CAPÍTULO 25

BÔNUS – NARRADO POR KIM

Enquanto eu sentia lágrimas caírem sem parar pelo meu rosto, um cansaço horrível tomou conta de mim. Eu não queria ouvir mais nada. Queria que tudo aquilo parasse. Desejei do fundo do meu peito poder desaparecer dali.

Foi como mágica.

Em um segundo, eu estava nos braços de Jorge Weasley, uma escuridão tomou a sala, ele me puxou na direção da saída e nós aparatamos juntos. Quando abri os olhos novamente, eu estava em uma sala muito excêntrica, certamente ampla, confortável e moderna, e com objetos curiosos nas estantes.

- Eu não estou te sequestrando. – Jorge falou, enquanto eu olhava em volta, desorientado. – Harry pediu que eu levasse embora quando achou que as coisas ficaram insustentáveis. Ele sabe que posso escondê-lo daquele idiota.

- Por quanto tempo? – eu perguntei.

- Por quanto tempo você terá que ficar aqui? – Jorge perguntou.

- Não. – eu corrigi, afoito. – Por quanto tempo você pode me esconder de Marcus?

Jorge se aproximou de mim devagar, silenciosamente, como um gato. Quando percebi ele já estava há poucos centímetros de distância. Ele me encarava com olhos espertos, e ao mesmo tempo, demonstrava empatia pelo que eu estava sentindo.

- Você está realmente apavorado, não está? – ele perguntou, em voz baixa.

E eu estava. Aquela era a verdade. Eu estava morrendo de medo. Que péssimo grifinório eu era.

- Me conte o porquê. – ele sugeriu.

- A gente mal se conhece. – eu disse, na defensiva.

- Esse é um bom motivo para você me contar. – ele riu. – Se você mal me conhece, não se importa com o que eu vou pensar.

- Há outros bons motivos? – eu perguntei, sem conseguir deixar de sorrir também.

- Ah sim. Eu larguei a escola pra trabalhar com logros e brincadeiras, então você saberá que não sou do tipo que julga. – Jorge contou. – E além disso, talvez você se sinta melhor se conversar com alguém.

Ponderei sobre as palavras dele. Talvez fosse melhor realmente, colocar aquilo tudo pra fora. Eu jamais conseguiria dormir com tranquilidade aquela noite se não conversasse com ninguém. Jorge me ofereceu um lugar no sofá e se sentou ao meu lado.

- Você entendeu toda aquela história de dominação, certo? – eu perguntei, um pouco constrangido.

Era difícil explicar isso pra quem não era envolvido com BDSM.

- Eu conheço BDSM na teoria. Conheço Londres inteira, eu tenho muitos contatos, estou envolvido com muitos tipos de atividade comercial. Nada ilegal, é claro. – ele acrescentou. – Mas isso fez com que eu soubesse da existência desses clubes BSDM, do que acontece neles. Também sei de alguns bruxos que mantém práticas desse tipo.

- Certo. – eu estava um pouco mais aliviado. Eu ficaria extremamente envergonhado de ter que explicar aquilo pra Jorge. - Marcus... ele gosta desse tipo de coisa. Ele é um dominador.

- Sei, um dominador. – Jorge falou, como se achasse que Marcus não tivesse condições de dominar uma caixa de fósforos. – Harry e Malfoy pareceram bem entendidos desse assunto. Principalmente Malfoy.

- Harry e Draco... é diferente. Eles praticam BDSM, mas é como uma fantasia, uma brincadeira sexual entende? – eu expliquei. – É diferente de Marcus. Marcus leva isso para o cotidiano, ele quer uma pessoa que obedeça as ordens dele o tempo todo.

Jorge me olhava com o rosto sério.

- O que te levou a se envolver com ele?

- Eu acho... eu quis experimentar... a parte sexual me excitava... e eu acabei gostando dele. – eu tentei organizar meus pensamentos. – A maior parte do tempo não foi tão ruim... ter que seguir regras me incomodava, mas Marcus também era legal comigo e houve bons momentos. Mas aí teve uma festa na casa de Blaise, e esse homem, Kinoss, estava lá. Ele e Marcus trocaram algumas farpas, Marcus na verdade já tinha me proibido de olhar pra ele. Naquela noite, Blaise expulsou Kinoss da festa por ofender Harry e Draco. Depois disso, Marcus mudou muito. Se tornou mais possessivo, começou a limitar ainda mais os meus passos, eu que já não gostava muito dessa parte da nossa relação, comecei a me sentir sufocado.

