CAPÍTULO 25
Espião, Charlotte, Rita, Vamp e McCalcinha
Cara a cara com o Espião, Hermione não perdeu tempo; adiantou-se para aquela figura estranha e misteriosa, encarando aqueles óculos malditos, óculos que copiavam o símbolo, o símbolo daquela pessoa que, através de palavras escritas, conseguiu o poder impressionante de transformar mentiras em verdades, e que tanto atrapalhou a sua vida.
-Agora eu te pego, seu...
O Espião puxou a varinha do bolso, agilmente, com rapidez e num movimento veloz, brandiu:
-ESTUPEFAÇA!
O raio de luz vermelha atingiu Hermione, lançando-a contra a parede. Harry, Rony e Gina recuaram, assustados. Bastou esse instante de distração dos três para que o Espião saísse correndo, ajeitando os enormes óculos e erguendo a gola da capa.
-Vão! Peguem-no! – gritou Hermione.
Harry e Rony saíram em disparada pelo corredor. Gina foi até a amiga e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar.
-Droga! – resmungou Mione, inconformada. – Não posso acreditar que aquele idiota esteve a poucos passos de nós e não conseguimos detê-lo! Ah, Gina, você não sabe o quanto eu o odeio...
-Posso imaginar. Foi por culpa dele que Rony terminou com você...
-Ah, esse é outro. Desculpe-me, é seu irmão, mas... Aff! – Hermione foi andando lentamente até a coluna recém-afixada na parede. – Vamos ver quem o nosso querido Espião está destruindo dessa vez.
COLUNA DO ESPIÃO, nº 4
Ô-ô
A coluna que capta e publica!
-A primeira prova dos Jogos de Verão já aconteceu, novos rolos continuam ocorrendo pela escola, e O Espião captando tudo, como sempre. Vamos as últimas novidades!
-A vida de Patrick Geller é realmente uma tragédia grega. Depois de rolar escadaria a baixo e sair com ferimentos dignos de quem é atropelado por trezentos elefantes, depois de dar seu salto mortal a là Peter Pan e sobreviver ao acidente com o Expresso, o que acontece agora? Ele tropeça em um corredor e acerta na mosca cacos de vidro espalhados pelo chão. Por favor, quem lançou a praga em cima desse cara, me ensine. Isso é que é trabalho do brabo!
-As aulas particulares que Galvin, do sétimo ano, tem dado a Julia, do quarto ano, ambos da Grifinória, tem dado o que falar. Há dois dias atrás, os dois se trancaram num banheiro para uma aula particular. A metodologia de ensino de Galvin deve estar sendo perfeita! Pelo menos para Julia. Durante as duas horas que ficou lá com o seu professor, a garota gritou YES sem parar, vários YES, SIM, YES, YESSS... Ela também parecia apoiar a aula do professor, dizendo: ISSO, ASSIM MESMO, ISSO A, VAIÍ... As aulas devem ser tão divertidas que ela também dizia, às vezes, numa voz exaltada, animadíssima "NÃO PÁRA, NÃO PÁRA, NÃO PÁRA" (deve ter sido atendida, porque eles ficaram lá por um longo tempo). E o professor deve ter presenteado a aluna com algum doce... Afinal, posso jurar a vocês que, em determinado momento, ouvi-a dizendo: GOSTOSOOO! Eita, que essa aula anda animada pra danar! Ó-ó
-O aluno Crabbe, supostamente em coma, desapareceu da ala hospitalar. O que será que fez o gorducho permanecer lá fingindo? Terá sido a mordomia e a oportunidade de passar os dias com a pançona pra cima? Ou será que Madame Pomfrey andava lhe aplicando cuidados extras? Oh, essas velhas de hoje em dia não são como antigamente. Madame Pomfrey devia estar praticando o tratamento corporal! Ó-ó Isso explicaria o leve tremor de terra sentido por alguns alunos...
-Como era de se esperar, Richard, da Grifinória, era realmente uma anomalia, uma aberração, um fenômeno da natureza. Porém, o fato de ele ser um vampiro consegue nos explicar algumas coisas.
-A primeira delas é o fato da falecida Vanda – aquela das saias rodadas que faziam a alegria da rapaziada, levantando-se e revelando tanta coisa que quem passava por baixo podia ver-lhe até o útero... ops! – ter sido rejeitada por ele. Agora tudo faz sentido! Afinal, a boca de Vanda exalava um intenso fedor semelhante a alho (o que afastou o vampiro e deve estar matando os pobres vermes da cova). E, cá entre nós, se a boca fedia alho imagine as outras coisas... Ó-ó
-A segunda é que isso nos responde uma questão crucial. Buddy Strogne e Richard. Sendo ambos arquiinimigos, o pensamento lógico leva-nos a pensar: por que Richard não o mordeu? Porque era um vampiro de muito bom-senso, ora bolas! Vocês podem imaginar a porcaria que deve ser o sangue de Buddy Strogne? O Ministério do Espião adverte: o sangue de Buddy Strogne serve como purgante e ve-ne-no. Portanto, matem esse bosta e faça do mundo um lugar mais puro e mais feliz! Ô-ô (DICA Espionária: Matem de preferência próximo a uma plantação. Bosta é um fertilizante muito útil. Ah! Não se esqueçam de matar Draco Malfoy. Se bem que esse não servirá como fertilizante... Erva daninha costuma estragar a plantação!).
AGORA, A NOSSA BOMBA!
FOTO EXCLUSIVA!
DE ARREPIAR (Acredite, arrepia mesmo)
PREPAREM OS SEUS CORAÇÕES (to falando sério, isso pode fazer você infartar!)
-Vocês não sabem da última! O que eu, o Espião, vi com os meus próprios olhos! Que Minerva McGonagall é uma mulher muito séria, isso todos nós sabemos. Agora, que ela tem lingerie de oncinha, uma calcinha fio-dental, isso ninguém sabia! E aí está a prova:
(seguia-se uma foto de Minerva McGonagall, com as mãos na cintura, de calcinha de oncinha fio-dental, sutiã do mesmo material, olhando-se e fazendo pose em frente a um espelho. Parecia que o fotógrafo estava escondido dentro de um armário)
Eis o flagra do ano! McCalcinha! Um tributo à celulite, as estrias, as pelancas e as ações da gravidade quando se passa dos oitenta! É o rascunho do mapa do inferno, é a derrota das derrotadas, é o cúmulo da feiúra!
Depois dessa, tenho que me despedir. Agora já sabem: cuidado com as suas vestimentas secretas. Nada foge aos meus olhos astutos. Na próxima tem mais!
O Espião Ô-ô
-Minha nossa... – balbuciou Mione, ainda olhando para a foto de McGonagall, que continuava mirando-se e revirando-se em frente ao espelho, a calcinha muitíssimo apertada, com o tecido que imitava pele de onça. – É totalmente genuína... Impressionante...
-Pobre McGonagall... É mico demais – comentou Gina.
-Calcinha de oncinha... Fio dental... Não podia imaginar...
-Nem eu... Espero que os meninos consigam alcançar esse babaca – falou Gina, irritada. – Parece que as coisas estão piorando a cada coluna. Agora trazendo fotos desse tipo! Oh, não... Quando é que isso vai acabar?
-Fique tranqüila, Gina. Mesmo que eles não o alcancem, não vai demorar muito pra farra do Espião terminar – Mione estendeu a mão para a coluna para puxar o pergaminho da parede, mas ele não se soltou.
