Prisioneira
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Fraqueza
\Capítulo Vinte e Quatro\
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Ayame afastou-se do microscópio, por onde estivera analisando uma amostra qualquer, voltando a atenção para o computador, que acabara de produzir um aviso sonoro, informando que já havia terminado de processar os dados que ela colocara. Apertou a tecla enter e aguardou pacientemente o gráfico abrir e lentamente ir se desenhando automaticamente.
Olhou para o relógio em seu punho, soltando um gemido frustrado ao perceber que já se passava das nove horas da noite. Ainda não havia conseguido completar metade do trabalho que deveria entregar na manhã do dia seguinte, pois Kouga fizera questão de atormenta-lhe durante o total de uma hora, com intervalos entre as visitas.
Estreitou os olhos quando o gráfico, enfim, ficou completo, fixando a atenção na última curva, onde a linha subia extravagantemente. Olhou para a data e cobriu a boca com a mão, afinal aquilo dizia que os níveis de energia de Kagome haviam triplicado. Era energia demais para o corpo de uma humana suportar.
Encostou-se na cadeira e desviou sua atenção daquele trabalho para olhar para a entrada de seu laboratório, desconfiada, pois tinha certeza de que sentira uma movimentação. E, sem notar nada estranho, voltou a prestar atenção no computador. Entretanto, não permaneceu muito tempo em seu trabalho.
Uma mão tapou-lhe a boca e a outra a segurou pelo pescoço, a arrancando a força da cadeira. Debateu-se tentando se livrar de seu atacante, entretanto ele era quatro vezes mais forte que ela, isto era evidente pelo tamanho dos músculos dos braços dele.
Gemeu baixo, quando o mesmo apertou-lhe ainda mais contra seu corpo, quase a sufocando e viu a face de seu atacante através do espelho, não acreditando. Afinal de contas, era Yure, um dos melhores amigos de Kouga, que não tardou a aparecer no escritório, andando lentamente, enquanto sorria de forma vitoriosa.
Parou diante dela e a olhou de cima abaixo, enquanto o Youkai que a segurava retirava a mão de sobre seus lábios, para poder segurar seus braços. Umedeceu os lábios com a língua e tocou a face feminina com a mão, sorrindo ainda mais quando ela virou o rosto, indicando nojo.
# Não adianta gritar, Ayame! – avisou. – Seus amigos estão ocupados com coisas mais importantes que sua segurança.
# Quer dizer que você também é uma das marionetes de Naraku… - disse a cientista, incomodada com a posição. – Deveria ter percebido isso…
# Deveria… mas não percebeu. O que significa que você não é tão inteligente quanto eu imaginava! – bateu com o dedo indicador na própria cabeça, enquanto dava a volta para verificar o trabalho de Ayame. – Mas é o suficiente para que Naraku a deseje viva e no castelo dele, o mais depressa possível… - colocou a mão no queixo, como se pensasse, antes de voltar os olhos para a cientista. – Kagome é um objeto de estudo adorável, não é mesmo? Quando Naraku a treinava, ela fazia maravilhas… coisas que nem mesmo a Miko Midoriku, em seu auge, conseguia fazer. – tornou a parar diante dela.
# Por quê? – questionou, sentindo vontade de chorar, afinal, sabia o que aconteceria em seguida. Kagome lhe alertara a esse respeito. – O que ele te ofereceu?
# À principio, ele prometeu não me matar… Mas, agora, ele prometeu que me deixaria tomar conta de um dos interesses dele, quando o que ele quisesse fazer fosse feito. – sorriu. – Ah sim… e prometeu que não pediria para Kagome me matar. – realizou um gesto positivo e caminhou até um dos armários, pegando uma seringa com um conteúdo transparente.
A cientista arregalou os olhos e o Youkai tornou a cobrir seus lábios com a mão, parando de sufocá-la, enquanto virava seu rosto para o lado oposto, aquele que Kouga se posicionara. Os olhos da ruiva se encheram de lágrimas, enquanto sentia a agulha penetrar sua pele e a ardência, provocada pela invasão do medicamento para adormecer, em seu corpo.
