Jim Beaver estava trancado em seu escritório fitando em silêncio um copo de conhaque sobre sua mesa abarrotada de papéis e plantas de casas, bairros e pontes. Eram apenas 9 da manhã, horário que nem em sonhos ele começaria a beber, mas a situação em que se encontrava requeria uma dose extra de coragem.
Ele não era um sujeito ruim. Gritava muito com seus funcionários e pegava no pé, mas fazia isso pelo bem de todos, dele, dos funcionários e da empresa. A empresa importava muito, pois sem ela todos ali estariam desempregados. Era por isso que, mesmo com o coração partido, Jim se preparava para tomar uma decisão que esperava impedir que a empresa se transformasse em um acirrado campo de batalha entre seus arquitetos para alcançar o topo não se importando em destruir os companheiros. Prezava muito a Vitória e não só pelas conquistas que vinham obtendo, mas pelo tipo de empresa que era. A Vitória era uma família. Era assim que Beaver a via. Para manter a família estável, Jim teria que mandar um de seus filhos embora. E justo seu filho favorito...
Na noite anterior, Jim e Ackles haviam ficado no escritório até tarde. Um aviso da vigilância sanitária os alertara sobre uma infestação de baratas. Às pressas, contrataram uma dedetizadora que se propôs a fazer o serviço a noite. Enquanto os dedetizadores faziam seu trabalho, Jim e Ackles tinham que ir de mesa em mesa juntando as plantas, esboços e tudo mais dos arquitetos que, desavisados, haviam ido embora deixando tudo preparado para retomarem os trabalhos do dia seguinte de onde pararam. Apanhavam tudo e colocavam nos armários de aço que Jim comprara há muito tempo para cada um na esperança de torná-los mais organizados. Mas o que acontecia era que os arquitetos guardavam coisíssima nenhuma nos armários, preferindo deixar tudo solto sobre as mesas de trabalho. Agora os armários se tornavam úteis, pois nenhum arquiteto iria gostar de chegar pela manhã e ver sua planta manchada de algum veneno contra baratas.
Jim e Ackles dividiram o escritório e cada um foi para um lado recolhendo tudo das mesas e guardando nos armários. Quando Jim foi guardar as coisas de Jared em seu armário, estranhou que o rapaz estivesse fazendo uso dele. Havia uma planta enrolada ali, alguns esboços e peças de maquete. Jim poderia apenas ter enfiado as coisas de Jared ali, mas as coisas no armário do rapaz o deixaram com uma pulga atrás da orelha. Ainda mais por que Jared era o mais desorganizado dentre todos os seus arquitetos, com exceção de Chad, talvez. Como Ackles estava distraído do outro lado do escritório, Jim decidiu verificar a planta, os esboços e as peças de maquete. Quase teve um infarto ao perceber a quem pertencia aquilo tudo. Em silêncio, recolheu as coisas do armário do rapaz e levou para sua sala. Quando a dedetização terminou, Jim e Ackles ainda tiveram que limpar todo o lugar para que fosse possível trabalhar ali no dia seguinte.
— Finalmente... — Ackles disse movendo o pescoço de um lado para o outro.
— Realmente... — Jim disse sem graça. — Já está bem tarde. Pode ir, Ackles.
— E o senhor? Não vai ir embora? — Jensen perguntou desconfiado.
— Não... Ainda tenho umas coisas para terminar na minha sala.
— Posso fazer isso para o senhor. — Jensen se ofereceu.
— Não precisa. Eu faço sozinho. — Jim forçou um sorriso. — Vá para casa. A gente se vê amanhã.
— Até amanhã, então...
Assim que Jensen foi embora, Jim voltou ao seu escritório e estudou mais uma vez a planta, os esboços e as peças de maquete. Não havia dúvida. Aquele era o projeto perdido de Chad.
Jim tomou um gole de conhaque. A decisão já estava tomada. Teria que mandar Jared embora. Não queria fazer isso. Adorava o rapaz. Era quase como um filho para ele. E exatamente por isso, Jim não conseguia entender como Jared havia sido capaz de sacanear o melhor amigo. Chad e Jared eram como irmãos. Fora Chad quem lhe pedira para empregar o amigo. Se não fosse por Chad, Jared não estaria ali.
