Sempre tive uma preferência pelas sextas-feiras, fosse porque era um anúncio declarado do fim-de-semana ou pela aura misteriosa e sobrenatural que ao longos dos anos lhe haviam conferido.
Aquela sexta feira, amanheceu cinzenta e carregada de nuvens, mas o braço que me envolvia era tão quente que nem por um segundo ponderei que lá fora pudessem estar temperaturas negativas.
- Tenho uma coisa para ti. - sussurrou-me ao ouvido. Sorri em silêncio sem me mexer, fingindo que aquelas palavras não suscitavam interesse. - Se não estás interessada posso guardá-lo e oferecê-lo a outra pessoa. – retorquiu quase ofendido pela minha falta de entusiasmo. As palavras dele foram o suficiente para me fazerem mudar de planos, virei-me rapidamente e implorei para saber o que era. Automaticamente o rosto dele adquiriu uma expressão de prazer. Levantou-se, foi até ao closet dele e quando regressou para a cama trazia uma grande caixa prateada com um laço preto.
- Humm... uma caixa tão bonita. Tens a certeza que é para mim?
- E para quem mais seria?
- Os homens ricos e poderosos têm sempre imensas amantes. – a expressão na cara dele foi quase de vergonha.
- Acho então que serei sempre pobre e humilde perante os teus olhos. – eu ri-me e revirei os olhos menosprezando a afirmação dele. – Tu estás sempre a duvidar da minha capacidade de amar. - respondeu-me ele, com uma voz tão séria que revelava o seu descontentamento perante o meu descrédito.
- Eu não duvidei da tua capacidade de amar, apenas duvidei da capacidade de me amares exclusivamente a mim.
- Sinceramente Tsukushi, vê se pensas um bocado antes de falar. – ele estava realmente zangado, levantou-se e foi-se colocar de braços cruzados à minha frente. – Achas que tudo o que te digo é mentira? Sinceramente, que grande actor eu tinha de ser. – a jugular dele começava a dar sinais de tensão, fazendo-se notar por cima da pele suave do pescoço. Estendi o corpo até lhe alcançar as mãos com as minhas e puxei-o contra mim. Ele ficou em pé na beira da cama, deixando-me enlaçá-lo pela cintura e beijá-lo.
- Desculpa, era uma brincadeira, nada demais. – murmurei-lhe enquanto lhe beijava a veia pulsante.
- Que brincadeira tão parva. - parecia um garoto ofendido e amuado, mesmo estando a gostar do jogo.
- Existe alguma coisa que eu possa fazer para tu me perdoares? - perguntei-lhe, com as mãos entrelaçadas nos fios negros que eram o cabelo dele.
- Bem... sempre podes continuar a fazer o que estás a fazer.
- Acho que sozinha não vou conseguir. Vais ter de me ajudar. – puxei-o com força e caímos os dois na cama. Ele riu-se:
- Óptimo, já estou perdoada. Posso abrir o meu presente? - levantei-me para agarrar a caixa que continuava pousada na beira da cama, mas ele agarrou-me o pulso antes de conseguir alcançá-la.
- Mais devagar, minha querida. Quem te disse que eu te tinha perdoado?
- O teu riso. Ninguém se ri, zangado com outra pessoa.
- Tsukushi, sabes muito bem que não fizeste nada para merecer o meu perdão. – aproximei-me dele e dei-lhe um beijo relâmpago na boca.
- Então já posso abrir o presente?
- Achas que isso foi alguma coisa? Parece que me carimbaste a cara. – agora era eu que me ria.
- Se te carimbei a cara porque razão não ficou gravado "idiota"? É o único carimbo que utilizo em ti.
- OK. Já vi que definitivamente não queres saber o que te comprei. - levantou-se e agarrou na caixa.
- Nãooo... eu quero. Eu porto-me bem. Eu prometo.
- Acho que não posso voltar a confiar em ti. Não me sinto com forças para voltar a ser enganado por ti. - fez um ar cansado e virou costas para levar a caixa.
- OK. Faz como entenderes. Não te quero pressionar. – esperei alguns segundos e comecei a despir a camisa de dormir.- Céus, está tanto calor aqui. – ele virou-se para me fintar e eu continuei – Tanto, tanto calor. - tirei os calções e fiquei apenas em cuecas.