- E aí chegou o dia que você foi levar os relatórios para Mione contra a vontade dele? – Jorge me perguntou, gentilmente.

- Sim. Aquele dia, quando eu e Harry fomos emboscados, eu fiquei apavorado. Todos achavam que eu estava com medo de Kinoss, mas eu estava ali com Harry Potter, ele estava duelando muito bem. Eu não estava com medo de Kinoss me sequestrar. – eu disse.

- Você estava com medo de Marcus. – Jorge completou. – Porque tinha desobedecido as ordens dele. Tinha ido até a casa da Mione e tinha olhado pra Kinoss.

- Exatamente. Eu não contei a ninguém, porque sei que isso não faz sentido. Porque para ele me punir eu tinha que permitir que ele me punisse. Se eu não queria mais ser seu submisso era só eu ir embora naquele momento, certo? – eu falei, sentindo uma vontade horrível de começar a chorar outra vez. – Mas essa relação de submissão me afetou, Jorge, eu não estava conseguindo me libertar.

- Então deixou que ele te punisse. – Jorge falou, baixinho.

- Sim. – e minhas lágrimas finalmente caíram quando eu me lembrei de cada noite depois do incidente com Kinoss na rua de Rony e Hermione.

- Quer me contar o que significa essa punição? – ele perguntou, a voz muito calma. – Draco entendeu, mas meus conhecimentos de BDSM não são tão amplos.

Eu baixei a cabeça. Não existia a possibilidade de eu dizer aquilo olhando pro rosto de Jorge Weasley.

- Imagine que todas as noites, alguém vai até você e te toca até que você esteja bem duro. Quando isso acontece, a pessoa amarra a base do seu pênis, junto com os seus testículos. Isso faz com que você permaneça com uma ereção durante muito tempo e, ao mesmo tempo, praticamente impossibilita que você tenha um orgasmo. Depois de algum tempo, ter seu pênis duro sem gozar faz com que você comece a se sentir dolorido. Como você está recebendo um castigo, a pessoa permanece a todo instante tocando, chupando, lambendo, utilizando vibradores... tudo apenas na glande do seu pênis, que é a parte mais sensível.

- Eu nunca achei que falar sobre pênis pudesse me causar tanto ódio. – ele tentou fazer uma piada, mas sua voz era grave.

Quando o olhei, ele estava com uma expressão severa, que não combinava com o seu rosto geralmente tão tranquilo.

- Eu deixei, Jorge. – eu falei, esperando ver decepção e pena em seus olhos. – Que grifinório terrível eu sou de ter permitido que alguém fizesse isso comigo.

Jorge me puxou para ele, em um abraço.

- Ei, você o enfrentou hoje. Acabou. – ele respondeu. – Você é um bom grifinório.

- Se sou um bom grifinório, porque continuo com medo? – eu perguntei, em voz baixa.

- Todo mundo sente medo, Kim. – ele me disse, com paciência. – E você mesmo disse que isso tudo te afetou muito. Agora que você conseguiu se desligar dele, com o tempo isso vai passar.

- Será? – eu perguntei.

- Eu posso esconder você pelo tempo que quiser, ele nunca vai te achar. – Jorge falou. – Mas se eu fosse você, amanhã iria para a faculdade tranquilamente. Ele não pode obrigar você a ser submisso dele. Você tem amigos que não vão permitir isso. E acima de tudo, você não vai permitir isso. Ele se acha grande e forte, e daí? Nós somos bruxos... não um bando de trouxas. Vitaverza nunca foi grande coisa em feitiços. Jogue umas azarações em cima dele que quero ver se ele vai continuar com aquela pose toda.

- Você é legal, Jorge. – ele me fez rir. – Uma pena termos convivido tão pouco em Hogwarts.

- Nós convivemos em Hogwarts? – ele estava um pouco surpreso. – Achei que você tinha entrado depois que eu e Fred decidimos deixar a escola.

