N/A:Espero sinceramente que todas vocês me perdoem pela ausência, as coisas estiveram um pouco difíceis por aqui. PS: ENJOY!
Lembram que eu falei sobre postar sem correção a correção da Vic? Pois bem, isso agora é algo definitivo.
Por isso peço paciência, e se notarem qualquer erro e que por mim passou despercebido me avisem, ok? Conto com a ajuda de vocês.
Eu realmente já tinha 3 capítulos concluídos e prontos para postagem, mas eu precisei tirar um tempo pra revisar e minha criatividade pareceu ter me abandonado por uns tempos. Mas felizmente ela voltou! *-*
A fic vai seguir apenas comigo, espero que não se importem, mas por motivos que não vem ao caso mencionar, Vic não está mais conosco.
Peço paciência, porque ainda faltam muitas coisas para mim revisar, ou seja, as postagens podem demorar um pouco.
Peço também que continuem comigo, porque não vou abandonar a fic... ainda tem muitas coisas que precisam ser contadas em secrets.
Me despeço aqui e prometo voltar em breve, espero que gostem do capitulo, e que deixem suas opiniões. Opiniões são muito importantes!
Amo todas vocês.
Angel.
~Terceira Pessoa Narrando ON.~
Angel estava confortavelmente acomodada na poltrona em frente a lareira acesa, estava particularmente frio naquele dia, e a sala comunal estava deserta. Todos pareciam ter algo para fazer, ou simplesmente estavam aproveitando as últimas horas das ferias de inverno que restavam.
Todos, menos, Angel. A ideia de sair, a deixava tão apavorada quanto a ideia de voltar as aulas na segunda-feira. Então ela permanecia ali, sentindo-se inquieta, e tentando não pensar em Scrimgeour, ou em Snape.
Ela suspirou ruidosamente quando encarou a xícara de chá fumegante que segurava entre as mãos. Passara, praticamente todos os dias daquelas ferias da mesma forma. Não saia da sala comunal para nada, e evitava tudo e todos.
A única com quem conversava era Victória, mas as conversas já não eram tão frequentes e Angel irritava-se facilmente com a amiga que ficava insistindo na ideia de que ela deveria sair.
Sua mãe começava a achar que ela estava doente... e ela própria pensava que talvez realmente estivesse, mas não era nada que Madame Pomfrey pudesse consertar.
Chegava a um ponto em que não conseguia mais ler, ou se distrair com o que quer que fosse. E até mesmo suas noites de sono estavam completamente arruinadas por todos aqueles pensamentos e dúvidas.
Ela fechou os olhos, e inalou o doce perfume que exalava do chá. Pela milésima vez pensou que precisava parar de se torturar com todas aquelas coisas. Ela não merecia aquilo.
Deveria esquecer as insinuações de Scrimgeour sobre saber quem ela era, e também deveria esquecer Snape e tudo o que ele representava.
Tinha que Ignorar seus sentimentos, sufoca-los até a morte.
Mas a questão era, como matar algo que está dentro de si? Algo que ela nem ao menos sabia como havia chegado lá.
Queria poder voltar a sentir aquela mesma indiferença de antes. Ela queria poder odia-lo, e as vezes, mas só as vezes, ela acreditava que realmente o detestava. Mas bastava uma mera troca de olhares para que tudo fosse por água a baixo outra vez...
Os devaneios de Angel foram interrompidos por uma serie de estalos e batidas, vindos do que parecia ser o outro lado da porta de entrada da sala comunal.
O barulho a assustou, e a repentina agitação fez com que ela deixasse cair algumas gotas do chá fervendo nas mãos.
- Ai! - Exclamou a garota largando a xícara na mesa de centro a sua frente.
- Porta idiota! - Xingou Charlotte Thorne tornando-se visível. - Angel! Graças a Merlin que eu encontrei você! - Sua voz estava um pouco falha, a garota parecia ter corrido para chegar até ali. - É uma sorte que você esteja aqui...
- E onde mais eu estaria? - Disse Angel retoricamente.
