Capítulo XXIV
Li Xing Tuo
"Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido. – Mateus 10:26"
"Enquanto Syaoran descontraía com os fisioterapeutas do clube em um restaurante de Osaka, homens de motocicleta tocam o terror naquele lugar…
Fevereiro de 2010:
Desde que Syaoran ganhara a copa do imperador com o Gamba Osaka e se casara com Sakura em janeiro de 2008, o time ganhava um título por ano. A copa da liga veio no mesmo ano de 2008 com a gravidez de Sakura, em 2009, ganhava o título da liga japonesa com o nascimento de Sholong. O ano de 2010 estava só começando e os fãs de Syaoran esperavam por mais um fato notável da vida do rapaz para comemorar mais um título com o Gamba, pois a relação de fatos notáveis da vida do rapaz com títulos do Gamba já era perceptível.
Alguns cogitavam uma possível gravidez de Sakura de um segundo filho, mas Syaoran os desmentiu e disse que o fato notável do ano seria se formar na faculdade de Arqueologia e entregar o TCC. Mas Syaoran não podia desmentir para si o nascimento de sua filha, Hanabi, com Hye, que aconteceria em março, por volta do dia 20. Sim, ajudaria Hye, assumiria Hanabi, mas queria ver tanto Hye como Hanabi longe do Japão. O problema era que o estado de saúde da avó de Hye piorara, o que dificultava a ida de Hye para a Coreia. Ela insistiu em cuidar da avó até o fim e Syaoran não pressionou mais a mulher. Mas exigiu que não trabalhasse para não chamar atenção e olhares de paparazzis que os conheciam.
"Enquanto estiver recebendo meu dinheiro e se mantendo em paz", tudo bem, pensava.
Se a mística de fatos notáveis da vida de Syaoran se repetisse, ganharia dois títulos aquele ano, pensou. O Gamba Osaka não tinha condições de conquistar mais de um título em um ano com tantos times querendo ganhar e comprando jogadores importantes uns dos outros. Havia um equilíbrio de poder entre os clubes, por isso, não tinha um, dois ou três times que dominava tudo e ganhavam tudo como acontecia na China com o Guangzhou Evergrande e o Shangai SIPG. Portanto, tanto o Gamba como os outros times tinham que se planejar e se preparar para ganhar um título apenas. Como o Gamba já ganhara os três títulos importantes do futebol japonês, o clube se planejaria e se prepararia para ganhar um título internacional: a liga dos campeões da Ásia.
Estava lá, Syaoran, tendo uma conversa descontraída com os médicos, preparadores físicos e fisioterapeutas do time em um restaurante de Osaka, perguntando da sua ficha médica para eles e se estaria em plenas condições de competir pela liga dos campeões, afinal, lesões são o pesadelo de qualquer atleta e podem tirar qualquer esportista de alto nível de disputar campeonatos e competições por meses, quando, de repente, três motos com dois tripulantes cada pararam na porta do restaurante, sacaram suas pistolas e dispararam contra todos os presentes naquele restaurante.
O alvo era Syaoran e sua equipe. O chinês se abaixou enquanto observava o pessoal do time sendo morto. Gritos se ouviam no restaurante, mas os outros presentes não foram atingidos. Uma van parou em seguida na porta do restaurante. Quatro homens encapuzados saíram da van, entraram no restaurante e agarraram Syaoran, que estava de baixo da mesa. Eles amordaçaram o jogador, algemaram as mãos dele, cobriram-no com capuz e jogaram-no na van.
A van foi até um terreno baldio de Osaka. Eles tiraram Syaoran da van e jogaram-no sentado num barracão mal iluminado por uma lâmpada presa ao teto, uma mesa e duas cadeiras. Tudo o que Syaoran ouviu era a chegada de pneus cantando de um carro que acabara de chegar.
Foi então que uma porta se abriu.
Um capanga se aproximou de Syaoran, retirou o capuz do rosto do rapaz e deu um tapa em seu rosto:
– Acorda, vagabundo! O General Xing Tuo quer trocar uma palavrinha com você…
Xing Tuo entrou na sala e o capanga saiu. Ele se sentou na cadeira e olhou para Syaoran.
– Tá bravo… não precisa ficar…
– Você matou os preparadores do clube que não tinha nada a ver com isso! – Gritou Syaoran.