- Só por alguns meses. – eu contei. – Eu entrei no ano mesmo ano da Umbridge. Conheci você numa noite no corredor, quando eu estava saindo de uma detenção com ela. Eu me lembro de estar chorando porque aquela mulher tinha praticamente me torturado apenas por me atrasar pra aula. Você me levou para o salão comunal e mergulhou a minha mão em uma poção.

- Essência de murtisco. – Jorge sorriu.

- Sim. – eu falei. – Você me disse que Hogwarts era legal e que os outros professores não faziam aquele tipo de coisa. Que eu tinha dado a azar de entrar junto com Umbridge, mas pra eu não me preocupar, que logo ela iria embora.

- Como você sabe que não era Fred? – ele perguntou. – Nós éramos quase idênticos, as pessoas nos confundiam o tempo todo.

- Era você. – eu disse a ele, pegando a sua mão esquerda, mostrando a parte de trás, onde havia uma cicatriz da detenção que ele próprio tinha sofrido. – Olhe aqui a sua mão... me lembro de você dizendo que nem ligava mais para a cicatriz da sua detenção com a Umbridge... que até gostava da marca, porque parecia uma gotinha de chuva.

- É verdade, sempre achei que fosse uma gota de chuva. – ele abriu um sorriso radiante pra mim.

- Você me disse pra eu te contar o formato da marca quando minha mão cicatrizasse, mas eu nunca tive coragem de me aproximar de você de novo. Você era bem mais velho, estava sempre rodeado de amigos, eu estava certo que já tinha esquecido daquele garotinho chorando corredor. – eu falei. – Mas sempre achei que parecia uma estrela.

Ele pegou a minha mão com delicadeza, para observar.

- Por onde você andou Kim? – ele perguntou, me olhando de um jeito estranho e doce ao mesmo tempo. – Como sobreviveu à guerra?

Eu não esperava aquela pergunta tão de repente.

- Coincidentemente, meu avô adoeceu no mesmo período que Voldemort assumiu o controle do Ministério, falecendo algumas semanas antes da Batalha de Hogwarts. Meus pais trabalhavam o dia todo, minha família tem poucos recursos e ninguém que pudesse nos ajudar. Na época eu tinha 13 anos, então todos concordaram que o melhor era eu ficar em casa cuidando do meu avô. – eu expliquei. – A professora McGonagall me emprestou todos os livros que pôde. Eu passei aquele período estudando e protegendo a minha família como foi possível. Quando a guerra acabou, prestei os exames e consegui voltar a estudar com a minha antiga turma em Hogwarts.

- Você é um homem muito interessante, Kim Hall. – ele me disse, simplesmente.

- Olhe quem está falando. – eu acenei com a mão, na direção dele.

Aquele era o cara que tinha vindo do nada e se tornado um importante comerciante e investidor. Jorge era excêntrico, engraçado, criativo. Desde a escola suas invenções eram um sucesso, e elas tinham alavancado o nome Weasley em toda a comunidade Mágica.

- Você acha? – ele perguntou.

- Você me faz rir. – eu respondi, deixando claro que aquilo significava muita coisa. – Acho que ninguém mais seria capaz de me fazer rir depois dessa noite.

- Estou aqui para satisfazê-lo. – ele brincou, sorridente. – Há mais alguma coisa que você queira desesperadamente?

E antes que eu pudesse sequer pensar nas minhas palavras, eu respondi:

- Depois dessas semanas infernais? Em nome das cuecas de Merlin... um orgasmo.

E Jorge parou na posição em que estava, seu sorriso se desfez, e ele me olhou com uma intensidade inesperada, para a qual eu não estava preparado.

- Posso te dar isso. – ele disse, rouco. – Se você realmente quiser.

- Eu... eu... eu estava brincando. – eu respondi, incerto. – Não... não posso te pedir uma coisa dessas... a gente se conheceu hoje.

- Achei que a gente tinha se conhecido há anos atrás, quando eu te mostrei a gotinha de chuva na minha mão. – ele sorriu, tornando o momento menos tenso.

- Sim, mas isso não conta. – eu reclamei. – Depois desse dia nunca mais nos falamos.

