25. Território
Sorriu abertamente ao mesmo tempo em que seus finos braços envolviam o corpo magro de Sango. Estava feliz por sua amiga, quem não estaria? Miroku havia enfim pedido-a em casamento e o semblante realizado brilhava, misturado junto a suas feições suaves. Izayoi a abraçou da mesma forma, acolhendo-a em seus braços maternos enquanto levantava o polegar acenando para um Miroku logo atrás do corpo de sua agora, noiva. A matriarca mais do que ninguém demonstrava a sua alegria e Rin notara que seus amáveis olhos lacrimejaram com a notícia que recebera. Ali, nos fundos da mansão, estava Miroku e Sango, que vieram dar-lhe a notícia que tanto desejava. Então Jakotsu não havia mentindo quando lhe enviara a mensagem dizendo que Sango havia conseguido colocar a algema de ouro em seu namorado. Riu com a recente lembrança, seu amigo era impossível!
Dessa vez Inu no Taishou se fazia presente e assim como sua amável esposa, estava feliz pela decisão do amigo de seu filho mais novo. Miroku fizera exatamente como Izayoi havia aconselhado. Criara vergonha na cara e fora comprar um anel para Sango. Izayoi não poderia estar mais feliz! No entanto, por mais que Rin estivesse contente pela amiga, a pequena fazia o possível para esconder o nervosismo que assolava seu intimo. Inuyasha também estava presente, sendo acompanhado por Kagome. O medo de que ele contara algo á ela fez seu sangue gelar, assim como seu estomago que se revirou a contra gosto. A última coisa que precisava era que mais pessoas descobrissem no que estava metida. Porem, a maneira como Kagome a encarava apenas mostrava que a pobre noiva não sabia de nada. Caso contrario a olharia com olhos acusadores. Inuyasha não dera a língua nos dentes, para o seu alivio. Mesmo que estivesse aliviada por saber que poderia confiar em Inuyasha, seu nervosismo não lhe dera trégua. Bem perto de onde estava o novo casal de noivos, estava Kohaku!
Engoliu em seco quando o viu atravessar a porta da entrada minutos atrás. Sesshoumaru não iria gostar daquilo! Não quando o mesmo se mostrava tão interessado em si a ponto de possuir tamanha ousadia em invadir o seu território. O fato de que o irmão de Sango estava ali significava apenas uma coisa: Ele viera por causa dela! Por qual outro motivo se atreveria a voltar a visitar a mansão dos Taishou? Pelo o que sabia, apenas Sango possuía qualquer tipo de relacionamento com aquela família devido ao grau de intimidade que seu noivo tinha com o filho mais novo. Sentiu-se desconfortável diante dos olhares lançados em sua direção. Kohaku não parecia importar-se em deixar claro que se interessava por ela, entretanto, não era exatamente por isso que se sentia como se estivesse no lugar errado, no momento errado, na hora errada.
O medo de que Sesshoumaru fizesse algo ao garoto a deixava daquele jeito. Rin tinha medo do momento em que seu youkai retornasse da empresa e se deparasse com a figura de Kohaku, dentro de sua casa, dentro de seu território. Conhecia bem a repulsa que ele possuía pelo o outro que carinhosamente o apelidara de moleque. Se da última vez que Rin o encontrara seu youkai se comportara daquela forma... Não, não queria imaginar. Balançou a cabeça para os lados tentando afastar aqueles pensamentos indesejados e procurou se concentrar no que acontecia ao seu redor.
– Eu estou tão feliz! – Escutou sua doce vizinha dizer. – Izayoi não conseguia esconder sua felicidade, com os olhos lacrimosos ela voltou a acolher Sango em seu abraço de urso. – Tenho Miroku como filho e vê-lo agora noivo de Sango, me deixa completamente realizada! – ela dizia.
– Obrigada. – Tudo o que Sango fazia era agradecer o carinho da matriarca.
– Quando pretendem se casar? – Não foi capaz de esconder a ansiedade, junto com sua costumeira curiosidade.
– Nada foi decidido ainda... – Miroku pigarreou tentando chamar a atenção. – Como anda os preparativos do casamento de Inuyasha e Kagome?
Sua mudança de assunto não passara despercebida por seus olhos. Por mais que Miroku havia dando um grande passo em sua vida, sua enrolação parecia não ter mudado. Oh, pobre Sango. Cogitou que seu casamento demoraria a acontecer se dependesse de seu noivo enrolado.
– Está tudo á mil maravilhas, nós já alugamos o espaço para a festa! – Izayoi contou, transbordando de felicidade.
Fora Rin, ninguém ali parecia perceber na proposital mudança de assunto. Kagome sorriu em resposta, concordando com tudo que sua sogra dizia.
– Porque não brindamos, querida? – Inu no Taishou afagou as costas da esposa e se deliciou quando a viu abrir um sorriso.
– Ao casamento deles? – Seu sorriso se ampliou. – Podem ajudar-me a trazer as taças e o champagne?
Movimentando a todos para ajudá-la, Izayoi os arrastara para o interior da casa. Rin preferiu continuar no mesmo lugar, além do mais, havia mais pessoas dispostas em ajudar sua doce vizinha do que o necessário. Kohaku parecia que havia tido a mesma idéia que ela, já que se manteve também no mesmo lugar. Rin teria se sentido ainda mais desconfortável se a carranca no rosto de Kohaku não houvesse despertado a sua curiosidade. Havia algo de muito errado, ele não transborda felicidade como o restante das pessoas. Disposta em desvendar seus pensamentos, Rin comentou:
– Você não parece estar contente!
Pego de surpresa, ele procurou esconder o aborrecimento enquanto suavizava sua expressão.
– E não estou! – Confirmou suas suspeitas.
– Por quê?
– Por que esse casamento não me agrada! – Disse o obvio. – Miroku não é o tipo de cara que sonhei em ver minha irmã se casando. Sango merece algo muito melhor!
Por um lado entendia perfeitamente onde ele queria chegar com tudo aquilo. Mas Miroku estava disposto em enfrentar suas dificuldades por Sango. Parecia querer mudar.
– Ela o ama! – Afirmou com veemência.
– Sim, infelizmente! – Soltou um suspiro para o alto.
– E está feliz com isso... – Completou em seguida.
Aproximou-se dele para que fossem capazes de conversar sem que a distancia o atrapalhassem.
– Dê uma chance a ele.
– Não quando este alguém se trata de Miroku! – Enrugou a testa.
Rin não conseguiu evitar que um suspiro lhe escapasse da garganta. Kohaku era mais cabeça dura do que imaginara.
– Qual é o seu medo? Tem medo de que ele possa magoá-la novamente?
