Be sure it's true when you say
"I love you"
It's a sin to tell a lie
Millions of hearts have been broken
Just because these words were spoken

I love you
Yes I do
I love you
If you break my heart I'll die
So be sure that it's true when you say
"I love you"
It'a sin to tell a lie

A voz de Billie Holiday ecoava pelo quarto de Jensen. Já fazia alguns dias que ele e Jared tiveram aquele encontro peculiar e desde então Jensen estava com medo. Ele não quis contar pra ninguém sobre o encontro, o que deixou Misha extremamente chateado e muito curioso. Alice também tentou falar com ele, mas nada conseguiu. Sempre que Jensen se lembrava do encontro com Jared, seu coração se enchia de sentimentos confusos, ele sentia carinho e paixão, mas também tinha muito medo.

-Medo do que, meu querido? – perguntou Alice.

-Eu não sei...eu...você sabe que eu não confio nas pessoas...eu...elas vão sempre embora. Não quero me envolver e me decepcionar.

-Mas você não pode deixar um medo de algo que você não conhece te privar de viver algo maravilhoso.

-Eu sei Nana... mas... eu não consigo evitar este sentimento de perda, de medo, de.. sei lá! Desde criança, eu nunca quis me envolver com ninguém. E não sei, o Jared...ele... eu nunca senti nada assim antes! E.. eu tenho medo.

-Eu entendo, acredite. Mas eu também sei que você merece ser feliz. O amor é um sentimento tão lindo, e tenho certeza que se você se permitir, vai ser muito feliz!

-Não sei...

-Ele ligou hoje novamente. Porque você não liga pra ele, marca um novo encontro?

-Nana...

-Algo aqui em casa. Eu realmente gostaria de revê... de conhece-lo.

-Mas e Chris? Eu não quero trazer ninguém aqui em casa e iludi-lo...

-Chris adora o Jay.

-Mais um motivo para eu não o convidar para vir aqui. Está decidido Nana. Não vou convidar o Jay para vir aqui e pronto. Não quero me envolver com ele.

Chris chegou exatamente nesta hora e ouviu Jensen dizer que não convidaria Jared para ir até a casa deles. Seu coraçãozinho se encheu de tristeza. Ele gostava tanto de Jared e havia dito para Chris que gostaria que Jared fosse seu papai também, se Steve podia ter duas mães, porque ele não poderia ter dois pais? Mas agora as esperanças dele estavam destruídas. Jensen não queria convidar Jared para ir a sua casa. Chris não conseguiria uni-los. Com este pensamento, o garoto correu para seu quarto, deitou-se em sua cama e chorou até dormir.

O que Chris não ouviu foi o final da conversa entre Jensen e Alice.

-Acredito que você já está envolvido com ele...

-Nana...

-Jensen, eu entendo que você não queira traze-lo aqui em casa por enquanto, mas, por favor, não se afaste dele antes de tentar.

-Ok...eu...ok.

Jared estava deprimido pois Jensen não atendia a suas ligações e ele não quis mandar nenhum recado através de Chris, não achava certo usar o garoto como ponte, apesar de ter passado por sua cabeça. Zach havia lhe dito que talvez ele devesse ir até a casa de Jensen, fazer uma abordagem mais enfática, mas Jared sabe que este Jensen é o mesmo que ele conheceu em sua viagem mágica e sendo assim, ele sabe que pressiona-lo não vai ajudar em nada. Resolveu dar um tempo, mais alguns dias, mas ele não iria desistir de Jensen, não agora que finalmente eles se encontraram.

Mas algo o estava preocupando. Já fazia três dias que Chris não ia à escola. Será que ele estava doente? Será que Jensen o havia tirado da escola? Steve estava cabisbaixo, provavelmente sentindo saudades de seu amigo inseparável.

-Steve, o que aconteceu? Por que você está tão tristonho?

-É que o Chris não veio de novo hoje... mamãe ligou na casa dele ontem, ele está doente...

-Oh! Tenho certeza de que logo logo ele vai sarar e voltará para a escola.

-É... mamãe também acha... mas não gosto quando ele não vem, fico sem ter com quem brincar...

-Tenho certeza de que você vai conseguir brincar com as outras crianças hoje.

Steve não respondeu nada, apenas abaixou a cabeça. Jared organizou uma brincadeira em que todas as crianças interagiram. Steve ficou menos triste já que ao final do dia ele havia feito mais amigos. Mais tarde, Jared recebeu a noticia de que Chris estava em casa, doente e não viria à escola naquela semana. Seu coração se encheu de preocupação e quando ele estava prestes a ligar novamente para Jensen e ver se conseguia falar com ele, seu telefone tocou.

-A-alô?

-Jen...Jensen.

-Sim...sou eu. Desculpe ligar mas...

-Você não tem que se desculpar...eu...fico feliz que ligou. Como está Chris?

-Eu...eu preciso...preciso que você venha aqui...o Chris...ele...não está nada bem...ele quer vê-lo...por...favor...eu...- Jensen gaguejava e chorava ao telefone.

-Estou indo. – Jared desligou o telefone e saiu praticamente correndo atrás de um taxi.