- OK! Podes ficar com a caixa.
- Ah! - levantei-me da cama e corri para a ir buscar. – Obrigado, obrigado, obrigado. - agradeci-lhe já com a caixa debaixo dos braços enquanto tentava beijá-lo.
- Sabes que foi um truque baixo e vulgar da tua parte, não sabes?. – perguntou-me enquanto me observava a desembrulhar a caixa em cima da cama.
O silêncio instalou-se no quarto, eu não lhe respondi e ele não me voltou a questionar. Tudo porque naquele momento o conteúdo da caixa nos avassalava a mente.
Dentro daquela caixa vinha o quimono mais bonito que alguma vez tinha visto, a sua seda era num tom cinzento claro e estava toda debruada em fio de ouro e fio vermelho, elaborando figuras elegantes de flores de cerejeira e bonsais.
- Tsukasa!- exclamei quando recuperei os sentidos. – Isto é... é inacreditável...
- Comprei-o para o usares hoje. – ele tinha-se lembrado da cerimónia de chá do Soujiroh. Gentilmente pousei o quimono em cima da cama e dirigi-me ao homem que me sorria com cumplicidade para o abraçar e beijar.
- Estou arrependido de te ter oferecido aquilo. Sinceramente prefiro ver-te assim vestida.
- Que falta de bom gosto, Tsukasa.- disse-lhe rindo.
- Foi o que já me disseram. – fingindo-me ofendida dei-lhe uma palmada no peito e depois desatei numa gargalhada.
Existem dias que são assim, perfeitos e doces. Às vezes, gostava de ter uma memória capaz de os guardar a todos, capaz de os recordar até ao mais ínfimo pormenor, desde o tom da luz no cabelo escuro do Tsukasa até ao cheiro que pairava no ar. Infelizmente nunca iria conseguir guardar todos os pormenores do intricado esquema de linhas do quimono ou se quer recordar perfeitamente a forma como ele brilhava ao movimento da luz e do corpo.
XXX
Depois de me maquilharem, pentearem e vestirem colocaram-me em frente ao espelho. Existem dias, e tenho a certeza que já sentiram isto, em que não reconhecemos o nosso reflexo, em que achamos que aquela pessoa que nos olha não faz parte de nós. Naquela sexta-feira, em frente ao espelho, a sensação era diferente, não reconhecia a mulher ali reflectida. Ela era surreal, tão delicada e refinada que só poderia ser imaginação de um poeta. Os seus cabelos negros estavam presos num coque no topo da cabeça, de onde saía um pente em forma de leque e no meio um alfinete em forma de flor, muito simples num tom dourado, o restante cabelo estava enrolado delicadamente à frente e atrás do coque e de cada um dos lados saiam mais dois pentes em forma de leque e uma flor dourada por debaixo da sua semelhante. A sua pele branca e delicada fazia um contraste com os seus olhos negros e os seus lábios vermelhos e perfeitos. Mas quem iria conseguir visualizar isso quando ela envergava um quimono tão deslumbrante?
- Tsukushi...- o Tsukasa tinha entrado na divisão e tão concentrada estava na minha análise que nem dei por ele.
Visualizei-o no espelho, ambos estávamos lá: erectos e imponentes, como naquelas fotografias muito antigas em que as pessoas estão muito direitas e sérias, porque senão a fotografia ficava desfocada.
Estendi a minha mão e ele compreendendo o que eu queria, estendeu a dele até as duas estarem unidas, com os dedos entrelaçados, uma na outra. Não posso negar que sentia algo estranho ao encarar aquela imagem, éramos tão diferentes ou melhor estávamos tão diferentes. Já não existia ali inocência, pureza ou timidez. Nós ostentávamos poder, riqueza e orgulho e nem mesmo o aperto quente daquela mão me fazia alterar a convicção que o reflexo poderia estar certo.
- Estás maravilhosa.
- Obrigado. – respondi, quebrando o feitiço do espelho e encarando o meu marido. – Vamos? – ele agitou a cabeça afirmativamente e saímos os dois, depois de ter agarrado o muff de pêlo branco, que tinha separado. Descemos as escadas e entrámos para o carro preto que nos esperava de porta aberta. Quando o carro finalmente parou, abriram a porta do lado esquerdo, o Tsukasa saiu e deu-me a mão para me ajudar a sair.
