Madrugada de 1 de Julho de 2013. China
Leon e Helena se ofereceram para ajudar os soldados de BSAA com os sobreviventes. Um novo caos apocalíptico estava instalado. Durante todo o tempo, as piadas infames, o bom humor de Leon, permaneceram desaparecidos. Era alguém muito diferente de quando estiveram em uma situação muito parecida em Tall Oaks.
Um tanque da BSAA os dava uma carona até um lugar distante da fumaça, onde haveriam mais sobreviventes e onde eles poderiam se reagrupar. Pela janela, ambos assistiam em silêncio o cenário da cidade destroçada, dos mortos vivos, irracionais, tentando morder o veículo, dos grunhidos e dos gemidos dos inocentes sendo devorados.
" - Aqui é o máximo onde eu posso levá-los" - Disse o soldado.
" - Muito obrigado, já ajudou bastante.". Leon observou a rua sem saída bloqueada por uma fileira de veículos que capotaram. - " - Vem Helena, eu te dou impulso."
Helena saltou por cima de um dos caminhões, em seguida puxando Leon pelo braço para que ele subisse também. Agora do outro lado da rua, quando buscavam um caminho a para seguir a pé, sentiram um cheiro forte de gasolina. Um caminhão pipa estava vazando combustível veio desgovernado naquela direção, batendo e capotando... não tiveram tempo de fugir, quando a explosão aconteceu, ambos tiveram seus corpos arremessados com toda a força contra o para-brisas de um carro, e então caíram desmaiados no asfalto.
Ada observava o mesmo cenário do helicóptero em que pilotava. Os olhos puxados observavam cada rua atentamente, sentia-se triste, se certa maneira, como se fosse responsável por tudo aquilo. " - Ela não estava brincando quando falou sobre causar um inferno..." - Os olhinhos ávidos avistaram ao longe, dois corpos jogados no chão inconscientes. Seguindo rumo a eles, uma horda de zumbis. Ela reconheceu os dois, ela os conhecia muito bem. Estavam se movendo com dificuldade, estavam vivos.
" - Leon!"
Leon acordou zonzo. Foi uma pancada forte. Com certeza algumas costelas já tinham se partido. Demorou alguns segundos para reconhecer o local, o fogo, Helena jogada ao seu lado. Zumbis atacando pessoas logo a frente, sobreviventes lutando. Sua arma não estava longe, pegou-a de volta.
Pôs-se de pé e foi até Helena. Com dificuldade, conseguiu erguê-la do chão, colocou o braço da mulher em volta do pescoço. " - Vamos lá... eu peguei você."
Helena estava muito ferida, e ele também. Os zumbis estavam muito próximos. Leon não acreditou que naquele estado, tão machucados, conseguiriam fugir. Num momento seguinte, um farol vindo do alto cegou os olhos azuis do agente por alguns instantes. Era um Helicóptero, muito, muito próximo.
O Helicoptero metralhava zumbis lá do alto, começando a limpar a rua em volta dos agentes. Helena acordou com o barulho dos tiros. O Helicóptero estava tão próximo, que mesmo confusos de dor, puderam ver o piloto.
" - Leon... é..."
" - Ada! Eu achei que estivesse morta."
" - Vamos indo enquanto podemos. Por alí!"
" - Será que tudo isso fazia parte dos planos de Simmons?" - Perguntou Leon.
Ambos se arrastaram até a calçada, aproveitando a ajuda de Ada para fugir. Encontraram um prédio com a porta aberta para se refugiarem.
" - Estou começando a me sentir seu guarda costas pessoal, Senhor Kennedy."
Ada abateu todos os zumbis da rua, e assistiu os agentes do governo se refugiarem em um prédio. " - Agora vocês estão por conta própria."