– Foi você quem matou eles primeiro. Se você se preocupasse mais com sua missão de recuperar as cartas Clow, isso não teria acontecido…
– Mas que merda! Eu já falei pra ter paciência…
– Quanto tempo você quer que eu espere?
– Não tem como esperar 12 anos?
– Muito tempo… eu já venho esperando há 13 por isso… Já falei pra não ficar bravo…
– Me desamarra e eu arrebento com a sua cara!
Xing Tuo deu um tapa forte no rosto de Syaoran e ele sangrou pelo canto esquerdo do lábio:
– Arrebentar quem? Mais respeito, rapaz! Sou um general e você é um pé rapado qualquer! Nem sequer um Li de verdade você é, seu traidor de sangue!
Syaoran cuspiu sangue na cara do tio e Xing Tuo se secou com um lenço e socou Syaoran, derrubando-o da cadeira:
– Ainda tá arisco? Agora você vai entender quem é que dá as cartas aqui!
Xing Tuo pegou o celular do bolso e mostrou um vídeo para Syaoran. O rapaz levantou-se lentamente e era possível ouvir os gemidos de Hye. Era um vídeo sexual dela e de Syaoran.
– Você é admirado nesse país por ter se casado com aquela japonesa imunda. O povo dessa terra te idolatra naquele troço de Facebook. Pois bem, imagina se esses japas souberem que seu ídolo dos esportes é na verdade um baita de um boa vida e trai a mulher que diz amar tanto! Imagina o que isso vai causar naquela japonesa… ela ainda vai te amar? Ela ainda vai te respeitar?
– Eu vou explicar tudo para Sakura… ela vai me perdoar… ela é boa… ela tem bom coração…
– Ela vai te perdoar se ela souber que você está aqui apenas pelas cartas Clow, sua missão original que ainda nem acabou? As cartas que ela considera como dela? Não estou tão certo disso… – Xing Tuo pegou uma garrafa de uísque que tinha no bolso e tomou alguns goles – Roube a vida do pai de um homem que ele vai se esquecer, mas roube a propriedade dele e ele vai se lembrar de todos os detalhes da sua face…
Syaoran se levantou do chão ao som dos gemidos de Hye no celular.
– E que você quer que eu faça?
– Agora sim, você falou a minha língua… Eu quero que você me entregue um plano claro sobre como você pretende trazer as cartas Clow pra China. Você entra com o plano e eu entro com os recursos… entendido?
– Em quanto tempo vai querer isso?
– Uma semana.
– Uma semana?
– Sim, nem mais, nem menos.
– E se eu não trouxer?
– Se prepara que o jornal vai ter material a seu respeito para o ano todo… estamos apenas em fevereiro…
Xing Tuo despejou na mesa várias fotos de Syaoran e Hye que tinha na pasta que trazia consigo, DVDs com possíveis momentos íntimos dos dois e CDs de áudio dos seus encontros, anotados no verso dos discos.
– De onde eu tirei isso tem mais. Não adianta rasgar ou quebrar, eu tenho uma cópia, caso saia dos eixos. Eu sabia que… mais cedo ou mais tarde você ia pisar na bola.
Xing Tuo começou a dar voltas e voltas na sala e Syaoran estava imóvel diante daquele material.
– Você é um chinês, ela é uma japonesa… há diferenças culturais e eu sabia disso… eu sabia que você é nervosinho o bastante e cabeça dura demais pra entender os outros, aqueles que te irritam… você sempre foi nervoso, impaciente, sempre detestou desordem, nunca gostou de bagunça e ela é uma bagunceira… uma desleixada…
– Como você conseguiu tudo isso! – Esbravejou Syaoran.
– Eu não passei 25 anos na inteligência do exército pra nada. Se a praça da paz celestial não pegou fogo em 89 foi tudo graças a mim e o partido me é grato por usar todos os meios legais e ilegais pra conter os reacionários. Alguma coisa se aprende, meu sobrinho… da mesma forma que viver 13 anos com os japoneses te deixou afrescalhado como você está agora…
Xing Tuo colocou o quepe e abriu a porta para sair.
– Quando você sair daqui, diga que seus hematomas foram fruto de uma luta com sequestradores; eles queriam dinheiro, você os derrotou, não viu ninguém, estavam todos de capuz… não dou três dias pra você ser chamado de herói por eles e fazerem vigília na porta do seu apartamento. Bom dia.
