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Disclaimer: TWILIGHT não me pertence e nem a música MONEY HONEY... Mas a Bella querendo virar uma Sherlock Holmes de saia sim! Então, por favor, respeitem! E curtam...
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N/A: Olá flores! *acena e manda beijo* Estavam com saudades daqui? Pois é, tivemos uma semana enroladinha, mas consegui finalizar o capítulo, cheio de mistérios e emoções. Fiquem atentas a cada detalhe, pois daqui a pouco estaremos entrando na reta final de MH *coração apertadinho*
Agradeço a quem me deu os parabéns, mas venho com o puxão de orelha: Pensei que fosse ter mais reviews, poxa! Fiquei desanimadinha, mas não vou desistir tão fácil! Afinal, sou brasileira e não desisto nunca... E sei que vocês não vão esquecer mais, né? *carinhadogatinhodoshrek* Já sabem: Review é igual a um combustível! Eu as uso para me animar a escrever mais rápido, então...
Eu sei que vocês estavam doidas pelo quiz e hoje ele foi realizado! *aleluia* Foi uma rodada de cinco perguntas e amanhã, teremos mais cinco perguntas também pelo meu twitter: CarollDiva. As leitoras participaram da primeira rodada e houve um empate! Amanhã, às 20 horas, veremos quem levará o mimo!
O prêmio seria um CD da trilha sonora de MH, mas como é um presente que demanda tempo, resolvi deixá-lo para o último desafio. Então, quem participou hoje, poderá levar um lindo conjunto de três necessaires de diferentes tamanhos que toda it girl como nossa Alice precisa ter (A foto está disponível no tumblr da fic). Três necessaires de estampa fofa para guardar seus produtinhos de beleza! *smile* Confesso que quase fiquei com elas! kkkkkk
As necessaires são da empório bijux, uma loja fofa que tem aqui no Rio onde compro meus anéis. Espero que curtam esse mimo indispensável a qualquer bolsa de uma mulher vaidosa!
De resto, ainda temos o nosso tumblr com fofurices, viadices e sacanagenzinhas da fic: moneyhoneyfanfic(ponto)tumblr(ponto)com (Só trocar a palavra ponto pelo símbolo correspondente). Temos também a página da fic no face: www(ponto)facebook(barra)CarollDiva. Entrem e fiquem atentas às nossas novidades.Quem quiser perguntar, mande tudo pro forms: www(ponto)formspring(ponto)me(barra)CarollDiva (Só trocar pelo símbolo).
Nesse capítulo não há música ou roupitcha fashion da Bella. Digamos que ele está direto e surpreendente!
Ah, sabe que essa nova fissura da Bella por moda me conquistou também? Eu sempre amei moda, mas agora visito blogs, leio revistas... Sabem o que eu comprei? A Elle desse mêssobre moda, Londres e Rock! Nem preciso dizer que é meu novo bebê, né? Tá perfeita demais!
Chega de blá-blá-blá e vamos ao que interessa. Espero vir com capítulo novo no domingo que vem. =)
Just enjoy, juizetes!
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CAPÍTULO 21
Amoroso esquecimento
"Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?" (Mário Quintana)
● Chicago – IL – EUA ●
● Terça-Feira ●
EDWARD POV
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Bella fechou os olhos assim que toquei o seu rosto. Sua pele quente e macia reconfortava a minha e foi difícil me afastar; era como se um imã me puxasse constantemente para cima do seu corpo. Seus cílios tremelicavam e seus lábios estavam entreabertos. E eu logo imaginei a minha língua passeando por entre eles, sentindo o seu gosto novamente.
O gosto que eu nunca esqueceria.
O mínimo contato que tivemos foi capaz de provocar arrepios involuntários e sem propósito em minha pele. Havia olheiras sob os olhos dela e sua pele estava sem aquele brilho característico de antes. Ela estava linda como nunca, mas algo havia mudado em sua aparência – e muito.
Seus traços estavam mais rígidos, apagando qualquer semelhança com uma jovem da sua idade. Era visível que Bella estava amadurecendo, e essa constatação fazia com que eu me sentisse mal por ela estar pulando etapas da sua vida. Etapas estas que deveriam ser vivenciadas por uma jovem de vinte anos.
As coisas e os os fatos não estavam sendo naturais para ela. Era para ela tentar ter uma vida normal depois de perder os pais; era para ela estar estudando Literaturas numa Universidade de renome, era para lidar com vários amigos, aproveitando as alegrias da mocidade. Mas não, ela estava aqui conosco, convivendo com pessoas que a conheciam muito pouco e a julgavam, indiretamente ou não, por algo que não foi sua culpa.