Foram muitas boas ações para um só dia, talvez boa parte justificada por seu mal estar quanto a Carla. Mas ela ainda tinha uma missão para terminar. Tinha que chegar até a torre na sede da Neo-Umbrella. Tomou seu caminho de volta, encontrando novamente as ruas repletas de caos. Helicópteros da Neo-Umbrella por todas as partes para ela abater.
" - Alguém poderia avisar esses caras que a patroa deles já se aposentou? Você realmente não me queria nessa torre, não é mesmo Carla?"
Leon observou o pátio a sua volta, caminharam um longo trajeto para chegar até alí. Um enorme pátio com o símbolo da Umbrella desenhado no chão, ao centro, um obelisco de aço pontiagudo, com uma altura imponente. Bem alí um complexo de prédios, uma torre, elevadores envidraçados e grandes passarelas de aço conetando todos prédios e a torre. Sem dúvidas, alí era a sede da Neo-Umbrella.
Eram muitos corpos jogados no chão, aparentemente nenhum sobrevivente... Quando escutaram o gemido e o caminhar sofrido se aproximando. Era Simmons, estava vivo.
" - Quer mais um pouco?" - Leon empunhou sua arma.
Do alto surgiu o helicóptero de Ada, iluminando o corpo machucado de Simmons.
" - Eu sei o que você fez, Ada! Você me desobedeceu... levou o filho do Wesker embora... usou o sangue daquele bastardo para deixar o vírus mais forte!" - Ele urrou enquanto seu corpo se contraía em espasmos.
Ela sabia que ele falava de Carla. " - Isso é o que se ganha quando se confia em Ada Wong."
O trio assistiu surgir uma nova mutação de dentro do corpo destroçado. Muito mais forte que a anterior. Não eram mais quatro patas, apenas duas, uma longa calda... a criatura era capaz de engolir qualquer um deles de uma só vez, era capaz de destroçar qualquer veículo. Leon e Helena usavam suas armas para explodir galões de combustível próximos a ele. " - Puxa vida! Ele é enorme!" - Gritou Helena.
Ada o metralhava do Helicóptero. - " - Eu gostaria que você estivesse aqui, Carla. Para limpar a bagunça que você fez."
Um jipe de guerra da BSAA chegou ao local. " - Que diabos houve aqui? Entrem!" - Leon e Helena usaram as metralhadoras do militar para tentar provocar algum dano em Simmons. Mesmo atordoado e levando tiros por todos os lados, Simmons conseguiu virar o carro, provocando a morte do soldado que o conduzia.
" - Tudo isso pelo amor de uma mulher, que trágico." - Bufou Ada, zombeteira como sempre.
Helena dava cobertura para que Leon continuasse a explodir os tanques de gasolina. Quando finalmente, Simmons foi ao chão, dessa vez, sem voltar a sua forma humana.
" - Conseguimos!"
Ada jogou os faróis em cima dos agentes, com o helicóptero bem próximo aos dois. " - Leon, você não consegue ficar longe de encrenca, não é? E sempre um passo atrás...". Ela sorriu então, fazendo um breve aceno com a cabeça. E Partiu.
Helena dedicou alguns segundos só para observar o parceiro, ele olhava para o céu sem desviar o olhar nem mesmo por um momento.
" - Ela está indo para o telhado?" - Perguntou Leon.
" - Então vamos torcer para que o elevador ainda funcione."
Leon não se movia, nem a escutava. Permanecia parado no mesmo local, observando o céu.
" - Algum problema?"
" - Não é nada..." - Ele respondeu ainda com o olhar para o alto por mais algum tempo. " - Vamos."
Ada seguia rumo a torre da sede da Neo-Umbrella. Haviam sobreviventes correndo de zumbis no topo dos prédios, ela os ajudava como podia. " - Talvez eu possa conseguir algum tempo para essas pessoas. Todos nós já vimos muita morte sem sentido para um só dia. Eu gostaria de poder fazer mais, de verdade.".
