"Rachel!" Reynolds chamou a atenção de Rachel, que estava distraída com um novo disco que havia chegado à sede subterrânea da pizzaria. Ela rapidamente retirou os fones de ouvido ao perceber a presença do superior. "Você vai viajar com Ayala neste fim de semana. Vocês vão sair sexta à noite e voltam domingo. Bom, é Ayala, você conhece o esquema..." O homem latino acenou.
"Oh!" Deixou o disco de lado "Quer dizer que vou perder o almoço na casa dos Bucklers?" Resmungou.
Estava ansiosa por experimentar a receita de lasanha vegetariana que a senhora Buckler disse que faria. Ela aparecia por lá mesmo quando não tinha correspondência para entrar ou pegar na casa. Uma pena que teria de ligar avisando a ausência. A melhor parte em ter de entregar e pegar pacotes era a convivência com os Bucklers e as boas histórias que eles contavam sobre Hiram, da faculdade e do tempo em que os botões eram diferentes. Ela se sentia mais parte do processo quando ouvia o ex-professor do pai dela.
George tinha razão ao dizer que tradição importava. Depois da experiência na capital, na busca por Goldman, Rachel leu o manual e mandou todos do círculo fazerem o mesmo. Tanto ela quanto os demais ficaram mais interessados na organização por sentirem o peso da história. Até mesmo Quinn, a mais desligada, procurou entender melhor o papel que iria desempenhar num futuro próximo. Para ela, botões significavam uma versão clandestina do programa de proteção à testemunha. Ao entender a dimensão daquele mundo, e com as pequenas elucidações que surgiam aqui e ali, viu que ela era parte de algo muito maior do que o pai dela e suas respectivas idiossincrasias.
Foi um dos pontos de falha de liderança que Rachel identificou em Santana. Eram nuances que ela só conseguiu entender quando passou a também estar na mesma posição de comando de um círculo raso. Mas não a julgou pelo detalhe, pois a amiga ainda era a grande referência por ter acertado muito mais do que cometido erros. Rachel passou a admirá-la mais ainda por fazer aquele serviço complicado desde os 14 anos e tombos fazem parte do processo.
Ao longo do mês, Rachel procurou trabalhar o melhor possível nas tarefas que lhe cabia. Havia muitos olhos em cima dela, mas nem era apenas por isso, ou por ser uma pessoa que naturalmente gostava da atenção. Rachel também era perfeccionista e só este traço da personalidade era o suficiente para explicar o quanto trabalhava duro. A recompensa veio com a determinação de Reynolds. Fazer tarefas mais complexas significava ascensão (e mais "ajuda de custo"). Dos colegas daquele círculo, apenas Ayala, Reynolds, e anteriormente Santana e o falecido Steve Bryne, faziam aquele tipo de trabalho porque envolvia conhecimento a estruturas muito maiores da organização.
Ao longo do mês, os botões tiveram poucos embates com os camisas marrons. Finn deixou de ficar tão queixoso em relação a Rachel, Quinn e seus respectivos supostos namorados, quando a cheerio Kate passou a dar atenção especial ao jogador. Uma que envolvia namoro de verdade, com direito a cama, mesa e banho: algo que Finn nunca desfrutou com Quinn e nunca teve a chance com Rachel. Puck ainda era o mais combativo. Ele baixava o tom nos ensaios do coral em favor do grupo, mas não mais falava com os outros, principalmente com Sam e Rachel, nas classes ou nos intervalos. Tina não aguentou a nova personalidade de Mike e o deixou. Rachel intuía que ela poderia ser uma boa botão, mas a língua solta da colega ainda preocupava. Mercedes continuava a mesma.
Artie chegou perto de ter Brittany, se aproveitando de um momento de solidão que poderia ter acabado na cama, se não fosse a interferência rápida e certeira de Quinn. Ninguém queria controlar a vida sexual de mais ninguém, mas a aproximação da pessoa mais sensível e influenciável do grupo com um simpatizante do regime não era um bom negócio nem para Brittany e muito menos para o restante do grupo. Rachel tinha suas dúvidas e precisou convocar uma reunião de emergência para discutir o assunto. Como a filha de parlamentar gostava de ficar atrelada a alguém, Matt teve a ideia de fazer com que a atenção dela se desviasse o foco de relacionamentos para outras atividades que demandassem tempo, como aulas de direção e um horário na academia de Marcus para que ela própria começasse a ensinar passos de dança para a criançada da cidade: assim ela se sentiria menos solitária e poderia pensar em voltar a se relacionar com alguém mais confiável. E para a surpresa de todos, ela começou a ter um caso com um professor de musculação que tinha a "ficha limpa", em outras palavras: não era botão, mas e também não era fã do governo.