# Vamos embora! – disse Kouga, ouvindo o telefone tocar.
XXXX
Inuyasha desligou o telefone celular, irritando-se, enquanto desejava descobrir onde o irmão mais velho havia se metido naquele momento. Encarou a cunhada, negando com a cabeça, e a observou soltar o ar fortemente pelos lábios, antes de se afastar, parando diante da janela, olhando, sem realmente ver, um ponto através do vidro.
Praguejou mentalmente e guardou o celular no bolso da calça. Afinal, já tinha uma breve noção de onde Sesshoumaru estava, uma vez que o mesmo apenas desaparecia daquela maneira e rapidamente quando o assunto era a filha, Sarah. Olhou para Sango, e estreitou os olhos, pensando se eles haviam conseguido alguma informação sobre Sarah.
Sentou na poltrona, cruzando os braços sobre o peito, enquanto lembrava da visão do corpo de Kagome, ligado a diversas maquinas. E apenas encontrava-se tranqüilo daquela forma, pois, finalmente, pudera entrar no cômodo e tocar-lhe.
Olhou para o relógio em seu punho e ficou de pé, enquanto se perguntava onde estaria Ayame, que prometera dar-lhe os resultados dos testes que fora fazer ainda naquele dia. Mas, desviou a mente desses pensamentos, voltando os olhos para aqueles que lhe faziam companhia, e que também, interrompera o que faziam.
Houve um leve tremor da terra, ao mesmo tempo as lâmpadas piscaram por segundos, antes de apagarem por completo. Um alarme que tocou, chamando a atenção de todos, enquanto lâmpadas especiais acendiam-se, não para a iluminação total, mas apenas para os presentes no prédio poderem se localizar, pois a mesma era fraca.
Os quatro se entreolharam, sobressaltando-se ao ouvirem um estrondo seguido por um grito agudo e antes que pudesse reagir aquele som, houve outra explosão e Inuyasha foi atirado contra Miroku, que se desequilibrou e caiu no chão.
# Mas o que… - Kikyou abaixou-se, abraçando a cabeça, salvando-se de ser atingida por uma esfera de energia, que acabou por atingir a parede, deixando um enorme buraco na mesma.
Tornou a levantar a cabeça e correu para o lado onde Miroku se encontrava com Inuyasha, os ajudando a ficar de pé, com Sango. Da saída de emergência e dos elevadores, surgiram três Youkais e dois rapazes humanos, que sorriram em satisfação ao depararem-se com eles.
Os olhos de Bankotsu, que encabeçava o grupo, varreram todo o local, umedecendo os lábios com a língua, quando fixou a atenção na figura de Sango a encará-lo com seriedade, enquanto deslizava a mão pela lateral do próprio corpo em busca de uma adaga, para poder atacar quando houvesse necessidade.
# Sango!
# Bankotsu!
Sussurrou a exterminadora, chamando a atenção de Miroku, que encarou o humano com ira, avançando dois passos, mas parando quando a morena colocou o braço a sua frente, lançando-lhe um olhar que mandava permanecer no lugar.
# Não pensei que fosse tão fácil assim burlar a segurança da Sociedade Secreta Japonesa! – pronunciou com desdém, avançando dois passos, e fixando a atenção em Sesshoumaru. – Vocês devem ser os irmãos Takahashi… - sorriu sadicamente, enquanto erguia a espada diante do corpo. – Sou Bankotsu e este é meu irmão, Jakotsu. – indicou o humano, que usava vestes estranhas e encarava Inuyasha de forma cobiçosa. – Espero que não nos levem a mal, mas viemos aqui, na companhia de Youkais, para pegar a menina Higurashi.
# Vocês não irão chegar perto de Kagome! – disse Inuyasha, estalando os dedos em sinal de ameaça. – E se tocá-la… irei matá-lo.
Bankotsu riu em voz alta e Jakotsu sorriu. O primeiro recuperou a postura diante dos inimigos, seus olhos com um brilho estranho, a indicar alegria.
# Acredite Hanyou… eu toquei a menina Higurashi mais do que você imagina… Mas acredito que você já saiba disso. – riu alto, assistindo Inuyasha ser segurado por Kikyou. – Mas, o que estamos esperando? – apontou a espada para frente. – Vamos começar a brincadeira!