Entendia que Jared queria muito o projeto de restauração de Gastown. Era o sonho dele e mesmo Jim ainda não compreendia por que Ackles não havia lhe dado o projeto de cara. Mas daí a fazer o que fez arriscando a empresa e colocando o melhor amigo em uma situação embaraçosa...? Não. Jared não devia ter feito isso.
O pior de tudo é que mandando Jared embora, Jim corria o risco de ficar sem Ackles também. Ackles fora a melhor coisa que aconteceu à Vitória. Graças a ele, além de estarem envolvidos em três grandes projetos, a lista de clientes que queriam um projeto com a assinatura da Vitória multiplicara. A Vitória havia passado de escritório promissor a escritório de sucesso em poucos meses. E tudo graças a Ackles. Se o perdesse, o que faria? Era bem provável que o perdesse.
Não havia a menor sombra de dúvida de que Ackles e Jared estavam juntos. O escritório inteiro sabia disso e comentava. Ackles era discreto, muito reservado, mas Jared... Jared não poderia ter deixado mais óbvio que estava comendo o chefe. Jim fazia vista grossa para isso e até admirava o autocontrole de Ackles por suportar aquelas provocações como se nada estivesse acontecendo. É claro que ninguém se atrevia a fazer nada na cara dele, mas dificilmente o homem não perceberia os risinhos as suas costas. Jim sabia que a culpa era de Jared. Se o rapaz ao menos tivesse imitado o namorado em sua discrição, teria lhe poupado uma série de constrangimentos.
Mas se Ackles aceitava passar por tudo aquilo para continuar com Jared era por que devia amá-lo muito. E se Ackles o amava tanto, como reagiria ao ver o namorado ser demitido?
Por gostar muito de Jared, Jim manteria a polícia fora do assunto. Duvidava que Chad protestaria contra isso. Jared podia ser um sacana, mas Chad não era. Mesmo tendo sido traído, Chad não prejudicaria o amigo. Jim tinha total certeza disso.
Virou o copo e sorveu até a última gota de conhaque. Era hora de resolver as coisas. Havia mandado Chad, Ackles e Jared se reunirem na sala de reuniões há uns quinze minutos. Já esperaram demais. Quando chegou a sala, os encontrou bem humorados. Chad e Jared conversavam animadamente sobre futebol e Ackles escutava com toda atenção. Quando viram Jim, voltaram-se para o chefe e ficaram em silêncio, mas nenhum pouco tensos. Estavam tão relaxados, principalmente Jared, que Jim quase não conseguia acreditar que estivesse prestes a tornar o clima agradável existente ali em algo ruim.
— Senhores, eu os chamei aqui para uma conversa nenhum pouco agradável... — Jim mal conseguia formular as palavras necessárias. Tomou fôlego, se sentou e colocou a planta, os esboços e a maquete sobre a mesa.
Chad arregalou os olhos quando reconheceu seu projeto. Jared apenas olhou desconfiado para a papelada sobre a mesa e Ackles pareceu pouco interessado no que via. As reações de Ackles e Chad eram esperadas por Jim, mas ele não esperava que Jared fosse agir como se não soubesse do que se tratava.
— Onde... Onde estavam? — Chad perguntou sem saber se sorria ou se surpreendia com o que via a frente.
— No armário de um dos seus colegas de escritório. — Jim sentenciou esperando para ver as reações de todos.
— O quê? — Jared e Chad perguntaram juntos.
Jim pôde perceber que Chad estava confuso com aquilo. Sabia que era difícil para o rapaz aceitar que um de seus colegas o havia sabotado, mas sabia que seria ainda mais doloroso quando Chad descobrisse a identidade do tal colega. Jared, por sua vez, devia ser um ótimo ator e achá-lo um idiota, pois tinha o mesmo olhar incrédulo de Chad.
— Se alguém do escritório fez isso... — Jensen disse secamente. — Só há uma coisa a fazer: mandá-lo embora. Não podemos ter na empresa alguém que faz isso com um colega de trabalho.
— Mas não pode ter sido um engano? — Jared perguntou. — Ninguém faria sacanagem com o Chad de propósito. Todo mundo aqui gosta dele.
— As coisas de Chad estavam escondidas no armário. Ninguém pegaria as coisas de um colega e as colocaria no próprio armário por engano. — Jim disse. — Quem fez isso, o fez para obter vantagem.