– Está tão na cara assim? – Correu as enormes mãos por seus curtos cabelos, deixando-os ainda mais bagunçados. – Miroku é imprevisível Rin, eu já perdi as contas de quantas vezes ele já a magoou. E por mais que mostre que está disposto em mudar nós sabemos que isso leva tempo e quando menos esperarmos ele irá magoá-la novamente. – Kohaku se abriu, dizendo tudo de uma única vez, sem respirar. – Na verdade, desde que nossos pais faleceram tenho cuidado de Sango e meu maior medo é que ela volte a cair em depressão.
Rin mordeu o lábio inferior. Então as crises de Sango eram devido a isso? Ela não sabia! Sango nunca havia lhe contado sobre isso...
– Me sinto na obrigação de afastá-la disso tudo, mesmo que eu tenha que manter qualquer marmanjo longe dela. – Continuou ele.
Rin concordou com a sua linha de raciocínio. Kohaku não estava errado em querer protegê-la, isso a fazia se lembrar de Bankotsu e todo o seu senso de irmão protetor. No entanto, a forma como dizia insinuava que todos os homens eram iguais.
– Tenho a impressão de que você acha que todos os homens não passam de pervertidos!
– Todos pensam com a cabeça de baixo, Rin. – argumentou. – E eu sei que concorda comigo.
Suas bochechas esquentaram e seu rosto se tornou tão vermelho quanto um tomate. Diante daquilo Rin não soube o que dizer, estava envergonhada o bastante para continuar a dialogar sobre o fato da grande parte da população masculina só pensar em sexo. Já Kohaku não parecia incomodado pelo assunto, ele agia como se já estivesse acostumado. Seus olhos febris lhe queimavam toda a pele exposta que sua roupa não era capaz de esconder. Lá estava o que tanto queria evitar! Ele olhava-a com admiração ao mesmo tempo em que seus olhos brilhavam de desejo. Abaixou a face tentando não encará-lo por muito tempo. Como iria afastá-lo sem que realmente o magoasse? Kohaku não merecia um belo chute na bunda, por mais que seu youkai desejasse colocá-lo em seu lugar.
Uma mecha ligeiramente caiu por entre seus olhos, sendo apanhada por uma das enormes mãos de Kohaku. Olhou para cima e perdeu-se em seus escuros orbes e nas sedutoras sardas que se alastravam por suas bochechas. Viu-o umedecer os lábios com a ponta da língua enquanto seus dedos trabalhavam em colocar a mecha atrás de sua pequenina orelha.
– No entanto... – Sua voz soou rouca, carregada de desejo. – Não sou como eles, Rin!
Engoliu em seco.
– Deixe-me mostrá-la este meu lado que ninguém conhece.
Não, não e não! Sua mente gritava para que recobrasse a consciência. Se alguém os vissem assim... De imediato pensou em Sesshoumaru. Céus, se ele retornasse e visse Kohaku tocando-a, certamente o mataria. O inferno aconteceria e não ela gostaria de adquirir o primeiro lugar da área vip para assistir o desastre que surgiria. Sesshoumaru não pensaria duas vezes antes de arrancar para fora do corpo de Kohaku todos os seus membros que a tocaram e também os que pretendiam tocá-la mais tarde.
– Kohaku... – O nome do outro soou de forma baixa, em sinal de aviso e repreensão.
Rin deu um passo para atrás, procurando se afastar.
– Porque sinto que reluta? – Ele questionou-a. – Porque está fugindo de mim?
– Porque não quero lhe causar problemas! – Disse de uma única vez, sem ao menos respirar.
– Não entendo em que tipo de problemas eu me colocaria... – Deu de ombros, avançando em sua direção.
– Afastou-se de sua mão que a buscou, querendo tocá-la. Céus, será que ele não percebia que não queria ser tocada?
– É melhor realmente não saber! – aconselhou.
Tentou não tropeçar em seus próprios pés, mas a cada passo que recuava Kohaku avançava diminuindo qualquer distancia que impunha. Aquilo o motivava, sua recusa o instigava a continuar. Ele estava disposto em querer descobrir os motivos que a faziam querer fugir de si. Desde que Rin chegara naquela cidade, desde que colocara os olhos sobre ela, uma curiosidade grande em querer desvendá-la o envolveu. Ela era tão misteriosa... Tão linda...
Seus olhos voaram para os seus lábios rosados e Rin preparou-se para o que viria a seguir. Kohaku a beijaria! Seu hálito fresco tocava os lábios úmidos e uma sensação de frescor apossou-se de si. Quando estava prestes a ser beijada, fez o que qualquer compromissada faria. Com sutiliza, tocou-lhe o peito e o empurrou ao mesmo tempo em que virava o rosto. Sua indiferença o fez se afastar. Ela não o queria! Ela não o desejava! Porra, aquilo lhe feriu mais do que se tivesse levado um tiro no peito. Correu as mãos por seus cabelos rebeldes, envergonhado pelo seu descontrole e pela recusa de Rin. Kohaku não a entendia...
– Por quê? – Foi tudo o que conseguiu perguntar.
O que havia de errado consigo? Pensava ele. Sempre deixou claro o seu interesse pela mais nova moradora da cidade e sempre achou que talvez Rin o correspondesse da mesma forma.
– Porque eu só o vejo como um amigo! – Disse, por fim.
Sim, um tiro no peito não doeria tanto!
Deixou que seus braços caíssem ao lado de seu corpo e foi então que Kohaku entendeu o motivo da recusa, ou tentou pelo menos. O silencio se instalou entre eles, mas logo foi quebrado com a chegada do restante dos moradores daquela mansão. Izayoi voltou saltitante enquanto trazia duas taças, uma em cada uma das mãos. Sango e Kagome também a acompanhavam e Inuyasha vinha logo atrás, com a garrafa de champagne.
– Minha mãe foi fabricar a garrafa. – O mais novo Taishou referiu-se a demora, o que arrancou alguns sorrisos forçados de Rin.
– Mentiroso! – A matriarca o repreendeu. – Demoramos porque as taças estavam a muito tempo guardadas, Sango e Kagome me ajudaram a lavá-las.
Uma taça foi entregue em suas mãos, ninguém ali se deu conta na intensidade do clima que se transformou antes de saírem. Inu no Taishou adiantou-se no processo de abrir a elegante garrafa. Apontou-a para o alto e quando a garrafa explodiu fazendo a rolha voar com a pressão, todos aplaudiram, em comemoração.
Estendeu sua taça para que a servissem, seguindo o exemplo de todos.
– Um brinde... – Inu no Taishou ergueu sua taça que borbulhava com espumas. – Um brinde ao noivado de meu filho e de minha nora, e ao noivado de Miroku e Sango!