Finalmente avistou o heliponto, usou a metralhadora para limpar o local infestado de zumbis. " - Sinto muito meninos, mas eu preciso pousar aqui."
Quando estava tudo limpo, ela finalmente efetuou o pouso. Uma chuva fina já havia começado, os relâmpagos já começaram a estourar no céu. Ada deixou a porta do helicóptero aberta, e la dentro um pequeno pó compacto. Do lado de fora, uma bazuca. Admirou a arma por alguns segundos, o beijinho com o batom vermelho que ela deixou alí, bem na ponta. Aquela arma, o pó e o veículo já tinham um destinatário certo, ela só esperava que ele não precisasse da primeira.
" - Agora é hora de limpar a ultima bagunça que Simmons fez... Ok, ultimo item da lista, eliminar todos os traços do roubo da minha identidade."
O elevador estava funcionando. Era todo de vidro e com vista para o exterior do prédio. Os agentes subiam rumo ao topo do prédio. Helena fitou o parceiro que estava distante, próximo ao vidro, de cabeça baixa observando a vista de destruição la fora, mas muito provavelmente pensando em outra coisa.
Ela caminhou até o lado dele, ficando bem perto. " - Ela é mais do que uma amiga... não é?" - Leon a encarou de volta, não necessariamente surpreso, Helena sorriu, cúmplice. - " - Você tem sentimentos por ela."
Leon não respondeu, mas seus olhos e o sorriso de canto, sim. Escutaram uma explosão próxima, que segundos depois os atingiu. O elevador foi deslocado para o lado de fora, antes que caíssem com ele, os dois saltaram de volta ao prédio se agarrando aos cabos de aço que ainda estavam lá.
" - Se eu fosse você não olhava para baixo!" - Berrou Leon enquanto subia os cabos.
" - Eu não estava pensando nisso."
" - Leon... sempre o sobrevivente." - Ada assistiu a explosão de dentro do prédio, contudo não podia perder mais tempo alí. Empunhou sua sub-metralhadora e aproveitou um rombo na parede, provocado pela explosão, para pegar um atalho pelo lado de fora. Foi quando alguém a chamou pelo nome.
" - Ada!" - Era Simmons novamente, no prédio seguinte.
" - Quer mais um pouco? Você realmente gosta de ser punido." - Simmons cuspia os tiros de ossos em sua direção, fazendo o vão de elevador em que ela estava, ceder. Usou a grapple gun para saltar até um dos corredores de aço que conectavam os prédios uns aos outros. Simmons estava lá, mutado.
" - Ada, bem vinda de volta. Você finalmente voltou para mim. Você e eu, é nosso destino ficar juntos."
A espiã desviava de suas investidas e atirava dele com tudo o que tinha.
" - Você nunca foi perfeita como Ada Wong!" - Ele rosnou. - " - Foi um erro criá-la, eu a criei, isso significa que você deve me obedecer... não se preocupe, eu serei gentil. Você é minha! Cada centímetro seu pertence a mim! Renda-se aos seus sentimentos, você não pode viver sem mim. Adaaaaa!"
A plataforma que estava a cima deles, cedeu, Ada usou novamente seu gancho para escapar chegando até o corredor seguinte.
" - Você é nojento. Vamos ser diretos: Eu não sou sua bonequinha, Simmons. Na verdade, a única coisa que eu tenho em comum com ela, é o ódio por você."
Ada percebeu que logo atrás dela, Leon e Helena, em um outro corredor partido, tentavam ajudar atirando em Simmons. " - Eu agradeço o gesto. Mas já sou crescidinha. Eu posso cuidar disso sozinha, Leon."
" - Ela realmente não deveria ter abandonado aquele helicóptero."
Leon e Helena tentavam ajudar, atirando em Simmons enquanto lidavam com alguns zumbis que vinham do prédio, quando a plataforma que estavam começou a ceder, obrigando-os a saltaram para os cabos de aço novamente.