Assim que me afastei, me dirigi ao jardim, sem me despedir dos outros. O dia tinha sido bastante cansativo e esse último contato com Bella fez com que o resquício de alguma força que eu guardara se esvaísse. Eu só desejava uma boa dose de uísque, um banho morno e cama. Mais nada.
Segui todo o ritual chegando ao apartamento e cedi somente quanto à quantidade de álcool que pretendia ingerir àquela noite. Imagens de Bella e Tanya bailavam a minha frente e foi impossível me contentar com apenas um gole ou um copo.
Carlisle.
A imagem do seu corpo perfurado por minúsculos peixes fazia o meu estômago embrulhar e eu sentir o gosto da bile em minha boca.
Por muito tempo eu sabia que seria uma imagem difícil de ser esquecida. Talvez eu nunca mais a perdesse, talvez eu a trancasse junto às recordações de Tanya e da minha mãe.
E onde eu pretendia trancar as lembranças de Bella, quando ela partisse.
Minha cabeça começou a girar por causa da bebida e eu desisti de tentar resistir a qualquer lembrança. Elas vinham aos montes, me nocauteando em diversas partes do corpo.
Tive que me anestesiar bebendo exageradamente. De novo.
Assim que o uísque acabou, joguei a garrafa contra a parede. Estilhaços do vidro tocaram o chão e eu tentei pegá-los, um a um.
Quando já estava me sentindo vulnerável o bastante para deitar e adormecer, sem qualquer pesadelo como aquele que me atormentava constantemente, a campainha tocou.
E eu desejei que fosse engano.
Ela foi tocada diversas vezes e eu mal consegui me levantar para ver quem era. Demorou algum tempo e em seguida ouvi um barulho, enquanto eu ainda me mantinha deitado na cama.
Fui em direção à sala e peguei outra garrafa, despejando todo o conteúdo em um copo. Minutos depois o líquido havia acabado e eu comecei a procurar outra bebida, porém não havia mais nada.
E foi quando ela apareceu.
Bella.
Ela estava sorrindo para mim na soleira da porta. Seus cabelos caiam em ondas pelos ombros e seus olhos brilhavam em minha direção, instigando-me a ir até ela e beijá-la.
Eu só não sabia se deveria, naquele estado.
Pisquei os olhos por diversas vezes até me certificar que era ela diante de mim. Estava com dificuldades para me concentrar e por pouco meus joelhos não cederam, deixando-me cair ao chão.
Fechei os olhos e pude sentir o mesmo perfume de framboesa que eu sentira em Rose Hill. Nas pontas dos meus dedos, eu ainda sentia a maciez da sua pele; era uma sensação que eu nunca esqueceria, por mais que tentasse.
Enquanto eu tentava reformular perguntas e procurar respostas, meus pés mexeram-se, parando logo em seguida. Bella ainda sorria para mim e estendeu as mãos, dando o aval que eu tanto precisava.
Se ela não estava tentando compreender as relações entre as coisas e os fatos, por que eu faria isso? Se eu sentia uma saudade absurda dela? Se a recordação suave e melancólica dos nossos momentos fazia questão de se espreitar, esperando qualquer falha minha, qualquer sinal de fraqueza, por que eu resistiria?
Se ela não queria mais buscar a verdade, com o auxílio da razão, quem seria eu para evitá-la?
Foda-se tudo. Bella estava bem à minha frente, aguardando por mim.
Andei cambaleante, chegando até ela em questões de segundos; por um momento, meu coração bateu desesperadamente porque sentia a necessidade de estar com ela. Minhas mãos foram em direção ao seu rosto e quando me aproximei ainda mais, fechei os olhos lembrando-me se todos os momentos que havíamos passado juntos.
E ela estava ali.
Bem diante de mim. No meu apartamento.
Eu havia morrido e estava no paraíso. E eu não me importava nem um pouco com isso.
- Bella... – Sussurrei, enquanto meus lábios passeavam na pele macia do seu rosto. -... O que está fazendo aqui?
Seu dedo veio em meus lábios e passeou por eles, enquanto eu fechava os olhos e sentia o seu perfume cada vez mais forte ao meu encontro.
- Eu sinto muito. – Falei, enquanto tentava deixar os meus olhos abertos, o que era inútil pela quantidade de álcool que eu ingeri.
Afundei minha mão em seu cabelo e parei assim que senti ela estremecendo com a minha atitude. Beijei sua testa, sendo inebriado por um perfume sedutor que eu deveria resistir, mas que fazia o efeito justamente o contrário: trazia-me para mais perto dela.
De onde eu nunca deveria ter saído.