As taças se chocaram, o brinde fora feito. Izayoi estava mais uma vez em lagrimas, extasiada demais esbanjando toda a sua felicidade ao mesmo tempo em que comemorava. Quando sua taça se chocou contra a de Kohaku, Rin fez o possível para não encará-lo nos olhos. Levou a taça ate os lábios e sorveu o liquido com sutileza, degustando do saboroso champagne. Por cima da taça seus olhos se encontraram com Kohaku e ela fez o possível para não deixar que ninguém notasse a troca de olhares entre os dois. Desviou o olhar para outra direção e viu o momento exato que Kagome e Sango caminhavam para perto de si.
– Você viu Rin? – Kagome chamou sua atenção. – Mostre á ela o seu anel San!
Sango trocou a taça de mão e ergueu a mão que ordenava um belíssimo anel de brilhantes e Rin não soube o que brilhava mais, o seu anel de ouro ou o seu sorriso largo.
– É lindo! – Rin segurou sua mão com delicadeza para que pudesse ver melhor cada detalhe do solitário.
Era um belo chuveirinho, não podia negar. Miroku tinha bom gosto! O seu sorriso se alargou na medida em que virava a mão de Sango e vislumbrava a jóia que ela carregava. Sim, estava realmente feliz pela amiga. Sem perceber, a surpresa passou pelo semblante das outras duas que fixavam os olhos na mesma direção que os seus. Sango deixou o queixo cair e Kagome mal piscava. Imaginou que a futura Taishou se esquecera de respirar, afinal estava completamente estática enquanto mantinha o olhar fixo em algum ponto extremamente interessante. Curiosa, procurou descobrir o que tanto chamara a atenção de suas amigas. Voltou a olhar para baixo e foi então que tudo pareceu fazer sentido. Claro que teriam esta reação, era totalmente esperado que possuíssem!
– É o que estou achando que é? – Sango foi a primeira a questioná-la.
Achou graça da confusão por parte da outra, mas não a culpava, afinal não contara nada a ninguém.
– Rin! – Kagome exclamou seu nome, alto demais. – Desde quando? – ela abriu um sorriso tão grande que julgou que não caberia em sua face.
Sua mão foi segurada com firmeza, dessa vez seu anel quem fora meticulosamente analisado.
– Desde que retornei da casa de Sango. – Respondeu.
– Naquele dia?
– Sim!
– Céus, quando Jakotsu souber disso vai pirar. – o comentário de Kagome arrancou risadas das outras duas.
Imaginou qual seria a reação de seu amigo quando visse o anel que Sesshoumaru lhe dera. A cena se passou por sua mente e ela não conseguiu controlar o ímpeto de rir. Sua barriga se contraiu e Rin tivera que se segurar para não gargalhar alto.
– Eu pagaria para ver isso, com toda certeza. – Soltou, assim que se recompôs e voltou a respirar normalmente.
Sentiu suas costas queimarem, não precisava virar-se para constatar de que alguém a encarava. Sabia bem quem estava encarando-a com tamanha intensidade. Levou a taça em direção aos lábios e sorveu sua bebida com pequenos goles, como se tentasse aliviar o nó que se instalava em sua garganta. A bebida por um lado a ajudara, afinal sentia a leve quantidade de álcool arranhando-lhe a garganta ao mesmo tempo em que queimava quando ingeria o líquido.
– Ah! Izayoi me disse que cursou arquitetura, é verdade? – Agradeceu por Kagome ajudá-la a quebrar o clima pesado que apenas ela enxergava.
– Sim, porem não cheguei a concluir o curso. – Respondeu, voltando a bebericar sua taça.
– Porque não? – Sango enrugou a testa, curiosa o suficiente para descobrir os motivos que a levaram a trancar a faculdade.
– Não é que eu tenha desistido ou me arrependido como acontece com a grande maioria, eu apenas iniciei os estudos em uma época ruim...
– Ah sim, eu te entendo completamente! – Sango pareceu entender, sem voltar a questioná-la mais uma vez.
– Pensa em voltar algum dia? – Kagome quis saber.
– Sim, eu ainda não desisti. Apenas estou esperando minha vida voltar a se normalizar.
A indireta que deixara ai ar não parecia afetar ambas as jovens que a acompanhavam. Claro que não a afetariam! Elas mal sabiam na grande bagunça que era sua vida.
– Se não se importar, eu queria pedir alguns conselhos e sugestões para algumas mudanças no apartamento que compramos.
Piscou os olhos com o inesperado pedido, seus lábios se curvaram em um sorriso e não foi capaz de esconder sua empolgação.
– Claro! Eu adoraria ajudá-la Kagome.
– Obrigada. – A futura Taishou retribuiu o sorriso.
– Eu também preciso de ajuda, mas para os preparativos do meu casamento. Sozinha não vou conseguir resolver tudo, sinto que vou pirar a qualquer momento. – Um suspiro escapou da boca de Sango.
– Como se eu fosse ficar de fora disso! – Kagome empurrou-a com os ombros. – E se já está assim, não queira experimentar a sensação de fazer a lista de presentes e a de convidados.
Sango a puxou para um abraço e beijou sua bochecha com um beijo estalado. Rin riu por cima da taça e quase se engasgara com o sobressalto que Kagome tivera. Fitou a bela amiga a sua frente sem entender o que se passava por sua cabeça. Kagome era louca?
– Meu Deus, acabei de me lembrar de que ainda não lhe fiz o pedido Rin!
Pedido? Que pedido?
– Quero que seja minha madrinha, junto á Sesshoumaru. – Cruzou as mãos frente ao peito, com expectativa.
Engoliu em seco. Havia escutado certo? Kagome a queria como sua madrinha de casamento?
– Pare de querer roubar a madrinha dos outros, Kagome! – Sango resmungou fingindo falsa irritação.
Agora sua expressão não passava de perplexidade. Não seria madrinha de um casamento, mas sim de dois?
– Você nem ao mesmo começou os preparativos, porque está resmungando? Alias, eu não me importo, eu sei dividir. – Kagome entrou na brincadeira. Piscou um dos olhos azuis para a amiga e Sango riu de seu jeito. – O que nos diz Rin? – Votlou a se dirigir a ela novamente.
O que diria? Olhou de uma para a outra e sorriu como se demonstrasse toda a alegria que aquele pedido lhe passava, ser madrinha de ambos os casamentos de suas amigas era o mesmo que sentir a mesma emoção que ambas sentiam. Vê-las tão felizes também a faria se sentir feliz, completamente realizada, assim como elas.
– E nem pense em recusar. – Sango alertou.