-Deve ter algum feitiço muito poderoso que o grude a parede – sugeriu Gina.
-Ah, mas até nisso o Espião se lasca aqui com a Hermione – ela puxou a varinha do bolso e lançou um feitiço. Estendeu a mão e, logo que tocou no pergaminho, ele se soltou. – Não disse?
-Muito bom – elogiou Gina. – Mas... Por que pegar a coluna? Não adianta muito, o Espião coloca a coluna na frente das outras Casas também...
-Mas eu não estou querendo evitar que as pessoas a leiam – disse Mione, animada, fitando a coluna. – Preciso dela para começar a minha investigação. Aliás, preciso das outras três edições da coluna... Espero que os professores tenham guardado.
-Mione, o que pretende fazer?
-Ah é segredo, Gina. Mas digamos que não vou trabalhar sozinha. Infelizmente precisarei da ajuda de alguém um tanto indigesto, mas o esforço surtirá efeito, tenho certeza...
Ela interrompeu-se; Rony e Harry, como Mione previra, retornavam pelo corredor, parecendo exaustos e desanimados.
-O desgraçado fugiu – falou Harry, irritado. – Rony quase o pegou, mas não parecia muito disposto em apanhá-lo, ou será que era impressão minha?
Rony, de braços cruzados, o fitou.
-Quer saber? Não queria pegá-lo não... Ele não cometeu nenhum crime, cometeu? Nada provado até agora. Acho que ele não merece castigo – ele foi se virando para Hermione – só porque costuma publicar a verdade que pessoas assanhadas tentam fazer escondidas!
-Não me venha com piadinhas agora, Ronald Weasley! – vociferou Mione. – Eu já disse que farei você engolir cada palavra que você usa para me acusar, e você pode esperar que isso vai acontecer!
-Ah, quero só ver!
-Você vai ver – prometeu Mione. – E não vai demorar muito. Só quero ver a sua cara quando descobrir que aquele idiota do Espião mentiu!
-Mentiu? – ele riu. – Por que faria isso?
-Acho que já sei porque, mas não interessa agora. O que interessa é que chegarei nesse colunista ridículo e o desmascararei!
-Ele não mentiu, Hermione, confesse! – falou Rony, exaltado.
-Ele mentiu sim!
-Claro que não. "Espião", ele espia pelos corredores, ele capta as coisas que estão acontecendo, as coisas que estão ocorrendo pelos cantos, no escurinho, longe do alcance dos olhos de todos... Longe dos olhos do corno aqui!
-Eu não traí você, eu...
-Chega, Hermione! CHEGA! – ele gritou. Hermione o fitou com os lábios trêmulos. – Eu fui um estúpido, um... babaca, um idiota, que acreditava que o amor verdadeiro existia. Que acreditava que o amor era capaz de suplantar qualquer atração física, que as pessoas ainda dessem mais valor ao amor do que a atração. Pensava que pelo menos você era assim... Mas me enganei. Foi só dar as costas pra você ir satisfazer-se nas mãos de Curtis, e, como o próprio Espião disse, deixá-lo passar a mão onde ele quisesse, como uma verdadeira vadia de quinta categoria!
-EU ODEIO VOCÊ – berrou Mione, chorando. – ODEIO, ODEIO!
Rony engoliu em seco; Harry e Gina estavam perplexos. Hermione começou a chorar descontroladamente, a cabeça baixa, as mãos postas cada uma em um lado da cabeça, sobre os ouvidos; parecia estar sofrendo uma espécie de tortura.
-Eu odeio você – ela repetiu, olhando para Rony, ao levantar o rosto manchado de lágrimas. – Odeio... Odeio essa sua maneira de achar que é o dono da verdade, esse seu jeito de lançar ofensas... – ela fez uma pausa, soluçando. – Odeio por não conseguir parar de pensar em você...
Rony permaneceu em silêncio.
-Te odeio porque você não sai da minha cabeça! Grudou aqui dentro e não sai mais! Por mais cafajeste que você seja, todas as noites adormeço pensando em você! Eu...
Ela avançou para cima dele, encarando-o nos olhos, com os punhos estendidos.
-Eu te odeio, odeio, odeio... – começou a socá-lo
-Hermione, pare... Pare com isso... – Rony tentou controlá-la. Segurou os punhos dela com as mãos, a imobilizando, no instante em que a angústia da alma da garota se manifestou com um berro.
-Eu te odeio porque te amo!
Por um momento ela o encarou, com os olhos cheios de lágrimas. Em seguida, saiu em disparada pelo corredor. Gina foi atrás da amiga, deixando Harry e Rony a sós, ambos emudecidos, apenas se entreolhando.
Nenhuma palavra quebrou aquele silêncio que se instalou no corredor; ele foi quebrado por um soluço angustiante de Rony Weasley. Inesperadamente, o rapaz começou a chorar, de uma forma como Harry nunca o vira fazer antes. Rony deu passos vacilantes para trás, em meio às lágrimas, até encostar-se a parede. De cabeça baixa, aos prantos, deslizou lentamente até ficar de joelhos. Ficou ali, chorando alto, pouco se importando se Harry estava presenciando a sua dor.
Harry suspirou. O amor era realmente uma coisa muito complicada de se entender.
August metamorfoseou-se em sua forma corpórea quando estava em frente à gruta. Respirou fundo a agradável brisa matutina; a noite fora sendo perfeita. Ainda podia sentir vestígios do sangue fresco preso aos seus dentes. A duquesa gorda fora um banquete e tanto. Um ataque sem empecilhos, tranqüilo; a gorda observava a noite com uma taça de vinho nas mãos enormes, sorvendo a bebida lentamente. August, debruçado sobre o telhado, a observou bem e saltou sobre ela. Não houve tempo da condessa gritar.
Embora Charlotte tivesse lhe dito que Richard a aconselhara a não atacar seres humanos, que muitos deles não eram ruins, August continuava-os atacando. Odiava os humanos e não havia como comparar; o sangue de maior qualidade, de gosto e odor mais apurados era o humano.
Um morcego veio planando em sua direção; devia ser algum dos vampiros do clã, pensou, retornando de seu banquete noturno. August continuou saboreando o frescor do vento contra a sua pele, e só foi reconhecer quem era o vampiro quando este assumiu a forma corpórea bem ao seu lado. August não pôde conter uma exclamação de surpresa:
-Richard!
-Psiu – Richard pediu silêncio, olhando angustiado para a gruta. – A minha presença não agrada aos outros, e se o Conde ver-me por aqui, pode ocasionar sérios problemas.
-Se não veio para tentar retornar ao clã, o que veio fazer aqui?
-Falar com Charlotte. Preciso da ajuda dela. Sabe se ela está?
-Creio que sim – August baixou a voz. – Ela anda se alimentando apenas de sangue animal, o que é mais fácil de se encontrar. Já convenceu outras duas vampiras a fazer o mesmo. Disse que foi você quem a aconselhou.
-É, de fato.
-Mas, como nenhuma delas quer ser expulsa do clã, fazem tudo a surdina... Como os ataques de Charlotte são rápidos, acho que ela já deve estar na gruta... Vou chamá-la.
Richard aguardou, esgueirando-se para trás de uma moita. Poucos minutos depois, Charlotte surgiu, esplendorosa num longo vestido negro. Richard a chamou. Charlotte aproximou-se, os longos cabelos negros esvoaçando, a pele reluzindo na escuridão.
