Menina Popular

"Aria! Podes ir à dispensa buscar-me algum giz?" A professora pede-me.

Claro que ela me ia pedir… devo ser o único nome que ela sabe assim que as aulas começaram. Ser a pessoa mais popular não é fácil, tenho de fazer uma série de actividades extra, fazer favores aos professores e ter sempre as respostas corretas com a média mais alta da turma. Também namorei com o capitão da equipa de basquetebol o ano passado e todos estes itens foram-me tornando a rapariga mais popular da escola para não dizer da cidade.

O visual foi criando com a ajuda da Hanna, a Spencer estuda sempre comigo e a Emily sempre me deu os melhores conselhos. Elas são as minhas melhores amigas, eu posso sempre contar com elas.

Assim que voltei com o giz a aula continuou e alguns rapazes assobiaram quando passei novamente para a minha mesa.


Quando voltei para casa mais tarde não estava ninguém. Fui para o meu quarto e fiz os meus trabalhos de casa. Depois disso estava na hora de um banho relaxante antes de descer para o jantar. Quando voltei ao meu quarto ouvi os meus pais a discutir novamente, eu estava tão cansada de todo este ambiente pesado.

Eles não pararam de discutir durante o jantar comigo e o Mike. Eu queria sair, eu sentia-me fechada e tão triste com tudo o que está a acontecer com a minha família.

O Mike subiu as escadas para o quarto e eu segui o exemplo, mas eu não queria estar sozinha. Bati na porta do Mike e abri a porta. "Posso?"

"Entra." Ele diz.

Eu sentei-me ao lado dele e apoiei a cabeça no seu ombro. Podíamos ouvir os gritos abafados dos nossos pais. "Eu estou tão casada disto Mike, quando é que isto vai acabar?"

"Eu não sei." Ele diz com tristeza. "Achas que eles se vão divorciar?"

Eu olhei para ele. A minha vida parecia prestes a desmoronar. Isso quer dizer que tenho de escolher um pai com quem viver? "Eu não quero que isso aconteça." Eu choro. "Eu vou lá a baixo."

Ele apenas olhou para mim, viu-me sair do quarto e descer as escadas. "PODEM PARAR COM ISSO?" Eu gritei e chorei.

"Querida." A minha mãe diz com preocupação.

"Porque vocês fazem isso? Isto está a acabar com a nossa família."

"Aria…" O meu pai ia começar, mas eu interrompi.

"Eu estou tão cansada, vocês não pensam na nossa felicidade." Eu abri a porta, saí de casa e corri para a rua.

"ARIA!" Eu ouvi o meu pai chamar, mas mesmo assim continuei a correr sem rumo.

Estava sozinha na rua quando me sentei num banco de jardim na praça. O meu coração doía e eu não consegui evitar chorar.

"Aria?" Eu olhei para cima e vi o rapaz que tem inglês comigo, mas não me conseguia lembrar do nome dele. Limpei rapidamente as lágrimas e sorri para ele.

"O que foi?" Perguntei.

"Está tudo bem? Posso ajudar-te com alguma coisa?" Ele parecia preocupado talvez.

"Está tudo bem."

"Posso fazer-te companhia?" Eu olhei para ele novamente. "Ou sou apenas plebe para a abelha rainha?" Esse comentário fez-me desmoronar. É assim que todos me vêem? "Desculpa. Fui rude, não queria dizer aquilo." Ele diz percebendo que isso me feriu.

"Vai-te embora idiota, tu não sabes nada." Eu levantei-me com raiva e saí de perto dele.

"Hey, espera."

"Deixa-me em paz."

"Desculpa." Ele agarrou-me no braço e eu respondi instantaneamente dando-me uma bofetada.

Ele apenas colocou a mão no rosto com a boca aberta. "Não me toques novamente."

"Eu mereci, fui um idiota contigo." Ele diz. "Mas eu estou preocupado ok?"

"Não te precisas de preocupar, eu vou para casa."

"O que está a acontecer com a maravilhosa Aria Montgomery."

"Olha podes inventar o que quiseres amanhã na escola sobre mim. Eu não quero mais saber disso para nada." Eu explodi.

"O quê? Eu não vou dizer para ninguém." Ele olhou para mim atentamente com os seus olhos azuis. "Vem comigo ao The Brew, um pago um chocolate quente pode ser?" Ele diz.

"Talvez chocolate ajude." Eu não quero voltar para o inferno na minha casa.

Ele sorri. Atravessamos a estrada e entramos no café. "Senta-te, eu vou pedir."

Eu concordei e sentei-me numa mesa na parte de trás.

Quem diria que a Aria com olhos inchados e sem maquilhagem se iriam atrever a entrar no The Brew à noite. O mais ousado era a companhia de um rapaz pouco popular que eu nem sabia o nome.

"Aqui tens."

"Obrigada." Eu aceitei a bebida quente.

"Eu juro que não vou dizer a ninguém que te vi esta noite, eu só quero ter a certeza que está tudo bem. Foi algum rapaz ou outra pessoa?"

Eu neguei. "Problemas em casa. A minha vida não é tão perfeita como todos pensam."