– Como se eu tivesse coragem... – Rin brincou. – Ser madrinha do casamento de vocês é uma honra.
Não soube dizer qual o sentimento que traçou o rosto de Sango e Kagome. Carinho? Gratidão? Emoção? Parecia que um turbilhão deles haviam se apossado das futuras noivas, seus olhos estavam marejados e até mesmo Rin se surpreendeu por estar igual a elas. Limpou o resquício das lagrimas que começavam a escapar pelos longos cílios e não hesitou em abraçá-las. Imaginou-se ao lado de um Sesshoumaru com trajes finos enquanto seu pequenino corpo era coberto por um vestido longo, elegante. Sorriu com o pensamento.
– Marcaremos de ir novamente à loja de vestidos para escolher um a altura. – Kagome garantiu. – E você também Sango! Você é noiva, mas continua sendo minha madrinha e o casamento não está tão longe assim! – Refrescou-lhe a memória.
– Eu tenho opção de escolha? – A futura Houshi segurou a risada quando viu os olhos estreitos de Kagome em sua direção.
Em resposta a sua provocação, recebeu um empurrão de ombros. Não conseguiu não rir da forma como as duas se provocavam a cada cinco minutos. Teria conseguido manter o sorriso se uma figura intimidadora não houvesse quebrado completamente sua linha de pensamentos. Ali, próximo de onde estava, a imagem de seu youkai não passava despercebida. Entretanto, não era ela a quem seus olhos buscavam. Desde que retornara seu olhar estava cravado em outro corpo coberto por músculos que se destacavam abaixo de sua camiseta justa. E era exatamente isso o que tanto queria evitar, o encontro entre Sesshoumaru e Kohaku. Engoliu em seco, sentindo a garganta protestar e mais que depressa Rin voltou a beber o restante de seu champagne, na esperança de que talvez ele aliviasse tanto a tensão de seu corpo quanto o nó preso em sua garganta.
Os olhos estreitos, o corpo rígido e os músculos tensionados apenas intensificavam o quanto a presença de Kohaku o desagradava. Mas que inferno, quanta petulância! Como este maldito moleque ousara cruzar seu território? Estava sendo impossível controlar as batidas frenéticas de seu coração, o medo começava a rondá-la sem aviso prévio. Não queria que uma provável guerra acontecesse, bem ali, diante de seus olhos. Buscou na expressão de seu youkai algo que a fizesse relaxar, mas tudo o que Sesshoumaru conseguia enxergar a sua frente era Kohaku. Seus orbes estavam cravados no garoto, enquanto destilava ferocidade. Como uma águia em busca de sua presa, como um animal enraivecido por ter cruzado seu território. Seus punhos cerraram e sua respiração tornou-se irregular. Seu peito subia e descia e seu sangue corria por suas veias com rapidez, fluindo exatamente para os nós de seus dedos que estavam tão brancos quanto papeis. Seu sangue não chegava até eles. Ele nem mesmo havia varrido o lugar com o olhar dando a atenção para o restante dos presentes. Tudo o que via, era o maldito moleque.
Trocou o peso do corpo de uma perna para a outra. Oh claro, como se isso fosse adiantar! Estava tão tensa quanto o corpo enrijecido de seu youkai.
Percebendo a forma como Sesshoumaru o encarou, Kohaku se sentiu desconfortável. Algo de muito estranho estava acontecendo, ele sabia. No entanto, o pobre rapaz não conseguia desvendar a expressão indecifrável do outro. Rin foi capaz de voltar a respirar quando o viu se aproximar, desta vez com o olhar fixo em seu corpo pequenino. Como se buscasse algum vestígio de que Kohaku lhe tentara algo. Se Sesshoumaru soubesse...
A medida que ele se aproximava, Rin se sentia mais inquieta. Levou a taça novamente até os lábios e se arrependeu em seguida quando notara que já havia bebido todo o restante de seu champagne. Isso apenas a fez se sentir ainda mais tola.
– O que esse moleque faz aqui? – Seu rosnado poderia ser facilmente confundido com um trovão, apesar de seu tom de voz permitir que apenas ela o ouvisse.
Por qual motivo Kohaku estava ali? A presença de Miroku e Sango já o denunciava completamente, ele os acompanhara. Não era preciso respondê-lo, no entanto, havia muito mais ali do que Sesshoumaru gostaria. Este não era apenas o motivo que o levara até seus domínios, sabia que não. Apertou a taça por entre os dedos e ofegou quando o cumprido nariz de seu youkai se infiltrou por entre os fios escuros de seus cabelos. Ele estava cheirando-a como se buscasse algum resquício de outro cheiro misturado com o seu. Possessivamente, plantou enorme mão em suas costas enquanto seus ferozes olhos voltaram a se fixar em Kohaku.
Sua ação despertou a atenção do mais novo Taijiya, que até então não havia decifrado o comportamento do mais velho dos irmãos Taishou. O aperto firme em seu ombro o obrigou a virar-se para descobrir que quem o tocava era Miroku. Seu cunhado o olhava com olhos compreensivos, sentiu o ombro ser apertado novamente por sua mão e leve tapas foram postos em suas costas. Miroku parecia estar o consolando, só não sabia o porquê.
– Perder é uma merda! – ele lamentou.
Mas que diabos ele estava dizendo? Franziu o cenho ainda incomodado com os tapas que se alojavam atrás de si.
– Quer um conselho? – seu cunhado continuou, dizendo-lhe o mais baixo possível. – Se quiser manter suas bolas no lugar não provoque a ira de Sesshoumaru.
– Mas que merda está me dizendo, Miroku? – Kohaku se desvencilhou de sua mão e virou-se para encará-lo com o cenho franzido.
– Estou dizendo para começar a pensar com a cabeça de cima! – ele voltou a aconselhar.
Sério mesmo? Miroku estava lhe dando algum tipo de sermão ou tentava colocar algum tipo de juízo em sua cabeça? Kohaku quase revirou os olhos quando o ouviu dizer aquilo, quase. Chegava a ser irônico tal conselho sair da boca de Miroku Houshi. Ainda mais vindo de alguém como ele.
– É sério, mantenha o pau dentro das calças e se afaste da caipira da cidade. – levou a taça até a boca e bebeu o que restava de sua bebida em um só gole.
Então tudo pareceu fazer sentido. A recusa de Rin, o conselho de seu cunhado, a aproximação de Sesshoumaru e a forma como ele o fuzilava com o olhar. Porra. Eles estavam juntos! Mas que droga! Kohaku era um fodido de merda! Possuía tanta sorte que nem mesmo ele se incomodaria de dividi-la com alguém. Desde quando estavam nisso? Pelas suas contas não fazia tanto tempo que Rin havia se mudado, então o relacionamento era recente. Rin poderia ter lhe contado, assim não lhe alimentaria esperanças.