E assim foi feito. Seguindo as ordens, os três Youkais avançaram em direção a Inuyasha e Kikyou. O Hanyou entrou na frente da cunhada, estalando os dedos de forma ameaçadora. Miroku ficou com Jakotsu, que ria cada vez que seu adversário escapava de seus ataques ou errava o tiro. Sango pegou a adaga e atirou-a contra Jakotsu, afinal, conhecia a fama do assassino e não desejava ver Miroku sofrer nem um terço das coisas que ele fazia suas vitimas sofrerem. Entretanto, Bankotsu capturou a arma branca antes que atingisse seu alvo.
# Senti sua falta, minha Deusa… - sorriu, atirando a arma para longe. – Não imagina o meu desespero quando Naraku disse que você havia parado nas mãos do inimigo. – colocou a mão no peito, fazendo cara de preocupação. – Fiquei imaginando o que fariam com você… e se seria capaz de passar dias sem olhar para você. Ou tocar em você!
# Pois fique sabendo que nada me fez mais feliz do que ficar longe de você! – disse a morena, observando o assassino olhá-la como se houvesse sido magoado. – Não se faça de vitima, pelo amor de Kami, Bankotsu! – pronunciou, enquanto pensava em uma maneira de escapar, uma vez que já não possuía mais nenhuma arma.
# Naraku prometeu te dar para mim… - comentou, conseguindo com que ela o encarasse nos olhos. – Parece que ele não vai te matar… acha um castigo melhor me deixar tomar conta de você e seu corpo.
Sango o encarou com nojo, sentindo vontade de assassiná-lo da pior maneira possível, por um dia ter ousado tocá-la e levá-la para cama. Distraiu-se e assustou-se quando seu corpo colidiu com a parede e ficou presa entre ela e Bankotsu.
# Me diga Sango… - sussurrou no ouvido dela. – Nenhuma vez você sentiu prazer no que fazíamos? – tocou-lhe a cintura e Sango se amaldiçoou por ser incapaz de se livrar dele, enquanto virava o rosto. – Diga que nunca chegou a me desejar da mesma maneira que te desejava.
Sango colocou a mão no peito dele e começou a empurrá-lo com força, sentindo a mão dele passar do debaixo de sua camisa. Fechou os olhos e deixou o corpo escorregar pela parede quando o humano a largou, para escapar de uma das balas da arma de Miroku, que se colocou a frente dela, apontando a arma para o assassino.
# Você está bem? – perguntou, sem desviar os olhos dele, ouvindo um fraco 'sim' como resposta. – Vai pagar por isso! – e atirou.
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O corpo do homem, a usar trajes de segurança, foi arremessado com extrema brutalidade contra a parede do quarto hospitalar, provocando um barulho irritante enquanto caia por sobre um dos armários de instrumentos, a virar e derrubar seringas e ampolas com medicamentos.
O Youkai com aparência felina sorriu satisfeito, observando o liquido vermelho e viscoso começar a manchar o piso branco e, juntamente ao seu parceiro, que possuía a aparência de um lobo, fixou a atenção na cama onde Kagome encontrava-se ligada a aparelhos e respirando com a ajuda de um ventilador. Eles se entreolharam de forma temerosa, antes de se aproximarem da cama, como se não soubessem a atitude certa a tomarem naquele momento.
# Como vamos levá-la daqui? – questionou o Youkai gato, observando as máquinas. – Naraku disse que a queria sem nenhuma espécie de ferimento, mas como iremos fazer para retirar esse tubo dela? – indicou o objeto do qual falava. – A menos que você saiba retira-lo. – o Youkai negou silenciosamente. – Acha que devemos desligar o equipamento e ir embora daqui com ela?
# E se ela sufocar? – disse temeroso. – Se algo acontecer a ela, Naraku acaba com a gente.
# Essa menina é a força de Naraku, Okami! – falou, observando a Miko virar o rosto para o lado oposto, como se estivesse despertando. – Também teremos problemas se essa menina acordar e resolver que nós somos inimigos. Sabe que ninguém consegue pará-la, nem mesmo Naraku. Então! Trate de falar mais baixo! – mandou.
Deu a volta pela cama e desligou o eletrocardiograma e puxou, com cuidado, todos os fios que ligavam a morena as diversas máquinas, menos a que a auxiliava na respiração, a encarando com irritação.