- Finalmente está a nevar. – comentei, quando vi os flocos a pousarem lentamente no chão à nossa volta.
- Parece que estava à espera que saíssemos de casa. - resmungou o Tsukasa, que odiava acumular neve, no seu por si só já rebelde, cabelo. Enfiei as mãos no muff e ergui a cabeça para o céu, com um sorriso. Adorava ver o céu cinzento chorar farrapos brancos e leves. Tinha tantas saudades de ver a neve cair e ao contrário do Tsukasa achava que tinha começado a nevar numa altura perfeita. O que poderia purificar mais a alma, antes de uma cerimónia de chá, do que a neve?
- Tsukushi, estou a gelar e a ficar coberto de neve. – baixei os olhos na direcção dele e sorri-lhe como resposta.
- Que raio de mania a tua de ficar a ver nevar ao ar livre. - censurou-me quando caminhava ao pé dele.
- A natureza ainda não consegue nevar dentro de casa, Tsukasa. Tenho de me sujeitar ao ar livre.
- Mas podes ver nevar através de uma janela. Onde eu posso estar quentinho e confortável a observar-te. – ofereceu-me um sorriso sarcástico e piscou-me um olho.
- Deixa-te de tolices e anda cá para te tirar os flocos de neve que tens no cabelo. – ele abriu e fechou a boca rapidamente, mostrando claramente pânico, que só lhe saiu da cara quando me ouviu rir.
- Não tem graça nenhuma. Com o tempo que eu tive à tua espera bem que poderia um monte de neve no cabelo.
- Devias ter visto a tua cara, foi impagável. – respondi-lhe ainda a rir.
Estávamos parados num grande hall forrado, enquanto esperávamos a nossa vez para nos guardarem os casacos.
- Boa noite. - cumprimentou a rapariga que agarrou no casaco do Tsukasa e nas minhas coisas.
- Muito obrigado. – agradeci depois de termos indicado o nosso nome, para mais tarde resgatarmos os casacos.
Subimos uma grande escadaria e no topo dela encontravam-se dois homens, vestidos para a cerimónia, que nos cumprimentaram afavelmente:
- Iremos de seguida anunciá-los ao anfitrião. – fez um gesto para o seguirmos e fomos conduzidos pela grande sala que já estava cheia de convidados.
- Devias ver a cara das pessoas a olhar para ti. Isso sim é impagável. – sussurrou-me inclinando-se ligeiramente sobre mim. Olhei-o nos olhos e sorri-lhe com cumplicidade.
- Elas não estão a olhar para mim, estão a olhar para o teu presente. – ele riu-se e julgo que o teria feito de uma forma ainda mais aberta caso a ocasião não fosse tão formal. A minha afirmação era dúbia, mas só depois de a ter pronunciado é que percebi isso. O presente dele era o quimono, mas por outro lado, eu própria poderia ser vista como o presente dele, um brinquedo de luxo, que só os homens ricos, como ele, poderiam ter. Não era a imagem que mais gostava de me inserir, mas a verdade é que muita gente naquela sala me via como o brinquedo do Domyouji Tsukasa. Afinal porque outro motivo um homem, como ele, poderia querer casar com uma rapariga pobre, como eu, senão fosse para brincar? Foi com este pensamento desconcertante que cumprimentei o Soujiroh, que nessa noite, colocava de lado o seu papel de amigo, para se tornar o anfitrião da festa.
Cumprimentou-nos com uma respeitosa vénia, que nós retribuímos e com um gesto convidou-nos a sentar no tatami. Ouviu-se o vibrar do gongo e fez-se silêncio, a cerimónia ia começar.
O Soujiroh subiu para o estrado adaptado para a ocasião. O facto de estar mais elevado, permitia que qualquer pessoa conseguisse seguir os seus movimentos durante a cerimónia que começou com gestos coordenados e refinados, colocando o kama (panela de ferro) sobre o furo (braseiro), para depois pegar numa pequena colher e colocar uma porção de chá verde em pó no chawan, adicionou a água e com a ajuda do chasen (bastão de bambu) misturou a bebida até ela adquirir uma consistência espumosa. Graciosamente levantou-se, desceu a estrutura e entregou o chawan nas mãos do primeiro convidado, que bebeu um gole, limpou a borda, com um lenço branco de linho e passou ao próximo que repetiu o procedimento.