E pelo jeito apenas ele era o único que não sabia sobre os dois, porque ninguém ali parecia realmente se incomodar com a maneira que se comportavam juntos. Encaravam a situação como se tudo fosse normal, o que o fez pensar que a relação dos dois era realmente séria. Apanhou a garrafa de champagne próxima de si e virou-a em sua taça. Kohaku precisava beber! Mas a baixa quantidade de álcool que a bebida continha não lhe pareceu o suficiente. Ele precisava de algo forte, extremamente forte, que fosse capaz de fazê-lo esquecer por um breve momento a maldita merda em que se metera.
– Apenas o tolo subestima seu inimigo quando cruza seu território. – Seu rosnado cortou o silencio que os rodeavam.
Rin segurava o forte braço do youkai como se o controlasse, como se o impedisse de cometer alguma besteira. As palavras de Sesshoumar o perfuraram. Um soco talvez não doeria tanto. Abaixou a taça do rosto e pensou naquelas palavras. Indiretas nunca o agradaram, principalmente aquela.
Lançou um ultimo olhar para eles antes de perceber que sua presença não era bem vinda. Pelo menos Sesshoumaru parecia querer deixar isso bem claro para si. Já a expressão de Rin lhe passava outra mensagem, ela se desculpava em silencio. Kohaku elevou a taça ainda cheia em direção ao novo casal brindando entre eles a nova união. E sem dizer mais nada, afastou-se. Indo embora, levando consigo qualquer esperança que um dia alcançou.
– Era realmente preciso ser tão direto? – Se desviar o olhar do caminho que Kohaku desaparecera, Rin perguntou.
– Está defendendo-o? – Sesshoumaru grunhiu apenas para ela.
– Não, não estou defendendo Kohaku! – afirmou. – Ele é um amigo e eu já deixei claro isso a ele. Não precisa esbanjar possessividade sempre que o encontrar.
Trocou a taça de mãos e o movimento despertou o interesse do youkai. Com delicadeza, pegou a taça que segurava entre os dedos e se serviu do champagne ainda gelado.
– Então andaram discutindo a relação! – afirmou, a ironia presente em cada silaba.
– Não há nenhuma relação fora a amizade! – enfatizou mais uma vez.
– Então o que o moleque fez para que deixasse claro que está agora com este Sesshoumaru?
Bingo. Ele acertara em cheio. Mas não contaria a ele que Kohaku havia cruzado a mais perigosa das linhas. Se fizesse isso Sesshoumaru não hesitaria em matá-lo.
– Kohaku não fez nada! – Manteve a voz firme.
Seria o mais convincente possível, até porque Rin era rainha no quesito mentir. O problema era que Sesshoumaru sentia o cheiro de suas mentiras.
– Não minta. – ele rosnou em sinal de aviso.
A taça em sua mão ganhara uma bela rachadura, tamanha era a força com que ele a apertava. A tensão entre os dois se tornara grande, tanto que Rin se sentiu incomodada por estar sendo assistida de perto pelos familiares e amigos de seu youkai. Izayoi previa que algo não estava certo, no entanto, não se intrometera como a grande maioria das sogras fazia. Os deixariam resolver suas diferenças, mas se Sesshoumaru passasse dos limites aí sim ela colocaria seu enteado nos trilhos.
– Estamos chamando a atenção, Sesshy... – ela murmurou com a voz mansa.
Kohaku não havia feito nada, pelos deuses. Antes que ele pudesse, Rin o impedira. Ela não deixaria que o pobre irmão de sua amiga fosse a razão de seu primeiro desentendimento com o youkai.
– Ainda não me respondeu. – seu grunhido soou ainda mais ameaçador, se é que era possível.
– Essa discussão é totalmente desnecessária quando eu digo que nada aconteceu!
Nada aconteceu? Suas bolas que nada acontecera! Sua Rin não queria lhe dizer, e o fato de que estava defendendo o maldito moleque fez com que seu sangue borbulhasse dentro das veias. Sua vista ficou embaçada e por entre os nós de seus dedos o vidro da taça se partira e a bebida se esvaiu lentamente por entre eles, gotejando aos seus pés. Seus adoráveis olhos amendoados se arregalaram e sua boca se entre abriu, surpresa. Sesshoumaru havia destroçado a taça de cristal apenas com a força de seus dedos. E o mais preocupante foi que pudesse ter se cortado. Seu estomago se agitou com a possibilidade de sangue.
– Sesshy... – elevou a mão para tocá-lo e seu coração parou de bater um segundo quando sentiu sua mão se afastar bruscamente.
Com um baque mudo, Sesshoumaru não permitira que Rin o tocasse. Empurrou sua delicada mão para o lado recusando o calor de seus dedos, o seu cuidado, como se a qualquer momento ela fosse queimá-lo como fogo. Ficou durante tortuosos segundos tentando digerir o que acabou de acontecer. Surpresa o bastante, magoada o bastante por sentir-se recusada. Talvez aquele fosse o mesmo sentimento que Kohaku sentira quando ela o afastou. Se não fosse o mesmo, se assemelhava. Sentiu o rosto levemente quente e as lagrimas chegando. Não, ela não choraria na frente de seus familiares, não quando já havia permitido-os que assistindo a um belo espetáculo. Sentiu uma dor dentro do peito. Sesshoumaru não confiava nela! Sua reação apenas confirmava isso. Magoada, se afastou antes que a primeira lagrima lhe traísse.
Pediu licença com a voz baixa e ignorou os olhares que a seguiam à medida que se afastava, sumindo logo em seguida para o interior da residência.
– Vá atrás dela. – Escutou Izayoi dizer ao longe.
Não soube dizer se havia corrido, mas chegara rapidamente no andar de cima entrando sem rodeios no quarto que dividia com o possessivo homem por quem havia acabado de ter a primeira briga. Correu as pequenas e tremulas mãos por seus cabelos jogando-os para trás e caminhou até o banheiro para ver seu lastimável reflexo no espelho. Sua imagem era a esperada: olhos e bochechas vermelhas, nariz constipado e lábios abertos que buscavam oxigênio para seus pulmões. Fungou demoradamente procurando aliviar o nariz bloqueado. Abriu a torneira e jogou a água no rosto, molhou também a nuca como se aquilo refrescasse a rápida corrida que havia feito minutos atrás.