Senti suas mãos em minha nuca e rapidamente, nossos lábios se encontraram. Levantei seu pequeno corpo diante do meu e, sentindo suas pernas entrelaçadas em minha cintura, levei-a para o meu quarto. O álcool inibira qualquer pensamento mais sensato, qualquer pudor, qualquer senso. Tanto eu quanto ela estávamos envolvidos numa névoa de tesão e paixão, algo que dificilmente se dissiparia se algum de nós tentasse conter algo. Mas nós não queríamos parar, não naquele momento.
Porque não havia como parar.
Mesmo que houvesse algum arrependimento pela manhã.
Continuamos nos beijando em meus lençóis, até que fui finalmente envolvido por seus braços.
E eu desejei ficar por muito tempo ali.
Porque finalmente eu estava em casa.
[...]
Quando acordei, quase não consegui chegar ao banheiro para dar fim ao uísque maldito que me deixara naquela situação deplorável. O gosto do líquido era duas vezes pior que qualquer coisa que eu já tenha tomado. E minha enxaqueca era infernal.
Fiquei tremendo e suando quando terminei de vomitar e fiquei sentado no chão do banheiro por um bom tempo. Com alguma dificuldade, consegui levantar e entrar no chuveiro, para depois perceber que ainda estava com a minha cueca.
Bella.
Sua imagem ainda estava nítida em meus pensamentos, mas agora eu sentia um pavor incomum. Se ela havia dormido comigo, onde ela estava? Será que eu havia agido mal? Tentei me lembrar da noite passada, mas tudo o que consegui é fazer com que a dor piorasse dez vezes, deixando a minha cabeça num latejar sobre-humano.
Minhas mãos arderam e vi alguns pontinhos em minha pele. Então me lembrei de ter quebrado a garrafa de uísque e tentar recolher os cacos com as mãos. E de como havia sangrado, embora não doesse na hora.
Esfreguei meu corpo inteiro, parando somente para vomitar novamente. É a bile que desce pelo ralo juntamente com o resquício do sabonete que retiro da minha pele me lembra da quantidade de uísque que bebi.
Finalmente limpo, peguei a toalha e enrolei no quadril, antes de ligar para o tribunal e justificar a minha ausência. Eu estava mais do que atrasado e não estava em condições de julgar ou ver algum processo. Eu precisava de um tempo embaixo das cobertas, recuperando alguma sobriedade.
Voltei à cama e notei que havia dois travesseiros. E em um deles, havia um perfume de framboesa. O perfume de Bella. Mas a certeza da sua presença na noite anterior se dissipava conforme o seu perfume se espalhava pelo ar.
Mas eu tinha a certeza de que eu a tinha visto... Seu cabelo, seus olhos, sua pele na minha, suas mãos ágeis puxando os fios do meu cabelo. E eu podia ainda sentir o seu perfume. Era a única prova concreta que eu tinha, até que ele sumisse completamente dos meus lençóis.
Tentei recordar a noite passada com um bom café puro, mas a amnésia provocada pelo excesso de álcool estava dificultando qualquer tentativa. Lavei o rosto por diversas vezes, até que resolvi tomar uma aspirina e dormir um pouco com a esperança de acordar mais renovado e lembrando-me de algo realmente importante.
Acordei depois de algumas horas, mas o vazio ainda estava lá. Não era possível que eu não recordasse a noite maravilhosa que eu tive, porque não havia outro adjetivo para uma noite com Bella, mesmo que eu não me lembrasse dela.
Então resolvi ligar para Rose Hill.
- Alice? – Ouvi a voz inconfundível da minha irmã. – Bella dormiu em casa?
- Dormiu, por quê? – Diante do meu silêncio, ela continuou. – Inclusive ficamos conversando por algum tempo até que ela adormeceu diante de mim.
- Tem certeza? – Passei a mão na testa, que ainda latejava. – Ela poderia ter saído e...
- Ela não saiu, okay? – Alice parecia impaciente. – Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada com que deva se preocupar. – E antes que Alice fizesse mais alguma pergunta, eu desliguei o telefone.
Se Bella não havia estado em meu apartamento e transado comigo, quem o faria?
Sentei na cama e fiquei tentando relembrar, até que fui vencido novamente pela enxaqueca e pelo cansaço.
[...]
Quando acordei, dava para dizer pela luz que adentrava o meu quarto, que estávamos no fim da tarde. Lembrei que a arrumadeira já deveria ter passado por ali quando vejo um copo d'água ao meu lado, em cima do criado-mudo.
Vejo que os lençóis foram trocados e que o cheiro de Bella foi embora. Tento encontrar algum resquício, mas não há nada, além do cheiro de sabonete e bebida barata.
Então começo a acreditar que tudo não passou de uma ilusão.
