CAP 25 - Recuperação
O vento frio do oceano estava passando rapidamente. Ele planava através da névoa e das nuvens. A princípio, Harry sentiu-se em pânico quando percebeu que não fazia idéia sobre qual direção tomar para chegar à terra, mas então seus instintos de falcão tomaram conta e ele rumou para sudoeste. Mas mesmo como falcão, Harry sabia que sua força estava falhando. Os quatro dias quase sem nenhuma comida, e os dois dias sem sono haviam cobrado seu preço. Ele abriu as asas ainda mais e permitiu que o vento o carregasse em direção à terra. À distância, ele vislumbrou minúsculas luzes tremeluzindo a milhares de pés lá embaixo. Ele desceu em círculos lentos, e logo localizou o Punhal Mortal. Pousando na alameda atrás do bar sombreado, ele transformou-se de volta e desabou, exausto, contra a parede.
Ele conseguira. Escapara. Mas não era hora para celebrar. O mundo girava enquanto Harry lutava para não perder a consciência. Mas ele estava tão cansado. A escuridão se aproximava rapidamente...
De repente ele estava sendo asperamente puxado para cima. Alguém o sacudia. Os olhos de Harry se abriram rapidamente.
-Você levou muito tempo – alguém rosnou. – Aguamenti.
Harry foi instantaneamente banhado em água gelada. Ele tremeu e tossiu, mas sua mente clareou.
-Você vem ou eu vou ter que lhe arrastar até o Largo Grimmauld?
Aquela voz. Soava familiar, mas não era de Sirius.
-Quem é você? – crepitou Harry, lutando contra o aperto do homem em seu braço.
-Lumus – disse o homem, e Harry apertou os olhos contra a luz. Quando seus olhos se ajustaram, ele podia vagamente divisar uma madeixa de cabelos negros, olhos caídos pesadamente, e um bigode enrolado.
-Régulo? – ele ofegou.
-Certo – disse o homem, franzindo a testa. – Quanto a hora que você veio. Eu estive esperando por horas. Dias, se você quiser ser técnico. Pode ficar de pé?
Harry assentiu, e Régulo o soltou.
-Onde está Sirius? – Harry perguntou ansiosamente. – Ele foi capturado?
-Ele está no Largo Grimmauld cuidando daquela garota Weasley – disse Régulo sombriamente. – Vocês dois foram loucos em tentar algo tão idiota e tolo.
-Foi minha idéia – Harry protestou.
-Então eu ganhei. Sirius pode ser despreocupado, mas ele não é estúpido o suficiente para propositalmente se colocar em Azkaban.
-Ele estava apenas me ajudando – Harry explicou, mas ele sentia sua cabeça leve novamente. Sem aviso, seus joelhos fraquejaram, e Régulo se precipitou para apanhá-lo.
-Garoto idiota – o homem rosnou. – É claro que você não pode ficar de pé. Quatro dias em Azkaban fazem isso com você, você sabe.
-Harry tentou responder, mas ele estava achando difícil falar.
-Eu não poderia usar um portal – Régulo estava murmurando mais para si mesmo. – Claro que não. Eu supostamente estou morto. Aparatação, então.
Um segundo depois, Harry sentiu-se sendo comprimido através de um tubo estreito. Sua visão estava entrando e saindo de foco quando eles pousaram no Largo Grimmauld. Inconscientemente ele sentiu Régulo arrastando-o pelos degraus da porta. Agora alguém mais segurou seu outro braço, e ele estava sendo levado pelo hall para a sala. Braços fortes o empurravam no sofá. Então a escuridão o cobriu.
-Acho que ele está acordando. Suas pálpebras tremeram.
-Em tempo.
-Tiago e Lílian estão vindo logo, e honestamente, eu não quero ser aquele a dar as notícias. Eles vão me matar antes que eu possa explicar que ou eu o ajudava, ou ele iria tentar sozinho.
-Vocês dois foram incrivelmente estúpidos em tentar isso. Vocês poderiam ter sido mortos, ou pior, poderiam ter sido presos lá por anos sem fim.
Uma pausa.
