Capítulo Vinte e Cinco
No dia seguinte, eu não recebi nenhuma ligação nem nada de David, que era o que eu tinha imaginado. Eu sabia que Seth tinha contado a David tudo sobre o que aconteceu na noite anterior, e que David estaria envergonhado, fazendo-o se afastar de mim. Eu realmente queria que ele não o tivesse feito, por que eu ainda não tinha esquecido o que ele tinha dito, e eu queria saber se era fato que pessoas bêbadas realmente falavam a verdade.
Mas vários dias se passaram e nada veio dele. Eu não queria ligar para ele, desde que eu não estava com vontade de perder meu tempo, mas eu ainda não conseguia parar de pensar nele. Uma parte de mim queria que ele aparecesse de novo, mesmo que estivesse bêbado. Eu só queria ouvi-lo falando comigo e tê-lo me tocando de qualquer forma possível.
Agora era a primeira terça-feira de agosto e eu estava passando o tempo na pista de skate com meus amigos, menos Chuck (que estava trabalhando). Eu tinha estado lá por um pouco mais de duas horas, mas continuamente falhava em me juntar à maior parte da diversão. Eu só não estava com vontade. Se eu tivesse algo mais significante para tirar minha mente de David, talvez eu não me sentisse dessa maneira, mas eu não tinha encontrado nada assim ainda.
Marissa e eu estávamos dividindo um pacote de balas de goma, e falando sobre vários assuntos de música. Todos os meus amigos se garantiram de se manter longe do assunto 'relacionamento', especialmente desde que Sebastien e eu estávamos quase no mesmo estado. Outro amigo ligou para Marissa, então ela foi embora, e eu estava prestes a fazer o mesmo – em outra tentativa vã de impedir minha mente de pensar mais que devia – quando eu ouvi a voz de Chuck, vinda de trás de mim:
-Hey, cara, eu tenho boas noticias!
Ele sabia o único tipo de boas noticias que eu queria ouvir agora, mas o sorriso que eu vi em seu rosto quando me virei, implicava que não era relacionada a David.
-É melhor que tenha alguma coisa a ver com...
-Eu queria que tivesse, mas não. – Chuck me interrompeu, vindo parar na minha frente. – Eu acabei de conversar com a minha gerente, e ela disse que ela vai te dar uma entrevista. Ela ainda pensa que você é uma pessoa egoísta, descuidada e inequívoca, que ela não chegaria perto, mas eu a lembrei que é injusto deixar sentimentos pessoais interferirem nos negócios, então ela está te dando uma chance. Se for tudo bem, ela vai te contratar.
Ultimamente, Chuck vinha tentando me empurrar para um emprego. Eu não estava com vontade, mas eu precisava de dinheiro, especialmente desde que eu planejava me mudar em breve. Embora eu estivesse planejando fazer isso com a poupança para a faculdade que meus pais vinham juntando para mim desde que eu nasci, eu ainda precisava de dinheiro, então eu tinha apenas dado de ombros quando Chuck sugeriu isso pela primeira vez, numa maneira de concordar sem realmente concordar.
Suspirando, eu falei: - E se eu não quiser um trabalho?
-Você precisa de um trabalho. – ele me disse abruptamente.
-Por quê?
-Talvez David goste mais de você se você tiver seu próprio dinheiro, que não seja meu nem dos seus pais. – ele disse sorrindo afetadamente, e eu dei uma risada zombeteira. Então Chuck me deu um olhar severo e disse: - Você vai fazer a entrevista, e não vai foder com isso.
Então, eu acabei indo à maldita entrevista, e foi tudo realmente bem. Ao menos, eu achei. E isso se provou correto quando eu recebi uma ligação no dia seguinte, me dizendo que eu ia começar no dia seguinte. Isso deixou Chuck bastante feliz, desde que ele ia trabalhar com seu melhor amigo, e ele sabia que eu estava fazendo algo da vida.
Entretanto, isso não era o bastante para me atualizar para 'feliz'. No momento, eu estava em algum lugar entre 'deprimido' e 'pode ter uma luz no final do túnel'. Quando eu fui trabalhar no dia seguinte, eu não podia agir dessa maneira, então eu tentei fazer algo para me sentir melhor. Nada em particular deu um bom resultado, mas ouvir minhas músicas favoritas, pelo menos, me deu um chute na direção certa.