Tomei pequenos goles da água deixada pra mim e engoli uma aspirina, desejando que esta acabe com a suave dor que ainda sinto. Meu estômago e minha cabeça ainda estão pesados, mas bem melhores como estavam antes. Eu me levantei, me vesti e fui até à cozinha. E lá me alimento com algumas frutas, suco e algum croissant deixado pela cozinheira que contratei recentemente.
Antes de sair, tentei refazer todos os meus passos, até a minha última lembrança. E nela, Bella está incluída, mesmo eu constatando que seria impossível ela entrar em meu apartamento já trancado e fazer amor comigo. Seria impossível qualquer reaproximação da sua parte.
Seria impossível que ela desistisse de tudo para ficar comigo.
Peguei meus pertences e tentei, de maneira mais detalhista possível, anotar tudo que eu ainda me recordava da noite anterior. Cheiro, vozes, cores, pormenores, tudo que me ajudasse a distinguir essas lembranças que invadiam a minha mente a qualquer hora, sem fazer algum sentido.
Mais tarde, sem qualquer lembrança e reconhecimento da noite passada, vou à delegacia para me informar sobre a investigação.
- Juiz Masen. – O investigador estranhou o fato de eu não retirar meus óculos escuros. A claridade me incomodava ainda. – Estávamos esperando pelo senhor.
- Quais são as últimas informações? – Ajeito-me desconfortavelmente na cadeira. – Gostaria de falar com o especialista forense e o médico legista.
- Claro. – O investigador ajeita-se na cadeira, igualmente desconfortável. – Alec continua mantendo seu depoimento.
- Que assim seja. – Tomei um gole de água. – E a família dele?
- Não sabiam do corpo oculto no lago. – Meu estômago revira-se com as imagens do cadáver. – Saíram muito antes de tudo acontecer. Eles estavam na casa de algum parente antes de tentarem viajar ao Canadá.
- Certo. – Levo a mão ao queixo, tentando pensar em algum meio de fazer Alec contar quem é o verdadeiro culpado. – Só preciso que ele confesse a verdade.
- Quanto a isso, peço que tome cuidado, Juiz. – O investigador inclinou-se sob a mesa. – O advogado está pensando em processar o senhor e o Estado.
- Processar a mim? – Eu sabia que estava correndo esse risco pela maneira que eu tratara Alec. – Tudo bem, processe-me. Mas espero que ele saiba com quem está lidando.
Depois de algum tempo conversando com o investigador, fui falar com o médico legista que trabalhava no caso.
Como a causa mortis já havia sido decretada, eles só queriam colher as evidências das superfícies externas do corpo.
Amostras de cabelo, impressões digitais, fibras, lascas de pintura e qualquer outro objeto estranho encontrado na superfície do corpo são coletados e anotados.
Mas infelizmente, não havia nada.
- Não há nenhuma evidência no corpo encontrado. – O médico legista conversava comigo, sem confirmar se o corpo era de Carlisle ou não. – Quem retirou o cadáver do cemitério e o ocultou, fez um trabalho de profissional. Sem qualquer evidência para ser coletada e investigada.
Não havia qualquer secreção na pele, pois o exame feito com radiação UV especial, que permite realçar qualquer substância encontrada no corpo, deixando-o fluorescente não detectou nada.
Eu sabia que todo o trabalho levaria cerca de quatro horas, mais o recolhimento do DNA para confirmação da identidade, embora eu já supusesse que realmente era meu pai. Mantive-me ali por algum tempo, mesmo sabendo que nada poderia ser feito, minha ajuda encerrava-se por ali.
Liguei para Fred, perguntando se ele havia conseguido alguma informação sobre Dimitri. Ele ainda estava investigando-o, com a ajuda de dois colegas e em breve teria maiores informações para mim. Senti como se ele quisesse confirmar algo antes de me dar a notícia derradeira. Por isso, não insisti.
Pensei em falar mais uma vez com Alec, mas desisti no meio do caminho. Ele seria julgado por seus crimes e eu não precisava ferrar com a minha vida mais uma vez. Lembrei-me de Tanya pedindo para que eu deixasse certas coisas de lado e resolvi acatar seu pedido. Mesmo que fosse um pouco tarde para isso.
Eu o havia agredido por insultar Bella. Só de lembrar as palavras que ele proferiu, eu sentia a maldita enxaqueca voltar e era preciso acalmar a minha respiração para que ela voltasse a ser apenas uma incômoda dor. A dor por não me lembrar de nada que havia acontecido na noite passada e que agora me assombrava.
- Juiz Masen. – O investigador me encontrou sentado em um corredor. – Vamos fazer a análise do DNA do corpo encontrado através da polpa de um dos dentes. – Ele sentou-se ao meu lado. – Temo que não seja possível fazer uma análise minuciosa nos restos mortais que encontramos.
