Outubro 1997
Correria.
Preparativos.
Mensagens e recados codificados.
Treinos.
Era assim o dia a dia do pessoal da Ordem da Fênix. Estavam praticamente cegos a respeito dos próximos passos do Lord das Trevas, tinham que trabalhar em dobro. Deveriam estar preparados a todo momento.
Anoitecia, quando Bellatrix Lestrange avistou Harry, Rony, Moody e Lupin saindo do que parecia ser um terreno baldio. Elizabeth estava com eles. A comensal sabia que ali era a sede da Ordem da Fênix, só não podia ver a casa.
Começou a segui-los, eles não aparatariam dali... medidas de segurança, o Ministério verificaria a aparatação e conseguiria localizar a Ordem. Ela observou o quinteto andar com as varinhas em punho, olhando em volta com algum receio.
Eles andaram umas duas quadras e pararam em frente uma casa velha.
Entraram, em silêncio.
Bellatrix, entrou atrás deles.
Os cinco andavam a passos leves, mas as tábuas soltas faziam muito barulho. Bella só andava quando eles andavam também. Eles entraram numa espécie de entrada secreta na parede e seguiram por um corredor escuro.
Então, ela fez como fora combinado, chamou Snape e Lucio Malfoy.
Os dois logo chegaram ali, Draco com eles. Bellatrix lhes indicou a entrada secreta e os quatro entraram. O longo corredor escuro descia uns bons metros, aparentemente estavam sob um bar, pois algumas vozes podiam ser ouvidas. Chegaram numa grande sala, igualmente escura. Começaram a procurar pelos cinco que Bellatrix vira entrar ali. Mas, para a surpresa deles, as luzes se acenderam.
Era uma armadilha!
Os dois Malfoy e Bellatrix começaram a lutar contra Shacklebolt, Lupin e Moody.
Snape deu um sorriso de canto para Harry e atacou o menino e Rony, sem acertá-los.
Elizabeth olhou seu pai atacando Rony e Harry e uma vontade louca de rir lhe surgiu. Era quase ridículo ver os três brincando de batalhar, era óbvio que Snape poderia acabar com os dois de um só vez, se quisesse. Ela correu até os dois, atacando Snape, também, e se virando para Harry, gritando:
- Guarde suas energias, Harry, para quando Voldemort chegar!
O menino obedeceu, se escondendo.
Liz lutou contra Snape, tentando realmente acertá-lo, para que ninguém desconfiasse. Ele percebeu e atacou Rony pra valer, o menino caiu no chão, inconsciente. Ela correu até o ruivo, verificando que ele estava apenas estuporado, e sorriu para o pai, discretamente. Mas o rosto de Snape mudara, tornando-se sério, olhando para algum ponto atrás chegara.
E com ele muitos comensais novos e alguns lobisomens recém transformados, liderados por Greyback.
Snape temeu. Todos aqueles ali, jovens e fiéis, cegos pela falsa promessa de poder de Voldemort, lutariam até a morte! Sabia como eles haviam sido treinados. Nem os melhores aurores seriam capazes com eles! Ele olhou para onde o Trio se escondia, tentando fazer com que entendessem o perigo que se apresentava
- Mas o quê...? - disse Rony, acordando.
- Fiquem quietos! - disse Liz, autoritária.
- Não acha que foi uma péssima idéia você vir? - perguntou Harry.
- Agora é tarde! - e ela começou a lançar feitiços para defendê-los, haviam descoberto seu esconderijo.
Tanto Harry quanto Rony puseram-se a lutar contra os comensais.
Lupin e Shacklebolt estavam ao lado do corpo de Moody, atacando e defendendo. Kingsley tentava acertar Snape.
Demorou, mas pouco a pouco os comensais foram sendo derrotados.
Voldemort matara alguns aurores que chegaram para reforçar a Ordem e Snape atingira dois, para não levantar suspeitas, Shacklebolt e outro desconhecido, mas cuidava para defender Harry sempre que algum feitiço passava por Liz, Tonks e os gêmeos Weasley.
Por fim, havia alguns membros da Ordem em pé, outros muito debilitados, uns mortos.
Snape estava ao lado de Voldemort, ambos intactos. Draco estava caído aos pés de Snape, desmaiado e sangrando. Lucius Malfoy fora estuporado por Liz. Greyback pegara Tonks.