-Eu li os arquivos do caso dela, Régulo. Ela era inocente. Foi tudo culpa de Voldemort. Se você estivesse lá e tivesse visto as condições em que ela estava, você teria tentado tirá-la de lá também.
Outra pausa.
-Como ela está?
-Melhor. Emelina Vance está vindo de horas em horas para vê-la. Ela deu a Gina poções para dormir sem sonhos e fortificantes, mas além disso e tendo certeza que a garota tenha três refeições reforçadas por dia, nós teremos que deixá-la descansar.
Um relógio bateu as dez horas.
-É melhor você acordá-lo. Dê a ele uma poção fortificante para que ele não pareça tão fraco quando seus pais chegarem.
-Harry. Harry!
Harry se agitou. Alguém o sacudia. Ele abriu os olhos e encontrou Régulo olhando para ele.
-Levante – o homem mais velho disse impacientemente. – Seus pais estão aqui.
Harry tremulamente ergueu-se. A luz do sol fluía pela janela da sala de Sirius.
-Até que horas eu dormi? – ele perguntou, lutando contra a vontade de deitar novamente.
-São dez da manhã – Régulo respondeu. – Beba isso enquanto eu vou até a porta.
Régulo saiu enquanto Harry fracamente virava o copo de líquido roxo na boca e o tomava. Instantaneamente ele se sentiu melhor.
Régulo entrou novamente na sala, franzindo a testa, com os pais de Harry atrás.
-Harry! – Lílian exclamou, avançando pela sala. – Aonde você esteve? Por que você não estava na estação de trem ontem? Você está doente?
-Estou bem, mãe – Harry disse, bocejando e se esticando. – Eu apenas acordei, é tudo.
Mas Lílian olhava para ele, um brilho estranho nos olhos.
-Harry Tiago Potter. Por que suas roupas estão tão sujas?
Harry olhou para baixo. Suas roupas estavam sujas. Sua camiseta uma vez vermelha estava agora marrom acinzentada com sujeira e lama, e suas calças estavam na mesma – senão pior – condição. Mesmo suas mãos estavam vários tons mais escuras que o normal.
Repentinamente tudo voltou para ele – o plano para resgatar Gina Weasley, a viagem de barco para Azkaban, os quatro dias que ele passara naquela cela horrível, sua fuga durante a noite, e o encontro com Régulo Black atrás do Punhal Mortal. Mas havia apenas uma coisa com a qual ele se importava agora.
-Onde ela está? – Harry perguntou, pondo-se de pé.
Régulo estava escorado perto da porta. Ele olhou com desconforto para os pais de Harry antes de responder.
-Ela está lá em cima, com Sirius.
Harry disparou pela sala e passou por Régulo, ignorando os chamados de sua mãe de "Quem é 'ela'? Aonde você está indo? Harry, volte aqui neste momento!"
Ele saltou as escadas para o segundo andar, vagamente consciente de que três adultos o seguiam. Chegando ao hall, ele rapidamente localizou a porta para o quarto que Hermione e Gina dividiram dois verões atrás, e a empurrou.
Sirius estava sentado em uma cadeira próximo à cama. Quando Harry entrou, ele ergueu os olhos do livro que estava lendo.
-Harry! – ele disse, abrindo um sorriso. Mas o sorriso congelou em seu rosto quando ele viu Tiago, Lílian e Régulo aparecerem na porta atrás de Harry.
Harry rapidamente chegou ao fim da cama. Gina estava deitada imóvel no colchão, seu cabelo vermelho emoldurando seu rosto. Ela estava parecendo muito melhor do que a última vez em que Harry a vira. Ela ainda estava pequena e pálida, mas estava dormindo em paz, seu peito subindo e descendo em ritmo.
-Ela vai ficar bem? – Harry perguntou baixo, olhando para Sirius.
Seu padrinho assentiu, mas seu rosto ainda estava congelado, seus olhos passando de Harry para as pessoas na porta.
Então Harry percebeu o que ele havia feito. Ele virou-se lentamente para encarar seus pais. Tiago estava muito quieto, mas Lílian havia recuperado sua compostura.