- Tudo bem. – Respondi lembrando o cadáver que encontramos no lago, devorado por peixes. – Eu fiquei bastante impressionado com aquela cena.
- Nós também. – Houve um silêncio incômodo. – É raro encontrarmos espécies de peixes que devoram cadáveres. E essas espécies só são encontradas na América do Sul.
- Alec Baker é um doente, se foi ele que fez isso. – Senti meu estômago protestar e não queria vomitar novamente. – Muito obrigado. Se obtiver mais alguma informação, não hesite em me contatar.
- Com certeza. – Nós levantamos e nos cumprimentamos com um formal aperto de mão.
Dois dias depois, a minha certeza veio em forma de exame: O corpo encontrado era de Carlisle Anthony Cullen. A notícia foi recebida por um grande alívio em Rose Hill, principalmente depois que informei que Alec havia sido transferido para um presídio de segurança máxima para aguardar o julgamento.
Julgamento este que eu faria questão de comparecer, embora eu não pudesse julgá-lo por razões óbvias.
- Precisamos convocar o Sr. Winger novamente. – Mike se pronunciou. – Ele chegará dentro de alguns dias. Eu já o avisei sobre o ocorrido.
- Eu discordo. – Emmett levantou-se da cadeira. – Não devemos esperar mais. Podemos encontrar outro perito em DNA, não é Edward?
- Não. – Alice falou incisivamente. – Já estão especulando na imprensa e não precisamos desse tipo de notoriedade. – Ela apertou a mão de Marc. – Nós podemos esperar até que o Sr. Winger chegue em Chicago.
- Está decidido. – Tomei um gole do café que Clark trouxera para mim. – Vamos esperar o Sr. Winger... Bella já sabe do resultado?
- Bella saiu com Samuel. – Alice murmurou. – Agora que os dois estão namorando, não se desgrudam. – Minha irmã apoiou a cabeça no ombro do seu insosso marido.
Então, Bella estava namorando.
E o pior, namorando Samuel. Um homem que foi capaz de fugir de uma conversa comigo. E que me evitava há dias.
Um homem que não honrava as próprias calças que usava.
Disfarcei a minha repulsa e resolvi sair dali o quanto antes. Esperaríamos os três dias pela chegada de Perry Winger, o perito em DNA.
A pessoa que traria as respostas para muitas dúvidas.
Entrei em meu apartamento, verificando as demais trancas que eu havia instalado após a visita inesperada que eu havia recebido. Também troquei as fechaduras e coloquei um sistema de segurança, que fosse ativado por comando de voz.
Retirei os sapatos, jogando-os de qualquer jeito num canto. Peguei uma taça, despejando vinho. Eu não queria me anestesiar, mesmo com tudo que eu estava sentindo.
Será que eu estava ficando louco a ponto de imaginar a presença de Bella? A ponto de sentir seu toque, seu cheiro, sua boca colada a minha... Será que a minha sanidade estava se esvaindo como as minhas forças, dia após dia?
Pois eu estava começando a desconfiar que tudo não passara de um sonho.
Ou de uma miragem.
Solicitei o vídeo do circuito interno e naquele dia, nada de anormal acontecera. Eu apareço no vídeo entrando em meu apartamento e saio no dia seguinte, como eu me recordara.
Nenhuma mulher, nenhuma visita.
Nenhuma Isabella.
Em pouco tempo o meu apartamento havia se transformado em um depósito: cinzeiros cheios, copos vazios e vários papéis com diversas anotações sobre o caso.
Joguei tudo fora, deparando-me no último instante com um papel que reconheci: Nele estava a música de Bella.
Era uma música suave, porém melancólica. Dedilhei as primeiras notas e deixei que a emoção fluísse.
Logo o meu apartamento foi tomado por uma triste canção.
Fechei o piano e tomei um longo banho, colocando apenas um roupão. Deixei que o ar frio de Chicago entrasse através da janela, fazendo com que eu cobrisse a minha pele com um fino lençol. Eu sabia que os pesadelos que me atormentavam fariam com que eu suasse durante a noite.
Desisti de tentar montar o quebra-cabeça.
Constatei que tive um devaneio. Uma ilusão. Uma mentira. Bella não esteve em meu apartamento e nunca estaria.
Começo a duvidar de outras lembranças minhas... Como pude acreditar em minha mente cansada e devastada pelo álcool que venho tomando nos últimos anos? Como pude me deixar levar pelo sonho mais sensorial da minha vida, visto que ainda era possível descrever as sensações, tudo o que aquele sonho me causara?
Cerrei os punhos até que os músculos relaxaram, indicando que logo eu adormeceria. No sábado, nós estaríamos com Perry Winger e algumas interrogações seriam apagadas em minha vida.