- Eu sei que você não tem saído, que anda indisposta e... E que isso não é da conta de ninguém, mas pensei que talvez pudesse dar um jeito na confusão que esta tendo no salão principal. - Disparou Charlotte apressada. Angel ficou de pé em um único salto. Milhões de coisas insanas passaram pela sua mente.
- O que? - Perguntou atordoada.
- Draco e Victória estão... - Angel não deixou que ela terminasse a frase, e passou por Charlotte como se estivesse montada em sua Firebolt. - Achei que deveria saber. - Comentou a garota para o nada antes de sair correndo atrás de Angel.
Angel McGonagall não ligou para os olhares estranhos enquanto ela corria pelos corredores, a única coisa que lhe importava era chegar ao salão principal antes que Draco e Victória fizessem algo de que mais tarde pudessem se arrepender.
Ao longe ela podia jurar ter ouvido alguém chamar o seu nome, mas naquele momento não havia tempo para conversar com quem quer que fosse.
A situação deveria estar critica, e ela realmente precisava chegar a tempo de impedir uma catástrofe.
Ela correu por mais alguns corredores, e bastou passar pelas enormes portas de carvalho para ver a multidão e ouvir os gritos de Malfoy.
Angel atravessou a multidão, e lá estavam Draco e Victória. Ambos vermelhos e com punhos cerrados.
- O que esperava que eu fizesse? - Respondia Victória parecendo ser a mais controlada dos dois. - Que a amarrasse em uma cadeira e a ameaçasse de morte caso ela tentasse publicar uma matéria que manchasse o seu precioso nome? - Mas Angel logo percebeu que ela estava incrivelmente furiosa, e pensou que se Draco tivesse o minimo de bom senso, teria corrido o mais rápido que pudesse para longe dela.
- Eles vão matar um ao outro! - Exclamou uma lufana parecendo apavorada.
Angel ainda estava sem entender o motivo de tanto alvoroço, até que Luna apareceu ao seu lado e gentilmente entregou a ela uma exemplar do que seria o profeta diário do dia seguinte.
A capa era Lúcio Malfoy, acorrentado e cercado por dementadores, e logo acima um titulo que era no minimo desrespeitoso. "Lúcio Malfoy o discípulo de Quem-Não-Deve-Ser-Nomeado, ou melhor, mais um boneco alienado por este tal homem". Estava sobre a assinatura da Mãe de Victória. E ainda havia um pequeno bilhete anexado ao jornal, onde Anastácia desejava a Draco uma boa leitura.
Sua madrinha definitivamente passara dos limites.
- COM ISSO MINHA FAMÍLIA ESTÁ ARRUINADA! - Berrou Draco. Ele estava ficando ainda mais vermelho. - SUA MÃE HUMILHOU MEU PAI. JOGOU NOSSO NOME NA LAMA! - Ele continuou.
- PORQUE ESTÁ GRITANDO COMIGO? - Victória alterou-se também. - Você é tolo por pensar que ela é a causa de toda a sua desgraça. - Ela respirou fundo antes de continuar. - Ela pode ser uma louca, e pode ter escrito todas essas bobagens, mas não se esqueça de que seu pai está apenas pagando pelos atos impensados. Pare de tentar jogar a culpa em cima de outros. - Draco bufou de raiva. - Você fala de humilhação, como se fosse alguma especie de santo. Me diga Draco, quantas vezes você e seu papai HUMILHARAM pessoas que vocês julgam serem inferiores a vocês? - Draco não respondeu, Victória sorriu, sentindo-se vencedora. - O seu silencio diz tudo! Parece que terminamos essa conversa aqui, levando em conta a sua falta de argumentos, eu venci.
- Quem você acha que é para falar comigo desse jeito? - Perguntou ele sarcasticamente. - Quem sua mãe pensa que é para escrever aquele artigo nojento?
- Quanto a minha mãe, eu não sei... Mas eu sou alguém com cérebro e que ao menos assume as próprias responsabilidades ao invés de jogar a culpa em outra pessoa. - Respondeu Victória com um sorriso cínico no rosto. Malfoy estava prestes a partir para cima dela quando Angel pulou entre os dois.