Xing Tuo fechou a porta e Syaoran chutou aquela mesa com tudo.
S&T:FJ
Uma semana para pensar num plano para tomar as cartas de Sakura. Justo na semana que Sakura estava livre das aulas na faculdade e tinha mais tempo para ficar com ele e com o menino. Aquilo era constrangedor, mas não era tão constrangedor quanto as explicações que teve de dar para a polícia e para a imprensa naquela semana.
As notícias dos jornais eram gritantes e deram no Mainichi Shinbun, no Sankei Shinbun, no noticiário da NHK e da TV Tóquio com muito destaque. Foi notícia na Ásia toda. O Asahi Shinbun de Osaka fez uma matéria com Syaoran. Nunca os japoneses tinham visto algo assim antes acontecer no país:
Asahi Shinbun
Jogador do Gamba Osaka é sequestrado e torturado
– Equipe médica que o acompanhava é executada em restaurante –
O jogador do Gamba Osaka, Li Syaoran, 22, foi sequestrado no restaurante ***** de Osaka, no bairro de *****, um dos mais nobres da região. Ele estava acompanhado de seis membros do departamento médico do clube. Os membros do time estavam jantando quando homens armados em três motocicletas pararam na porta do prédio e começaram a atirar. Três massagistas, dois fisioterapeutas e um cardiologista foram mortos no lugar.
Syaoran foi levado para um terreno baldio do distrito de *****, amarrado e agredido pelos meliantes segundo consta na perícia e depoimento do jogador. Ele consta que não conseguiu identificar os sequestradores, porque todos estavam encapuzados, mas se livrou deles e do cativeiro com golpes de Wushu. O barracão foi queimado pelos sequestradores com o esportista dentro dele, em uma clara tentativa de homicídio.
"Foram horas de terror que eu passei, eles me exigiram cinquenta milhões de ienes, eu não tinha o dinheiro na hora, eles ficaram agressivos e então eu parti para a agressão. Eles incendiaram o barracão comigo dentro, deram uns disparos e então eu fugi. Não vi quem era, nem sei quem era". Disse o jogador em depoimento.
"A polícia está investigando os destroços para saber se há alguma pista dos sequestradores. Por hora não encontramos nada. Mas posso dizer que eles são muito profissionais e fizeram o possível para evitar rastros". Disse o vice-Superintendente da polícia de Osaka, Makoto Koribaiyashi.
Dar desculpas esfarrapadas para a imprensa e para a polícia foi fácil. Era ele quem queimara o barracão com todas as fotos e vídeos íntimos dele que Xing Tuo lhe mostrara. Certificou-se de que tudo fora reduzido a cinzas antes de sair daquele lugar. A cabeça de Syaoran latejava.
Sakura e Meiling acudiram apressadas para socorrê-lo, mas ele estava bem. Dizia que estava bem, não precisava dessa preocupação toda, mas elas insistiram em se preocupar, insistiram em tentar encontrar uma hipótese segura que pudesse levar aos responsáveis, de alguma forma.
A vigília e o carinho que ele recebeu nos próximos dias foi proporcional ao choque da notícia. Buquês de flores, velas, vigílias pelos mortos, cartas, cartazes e mensagens na porta do clube, nas redes sociais e do apartamento dele foram vistas durante aquela semana. O Gamba suspendeu as atividades esportivas naquela semana e urgiu para contratar novos profissionais antes do começo da liga dos campeões da Ásia. Somente Syaoran sabia a noção do absurdo que era tudo aquilo e o quão pressionado ele estava. Sem atividades, sem aulas significava mais tempo para elaborar o projeto. Xing Tuo estava ciente e impaciente por aquilo.