Quando fechou os olhos e passou a mão sobre o rosto outra vez, Rin não se importou por talvez estar borrando o perfeito delineado que demorara horas para fazer. Aquilo era a ultima coisa com que se preocupava. Que se dane se estivesse com a aparência deplorável. Quando voltou a abri-los a imagem refletida no espelho mudou, fazendo-a engolir em seco. Ali, encostado no batente da porta do banheiro, estava a montanha de músculos de Sesshoumaru que tencionava seus braços tornando seus bíceps muito maiores do que já o eram. Seus ombros se encolheram. Rin imaginou que um tempo sozinha a faria relaxar, não que Sesshoumaru a seguiria para que terminassem a conversa que haviam começado.
Girou a torneira, fechando-a. puxou o ar pela boca tomando toda a coragem para começar a falar já que Sesshoumaru se mostrava impassível, desprovido de qualquer expressão. Secou o rosto com a primeira toalha que avistou e fez uma careta quando ela ficou borrada pela maquiagem que usava. Céus, seu rosto estava uma bagunça. Coberto por inúmeras misturas de cores em formas de borrões. Sim, sua imagem não estava das melhores, mas quem disse que ela ligava? O quanto antes acabasse com aquele clima entre eles, melhor. Raios, e pensar que todos assistiram aquela cena...
– Poderia ter me abordado quando estivéssemos a sós, não na frente de uma platéia. – ela começou, demonstrando claramente que não gostara da situação.
Olhou-o pelo espelho, sem se virar para pode encará-lo de frente.
– Kohaku se sentiu envergonhado, e talvez humilhado pelo o que aconteceu. – continuou a falar quando viu que Sesshoumaru permaneceria calado.
Pelo espelho viu quando seu maxilar se apertou e lá estava o mesmo semblante que vira minutos atrás.
– Voltará a defendê-lo?
– Por Deus, eu já lhe disse que não estou defendendo ele! – girou nos calcanhares para ficar cara a cara com Sesshoumaru.
– Não é o que aparenta! – argumentou.
Céus, conversar com Sesshoumaru quando o mesmo estava cego pela sua possessão não estava lhe dando esperanças de que sua carranca irritadiça se suavizaria. Apoiou o quadril na pia de mármore e suas mãos foram automaticamente para as mesmas, como se sustentasse o peso de seu corpo.
Aquela conversa seria longa...
– Eu apenas acho que tudo aquilo poderia ser evitado, afinal eu deixei claro á ele de que éramos só amigos.
– Então diga-me Rin. – seus olhos se mantinham presos em seu rosto. – O que aqueleinsolente fez para que você o advertisse?
E lá estava a bendita pergunta! Sesshoumaru continuava batendo na mesma tecla. Ela estava realmente defendendo o irmão de Sango, só não contava a Sesshoumaru o que tanto ele a questionava porque temia o que ele poderia fazer com Kohaku. Mas que droga, ela só estava sendo racional!
– Você não confia em mim? – sua voz soou rouca.
– Mas é claro que este Sesshoumaru confia, não confio é no maldito moleque ou em qualquer homem que não consiga controlar seus desejos. – Seu rosnado lhe rasgara a garganta, ecoando pelo silencioso banheiro.
A ameaça borbulhando em cada silaba de suas palavras. Diante daquilo, como ela poderia cogitar em contá-lo? Rin tinha medo do que Sesshoumaru seria capaz de fazer...
– Diga-me de uma vez! – exigiu. – O que aconteceu?
Como negaria? Aquele homem possuía o dom de ler sua alma. E por mais que tentasse o convencer de que Kohaku não lhe fizera nada, ele sabia que algo acontecera. Conseguia sentir isso em cada extensão de seu corpo curvilíneo.
– Tenho medo de que vá atrás dele... – confessou.
Então alguma coisa acontecera... Seus músculos se enrijeceram e seu maxilar se contraiu. A vontade de quebrar todos os ossos do insolente moleque nunca lhe pareceu tão tentadora. Sua respiração fez seu peitoral subir e descer e a força que depositava em suas grandes mãos cerradas deixaram o nó dos dedos esbranquiçados.
– Irá contar-me ou terei que fazê-la dizer?
Rin quase riu se a situação não a instigasse a continuar calada. Imaginou nas inúmeras formas que ele utilizaria para conseguir arrancar-lhe a verdade. Apenas o pensamento fez com que o seu centro se contraísse deliciosamente. Oh, ela estava começando a ansiar por isso!
– Isso me deixa curiosa. – provocou. – O que fará para que eu conte? Irá me torturar?
Mordeu o lábio inferior. Assistiu Sesshoumaru se desencostar da porta e aproximar-se de si como um predador. Se sua intenção era fazê-la se sentir acuada, ele estava conseguindo.
– Minha Rin quer ser torturada?
Oh sim! Sim, sim e sim! Faltava pouco para começar a implorar. Viu-o esgueirar-se até onde estava, ficando a sua frente. Arfou quando sentiu duas mãos apertarem suas nádegas por cima do vestido e com um impulso brusco havia sido levantada e apoiada contra a pedra fria de mármore enquanto suas pernas balançavam no ar.
– O quanto está molhada doce Rin?
Sua voz grossa chocou-se na curvatura de seu pescoço. Oh céus, que começasse a sessão tortura!
Apertou os ombros largos de seu youkai e inclinou a cabeça para o lado o permitindo que a tomasse tudo de si. Rin já se encontrava na borda.
– Eu estou pingando! – admitiu.
Não soube explicar o porquê, mas teve a sensação de que sua admissão havia arracando algum sorriso por parte de Sesshoumaru. Em seu pescoço o sentira sorrir, por porem seus caninos que lhe roçavam a pele deixava um rastro de fogo por onde passava. Olhou diretamente para as suas mãos, vendo que ele não se cortara com a taça de cristal. Mas que tola, era claro que Sesshoumaru não havia se cortado, afinal ele era um youkai.
– Onde irá querer? – fungou em seus cabelos. – Na pia, no chuveiro, ou na cama?
– Céus... – ela derreteu em seus braços. – Em todos os lugares, começando por aqui!
Quem era o insaciável agora? Sesshoumaru quase a perguntara.
– Não irá me dizer? – lambeu-lhe o lóbulo da orelha, provocando-a. Ele adorava assistir as reações que lhe causava no corpo.
– O quê? Você nem ao menos começou a me torturar!
Então ela realmente desejava ser torturada? Ah, se ela soubesse de todas as coisas que ele queria fazer com ela. Sesshoumaru a faria falar, arrancaria a verdade de seus lábios e só então a faria fazer implorar por seus toques.
– Você ainda não me respondeu... – deslizou a alça fina de seu vestido pelo seu ombro e percorreu a língua pela região.
– Apenas esqueça isso, há muito mais coisas interessantes para se fazer com a boca do que falar! – argumentou.