# Vamos logo, Kiro! Bankotsu e Jakotsu podem não conseguir segurar toda a segurança da SSJ por muito tempo. – disse ansioso, olhando para a porta do quarto, como se aguardasse o momento em que algum dos inimigos aparecesse e acabasse com eles. – Traga a Miko e a maquina junto… mas vamos logo… embora daqui! – caminhou até a porta, olhando para os corredores.
# Fala como se fosse fácil! – murmurou, obviamente irritado, enquanto terminava de preparar menina para poder pegá-la nos braços. – Pode ao menos, me ajudar empurrando este aparelho? Não sei se percebeu, mas tenho apenas dois braços!
O Youkai Lobo revirou os olhos, porém não realizou nenhum gesto, não por desejar ignorar o pedido do companheiro, mas por que, no momento em que o companheiro tocou o braço de Kagome, o corpo dela foi envolvido por uma camada rosa perolada de energia.
O Youkai Gato recuou um passo, sentindo sua mão arder por conseqüência da energia purificadora, e observou, com horror, o tubo que levava ar para seus pulmões ser completamente pulverizado. A morena abriu os olhos e sentou-se na cama, enquanto todos os objetos do quarto tremiam e os mais frágeis iam sendo transformados em partículas praticamente invisíveis.
Os olhos castanhos se fixaram sobre o mais próximo de si, que recuou um passo para iniciar a corrida para longe dela, e sentiu um objeto passar a milímetros de seu rosto, quase o ferindo. Deu as costas, entretanto, foi arremessado contra a parede, enquanto seu companheiro caia no chão, incapacitado de correr por estar paralisado pelo medo.
Kagome se colocou de pé. No momento em que tocou com o pé descalço no piso, o mesmo foi recoberto por uma energia perolada, que fez desaparecer o corpo do segurança que havia sido assassinado há alguns minutos, e obrigou ao Youkai Lobo, levantar e afastar-se para não acabar sendo atingido. A morena avançou em direção a saída e, ao passar diante do Youkai preso a parede, fez o corpo do mesmo ser pulverizado, junto com alguns móveis e objetos.
Percebendo que o poder da Miko encontrava-se descontrolado, o Youkai Lobo correu tentando salvar a própria vida, afinal, quando ela elevava o poder de tal forma, ela destruía qualquer espécie de matéria, mesmo sem querer.
# Não… não vai!
Sussurrou, parando a porta do quarto onde estivera internada, estendendo a mão esquerda em direção ao Youkai, que imediatamente teve seus movimentos cessados, pois passara a ser puxado em direção a ela. Olhou-a com horror e fechou os olhos enquanto era, cada vez mais e rapidamente, aproximado do corpo da Miko, que fechou a mão ao redor de seu pescoço, antes de seu corpo ser destruído, da mesma maneira que fora feita ao outro.
Deixou o braço cair ao lado do corpo e virou a face para o lado direito, sorrindo meigamente antes de avançar na mesma direção, destruindo todos os vidros dos quartos pelo qual passava, com a energia emanada por seu corpo.
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Miroku observou Sango ser arremessada com violência contra a mesa, virando uma cambalhota antes de cair do lado oposto, levando a tela do computador, embutido ao material de mogno, junto consigo. Encarou o Youkai que os ameaçava e sorriu ingenuamente antes de sentir as mãos dele se fecharem ao redor de seu pescoço, o sufocando. Puxou uma adaga e encravou-a na face do Youkai, o fazendo gritar com a dor agonizante por ter sido cegado, e o soltar.
Caiu deitado no chão e puxou uma arma, armando-a velozmente para acertar o Youkai com um tiro no peito, antes de atirar naquele que avançava contra Sango, que tivera um dos braços deslocado pela queda, o matando instantaneamente.
Parecia que quanto mais matavam Youkais, mais apareciam para atacá-los, e, o fato de eles terem passado os companheiros do andar anterior, o fazia crer que estava havendo mais morte entre eles do que deveria, enquanto pensava se algum havia conseguido subir para capturar Kagome. Afinal de contas, nenhum deles, também, havia conseguido passar para ir ao quarto onde a morena se encontrava sendo tratada.