Kurt seguiu a rotina quase inalterada. Na escola fazia a cena com Quinn. Os dois se abraçavam, se beijavam até mais do que quando a beard era Rachel. Fora do ambiente de McKinley, Kurt caía nos braços de Blaine. Quinn caia nos braços, e nos lábios, de Rachel. As duas estavam sendo bem-sucedidas na proposta de conduzir o namoro com calma e parcimônia: gostavam de ficar juntas, de conversarem e de trocar carícias quando estavam em casa. Mas para Quinn, beijar e tocar Rachel de um jeito PG-13 estava ficando cada vez mais difícil. Ela queria ir além, queria tocar em Rachel no lugar que ainda não tinha acesso. Desejava penetração, provar o gosto da namorada. Mas o problema era que ainda não teve a oportunidade para criar o clima ideal para a primeira relação: e ela queria que a primeira vez de Rachel fosse especial. Enquanto isso, tentava conter a crescente frustração com brinquedos que se podia comprar de forma clandestina. Quinn só desejava que ela e Rachel pudessem ter esse momento antes de ela ser chutada para fora do país, como já havia sido avisado.
Matt finalmente foi chamado para um segundo círculo, mas era um grupo diferente do que Rachel estava inserida. O trabalho dele essencialmente burocrático. Era algo que ele gostava de fazer e ainda começaria a ganhar a ajuda para ganhar uma bolsa no curso de gastronomia que os pais não tinham condições de financiar na totalidade.
Sam finalmente ganhou seu botão eletrônico que lhe garantia acesso a sede dos Botões que ficava no centro da cidade, debaixo da pizzaria. Seguindo a dica de Santana, Rachel mandava Seban hackear os computadores dos camisas marrons de McKinley mais com o propósito de monitorá-los. Caso descobrisse algo mais, seria um grande ganho. Puck conversava muito com o senhor Collins, que eles sabiam ser o organizador do grupo naquela cidade. Finn via muita pornografia e Artie assistia muitos vídeos de rappers. No fundo, não era um sujeito politizado. Estava com os camisas marrons mais por fazer parte de um grupo popular do que pela ideologia.
Sam se ocupava com a música, em ajudar Rachel quando ela pedia, com os afazeres do círculo, em fazer bicos para ajudar os pais em casa, e em realizar as pequenas tarefas que às vezes chegavam ao círculo raso. Sam tinha perfeito entendimento que o papel dele ainda era mínimo diante do que eram os botões. Uma das melhores qualidades dele era a paciência. Fazia a parte dele e quando fosse o tempo de ser mais: seria mais.
Naquele dia em que Rachel recebeu a notícia da viagem, ela voltou exausta da sede dos Botões para casa. Tudo que queria era colocar as pernas para cima e dormir um pouco, mas eis que encontrou Matt e Quinn inusitadamente se divertindo na pequena cozinha colada na sala. O rapaz segurava uma bacia e mexia o conteúdo vigorosamente com um fuxico. O cabelo dele estava sujo de farinha, assim como as roupas de Quinn e parte do chão. Havia latas de cerveja sob o balcão no meio de uma bagunça. E os dois riam alto.
"O que está acontecendo aqui?" Rachel falou pausado, desconfiada, e com ciúmes quase que transbordando em seu tom de voz.
"Bolo de cerveja de microondas!" Quinn ergueu uma lata e bebeu um pouco mais o conteúdo. Só então foi até a namorada e a beijou na boca. Rachel pôde ver que Quinn estava em bom espírito e por isso não quis quebrar o clima com uma discussão motivada pelo ciúme inútil. Além disso, não achava que Quinn seria capaz de traí-la e nem que Matt furaria os olhos dela. De qualquer forma, Rachel fez questão de mostrar que aquela divina loira era dela com um beijo longo e bem aplicado.
"Vocês serão minhas cobaias." O garoto disse depois que o beijo foi rompido e continuou a misturar a massa.