- É verdade. Mas eu posso jurar que nunca amarraria seu pau. – ele piscou pra mim.

- Na verdade, não é tão ruim, se não for feito como castigo. – eu comentei.

Jorge fez uma careta.

- Não consigo nem imaginar isso. – ele falou. – Eu iria ficar muito agoniado.

- Não ia não. – antes que eu pudesse parar pra raciocinar, eu já estava explicando aquilo pra ele. – Se eu amarrasse você, não te machucaria, seria só pro seu orgasmo demorar um pouquinho mais. Quando eu te soltasse, quando deixasse ele vir, seria mais gostoso.

- Você é um garoto muito sexy. – ele disse, acariciando meu cabelo, na parte de trás da minha nuca. - Me deixe te dar um orgasmo... se você quiser... vai ser só isso. Sei que pode estar com medo, por causa daquele idiota, mas não precisamos transar.

- Você quer me dar um orgasmo? – eu estava no meu limite.

Meus sentimentos eram confusos, Marcus estava matando tudo o que eu sentia por ele, eu tinha certeza que não voltaria a ser seu submisso, mas ainda estava muito magoado com toda essa situação. Eu certamente não estava pronto pra me relacionar com outro homem agora, mas não era isso que Jorge estava propondo. Ele não estava querendo um compromisso, não estava me pedindo em namoro.

Jorge Weasley estava me oferecendo tudo o que eu precisava naquele momento: um ombro amigo e um orgasmo.

E eu queria desesperadamente aceitar. Queria aceitar porque meu corpo tinha sido levado ao limite naquela semana. Queria aceitar porque o cheiro do perfume dele era bom, amadeirado, com algo muito familiar, que me fazia querer respirar mais perto da sua pele. Queria aceitar porque eu o desejava.

- Sim. – ele respondeu.

- Ok. – eu respondi, baixinho, deixando-me a meio centímetro de seus lábios. – Mas se você vai me tocar... também vou ter o direito de tocar você.

Jorge encostou os lábios nos meus.

- Você quer me tocar, Kim? – ele perguntou, sensual.

- Pode apostar que sim. – eu desviei para sua orelha boa, mordendo o lóbulo, fazendo-o arrepiar, sussurrando. – Desde hoje de manhã, quando você me acordou chamando meu ex de trasgo e dizendo que queria sair com um ruivo que não fosse seu parente.

- Aposto que eu fui uma visão e tanto. – eu podia escutá-lo sorrir.

- Você é um gostoso, Jorge Weasley. – eu murmurei.

Jorge me puxou para o nosso primeiro beijo, deixando os nossos lábios se tocarem, se conhecerem, nossas línguas se explorarem. Foi um beijo gostoso, lento, sensual, que me deixou querendo mais dele.

Eu o toquei por baixo da camiseta, sentindo os músculos da sua barriga, os pelos finos do seu peito. Ele me deu espaço para que eu o despisse, admirando seu corpo, tocando-o. Eu me sentia maravilhado. Não só porque ele era bonito, mas porque pela primeira vez eu estava tocando alguém como eu queria, deixando-me ser guiado pelos meus próprios desejos.

Senti sua mão em meu corpo, puxando a minha blusa pra cima. O ajudei a me deixar nu, chutando meus sapatos pra longe e desabotoando meu jeans, puxando-o rapidamente pra baixo. Jorge fez o mesmo, até que estávamos nós dois apenas de cueca no sofá.

- Vem vamos pra uma cama. – ele disse, se levantando, me puxando pela mão.

Me deixei que ele me levasse para o seu quarto, sem prestar muita atenção no ambiente a minha volta. Tudo o que eu queria naquele momento era uma cama e Jorge Weasley. Assim que entrei, fiz os feitiços de preparação que estava acostumado, eu já os fazia não verbais, de modo que Jorge vira apenas dois floreios com a varinha.

Quando nos deitamos, eu parti pra cima dele, me sentindo poderoso pela primeira vez na vida. Beijei sua barriga, ouvindo-o suspirar conforme eu me aproximava do seu membro já duro, ainda preso na cueca boxer. Eu beijei seu pênis por cima da cueca, molhando-a com saliva.