-O que deseja, Richard?
-A sua ajuda. Amanhã. É urgente.
Charlotte examinou o rosto do vampiro. Fosse o que fosse, era realmente urgente.
-Claro. Mas, diga-me do que se trata.
-É o seguinte...
-Hermione, espere! – gritou Gina, tentando alcançar a amiga.
Finalmente, Mione atendeu seu apelo. Parou de correr, virou-se para Gina e a abraçou.
-Não fique assim, Mione...
-Eu sei que não devo ficar, mas... – ela fungou. – É muito difícil para mim... Tento me afastar do Rony e não consigo. Odeio todas as atitudes do seu irmão, mas... O amo demais. O quero longe de mim, mas sofro em querer isso... Ao mesmo tempo em que o quero o mais longe possível de mim, o quero muito perto... Não me entendo mais, Gina... Não domino mais as minhas ações... O que acabou de ocorrer, por exemplo, eu... Não planejei, do nada as palavras vieram, as lágrimas, os murros... – ela passou a mão pela cabeça. – É uma confusão total... Uma confusão com a qual não consigo lidar... Posso ser ótima em estudos, muito inteligente, mas sou totalmente analfabeta em matéria de amor e sentimentos... Pode isso? Eu mesma não me compreender?
Gina mordeu o lábio, sem saber o que dizer.
-Mione... Sei que é tudo muito complicado, essa sua situação com Rony... Mas existe algo muito urgente para resolvermos, e você sabe o que é. Como você disse, você é muito inteligente, e não sou só eu, o Rony e o Harry quem precisa de sua inteligência nesse momento. É a escola toda – ela ergueu a cabeça da amiga. – Que tal ocupar sua mente com um outro assunto que eu tenho certeza que você saberá resolver? A caça ao Espião. E, veja bem, ainda ajudará você a esquecer, nem que seja por uns momentos, desses seus problemas sentimentais.
Hermione secou as lágrimas e, respirando fundo, concordou:
-Sim, você tem razão... Vai ser bom para mim, me distrair um pouco...
-Então! – Gina sorriu. – E sei que você já tem planos arquitetados aí em sua mente poderosa!
-Tenho sim. Infelizmente, partir para esse plano que tenho em mente me colocará em contato com outra pessoa que não gosto muito, mas... – suspirou. – É necessário... Mas, antes... – ela puxou a Coluna do Espião nº 4, que havia tirado da parede. – Preciso das outras colunas. Tenho que ir até a Sala dos Professores.
-Não acha que é muito cedo? – indagou Gina, consultando o relógio de pulso. – Será que tem algum professor lá?
-Bom, vou tentar... Você vem comigo?
-Claro! Minha função do dia só tem início a partir do momento que o chato do meu "namorado" acordar... – Gina franziu a testa. – Ainda terei que arranjar um jeito de arrancar a senha para a sala comunal da Sonserina... Se bem que acho que não será tão difícil, do jeito que meu queridinho Buddy é inteligente!
A piada em relação a Buddy conseguiu arrancar um sorriso de Hermione.
-Vamos? – indagou a garota. Gina confirmou com a cabeça e as duas começaram a caminhar em direção a Sala dos Professores.
No caminho, Gina tentou persuadir Hermione a contar o plano que ela formulara para descobrir quem era o Espião. Não adiantou. Mione não respondeu, se limitando a frases vagas.
-Sabe, me baseei em suposições próprias para planejar isso... Pode ser que esteja certa, pode ser que não... E que, mesmo estando errada, isso de certa forma possa ajudar. Não sei ainda. Vou ter que examinar bem, tirar minhas próprias conclusões e depois recorrer a especialista...
-Especialista? – perguntou Gina. – A pessoa que...?
Mas Mione simplesmente balançou os ombros. As duas chegaram em frente à Sala dos Professores. Decidida, Mione deu três batidinhas na porta. As duas aguardaram, ansiosas, sem saber se já haveria algum professor na sala. Poucos segundos depois, a porta se abriu, revelando Minerva McGonagall, que pareceu surpresa ao ver as duas.
-Tão cedo! – exclamou a professora. Seu olhar, típico de quem não acordara há muito tempo, se fixou em Gina. – Como vai o tornozelo, Srta Weasley?
Gina demorou um momento para responder. Olhou a professora de cima a baixo; a imagem da calcinha de oncinha passou por seus olhos. A garota engoliu em seco, corando, e respondeu:
-Muito bem! Aliás, se não tivesse conseguido o ferimento num incidente tão assombroso e horrível quanto aquele, nem lembraria que o tinha cortado.
-Que bom, fico feliz em saber – a professora sorriu. – Agora... Estou interessada em saber o que as motivou a virem até aqui tão cedo.
Ela olhou para Gina que, confusa, apontou para Mione. Hermione, sem demonstrar qualquer hesitação, respondeu, em tom conspiratório:
-Preciso saber se vocês têm guardado as tais colunas de fofocas que algum aluno de Hogwarts anda afixando na escola. As Colunas do Espião.
-Sim, nós as arrancamos e as guardamos, mas, geralmente, quando fazemos isso, as fofocas da coluna já se espalharam pela escola, ganhando vida e se disseminando pelas bocas dos próprios alunos – McGonagall a estudou atentamente. – Mas posso saber por que o interesse?
-Eu vou ser sincera com a senhora, calcinh... eh, professora – engasgou Hermione. Um rubor subiu-lhe as faces. – Uma das fofocas desse aluno que se auto-intitula "Espião" me prejudicou profundamente. E tenho certeza que as calcin... Digo, as fofocas andam prejudicando muitos outros alunos. Por isso, resolvi descobrir quem se esconde por trás dessas oncinh... eh, colunas e, para isso, preciso de cada cal... número.
A professora deu um sorriso discreto.
-Sabem, o corpo docente de Hogwarts não tem levado essas colunas muito a sério, não tem demonstrado grande interesse em capturar o autor, já que, por enquanto, as fofocas têm atingido apenas estudantes – as garotas trocaram um olhar constrangido (a nova coluna mudava esse fato). – Mas sei como fofocas são cruéis e como devem estar atrapalhando a vida de vocês. Por isso, tem todo o meu apoio, Srta Granger. Eu confio na sua inteligência. Aguarde só um minuto que vou buscar aquelas colunas ridículas – a professora desapareceu para dentro da sala.
Mione e Gina se entreolharam, triunfantes. Um minuto depois McGonagall retornava, com os três longos pergaminhos dobrados na mão. Estendeu-os para Hermione, nitidamente satisfeita em poder colaborar.
-Espero que consiga descobrir quem é esse aluno fofoqueiro.
-Pode deixar, professora. Vou descobrir quem ele é, e, acredite – ela levantou os três pergaminhos. – Utilizando as próprias armas do Espião.
Dito isso, as duas se despediram da professora e tomaram o caminho rumo ao Salão Principal.
-Que coisa maluca... – murmurou Gina, aliviada. – Nunca notei isso, mas hoje a professora está com cara de calcinha! Pelo menos pra mim... – suspirou. -Não consegui entender o que você quis dizer... – comentou, sem conseguir conter a curiosidade. – Como assim, utilizando as próprias armas? Você pretende capturá-lo usando as colunas? Mas... Como?
-Umas teorias que andei formulando... – respondeu Mione, novamente vaga na resposta. – Mas os olhos clínicos de uma especialista é que serão infalíveis!