"Ok..." Rachel achou melhor nem perguntar e foi direto para o quarto.
Tomou um banho e vestiu-se em confortáveis roupas velhas de ficar em casa. No caso um short de malha e uma camisa velha. O tal bolo estava no micro-ondas enquanto Quinn e Matt conversavam animadamente enquanto arrumavam a bagunça.
"Matt é um piadista!" Quinn cutucou o amigo. "Não conhecia esse lado dele."
"Humor é importante!" Matt piscou para Rachel.
Mais uma vez, Rachel sentiu o ciúme em ebulição. Mas não era o estilo dela fazer escândalos. Sentou-se no sofá e verificou a televisão. Havia a reprise de uma novela em um dos canais: justamente uma que ela detestou. Por ser um país sem liberdade de expressão e com os canais de comunicação censurados, não havia muitas alternativas no entretenimento televisivo: havia poucos canais, sendo um estatal e outro esportivo. Novelas eram a especialidade do terceiro canal, e aquela em particular era notória pela má atuação e história absurda. Era uma vez um trabalhador que era apaixonado por uma moça virginal, mas que passava a maior parte da novela com a mulher fatal e ardilosa que destruiria o mundo para ficar com o herói da trama. Rachel virava os olhos com os discursos sexistas e misóginos inseridos na trama, mas que, de fato, refletia na sociedade em que por mais que as mulheres fossem "independentes", elas nunca teriam o mesmo valor de um homem. Isso se refletia na desproporção entre homens e mulheres nos campos acadêmico e profissional.
Zapeou para o outro canal: era horário do principal noticiário da rede estatal. O comentarista criticava a ação "de vandalismo" de alguns jovens na capital que picharam a praça em frente ao parlamento com mensagens de protesto na noite anterior. O bravo conservador defendia que o governo deveria uma melhor forma de se realizar esquemas de toques de recolher mais eficientes também nas metrópoles, e elogiou o rigor da segurança nas cidades do interior. Na reportagem seguinte mostrou uma ação de um grupo de jovens camisas marrons promovendo um evento de caridade num bairro pobre da capital. A questão é que os bairros pobres se multiplicavam em todas as partes.
Falou da economia. O governo parlamentar estudava ampliar gradualmente o fornecimento de vistos de saída com os países do Sul. Na prática, só os mais ricos tinham esse visto, porque eles era os únicos com um bom motivo para voltar: seus bens. O plano articulado pelo parlamentar Pierce era conceder mais vistos de entrada a fim de reaquecer a indústria do turismo. Os empresários do setor teriam alguns meses para se reestruturar com a ajuda do governo. Os vistos de saída da população geral ficariam para uma segunda etapa do processo. Era uma maneira gentil de dizer que o confinamento forçado duraria um pouco mais. Rachel já imaginava as filas sem-fim para se conseguir um carimbo de autorização de saída no passaporte nos postos de migração e também o processo burocrático violento. Sair era privilégio de poucos e tinha impressão que mesmo com a "reabertura" continuaria sendo assim porque sabia que os preços de retirada de passaporte, vistos e passagens aéreas seriam tão caros quanto eram na atualidade. Foi duro ver a imagem na TV do parlamentar Pierce cumprimentando o premier Brooks. De qualquer forma, Rachel sabia que era coisa da política e estava orgulhosa em ver o trabalho duro de um dos maiores botões do país. Voltar a permitir a entrada de turistas comuns era uma alternativa de renda muito importante.
"O lanche está servido!" Quinn a tirou do mundo da lua com um beijo no rosto. "Deixe isso para lá, baby. Isso só nos deixa depressivos."
Rachel desligou a televisão, ligou o rádio e foi arriscar-se no lanche preparado pela namorada e pelo amigo. O bolo ainda estava quente, mas realmente era delicioso. Melhoraria ainda mais pela manhã acompanhado de café quentinho em vez do suco sem doce que Quinn preparava. A fome a fazia engolir qualquer coisa. Os três falaram bobagens até que a "hora avançada", eram oito horas da noite, fez com que Matt tivesse de se despedir. Oportunidade para que Rachel jogar um olhar inquisidor para a namorada.
"Não é que não tenha gostado da companhia, mas o que Matt estava fazendo aqui sozinho contigo?" Rachel ficou confusa quando ganhou um sorriso de Quinn.