Inuyasha encontrava-se em demasia ocupado com Bankotsu e Jakotsu, que se revezavam durante os ataques, impedindo que ele fugisse para impedir que algo acontecesse a menina que eles haviam ido buscar.
Bankotsu distraiu-se, irritado com a cena de Miroku ajudar Sango a ficar de pé. Desta maneira, Inuyasha conseguiu acertar-lhe, o jogando contra a parede, para ganhar tempo e procurar Kikyou com os olhos e encontrá-la escapando das investidas de um Youkai Lobo, afinal de contas, os poderes espirituais dela já não eram mais os mesmos.
Saltou para pegar uma das armas que Miroku havia deixado cair no chão e recuperou-se do rolamento para frente, dando o primeiro tiro no Youkai, que cambaleou, antes de tornar a avançar contra a morena. Inuyasha deu outro tiro e, desta vez, conseguiu eliminá-lo. Suspirou aliviado e saltou para o lado oposto, a tempo de escapar do ataque de Jakotsu e observou, com horror, Bankotsu se levantar, com os olhos fixos em Kikyou, que havia caído no chão e estava segurando o tornozelo com força.
Jakotsu empurrou Inuyasha, causando-lhe um ferimento profundo no abdome, antes de correr em direção a Kikyou, que estendeu a mão para frente, entretanto, Jakotsu foi mais rápido e a acertou com um chute. Kikyou gemeu, abraçando a barriga, enquanto tentava recuperar o ar.
# Eu não achava que você fosse tão fraca, Kikyou! – debochou. – Onde está seu maridinho? – perguntou, olhando para os lados. – Oh sim! – colocou as mãos sobre os lábios, como se houvesse dito uma atrocidade. – Eu esqueci… ele teve que te deixar sozinha para ir atrás da amante dele! – Kikyou franziu o cenho, ainda olhando para o solo. – Você sabia que ele tem outra mulher? E que, com ela, ele teve uma filha? – Kikyou fechou os olhos. – Filha que você não pôde dar a ele? – riu, quando Kikyou virou o rosto, fixando os olhos em Inuyasha, como se esperasse um movimento a dizer que ele mentia.
Inuyasha tentou avançar ao ouvir tais palavras e ver o assassino erguer a mão com a espada, mas Bankotsu se colocou em seu caminho, o atingindo com a espada. E assim, esperou o ataque fatal.
Mas antes que a lâmina tocasse a morena, uma barreira espiritual se ergueu ao redor de Kikyou, repelindo Jakotsu para longe dela. O assassino pareceu não gostar daquele feito e avançou com brutalidade, começando a investir na barreira com sua espada.
Bankotsu, que fora abatido por Inuyasha, se ergueu novamente, com os olhos atentos em Sango, e interrompendo seu objetivo de chegar até ela, quando o Hanyou parou a sua frente, apertando o ferimento do abdome, tentando cessar o sangramento.
# Não me diga que ainda quer brigar? – debochou, enquanto o encarava com superioridade. – É por causa da menina Higurashi? – sorriu. – Não se preocupe Inuyasha… posso lhe dizer que ela é extremamente deliciosa e que ela, também, gostou muito de me ter por cima por alguns longos minutos.
O brilho de ira inundou os olhos dourados. Inuyasha avançou para cima de Bankotsu, desejando assassiná-lo de qualquer maneira, entretanto, por causa do provável veneno que existia na lâmina da espada utilizada pelo humano que atendia pelo nome de Jakotsu, seus movimentos haviam sido prejudicados e acabou sendo atingido pelo humano.
Sentiu seu corpo colidir com a parede e, sentindo uma dormência estranha espalhar-se por todo ele, acabou caído sentado no chão, com Bankotsu apontando-lhe a arma branca, de forma ameaçadora.
# Naraku disse que queria que sua vida fosse tirada por Kagome. – falou, pressionando a lâmina da espada no rosto do Hanyou, o cortando. – Mas acho que não vou esperar para te matar. Alguém como você… não é digno de fazê-la perder seu tempo para matá-lo.
# Vai se arrepender. – disse entre dentes.
# E quem vai fazê-lo? Seus dois amigos estão ocupados com um Youkai… seu irmão nem se encontra aqui! Sua cunhada está tentando sobreviver a Jakotsu. Ninguém irá te salvar e eu poderei subir para pegar a menina Higurashi e Sango, para levá-las comigo… - havia satisfação em sua voz. – Quem sabe… como recompensa… Naraku não me deixa mais uma vez… além de Sango, ter a Miko em minha cama.