- Já chega de show! - Disse ela de forma autoritária.
- Isso não é com você McGonagall. Saia da minha frente. - Disse Draco irritado.
- Dê meia volta, e vá embora Draco. Conversaremos mais tarde, quando estiverem calmos. - Angel permaneceu firme.
- Eu estou calma! - Protestou Victória.
- Oh, isso é perceptível. - Comentou Angel sem muita emoção, virando-se de costas para Draco e indo na direção de Victória. Precisava tira-la dali.
Mas Draco continuou.
- Você não entende! - Zombou ele. - Angel McGonagall nem se quer deveria andar com essa sujeitinha! - Angel parou, e virou para encara-lo incrédula. Ele queria mesmo seguir com aquilo? - Ela é exatamente com a mãe. VOCÊS SÃO IGUAIS! - Malfoy avançou na direção de Victória e apontava-lhe o dedo de forma acusadora. - E VOCÊS DEVEM SABER QUE ELA APENAS VIVE PORQUE CARREGA O SANGUE DO PAI. - Ele voltou-se aos demais rindo. - No fundo, não passa de uma sujeitinha de sangue ruim. - Temendo o pior, alguns garotos da Corvinal trataram de segurar Victória, mas ninguém foi ágil o suficiente para segurar Angel quando ela avançou na direção do sonserino a sua frente.
Ela cerrou os punhos e voou para cima dele. O primeiro e o segundo soco atingiram Draco no nariz, ele não teve tempo de defender-se, ou apenas não queria. Angel o estapeou mais algumas vezes até que outros garotos foram segura-la.
- DEVERIA TER PARADO QUANDO EU MANDEI! - Gritou a garota, sentindo sua mão arder.
Draco permanecia agachado no chão, amparado por alguns sonserinos. Estava incrivelmente pálido, e seu nariz jorrava sangue.
Victória que já havia se soltado, passou por Angel calmamente, e parou bem em frente ao garoto.
- Me escute, e guarde bem estas palavras Malfoy... VOCÊ e essa sua corja não são melhores do que eu, e nem do que ninguém neste salão. Pare de agir como se fosse superior, você não é nada. - Disse Victória com desprezo.
- Mas o que está acontecendo aqui? - Minerva McGonagall estava parada bem diante deles e ela trazia consigo Snape e Flitwick. - O que aconteceu com o Senhor Malfoy? - Disse ela sendo a primeira a notar o estado em que o garoto estava.
- Você fez isso? - Snape avançou na direção de Victória.
- Não! - Respondeu a garota irritada.
- Eu fiz. - Angel estava livre dos braços que a seguravam e agora estava parada em frente a Snape, com a mão direita banhada em sangue, doendo como se estivesse quebrada. - E ele mereceu! - Snape a encarou pela primeira vez e ela estremeceu com aquele olhar.
Já ele parecia firme e indiferente.
- Não há mais nada que fazer aqui! Voltem para os seus afazeres, bando de enxeridos! - Ordenou Snape ao grupo de alunos que rapidamente se desfez.
- Angel! - A voz severa de Minerva chamou sua atenção. - Olhe o estado em que você o deixou! Levem o Senhor Malfoy para enfermaria, por favor! - Disse ela aos sonserinos que permaneciam junto do garoto. Apoiando Draco, eles o ergueram e partiram rumo a ala hospitalar. - E o que eu devo fazer com você! - Minerva dirigiu-se a filha, parecendo completamente desapontada.
- Faça o que quiser, mas eu não vou me desculpar. - Disse Angel decidida. - Ele estava desrespeitando a Victória, chamando-a de sangue ruim. - Argumentou a garota. Ela olhou para o lado, mas Victória não estava mais lá. - Eu teria partido-o ao meio se não tivessem me impedido.