"Eu sabia que você ia perguntar a respeito tão logo ele saísse por aquela porta. Às vezes você é muito previsível, Berry!"
"Então?" Estalou os dedos impaciente.
"Eu liguei pro Matt. Disse que você estava estressada e perguntei se podia encomendar uma das tortas deliciosas que ele era capaz de fazer. Ele então disse que poderia fazer aqui mesmo e que não cobraria nada por isso. Então ele apareceu, fez algumas gracinhas e você chegou." Rachel lhe dirigiu um olhar de que não acreditava uma vírgula daquilo. "Olha, acredite no que quiser. Matt é um cara divertido quando quer, mas ainda estou mais interessada em descobrir todo o potencial que o meu relacionamento com uma certa garota de gênio forte pode reservar." Quinn passo a ponta dos dedos pelo corpo de Rachel, começando pela ponta do queixo, passando preguiçosamente pelo pescoço, esbarrando em um dos seios, até que ela pudesse finalmente abraçar a namorada e beijá-la sensualmente.
Rachel sentiu o corpo ficando mole, bambo, reação que era cada vez mais comum ao toque de Quinn. Vendo que a namorada estava completamente vencida, Quinn aproveitou para subir a camisa de Rachel o suficiente para sua mão entrar e seus dedos brincarem com o abdômen firme devido não apenas à pratica do atletismo, como também ao treinamento extra que Rachel recebia no círculo superior dos botões. As duas aproveitavam imensamente as sensações causadas pelo toque. Rachel também se sentiu encorajada a fazer o mesmo e suas mãos entraram por baixo da blusa de Quinn. A garota mais experiente conduziu a namorada até o sofá e tirou a camiseta dela no processo. Até aí nada de novo, nem mesmo quando Quinn tirou a própria blusa. Então se encaixou entre as pernas da namorada, procurando fazer com que suas peles ficassem sempre em contato. Quando quebrou o beijo e ergueu o troco, encarou a namorada.
"Posso tirar o meu sutiã?"
Rachel acenou positivo. Quinn sorriu e tirou o pedaço do vestuário, deixando os seios livres. Pegou as duas mãos da namorada e as conduziu até os seios, mostrando, pela primeira vez, a forma como ela gostava de ser massageada. Rachel, com a respiração ofegante, procurava ser uma boa aprendiz em como satisfazer a namorada: de todas as tarefas que ela tinha, aquela era certamente a melhor.
"Beije meus seios, por favor."
Rachel, mesmo que hesitante e até um pouco desajeitada, levou um dos seios a boca e ali foi aprendendo com a namorada a arte de fazer amor. Quinn estava adorando o momento professora, ao mesmo tempo quer travava uma batalha contra si própria para manter as coisas naquele ritmo de lento para moderado. Não queria assustar a namorada ou fazer como que ela se sentisse pressionada a transar. Deixou que Rachel explorasse o seu corpo com bem quisesse, e a líder, que naquele momento era aprendiz, ora beijava os seios, ora apenas os massageava quando os lábios de Quinn grudavam os dela.
"Posso tirar o seu sutiã?" Quinn perguntou sussurrando no ouvido da namorada, mordiscando a orelha em seguida. Ok, ela sabia que aquele era jogo sujo.
Rachel não tinha mais tanta resistência assim e apenas levantou o tronco suficiente para que Quinn retirasse a peça de roupa de Rachel, que se sentiu insegura por um instante, apesar de toda excitação. Terminou por cobrir os seios com as próprias mãos num reflexo de insegurança. Quinn gentilmente afastou as mãos da namorada e sorriu.
"Você é linda. Seu corpo é lindo. Não o esconda de mim."
Quinn tocou delicadamente na lateral dos seios da namorada e inclinou-se para beijá-la. Enquanto isso, no processo, pacientemente, suas mãos iam explorando o corpo da namorada, fazendo com que Rachel se sentisse sempre bem e, melhor ainda, com vontade de prosseguir. Quinn foi descendo os beijos da boca para o pescoço, e do pescoço para os ombros, e dos ombros para os seios. Rachel deu um salto quando a boca quente da namorada começou a gentilmente chupar seus mamilos. Ela jurou que viu estrelas.