-Lá vem a especialista outra vez... Mas especialista em que? Em fofocas?
-Não – ela olhou para Gina. – Especialista em cobertura jornalística.
-Rita Skeeter? – perguntou Harry, chocado, na mesa do café da manhã. – Hermione... Por que pedir ajuda a ela?
-Rita olhará as colunas com um olhar crítico e aguçado de jornalista, Harry. A Coluna do Espião é escrita por um colunista amador. Minha teoria é de que Rita possa encontrar algo de estranho numa das quatro colunas, ou nas quatro, que possa nos levar ao nome do Espião!
-E você acha que vai dar certo?
-Não custa tentar! E já escrevi a ela, se você quer saber. Deixei bem claro que era uma emergência e de que a ajuda que precisaria não seria muito grande. Marquei com ela hoje, na hora do almoço, na estrada que leva a Hogsmeade. Logo o correio coruja deve chegar com a resposta.
Ela lançou um breve olhar para Rony, que disfarçou, comendo grandes colheradas de seu mingau.
Naquele momento, as corujas irromperam no Salão Principal, derrubando as correspondências sobre as mesas. Hermione aguardou, ansiosa, até que uma coruja marrom pousou na frente dela, trazendo um pequeno pedaço de pergaminho. Mione puxou-o e leu:
OK, estarei lá, Srta Perfeição.
Rita Skeeter.
-Tudo certo! – exclamou Mione. – Já estou dando os primeiros passos na minha tarefa do dia.
-Ah, é, tenho que começar a minha – disse Harry, olhando para a mesa da Sonserina. Draco Malfoy estava sozinho. – Parece o momento ideal. Desejem-me boa sorte.
Harry levantou-se e saiu da mesa, acompanhado pelos "boa sorte" de Rony, Hermione e Gina. Enquanto Harry se encaminhava para a mesa da Sonserina, Mione comentou com Gina.
-Parece que o incidente de ontem assustou tanto o seu falso namorado que ele nem apareceu ainda.
-É verdade – concordou Gina, pensativa. – Sabe, surpreendeu-me muito a hora em que Buddy se arriscou para me salvar. Foi... impressionante, inacreditável! E fica ainda mais depois que descobrimos que ele tem tudo para ser um assassino em potencial.
-É... Vai ver até os assassinos malucos também amam e se importam com alguém.
Harry se aproximou de Draco e cochichou, rapidamente.
-Preciso falar com você.
Draco quase engasgou com o suco que bebia. Após se recuperar e secar a boca com um lenço, olhou bem para Harry e perguntou.
-O que?
-Buddy Strogne. Por favor, no saguão te explico melhor – respondeu Harry, olhando em torno, procurando disfarçar.
Encaminhou-se para a saída do Salão Principal. Lançou um breve olhar para trás e ficou satisfeito ao ver Draco caminhando. Aguardou num canto do saguão, até que Draco se aproximou.
-Dá pra explicar agora o que você quer, Potter? – perguntou Draco. – Falar sobre Buddy, é isso?
-Isso mesmo. Estou fazendo uma investigação e...
-Investigação? – Draco espantou-se. – Investigando Buddy? E... Acha que eu posso ajudá-lo? Não, não... – Draco começou a recuar; Harry podia jurar que ele estava assustado. – Não posso.
-Malfoy, espere! – Harry segurou o braço dele. – Primeiro escute-me. Não sei se você sabe, mas você pode estar andando ao lado de um perigoso assassino.
-Assassino? – os olhos de Malfoy arregalaram-se. – Está delirando, Potter, deixe-me ir embora...
-Não. Não estou delirando. Surgiram fortes evidências de que seu amigo matou pelo menos duas pessoas, e temos fortes razões para suspeitar que ele matou todos os alunos que foram assassinados aqui dentro da escola.
-Potter, eu não sei de nada...
-Draco, se todos na escola estão correndo perigo, você também está. Seus amigos, aliás, podem ter sido prejudicados pelas mãos de Buddy! Goyle assassinado de forma brutal, Crabbe quase morto no acidente com o Expresso de Hogwarts... Ele não se importa com ninguém, não se importou com seus amigos, porque se importaria com você?
Draco ficou calado. Harry prosseguiu.
-Se você colaborar, talvez consigamos colocar Buddy atrás das grades, impotente para fazer qualquer mal. Se você se calar, outras pessoas podem morrer... Inclusive você.
Draco respirou fundo, esfregando os olhos. Parecia pensar... Finalmente suspirou e respondeu:
-Ok, Potter, eu colaboro – olhou temeroso para trás. – Mas fale logo, o que você quer saber.
-Primeiro, sobre a relação entre Buddy e Vanda... Ele a ameaçava e a perseguia, não era?
-Sim – respondeu Draco, apressado. – Depois que ele encontrou o colar de safiras de Vanda próximo ao corpo de Anne, guardou-o por um tempo, e depois começou a manipulá-la, ameaçando-a; ou Vanda o ajudava, ou ele entregava o colar aos professores, e Vanda seria obviamente culpada.
-Certo, e Vanda tinha medo dele?
-Quem não tem? Digo... Sim, tinha medo sim. Ele a chamava de Cadelinha, porque ela tinha que obedecer as ordens dele. Só sei que Vanda tentou passar a perna nele, e ele ficou muito irritado, com um ódio brutal. Eu o vi perseguindo-a algumas vezes, até que a pegou pouco antes de ela entrar no Expresso, no dia em que ele se espatifou.
-E o que aconteceu?
-Discutiram, mas com toda a confusão, o trem se detonando, pararam. Mas naquela mesma noite Buddy correu atrás dela novamente; voltou pouco depois, revoltado porque o colar de safiras tinha desaparecido. E, naquele momento, ele disse algo muito sinistro...
Draco engoliu em seco. Harry fitou-o, intrigado.
-O que ele disse?
-Disse que... Que tinha uma forma de evitar que Vanda passasse a perna nele, que o problema chamado Vanda seria resolvido... Para sempre.
Foi a vez de Harry ficar sem ar.
-E... Quando foi isso?
-Um dia antes de ela ser assassinada.
-Minha nossa... – Harry perdeu o fôlego.
-Naquela noite eu o vi entrar no salão comunal... Chegou assustado, suado, e contou-me uma história, na qual não acreditei...
-A Vanda... Eu... Fui tirar satisfações com ela, ter uma conversa séria, entende? Aí, quando a estava esperando, o assassino surgiu com ela nos braços, morta!
-Caramba – murmurou Draco. – Ele a matou?
-Sim – respondeu Buddy, sério.
-Sei...
-Foi terrível, Draco... Terrível...
-E o que aconteceu depois?
-Fil... Digo, o assassino me perseguiu. Jogou o corpo de Vanda escada abaixo, ficamos nos encarando e, depois, ele me perseguiu. Por sorte encontrei um bom esconderijo e consegui despistá-lo. Fiquei lá por uns minutos e depois vim para cá.
-Não acreditei, claro – continuou Draco – e Buddy percebeu a minha desconfiança... Pisou na minha mão e ameaçou-me...
-Não comente com ninguém que eu estava tendo problemas com Vanda, tampouco que eu estava perto do local em que ela morreu. Fui claro?
-Buddy, tira esse pé...
-FUI CLARO? – ele aumentou a voz e pressionou o pé ainda mais. Draco se contorceu, a dor se espalhando pelos terminais nervosos.