Embora trabalhar com meu melhor amigo (o que era apenas a maior parte do tempo, mas nossa gerente, Valerie, tentava não nos dar muitos turnos juntos) fosse ótimo, a vida ainda não estava do jeito que eu queria. Eu queria que alguém me desse respostas, pudesse me deixar saber exatamente o que eu tinha que fazer para conseguir David e onde devíamos ter estado o tempo todo.
Então, eu me lembrei do que Seth tinha me dito. Talvez fosse uma boa idéia ter uma conversa com o pai de David, desde que qualquer coisa que eu dissesse podia chegar à David. Eles sempre conversavam, então talvez Seth pudesse, de algum modo, persuadi-lo a finalmente falar comigo. Além do mais, eu sabia que ele ia entender muito melhor do que meus pais jamais poderiam. E não apenas por que ele era gay, mas por que eu sentia que ele entendia mais de paixonites de merda de adolescentes do que a maioria das pessoas de sua idade.
No sábado seguinte, David estava passando a noite na casa de um amigo, então, depois do jantar, Seth e eu fomos a esse Café bacana. Aqui, nós passamos mais de meia hora conversando sobre a situação entre David e eu, entre outras coisas. Eu expliquei meu lado, como eu não era mais o idiota que eu era quando isso tinha acontecido, e como eu realmente me importava com David. Ele explicou que ele definitivamente conseguia entender o ponto de vista de David, mas que ele conseguia entender o meu também.
-Ele te ama. – Seth tinha me dito.
Eu fui pego de surpresa por isso, mas então ri sarcasticamente, balançando minha cabeça e olhando para a mesa entre nós.
-Não, ele não me ama. – falei. – Ele me disse isso.
-Bem, ou você só está sendo um adolescente ingênuo, ou você é realmente estúpido. – ele falou e minhas sobrancelhas se ergueram para ele, quando ele verbalizou isso. – É claro que ele te ama, Pierre. Ele tem te amado há um longo tempo. Você é tudo sobre o que ele fala; você tem sido o assunto principal da arte dele por anos, e ele brilha quando você está por perto. David nos conta tudo, e eu posso, honestamente, dizer que a maioria das conversas que nós tivemos nos últimos três anos foram sobre você.
Isso fez meu coração se agitar um pouco, mas eu ainda tinha problemas para acreditar nisso.
-Então, por que ele realmente foi para a Irlanda? – perguntei.
-Noah e eu passamos um tempo tentando descobrir o verdadeiro motivo por trás dessa longa viagem dele, e nós concluímos que ele apenas precisava de uma mudança. – Seth explicou. – A Irlanda ofereceu a ele muitas oportunidades de fazer novos amigos, e descobrir toda uma vida fora das quedas do colégio. Quando ele voltou, ele estava mais maduro e mais seguro de si, do que ele era antes, mesmo que ele ainda não tivesse se livrado de sua timidez ou suas tendências anti-sociais. Fora ótimas férias para ele, eu acho, e deu a ele novas perspectivas sobre várias coisas da vida.
Isso parecia razoável. Eu comecei a desejar que eu tivesse conhecido David anteriormente, que eu o tivesse conhecido que ele não era mais maduro que eu. Mas, então, eu duvidava que eu já tivesse sido mais maduro que ele. David me parecia o tipo de pessoa que já nasce madura. Ainda assim, teria sido legal tê-lo conhecido antes. E eu percebi que isso tinha sido minha culpa.
Ao longo da conversa sobre David e eu, eu descobri algumas coisas da história de Seth com Noah. Eles ficaram juntos no colégio, mas passaram por alguns problemas. Mais cedo no relacionamento deles (logo que eles tinham terminado o colégio), eles tiveram que superar o drama de Noah traindo Seth. Aparentemente, eles ficaram separados por três anos inteiros.
Isso meio que me deu esperanças, por que talvez David e eu acabaríamos como eles acabaram: felizes e casados, com um filho.
Cada palavra que Seth disse ficou comigo pelos próximos poucos dias, mas quando David nem sequer tentou me contatar, essa esperança sumiu e eu estava tão para baixo quanto antes da conversa.
Agora Chuck e eu estávamos na sua varanda, começando a pizza que sua família tinha pedido para o jantar. Silêncio tinha seguido algumas conversas casuais, e eu pousei minha lata de refrigerante, enquanto suspirava e relaxava na cadeira.