Helena escalava o mais rápido que podia, e por ser mais leve, disparando na frente. " - Vamos Leon! Anda logo!"
" - Por quê eu sempre fico preso com as mandonas?"
Ela sentiu um alívio por finalmente escutar mais uma daquelas piadinhas sem nenhuma graça, seu parceiro voltou ao normal. Ambos sentiram o sacudir dos cabos. Era Simmons, que abandonou Ada do outro lado, e agora perseguia os dois.
" - Ada, você está me ouvindo? Atira nele agora!"
Sim, Ada podia escutar Helena, e atirava em Simmons evitando que ele se aproximasse dos dois. Especialmente de Leon que estava mais próximo. " - Ele quer matar a concorrência..."
Quando Simmons percebeu que Ada o alvejava incessantemente, ele abandonou sua perseguição a Leon e voltou-se contra ela. A espiã não teve tempo de desviar ou esboçar qualquer reação. O monstro enorme veio em sua direção, e com um só golpe a derrubou.
" - Ada!" - Leon soltou dos cabos, e sem se importar com a altura, se preparou para saltar até Ada. " - Helena me da cobertura!" - E saltou.
Sentiu suas costelas já anteriormente quebradas rasgarem-lhe algo por dentro, cada músculo de seu tórax doía em uma dor alucinante. Mas não se importou com isso. Viu Ada completamente nocauteada logo a diante, inconsciente. Se aproximou dela e viu que ainda respirava.
Ele ajoelhou perante a ela e a tomou nos braços. " - Ada, você consegue me ouvir? Por favor, não deixa isso acabar assim."
" - Afaste-se dela, Leon! Você não é a metade do homem que ela precisa! Venha, venha comigo meu amor, vamos ficar juntos, para sempre."
" - Não se eu puder impedir!" - Respondeu Leon, com o corpo de Ada repousando sobre o seu, ainda inconsciente, ainda sem esboçar qualquer resposta. Enquanto ele descarregava toda a sua munição contra o monstro. " - Anda, acorda... se você é realmente a Ada, eu sei que você consegue sair dessa. Nós dois podemos."
Ainda assim ela não acordou, tinha apenas a respiração fraca e o corpo frio. Ele percebeu que Simmons se preparava para desferir mais um ataque, e que Ada não resistiria. Quando o tiro de ossos veio, ele a abraçou forte, usando seu próprio corto para bloquear os tiros e protegê-la.
Ainda meio tonta, Ada sentiu o calor de um corpo familiar em volta de sí, ele gemia de dor, o sangue dele espirrava em seu rosto e sujava a roupa de bambos. Ela abriu os olhos e encontrou os dele. Ambos ainda estavam vivos. " - Eu... só estava descansando os meus olhos.", ela tinha a voz fraca, e o tocou carinhosamente na mão.
" - Você não devia dormir no trabalho." - Ele sorriu aliviado.
Ambos se colocaram de pé, agora prontos para enfrentar Simmons de igual para igual, ou quase isso.
" - Caso não tenha percebido, Simmons não aceita rejeições muito bem." - Ela alfinetou.
" - Tem algum detalhe que eu deveria saber aqui?" - Leon perguntou.
" - Nada que valha a pena." - Ela sorriu.
Depois de esvaziarem completamente dois pentes de balas, Simmons se contorceu novamente em uma forma humanoide. Ada correu até ele, derrubando-o com uma voadora, em seguida cobrindo-o de socos, puxando-o pelo pescoço e com um grito dando um soco final atirando-o no chão.
Perceberam que isso acontecia sempre que ele recebia uma longa sequencia de tiros interruptos. Quando ele se transformou outra veze, repetiram a dose, dessa vez, Leon fez questão de esmurrá-lo mais uma vez. Quando ele virou criatura outra vez, acertou Leon com um golpe atirando-o para fora da plataforma. O loiro segurou na beirada, evitando a queda certa.