-Sim, foi claro, absolutamente claro.
-E ainda completou com uma frase que nunca mais esqueci... Que sempre recordo ao olhar para ele... "Que a nossa amizade dure até a morte" – Draco franziu a testa, perturbado pela horrível lembrança, e repetiu o final da ameaça. – Até a morte.
-Draco, essas coisas que você me contou... Para mim já bastam para acreditar que Buddy seja o assassino! Se não for dos outros alunos, pelo menos o de Vanda!
-Na verdade, Potter... – Draco olhou rapidamente ao redor antes de continuar. – Eu acho que ele pode estar relacionado às outras mortes sim.
-Sério? Por que?
-Alguém que disse que havia visto que era o assassino, na frente de toda a escola, lembra?
-Marylin?
-Essa mesmo. Eu estava perto de Buddy naquele dia, e, na hora que ela começou a ficar nervosa e a tremer, eu posso jurar para você que ela estava olhando para...
-Mas que surpresa agradável! – a voz de Buddy soou no alto da escadaria. Harry e Draco empalideceram, tensos. – Draco e Potter conversando... Que cena incomum! Posso saber qual é o assunto?
Perturbado pelos últimos acontecimentos em relação a Hermione, e inquieto em ter que ficar ali na mesa, sentado, ouvindo-a conversar com Gina, Rony, assim que avistou Padma chegando ao Salão Principal, levantou-se de um salto e correu até a garota.
-Padma! Padma! – disse ele, fazendo o possível para parecer animado.
Não adiantou muito; por mais que sorrisse, foi recepcionado por uma expressão furiosa.
-O que você quer? – perguntou Padma com rispidez. – Tem alguma "surpresa" como a daquela noite? Qual será a nova surpresa, depois de ter me puxado para o jardim para ficar fazendo perguntas tolas e...
-Padma, por favor – ele interrompeu-a. – Não tem surpresa nenhuma. Não é nada relacionado a nós dois, é... Na verdade, é algo muito sério.
Padma ficou em silêncio, fitando o rosto de Rony, que trazia contornos de preocupação.
-Nossa, então... Diga o que é.
-Lembra daquela nossa conversa no jardim, outro dia, em que você falou para mim que, no dia em que Marylin "Trelawney" morreu, você ouviu barulho de metal esfregando no chão?
-Lembro, claro. Mas era apenas Buddy Strogne afastando uma armadura para o lado, procurando Marylin como todos os outros.
-Será que você consegue se lembrar exatamente onde fica esse lugar?
-Sim, consigo sim... – ela o examinou, intrigada. – Por que quer saber?
-Depois eu respondo todas as suas perguntas, eu prometo. Mas quero que saiba que é muito importante que você me leve até esse local...
-Está bem... Levo sim. Mas agora não.
-Ah, Padma, é...
-Agora não – ela falou, firme. Sorriu cinicamente. – À noite eu o conduzo até lá. Servirá como castigo por ter me feito de pateta aquela noite – afastou-se de Rony, acenando. – Até a noite, antes do jantar.
-Droga! – exclamou Rony, irritado. – Garotas; um doce quando são agradadas, um vulcão vingativo quando são irritadas.
Naquele instante, um garoto gordo irrompeu nas portas do Salão, gritando:
-VICKY DA CORVINAL FOI ASSASSINADA!
Houve um tilintar de garfos sendo soltos com estrépito, copos se partindo, murmúrios de assombro e gritos desesperados. Rony, em pé, olhou primeiro para Gina e Hermione, igualmente chocadas; em seguida, seus olhos automaticamente se desviaram para Padma Patil, que também o fitava.
Uma mesma lembrança se transmitia entre os dois, como um fio invisível de comunicação.
-Rony, Juliana ameaçou a Vicky!
Em seguida, os olhos de Rony foram levados a fitar outra pessoa, que chegava ao Salão naquele momento, parecendo muito animada.
Juliana Cabot.
A namorada de seu melhor amigo.
A namorada de Harry Potter.
-E então? – perguntou Buddy, rindo, descendo suavemente a escadaria de mármore, deslizando os dedos pelo corrimão. – Não vão me responder? Qual é o assunto...?
Harry viu que Malfoy estava mais paralisado do que ele; sendo assim, utilizou a primeira idéia que surgiu na sua cabeça.
Franziu as sobrancelhas, torceu a boca e fechou os punhos.
-Nunca mais diga isso, Malfoy! – vociferou ele, desferindo um soco no rosto do rapaz.
Draco cambaleou para trás, gemendo de dor e segurando o olho direito. Harry sacudiu a mão, dolorida pelo impacto contra o rosto de Malfoy. Draco continuou cambaleando; estava indo à direção de Buddy, mas Buddy, ao invés de amparar o amigo, desviou o corpo no momento em que Draco procurava apoio, fazendo com que ele caísse no chão aos seus pés, acompanhado pelas risadas dos poucos estudantes que presenciavam a cena.
Buddy balançou a cabeça enquanto fitava Draco, estatelado no chão, com a mão ainda tapando o olho atingido.
-Que cena desprezível, Draco, apanhando do Potter – ele fez questão de pisar em Draco com uma perna, ao passar por ele. – Assim você desonra o privilégio de ser amigo de Buddy Strogne, que nunca perde nada.
Ele passou por cima de Draco e continuou a caminhar em direção ao Salão Principal, com as mãos cruzadas nas costas, sem olhar para Harry, e sem oferecer uma mão amiga para ajudar Draco a se levantar.
Harry, arrependido de ter socado Malfoy após ele ter colaborado, pensou em ir ajudá-lo; mas seria muito estranho para quem o vira socar Malfoy ajudá-lo cortesmente a se levantar. Finalmente, alguns alunos foram ampará-lo, ajudando-o a se erguer. Quando Draco olhou para ele com o olho sadio, ele murmurou:
-Desculpe.
Para sua surpresa, Draco respondeu, também em murmúrio, quase apenas no movimento dos lábios:
-Acabe com ele.
Como não havia aula aquele dia – elas só retornariam após o término dos Jogos de Verão, que ocorreria no dia seguinte – Harry, Rony, Hermione e Gina se encontraram no meio da manhã, na abafada sala comunal, para se atualizarem.
-Ainda não encontrei um meio de conseguir a senha com Buddy – falou Gina, sem graça.
-Não tem problema – disse Harry. – Ainda estamos no começo do dia – ele virou-se para Hermione. – E então, como vão as suas investigações sobre o Espião?
-Bom, consegui as outras três colunas, que eram essenciais, e Rita já respondeu ao meu chamado; a encontrarei daqui a pouco, na hora do almoço... É essencial que o capture; ele passou dos limites. Minerva passou o dia inteiro trancada, dizem que chorando.
-Aposto que fungou o nariz na calcinha – sugeriu Rony, gargalhando em seguida; Ninguém o acompanhou nas risadas, de modo que ele parou ante os olhares zangados dos amigos.
-Desculpem, foi só uma brincadeira...
-E você, Rony? – indagou Harry a ele. – Conseguiu falar com Padma?
-Ela ainda está nervosa comigo, por tê-la tratado mal da última vez que nos encontramos, logo... Ela só vai mostrar o local de noite.
-Pelo menos vai mostrar... É essencial que a gente descubra que local era esse!
-Por que tanta convicção, Harry? – indagou Mione. – Você descobriu mais alguma coisa sobre Strogne?