- Por Merlin Angel! O que você estava pensando? - Minerva suspirou ruidosamente. - Eu não posso tomar partido disso. - Disse ela parecendo cansada. - É justo que seja Snape quem decida o que fazer, já que o aluno prejudicado pertence a sua casa.
- Em primeiro lugar... - Ele começou calmamente. - Acredito que antes de mais nada seja necessário que a senhorita também vá até a enfermaria. - Ele encarou Minerva e depois Angel. - Sua mão não me parece estar em bom estado. - A calma dele começava a irrita-la. - E obviamente, você está em detenção senhorita McGonagall, detenção com Filch. Eu a manterei informada sobre os detalhes e vou me certificar de que ele não a coloque em tarefas muito pesadas por causa da sua mão. - Ele sinalizou na direção da mão dela e agora ela sentia vontade de soca-lo da mesma forma que havia feito com Malfoy.
- Que seja. - Ela deu as costas a ele sem nem ao menos olha-lo outra vez. Definitivamente precisava esquece-lo.
- Angel! - Minerva a repreendeu. - Onde você vai?
- Para a enfermaria. - Respondeu a garota sem nem ao menos virar-se.
Angel seguiu andando, e a julgar pela forma como a encaravam ela deveria estar um caos.
Ela sentia o coque mal feito se desprendendo, mas não ligava para isso.
Estava mais preocupada com sua mão que latejava, doía e ardia.
Começava a pensar que talvez tivesse reagido de forma muito violenta. Estava certo que Draco Malfoy merecia uma boa surra, mas isso não significava que ela deveria quebrar a mão tentando faze-lo.
Quase sem perceber ela passou pelas portas da ala hospitalar da escola e foi recebida por uma Madame Pomfrey nada feliz.
- Eu estava esperando por você! - Esbravejou a enfermeira. - Eu já terminei de consertar a sua bagunça mocinha e espero que não volte a fazer outra dessas! Onde já se viu! Você é uma bruxa ou um moleque de rua? - Ela continuou de forma furiosa, Angel apenas andou até uma das macas e sentou-se em silencio. - Deixe-me ver isso. - Disse Pomfrey puxando a mão da menina de forma nada delicada.
- Ai! - Exclamou Angel.
- Não reclame! Você mesma buscou isso. - Disse a enfermeira examinando a mão ensanguentada com a varinha. - Você deslocou o pulso e ainda por cima rachou um osso... Isso sem falar nos cortes superficiais. - Disse ela repousando a mão de Angel sobre a maca. - Temos que limpar essa sujeira, e vou imobilizar a sua mão por alguns dias.
- Alguns dias? Ai! - Exclamou Angel outra vez enquanto Pomfrey limpava os ferimentos com uma poção anticéptica. - Não pode simplesmente me dar uma das suas milagrosas poções e fim da história? Não acredito que tenha imobilizado o nariz do Malfoy...
- E não imobilizei. Mas se eu conheço bem, a senhorita não vai evitar esforço... Vive carregando livros para cima e para baixo. - Angel começou a rir com o comentário da enfermeira. - Acha isso engraçado? - Pomfrey virou um pouco mais de poção na mão da menina o que fez com que ela ardesse ainda mais.
- Está me punindo! - Constatou Angel. - Me punindo por dar uma lição em Malfoy.
- Eu já ouvi essa historia antes, e du sei que Malfoy provocou a briga. - Comentou Pomfrey de forma descontraída enquanto cicatrizava os cortes. - Estou tentando ensina-la que não deve se defender a golpes! Por Merlin, você é uma menina!
- Você está certa! - Concordou Angel.
- Obrigada! - Disse Pomfrey como se Angel estivesse lhe fazendo um favor. - E você, o que está fazendo aqui? - Disse ela levantando a cabeça e olhando para algo nas costas de Angel.
- Angel! - Heron apareceu ao lado delas, e sua expressão parecia carregada de preocupação. - Victória me disse que estava aqui. O que aconteceu?
- Eu nocauteei Malfoy. - Respondeu a garota com certa seriedade. - E quase quebrei a mão. - Ela tentou mexer a mão, mas Pomfrey a segurou com firmeza.