Enquanto Quinn apreciava a maciez dos seios da namorada e a sensação dos mamilos ficarem rígidos pelo toque e pelo prazer, uma mão desceu o corpo da namorada até a cintura, onde ficava o elástico do short. Ficou brincando com o elástico, avisando que seus dedos gostariam de ir mais abaixo.
" Quer ir para o quarto?" Quinn perguntou.
Era a hora da verdade e Rachel sabia muito bem disso. Ou ela parava tudo ali mesmo e depois resolvia o problema da umidade entre as pernas sozinha em seu próprio quarto, ou ela deixava que a namorada fizesse isso por ela pela primeira vez. Mas estaria mesmo preparada? Rachel parou as carícias e Quinn a respeitou, mesmo que ainda estivesse sobre a namorada, aguardando por uma resposta.
"Por favor, vá devagar."
Quinn sorriu e se levantou do sofá, puxando Rachel consigo. As duas caminharam até o quarto de Quinn de mãos dadas. Quinn abriu um sorriso genuíno e voltou a beijar Rachel. E assim, ainda a beijando, foi empurrando gentilmente a namorada até a cama. Uma vez que Rachel estava deitada de costas, Quinn retirou de uma só vez o short e a calcinha da namorada. Levou o próprio tempo para apreciar o corpo da namorada. Rachel tinha um corpo pequeno, mas que era absolutamente proporcional, perfeito. Os pelos do sexo de Rachel estavam um pouco longos, sinal de que Rachel não os aparava há algum tempo. Quinn não se importou. Retirou as últimas peças da própria roupa e, gentilmente foi se encaixando por cima do corpo da namorada.
A penetração não aconteceu de imediato. Quinn decidiu que o melhor era esperar um pouco até que Rachel se sentisse à vontade com a própria nudez. Então as duas brincaram um pouco, em carícias trocadas até o momento em que a própria Rachel decidiu que era o bastante.
"Quinn... por favor..."
Quinn sorriu e levou a ponta dos dedos até o sexo da namorada. Rachel estava tão molhada que a ponta dos dedos de Quinn não conseguiam se fixar na pele, e ela adorou que tivesse criado tão condição. Ali, as pontas dos dedos deslizaram sobre a pele que envolvia o clitóris de da namorada, levando Rachel a dar saltos involuntários de prazer.
Quando decidiu que era o bastante, Quinn penetrou a namorada com dois dedos. Rachel não foi capaz de se lembrar de muita coisa naquele instante, tamanho era o prazer que sentia. Mas uma coisa teve certeza, sexo com outra pessoa, especialmente alguém que ela aprendeu a amar e confiar, era muito melhor do que todos os seus momentos solos juntos.
Do lado de Quinn, o momento foi revelador: fazer amor pela primeira vez era mil vezes melhor do que todas as relações sexuais que tinha tido antes. E sim, ela era definitivamente gay: finalmente estava com aquele alguém que tanto almejava. Claro que ela adoraria preparar uma noite planejada e romântica para a primeira vez de Rachel, mas o jeito absolutamente espontâneo que aconteceu também foi maravilhoso.
...
Depois de uma manhã rotineira, Rachel arrumou uma mochila, colocou o suporte para a pistola que deixava a arma escondida dentro da jaqueta. Ela odiava ter de viajar, especialmente depois da noite mágica que teve com a namorada. Se pudesse, passaria o resto do dia na cama com Quinn, explorando, fazendo amor, ou poderia simplesmente ficar abraçada a namorada, dormindo de conchinha. Mas não podia.
"Você tem mesmo que viajar?" Quinn a abraçou por trás e beijou o pescoço de Rachel.
"Eu preciso." Rachel virou-se para beijar rapidamente Quinn. E tinha de ser uma carícia curta, ou ela poderia perder as roupas a seguir. "Vamos continuar de onde paramos quando eu voltar."
"É bom mesmo, senhorita Berry."
"Fique bem."
Rachel pegou a mochila e foi o tempo de ouvir a buzina da caminhonete de Ayala. Pegar a estrada com o colega botão do círculo mais interno era sempre uma experiência única. Era como estar ao lado de um sujeito latino de traços bem fortes. Só que em vez de jeans e camiseta xadrez, ele usava uma camiseta do Kali-Ma, que era aquele vilão que arrancava o coração dos outros no filme do Indiana Jones. Em vez de música country, o rádio tocava trilha sonora de videogame ou Iron Maiden, por mais estranho que pudesse parecer. Mas Ayala, por si só, era um sujeito estranho. Ele conhecia tudo sobre o mundo dos quadrinhos e era o principal importador clandestino das obras de Alan Moore.