Quando tudo aquilo terminou e arrefeceu um pouco, Syaoran fez uma coisa que não fazia em eras: levou Sakura e Meiling para o parque. Meiling ficou cuidando do menino o tempo todo, enquanto Sakura ficou a sós com Syaoran, demonstrando por ele um carinho que não demonstrava fazia eras por conta do pouco tempo que passavam juntos. Como demonstrar o mesmo se planejava o contrário contra ela e estava prestes a ter um filho com outra? Será que ela só estava sendo carinhosa daquele jeito porque acontecera aquilo com ele, aquilo que ele disse que aconteceu? Nem mesmo Syaoran sabia que tipo de sentimento tinha por aquela mulher que estava com a cabeça deitada no colo. Duvidar dela não era o caminho a seguir. Syaoran era honesto o bastante para não conseguir mentir e Sakura não perceber que alguma coisa estava errada, e ela sabia que não era apenas o sequestro que ele sofrera. Ele apenas colocou a mão sobre os cabelos dela, respirou fundo e se permitiu retornar à dez anos atrás, quando chegou a amar aquela mulher sem medos, dúvidas, preocupações ou receios, apenas amar, sussurrando aos ouvidos dela a frase que ela mais queria ouvir dele "vai ficar tudo bem".
Em uma semana, o plano já estava pronto e foi se encontrar com o tio no destino que combinaram.
Syaoran entrou em um apartamento no distrito de Kita, em Osaka, amarelado e repleto de gravuras, mobílias e estátuas chinesas, e se encontrou com o tio, segurando uma pasta debaixo do braço. Xing Tuo estava lendo um jornal em cantonês na mesa.
– E então, como vão as coisas?
– Está aqui o seu plano!
Syaoran jogou a pasta com tudo na mês, atingindo o tio, que largou o jornal.
– Mais respeito aí cara! – Xing Tuo pegou a pasta e começou a analisar o material – E aí, gostou do amor dos fãs? Como tudo isso é patético!
– Eu conhecia aqueles caras há anos!
– Nem deveria ter conhecido caso tivesse seguido o plano a risca desde o começo…
Syaoran não respondeu mais. Xing Tuo pegou as folhas, folheou-as e indagou Syaoran:
– Você está me dizendo que… tudo o que você pensou foi em simplesmente invadir o apartamento dela e roubar as cartas, é isso?
– O livro das cartas está na gaveta do quarto do menino. Ela sempre deixa lá… pra proteger ele… basta entrar, abrir a gaveta e pegar o livro… aqui estão as fotos…
Xing Tuo pegou a foto e estranhou o novo design do livro:
– Clow viu o futuro… era para ela esse desenho… mas eu não acredito muito nisso e sei que elas vão voltar pra gente… independente do que ele pense… seu plano é muito simples e tem uma falha, Syaoran. Se as cartas resistirem ao roubo, como pensa em contornar isso? E se ela perceber que as cartas estão sendo roubadas?
– Eu quem vou pegar o livro. As cartas me conhecem e vão pensar que eu tou levando elas pra Sakura. Eles só precisam ficar um tempo com o livro depois eles me dão… daí elas vão pro nosso cofre em Hong Kong de avião… e ficam lá até ficarem transparentes e perderem os poderes…
– E se ela estiver no apartamento?
– Ela não vai voltar. O plano deve ser executado de noite, quando ela for pra faculdade.
– E se ela estiver?
– Teremos que enfrentar ela cara a cara. Tem que ser uma pessoa que aguente receber o ataque de cinco cartas Clow, no máximo…
– No máximo? Estamos falando de vidas, Syaoran, vidas preciosas que não devem ser desperdiçadas…
– Cinco é o máximo de cartas de ataque que ela consegue usar… teremos que ter uma pessoa habilidosa em magia…
– E ao guardiões?
– Um está em Tóquio, o outro está com ela.
– Então vamos jogar o número de pessoas pra dez. Precisamos de dez pessoas pra sossegar o leão…
– Não… tem que ser algo impactante… acho que em torno de 50.
– 50 pessoas vão invadir o apartamento de noite?
– Todos com armas chinesas, como facões, nunchakus, espadas, correntes, maças… tudo pra assustar… Sakura não sabe o que é criminalidade… isso vai dar um choque nela e no guardião…
– Já pensou em usar redes de titânio contra ele?
– Já… está tudo descrito aqui…
Xing Tuo olhou para os papéis e viu que o buraco do plano era mais embaixo. Tornou a questionar Syaoran:
– Você quer mesmo que alguém tente jogar seu filho de cima do prédio.
– É pra dar um susto nela e ver se ela entrega de boa vontade as cartas. Ele pode até jogar. Uma pessoa vai ficar em baixo para aparar a queda…
– Syaoran… e se ela sentir que ele não morreu?