-Então, eu estava pensando que eu só tenho duas opções. – comecei. – Ou eu me caso com um cara rico e velho, que vai morrer e me deixar sua fortuna (ou ele podia ser enrustido e me pagar para ficar de boca fechada, que seja), ou eu podia realmente fazer algo da vida. A primeira opção é a mais fácil, eu acho que fico com ela.
-Qual é, Pierre, isso não é realmente o que você quer. Você quer um trabalho que te pague bem o bastante para você comprar uma casa legal, na qual você vai criar sua família com o homem que você ama. No seu caso, esse homem é o David.
-Ha, isso é o que você quer. Bem, com Dean sendo o homem, é claro.
-Pierre, você não pode me enganar. Nós dormíamos na casa do outro o tempo todo quando éramos crianças e nós sempre falamos sobre um dia nos casarmos com nossos amantes lindos e ter nossa lua de mel ou na Austrália ou nas ilhas Fidji.
Eu não disse nada.
Houve silêncio, enquanto comíamos mais, então Chuck deixou escapar: - Oh, eu esqueci! Eu não acredito que eu esqueci, eu tenho pensado isso desde ontem à noite!
Uma expressão divertida, mas ainda confusa, estava no meu rosto quando eu perguntei.
-O que foi?
Chuck parecia animado, mas nervoso ao mesmo tempo.
-Dean me chamou para morar com ele.
Meus olhos arregalaram, não esperando tal novidade.
-Wow, isso é... Maravilhoso? – eu não tinha certeza do que ele realmente pensava disso, por isso não sabia como eu era suposto a reagir.
-Ele me chamou ontem à noite, mas eu falei que ia pensar. – Chuck continuou. – Ele disse que eu não tenho que me mudar imediatamente, que podia pegar meu tempo, e ele até concordou em ajudar a pagar a faculdade.
-Sua voz está cheia de dúvidas, Charles. – notei. – Como você se sente sobre esse pedido?
Chuck mordiscou seu lábio inferior antes de falar.
-Eu não sei, é um pouco opressivo. Você é único que não é um parente, com que eu dividi uma vida. E eu sequer divido todas as partes da minha vida com você. Dean vai saber tudo, e eu estou tentando descobrir se estou pronto para isso.
-E você quer meu conselho?
-Sim.
-Vá. – falei.
Chuck me olhou curiosamente.
-É isso? Nenhuma explicação por trás desse raciocínio?
-Qual é, Chuck, você e eu sabemos que você nunca amou ninguém do jeito que ama Dean, e eu acho que dar o próximo passo só vai funcionar em seu favor. Dean não é importuno, então mesmo que vocês estejam vivendo juntos e você não queira dividir todas as malditas partes da sua vida, tenho certeza de que ele vai entender isso.
Houve uma pausa, enquanto ele processava isso, então ele sorriu para mim.
-Essa foi a coisa mais gentil que você já disse sobre meu relacionamento com ele. Maldição, eu acho que você realmente mudou.
Dando de ombros de um jeito despreocupado, eu joguei a borda não comida da minha pizza do seu prato.
-Eu não vou te manter longe de algo que vai te fazer feliz. Eu sempre quero te ver feliz.
Chuck me deu um grande beijo na bochecha e falou: - Obrigado, Pierre. – se ajeitando, ele suspirou. – Mas eu ainda tenho que pensar sobre isso.
Conhecendo Chuck, entretanto, ele não ia pensar muito mais.
Tendo que trabalhar fez os dias passaram mais rápido do que eles teriam de outro jeito. Eu devo ter sorriso no trabalho apenas para manter meu emprego, mas eu me sentia um lixo quando eu não estava lá. Eu continuava a pensar em David. Na terceira quarta-feira de agosto, eu juntei toda minha confiança e fui até a casa de David.
Foi Seth quem atendeu a porta, pelo o que eu era grato, desde que eu não tinha certeza se Noah teria entendido completamente por que eu tinha aparecido.
-Hey, Seth. – falei. – Você provavelmente sabe por que eu estou aqui.
Mas ele franziu o cenho.
-Sim, eu sei, mas infelizmente não posso te ajudar. David foi para a casa da mãe dele ontem. Ele vai ficar lá por uma semana.
Porra.
-Oh. – foi tudo o que eu disse.
Ele pareceu se sentir mal que ele tivesse que me falar isso, então me ofereceu uma solução.
-Você podia tentar ligar.