" - Leon!" - Gritou Ada.
Simmons assumiu novamente a forma humana, e se aproximou dele.
" - Você que viver?" - Perguntou Simmons. " - Então implore! Implore pela sua vida!" - Disse enquanto pisoteava as mãos do agente para que ele se soltasse.
" - Não mesmo. Eu passo!"
Simons não viu Ada se aproximar pelas suas costas e apunhalando-o com uma flecha por trás. " - Nem sempre é possível ter tudo o que se quer, Simmons." - Ela o puxou para sí, se atirando da plataforma junto com ele. " - Vamos encerrar esse assunto. Você realmente deveria ter seguido em frente, Simmons." - Ela usou sua grapple gun para se salvar, abandonando o corpo de Simmons a queda livre.
Do alto, Leon assistia Simmons em queda livre, cair e se chocar contra uma plataforma em chamas, ele gritava de dor enquanto pegava fogo, até que finalmente desapareceu por entre o fogo.
Ele colocou sua pistola de volta no coldre de couro e encontrou Ada distante. " - O que você é? Por quê esta nos ajudando?" - Sussurrou.
Ada permaneceu distante, observando o seu ex-amante, que na verdade era sua estória, e que por mais que tentasse evitar, parecia nunca ter fim. Ele a encarava de volta, esperando alguma reação, ou explicação, como sempre... Após sua mensagem estar escrita, ela digitou o numero dele, que sim... ela sabia de cor. Apertou o "send". E sorriu. " - Tão fofo... você está mesmo confuso com tudo isso, não está Leon? É divertido de assistir..."
Leon desviou o olhar para atender o telefone, era uma mensagem de texto. " Eu queria poder ficar mais tempo, mas eu tenho que ir. Deixei um presentinho do telhado. Te vejo na estrada, Leon.". Ele não sabia o que fazer, ele a viu acenar mais uma vez... e partir, mais uma vez, diante de seus olhos.
" - Ada!" - Ele chamou, já sabendo que ela não ia esperar.
" - O que você está esperando? Vá atrás dela!" - Helena disse ao radio.
" - Não. Nós vamos ficar juntos." - Ele podia perceber a dúvida na voz de Helena, mas agir emocionalmente a esse ponto nunca foi de seu feitio, sua estória com Ada ia muito além disso, e agora, assim como ela, tinha assuntos a terminar, e sim, assim como ela mesma disse, eles definitivamente vão se ver outra vez. Deixou escapar um sorriso de canto, e então partiu.
Mais uma vez, ela deixou Leon para trás, em nenhuma das vezes que o fez, era realmente isso que ela queria ter feito, mas definitivamente, foi a coisa certa a fazer. O mais importante nisso tudo, foi saber que ambos acabaram vivos e bem. Contudo, em nenhuma de todas as outras vezes, ela saiu com o coração tão partido. Quinze anos se passaram e aquele homem não parava de lhe dar provas de amor, não importa o que ela faça, e dessa vez foi o máximo que um dia já pensou que ele fosse capaz.
Em Londres, pensou que um dia, mais cedo ou mais tarde, ele a esqueceria, e com toda certeza, ele tentou. Nunca poderia adivinhar que ao contrario disso, ele ainda a amaria, e a protegeria, mesmo que ela fosse uma vagabunda confirmadamente vigarista, amante de Simmons, e líder de um grupo terrorista chamado Neo-Umbrella
Esse era Leon, seu Leon... aquele que lhe virou a cabeça com poucas horas em Raccoon city. E essa era a maneira que ela o retribuía, indo embora mais uma vez. Em quinze anos, ele não mudou... nem ela.
Finalmente chegou ao laboratório da sede, como já era de se esperar, suas digitais foram prontamente reconhecidas.
" - Então foi aqui que Carla fez seus experimentos, né?" - Resmungou se adentrando no local.