- Kim... – ele gemeu meu nome.

Eu o tinha feito gemer. Senti meu pênis enrijecer. Eu estava muito excitado, me senti tão forte naquele momento, tão confiante.

O ajudei a tirar a cueca, expondo seu pau grande e lindo. Ele era bem maior do que Marcus, estava muito duro e lubrificado. Passei a língua na glande, ouvindo seu gemido baixo, e depois comecei a suga-lo. Sabendo que não existia possibilidade de colocá-lo todo na boca, eu masturbava parte dele com a mão, enquanto me dedicava a chupa-lo gostosamente, de um jeito que eu sabia que o levaria a loucura.

Adorei ouvi-lo gemer, ofegar diante dos meus toques. Depois de um tempo, quando percebi que ele tremia, o provoquei com a língua, o suguei sem cessar, deixando-o gozar na minha boca.

- Achei que era eu quem te daria um orgasmo. – ele disse ofegante.

Eu me deitei sobre seu corpo, pressionando-o, tomando sua boca pra um beijo salgado, fazendo-o provar seu próprio sabor. Jorge me correspondeu com urgência, apertando as mãos na minha cintura, sorvendo seu gosto nos meus lábios.

- Me desculpe, não resisti. – eu confessei. – Me senti realmente poderoso de poder fazer isso.

- O que? Chupar o meu pau? – ele perguntou, em tom de brincadeira.

- Não. – eu respondi – Tomar a iniciativa.

Algo brilhou nos olhos dele quando eu disse aquilo. E ele se movimentou na cama, me colocando por baixo do corpo dele.

- Minha vez. – ele disse baixinho, enquanto beijava meu pescoço.

Deixei que ele me beijasse, sentindo suas carícias na base do meu ombro, descendo pelo meu peito, mordiscando meu mamilo. Aquilo ardeu um pouco, por causa da noite anterior.

- Ai, Jorge, cuidado. – eu pedi baixinho. – Ontem... ontem eles ficaram presos em grampos por tempo demais.

Jorge me lançou um olhar horrorizado.

- Seus... mamilos? – ele perguntou como se não acreditasse.

Eu assenti com a cabeça, virando o rosto pro lado, um pouco envergonhado daquela situação. Jorge puxou meu rosto com delicadeza, fazendo-me olhar pra ele.

- Está tudo bem, você pode me dizer qualquer coisa. – ele me tranquilizou, acariciando meus cabelos. – Eu só quero te dar prazer, cada toque meu vai ser pro seu prazer...

E fechei os olhos para sentir. Ele me tocava com carinho, meus braços, meus ombros, meu peito. Me cobriu de ternura até sentir que eu estava relaxado de novo, e então voltou a me acariciar de outra forma, me acendendo por dentro, me excitando, atiçando todo o desejo dentro de mim.

Quando ele retirou minha cueca, eu ergui as pernas sem pudor nenhum, aproximando os joelhos do peito. Eu estava louco pra ser tocado por ele. Jorge ficou claramente excitado com a cena, pois sorriu safadamente, passando a língua pela minha entrada.

- Ah, Jorge... – eu gemi.

- É disso que você gosta? – ele perguntou rouco, passando a língua mais uma vez no meu orifício, me arrancando outro gemido.

- Sim... sim... me lambe aí. – eu pedi.

Ele girava a língua nas bordas do meu ânus, me fazendo delirar, lambendo-me deliciosamente, até começar a me penetrar com a sua língua. Ergui os joelhos me expondo ainda mais, o que o incentivou a continuar com mais ímpeto.

- Que delícia. – ele falou, parando de me lamber e escorregando um dedo pra dentro de mim.

Ao mesmo tempo que seu dedo massageava meu interior, ele ergueu um pouco a cabeça, deixando sua língua acariciar levemente meu membro já muito excitado e sensível.

- Isso é tão bom. – eu gemi.

- Eu vou fazer você se sentir muito bem. – ele prometeu.

