Dominique em meio ao clima pesado que havia na toca, cochilou na cadeira da varanda. Seu sonho foi bem estranho, ela via Andrew ser maltratado por seu pai, o garoto pedia por socorro. A loira tentava ajuda-lo, mas não conseguia o alcançar a tempo, e Vince conjurava um "Crucio" atrás de outro. A Weasley acordou assustada e suando "Que saco, a tristeza tomou tanta conta de mim que eu estou sonhando com Andrew", "Ah Andrew, como eu queria você aqui do meu lado nesse momento. Sim, eu sei que estou retrocedendo, mas ele me faria tão melhor agora".
De repente, bem na frente de Dominique um corpo aparatou na sua frente, fazendo-a pular. Harry e os aurores que guardavam a casa correram para perto da Weasley com suas varinhas apontadas para a pessoa que estava caída no chão.
- Fique parada Dominique! – mandou Harry – Quem é você? Fique parado ou será azarado!
O único movimento que a pessoa que estava no chão fez foi levantar a cabeça e olhar para Dominique nos olhos, mas logo apagou. Seu rosto estava inchado, cheio de hematomas, sangue e tristeza, e a Weasley sabia bem quem era, não tinha a menor dúvida.
- Andrew! – gritou ela correndo para o corpo e ignorando a ordem que o Potter havia lhe dito – Não o machuquem.
A loira o virou de barriga para cima, tentando ouvir sua respiração, que estava bem fraca. Ela berrou por socorro, apesar de inicialmente houver uma hesitação por parte de seus familiares, eles ajudaram o rapaz que estava muito machucado. "Como aquilo aconteceu? Ele aparatou, só aprendemos a fazer isso no sétimo ano, se der mole, nem Teddy, que se formou agora, sabe aparatar direito" pensou Dominique. O rapaz foi posto no sofá da sala, mesmo com tantas pessoas falando em sua volta, ele nem ameaçou acordar.
- Como isso veio a acontecer? – brigou Harry com seus aurores – Ele é um rapaz de dezesseis anos, filho de um dos mais influentes neocomensais, ele deveria estar preso e não no sofá da casa de meus sogros!
- Não! – disse Dominique entrando na frente do McCoy – Ele não é mau! Veja os machucados, seu pai é quem faz isso com ele. Andrew tem muitas cicatrizes, todas elas feitas por Vince. Esse é o cara mau, Andrew é vítima!
- Dominique... – Bill começou a falar, mas foi cortado pela filha.
- Não pai. Vocês não o conhecem. – falou a loira brava – Pouco antes de aparecer lá no quintal, eu tinha sonhado com ele sendo machucado por Vince, e pedindo por ajuda. Alguns instantes depois de eu ter acordado, ele apareceu na minha frente.
As feições de Harry haviam mudado, ele parecia ter considerado os fatos que a sobrinha havia acabado de falar. O Potter falou que apesar de tudo, ia mandar um de seus aurores ficar de olho nele até se recuperar.
Dominique dormiu na sala aquela noite, talvez essa pequena confusão tivesse sido boa para fazer a família Delacour-Weasley se distrair da tragédia que havia ocorrido no dia anterior.
Na manhã, Harry desceu as escadas do quarto que dormiu aquela noite e foi para a sala de estar, onde sua sobrinha do quinto ano ainda estava dormindo. Independentemente disso, ele a acordou, queria perguntar sobre o sonho que tinha tido na noite anterior.
- Foi o que eu disse, Tio Harry, eu vi Andrew ser torturado pelo pai, ele pedia por ajuda. Eu tentava falar com ele, mas não conseguia. A imagem dele sofrendo por causa da maldição "Crucio", se afastava de mim, até que eu acordei. – disse a loira esfregando os olhos. Harry parecia pensativo e sério, o que chamou a atenção de Dominique.
- Tio, você acredita em mim, não é?
- Você o ama? – perguntou o Potter olhando nos olhos da garota, esperando algum sinal que indicasse uma mentira. Entretanto ele se surpreendeu, pois a resposta foi perfeita, convicta, sem nenhum tipo de hesitação, gaguejo ou desvio de olhar.
- Sim. – foi o que Dominique respondeu – Eu sei que tivemos problemas com os McCoy, mas ele não é igual ao pai, ele é uma pessoa boa.
- Eu acredito em você – sorriu Harry colocando uma de suas mãos no ombro da sobrinha – E se quer saber, foi você quem o trouxe para cá.