— Mas que vantagem alguém teria ao sabotar o projeto de Chad? — Jared perguntou.
— Que vantagem? — Jim olhou firme para Jared. — Que tal ficar com o projeto dele?
Um pesado silêncio se abateu sobre todos na sala. Chad, no princípio, pareceu não entender, mas logo a ficha caiu e ele arregalou os olhos. Não se atreveu a virar o rosto e encarar Jared ao seu lado. Por sua vez, Jared abriu a boca como se fosse dizer algo, mas as palavras lhe escaparam. Ackles apenas olhara para o chefe de um modo que Jim não conseguia definir se era surpresa, decepção ou incredulidade.
— Vo...cê está diz ..zendo... — Jared gaguejava.
— O projeto de Chad estava escondido no seu armário, Jared. — Jim disse com profundo pesar. — Por que o projeto dele sumiu, você assumiu Gastown. A prova do crime estava em seu armário e você é único que lucrou com isso.
— Eu não fiz isso. — Jared disse com firmeza. Mas ele não se dirigia a Jim e sim a Chad ao seu lado que continuava incapaz de encará-lo. — Eu não faria isso com você, Chad. Eu não faria isso com ninguém, principalmente com você.
Mas Chad não foi capaz de permanecer ali. Se levantou e saiu da sala às pressas, como se as chamas do inferno o estivessem perseguindo. Jared, de boca aberta e com os olhos marejados de lágrimas, continuou olhando para a porta por onde o amigo saíra. Ackles tinha um olhar indecifrável. Por um momento, Jim se sentiu tentado a acreditar em Jared. Porém por mais que raciocinasse não via ninguém que poderia levar vantagem roubando Chad e acusando Jared.
— Jared, eu quero que junte suas coisas e passe no R.H. — Jim disse. Foi só ao ouvir isso que Jared pareceu voltar para a sala e para a situação em que se encontrava. Ele o olhou de uma forma tão sentida que Jim quase amoleceu. — Não vou envolver a polícia nessa história. Fique agradecido por isso. Agora, por favor, saia da minha frente.
Em silêncio e ainda parecendo em choque, Jared se levantou e saiu. Ackles continuou onde estava, como se estivesse petrificado. Não havia olhado para Jared em nenhum momento. Jim não sabia se ele acreditava ou não naquilo tudo. Mas precisava desesperadamente de Ackles ali. Agora, com a saída de Jared, Jim precisava da genialidade de Ackles para contornar a situação e redividir as funções. Não poderia perdê-lo.
— Ackles... — Jim começou. — Eu sei sobre você e o Jared.
— O escritório inteiro sabe. — Ackles disse secamente olhando para as mãos cruzadas sobre as pernas. Parecia um garotinho que fora pego fazendo estripulia e agora tinha que ouvir sermão do diretor da escola.
— O que aconteceu... Espero que não interfira... — Como Jim poderia falar aquilo direito? Mas não havia uma forma certa de falar aquilo. Jim deu um soco na mesa que fez as folhas pularem e Ackles levantar os olhos para ele. — Droga, Ackles, fique aqui. A Vitória precisa de você nesse momento. Foi você quem nos lançou nesses projetos. Não pode nos deixar. Sem você, como acha que vou tocar as coisas daqui para frente? Você não pode sair de jeito nenhum. Você me deu sua palavra de que ficaria aqui ao menos oito meses e não se passaram nem seis. Fique aqui.
Ackles o olhava meio aturdido. Jim não sabia se o tinha assustado ou convencido. Por fim o homem passou a mão pelo rosto e pareceu voltar ao normal.
— O senhor pode me dar o dia de folga? — Pediu com a voz fraca.
— Claro. — Jim achou que aquilo não era um bom sinal. — O Jared vai precisar de você.
Ackles concordou com a cabeça, se levantou e saiu da sala. Jim recostou-se na cadeira e suspirou. Só um milagre salvaria a Vitória agora.
Jared saiu do R.H. e foi direto para a sua mesa. Todos no escritório lhe lançavam olhares aturdidos. Jared não sabia se a história já havia se espalhado ou não, mas também não queria saber. Para ele não importava se o escritório inteiro o considerasse um ladrão. Tudo o que não queria era que Chad pensasse que ele fosse capaz de fazer aquilo com ele. Por que Jared não faria aquilo. E por mais que tivesse procurado em todos os lugares, não encontrou Chad para tentar se explicar. Chad não queria vê-lo. Estava se escondendo dele.