Rachel se lembrava da primeira vez em que ela teve contato com uma dessas revistas (edição econômica, porque Ayala tinha as de luxo num cofre). Achou que era pornografia pura. De fato era porque foi ler logo "Lost Girls". Depois leu "Watchmen" com muito receio, mas até que gostou. Não que Ayala fizesse propaganda dessas obras. A verdade é que ele mal falava, e ali era outro aspecto marcante da personalidade dele: um nerd caladão que era um atirador extraordinário. Rezava a lenda que ele foi quase a uma olimpíada para competir no tiro ao alvo.
"Onde você arruma essas camisetas?"
"Na China." As respostas eram sempre assim: curtas e diretas.
"Mas como?"
"Importando. Quer uma?"
"Eu não... talvez Sam... acho que ele adoraria já que é vidrado nessas coisas de quadrinhos. Acho que Seban também iria gostar."
"Sam lê muitos quadrinhos do Justiceiro, e fala em klingon com outro garoto que freqüenta a gibiteca."
"Klingon é aquela criatura da cara enrugada de Star Trek?"
"Hlja."
"Isso é klingon?"
"Sim."
"Eu odeio vocês nerds."
Não pararam na viajem por causa do horário e do toque de recolher. Chegaram em Dashtown numa região onde concentrava galpões e fábricas. Rachel foi a cidade poucas vezes e certamente nunca esteve naquela parte. O destino final era uma espécie de depósito de uma fábrica. Havia pequenos caminhões com logo de uma indústria alimentícia por ali. Passaram pelo vigia, que abriu a cerca de arame que rodeava o lote, e estacionaram. Lá dentro, Rachel pôde constar que se tratava mesmo de um depósito de empresa, mas num canto discreto também tinham algumas pessoas reunidas num trabalho que nada tinha com comércio.
Ayala cumprimentou as pessoas por lá. Parecia ser querido. Então voltou-se a Rachel e a apresentou a alguns dos botões de Dashtown, Kaldor e Granado. Percebeu que ela era a mais nova do grupo de 15 pessoas. Também era uma das poucas mulheres. Além dela havia mais duas de porte físico avantajado mais pela obesidade do que pela musculação. Imediatamente, Rachel virou mascote. Ficaram quase uma hora à toa até chegar um caminhão no pátio. Era o que trazia as correspondências. O trabalho imediato era descarregá-lo e colocar as correspondências num canto reservado. Rachel ficou surpresa que não eram apenas cartas e pequenos pacotes. Também descarregaram caixas grandes e pesadas. O trabalho ali não era apenas correio.
O serviço foi madrugada à dentro. Havia uma mesa de comida e bebida que os 15 visitavam de vez em quando, um rádio que estava ligado a um volume suficiente apenas para as pessoas lá dentro apreciarem. Muita coisa ali era destinada ao abastecimento das próprias sedes. E Ayala era o separava as caixas para Lima. Rachel as duas mulheres e mais dois homens trabalhavam em cima dos envelopes pré-selecionados e separavam as cidades. Rachel não cuidava só de Lima. Ela tinha de ajudar em tudo. Teve dificuldade no início, mas não demorou para entender o sistema.
Também gostou de conhecer um pouco das histórias de cada pessoa. Uma das mulheres, por exemplo, Ava Priesley, era publicitária e estava nos botões há 12 anos. Ela tinha um filho de 16 anos que foi morto pelos agentes porque ele foi preso grafitando após o toque de recolher. O garoto gostava de skate e não era ligado a política. Era só um adolescente cometendo um pequeno ato de rebeldia inerente à idade. A princípio ela se culpou achando que o filho morreu por ela ser um botão. Depois viu que não, que a tragédia um ato de ignorância puro e simples. Ela contribuía com os botões com coisas mais cerebrais, mas pediu para fazer aquele tipo de serviço porque era uma terapia melhor. E assim permanecia há quatro anos. Já outros estavam ali apenas porque era um serviço que deveria ser feito e nada mais.