Junto com algumas pessoas.
Só restava saber se eu estava preparado para aquilo, mais uma vez.
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BELLA POV
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Adormeci logo depois de uma conversa com Alice sobre a investigação. Ela estava demasiadamente assustada e assim como eu, não estava conseguindo dormir.
Edward não precisava lidar com duas mulheres histéricas. Ele estava carregando um fardo que talvez fosse impossível de suportar. Por isso, tentei acalmá-la.
A verdade é que o crime assustou a todos nós. Foi cruel e desumano. E por alguns instantes, imaginei Charlie no lugar de Carlisle.
E nesse momento senti meu estômago revirar-se violentamente.
Para me distrair e focar em algo que eu realmente gostasse, comecei a me informar mais sobre moda, mesmo sabendo que talvez tudo isso fosse temporário.
Mas por enquanto, eu queria gastar minha energia com algo que eu realmente gostasse. E que ajudasse a aliviar a tensão em que eu vivia.
Eu e Alice fomos trabalhar, superando as minhas expectativas de que Alice ficaria prostrada na cama, aguardando o julgamento. Pensei que ela quisesse dar um tempo, mas ela demonstrou querer o contrário.
O clima não era mais o mesmo com Marc em nosso encalço vinte e quatro horas por dia. Alice não brincava mais, não sorria, só falava em cifras e em trabalho. E aquilo tudo estava começando a ficar um pouco chato.
Jazz decidiu voltar a Seattle em poucos dias e por isso, queria resolver tudo rapidamente. E quando eu digo resolver tudo, digo que ele queria ajudar Alice. E deixá-la feliz e em paz consigo mesma.
O sucesso de Alice como estilista estava triplicando o nosso trabalho e apesar de toda crítica positiva, minha irmã estava tendo crises de inspiração. Ficava horas e horas em frente a algum papel, rascunhando algo para em seguida, jogá-lo a lixeira.
- Droga! – Conseguia ouvi-la esbravejando em alto e bom som.
Fiquei vigiando os seus passos para tentar pegar a carta que eu encontrara no ateliê. Talvez ela ainda a mantivesse ali. Ou não. De qualquer forma, para mim era mais fácil tentar no local de trabalho do que em Rose Hill.
O dia passava lentamente e eu me contentava com os mandos e desmandos de um Marc autoritário. Ele tratava Alice como uma rainha, mas os subordinados, ele queria tratar como escravos. Era um homem de duas facetas.
Só que eu não permitia. E assim, discutimos inúmeras vezes.
Eu encontrava com Samuel poucas vezes, geralmente em horário de almoço. Desisti da idéia de entrar em sua casa na sua ausência para investir no plano de invadir o seu escritório. Talvez o que eu procurava estivesse realmente lá.
Jazz já estava vendo isso para mim e, numa conversa particular com Emmett, obteve um nome em potencial. Alguém que poderia fazer esse servicinho pra mim, já que estava começando a ficar arriscado.
Dois dias depois, contratei um detetive particular um pouco fora do comum.
Fora do comum porque ele costumava fazer pequenos serviços sujos.
Jasper o localizou para mim e passou todas as informações a ele. Eu não o encontraria para nada, nem para pagá-lo pela investigação.
Ele já demonstrou eficiência ao conseguir uma credencial para entrar no prédio, sem ser importunado. Ele entraria forçadamente no escritório e tiraria fotos das provas que encontrasse.
Não queria ter mais papel comigo, já que eu ainda estava com a carta da minha mãe.
Para ter um álibi, marquei um jantar com Samuel no mesmo horário.
Enquanto eu tentava relaxar, conversando inutilmente com ele, já que eu não estava prestando atenção em nada do que ele dizia, Jazz me mandava mensagens de texto informando os passos do nosso detetive.
Samuel me deixou em Rose Hill. E o detetive já havia saído do prédio, com sucesso.
No dia seguinte, eu saberia de muita coisa.
[...]
- Um testamento só no nome de Mike? – Constatei assim que vi as fotos. – Isso não faz sentido algum!
- Me parece que esse foi o primeiro testamento de Carlisle. – Jazz tomava um café enquanto conversávamos. – Depois, por algum fato, ele mudou e incluiu os outros filhos no testamento.
- Mas por quê? – Minha cabeça latejava apesar do café que eu tomava. – Não faz sentido algum! Colocar somente Mike como herdeiro tudo bem, já que era o filho mais ligado a ele... Mas mudar o testamento assim! Num momento da sua vida que ele tivera pouco contato com os outros... – Tomei mais um gole. – Preciso ficar com essas fotos.