Com um suspiro profundo e se sentindo a criatura mais injustiçada sobre a face da terra, começou a juntar suas coisas em silêncio. Mike se aproximou. Jared nem sequer olhou para ele. Continuou juntando suas coisas.
— Está indo embora...? — Perguntou baixinho sem querer que os colegas ouvissem.
— É o que parece. — Jared disse magoado.
— Sinto muito.
— Por quê? Você não fez nada. Aparentemente, eu fiz. — Jared pôs uma mão no ombro do colega e lhe sorriu de um jeito encorajador. — Cuide do Chad para mim. Ele é um grande arquiteto e é especialista em pontes, mas tende a trocar os pés pelas mãos quando se sente muito pressionado. Fique de olho nele.
— Eu vou ficar. — Mike disse tristemente fazendo força para não chorar. — Você não merecia isso, Jay...
— Você é um grande cara, Mike! — Jared puxou o colega para um abraço. — A gente se vê.
Dizendo isso, Jared colocou as duas caixas com suas coisas nos braços e saiu do escritório. Antes de alcançar o elevador, sentiu um par de mãos puxando uma das caixas e aliviando-lhe o peso.
— Eu te ajudo. — Jensen disse em tom comedido. Sua cabeça estava baixa como se ele não suportasse olhar para Jared.
— Você também acha que eu fiz aquilo com o Chad. — Jared sentenciou apertando o botão do elevador.
— Não. Eu sei que não foi você. — Jensen disse ainda sem encará-lo. — Mas se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora, só ia parecer que eu estava defendendo meu namorado.
— Caso você não tenha reparado, Jensen, seu namorado meio que precisava de uma defesa ali... — Jared não escondeu seu rancor. Jensen simplesmente ficara calado enquanto o mundo desabara sobre sua cabeça.
— Me desculpe. — Jensen pediu com voz quebrada. — Eu não sabia o que fazer...
— Isso é novidade. — O tom de voz de Jared era ferinamente sarcástico.
Estava tão magoado por Jim tê-lo mandado embora sem nenhuma chance de se defender e por Chad não ter acreditado nele que no momento em que viu que Jensen não o defenderia de forma alguma, se sentiu tão abandonado que seria capaz de socar o namorado.
Mas agora, longe daquela tensão, seus sentimentos começavam entrar em foco e ele já começava a buscar justificativas mirabolantes para o comportamento de Jensen, o que sempre fazia quando o namorado agia estranho. Afinal, Jensen nunca deve ter se visto em situação semelhante. Como chefe, ele deveria discutir o assunto em particular com Beaver e não fazer uma defesa apaixonada do namorado demonstrando pouco profissionalismo. Se Jensen agisse assim não ajudaria Jared e ainda se ferraria. Ele tivera motivos para não defendê-lo.
— Me desculpe, Jensen. — Jared disse entrando no elevador. Jensen o seguiu. — A culpa não é sua e eu não deveria estar descontando em você. É só que... Dói.
— Eu sei como é isso. — Jensen continuava de cabeça baixa e isso incomodava Jared.
— Por que está com sua pasta? Você já está indo embora?
— ...
— Não me diga que vai sair da Vitória só por que o Jim me mandou embora... — Jared não podia acreditar que Jensen faria uma burrada daquelas. — Sair da Vitória não irá fazer eu ter de volta meu emprego.
— Então me diga o que eu deveria fazer? — Jensen levantou o rosto e o olhou nos olhos. Seus olhos estavam secos. Nenhuma lágrima, mas, de certa forma, aquilo ressaltava sua dor. Era como se ele estivesse quebrado por dentro. Tão quebrado que não havia mais lágrimas para chorar.
— Trabalhe, siga com sua rotina como se não tivesse acontecido nada de anormal. No fim do expediente faça hora extra como sempre faz, depois vá para casa onde eu estarei te esperando.
— Jared...
— Vai ser meio difícil arrumar outro emprego na área... O Jim não vai querer me dar referência. Mas eu vou arrumar outro emprego. Pode demorar um pouco, mas... Não serei um peso para você.