– Sakura só sabe usar as cartas. Ela não sabe outros poderes mágicos…
– E se souber?
– Vamos ter que enfrentá-la cara a cara. Não tem jeito agora…
– Pensa em matá-la?
– Não… só deixá-la enfraquecida… esse deve ser o acordo. Nada de tocar na vida do meu filho, da Meiling e da Sakura…
– Certeza? Muitas vezes na guerra temos que fazer sacrifícios. E se precisarmos matar para vencer?
– Eu prefiro vencer sem matar…
– Porque?
Syaoran não respondeu e Xing Tuo tornou a olhar para a papelada.
– É a arte da guerra… vencer sem matar… entendo… ao menos um pouco do sangue da sua família sobrou nas suas veias… tou vendo aqui que você cita uma coisa chamada "jiqirens" como parte do plano C… me conta mais como você ficou sabendo disso…
– Eu sei que a Shufei e o Heng He estão presos, por roubar tecnologia japonesa, por tentar executar ordens suas. Sei também que eles pensavam em usar robôs gigantes modificados pra atacar o Japão. Eu vou precisar deles. Vou precisar do que vocês sabem sobre os Jiqirens… eu já preparei tudo. Comprei uma fábrica velha em Hirano por meio de um laranja e algum maquinário… comecei a reforma… está tudo pronto pra gente começar a fabricar os jiqirens…
Xing Tuo deu um sorriso no canto dos lábios para Syaoran.
– Excelente! Saiu melhor do que eu pensei no começo! Não se preocupe que arranjar o pessoal é fácil pra mim… as prisões militares estão cheias de gente com poderes sem controle… vou te passar uma ficha com o nome deles, os poderes, dai você escolhe…
Xing Tuo pegou um tablet e mostrou a Syaoran a ficha com alguns prisioneiros. Syaoran ficou olhando aquilo por um tempo, Xing Tuo foi dando detalhes de cada um e então o rapaz tomou sua decisão:
– Bai Baicheng… ele sabe abrir fechaduras e ficar invisível…
– Vai ser ótimo pro plano A…
– Pingming Fa… tem controle sobre os poderes estelares…
– Bom para um ataque direto…
– Shun Fanxun… especialista em ataques mentais…
– Com ele, as cartas Clow vão vir facinhas, facinhas…
– Xinyi Huang… se transforma em outras pessoas…
– Um transformista de primeira…
– Ru Tanghu… pode mudar o destino dos outros…
– Mas não o seu próprio…
– Yu Panbai… um bom mago…
– Ele usa a magia dos planetas…
– Shu Zhousun… telepata…
– Uma mulher assustadora… sabe teletransporte…
– E Qiang Xun…
– Um cara mortal… mata só de tocar na pele…
– Fechado. São esses que eu quero.
– Vai usar todos eles na invasão do apartamento?
– Não. Eles são como as torres, os bispos e os cavalos que vão orientar os peões. Vão atacar um por vez junto com seus peões. – Syaoran pegou uma caneta e desenhou o plano para Xing Tuo em uma folha de papel – Shufei é o rei, não pode se mover de lugar, vai ficar na fábrica, produzindo os jiqirens. Heng He é a rainha que se move por todo o tabuleiro…
– E quanto a identidade deles?
– Cada um vai usar um codinome pra evitar que sejam identificados… Bai vai ser "Televisão", Pingming, "Filme"; Shun, "Quantos"; Xinyi, "Olá"; Ru, "Trabalho"; Yu, "Sono"; Shu, "Como" e Qiang vai se chamar "Chover". São nomes comuns o bastante, idiotas o bastante pra que não sejam rastreados… Shufei vai ser "Mamãe" e Heng vai ser "Zhang"… o mesmo que aquela atriz famosa…
– Tem mais alguma coisa que queira falar?
– Quero que os peões usem calças e camisas chinesas de wushu e andem com os cabelos raspados até a metade do crânio… Se são prisioneiros que se vistam como tal… se portem como tal…
Xing Tuo olhou para o plano de Syaoran admirado com a rapidez que ele pensou no plano. – Eu estou admirado, meu caro sobrinho. O exército e o partido perdeu um potencial General habilidoso demais…
– Nós somos chineses, pensamos rápido, executamos pra ontem…
– Primeiro, invadir o apartamento, depois, atacá-la passo a passo e por fim, atacá-la com os jiqirens… excelente, excelente… hoje mesmo consigo os prisioneiros. Aguarde pelo meu telefonema… Ah, mais uma coisa: pode usar esse apartamento para elaborar os planos se precisar, já está todo decorado…
– E quanto às imagens que você tem ao meu respeito?