Ao chegar a casa de Jensen, que ele sabia o endereço, pois havia visto nas informações que foram fornecidas por Jensen à escola, Jared sentiu uma sensação de familiaridade. A casa era parecida com a casa de Mama, mudava apenas a cor. E o cheiro também, tinha aquele cheiro gostoso que ele não conseguia identificar. Lar. Aconchego. Amor.

Ele tocou a campainha e Alice apareceu. Ela o olhou e ambos ficaram se comtemplando por um tempo. Ele entrou sem dizer nada, mas havia algo de familiar naquela senhora. Os olhos. Eram os mesmos olhos da...

-Olá Sunshine... fico feliz em finalmente poder revê-lo. – disse Alice, sorrindo e com os olhos marejados.

-Oh meu Deus! Alice, é você mesmo? Eu... meu Deus!

Jared a abraçou e não pode conter as lágrimas que caiam de seus olhos. Era Alice, a garotinha a quem ele amou tanto e não teve a chance de ver crescer. Ela estava ali, ela era a prova viva de que tudo o que ele viveu era verdade, de que ele não era louco.

-Alice, como tudo isso é possível?

-Suponho que eu nunca saberei lhe responder isso, meu querido. Mas tudo é verdade, tudo aconteceu, e estamos aqui novamente.

-Mas...eu preciso entender Alice! E Jen? E Chris? São eles, não é? Mas...eles morreram...

-Sim..mas voltaram. Querido, num outro dia eu prometo lhe contar tudo o que sei, mas hoje Chris precisa de você.

-Oh, sim sim, claro! Eu vou até o quarto dele. Onde...não precisa dizer, eu acho, Jensen está lá, eu...eu sinto.

E seguindo seu coração, Jared subiu as escadas e foi em direção ao quarto de Chris.

O garotinho estava com uma febre alta e havia sido diagnosticado com pneumonia. Jensen tinha pavor de hospitais, e como ele e Misha eram médicos e tinham recursos, o garoto estava sendo tratado em casa. Giselle estava cuidando do caso, e mesmo com todo o tratamento, a febre de Chris não baixava e nos momentos em que mostrava estar consciente, ele delirava chamando por Jensen, Nana e Jared.

-Papai...papai...por favor...não...brigue...

-shhh... papai está aqui. Eu não vou brigar com você filho...

-Professor... Jay...eu...quero...chama ele papai...

-Ele já deve estar chegando...mas você tem que melhorar...

Jensen estava sentado na cama segurando a mão de seu filho que tremia e suava por conta da febre. Ele não sabia mais o que fazer e não entendia de onde vinha aquela febre e tristeza do filho. Então que Jared entrou no quarto e se sentou do outro lado da cama, segurando a outra mão de Chris.

-Ei amigão, estou aqui.

-Professor Jay! Você...você veio... – Chris respondeu baixinho e uma lágrima escorreu por seu rosto.

-Claro que vim! Estava com saudades de você... eu e seu colegas estamos com saudades.

-Eu...eu também...mas...estou triste.

-Triste, por quê?

-Porque...eu...eu não consegui...

-Não conseguiu o que? – Jensen e Jared perguntaram ao mesmo tempo.

-Não consegui fazer vocês serem amigos...eu...eu queria que você e papai fossem amigos...

Jensen ficou pálido e sem palavras. Jared o olhou e viu confusão no olhar de seu amado.

-Mas nós somos amigos, certo Jensen?

-Oh...sim, claro que sim! Filho, porque você acha que nós não somos amigos?

-Você vai brigar comigo...

-Prometo que não vou brigar...pode falar. – Jensen respondeu de forma carinhosa.

-Eu...eu ouvi você dizer que...que não ia deixar o professor Jay vir aqui...

Jensen corou e desviou o olhar de Jared. Agora estava tudo explicado, Chris havia ouvido parte da conversa de Jensen com Nana. Jared não respondeu nada, mas sentiu seu coração parar por alguns instantes.

-Eu disse isso, mas você não ouviu tudo. Eu também disse que iria tentar ser amigo dele antes de trazê-lo aqui em casa.

-Sério? – Jared e Chris falaram ao mesmo tempo.

-Sério. Mas você tem que me prometer que vai melhorar logo, está bem?

-Isso mesmo Chris, você precisa melhorar, tem muitas coisas que ainda preciso te ensinar lá na escola.

Chris apenas sorriu e após alguns segundos adormeceu. Jensen notou que ele estava mais corado e com a respiração mais controlada. Chris era parecido com Jensen neste ponto, quando algo o afligia ele ficava doente.

Jared ficou cantando baixinho para Chris, até notar que de fato o garoto estava dormindo. O beijou na testa e se levantou. Ficou parado no meio do quarto sem saber como agir. Jensen também se levantou e se aproximou de Jared.

-Me abraça. – disse Jensen, baixinho.

E sem responder, Jared o abraçou. Eles fecharam os olhos e não viram que Chris havia aberto os seus por um breve momento e os havia visto abraçados. Ele sorriu e sentiu que sua missão estava cumprida. Eles estavam juntos novamente.