-Quem é essa? – ela disse, sua voz perigosamente suave.
-De verdade, Lílian, nós podemos explicar – Sirius disse rapidamente, meio que se erguendo da cadeira.
-Bem, alguém precisa mesmo – Tiago rosnou.
-Acho que é melhor eu descer – Régulo disse apressadamente.
-Covarde – Sirius murmurou quando o irmão mais novo desapareceu.
-Eu quero respostas – Lílian exigiu, seus olhos brilhando. Harry percebeu que ela estava inconscientemente segurando a varinha.
-Eu vou explicar – ele disse rapidamente, colocando-se entre seus pais e Sirius. – Essa é Gina Weasley.
Levou cinco longos segundos para a informação ser registrada por Lílian.
-Não... – ela disse fracamente. – Não pode ser... Ela... Ela está em...
-Azkaban? Não mais – Harry disse calmamente. – Sirius e eu a tiramos. OK, eu a tirei – ele corrigiu, percebendo o olhar de pânico no rosto de seu padrinho. – Mas Sirius ajudou.
Sua mãe estava congelada. A boca de seu pai se movia, mas nada se ouvia.
-Cadeiras – Harry disse, virando para Sirius, que assentiu e rapidamente conjurou cadeiras para Lílian e Tiago. Eles se sentaram sem uma palavra, e Harry contou a eles a história toda, começando com o primeiro dia do verão, quando ele descobriu que Gina estava em Azkaban, e pedido a Sirius para ajudá-lo a tornar-se um animago.
-E você concordou? – Lílian perguntou a Sirius incrédula, encontrando a voz novamente.
-Ele não sabia quais meus planos eram – Harry disse rapidamente. – Eu apenas contei a ele que eu queria surpreender vocês. Ele não sabia das minhas reais intenções. – Ele rapidamente contou sobre as aulas de "Transfiguração" do verão, e como quando Lupin trouxe o diário para o encontro da Ordem, a evidência de que Gina era inocente havia servido apenas para fortalecer sua decisão de resgatá-la. Ele contou como ele havia completado seu treinamento apenas uma semana antes da escola começar.
-Você obteve uma transformação animaga completa em apenas alguns meses, de verdade? – Tiago falou com ceticismo, correndo uma mão pelo cabelo rebelde.
Como resposta, Harry concentrou-se, e um momento depois ele era um falcão. Ele voou uma vez pelo quarto antes de transformar-se de volta.
Tiago abriu um sorriso orgulhoso.
-Uau, Harry! Estou impressionado.
-Tiago! – Lílian disse, batendo nele. – Ele fez isso ilegalmente, sem nossa permissão!
-E eu também – Tiago retrucou. – De qualquer forma, continue sua história.
Um pouco embaraçado, Harry explicou como ele planejara escapulir uma semana antes do início das aulas, mas fora apanhado por Sirius como Almofadinhas, que o havia forçado a revelar aonde ele ia no meio da noite, e então se oferecera para ajudar. Ao ouvir este pedaço de informação, Lílian pareceu brava o suficiente para começar a lançar maldições em Sirius, mas Tiago pôs uma mão moderadora em seu braço.
-Por que Sirius se ofereceu para ajudar? – perguntou o pai de Harry.
-Ele sabia que não poderia me parar, então ele imaginou que eu teria maior chance de sobreviver e ter sucesso se ele me ajudasse – Harry disse indiferente, e Tiago assentiu.
Harry contou sobre como juntos eles conspiraram um plano que tinha possibilidades de funcionar, e como Sirius havia aparecido na manhã seguinte com uma boa desculpa para levar Harry por uma semana.
-Eu sabia que você nunca havia mencionado aquela viagem antes – disse Lílian com triunfo.
-Aonde vocês foram quando deixaram a casa? – perguntou Tiago.
-Beco Diagonal – Harry disse prontamente, e explicou como eles haviam adquirido as poções necessárias, recuperado arquivos do caso do Arquivos de Ravenclaw, e convencido um auror a lhes dar os direitos de visitação oficiais. Então ele contou como eles foram de Flú até o Punhal Mortal e tomado o barco ara Azkaban. Quando ele chegou à parte onde ele e Gina trocaram de lugares e Gina saía com Sirius, entretanto, Lílian pôs-se de pé, a varinha apontada para o peito de Sirius.