- O que você tem na cabeça? Pare já com isso ou vou imobilizar todo o seu braço! - Pomfrey a repreendeu.
- Como pode ver nada grave. - Sussurrou Angel para Heron, que parecia estar segurando o riso. Eles permaneceram em silencio e em um instante, Pomfrey terminou de imobilizar a mão de Angel.
- Volte no fim da semana, acho que até lá seus ossos ja terão se recuperado. - Disse a enfermeira guardando suas coisas. - Você já pode ir Angel. E tente não se meter em confusão!
- Entendido. - Respondeu a garota descendo da maca com a ajuda de Heron. - Você se importa se eu for até a torre de Astronomia? - Perguntou Angel enquanto eles andavam para fora da enfermaria. - Faz muito tempo que eu não faço isso. - Ela justificou-se rapidamente. Não queria que aquilo soasse para ele como um pretexto para estarem juntos.
- Eu adoraria tê-la como visitante. - Respondeu ele com um enorme sorriso.
- Então isso quer dizer que você já se mudou! - Disse Angel animada.
- Está tudo uma grande bagunça, ainda não coloquei todas as coisas em seus devidos lugares. - Disse ele rindo.
- Olhe para mim, eu sou uma bagunça ambulante! - A garota começou a rir. - Meu cabelo despenteado, e eu estou usando moletom! - Disse a garota apontando para a própria calça e o casaco que usava.
- Você está bem assim! - Disse Heron tirando dos olhos de Angel uma mecha de cabelo que acabava de cair.
- Você está sendo apenas gentil! - Disse ela afastando o rosto das mãos dele.
- Então você é a bagunça mais bonita que eu já vi. - Disse ele com a maior naturalidade do mundo. Angel tinha certeza de que começava a ficar vermelha.
- Estamos chegando! - Ela tentou disfarçar o nervosismo quando viu as escadas que levavam a torre. Tentando desfazer aquele clima ela subiu as escadas correndo, Heron foi logo atrás dela.
Para Angel, todo aquele peso sobre seus ombros pareceu diminuir quando ela olhou para o céu claro salpicado de nuvens brancas. De certa forma, todos os problemas pareciam menores quando ela estava ali. Era como um lar, onde eu poderia ter paz.
- Então isso aqui é como o seu lugar especial? - Perguntou Heron apoiando-se a grade da sacada.
- É algo assim. - Respondeu Angel sorrindo. - Faz com que eu me sinta calma... E distante de tudo o que deixa pesada.
- E o que te deixa pesada? Você me parece sempre tão leve. - Ele virou-se de frente para ela.
- Uma porção de coisas... - Respondeu Angel com certo ar de mistério.
- Você sabe, estou aqui como amigo. - Ele encarou o céu azul. - E não vou tentar beija-la, a menos que peça. - Disse ele me lançando aquele meio sorriso incrivelmente sedutor.
- O que...O que você vê em mim? - Angel o encarou fixamente, mas Heron não parecia nem um pouco desconcertado por aquela pergunta. Era quase como se a tivesse esperado.
- Uma chance de obter a verdadeira felicidade. - A garota ruborizou com aquela resposta. - Posso enche-la de elogios por dias inteiros se quiser... Mas apenas vou dizer que você é como uma grande luz brilhante... Não há ninguém no mundo igual a você.
- Me sinto como a pior pessoa do mundo. - Angel escondeu o rosto com as mãos. Ela estava quase chorando pelo que estava fazendo. Heron estava sendo sincero e agora ela estava partindo o seu coração, da mesma forma como outro alguém estava partindo o dela.
- Você é incrível! - Heron a envolveu em um forte abraço. Angel irritou-se com si mesma por não sentir nada além de gratidão. Ela não merecia qualquer afeto da parte de Heron Sparks.
- Você consegue ver? Eu não vou mentir para você, eu não sinto nada! E eu realmente queria sentir. - Ela choramingou enquanto ele a apertava com mais força contro o seu peito. - Você merece algo melhor... Você vai acabar me odiando algum dia.