Uma curta risada deixou minha boca e eu balancei a cabeça.
-Seria inútil. – falei. – Eu já fiz isso milhares de vezes e ele nunca atende. – mas, então, eu não ligava há um tempo.
-Desculpe por não poder ajudar, Pierre. – Seth disse.
Respirando fundo, falei:
-Eu realmente não esperava nada diferente. Obrigado, de todo modo. Quando ele volta?
-Ele volta na terça-feira. – respondeu.
Eu assenti e disse: - Falo com você depois.
Quando eu voltei para casa, Chuck estava lá, assistindo um jogo de hockey com meu pai e falando que, se ele fosse para casa, ele teria que ajudar, e ele queria enrolar o máximo possível. Nós passamos um tempo conversando no meu quarto, mas aí eu disse para ele que eu estava bastante cansado, então ele foi para casa e eu coloquei meu pijama.
Mas eu realmente não estava tão cansado quanto pensei que estava. Meu corpo estava cansado, meus olhos estavam cansados, mas minha mente não estava. Eu não conseguia pará-la. Eu achei que algum jogo de computador ia ajudar.
Eu me sentei na cadeira da minha escrivaninha e liguei o computador, e de repente percebi que eu não estava com vontade de jogar nada. Então, eu apenas fiquei lá sentado, olhando para a tela e pensando em David.
Eu sentia como se, de algum modo, estivesse ficando sem tempo, como se fosse perder David para sempre se eu demorasse muito para consegui-lo de volta. Olhando para o calendário, na parede acima da mesa, eu percebi que eu não tinha ligado para ele a semana toda. Talvez estivesse na hora de tentar de novo. Esperançosamente tudo o que ele precisava era de tempo, e eu tinha lhe dado bastante.
Respirando fundo, eu usei meu celular para ligar, e me joguei na minha cama. Chamou uma vez, então duas, mas na terceira vez foi um toque rápido. Eu esperava ouvir a caixa postal, a voz de David recitando aquelas frases que eu tinha ouvido bastante nos últimos tempos. Mas quando eu ouvi sua voz, ela não disse o que a secretária eletrônica usualmente dizia.
Ao invés, foi: - Hey, Pierre. – sua voz estava suave, como se ele tivesse chorado, mas também como se ele estivesse sendo cuidadoso ao atender a ligação.
Meu coração quase parou e eu demorei um momento para perceber que alguém tinha atendido. Eu estava completamente atordoado e feliz que ele tivesse atendido, entretanto.
-David? – ofeguei. – Porra, é você mesmo? – bem, essa era uma pergunta idiota.
Ainda suavemente, ele disse: - Sim, sou eu.
Porra, era ótimo ouvir sua voz. Eu estava tão dominado por esse fato, que minha mente ficou em branco, e eu acabei falando: -C-como você está? – era uma coisa ridícula a se falar nesse momento em particular, mas eu percebi tardiamente. David deve ter pensado o mesmo, mas ele ainda continuou falando como tinha feito desde que eu liguei.
-Bem.
Silêncio se seguiu, enquanto eu tentava pensar em algo que eu pudesse falar que não fosse soar estúpido ou foder com essa chance que me era dada.
-Então, uh... Nós vamos conversar ou você se cansou do toque?
Houve uma pausa, antes dele falar:
-Não, eu quero conversar. Eu percebi que já está na hora de o fazermos.
Eu estava prestes a questionar sua mudança de idéia, mas então eu me lembrei de Seth, e percebi que eles deviam ter conversado sobre isso. Agora eu apenas tinha que pensar no que eu ia falar. Depois de dúzias de ligações não atendidas, eu não tinha realmente preparado as palavras que eu usaria quando ele finalmente atendesse.
Antes que ele acabasse desligando, falei:
-David, eu... Para ser honesto, eu não planejei o que eu ia falar. Aqui é, normalmente, onde você faz algum comentário mordaz sobre como você já sabia disso, mas eu tenho certeza de isso não vai acontecer...
Eu parei para pensar mais, organizando meus pensamentos. Depois de uns momentos, David disse:
-Isso não conta como conversar.
Então eu falei:
-Eu... Eu cometi um grande erro, e é compreensível que você não tenha nenhuma confiança em mim. Mas eu sinto muito que eu tenha feito isso com você. Você merecia uma primeira vez melhor que isso. Eu não consigo imaginar isso acontecendo comigo, e eu certamente nunca teria concordado em sair com a pessoa que fez isso. Eu sei que eu não te dei muita escolha, e eu peço desculpas por te pressionar. Meu senso extremo de determinação afastou tudo o que meu pai me ensinou, quando minhas 'conquistas' começaram a se manifestar.