Seus orbes se tornaram febris. Sua Rin estava pedindo para ser chupada? Desde quando se tornara alguém tão quente? Era verdade, desde o momento em que a tornara sua, Rin se mostrou tímida de inicio e veja só como estava agora. Praticamente implorava por seus toques.
– Preciso que me ajude a resolver um imenso problema. – sua risada doce o deixou entregue.
Sua cabeça trabalhando a mil. A visão de um Sesshoumaru por entre suas pernas sugando todo o seu melnunca lhe pareceu ser tão excitante como naquele momento. Raios, como ela precisava dele. Sugando sua umidade até que se contorcesse de puro êxtase.
Como se lesse seus pensamentos, ele a fez soltar um gemido no instante seguinte em que a fez perceber o quanto a desejava. Seu membro ainda encoberto pelo tecido de seu jeans era deliciosamente friccionado contra o tecido da renda de sua calcinha. Ele queria enlouquecê-la, como queria.
– Deixe-me rasgá-la, Rin! – ronronou. – Vê o quanto a desejo? O quanto o meu pau quer se enterrar dentro de você?
Ouvi-la gemer seu nome apenas o incentivou a aprofundar as caricias. Ele sentia seu cheiro, e por Deus, sua Rin estava tão excitada ao ponto de se contorcer em seus braços. Agarrou-lhe pela nuca afundando a mão por entre os fios escuros e puxou-a para trás para que ela o fitasse nos olhos. Dominando-a completamente.
– Diga-me o que deseja Rin. – curvou-se, passando o cumprido nariz por seu pescoço. – Você me quer aqui? – deslizou a mão livre por entre suas pernas abertas e infiltrou um dos dedos para dentro de sua calcinha. – Me quer enterrado bem aqui?
Seus grandes lábios se dividiram dando passagem para o que dedo de Sesshoumaru a lubrificasse com sua própria umidade. Conteve um gemido dentro da garganta, agora sim ele estava torturando-a.
– Lembre-se sempre de que apenas eu sou capaz de deixá-la com as pernas bambas.
Demônios, seu youkai era tão convencido! Teria revirado os olhos por seu jeito, no entanto, só revirara quando o sentiu deslizar para dentro de si. Bendito dedo!
– I-Isso é uma promessa? – gaguejou entre uma respirada e outra.
– Promessa?
– S-Sim... U-Uma promessa de que me fará se contorcer!
Mas ele já estava fazendo!
– Você ainda não respondeu a este Sesshoumaru. De que forma quer que eu a torture? Diga-me, aprecio todas as suas fantasias.
Deslizou a mão de seus cabelos, libertando sua nuca para que se livrasse do restante do tecido do vestido que ainda a cobria. Puxou seus braços pelas alças finas e libertou seus maravilhosos seios que saltaram para fora. Sua menina não usava sutiã algum, bendita seja!
– P-Porquê? V-Você pretende realizá-las? – entre abriu a boca e puxou a respiração com força.
Seus lábios rosados o fizeram se perder neles, como se Sesshoumaru estivesse totalmente hipnotizado. Aproximou-se de seu rosto corado e quando pensou que ele a beijaria se surpreendeu quando sensualmente ele capturou seu lábio inferior com os dedos e os puxou com delicadeza.
– Todas elas! – afirmou em sua boca.
O âmbar no castanho. Completamente presos um no outro. Apertou a pia de mármore com força. Estava sendo imensamente difícil não rebolar o quadril nas mãos do youkai que ainda trabalhavam dentro de si. Um novo dedo a invadira e aquilo a levou até a borda. Mais uma vez.
– S-Sua boca... – gemeu. Jogando a cabeça pra trás. – E-Eu quero a sua boca!
Suas pernas tremularam e seu canal estreito se apertou por entre os dedos que a saboreavam com avidez. A proposta indecente saíra de sua garganta, e não bastou especificar para Sesshoumaru compreender onde ela o queria. Porra, sua menina estava se transformando em uma mulher quente! Deixou primeiro que ela encontrasse sua libertação para só assim esgueirar-se pelo seu corpo com a língua até alcançar o ponto pulsante em seu centro. Lambeu seus dedos sentindo o seu sabor e deu a devida atenção que sua doce menina ansiava quando puxou para o lado o tecido rendado da calcinha e se deparou com seu sexo úmido. Puxou uma de suas pernas para cima de seus ombros largos e apertou a lateral de sua coxa ao mesmo tempo em que sua outra mão afastava a outra enquanto afundava-se em suas dobras. Lambeu os lábios rosados e se deteve em sua entrada. Céus, sua menina estava tão sensível, tão rosada, tão linda e molhada...
– S-Sesshy... – Seu nome veio acompanhado de um gemido.
Seu clitóris protestou, pulsando bem abaixo da língua de seu youkai e um leve desconforto subiu pelo ventre. Estava tão sensível pela brincadeira que os dedos de Sesshoumaru lhe proporcionaram que Rin se pegou pensando que aquilo era demais para si. A qualquer momento se derreteria! Suas pernas pareciam gelatinas.
Mas foi então que outra onda de êxtase a dominou e novamente ele a fizera gozar, dessa vez em sua boca. Arfou em sinal de satisfação, seu peito subia e descia a medida que recuperava o fôlego perdido. Seu centro se contraiu, mas ele não parou, continuou a torturá-la até que perdesse todas as suas forças. Tentou fechar as pernas, mas ele as empurrou de volta. Rin sentia-se quente em seu interior. Seu youkai nunca esteve tão certo! Apenas ele era capaz de levá-la as nuvens.
– Este Sesshoumaru ainda não acabou com você, Rin. – murmurou rouco, deixando escapar um rosnado ou outro.
Seus olhos excitados se arregalaram. Como não? A seu ver estava totalmente acabada! Apesar disso, sabia que aquilo tudo não se passava de preliminares. Havia muito por vir... Com um grunhido de satisfação, ele a saboreou com os olhos, sugando ainda mais as suas forças. Sentiu a pele queimar como um fogo poderoso que se alastrava em cima de si. Essa era a intensidade dos olhos de Sesshoumaru.
O viu acariciar seu membro por sobre a calça quando se colocou de pé e de alguma forma imaginou que ele estivesse acalmando o majestoso eixo de sua louca vontade de saboreá-la. Oh, sim. Ela sabia o que estava por vir. Ele a tomaria como sua, como tantas vezes já o fizera. Adiantando o seu trabalho, ela subiu a barra do vestido até a cintura enrolando-a ali e deslizou a calcinha que ainda usava por entre suas pernas grossas. Jogando-a em algum canto do banheiro que não dera atenção. Procurou ficar na beirada da pia e com as pernas abertas, o puxou pelo quadril, bem em seu centro. Ela o queria ali, enterrado em suas dobras. Forte e duro.