— Você nunca seria um peso para mim, Jared. Mesmo por que, eu decidi ficar na Vitória e descobrir quem fez isso. Assim que eu descobrir, o Beaver vai te implorar para voltar.
— Você acha que consegue...? — Jared perguntou esperançoso.
— Algo parecido já aconteceu na Loren. Depois de um tempo, descobrimos o culpado.
— Ah, Jensen... — Os olhos de Jared se encheram de lágrima. — Você faria isso por mim?
— Eu faria tudo por você. — Jensen disse o olhando nos olhos.
Jared se inclinou para beijá-lo, mas Jensen colocou a caixa de papel na frente de seus lábios bem em tempo, pois a porta do elevador se abriu e havia pessoas querendo entrar.
— Vamos. — Jensen saiu do elevador e Jared foi atrás. — Vamos no seu carro. Vou deixar o meu aqui hoje.
— Por que quando tudo cai por terra é que você decide me tratar publicamente como seu namorado me ajudando a carregar minhas coisas e indo no mesmo carro...?
— Me desculpe por não ter feito isso antes...
— Estou brincando, querido. — Jared sorriu. — Eu sei que você gosta de discrição.
Entraram no carro e foram em silêncio até o apartamento de Jensen. Mal entraram e Sadie e Harley latiram empolgados. Jared foi até eles e os soltou. Passou o resto da manhã brincando com os cachorros. Jensen preparou o almoço, a prometida macarronada, e abriu a garrafa de vinho. Almoçaram conversando amenidades e por um momento Jared se permitiu esquecer-se da manhã no escritório. Havia uma espécie de véu em sua mente que o impedia de sentir totalmente o impacto dos acontecimentos. O véu cairia em breve e Jared se desesperaria, sabia, mas no momento ele queria estar ali com Jensen.
Após o almoço, Jared e Jensen se trancaram no quarto para que os cachorros não fossem incomodá-los. Precisavam se amar. Precisam provar do corpo um do outro para se descobrirem ainda amados.
Jared ainda sentia Jensen meio estranho, mas queria tanto fugir das lembranças do que se passara na sala de reuniões que não se atentou a isso. Deitou Jensen na cama se colocando sobre ele enquanto se beijavam e despiam um ao outro. Jensen tremia um pouco a cada aperto mais forte das mãos de Jared, mas não tentou escapar. Nem mesmo quando Jared inverteu as posições mantendo Jensen sobre ele, mas o fazendo se sentar sobre seu quadril.
Os dois se olharam nos olhos por um longo tempo buscando algo um no outro. Tudo que queriam era amor, mas mesmo quando o encontravam ali não conseguiam acreditar totalmente. Jared via o amor de Jensen encoberto por uma nuvem tão escura que se perguntava se aquele sentimento ainda estava vivo. Já Jensen via todo aquele amor nos olhos de Jared, mas não se sentia o dono dele.
Jensen se inclinou sobre Jared e o beijou. Jared levou a mão até a gaveta do criado ao lado da cama e tirou dali um tubo de lubrificante. Derramou nos dedos e começou a preparar Jensen que, ainda inclinado sobre ele, se ocupava em beijar-lhe o pescoço e os ombros. Suas mãos passeavam pelo seu corpo, explorando-o, descobrindo-o. Jared amava quando Jensen o tocava daquela forma, como se ele fosse seu tudo. Amava tanto Jensen.
Deixou que seus dedos brincassem dentro dele enquanto captava gemidinhos de prazer e sentia Jensen rebolar sobre seu quadril. Já estava aceso desde o primeiro beijo trocado no quarto. Ficara tanto tempo sem tê-lo que só a perspectiva de poder finalmente amá-lo já o excitava. Se não estivesse tão desesperado em possuí-lo teria esperado mais, teria ido com mais calma. No entanto seu corpo ardia de desejo pelo corpo de Jensen e com um movimento rápido ele o forçou a recebê-lo inteiro. O encaixe foi visivelmente doloroso, pois Jensen fez uma careta e se contorceu um pouco, mas não resistiu.
Jared acariciou as coxas de Jensen e deixou as mãos subirem por seu corpo até se fecharem com força contra sua cintura. Jensen pôs suas mãos sobre as dele e começou a se movimentar lentamente, sensualmente fazendo Jared gemer alto. Seu rosto que outrora denunciava desconforto exibia agora uma expressão de puro prazer.