-Sim. Fortes indícios. Se continuarmos acreditando que o assassino trabalha em dupla, posso apostar que o próprio assassino, ou o cúmplice, é Buddy Strogne.
-Não sei não, Harry – replicou Gina. – Eu vi com os meus próprios olhos, ontem à noite, Buddy arriscar a própria vida para me salvar do carro azarado.
-O que? Buddy arriscou a própria vida para salvar você?
-Sim... – Gina hesitou ante o olhar desconfiado de Harry. – Pelo menos foi o que pareceu...
Harry inclinou-se para frente.
-Gina, conte-me novamente, mas dessa vez passo a passo, como tudo ocorreu ontem à noite, a partir do momento em que o carro azarado saltou em sua direção.
Gina relatou tudo nos mínimos detalhes, tendo a colaboração de Rony em alguns momentos. Quando terminou, todos se viraram para Harry, que parecia desligado do mundo, mergulhado em pensamentos e reflexões.
-Muito interessante – murmurou ele, misteriosamente. De repente, levantou-se. – Bom, já que todos nós apresentamos as nossas evoluções nas investigações, vamos...
-Ah, Harry – Rony interrompeu-o. Segurou-o pelos ombros e o empurrou novamente em direção a poltrona. – É melhor você se sentar.
-Por que?
-Vicky foi assassinada ontem à noite.
-O que? – perguntaram Harry, Gina e Mione ao mesmo tempo.
-É, foi assassinada, não sei detalhes, mas... Quando lancei a armadilha do coração pela primeira vez, Padma me disse que Vicky desconfiava de Juliana, e que Juliana havia ameaçado Vicky.
Harry ergueu-se de um salto.
-O que está querendo insinuar? – perguntou, ríspido. – Que Juliana matou Vicky? Ah, por favor... A Ju nunca faria uma coisa dessas!
-Harry – falou Mione – ela está na nossa lista de suspeitos, Jack não soube explicar o que queria dizer aquela conversa suspeita entre os dois... Você não pode deixar que a paixão o cegue dessa maneira e...
-Não está me cegando! Mas sei que...
-Harry, você também acredita que Buddy tenha um cúmplice – falou Gina. – Esse cúmplice pode ser a Juliana...
-Não é! – vociferou Harry, com rispidez. – Ouçam bem o que vou dizer a vocês: Juliana não é um dos suspeitos; ela nunca mataria uma pessoa; nunca beberia o sangue de alguém; nunca se envolveria numa trama sinistra ao lado do Strogne; eu a conheço bem, estou garantindo a vocês, definitivamente, ela não é uma assassina!
Um momento de silêncio.
-Harry – começou Mione – não podemos tirá-la da lista de suspeitos, não houve prova concreta da inocência dela, pelo contrário, e...
-Quer saber? – Harry a interrompeu. – Estou cheio desse papo furado. Com licença, vou ver a Ju. A garota mais pura dessa escola – saiu, como um raio, ignorando o chamado dos amigos.
Hermione suspirou.
-É por isso que eu falo que o amor é uma droga – disse ela, desanimada. – Deixa a pessoa cega, faz com que ela só enxergue qualidades na outra pessoa, foge da realidade, não escuta mais os amigos... – ela olhou no relógio. – Rita já deve estar chegando, vou até lá... – ela bufou. – Quanto sacrifício pra pegar aquele fofoqueiro...
Mione subiu para o dormitório, passando por um grupo de alunos que desenhavam um cartaz de uma tal Professora McCalcinha.
Hermione atravessou os terrenos da escola, sob a Capa de Invisibilidade, até chegar aos portões. Ali perto, em pé, batendo os pés contra o chão, parecendo impaciente e nervosa, estava Rita Skeeter. Mione tirou a capa e aproximou-se.
-Como vai, Rita? – perguntou Mione, sorrindo com desdém.
-Nada bem – respondeu a jornalista, ajeitando os óculos. – Sabe, Srta Perfeição, tenho a vida muito agitada para ficar cedendo meus preciosos minutos a adolescentes com problemas.
-Desculpe, mas foi necessário chamá-la. Afinal, preciso encontrar alguém com as mesmas características que você.
-Como?
-Fofoqueira, chata, inconveniente e jornalista.
As unhas de garras vermelhas cravaram-se nas palmas das mãos de Rita quando ela fechou os punhos, revoltada. Mione não pôde deixar de sorrir.
-Vou lhe explicar com maiores detalhes – Hermione puxou as quatro colunas do bolso. – Faz um tempinho, um aluno de Hogwarts vem se fazendo de fofoqueiro oficial – Rita apanhou as colunas e começou a examiná-las. – Ele se auto-intitula como O Espião, e afixa a mesma coluna na frente de cada salão comunal. As fofocas dele já renderam grandes confusões, de modo que quero descobrir quem ele é. Quem é o autor dessas colunas ridículas.
-Ridículas? – indagou Rita. – Até que ele tem muito talento...
Mione ficou calada, enquanto Rita lia as colunas. A jornalista gargalhou num determinado momento.
-Eu já posso imaginar do que você está rindo – disse Mione, corando.
-Uau, a Srta Perfeição agora fica aos amassos pelo corredor da escola? Mão naquilo, aquilo na mão... Onde você estava pegando, querida?
-Não enche! – vociferou Hermione.
-Quem é Michael Curtis?
-Não interessa!
-Humm... Pode render uma excelente reportagem para todos os jornais: EXCLUSIVO: HOGWARTS VIRA PROSTÍBULO E ABRIGA ESTUDANTES DEPRAVADAS!
-Prostíbulo? – perguntou Hermione, indignada. – Escute aqui, sua...
-Não, não, olhe como fala, querida – interrompeu-a Rita. – Ao contrário de algumas pessoas, eu não ando por aí sendo flagrada em amassos.
-É, as suas safadezas devem ocorrer às escondidas mesmo!
Rita a ignorou. Assim que terminou A Coluna do Espião, nº 4, olhou para Hermione e comentou:
-Não creio! Isso é incrível! Minerva McGonagall de calcinha fio dental – Rita gargalhou. – Agora as idosas andam perdendo a vergonha na cara! – ela riu. – Aff, que horror. Ta toda cravada...
-OK, Rita, por favor, poupe-me dos seus comentários. Diga, agora, o que concluiu.
-É, tem certa qualidade o que esse Espião escreve... Usa o humor com habilidade... Um tanto amador, é claro, mas até que é divertido.
-Certo, e... Examinando essas colunas, o que você diria?
-Deixe-me compará-las – ela agachou-se e apoiou os quatro rolos de pergaminho sobre uma pedra. Ajeitou os óculos e ficou observando por alguns minutos, seu olhar passando de uma coluna para a outra. Por fim, ela estalou os dedos e levantou-se. O olhar que lançou para Hermione era reprovador. – Vejo que a sua perfeição não é tão perfeita assim. Deixou passar alguns detalhes, querida.
-Eu nunca falei que sou perfeita – retorquiu Hermione. – Claro que deixei passar detalhes, não tenho o olhar clínico necessário para avaliar uma coluna jornalística... Mas... Que detalhes eu deixei passar?
-Veja bem, cada colunista tem o seu estilo próprio de escrever. Eu tenho o meu, maravilhoso, claro – pigarreou, afetada – e o Espião, apesar de ser um amador, tem o dele.
-Um estilo próprio... – repetiu Mione, interessada. – Como assim?