- São todas suas. – Peguei o envelope que continha fotos de uma câmera Pentax. – Ele confessou que foi um trabalho fácil de realizar. E que tinha muita curiosidade para saber quem estava por trás de tudo.
- Pena que eu não possa dar um jeito na curiosidade dele. – Entreguei ao meu amigo um envelope que continha um adiantamento dado por Alice a mim. – Talvez eu contrate os serviços dele novamente.
- Acho melhor darmos um tempo. – Jazz mordeu um brownie de chocolate. – Não é fácil lidar com esse tipo de gente o tempo todo.
- Eu sei. – Peguei um pedaço do brownie que caiu no seu prato e o engoli. – Vamos dar um tempo.
- O que quer que seja, vamos ter cuidado. – Meu amigo sussurrou. – O tempo todo em que esteve no escritório, Hal teve a impressão de estar sendo vigiado.
- Okay. – Mal consegui sussurrar quando constatei que talvez pudéssemos passar por algum perigo.
[...]
Cheguei a Rose Hill e analisei todas as fotos que o tal Hal entregara a Jazz. Uma, do primeiro testamento. A outra, do segundo e oficial. Datas diferentes, distantes uma da outra. Tempos diferentes.
Coloquei todas em cima da cama e comecei a observar uma por uma. Era estranho um pai contemplar seu único filho próximo para depois contemplar aqueles que se mantinham afastados... Era totalmente contraditório.
Assim que ouvi batidas na porta, guardei as fotos.
Era Jazz.
- Você me deu um susto! – Andei até a cama trajando a blusa do time de basquete de Edward. – O que você continua achando disso?
- Muito estranho. – Jasper pegou uma foto e ficou olhando-a. – O que o seu pai queria com essa mudança de testamento? – Ele pegou a lupa que eu deixara em cima da cama para analisar os detalhes.
- Não sei. – Cocei o queixo, procurando alguma explicação. – Ele tinha muito mais contato com Mike, vivia com ele... Não consigo entender essa sua mudança toda. Não condiz com o seu caráter.
- Bella, você já leu o último testamento? – Jazz pegou a lupa e a aproximou. – Parece que Edward, Alice, Mike e Emmett não são os únicos herdeiros não... – Eu me inclinei e vi dois nomes.
"Renee Higginbotham e Isabella Higginbotham."
[...]
Fiquei mais algum tempo analisando aquelas fotos, até que Jazz se retirou, deixando-me sozinha. As perguntas flutuavam em minha cabeça e eu tentava respondê-las, em vão.
Guardei-as num lugar seguro e sabia que, em qualquer momento, eu deveria mostrá-las a Edward. Eu estava me sentindo muito mal por estar agindo pelas suas costas, mas sabia que era algo que eu precisava fazer.
Por mim. Por nós.
Eu iria entregar tudo o que eu tinha conseguido com a investigação que eu e Jasper nos propusemos a fazer. E ainda tinha toda a história de Alice, que precisava ser resolvida.
Então, por alguns minutos, desejei ser outra pessoa e não ter que lidar com tudo isso.
Tomei um banho, colocando uma blusa larga o bastante para não me incomodar. Deitei na cama, deixando a janela aberta e sentindo o ar frio de Chicago entrar e me fazer encolher entre as cobertas. Eu precisava resolver tudo o mais rápido possível. Precisava dar um fim àquilo.
- Posso entrar? – Alice colocou a metade do corpo para dentro do meu quarto.
- Claro. – Sentei na cama, cobrindo as minhas pernas com o lençol. – Aconteceu alguma coisa?
- Edward esteve aqui hoje. – Meu coração se acelerou ao ouvir o seu nome. – O exame deu positivo. – Ela estava falando da identificação do corpo encontrado.
- E o que vamos fazer agora? – Me aproximei de Alice, pegando a sua mão e notando como estava fria. – Quando poderei fazer o exame de reconhecimento de paternidade?
- Logo. – Alice deu um sorriso fraco. – O Sr. Winger chegará no fim de semana. Vamos resolver tudo o mais breve possível. – Ela deu três tapinhas em minha mão.
- Alice... – Passei a língua nos lábios e os umedeci. – Se o exame der negativo, quero que saiba que você sempre será a minha irmã. – Meus olhos encontraram os seus.
- Eu sei que você é minha irmã, Bella. – Alice fez um carinho em meu rosto. – Eu sinto aqui. – Então ela colocou a mão no lado esquerdo do peito.
- Eu também sinto aqui. – Imitei o seu gesto. – Mas de repente, tive um mau pressentimento. Estou nervosa com esse exame.
- Não fique. – Alice suspirou. – Eu, Edward, Mike e Emmett estaremos lá para fazer o exame também. Vai dar tudo certo, você vai ver. – Ela tocou a ponta do meu nariz.