O jovem anfitrião voltou a ocupar a sua posição e voltou a repetir o procedimento inicial preparando mais uma taça de chá, para depois a vir servir mais convidados.
Cerca de três anos antes, eu teria sido um completo desastre naquela situação, não me sabia sentar ou sequer pegar no chawan de forma correcta. Felizmente as aulas privadas com o mestre Soujiroh tinham surtido o seu efeito e quase ninguém reparava que as minhas mãos tremiam levemente e que no fundo eu era uma iletrada nas artes do chá.
******************************************************************************************************************************** Uma das minhas principais características foi sempre o facto de chegar sempre atrasado a todo o lado, maioritariamente das vezes porque adormecia. No entanto acho que grande parte da minha personalidade se perdeu, no momento em que regressei ao Japão. Afinal era sexta-feira e apesar de ser a cerimónia do meu grande amigo de infância, eu não precisava de ter chegado inconvenientemente cedo. Quando me levaram até ao Soujiroh apenas os subordinados e os idosos tinham chegado.
Perante convidados ainda tão desconcertantes, resolvi refugiar-me perto de uma grande janela, assim poderia observar tanto o céu como os convidados que chegavam.
O céu, que durante todo o dia tinha prometido neve, finalmente cumpriu a promessa minutos antes dela chegar. O grande Rolls Royce Phantom prateado parou, o condutor saiu e abriu a porta de trás. Sem surpresas vi o Tsukasa sair do carro, sendo logo seguido por um personagem imaginário. E quando penso nesta cena, não consigo compreender como é que o Domyouji teve coragem para profanar a figura daquela mulher com as suas palavras. Ela estava muito direita de cabeça erguida para o céu a fintar os flocos a caírem, enquanto ele a incomodava com as suas palavras.
Nunca me considerei um homem saudosista ou extremamente nostálgico, mas naquele momento achei que queria guardar aquela imagem sempre comigo. A pureza do fino manto branco, contrastava com a prata líquida que constituía o quimono daquela mulher e os finos traços de vermelho e de ouro rasgavam a natureza pálida com os seus tons vibrantes, tendo um efeito quase tão esmagador como o dos seus lábios vermelhos.
Não, eu não era um homem nostálgico, nem gostava particularmente de recordar o passado, mas ver as mãos delicadas da Tsukushi enfiadas num tubo felpudo branco fez-me desejar poder esquecer tudo o resto para garantir espaço na memória para essa recordação.
A imagem desapareceu quando os dois entraram no edifício e eu senti que deveria dos ir espiar, que precisava de continuar a observar aquele ser mágico, que acompanhava o Tsukasa. No entanto, a sensatez iluminou-me e manteve-me quieto. Mudei apenas de posição, queria poder observá-la quando ela entrasse naquela sala. Não esperei muito tempo até voltar a encará-la, agora ainda de mais perto.
Ela caminhava tão confiante ao lado do marido, que não deve ter vislumbrado mais ninguém naquela sala a não ser ele, perdendo assim a oportunidade de ver como todos olhavam espantados para ela. Confesso que isso me alíviou o peso no coração, afinal não era a minha paixão avassaladora que me atraía tanto para aquela criatura, era mesmo a beleza e a aura que ela transmitia que estava a atrair toda a gente.
A cerimónia começou e terminou e eu mantive sempre uma certa distância dos meus amigos, tanta que naquela noite apenas tinha cumprimentado o Soujiroh. Quando todos queriam cumprimentar o anfitrião e se instalou novamente um grande burburinho da sala, afastei-me até chegar à varanda.
As janelas estavam fechadas, num vã tentativa de conservar o ambiente quente, só que este era tão persistente que se introduzia por qualquer brecha que encontrasse tornando aquele edifício, rico em pedra, frio como um cubo de gelo. Assim quando abri a janela e senti o ar da rua, as diferenças de temperatura foram quase nulas.
Naquela altura já um manto branco cobria generosamente todo o chão da paisagem, de tal forma que senti o leve crepitar do gelo por debaixo dos meus pés durante a minha travessia até à borda da varanda. Continuava a nevar, mas agora eram fiapos escassos, que se acumulavam preguiçosamente em cima dos outros.