Jorge colocou um segundo dedo dentro do meu ânus, movimentando levemente, massageando-me e me preparando pra ele. Ao mesmo tempo, ele abaixou-se sobre o meu membro, colocando-o quase todo na boca, chupando-o habilidosamente. A sucção que ele fazia no meu pau era alucinante, e eu não segurei meus gemidos, entregando-me totalmente ao momento, permitindo-me sentir prazer. Pouquíssimo tempo depois, eu já me derramava nos lábios de Jorge, gozando deliciosamente, sentindo meu corpo tremer.

Quando eu consegui regularizar a respiração, Jorge veio por cima de mim, apoiando os braços na cama, para poder me olhar.

- Se você quiser parar aqui, não tem problema nenhum. – ele esclareceu.

Eu sorri pra ele. Jorge parecia ser realmente um homem maravilhoso.

- Eu poderia parar. – eu disse a ele. – Se eu não tivesse desejando tanto você.

- Você falou algo sobre ontem. – o rosto dele estava preocupado. – Você está com dor?

Entendi a preocupação dele. Eu tinha reclamado da sensibilidade nos mamilos, então ele tinha assumido que eu e Marcus tínhamos transado na noite anterior. O que ele queria saber, era se Marcus tinha machucado meu ânus, a ponto de fazer com que eu estivesse com dor hoje. Mas não tinha sido assim. Marcus estava focado em estimular meu pênis e não me permitir gozar.

Mesmo quando ele ligou aquela máquina de penetração anal, não ligou na mesma velocidade que Blaise e Draco tinham feito. Tinha sido uma penetração bem lenta, Marcus não queria muito estímulo na minha próstata. E quando ele tinha resolvido me foder, ele já estava há um bom tempo enfiando o pau na minha garganta, de forma que não demorou muito.

- Não, Marcus foi... hã... muito breve ontem. – eu comentei.

- Sei. – Jorge respondeu, certamente somando o título de "ejaculação precoce" as características que ele atribuía a Marcus; não que fosse verdade, mas eu não me importava nenhum pouco. Marcus estava merecendo.

- Está tudo bem realmente Jorge. – eu o tranquilizei. – Embora seja melhor você ir devagar.

- Por que? – ele perguntou, assustado.

- Alguém já deve ter te dito isso antes. – eu falei, olhando pra baixo, e então de novo pro rosto dele. – Você é imenso.

- Não vou machucar você. – ele prometeu, tocando minha bochecha.

Ele se aproximou para um beijo lento, que desenvolveu-se, tornando-se cada vez mais sensual. Senti que ele fazia um feitiço não verbal de lubrificação em mim, voltando a me tocar com os dedos, querendo ter certeza que eu estava pronto pra ele.

Algum tempo depois, senti a cabeça do seu pênis encostar na minha entrada, forçando-se pra dentro de mim. Jorge me penetrou com lentidão e cuidado, sem deixar de me beijar e acariciar meu corpo, até estar todo dentro de mim. Quando enfim o senti me preencher, acariciei seu cabelo, passando os dedos com leveza em sua nuca, querendo que ele se sentisse tão envolvido naquele momento quanto eu.

Ele ficou imóvel dentro do meu corpo, me encarando, seus olhos presos nos meus.

- Está doendo? – ele quis saber.

- Um pouquinho. – eu confessei.

Não mais do que o normal, ele era grande, eu sentia meu corpo resistir para acomodá-lo.

- Vou ficar parado até que você se acostume. – ele falou.

Eu sabia que era difícil manter-se ali, segurar a vontade de se movimentar. Eu o beijei outra vez, me sentindo arder de paixão, sentindo meu desconforto ceder e meu corpo se adaptar ao seu tamanho. Movi o quadril, indicando que queria mais, que precisava dele. Jorge me respondeu de imediato, arremetendo-se para dentro de mim, me tomando.

Eu estava adorando seu ritmo, o modo como ele sempre acertava minha próstata, massageando meu ponto de prazer, como se seu pênis tivesse sido feito pra mim. Eu gemia pra ele, por ele, por todas as sensações que ele estava me causando.

- Aah Jorge... isso... assim... me come bem gostoso. – eu pedia, incoerente.

Ele começou a massagear meu pênis, me masturbando.

- Goza pra mim de novo, Kim. – ele pediu. – Deixa eu sentir seu cuzinho se contraindo todo.