-Aff, daqui a pouco eu perco a paciência! – exclamou Rita. – Aproxime-se das colunas e acompanhe o meu raciocínio, se é que seu cérebro permite...
Mione lançou-lhe um olhar raivoso, mas ficou quieta; atenta, acompanhou o raciocínio de Rita... Era tudo uma questão de estilo...
Essa frase resumia tudo o que a parceria entre as duas acabou concluindo.
-Harry, eu amo você – falou Juliana, antes de envolvê-lo novamente num beijo apaixonado.
Quando se afastaram, Harry ficou olhando para o rosto da namorada; não podia acreditar no que os amigos diziam. Juliana era dócil, meiga, simpática, sabia tratá-lo tão bem... Mas não era uma assassina.
Dennis Dawkins passou perto dos dois e os cumprimentou; uma idéia repentina tomou conta de Harry. Desculpando-se com Juliana, Harry correu até o rapaz, que caminhava ao lado do irmão mais novo.
-Dennis! – Harry sorriu. – Primeiro queria lhe agradecer por ter mostrado o diário a Rony e Gina, e por ter esclarecido todas as nossas desconfianças.
-Se eu soubesse que era um suspeito, já teria mostrado o diário há muito tempo – respondeu.
-Como vai o seu irmão?
-Muito bem – Dennis passou a mão nos cabelos de Rogério. – Esse moleque deu um susto danado. Foi entrar cedo no Expresso e aí quase morreu... Por sorte, ele caiu para fora do trem antes do trilho adulterado.
-Sorte mesmo – Rogério riu. – Caí de encontro à parede do trem e, quando vi, estava lá fora! Foi tanta sorte quanto à do garoto que saltou do trem, o Patrick Geller. Saltou direitinho na plataforma!
-Sorte nada, destino – corrigiu Harry. – Tudo tem a hora certa para acontecer; e, quando não é a hora, não acontece... – ele olhou para Dennis. – Estou te procurando porque preciso saber um pouco mais a respeito do Strogne, e acho que o seu diário, o Dossiê Buddy Strogne, pode me ajudar.
-Bom, não sei se poderei ajudar, mas farei o possível – respondeu Dennis com simpatia. – Estou com o diário aqui, e... Vamos até a biblioteca para conversarmos melhor.
Rogério despediu-se dos dois, indo se juntar aos colegas, enquanto Dennis e Harry tomaram o caminho rumo à biblioteca. Ao chegarem lá, viram que havia poucos alunos; escolheram uma mesa afastada e, numa voz baixa, Dennis perguntou.
-E então, o que você deseja saber sobre aquele crápula?
-Dennis, pelo que me contaram, você esteve observando e analisando o Buddy nos últimos meses. Queria que você me contasse quais as principais características dele que você conseguiu captar.
Dennis abriu o diário, enquanto respondia.
-Do ponto de vista psicológico, Buddy Strogne é uma pessoa formidável. Uma mente difícil de se definir. Em alguns aspectos é como qualquer bad boy de qualquer escola; toda escola tem o seu. Todos os garotos o temem; muitas das garotas o admiram. É viciado em esportes, mas a inteligência não é o seu forte; tira notas ruins, escreve tudo errado. E costuma usar da força física para castigar os mais fracos. As vítimas preferidas são os nerds, alunos muito estudiosos e reclusos, com poucos amigos. Porém, se algum garoto tenta tomar seu posto, ou provocá-lo de alguma forma, também entra na lista negra e paga o preço pela ousadia. Por mais que estejamos numa escola de magia, a força física é a preferida dele; nada de feitiços e azarações; os golpes são socos e pontapés.
-Certo, e... Os aspectos diferentes? Os que o tornam alguém tão formidável psicologicamente?
-Primeiro é a sensação de poder. Buddy é acostumado a ter de tudo: veio de família nobre, sempre teve dinheiro, sempre teve garotas, tudo o que quis. Quando não consegue, se torna perigosíssimo. Isso o levou a armar para cima do namorado de Gina, e o levou a matar também, para conseguir um cartão de Sapo de Chocolate, uma pulseira e um medalhão...
-E um colar de safiras – completou Harry.
-O que disse?
-Nada... – Harry balançou a cabeça. – Então, como um filhinho de papai, Buddy quer tudo o que deseja nas mãos dele, se não consegue, vira um maníaco psicopata.
-Sim. Para ele querer é poder. Ele procura formas de conseguir o que quer; se não consegue, se existe um ser humano o impedindo, sem problemas, ele vai e mata.
-Isso é um tanto assustador – Harry respirou fundo. – Dennis, o que mais você diria sobre a mente de Buddy Strogne?
Dennis ia responder, mas interrompeu-se; um grupo de alunos do primeiro ano passava segurando uma faixa com um desenho mal-feito que zombava de McGonagall; era uma velha, de calcinha de oncinha, lançando um feitiço contra a bunda. O balão sobre ela dizia: "Lancei um feitiço e vejam como ficou meu bumbum após o Feitiço Celulite Star: o paraíso da celulite." Eles passaram, e Dennis respondeu:
-Diria que ele é frio. Perigoso. Capaz de sorrir diante do sofrimento dos outros. Para ele, não existem vínculos afetivos. Um amigo, se precisar ser descartado, será. Acredito que até aos próprios pais ele faria mal. Harry, Buddy não tem coração. A sensação de poder o faz olhar apenas para o próprio umbigo. Ele passa por cima de qualquer pessoa; até a mãe dele é considerada uma pessoa qualquer. Buddy só se importa com ele mesmo.
-E quanto aos inimigos? O que você diria?
-Por incrível que pareça, pelo que observei, Buddy tem mais facilidade em descartar amigos do que inimigos. O próprio namorado de Gina é um exemplo. Ele podia tê-lo matado, mas não; preferiu impingir uma humilhação ao rapaz, fazê-lo sofrer em vida a perda da garota amada... Acho que, em relação aos inimigos, Buddy prefere vê-los sofrer diante de seus olhos, sofrerem vivos.
A imagem de Patrick Geller, duas vezes vítima de ataques de Buddy Strogne, perpassou a mente de Harry e confirmou que o que Dennis dizia era verdade.
-Buddy não admite fracassos. Para ele, ele é superior a qualquer um de nós; sempre vai vencer, sempre terá o que quer. Mesmo que precise aprontar para que isso aconteça.
-OK – Harry levantou-se. – Obrigado pela ajuda, Dennis.
-Que nada... Qualquer coisa que eu puder fazer para ajudar a ferrar aquele delinqüente, farei com prazer.
Era fim de tarde quando Gina Weasley finalmente fez sua tentativa de arrancar a senha do salão comunal da Sonserina. Agarrada ao pescoço de Buddy Strogne, ela tentava, de modo indireto, arrancar a senha dele.
-Já tivemos senhas muito engraçadas no salão comunal da Grifinória – comentou ela, forçando uma risada. – Como... Bosta Derretida e Furúnculo de Velha.
-As senhas da Sonserina são piores – comentou Buddy. – Já houve Sangue Podre... Pus esverdeado...
-A senha atual da Grifinória não é tão estranha... Diabinhos de Pimenta.
-É, a da Sonserina é normal, mas até que eu gostei: Pipoca Caramelizada. Vejo que temos senhas comestíveis ultimamente – ele riu da própria piada, enquanto Gina ria da frase que passava em sua própria mente.