– Eu ainda não acabei com você! – Rin repetiu as mesmas palavras que ele.
Sua provocação acendeu a chama que faltava. Em questão de segundos sua braguilha foi desabotoada e com um puxão seu membro saltou para cima, completamente apontando para o seu abdômen. Rin o admirou em silencio enquanto o assistia tocar-se para si. Sua enorme mão deslizava por todo o seu comprimento coberto por veias espessas. Sua boca salivou e seu centro voltou a se apertar, dessa vez de ansiedade.
Contorceu-se quando o viu lamber a outra mão e dirigi-la para suas dobras, aumentando sua umidade entre as pernas. Arfou desavergonhada quando o sentiu puxar pelas nádegas fazendo com que seus sexos se encontrassem. Ele a preencheu com todo o seu majestoso tamanho e a sensação de se sentir completa a invadiu.
– Tão apertada! – grunhiu, dando a primeira arrebatada.
Puxou os quadris para trás, saindo quase todo de dentro de si e logo voltou a arrebatar de uma só vez. Ela gemeu alto, entorpecida como uma maldita drogada.
– É isto o que tanto ansiava?
Oh sim! Como ansiava!
– Ahmn...– não gemer era impossível.
Segurou-lhe pelos ombros enquanto o mesmo investia contra si, arrebatando-se em seu interior cada vez mais fundo. Forte e duro, era exatamente assim que Sesshoumaru a tomava como sua. Puxou-o pelo pescoço grosso e colou sua boca contra a dele. Vez ou outra Sesshoumaru engolia seus gemidos e palavras desconexas.
– Mesmo com a maquiagem borrada, minha Rin é sexy como o inferno.
Tivera que rir de suas palavras. Estava uma perfeita bagunça e ainda assim ele a achava atraente. Como pode?
Suavizou o aperto de suas pernas entorno de seu quadril largo, permitindo-o se movimentar com liberdade. Sugou-lhe a língua com sofreguidão e não se importou com a leve dor em seus seios, resultado de seu agarre firme e de seus apertos desenfreados. A sensação era prazerosa. A mesma mão que a acariciava desceu por seu ventre até circundar seu clitóris inchado. Dessa vez, Rin tivera que se afastar de sua boca para gemer.
– M-Meu D-Deus... – balbuciou entorpecida. – E-Estou perto... S-Sesshy, f-falta pouco...
– Goze pra mim doce Rin. – ordenou. – Goze entorno deseu youkai.
Seu! A palavra parecia ecoar dentro de sua cabeça. Sesshoumaru era completamente seu!Ela já conseguia sentir os músculos de seu corpo protestar, anunciando que sua libertação estava próxima.
– Céus, você é tão bom! – confessou.
Aquilo poderia facilmente aumentar o ego de seu youkai. Mas quer saber? Não ligava! Ele era malditamente bom em tudo o que fazia mesmo. E foi então que tudo aconteceu, suas pernas cederam perdendo as forças, seu sexo de apertou e seus olhos se reviraram. Jatos quentes a invadiram enquanto os músculos fortes se enrijeciam e ambos estremeciam com fortes espasmos musculares.
Mas o que acabara de acontecer? Minutos atrás haviam iniciado uma briga e agora... Vejam só como se encontravam! Completamente saciados enquanto Sesshoumaru terminava de dar-lhe as ultimas arrebatadas para dentro de seu corpo. No entanto, quando pensou que estavam completamente satisfeitos, ele a surpreendera quando anunciou em seu ouvido de maneira sexy:
– Vamos doce Rin. – ronronou provocando-lhe arrepios pela espinha. – Ainda não terminei com você!
Deslizou para fora dela envolvendo sua cintura com um braço e puxando-a de cima da pia, firmando seus pés no chão. Rin tivera que se apoiar em seu enorme corpo, suas pernas não pareciam querer mantê-la em pé sozinha. Envolvendo-a pela cintura ele a trouxe para si e Rin foi capaz de constatar que Sesshoumaru continuava desejando-a. Seu membro desperto roçava-lhe na altura do ventre.
– Não se esqueça que ainda temos o chuveiro e a cama a nossa disposição! – cheirou-a demoradamente, passando o nariz pelo topo de sua cabeça.
Oh céus! Ele não se esquecera daquilo!
– Há pessoas nos esperando! – Recordara-se dos restantes dos presentes no andar de baixo.
– Nos encontraremos com os outros mais tarde. – distribuiu beijos por seu pescoço ao mesmo tempo em que sua mão enrolada em sua cintura se infiltrava para agarrar suas nádegas.
A idéia era tentadora, incrivelmente tentadora. Mas o pensamento de que eles julgavam o que estavam fazendo a deixava envergonhada. Sesshoumaru encarou seu semblante corado. Sua Rin era tão linda quando corava!
– Assim que dermos um jeito em você e nessa sua maquiagem borrada, retornamos. – continuou a deslizar os lábios por seu pescoço. – Mas antes diga-me o que o maldito moleque fizera! – ordenou, o tom serio ressurgindo devagar.
Revirou os olhos. Até quando ele continuaria insistindo no assunto? Rin precisaria manter a boca bem ocupada para que não revelasse nada que o fizesse desejar matar Kohaku. E ela sabia bem como a usaria. Ah, como sabia! Sesshoumaru não perdia por esperar...
– Vamos logo para o chuveiro Sesshy, e pare de me persuadir! – um sorriso travesso lhe cruzou os lábios.
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A sensação de estarmos nos aproximando do fim, é tão... tão... tão dolorosa D: Não sei como explicar, eu sentirei falta de tudo isso... De vocês, de escrever, dos irmãos delicia, da nossa adorável doce vizinha, do Jaky... Nós ainda temos mais alguns capítulos pela frente, mas estamos nos aproximando da reta final! Alias, ando sentindo falta de alguns leitores sumidos D: CADÊ VOCÊS ?! Não desistam da fanfic pessoal, agora que ela está quase sendo finalizada! Espero estar conseguindo transmitir a todos vocês a forma como Rin tem mudado a cada novo capítulo atualizado. Em comparações com os primeiros capítulos ela se mostrou extremamente tímida e a medida que a relação do nosso casal favorito se tornou ainda mais intima, ela se soltou mais. E é exatamente isso o que quero transmitir a vocês e eu espero estar conseguindo! Estão notando as novas mudanças ? Aguardem que em breve trarei ainda mais delas *-* Espero que tenham apreciado o capítulo, saibam que eu amo todos vocês s2 Um grande beijo meus amores :*