- O quê?! – perguntou Dominique, achando que ainda estava dormindo – mas ele aparatou, nem sabia que conseguia, mas ele o fez.
- Não Dominique, você o fez aparatar quando despertou de seu sono – falou o Potter – Existe inúmeras mágicas poderosas no mundo bruxo, mas nenhuma chega perto do poder do amor. Essa magia fantástica me fez sobreviver a um "Avada Kedavra" e fez Andrew conseguir aparatar para cá.
Os olhos da loira ficaram marejados, ela estava feliz que Harry acreditava nela, mais feliz ainda com o que havia lhe dito. Ela salvara Andrew das garras de seu pai. O patriarca Potter abraçou Dominique, que agora estava derramando lágrimas pelo seu rosto.
O McCoy se mexeu, ainda estava de olhos fechados e todo inchado, Harry dispensou o auror que o vigiava e foi até a cozinha pegar mais ervas curativas de Molly Weasley para Dominique botar nos ferimentos dos rapaz. A loira passou o dia inteiro ao seu lado, só o deixou, pois tinha que tomar banho e comer.
As refeições na Toca eram tristes, sempre em silêncio apesar de tentativas frustradas de Ginny e Molly puxarem assunto. Fleur não saiu do quarto o dia inteiro, Bill é quem levava a comida para ela, mas o prato voltava quase que intocado. Gabrielle estava menos mal, o bem estar de seus filhos, ainda pequenos, a distraía das perdas daquela semana. Victoire passava o dia com Teddy e com James, que não os dava nenhum momento de privacidade, a não ser quando o adolescente brigava com ele.
Já era de madrugada quando Dominique, que dormia no sofá ao lado do de Andrew deu um pulo de susto, era o rapaz, gemendo de dor. A loira foi na cozinha pegar mais ervas e quando voltou o McCoy estava de olhos arregalados, olhando para os lados, com respiração ofegante. A Weasley largou as medicinas na mesinha de centro da sala e correu para Andrew. Assim que o garoto a viu, ele se acalmou.
- Dominique! – disse o McCoy com a voz fraca – Como?
- Eu te trouxe aqui – respondeu a loira ficando meio vermelha de vergonha – o meu tio Harry disse que foi a magia do amor.
- Você ainda me ama, eu sabia! – sorriu o rapaz – o seu penúltimo beijo em mim me mostrou isso. Além disso, a madame Ponfrey me contou da sua visita. Mas por que você terminou comigo, se ainda gostava de mim?
- Por causa de Paul – falou Dominique pegando o remédio e começando a passar nos machucados do namorado – ele nos descobriu na noite da montanha. Me mandou terminar com você, ou arrumaria um jeito de você nunca mais jogar pelo time da Sonserina. Então, eu não pude dizer não, ou seu futuro como jogador de quadribol estaria arruinado.
- Ah, minha ingênua! – disse Andrew acariciando o rosto da Weasley – Sim, de fato eu já quis jogar quadribol, mas meu sonho é me tornar auror, para enfrentar monstros como meu pai.
A loira beijou o rapaz, estava aliviada com a resposta dada pelo namorado. Ela estava morrendo de saudades dele. Apesar do garoto ser da Sonserina, ela o amava, bastante. "É Andrew, nós estamos quebrando as barreiras históricas que existem entre nossas casas" pensava Dominique enquanto tentava deitar ao lado do namorado ferido, no sofá da Toca.
Assim começaram as férias da loira, trágicas, mas a medida que as semanas iam passando, mais acostumados os Delacour ficavam com a morte de Monsieur e Apolline. Além disso, Andrew havia se recuperado completamente, graças as ervas medicinais da horta de Molly, e tinha sido perdoado pelos Weasley, mas mesmo assim Bill sempre que podia, ficava de olho nele. "Bom, deve ser coisa de pai, a final ele também faz isso quando Teddy está com Victoire" pensava Dominique.
No final do primeiro mês, a loira e o namorado foram assistir a Copa Mundial de Quadribol. A Weasley dava graças a Merlin por não ter jogado os ingressos fora da primeira vez que terminou com o Sonserino. Para melhorar sua situação, Andrew também conseguiu levar alguns dos primos de Dominique, já que tinha reservado um camarote exclusivo. Com isso ele ganhou alguns créditos, principalmente com Fred e Louis.
Para um período escolar meio estressante para Dominique, até que as férias estavam indo melhor do que ela esperava. Entretanto, algo lhe dizia que o ano seguinte seria mais agitado. Mas isso fica para a próxima história.
FIM
PS.: Espero que tenham gostado :)