Encontrou um monitor de controle e usou o dispositivo que pegou na maleta para ligar o sistema. Todas as luzes se acenderam. Ada assistia estática a outro vídeo de bizarrices e cientistas loucas, que a esta altura, já faziam-na sentir-se tonta.
"Outra falha. Tragam-me outra cobaia." - Era a voz e a imagem de Carla nas gravações exibidas nas telas. " - Por quê você acha que construímos esse laboratório justamente aqui?" … "Vá lá fora... tem milhares de cobaias para escolher." … " Diga a Simmons que estamos ocupados, estou prestes a resolver isso." ... " Você esta recusando as minhas ordens?" … "Foi você quem me escolheu como cobaia, não foi?" … "Não, não... foi Simmons, ele me forçou... por favor... não faça isso" … "Acredite ou não, eu disse a mesma coisa"... Carla se aproximava de outro casulo... "Eu consegui... esse é o meu melhor trabalho aqui..."
A espiã seguiu rumo ao interior do laboratório de cobaias... e encontrou o casulo, que se rompia, lentamente. Ela sentia seus ombros caídos, estava exausta, física e emocionalmente. A quem queria enganar? No final, não era tão forte assim. Era tão fraca como outra qualquer, conseguiu ser envolvida e aprisionada em um esquema que não podia sair... como outra qualquer... sua índole, moral, identidade e até seu corpo, também eram tão vulneráveis... como o de outra qualquer.
Ela não sabia quem era aquela pessoa alí transformada, se seria como Carla, ou Deborah... " - A compaixão ficou para trás nesse momento." - Apontou sua metralhadora para a criatura que ainda terminava de nascer. " - A humanidade ficou para trás." - disparou contra o casulo fazendo o sangue dele jorrar. Foram pentes e pentes de balas, que ela gastou sem se importar se tantos eram de fato necessários. Não parou enquanto não quebrou todos os vidros, todos os monitores, enquanto não viu o fogo rotar e consumir todo o local, lambendo tudo do chão até o teto. Sabia que estava gemendo, talvez pela dor física, pelo cansaço. Quando se lembrou do ultimo detalhe, o cubo que carregou durante todo esse tempo, quando olhou para ele uma ultima vez, percebeu que estava chorando. Não sabia dizer se de tristeza, ou de raiva. Atirou-o no fogo e deixou mais um gemido escapar. Virou de costas e tomou o rumo de saída, segurando as lagrimas, com os olhos úmidos e os lábios trêmulos. Seu celular de trabalho tocou.
" Um trabalho é? Claro, minha agenda acabou de ficar vaga."
Leon ficou sem ação por alguns segundos ao encontrar aquele pó compacto no banco do helicóptero. Havia o desenho de uma borboleta nele... o beijinho na bazuca já era um brincadeira tão típica de Ada, mas aquela maquiagem... o que poderia ser?
" É da Ada?" - Pela expressão no rosto de Leon, não era difícil deduzir.
Ele tomou o objeto nas mãos e o abriu delicadamente. Após alguns segundos, ele revelou um conteúdo extra, um pequeno cartão de memória. Entregou a maquiagem para Helena e foi verificar o cartão em seu celular.
" - Leon... isso é..."
" - Provas que incriminam Simmons."
" - O que significa que provarão a sua inocência."
" - Nossa inocência." ele sorriu.
Helena desviou o olhar. " - Eu não preciso disso."
" - Helena!" - Ele já ia contestar, decepcionado, quando Hunnigan ligou.
" - Leon, boas noticias, conseguimos encontrar uma maneira de parar o vírus."
Houve outra explosão, o prédio não iria durar muito tempo. " - Entendi, mas temos que ir agora, nos vemos em breve. Helena, vamos..."
Ele deixou que ela entrasse na frente, suas costelas pediram que fosse ela também a pilotar. Andes de embarcar, ele olhou para trás, uma ultima vez, mesmo sabendo, que Ada não viria...
Continua...