-Você deixou meu filho em AZKABAN? – ela gritou furiosamente.
-Mãe! Eu o forcei! – Harry gritou, pulando entre sua mãe e o padrinho. – Não havia como eu tirar Gina de Azkaban. Sirius não era afetado pelos dementadores como eu era. Além disso, minha forma animaga era muito melhor para escapar que a dele. Eu fiquei lá por quatro dias, e então escapuli pela janela e voei para a costa. Eu juro, eu teria saído antes, mas não pude escapar.
Tiago estava estranhamente quieto, mas o rosto de Lílian estava vermelho beterraba.
-Eu não acredito que você fez isso! – ela gritou. – Você poderia ter sido morto. O que você fez foi estúpido, irresponsável e tolo...
Tiago se erguera da cadeira, a mão colocada agora no ombro de Lílian.
-E foi exatamente o que eu teria feito se você estivesse no lugar de Gina – ele disse baixo.
Aquilo pareceu silenciar Lílian.
-Olhem, mãe, pai – Harry disse, afundando as mãos nos bolsos. – Eu realmente sinto muito por preocupar vocês. Mas ela era inocente, eu tinha que fazer alguma coisa. Está tudo acabado agora, e todos nós estamos bem, então não fiquem pirados, por favor?
Lílian pareceu aflita.
-Eu não estou pirada, Harry, eu só estava preocupada... e chocada. Estou contente por você estar bem... – ela rapidamente eliminou o espaço entre eles e o envolveu em um abraço. Sem aviso, os joelhos de Harry cederam. – Tiago, me ajuda! – Lílian ofegou, enquanto se esforçava para suportá-lo.
-Harry, qual é o problema? – perguntou Tiago preocupadamente enquanto ele e Lílian baixavam Harry em uma cadeira.
-Aposto que o efeito da poção fortificante passou – Sirius disse. – E ele provavelmente não comeu nada da comida da prisão, comeu Harry?
Harry sacudiu a cabeça.
-Bem, um pouco – ele murmurou, lutando contra a escuridão que envolvia sua visão. A sala girava e os rostos de seus pais estavam borrados.
-Me passa outra poção fortificante – Lílian disse. – Aqui, Tiago, me ajude. Segure a cabeça dele em pé.
-Posso beber sozinho – Harry murmurou vagamente.
Lílian bufou.
-É, e Tiago é horrível em quadribol, Leila é uma pessoa que acorda cedo, e o Sirius aqui tem bom gosto com garotas.
-Ei! – Sirius guinchou indignado.
Harry sentiu seu queixo sendo inclinado, e um segundos depois um líquido leve e doce estava correndo por sua garganta. Ele tossiu, então abriu os olhos.
-Certo – Lílian disse energicamente. – Antes da poção passar, você vai tomar um banho e comer algo decente. Vai! Eu vou pegar algumas roupas para você. Então você vai tirar uma longa soneca até se sentir melhor.
N.d.T.
Eu realmente lamento pela demora. Mas é a vida, sabem como é... mesmo tendo me demitido (sem nem ter sido empregada... alguém me explique como isso é possível?) o tempo anda curto. Tenho estudado de tarde e de noite, feito o resto das atividades de manhã (o que inclui o trabalho doméstico e digitação de notas fiscais) e simplesmente passado o fim de semana inteiro jogando qualquer edição de Final Fantasy. As traduções têm ficado para de noite, durante as aulas.
Aliás, agora são três traduções! xD Acho que estou me saindo bem como tradutora. Mas não arranjo tempo nem paciência para traduzir as reviews e enviá-las para a autora original. Alguém se habilita a traduzi-las para mim? Mande um e-mail!
E peço que me avisem também sobre qualquer erro de digitação-gramática. Eu não reviso quando estou digitando, logo, podem haver erros.
Agradeço muito ao apoio, pessoal. A fic é ótima mesmo, adoro ela.
No próximo capítulo: Visitas