— Ah, Jensen, por que você não pode ser sempre assim...? — Jared perguntou.
Na cama era tão fácil entender Jensen, era tão fácil saber quando o havia machucado, quando estava agradando. De certa forma, Jared achava que Jensen só era honesto de verdade quando estavam fazendo amor.
— Você também... — Jensen sussurrou ainda rebolando daquele jeitinho que incitava Jared. — Por que você não pode ser meu o tempo todo?
— Mas eu sou seu. — Jared disse sem entender o que Jensen queria dizer com aquilo.
Jensen apenas sorriu de um jeito triste como se não acreditasse nele. E Jared já estava abrindo a boca para jurar a Jensen que era todo seu, quando o sentiu se pressionar com mais força contra seu sexo fazendo o que ia dizer ficar preso na garganta. Jensen, quando queria, conseguia fazer Jared ficar surpreso com sua desenvoltura na cama. Suas mãos passeavam pelo próprio corpo aumentando o deleite visual de Jared e seus gemidinhos instigantes faziam-no perder o controle.
Por que amar Jensen era assim, era cair de cabeça num mar temperamental que hora balançava suavemente outrora se agitava com fúria selvagem. E Jared já estava perdendo a cabeça e queria trocar as posições. Queria jogar Jensen na cama e fodê-lo com toda força. Mas Jensen tinha outros planos. Se inclinou sobre ele e apanhou algo que estava jogado sobre o criado ao lado da cama, sua gravata. Jared o olhou com curiosidade, mas Jensen lhe sorriu daquele jeito matreiro que Jared raramente via. Quando se deu conta do que estava acontecendo, Jared já tinha uma mão amarrada à cabeceira da cama e Jensen amarrava a outra. Jared o encarou como se lhe perguntasse o porquê daquilo. Jensen sorriu.
— Ao menos assim vou ter certeza de que você está totalmente em minhas mãos.
— Mas eu... Aaaah! — Jared gemeu ensandecido, pois Jensen começara a cavalgá-lo com movimentos rápidos e fortes que o levavam ao limite da loucura.
Como um cara que até bem pouco tempo não suportava sequer ser tocado podia subir e descer sobre ele daquele jeito? E o modo como Jensen parava e rebolava de mansinho se apertando contra seu sexo o fazia gritar e xingar palavrões por que aquilo era muito bom e ao mesmo tempo torturante. Jensen acabava com ele, estraçalhava seu coração e esmigalhava sua sanidade. Jared não demorou a atingir o ápice, mas Jensen continuou ainda um tempo sobre ele em busca do próprio prazer até que o atingiu. Ambos estavam exaustos e suados, mas Jensen não lhe deu sossego. Ficou o instigando até que Jared estivesse pronto de novo e pudesse entretê-lo mais um pouco.
Quando Jensen finalmente o soltou, Jared estava totalmente esgotado. Mas como haviam passado tanto tempo longe do corpo um do outro, achava que aquilo era uma forma de compensação. Sua vista escureceu rapidamente e meio dormindo e meio acordado, ele viu Jensen sair da cama e ir para o chuveiro. Se tivesse ainda um pingo de energia, o seguiria para um banho, mas não lhe restara nada. Fechou os olhos e dormiu pesadamente.
Sob o chuveiro, Jensen deixava a água quente escorrer pelo seu corpo levando embora o cheiro de Jared e as sensações agradáveis de amá-lo. Concluíra as quatro etapas de seu plano e, embora não tivesse a menor intenção de voltar atrás, se sentia péssimo. Passara tanto tempo ao lado de Jared que simplesmente não se julgava capaz de se separar dele. A última etapa do plano era roubar-lhe totalmente a independência e Jensen havia conseguido fazer isso. Jared não tinha casa, estava desempregado e sem amigos. Tudo o que ele tinha era Jensen. E Jensen poderia chutá-lo a qualquer hora. Mas faria mesmo isso?
Ainda não. Decidiu. Esperaria mais um pouco. Faria Jared ficar ainda mais afeiçoado a ele. Quando Jared simplesmente não conseguisse mais respirar sozinho, Jensen terminaria tudo e o mandaria de volta para o papai. Depois disso... Depois disso Jensen não tinha ideia do que iria fazer com sua vida ou sequer se iria continuar a viver. Depois era depois.