– Estão aqui!
Xing Tuo arremessou para Syaoran os CDs com as gravações.
– Eu sei que você tem cópias…
– Eu te dou a minha palavra que esse assunto morre aqui…
– Eu tou arriscando muito nesse plano…
– Eu estou colocando a vida do Heng He e da Shufei em jogo, o meu nome no partido libertando sem autorização tanta gente assim por baixo do nariz deles… eu também tou me arriscando poxa! Entende que estamos no mesmo barco?
– Eu não estou nesse mesmo barco que você!
Syaoran saiu daquele lugar com a cabeça fervendo e pensando em como entregaria o trabalho da faculdade a tempo e planejaria um atentado contra Sakura ao mesmo tempo, naquele ano.
S&T:FJ
Segurando Hanabi nos braços, que secretamente nascera em Osaka, Syaoran sentia que estava a cada dia mais distante de Sakura à medida que chegavam os primeiros agentes da organização, os primeiros prisioneiros de alta periculosidade libertados da prisão, os primeiros materiais da fábrica dos jiqirens. Tudo por culpa de uma noite de amor, de uma noite de amor apenas ao lado de Hye, que desencadeara toda aquela dor de cabeça. Aquilo que era para ser um momento de alívio de estresse, se converteu em uma arma perigosa usada nas mãos do tio e um pesadelo para ele durante aquele ano.
O que era certo era que sua relação com Sakura nunca mais foi a mesma, mesmo que Sakura não soubesse nada do seu deslize e que o título da liga dos campeões da ásia tenha sido conquistado por ele. Não tinha nada o que comemorar, nada a festejar, pese ter terminado a faculdade. Era visível a insatisfação de Syaoran naquele ano e muitos diziam que ele não tinha superado ainda o choque do sequestro e a morte dos funcionários. O título da liga foi dedicado aos seis preparadores físicos mortos naquele ano.
Outra coisa que era certa era a passagem do tempo. 2010 passou na velocidade das balas que alvejaram os seis membros da equipe de preparadores físicos naquele ano e os projetos para a captura das cartas Clow cresciam a uma velocidade exponencial. Até mesmo Syaoran, que era um descrente quanto ao sucesso do plano, sentia no fim daquele ano que era uma questão de tempo até que as cartas estivessem na China no ano seguinte quando viu a fábrica montada por Shufei. Quando olhava Sakura sorrindo para ele com Sholong no colo se perguntava por quanto tempo ela sorriria; ela iria atrás das cartas? Ficaria deprimida? Se esqueceria da perda das cartas? Encararia tudo de frente como uma guerreira? Meiling ajudaria? O plano não tinha falhas, mas Syaoran ainda não parara para pensar no lado de Sakura. Apenas dizia para si como um mantra: vai ficar tudo bem enquanto a Sakura estiver comigo, vou dar um jeito. Será que ficaria mesmo?
Foi então que março de 2011 chegou, trazendo consigo muito mais que um maremoto em Fukushima. Trazia um dos maiores cataclismos da vida daqueles dois, tão pior do que o julgamento de Yue. Era a ganância de um homem que agia racionalmente contra uma mãe de famílai, uma família.
Li Xing Tuo era o segundo irmão de Yelan e um dos mais ambiciosos. Assim como todo Li, seguiu carreira nas forças armadas, escolheu um dos setores em acensão depois do começo do fim dos regimes comunistas na Europa oriental, na África e no sudeste asiático: o da inteligência militar, seção de investigação e manutenção da ordem social, o que na prática era uma seção feita para prender, investigar e reprimir opositores do regime comunista. Se o partido caísse, teria o mesmo destino dos agentes da Stasi da Alemanha oriental: investigação, julgamento e condenação. Tanto ele como os outros agentes não estavam dispostos a deixar isso acontecer na praça da paz celestial em 1989. E ele o fez com êxito, galgando rapidamente a hierarquia do exército.