"Mas tua é uma menina perfeita, qualquer pessoa quer ser como tu. Não fazia ideia que tinhas esse tipo de problemas. Posso fazer alguma coisa para ajudar?"

Eu sorri com tristeza. "Sem fizesses os meus pais parar de discutir eras o meu herói."

Ele pareceu triste por mim. "Isso não posso resolver."

"Eu acho melhor voltar para casa, os meus pais devem estar preocupados."

"Eu acompanho-te."

Ele andou comigo até casa. O silêncio parecia algo tão seguro, eu sentia-me bem com ele a caminhar ao meu lado. Ele acalmou-me de alguma forma.

"Obrigada por vires comigo até casa, pelo chocolate quente e desculpa pela estalada."

"Já passou, estavas chateada. Foi um prazer falar contigo. Vemo-nos amanhã na escola?"

"Sim." Eu sorri-lhe antes de entrar.


Acordei ainda a pensar que sonhei com a noite passada. A Aria Montgomery falou comigo, aceitou um chocolate quente e ainda a acompanhei até casa.

Eu tinha uma ideia que podia ajudar a Aria a sentir-se melhor. Eu gosto dela, mas nem me atrevo a tentar algo com ela. Ela é popular, eu sou apenas um "Zé ninguém". Ela namora com os capitães de equipas, com rapazes maus e rebeldes, não com um geek. Mesmo assim não fazia, mal ser gentil e dar-me um ombro amigo mesmo que ela não queira. Peguei no meu exemplar Winesburg, Ohio por Sherwood Anderson.

Quando precisares sair de Rosewood… Ezra. Escrevi na primeira página.

Sai de casa mesmo sem o pequeno almoço e corri para a escola, estava atrasado para o primeiro tempo.


"Aria?" Eu olhei para trás e vi o rapaz de ontem. Ainda não me lembro do nome dele. "Tenho uma coisa para ti."

"Para mim?" Fechei a porta do meu cacifo.

Ele deu-me um livro, Winesburg, Ohio por Sherwood Anderson. Eu olhei para ele e depois folheei o livro até parar na primeira página Quando precisares sair de Rosewood… Ezra.

"Gostas?" Ele pergunta.

"Obrigada Ezra." Eu abracei-o.

Então vi as minhas amigas no final do corredor, elas não me podem ver com o Ezra. Elas iam suspeitar que algo estava a acontecer. "Eu tenho de ir Ezra, podemos ver-nos depois das aulas?"

"Sim." Ele diz com um sorriso.

Guardei rapidamente o livro e deixei o Ezra sozinho.

"Estavas a falar com aquele rapaz?" Perguntou a Emily.

"Quem?"

"Aquele." Ela apontou para o Ezra.

"Não, ele bateu em mim com pressa. Não o conheço. Sabem o nome dele?" Todas negaram. "Não tem importância, vamos para a aula."


Inventei uma tarefa extra para me livrar das minhas amigas que foram para casa da Spencer juntas. Eu iria ter com elas mais tarde.

Percorri toda a escola à procura do Ezra até o encontrar na parte de informática da biblioteca. "Ezra?"

"Aria." Ele fechou o programa do computador e voltou-se para mim. "Podemos ir para outro sitio se quiseres." Eu olhei em volta e não estava ninguém.

"Aqui está bem." Eu sentei-me na cadeira ao lado dele. "Obrigada pelo livro, gostei muito mesmo."

"De nada." Ele coçou a parte de trás do pescoço.

"Eu não consegui parar de pensar em ti." Disse sem pensar. Eu não percebi a sua expressão. "Foste o meu refúgio ontem Ezra. Eu quero-te na minha vida."

"Eu preciso dizer-te uma coisa." Diz ele.

"O quê?" Perguntei quando ele continuou.

"Quando passas por mim o tempo congela, tu és a menina mais linda que alguma vez vi, nos dias de chuva o teu sorriso é o sol do meu dia. Eu sei que os nossos mundos são diferentes, eu sei que somos um desastre, mas sem querer eu gosto de ti. Eu estou apaixonado por ti desde o 8º ano, o ano em que te vi pela primeira vez." Ele admite.

Eu deixei escapar uma lágrima. "Nunca ninguém me disse algo assim." Ele levantou-se. "Onde vais?"

"Vou embora, imagino que não me queres por perto."

Talvez secretamente tenha me apaixonado por ele a noite passada. Eu não o passo deixar ir. Enchi-me de coragem. Peguei a mão dele e beijei-o nos lábios. Ele não respondeu e eu afastei-me. Os nossos olhos não se afastaram por alguns segundos, mas pela rejeição eu olhei para o chão.

Ele pegou-me no queixo e fez-me olhar para ele. "Tens a certeza que é isto que queres?"

"Sim." Eu disse num sussurro.

Então ele avançou lentamente, colocou o meu cabelo atrás da orelha e beijou-me. Foi suave, muito suave. Os nossos olhares encontraram-se novamente e não foram precisas mais palavras.


Agradecimento a todos os leitores pelo tempo e um obrigada especial à EzriaBeauty e starkat27 pelos comentários. ;)

Como disse na semana anterior esta semana vai haver actualizações todos os dias, fiquem atentos ;)