- Vocês serão nossas convidadas de honra, na festa desta noite. - falou Voldemort, parando em frente a Liz – Estuporou Lúcio? Estou impressionado. – ele olhou melhor para a garota – Mérope? – questinou, reconhecendo nela as expressões da filha.
A garota não respondeu, virou o rosto.
Isso pareceu irritá-lo. Segurou o rosto da garota, observando seus olhos verdes. Era ela.
- Bella não disse que você estaria com eles... Por quê? – questionou, virando-se para Bellatrix.
- Não sabia, Milord. – respondeu, assustada.
- Não tem problema. – disse, abrindo um sorriso estranho – Vamos levá-la conosco. – Voldemort voltou a observar Liz, e logo depois, olhou para Snape, franzindo a testa. – Mas...?
E Snape não pensou duas vezes:
"Stupefy!" - lançou ele, mudo.
E Voldemort foi lançado longe.
- Traidor! - gritou Greyback, soltando Tonks, atirando a moça no chão, atacando Snape.
Lupin ajudou Snape a acabar com Greyback e Bellatrix, assim como com o resto dos comensais que ainda estavam de pé, antes que Voldemort contra-atacasse.
Eles se aproximaram de Liz e Tonks. Snape estava preocupado e bastante irritado. Sua filha, grávida, quase fora levada por Voldemort. Ele abraçou Liz.
- Você precisa ir, agora. - murmurou Snape, sobre os cabelos cacheados bagunçados.
- Estou indo. – disse ela, sorindo.
E Snape foi até Draco, pegando o afilhado no colo, percebendo a extensão dos ferimentos.
- Snape! - Voldemort gritou, ao se levantar.
- Lupin, leve-as, agora! - gritou Snape, colocando o menino no chão.
- Não! Não vou deixá-lo sozinho aqui! - disse Lupin.
- TRAIDOR! - rosnou Voldemort, furioso. - Que decepção, Severus! Mas devo dizer que as coisas fazem mais sentido por esta perspectiva... você esteve passando informações para a Ordem, todo esse tempo! Mas não importa. Não mais. Você vai morrer. - e Voldemort começou a falar em língua de cobra.
- Severus! - gritou Lupin. - Atrás de você!
Mas foi tarde demais.
Nagini já dera o bote, cravando as presas venenosas no pescoço de Snape que caíra no chão, convulsionando.
Lupin, Tonks e Elizabeth correram até ele.
Voldemort se aproximou, pegando Liz pelo braço, com força.
- Isso é só o princípio do fim! Vocês todos estarão mortos em menos de uma semana! - gritou Voldemort, antes de aparatar, levando a garota.
Bellatrix aparatou também, levando Draco.
Tonks aparatou para a Ordem com o corpo inerte de Alastor Moody, assassinado por Bellatrix.
Lupin levou Snape, que estava inconsciente.
Florence estava na casa de Eileen, sentada no sofá, lendo. Sua sogra estava dormindo, no andar de cima.
As chamas da lareira subiram e delas saiu Lupin, sujo e arfando.
- O que aconteceu? – Florence levantou rapidamente do sofá em que estava sentada.
- Severus... - ofegou Lupin.
- O quê tem ele? - desesperou-se ela.
- Nagini. - foi tudo o que ele conseguiu falar, tanto que ofegava.
Florence empalideceu e com um maneio da varinha estava vestida para sair.
- Sam! - a elfa apareceu. - Eu estou de saída, não sei que horas volto, aguarde instruções. - ela olhou para Lupin. - Onde ele está?
- Em minha casa.
- Vamos, agora! - e ela entrou na lareira com Lupin.
Ao aparecerem na lareira da sala da Mansão Lupin, todos olharam para Florence. Kingsley Shacklebolt a encarou, visivelmente furioso pelo fato de, além dos gêmeos, agora Snape estava ali. Ela o ignorou e seguiu escada acima, sendo guiada por Lupin, até o quarto em que Snape estava. Ela entrou, Nicholas e James estavam lá.
- Mãe! - os dois exclamaram, com lágrimas nos olhos.
Snape estava deitado numa cama, tinha a camisa aberta, encharcada de sangue, ele estava branco feito cera, os olhos fechados, a respiração quase nula.