- Nunca mais repita uma coisa dessas ouviu? - Ele a repreendeu. - Eu provavelmente vou morrer amando você. - Eles se separaram do abraço e Angel enxugou suas lagrimas na manga do moletom.
- Qual é o problema conosco? Porque não podemos simplesmente amar aquelas pessoas que nos amam de volta? - A voz dela saiu rouca.
- Porque o amor não é assim... Ele não acontece quando queremos. - Respondeu ele pacientemente. - Eu vou ama-la mesmo que você tenha sido feita para partir meu coração.
- Mas eu não quero partir um coração. - Angel o encarou.
- Então não parta. - Ele aproximou-se um pouco mais, mas Angel foi rápida e desviou a tempo. A garota o encarou assustada.
- Me desculpe se eu dei a entender... - Angel apressou-se em esclarecer as coisas. - Eu não quis que isso soasse dessa forma... Eu tenho que ir! - Ela já estava se distanciando quando Heron a puxou de volta.
- Eu... Eu estava apenas tentando. - Disse ele com um sorriso torto. - Em nenhum momento quis que ficasse desconfortável. Eu não farei outra vez! - Disse ele erguendo a mão direita em forma de juramento.
- Você é um cara incrível. - Angel lhe lançou um fraco sorriso. -Se ao menos eu o tivesse conhecido antes... Talvez as coisas pudessem ser mais simples. Não quero que espere nada de mim, Heron.
- Estou disposto a aceitar o que vier. - Respondeu ele calmamente.
- Então tudo o que somos é grandes amigos. - Disse a garota estendendo a mão livre para ele, em forma de cumprimento. Ele a segurou e a virou, beijando-a no dorso. - Que cavalheiro!
- O que realmente está acontecendo, Angel? - Lá estava Heron tentando faze-la confessar algumas coisas em voz alta, mas Angel não se daria por vencida.
- Muitas coisas ao mesmo tempo. - Disse ela. - Mas eu não gostaria de falar sobre isso agora, você não vai querer me ver toda nostálgica e chorona.
- Tudo bem! Eu entendi, nada de falar sobre o assunto! - Respondeu ele rindo. - Sendo assim, o que acha de me dar uma mãozinha na decoração deste lugar?
- Você por acaso, esta zombando de mim? - Perguntou Angel fingindo seriedade e pondo uma das mãos na cintura. - Saiba que se entrar em uma briga comigo, sairá perdendo!
- Para deixar claro, JAMAIS quero entrar em uma briga com você. - Ele afastou-se alguns passos dela. - Eu realmente preciso de alguma ajuda com isso... A professora Vector jamais foi grande decoradora. - Ambos deram uma rápida olhada ao seu redor, as paredes eram extremamente sem graça e tirando a grande vista, de fato não havia nada ali que fosse muito atrativo.
- A professora Vector podia não ser, mas para sua sorte, eu sou.
Terceira Pessoa Narrando OFF
Já era demasiado tarde quando deixei a torre de Astronomia. Havia perdido o jantar por conta de toda aquela arrumação, e agora tentava atravessar o castelo sem ser pega pelos vários professores, que a uma hora dessas provavelmente estariam realizando suas rondas pelos corredores.
A luz da lua entrava pelas janelas, deixando o caminho bastante iluminado. Eu sorri com a imagem do céu estrelado ainda fresca em minha mente.
Mas um barulho, muito semelhante a passos, cortou o agradável silencio da noite.
- Droga! - Reclamei.
- Porque decidiu me trazer ao castelo? Pensei que tais coisas não fossem permitidas... - Uma voz feminina tornou-se audível, mas ela me parecia desconhecida. - Tenho certeza de que poderíamos ter uma noite agradável fora deste lugar.
- Eu ficaria feliz se você não fizesse tantas perguntas... Se continuar assim, vai acabar acordando todo castelo! Tente se controlar até que cheguemos as masmorras. - Simplesmente congelei onde estava quando reconheci a voz de Snape. Entrei em panico. Mas que Droga ele estaria fazendo ali àquela hora com uma mulher?