Tinha admiração por Syaoran em vez de Heng He, mas o sobrinho caiu em desgraça com ele quando falhou em capturar as cartas Clow. Ele pressionara o resto da família a reelaborar um plano para capturar as cartas, pois elas estavam na época nas mãos de uma criancinha de 11 anos, como ele dizia. Esperou onze anos por uma resposta de Syaoran e ficou frustrado com a demora dele em executar o plano de Meiling e trazer Sakura definitivamente para a China. Usou Heng He e sua noiva Shufei para roubar material militar e tecnologia civil para o plano definitivo de captura das cartas Clow, mas os dois foram presos antes que pudessem causar mais prejuízo ao exército e aos civis. Foi um baque e não mais podia contar com eles. Foi então que ordenou que vigiassem o sobrinho no Japão e descobrissem uma abertura, um ponto fraco para acelerá-lo. Syaoran estava diante de um dos homens que evitou a queda do regime comunista em 1989. Ele não podia ter brincar com isso.
Pensando no histórico do tio, ali estava ele, ao lado do primo e da noiva dele, Syaoran, Heng He e Shufei, uma semana antes do ataque, olhando para o apartamento de Sakura, envoltos em capuzes pretos:
– Esse é o apartamento da tal de Sakura? – Perguntou Shufei.
– Sim. Vocês já sabem o plano. Quando ela sair daqui a pouco para ir pra faculdade, só a Meiling e o Kerberos vão ficar no apartamento. Eu também vou sair, eu tenho jogo mais tarde. Diga pro Dian Shi invadir com cinquenta homens e que eles saibam calar a boca… – Disse Syaoran.
– Eu ainda não me acostumei com essa coisa de "Zhang" e esse cabelo raspado que você inventou… – Disse Heng He.
– Teve um ano pra se acostumar com isso… o problema é seu se não se acostumou. – Respondeu Syaoran.
Zhang estava a ponto de dizer uma besteira contra o primo, mas Shufei o acalmou:
– Calma Zhang! Somos da inteligência! O general nos prometeu que a gente seria reabilitado e tudo o mais! Tenha paciência! Eu já me acostumei com o Ma Ma… Já andamos muito naquele ano pra jogarmos tudo pela janela assim!
– Bom que tenha se acostumado… Preciso que você se concentre nos jiqirens como eu te falei… – Disse Syaoran.
– Eu espero que a gente nem precise usar isso… mas do jeito que você fala, parece que não quer que as coisas deem certo hoje… – Respondeu Zhang.
– O plano que eu elaborei é perfeito, se falharem, a culpa é de vocês… Não quero um dedo de vocês na Sakura… – Disse Syaoran.
– Se a minha vida estiver em risco, eu não vou hesitar! – Disse Ma Ma.
– Chega disso! Só digam pro Dian Shi aparecer aqui dia 30 de março, semana que vem, sem falta, às nove da noite… o resto, deixo com vocês…
Syaoran deu alguns passos e desapareceu.
Continua em "Better call Sakura!"
Notas finais: Que capítulo intenso, e olha que ele não queria acabar! Quanto mais eu escrevia, mais ele se prolongava! Que negócio é esse de sequestro, plano de roubo das cartas Clow, título da liga dos campeões da ásia… jiqirens… é tanta coisa!
Esse é como se fosse um capítulo zero da minha fanfic "Better Call Sakura!" que eu já estou finalizando… (faltam dois caps!). Serve pra solucionar algumas dúvidas sobre quem estava por trás do eventos que eu descrevo lá. "Better Call Sakura" é um spin-off dessa fic, serve pra mostrar o desenvolvimento mágico da Sakura e que tipos de poderes ela desenvolveu. Confesso que poderia ter expandido mais aquele texto, mas se eu expandisse mais, não terminaria! Mais tarde, quando entrar a parte da Tomoyo e da Marcela, eu falo um pouco mais da magia, afinal, gosto do assunto.
Não pensem no Syaoran como uma espécie de vilão dessa fic, porque ele não é, nem a pessoa mais maligna. Li Xing Tuo vai ser a pessoa mais cruel que eu criei e pretendo parar nele. Não vou continuar com mais maldade. O papel de Syaoran nessa fic vai ser explicado mais tarde, mas por hora, ele é o vilão, mas mais tarde ele pode ser o herói… quem sabe? Hehehe! Obrigado pela leitura!