"Vejo que temos animais irracionais estudando em Hogwarts ultimamente".
Gina encontrou Mione no Saguão de Entrada, pouco antes do jantar.
-E então? – perguntou a amiga. – Como foi o papo com a Rita?
-Ela continua péssima e irritante, mas, devo admitir que a ajuda dela foi muito útil. Já estou quase chegando ao nome do Espião. Só preciso de mais algumas observações... E você? Conseguiu a senha?
-Consegui! A inteligência não é o forte de Buddy Strogne.
As duas riram. Naquele momento, Harry aproximou-se, acompanhado por Rony. Gina o atualizou dos avanços das duas e perguntou sobre as investigações dele.
-Parece que estamos a poucos passos da verdade – disse ele. – Finalmente... Mas ainda não tenho certeza de nada. Refleti muito essa tarde, mas ainda não posso ter certeza... Precisamos que Padma nos mostre o local em que viu Buddy agachado e que Gina coloque o plano grandioso em ação.
-O plano grandioso é só amanhã – lembrou Gina.
-Eu sei, mas Padma nos levará ao local hoje mesmo, não é, Rony?
-Sim, foi o que ela disse... Aliás, ela está vindo agora mesmo para cá – ele apontou.
Padma aproximou-se com um sorriso.
-Não sei porque tanto interesse, mas, já que vocês querem tanto saber onde aquele tonto estava agachado... Sigam-me!
Eles entraram no mesmo corredor que Marylin havia escolhido para sua fuga. As lembranças ainda estavam vívidas na mente de cada um; a correria, a busca pelo corpo, o grito, o xale branco coberto de sangue, o momento em que Harry afastara a tapeçaria e dera de cara com os suspeitos...
Entraram no mesmo corredor em que o xale foi encontrado; Padma afastou a mesmíssima tapeçaria daquele dia. Eles desembocaram no outro corredor. Padma seguiu em frente, dobrou a direita, depois à esquerda e, finalmente, estancou, apontando para uma armadura enferrujada, como tantas outras que havia no castelo.
-Foi exatamente aqui – ela disse, tocando na armadura.
-Se não for incômodo – pediu Harry – pode simular a posição em que Buddy se encontrava no momento em que você apareceu?
-Claro – Padma agachou-se. Colocou as mãos nas pernas da armadura e começou a empurrá-la. Olhou para eles. – Era assim. Assim que ele estava. Afastando a armadura, provavelmente para ver se encontrava Marylin atrás dela.
-Ah... – falou Harry. – Obrigado, Padma, e... Será que posso examinar a armadura?
Padma, confusa, levantou-se e afastou-se, abrindo caminho para Harry se aproximar da armadura. O garoto agachou-se e continuou a empurrá-la; espiou a parede. Passou a mão sobre ela, sobre o chão. Ergueu-se, alisando cada centímetro da parede. Parou por um momento. Virou-se para a armadura. Espiou dentro dela, passou os dedos por cada canto. Secou a testa e suspirou, decepcionado.
-É, parece que não há nada aqui – disse, olhando para Gina, Rony e Hermione.
-Como assim? – indagou Padma. – O que vocês esperavam que houvesse aí?
-É uma longa história, Padma – respondeu Harry, exausto. – Um dia a contaremos a você.
Já no salão comunal da Grifinória, reunidos em círculo sobre o carpete, eles discutiam os detalhes do plano grandioso do dia seguinte.
-Gina, é muito, mas muito importante que você siga todos esses passos, e que o plano de invadir o dormitório de Buddy dê certo – falou Harry. – Você precisa encontrar a pulseira e o medalhão. E, mesmo ao encontrá-los, continue vasculhando a procura de qualquer outra pista...
-Então não resta mais dúvidas? – indagou Gina. – Buddy...
-Buddy está relacionado aos crimes – concluiu Harry. – Precisamos de você para conseguirmos prendê-lo e, com sorte, chegar a outra pessoa.
-Você já sabe quem é a outra pessoa? – perguntou Rony, assombrado.
-Tenho quase certeza que sim – disse Harry. – Mas é amanhã que pretendo chegar a uma conclusão. Amanhã teremos o castelo de Hogwarts inteiro só para nós... O dia promete as respostas definitivas para todas as nossas perguntas.
No dia seguinte, antes do café da manhã, Dennis Dawkins encaminhava-se para o Salão quando foi interrompido por Harry.
-Dennis, preciso que me passe o esquema da prova dessa manhã.
-Esquema? Como assim?
-Todos os alunos serão dispensados? Ficará alguém no castelo?
-Sim, todos serão dispensados, e o castelo vai ficar vazio, afinal, a prova é do lado de fora... – ele franziu as sobrancelhas. – Onde você quer chegar?
-No plano grandioso! – bastaram àquelas palavras para o olhar de Dennis encher-se de compreensão. – Preciso saber se haverá verificação dos nomes dos alunos, um por um, ou não.
-Não. Eles não vão verificar, sabem que, depois de tantos crimes, ninguém é louco de ficar sozinho nesse castelo gigantesco. Diga a Gina que basta ficar escondida e quieta no salão comunal que ninguém a verá... Só a Gina ficará por aqui, não é?
-Claro, claro, só a Gina, e... – ele pigarreou. – Obrigado por tudo, Dennis!
Ele correu até Rony, Hermione e Gina, que aguardavam a distância.
-Tudo certo. Basta ficarmos escondidos no salão comunal – Harry consultou o relógio. – Vamos tomar o café da manhã, depois subimos discretamente para o salão comunal. Assim que o castelo se esvaziar, o meu plano e o plano grandioso se iniciam!
Charlotte repousava na caverna de Richard. Seu descanso foi interrompido pelas sacudidelas do vampiro, que chamava por seu nome sem parar.
-Richard? – disse ela, sonolenta. – Mas o dia nem começou ainda, nem pude descansar...
-Não há tempo para descanso! Precisamos ir até Hogwarts agora!
Charlotte levantou-se, espanando a poeira do vestido. Richard tomou-lhe as mãos e retomou o plano que haviam formado.
-Não se esqueça. Eu entrarei no castelo, porque Gina estará lá dentro sozinha. Preciso evitar que ela invada o dormitório do Buddy Strogne, deixá-la em segurança. Você fica vigiando as portas de entrada do castelo; ninguém pode entrar, ninguém. E não se esqueça: apenas vigie, não entre no castelo.
-Entendido.
-Preciso evitar que Gina cometa essa loucura... Ou Buddy cometerá uma loucura nela, se descobrir tudo... Vamos, Charlotte, precisamos salvar Gina!
Velozmente, os dois se transformaram em morcegos e saíram voando através da neblina.
Assim que o café da manhã se encerrou, a multidão de alunos começou a se precipitar para as portas do castelo. Entre a multidão, alguns alunos encaminhavam-se para seus salões comunais, para apanhar blusas ou outros objetos esquecidos. Entre esses alunos encontravam-se Harry, Rony, Gina e Hermione.
Subiam as escadas, o mais naturalmente possível, fingindo animação diante da prova que iam assistir.
Ninguém percebia que era tudo fingimento.
Exceto Vamp.
NA: Espero que tenham gostado, e a fic ganhou mais um capítulo. O que era pra ser o capítulo 25 eu dividi em dois, ou seja, ficou sendo esse e o 26. O 26 já está completo, portanto, se vocês comentarem rápido eu posto logo! (chantagem hehehe), to brincando. Abraços!