Ele me levava para o meu segundo orgasmo, e eu sentia que o levava para o mesmo caminho. Eu olhei pro seu rosto quando gozei, tremendo, gemendo, meu ânus apertando seu pau que logo em seguida enterrou-se para dentro de mim uma última vez, mergulhando em gozo, enchendo-me do seu líquido.

Quando acabou, eu o puxei pra mim, procurando seu abraço, seu toque. E ele me deu tudo, deixando-se descansar por cima de mim alguns minutos, até amolecer e se retirar do meu interior, e deitar-se ao meu lado.

- Isso foi maravilhoso. – Eu suspirei, feliz.

- Foi sim. – ele concordou, me olhando. – Tudo em você é excitante.

- Eu... eu... – havia algo que eu queria dizer, mas não sabia como. – Jorge... eu... obrigado.

- Pelo sexo? – ele ergueu uma sobrancelha. – Eu tenho ciência de que sou bom, mas ninguém jamais me agradeceu por isso antes.

Eu fiquei muito vermelho.

- Não é pelo sexo. – eu tentei me explicar. – Não sei como te dizer isso... mas a questão é que eu nunca tinha tido uma relação sexual que não fosse BDSM.

- Ainda não entendi pelo que você está me agradecendo. – ele me disse, com gentileza.

Nem eu estava me entendendo.

- Eu não sei. Por me tratar com carinho. – eu falei, num ímpeto. – Por me deixar olhar pra você.

- Por te deixar olhar pra mim? – ele perguntou, confuso.

Eu me vi, novamente, na constrangedora posição de ter que explicar os detalhes pra Jorge.

- Um submisso não pode olhar pro seu dominador, a não ser que ele ordene. – eu expliquei. – Do contrário, ele olha pra baixo.

Jorge me olhou com surpresa.

- Isso existe mesmo? Quer dizer que essa foi a primeira vez que você transou...

- Olhando pra alguém... – eu olhei pro rosto dele com carinho. – E foi uma das melhores coisas que fiz na vida.

Ele me puxou pra junto de seu corpo, como se fosse instintivo, segurando-me apertado em seu peito, o braço ao redor da minha cintura.

- Eu não consigo acreditar numa coisa dessas. Como Harry se conforma com isso? – Jorge perguntou, parecendo revoltado. – Você disse que ele e Malfoy praticam BDSM na hora do sexo.

- Como eu te expliquei, eles são diferentes. Pra ser sincero, eu nem sei se eles praticam BDSM todas as vezes que transam. – eu confessei. – Mas independentemente de qualquer coisa, eles não seguem essa regra, Harry olha pra ele o tempo todo.

- Como você sabe disso? – ele me pegou, sorrindo abertamente. – Você já os viu?

- Os casais que praticam BDSM as vezes fazem isso na frente uns dos outros. – eu resumi, ruborizando. – Você pode parar de falar sobre a vida sexual de Harry e Draco? Eu não posso te contar essas coisas.

- Tudo bem. – ele concedeu. – Mas me responda mais uma curiosidade sobre você. Aqueles feitiços que você fez antes... também tem a ver com essa história de submissão?

- Normalmente se ensina aos bruxos submissos dois feitiços de preparação, pra se fazer antes do sexo. É um hábito, acabei fazendo. – eu expliquei. – São bons feitiços, na realidade, um elimina os pelos e o outro te deixa limpo por dentro.

- Não é nada mal, realmente. – ele concordou. – Você podia me ensinar esse dos pelos.

Eu sorri pra ele, assentindo. Nós conversamos um pouco mais, no restante na noite, até que eu estivesse muito cansado e quase dormindo. A última coisa de que me lembro é de Jorge aproximar os lábios do meu ouvido e murmurar:

- Kim.

- Hmm? – eu perguntei.

- Eu queria que você soubesse que mais pra frente, quando você estiver pronto pra sair com alguém de verdade, namorar... Eu quero sair com você. – ele esclareceu.

- Também quero sair com você, Jorge. – eu murmurei, com sono. – De preferência quando eu conseguir me livrar da sensação de que meu ex vai aparecer a qualquer instante, me amarrar e bater com um chicote nos meus testículos.

- Vou esperar. – ele falou.