Quietude seguiu, e eu temi que minha fala não tivesse funcionado.
-Eu fui covarde, de todo modo. Eu tentei me convencer de que eu não me importava mais com você, então talvez nossa inevitável separação não fosse machucar tanto. Eu notei, depois de um tempo, que você estava menos idiota do que eu me lembrava, mas eu sabia que você ainda iria me deixar se fossêmos namorados, então eu mantive minha distância. Eu não devia ter assumido e eu não devia ter ficado com medo. E eu não posso negar que eu me importo com você. Muito.
Eu sorri um pouco quando falei: - Acho que não começamos do jeito que deveríamos. – mas eu tentei me manter sério, relaxando meu rosto. – Quero dizer, eu não estava com a cabeça no lugar certo, e eu não acredito que você estivesse.
-Isso provavelmente é verdade.
Houve alguns momentos de silêncio, que não era nem confortável nem desconfortável.
Então eu falei, como se estivesse afirmando algo que já havia sido exagerado.
-Eu ainda quero ser seu namorado.
Em um tom ainda mais suave que antes, ele disse: -Eu sei.
-Eu amo você. Eu não falo essas palavras à toa.
-Eu sei.
-E eu mudei. Eu não sou a mesma pessoa que eu era aquela noite.
Ele suspirou e disse:
-Eu sei, eu sei... Eu vejo isso na maneira que você... Olha pra mim.
Curioso, eu perguntei: - O que quer dizer?
Ele respirou fundo.
-Bem, qualquer vez antes de setembro, você me olhava como... Na verdade, nem olhava para mim. Então, quando você começou a falar comigo em setembro, você me olhava como se eu fosse um sanduíche delicioso no cardápio da cantina. Então, quando nós estávamos passando o tempo não oficialmente 'namorando', você me olhava como se você estivesse tentando desvendar um problema de matemática realmente complicado. E, às vezes, você me olhava como se você tivesse entrado numa convenção de skate e pizza, o que foi um dos motivos por eu ter ficado por perto.
Eu sorri, mas eu achei que ele podia sentir que eu o estava fazendo, e eu não queria que ele pensasse que eu não sabia que esse não era um assunto para tratar alegremente.
-Mas agora, – ele continuou. – você me olha como Noah olha pro meu pai. E eu acho que todo mundo sabe o que eles sentem pelo outro. Eles estão... Apaixonados.
Um sorriso gigante passou pelo meu rosto, enquanto essa sensação maravilhosa se apossava de mim, sabendo que era isso, era o momento pelo qual eu vinha esperando há tanto tempo.
-Então, David... – comecei. – Quer ser meu namorado? – e dessa vez eu não o estava pressionando.
Agora, eu podia sentir seu sorriso vindo pelo telefone, e eu sabia que era tão grande quanto o meu.
-Sim. – ele falou em um tom feliz e confiante. – Eu quero ser seu namorado.
Eu finalmente relaxei no colchão, os músculos do meu rosto presos permanentemente na forma de um sorriso.
-Eu não acredito nisso. – falei. – Eu não sabia que seria tão maravilhoso. Eu amo você. – mas ele não disse nada. Isso me desapontou, desde que eu esperava que ele correspondesse essas palavras, especialmente depois de ele ter praticamente admitido que ele compartilhava o sentimento. – Tudo bem se você não quiser falar. – falei, tentando (e provavelmente falhando) esconder minha real opinião sobre seu silêncio.
-Só me dê um tempo. – falou. – Enquanto isso, entra na internet. Nós podemos usar a webcam.
Dando de ombros, eu disse casualmente:
-Eu não tenho problema em ficar no telefone. A conta que se dane.
Ele suspirou.
-Eu sabia que você não ia querer me ver sem camisa...
Eu ri desde sabia que ele estava brincando, então nós desligamos e continuamos nossa conversa pela internet. Era mais fácil dessa maneira, e eu certamente não tinha mais a necessidade de dormir.
Nós acabamos conversado até as duas da manhã. Se havia um mundo fora daquela janela de conversa do IM, eu não me importava. Tudo o que importava era David, meu namorado.