Rachel ficou muito tempo se perguntando o que tinha de importante naquele serviço. Por que Reynolds era tão melindroso com o assunto dos correios. Os arquivos de Santana explicavam aquilo com absurda seriedade. Mas só ali, com a mão na massa, é que ela pôde sentir o peso da importância era a informação que passava nas mãos dela sem ao menos perceber. As pessoas que trabalhavam naquela área tinham de ser as mais confiáveis. Imagine aquela quantidade de material caindo nas mãos dos agentes do governo? Arruinaria toda uma estrutura, pessoas seriam presas e possivelmente mortas, demoraria muito tempo para que uma ordem pudesse ser restabelecida.
O que aconteceu no centro de Kaldor foi gravíssimo. Pela narrativa de Santana, o trabalho estava quase finalizado quando os agentes invadiram o local. Houve trocas de tiros. Foi quando Santana matou seres humanos com a pistola pela primeira vez na vida. No meio da confusão, ela só pensava em dar o fora dali. O grupo de cartas de Lima estava separado. Ela empurrou as cartas para dentro da mochila e saiu engatinhando entre as esteiras da fábrica que ensacava grãos. Cruzou com um companheiro na busca de uma saída. Ele tinha granadas em mãos e ia explodir tudo para proteger o segredo das informações. Santana arregalou os olhos e tratou de correr entre as trocas de tiros para fora do galpão. No caminho, atirou num agente a queima roupa e correu em direção ao pouco de mata preservada que existia junto à plantação de milho. Era ali que guardava a moto.
Quando alcançou o veículo, viu a explosão. Tudo aquilo estava indo pelos ares. Empurrou a moto até fim da pequena faixa de mata e escapou fazendo um verdadeiro enduro por entre as chácaras. Esbarrou num tronco caído, voou por cima da moto, caiu em cima do mato e saiu rolando. Tudo estava escuro. Cambaleante, levantou-se, tirou a moto com dificuldade. O veículo não havia sofrido nenhum dano grave, que impedisse de continuar funcionando. Alcançou a estrada no raiar do sol e dirigiu de volta para casa cheia de dores e sem olhar para trás. Nas costas, a mochila suja de terra com o que restou daquela remessa de correspondências. Entre elas, as cartas que Shelby enviara à filha. O usual companheiro de Lima, Steve, foi um dos que morreram no local. Dos botões, só Santana e um companheiro de Dashtown sobreviveram.
Rachel pôde sentir melhor o peso daquela história que leu no computador, mas que bem antes testemunhara o estado físico e emocional que a ex-líder se encontrava ao sobreviver.
O sobrevivente de Dashtown estava ali naquela equipe de 15 que agora ela se incluía. Jordan Hart era um homem de 34 anos. Barba rala e cabelos grandes. Era um homem calado e observador. Fazia o trabalho com concentração única e parecia nunca estar confortável. Rachel o admirou à distância.
"Não vamos parar um pouco?" Estava tão cansada que via as letras embaralhadas.
"Pode dormir um pouco." Disse Ava.
Rachel acenou e encostou-se no sofá meio desconfortável que tinha por ali. Estar com uma pistola junto ao corpo não ajudava nada em encontrar uma posição. Foi acordada por Ayala não sabe dizer quanto tempo depois.
"Estamos indo para a sede".
"De Lima?"
"De Dashtown. De pé menininha."
Entraram na caminhonete ainda não carregada com a correspondência e foram até o centro da cidade. A sede de Dashtown ocupava um prédio inteiro de sete andares, que era um hotel. O último andar era o centro social. Era um lugar muito bem decorado e grande. Mas era bem menor do que o de Lima. Os botões foram acomodados nos quartos e passaram o dia descansando nos quartos, discutindo política, comentando sobre a vitória de Pierce em abrir as fronteiras para a retomada do turismo. Joyce Kleist, que estava por lá na sede, comentou que a irmã naturalizada cidadã de Illinois agora tinha a chance de voltar para visitar a família que deixou para trás quando fugiu há quase dez anos. E que aquilo era razão de muita ansiedade e alegria. Voltaram para a fábrica à noite, antes do toque de recolher e carregaram os veículos com as encomendas. Numa olhada no que tinha para Lima, Rachel sorriu ao ver carta de Shelby e também de Santana. Duas na verdade. Uma para os pais dela e outra para o círculo. Ficou ansiosa para chegar em casa e contar a novidade para todos.