- Você é sempre gentil... - Começou a mulher enquanto eles entravam exatamente no mesmo corredor que eu estava. Ela subitamente parou de falar quando notou minha presença.
Lá estava Snape com suas tipicas vestes negras e sua capa esvoaçante, acompanhado de uma loira desconhecida.
- Eu já disse que preciso acordar cedo amanhã. Não se preocupe! Você pode usar Pó de Flu para ir embora... - Não havia qualquer emoção em sua voz, ele olhava para trás, para a loira que continuava parada a alguns passos de distancia. Ela continuava a olhar para mim, era como se estivesse tentando dizer para desaparecer... - O que foi? -Perguntou ele seguindo o olhar assustado dela, enfim ele percebera minha presença.
Seus olhos encontraram os meus, mas eu rapidamente desviei o olhar. Meu nervosismo já dava lugar a uma raiva que continuava a crescer. Maldito bastardo!
- O que... O que você está fazendo aqui a essa hora? - Sua voz soou mais calma do que antes.
- Talvez o mesmo que o senhor, professor. - Respondi com firmeza, ele pareceu desconcertado. - Agora se me der licença, preciso ir. - Falei de forma controlada, avançando na direção dele o mais rápido que podia. Precisava sair dali o quanto antes.
Respirei fundo, tentando manter minhas emoções sob controle. Não iria demonstrar qualquer sinal de fraqueza diante dele. Eu não podia dar a ele esse prazer.
- Espere! Onde esteve o dia todo? - Ele segurou pelo braço, impedindo-me de seguir.
- Não lhe devo satisfações! - Rebati encarando-o por um momento. - Está me machucando! - Me desvencilhei dele com certa agressividade. Ele recuou por um momento, mas seu olhar ainda estava fixo em mim.
- Deixe-a ir! - A mulher interveio. Senti ainda mais raiva, quem ela pensava que era? Eu não precisava de nenhuma ajuda.
- Não irá embora até me dizer o que esteve fazendo! - Ele pareceu igualmente irritado, e isso me motivou a continuar. - Estava com ele, não é?
- Isso não é um problema seu. - Respondi rispidamente. - Você não me controla. - Arranquei do meu pescoço o maldito medalhão que ele havia me dado, deixei-o cair no chão enquanto Snape me encarava parecendo petrificado. Lancei a ele um último olhar antes de seguir. - Aproveitem a noite. - Passei pela mulher lançando a ela o meu sorriso mais falso.
Embora eu parecesse estar bem, enquanto eu me distanciava, senti como se algo tivesse se quebrado em mim.
Queria desabar, chorar até fazer toda aquela dor sair de mim. Mas não o fiz.
Agora tudo era muito mais claro, eu podia ver que todas aquelas gentilezas e boas intenções não tinham outro proposito senão me confundir. Era apenas um jogo, e ele tinha vencido.
Mentiras e mais mentiras. O odiei, e odiei ainda mais a mim mesma, por me deixar enganar. Como podia ter sido tão cega?
Respirei fundo mais uma vez enquanto subia o último lance de escadas.
Passei pela porta com facilidade, e por sorte encontrei a sala comunal vazia. A lareira ainda estava acesa, e tudo parecia estar na mais perfeita ordem.
Queria evitar perguntas, queria evitar falar. Achei melhor não subir para o dormitório, e logo localizei um confortável sofá perto da janela.
Deitei-me nele sem pensar duas vezes, senti meus olhos arderem por causa das lagrimas que eu estava evitando, mas mesmo assim não chorei. Apenas continuei a encarar o céu estrelado pela grande janela da torre da Corvinal.
Jurei para mim mesma que jamais voltaria a ser fraca, que jamais baixaria minha guarda com quem quer que fosse.
Começava a acreditar no que algumas pessoas diziam sobre o amor, sobre ele ser uma fraqueza que tente a nos fazer afundar.
Se de fato o amor era uma fraqueza, eu estava disposta a não me permitir senti-lo outra vez.