******************************************************************************************************************************** Aproximei-me das janelas, que estavam abertas de par em par, e mesmo sem o ter visto ir para ali, sabia que era ali que o encontraria. Só poderia existir uma pessoa que quisesse estar lá fora ao frio em vez de estar cá dentro com a multidão: Rui. Lá estava ele, com um quimono formal cinzento, que tornava a sua figura esbelta tão severa e séria, que quase o fazia parecer um personagem como o meu quimono me fazia parecer a mim. No fundo, naquela noite, nenhum de nós era o seu verdadeiro eu, éramos apenas projecções de algo diferente de nós, nem melhor, nem pior, apenas diferentes do que éramos.
- Posso fazer-te companhia? – ele virou lentamente a cabeça e fintou-me seriamente. Parecia tão triste, tinha os olhos tão escuros e existia algo na sua expressão que me recordou o desespero que ele teve quando descobriu que a Shizuka ia voltar definitivamente para Paris. – E a Iku, Rui? Porque não veio contigo? – questionei-o perante o silêncio dele. Afinal se ele estava assim devia-se à Iku e conhecendo como o conhecia sabia que ele nunca me falaria do que o angustiava por livre e espontânea vontade.
- A Iku? – interrogou-me, encarando-me com um olhar espantado, como se a minha pergunta fosse a mais descabida do mundo. – Sinceramente achas que voltaria a estar com ela depois do que ela fez?
- Desculpa, mas acho que não compreendo o porquê de uma atitude tão radical? - novamente senti que ele me encarava com surpresa.
- Para mim a forma como ela te tratou foi imperdoável. Jamais poderia perdoar alguém que te maltrata. – a expressão dele era tão exagerada e exacerbada que me fez rir. No entanto, o olhar dele silenciou-me rapidamente, era tão intenso e severo que demonstrava que a última coisa que eu poderia fazer naquela situação era rir. Senti-me quase sem ar e entrei ligeiramente em pânico por estar a ser encarada daquela maneira.
- Desculpa, mas estás a ser tolo. Ela não me maltratou e mesmo que o tivesse feito, não importava. O que interessa é a forma como ela te trata a ti e de como tu a tratas, mais nada. – ele não disse nada, continuou apenas a fintar-me atentamente com uma expressão tão vazia, que quase parecia que ele estava a ver algo para além de mim, como se por magia o meu corpo se tivesse tornado transparente. – Odeio ver-te triste e odeio mil vezes mais saber que além de ti também a Iku está a sofrer por minha culpa.
Ele soltou uma gargalhada amarga:
- Achas que estou triste por causa daquela rapariga patética? Céus...como tu estás a leste da verdade. – o meu coração contraiu-se e o meu lábio inferior começou a tremer ligeiramente, podendo facilmente ser confundindo com uma reacção ao frio.
- Rui, por favor, deixa-me ajudar-te. Partilha o teu fardo comigo. – implorei-lhe, agarrando-lhe as mãos e fintando-o, enquanto fazia um esforço imenso para parar de tremer.
- Quem me dera que pudesses. – foi a única coisa que me respondeu e depois soltou a mão e deixou-me sozinha na varanda, com um sentimento tão estranho, que me estrangulava o peito de tal forma que se não estivesse ao ar livre julgaria estar numa sala sem oxigénio.
******************************************************************************************************************************** O meu talento para escrever é fraco, por isso é normal que a aparência da Tsukushi ali descrita surja como uma coisa disforme, sobretudo o penteado, por isso deixo aqui o link da fotografia em que me inspirei para o penteado da Tsukushi. http:/ img467. imageshack. us/img467/8715/64691169a5af2d8e5cb1ao. jpg. Foi uma produção que a Vogue fez com a Gong Li, na altura em que foi lançado o filme "Memórias de uma gueixa".
O quimono logicamente não é o mesmo, infelizmente não sei onde coloquei o link do quimono da Tsukushi.
E já agora que estou neste pequeno aparte, gostaria de pedir um enorme favor a quem lê. Por favor forneçam-me algumas sugestões, esta história está a arrastar-se e gostaria que no fim quem leu achasse que pelo menos valeu o tempo perdido.
Obrigado e até qualquer dia.