- Severus... – Florence localizou a mordida no pescoço e olhou para os filhos.
- Administrem a poção repositora de sangue agora. Dois vidros. E, assim que eu parar, dêem de novo. Lupin, chame Pomfrey, em Hogwarts, por favor. - ela sentou ao lado de Snape, na cama.
- Mas o que você vai fazer? - perguntou Lupin antes de sair via Floo atrás de Pomfrey.
- Eu sou imune ao veneno, vou sugá-lo.
- Não! E Lily e Stephen? - espantou-se Nicholas.
- Eu não vou viver sem o seu pai. - e ela se inclinou sobre o marido e pousou os lábios na ferida.
E os dois deram a poção repositora para o pai, assim que Florence retirou os lábios do pescoço do marido. A cor foi voltando lentamente ao rosto e ao corpo de Snape, mas os batimentos não se modificaram, dificilmente perceptíveis. Florence desmaiou sobre o peito dele, tremendo levemente por causa do efeito do veneno. Não levou nem cinco minutos para Pomfrey e Lupin aparecerem na lareira.
- Merlin, o que aconteceu aqui? - exclamou Pomfrey olhando para as duas camas, indo ao menino primeiro.
- Em resumo, papai acabou mostrando ao vovô que ele é um traidor. E Nagini o mordeu. - começou James.
- Mamãe sugou o veneno. Demos poções repositoras de sangue para ele. Ela desmaiou. - terminou Nick.
- Ela sugou o veneno? - gritou Pomfrey, apavorada. - Mas deixem-me vê-la! - e correu até a cama em que ela estava.
A medibruxa tirou Florence de cima de Snape, e ela acordou.
- Poppy... que bom que veio. - murmurou Florence.
- Fique quieta, criança, preciso examiná-la.
- Não! Severus... primeiro ele. – disse Florence.
- Meninos, ajeitem seu pai, tirem essa camisa suja e as calças. Cubram ele. Enquanto eu olho sua mãe. - pediu Pomfrey.
- Ela corre algum risco? - perguntou Nicholas.
- Não, mas os bebês talvez corram. - a medibruxa corria a varinha sobre Florence, seu semblante desanuviando. - Graças à Merlin eles estão bem.
Agora, deixem-me verificar Severus. - ela foi para o outro lado da cama. Quando ele foi mordido?
- Há mais ou menos meia hora atrás. - disse Nicholas.
- Como ele está? - perguntou James.
- Não sei ao certo. - ela corria a varinha sobre Snape, parando por mais de duas vezes sobre o peito dele e na cabeça. Ela guardou a varinha, respirando fundo. - Dêem uma dose de poção cicatrizadora, 2 doses de antiinflamatória... e um vidro de reconstrução de tecidos.
- Um vidro? - apavorou-se James. - Mas o quê ele tem?
- Os pulmões estão bastante comprometidos... - ela disse, mordendo o lábio, temerosa.
- Algum dano maior? - perguntou Nicholas.
- Não dá pra saber... - Pomfrey tinha o semblante preocupado.
- Mas qual é o problema? - irritou-se James.
- Não nos esconda nada, por favor! - pediu Nicholas.
- Acho que... - ela olhou para os três homens em pé no quarto. - Pode ter havido um dano no Sistema Nervoso Central... ou talvez no coração.
- E o que isso quer dizer? - perguntou James.
- ... se Severus não morrer dentro de 24hs... - ela respirou fundo. - ... ele não vai mais acordar.
- Não! - os gêmeos gritaram revoltados.
- Florence vai morrer quando souber. - Lupin abraçou os rapazes.
- Eu... vou chamar a vovó e trazer nossos irmãos. Vem comigo, James? - chamou Nicholas, e o irmão assentiu em silêncio.
Florence acordou novamente, olhando ao redor, ainda mal. Sua sogra estava ali.
- Flor, querida... – murmurou Eileen, se aproximando da cama. – Como você está?
- Tonta e enjoada... como estão meus filhos?
- Pomfrey disse que o veneno não afetou os dois...
- E Nick e James? – murmurou Florence, sentando na cama.
- Num quarto com Chris. E Sophie está ali no berço, dormindo como um anjo.
- E a Liz...? Não vi ela desde que cheguei...