Inuyasha tentou se levantar, mas freou o movimento, enquanto sentia a ponta da espada, tocar-lhe o pescoço, o ferindo superficialmente. Bankotsu ergueu o braço, o abaixando para poder desferir o ataque, entretanto, a lâmina da espada parou a milímetros do rosto do Hanyou, que já não sentia metade de seu corpo.
O assassino olhou irritado para a espada, tentando descobrir como ele conseguira interromper o ataque, estreitando os olhos ao ver a energia rosa perolada ao redor da lâmina prateada. Voltou os olhos para o lugar onde Kikyou se encontrava, notando que ela também estava protegida por uma barreira mais forte, concluindo que não fora a Miko quem a fizera.
Soltou a arma no momento em que ela foi completamente pulverizada, afastando-se de Inuyasha com os orbes fixos na porta do elevador, observando o metal ser retorcido por uma energia invisível, aos poucos. Lançou um olhar significativo ao irmão e saltou para longe, na hora certa para escapar da porta metálica, a se desgrudar da parede e avançar violentamente para frente, atingindo o Youkai que ameaçava Miroku e Sango, o matando.
Kagome saiu do elevador e muitos objetos da sala começaram a ir desaparecendo, enquanto a menina fixava a atenção em Bankotsu.
# Vejo que acordou! – disse o Humano, tentando não mostrar preocupação, enquanto enterrava as mãos nos bolsos da calça que usava. – Aqueles dois palermas não foram capazes de te pegar sem lhe despertar e aposto que já foram eliminados. – a morena, parou ao lado de Inuyasha, mas sem tirar os olhos de quem lhe falava. – Vamos voltar Kagome… Naraku está doido para lhe ver.
A menina virou o rosto, e as janelas que davam visão para o andar inferior explodiram, espalhando cacos de vidro fino para todos os lados. Bankotsu estreitou os olhos ao começar ao ouvir os gritos de dor e olhou singelamente para a suas costas, para assistir os Youkais que os acompanhavam, serem erguidos até a altura da janela e serem pulverizados pelo poder da Miko.
E ele não era o único assustado com aquela visão. Afinal de contas, para ela ser capaz de realizar aquele tipo de coisa, os poderes dela deveriam ter se elevado mais vinte por cento. Isto é, a Miko estava mais poderosa do que, até mesmo ele acreditava, Naraku imaginava.
Os olhos castanhos se fixaram em Bankotsu e, ao perceber que seria o próximo alvo, ele retirou do bolso uma pulseira parecida com a que Kikyou usara contra ela para evitar seu ataque a Inuyasha. A jóia flutuou sobre o solo e diante da face do humano, antes de voar em direção a Kagome, prendendo-se ao seu punho esquerdo.
# E agora? Como pretende se safar sem seus poderes?
Perguntou Jakotsu, sorrindo, e obtendo para si a atenção da menina, que flexionou o cotovelo do braço esquerdo apontando a palma de sua mão para o próprio rosto, mostrando a pedra, que antes era negra, passar a ser rosa antes de rachar e a pulseira, ser completamente destruída. Seus pedaços quase invisíveis caindo no chão, enquanto os assassinos a encaravam sem saber que reação tomar.
Kikyou, Miroku, Inuyasha e Sango se entreolharam ao mesmo tempo, não acreditando no que seus olhos lhe mostravam.
Os corpos dos dois assassinos foram arremessados e presos na parede, sendo queimados pelo poder da mesma enquanto parava a dez passadas de distância deles, os encarando com curiosidade.
# Preferem do modo fácil ou difícil? – a voz veio fraca, entretanto seu tom era diferente daqueles que eles haviam ouvido anteriormente. Era um pouco mais grave do que o de quando ela era menor. – Foi o que pensei… - disse ao não obter resposta, estendendo a mão esquerda com a palma da mão voltada para eles.
O corpo de ambos foi envolto por uma energia negra e, ao mesmo tempo, rósea e desapareceram instantaneamente quando Kagome fechou a mão com força.
