru, que ficara depois da hora fazendo uma atividade extra curricular no clube de culinária e perdeu a noção da hora.
— O que foi, garota? Não olha por onde anda? – Questionou a maior ao levar um esbarrão da exagerada menina.
— Que bom que te encontrei! Preciso de ajuda! Pode ajudar a encontrar meu Capitão?
— Capitão? – Perguntou surpresa, sem entender o que a pequena queria dizer.
— Não, não! Quero dizer... Juushiro Ukitake... aquele aluno novo de cabelos cor de prata. Você o viu por aqui? É urgente. Eu preciso encontrá-lo!
— Olha, eu não sei onde ele possa estar, mas sei de alguém que pode encontrá-lo.
Com esta ideia em mente, e já acostumada com a Reiatsu de Kira, Chizuru seguiu com Kyone para onde ela achava que o loiro estava. Sentiu a presença do Capitão bastante fraca, pois ele estava praticamente desmaiado por causa da bebida. Acabou encontrando Izuru adormecido junto com Kukkaku no terraço, e Kyone, aflita, já chegou gritando desesperada.
— Capitão Kira! Capitão Kira! Por favor, me ajude a encontrar o Capitão Ukitake! Ei! CAPITÃO KIRA!
— Aaahhhh! Mas que caralho! Quem está berrando desse jeito?! – Kukkaku esbravejou ao ser acordada com aquele escândalo.
— Shiba-san! É urgente. Eu preciso de ajuda! – A garota continuou.
— O que é, caramba?! Vê se fala mais baixo!
— É o Capitão Ukitake!
— Ukitake? – O semblante da morena logo mudou, assumindo uma expressão preocupada. — O que aconteceu?
— É isso! – Explicou, mostrando a ela uma caixa de comprimidos feitos pela Divisão Quatro. — É o remédio do meu Capitão. Não consegui vê-lo desde cedo e tenho certeza de que ele não se medicou hoje. Isso é mau. Ele pode estar tendo uma crise neste momento, se é que não já teve.
— Me dá isso! – Puxou a caixa das mãos da garota de forma brusca. — Você, ruiva tarada, por favor, cuide do Kira-kun. O coitado encheu a cara e não vai acordar tão cedo. Você ajuda a ruiva tarada e levem o Kira de volta para a mansão do imbecil do Byakuya. Você pode deixar o Ukitake comigo.
— Mas... Shiba-san... – A garota hesitou um tanto desconfiada. — É que a senhora e meu Capitão... como dizer... a senhora nunca foi, digamos, gentil com ele...
— Se manda logo, garota! – A cortou rispidamente — Faz o que eu digo!
Sem alternativa, as duas jovens seguiram com Izuru enquanto a Shiba foi ao encontro de Ukitake. Desceu as escadas aturdida e procurou por todos os lugares. Enquanto vasculhava a quadra e o vestiário próximo ao campo de futebol, suas pernas tremeram quando ela se concentrou na Reiatsu do Capitão, e simplesmente não conseguiu senti-la. Seu coração palpitou e ela tremeu ao lembrar das palavras da Kotetsu menor. Correu sem controle e passou a vasculhar as salas de aula. Começou pela mais improvável de todas. Salas que não eram a que eles estudavam. Foi até a diretoria e à sala dos professores, pois até se sentiria aliviada se o encontrasse no 'maior love' com Misato-sensei. Não obteve sucesso. Como um estalo, a chamativa mulher teve a ideia de procurar no lugar mais óbvio, porém o último que ela pensou em cogitar: sua própria sala de aula. Correu como louca pelo corredor, abrindo a porta com desespero, passando os verdes olhos pelo local, mas não viu ninguém. Notou uma mala sobre a primeira carteira e uma delas estava caída no chão, junto com algumas outras desalinhadas. Ao dar alguns passos para a frente, ela se deparou com a pior visão que já teve em séculos: Ukitake estava desmaiado no chão, e o mesmo era tingido de vermelho pelo sangue que saía de sua boca. Chocada, a morena caiu de joelhos e lágrimas invadiram o belo rosto ao concluir que chegou tarde...
No Hospital Geral de Karakura, o belo Ishida Ryuuken terminava mais uma de suas cirurgias de alto risco, e após uma brilhante performance, ele estava satisfeito por ter salvo a vida de mais um de seus pacientes de forma segura e sem erros. Foi para a sua luxuosa sala, para onde sempre ia após aqueles procedimentos importantes e delicados. Ainda trajando o pijama cirúrgico, o platinado retirou a touca e a máscara, relaxando em sua cadeira enquanto encarava uma convidativa xícara de café. De repente, os belos olhos safira se voltaram para a porta quando ele ouviu a mesma se abrir. Virou a cadeira um tanto boquiaberto ao ver quem era o inesperado e invasivo visitante. Ishida Uryuu estava diante do Ishida pai, sustentando um olhar firme junto com sua habitual expressão séria. Ryuuken logo levantou de onde estava, dando dois passos em direção ao filho, surpreso e aturdido pela visita repentina.
— Uryuu?
— Ryuuken...
つづくcontinua...