Nós nos abraçamos e pela primeira vez, Alice quis passar um tempo maior comigo. Eu nunca tive uma ligação dessas com alguém, apesar da minha amizade inabalável por Jasper.
Mas com Alice era diferente; era como se eu pudesse ter um pedacinho de Edward comigo.
Ficamos conversando sobre outros assuntos: Falando sobre moda e relacionamentos; Alice contou-me sobre o seu casamento em Paris enquanto eu falava sobre a minha adolescência em Forks. Era como se desse jeito, contando à outra a sua própria vida, pudéssemos recuperar o tempo perdido.
O tempo que nos foi tirado por nossos pais.
Comemos fondue de chocolate, mergulhando pedaços de frutas num chocolate meio amargo. Bebemos algumas taças de vinho depois, decidindo fazer a nossa própria festa do pijama; afinal, nem eu e nem Alice tivemos uma.
Ela porque não podia trazer ou ir à casa de outras pessoas; e eu porque estava abalada demais com a morte precoce de Charlie para tentar me divertir com alguma coisa.
- Acho que exageramos um pouco... – Alice depositou uma taça na mesa. – Vou me deitar.
- Sim, madame! – Ri, depositando a minha taça num canto qualquer. – Foi uma honra recebê-la em meus aposentos esta noite.
Gargalhamos e conforme ríamos uma da outra, senti minhas pálpebras pesando. Sabia que se eu tivesse pesadelos durante a noite, eu não estaria sozinha.
Teria a minha irmã ao meu lado. E esse pensamento me reconfortou.
Alice beijou o meu rosto antes de pegar um travesseiro e depositar a sua cabeça nele. Fiz o mesmo, virando-me para o outro lado.
Adormeci em pleno silêncio.
[...]
Acordei cambaleante com mais um pesadelo. Alice dormia tranquilamente ao meu lado e pareceu que os meus gritos não a incomodaram. Constato que ela está bem antes de me dirigir ao banheiro.
Bebo água da torneira até não poder mais e em seguida molho meus braços, rosto e nuca. A minha aparência está deplorável pela bebida que ingeri e pelo pesadelo que me atormentara mais uma vez. Então, numa tentativa inútil de melhorar algo, eu tomei um banho.
Mas dessa vez, a água e o alívio por finalmente ter acordado não fazem com que a compressão que sinto no meu peito me abandone. É estranho.
É como se eu ainda estivesse num pesadelo. Mas num pesadelo real.
Passo a mão por diversas vezes no meu tórax, tentando inibir a vontade súbita que tenho de chorar. Eu sempre choro quando tenho pesadelos, mas quando acordo, toda aquela sensação ruim vai embora.
Mas dessa vez era diferente. A dor continuava a ser angustiante.
Jogo as roupas encharcadas em qualquer canto e me enrolo numa toalha, desejando tomar qualquer remédio para aliviar a dor estranha e sem propósito que sinto. Procuro por Alice, mas ela já acordou e saiu do quarto. Então me permito deitar nua na cama e me enrolo na coberta, aproveitando o silêncio e tentando estabilizar a respiração.
Rolo de um lado para o outro até que finalmente consigo voltar a dormir.
- Bella? – Alguém estava chorando? – Bella!
- Alice? – Vejo seus olhos vermelhos e a testa cheia de vincos. – O que houve?
- Edward... – Alice tampa o rosto com uma das mãos e volta a chorar. – Ele...
- Fala Alice! – Segurei os seus ombros, pouco me importando com a minha nudez. – Ele está bem?
- Edward sofreu um atentado, Bella. – Alice encara os meus olhos. – Ele corre risco de vida.
Agarro-me a roupa da minha irmã antes de sentir meu corpo afundando e eu sendo tragada para a escuridão.
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N/A: Antes que alguém queira me matar, só dou um aviso: Preciso terminar essa fic, tá? Brincadeiras à parte, eu sei que vocês devem estar arrancando os cabelos! *muahhhh* Mas, dependendo de vocês, o capítulo esclarecedor virá logo!
Agradeço as reviews e digo que esse mês de aniversário de MH, não haverá aquele esqueminha básico de review = preview! Mas prometo soltar algum spoiler do capítulo no tumblr da fic.
Pra quem quiser participar das brincadeiras, aviso que nós ainda teremos outras! No total, são 4 brincadeiras, a primeira já foi! Fiquem atentas ao twitter e ao facebook para maiores informações.
Dica: Uma das brincadeiras estará ligada às reviews... *LOL*
Para finalizar, só tenho a agradecer a quem me adicionou recentemente e está amando Money Honey! Obrigado pelo carinho que vocês remetem a mim e à minha fic.
Beijos do Juiz!