Toda a energia se dissipou e, junto com ela, desapareceram as barreiras erguidas ao redor de Kikyou e Inuyasha. Logo em seguida, as luzes voltaram ao seu padrão normal e Kagome caminhou até Inuyasha, ajoelhando-se e tocando-lhe a face com cuidado, antes de desmaiar.
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A taça em suas mãos estourou por causa da pressão que colocara contra ela e o liquido vital começou a abandonar seu corpo, se misturando com aquele que enchia a taça. Sua cara era de desagrado, enquanto as chamas da lareira a sua frente passavam a crepitar com mais violência.
Uma energia negra envolveu sua mão, desaparecendo com os cacos do vidro, e o sangramento parou, entretanto, as cicatrizes dos cortes permaneceram. Fechou o punho com força, irritado com aquele fato, e controlando a ira que tomava conta de seu ser.
# Preciso de Kagome! – murmurou abaixando o braço, sentindo a movimentação a suas costas. – O fato de ela estar se desprendendo completamente de mim está começando a deixar seqüelas. E se não agir rapidamente, ela vai se voltar contra mim.
# Quer que eu vá pega-la para você, Senhor Naraku? – Kouga questionou-lhe, entrelaçando os dedos as suas costas.
# Não! – o Hanyou negou com a cabeça, enquanto se colocava de pé. – Mostrou-se capaz ao me trazer a cientista Ayame, mas creio que Kagome poderá te matar rapidamente se você se colocar em seu caminho. E preciso de você na SSJ enquanto não descobrem sua traição. – passou pelo Youkai, que não se atreveu a se mover. – Mas tome cuidado para não se colocar no caminho de Kagome durante isso. – parou ao lado de sua mesa, olhando uma fotografia de Kagome, que ele tirara antes de ela ser levada de seus braços. – Ela é uma menina esperta… E creio se o episódio onde você e Houjyou foram feridos se repetir, não haverá duvidas para os irmãos Takahashi e os outros.
# Sim, meu Senhor! – fez uma reverência. – Agora se o Senhor me permite… irei retornar para a SSJ, antes que notem minha ausência, e comecem a despertar.
Naraku fez um gesto com a mão e Kouga se retirou, sem aguardar mais nada. O Hanyou pegou a fotografia de Kagome, que usava um vestido vermelho sangue e a abaixou, antes de virar-se e rumar para uma porta que havia por entre duas estantes. A abriu e olhou para a mulher Youkai que se encontrava desmaiada no chão. Fechou a porta à suas costas e parou diante dela, que parecia despertar aos poucos.
Ayame sentia todos os músculos de seu corpo latejar e um frio incomodo, provavelmente causado pela superfície fria onde se encontrava deitada. Moveu a cabeça, sentindo uma pontada dolorosa ao fazê-lo, e uma raiva incomum, enquanto se recordava o que havia acontecido. Ainda não acreditava que Kouga, era um dos espiões de Naraku e que havia ajudado a levá-la.
Interrompeu o pensamento, abrindo os olhos e sentando com violência e, por conseqüência disso, ficando tonta. Abraçou a cabeça e fechou os olhos com força, tentando conter sua náusea, enquanto a imagem do homem de olhos vermelhos era registrada em sua mente. Não acreditando que aquilo realmente havia acontecido.
Tornou a abrir os olhos e encarou seriamente o Hanyou que se abaixava a sua frente, no propósito de ficar a sua altura.
# Não está surpresa em me ver… vejo! – disse Naraku, com um sorriso nos lábios.
# Kagome me contou que você ia conseguir! – respondeu e observou a expressão no rosto de Naraku mudar para uma surpresa e, em seguida, para uma satisfeita. – Portanto, nem perca seu tempo… minha resposta é não! – o sorriso nos lábios de Naraku aumentou.
# Quer dizer que Kagome realmente já voltou a si, e a brincar de adivinhar o futuro como antes? – disse, parecendo ignorar a ultima frase da cientista. – Ela adorava fazer isso quando era mais nova! Ela vivia fazendo essas brincadeiras, antes de mostrar fraquezas por causa da droga. Interessante! – riu – Mas quanto a sua resposta, Ayame… vamos ter uma longa conversa… - sorriu. – E durante uma conversa… muita coisa pode acontecer, querida Ayame.