Eileen não respondeu de primeira, parecendo nervosa.
- Madrinha, onde está minha filha? – repetiu Florence, percebendo que algo estava errado.
- Bem, Flor, Liz foi levada por seu pai.
- O que? – gritou Florence, se levantando muito rápido da cama, tonteando e quase caindo.
- Acalme-se, Flor. – pediu Eileen. – Estamos todos nervosos, Lupin está bolando um plano, tudo dará certo.
- Não... minha filha... ela está grávida, ela não pode... meu pai não pode descobrir! – ela olhou pra madrinha, lembrando de uma coisa: - Onde está Harry?
- Com os meninos.
- Me leve até ele, Eileen, por favor.
E elas foram, lentamente, até onde os gêmeos estavam com os gêmeos Weasley, Rony, Chris e Harry.
Florence entrou e Chris correu pras suas pernas:
- Mamãe! Você acordou!
Ela beijou a cabeça do filho e falou:
- Nick, James, levem seu irmão pra outro lugar. – e ela olhou para os três Weasley. – Se puderem me deixar sozinha com Harry, eu agradeço.
E os ruivos saíram.
- Harry, eu acho que você sabe que Liz foi seqüestrada.
- Sim, eu sei. – confirmou ele, a voz tremendo.
- Mas há algo que você não sabe... – continuou Florence. – Elizabeth não está sozinha.
- Eu sei que o Malfoy também foi seqüestrado...
- Não, Harry, eu não estou falando do Draco. – interrompeu Florence. – Liz está grávida, Harry.
E o menino ficou pálido.
- Grávida? – perguntou Harry.
- Sim. Ela não te contou nada porque...
- E seu marido sabe? – perguntou ele, como que sem ter ouvido que Florence ainda falava.
- Sim, Severus sabe que Liz está grávida e sabe que você é o pai.
- Ele vai me matar...
- Não. – Florence riu do pavor dele. – Ele já está mais... calmo quanto a isso, pois a culpa foi dele, em parte.
- Como assim?
- Severus alterou a poção anticoncepcional que eu preparava pra mim e para Liz. Por isso, eu e ela estamos grávidas. – Florence ficou olhando para Harry, ele parecia em choque. – Daqui a pouco você se acostuma com a idéia de ser pai... – murmurou ela. – Mas temos maiores problemas, no momento.
- Como assim?
- Há mais coisas que você ainda não sabe. Não temos que nos preocupar com Liz estar na Mansão Malfoy, ninguém fará mal à ela.
- Como você pode dizer isso? Ela é filha do Snape! Eles já descobriram que ele é um traidor! – exasperou-se Harry. – Vão matar a Liz e o meu filho!
- Ninguém fará mal nenhum à neta do Lord das Trevas. – disse Florence.
- Neta de quem?
- Eu sou filha do Lord das Trevas, Harry. – disse ela.
E Harry ficou branco, olhando para Florence, tentando absorver o que ela dissera.
- Mas... então... além de filha do Snape, Liz é neta de Vol...
- Não diga o nome dele, Harry! É um taboo. – interrompeu Florence. – Mas, sim, Liz é neta dele.
- Eu... mas então... Snape é casado com a filha daquele-que-não-deve-ser-nomeado, quem ele enganou por mais de 15 anos... e a neta do "Lord"... – ele parecia muito confuso, chocado.
- Está grávida do menino-que-sobreviveu. Ironia do destino, não é? – Florence sorriu. – Não se preocupe com Liz, pelo menos enquanto eles não souberem que ela espera um filho seu.
Nota: Quem é vivo sempre aparece. E estou viva, apesar de não ter aparecido.
Eu amo muito esse capítulo e o próximo, espero muito que vocês gostem e não tenham me abandonado.
Coraline D. Snape: Aqui está, o Potterbobo já descobriu e fique tranquila, não vou matar o Sev. Aliais, amo o próximo capítulo. Ele é bem bacana, o 26. Espero que goste dos dois. Beijos!
Lari SL: Que bom que gosta da minha fic e da fic da Florence. Eu fico feliz pelos dois, rsrs. Espero que goste do capítulo e continue comentando, beijos!
COMENTEM!
Beijo especial para Florence, suas ajudas e também pela "revisão" nos capítulos.
