N/A: Uma música que me inspirou enquanto eu escrevia foi Running up that Hill – Placebo. E quem ainda não viu, dá uma conferida no trailer da fic: http : / / www . youtube . com / watch?v=nJ6ymCKUfe4
Capítulo XXIV – Chamas
betado por Anaisa
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Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses.
Lucas 6:28
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Em alerta, levantou-se, olhando na direção da origem do som.
Quanto mais se aproximava mais ela percebia que os passos não eram de Draco e muito menos dos elfos, que teriam apenas aparatado onde ela estava. Assustou-se quando uma enorme forma começou a se revelar da escuridão das árvores.
Ginny deu vários passos para trás, até chegar na beira do lago. Equilibrou-se para que seu corpo não caísse nas águas congeladas.
Quando a lua finalmente mostrou o rosto insatisfeito da enorme figura a sua frente, Ginny perdeu o fôlego.
-Olá, Ginny. Pronta pra ir?
A ruiva piscou. A forma do enorme homem a sua frente era inconfundível. Se tinha alguém no mundo que não poderia ser confundido a nem a quilômetros de distância, era o ser a sua frente.
-Hagrid?
O meio-gigante se aproximou tão rápido que Ginny quase perdeu o equilíbrio e caiu para trás.
-Quanto tempo, hã? – ele perguntou.
-Hagrid, o que está fazendo aqui? – ela perguntou, ainda atônita com a presença dele.
-O que está fazendo aqui? – ele gritou. Suas sobrancelhas unidas em uma expressão raivosa. – Quase treze anos que não nos vemos! Você nunca nem pensou em perguntar se eu ainda estava vivo, Ginny? Eu sei que você nunca gostou tanto de mim quanto seu irmão gosta, mas você me disse que eu era um bom professor e depois, sumiu!
Ginny piscou, de olhos arregalados e, com as mãos juntas na frente do corpo, via o meio-gigante abrir os braços e gesticular nervosamente no meio de seu ataque de nervos.
-Sumiu! Assim! Do nada! E nem quis saber de ninguém que deixou pra trás e foi pra França e foi estudar com aquele idiota do Alistair. Nunca ocorreu a você perguntar como eu estava? – ele repentinamente puxou uma manga da camisa. Ainda de olhos arregalados, Ginny encarou a larga cicatriz. – Todos temos cicatrizes agora, sabe? Essa eu ganhei defendendo Hogwarts quando VOCÊ ainda estava lá dentro. Porque eu prometi a Harry e a seu irmão quando eles foram embora que eu iria proteger Hogwarts, e em especial você. Então eu tenho uma cicatriz por sua causa! E tudo o que você tem a me dizer é O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?
Ginny encolheu os ombros e seus olhos pareciam querer saltar das órbitas enquanto ela puxava o ar gelada com força, tentando clarear os pensamentos.
-Sete anos. – começou, engolindo em seco. As enormes mãos dele estavam fechadas em punhos.
-Quê?- ele berrou.
-Faz sete anos que não nos vemos. Não treze. – ela explicou. Abriu a boca para comentar que a gramática dele estava melhor, mas mudou de idéia no último segundo.
-É. É. Tanto faz. – ele resmungou.
-E o que queria dizer com "pronta pra ir"? Como você chegou aqui com essa nevasca?
Ginny prendeu a respiração e apertou os olhos ao perceber que outra explosão de gritos se formava dentro de Hagrid.
-QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU? – ele berrou, antes de lhe dar as costas e sair andando pesadamente. Seus pés afundando na neve e atingindo a terra escura embaixo dela.
Depois de alguns segundos, parada e atônita, Ginny correu atrás dele.
-Hagrid! Espera, onde você vai?
-Onde nós vamos. – ele corrigiu. - Me siga bem de perto. Aquele bastardinho colocou vários feitiços de proteção ao redor da mansão. Você vai se perder de mim se não ficar perto.
-Você veio me resgatar? – Ginny sorriu, mesmo sem saber se deveria se sentir aliviada ou receosa por estar cada vez mais longe da mansão de Draco. – Hagrid! Espere um segundo.
Ele parou bruscamente, olhando-a por cima do ombro.
-Eu não posso andar no ritmo das suas perninhas, Ginny. – ele disse olhando com desdém para as pernas dela. Como se não passassem de dois gravetinhos finos.
Ginny sorriu notando o quanto, até com raiva e brutalidade, Hagrid era uma das criaturas mais adoráveis que já havia encontrado.
-Onde você esteve por todos esses anos, Hagrid? – perguntou. – Por que eu nunca mais te vi?
A expressão de desdém dele sumiu. Ele olhou para frente. Pareceu querer dizer alguma coisa, mas desistiu. Voltando a andar com as mãos nos bolsos.
-HAGRID! – Ginny voltou a correr, tentando seguir suas passadas largas. – Espera!
Ele não esperou. Saia empurrando as plantas do caminho. Parecia decidido a não olhar para trás. Ginny estranhou a atitude dele. Quando os olhos bondosos a encaram, ele parecera tentado a lhe contar alguma coisa. Algo que não devia.
-Hagrid! – ela gritou. Com um urro frustrado por ver o quão longe ele estava, parou. – QUER SABER POR QUE EU NÃO PERGUNTEI SOBRE VOCÊ? – berrou.
Ele parou e virou o rosto novamente. Mesmo com todo o seu corpo intimidador, seu rosto ainda parecia o de uma criança teimosa e insegura.
-Se é importante pra você me contar isso... – ele resmungou.
Ginny se aproximou com passos decididos.
-Porque eu tinha medo. No fundo eu achei que você estava morto porque sabia que você preferia morrer a ver Hogwarts sucumbir. Então eu não perguntei porque preferia não saber. Não queria ouvir isso. – ela admitiu. – Eu preferia fingir que você tinha ido para as montanhas, e que não podia escrever porque estava muito ocupado tentando se reintegrar a comunidade dos gigantes, e porque lá não havia pergaminhos o suficiente, ou as corujas não conseguiam se aproximar. Ou coisa assim.
Ele balançou os ombros.
-Parece que você pensou muito nisso. – ele disse, bem baixinho.
-Claro que pensei. – Ginny afirmou. – Você era meu professor favorito.
Hagrid fungou.
-Ninguém nunca me disse isso e realmente quis dizer isso. – a voz dele era emocionada. Ginny sempre achou engraçado como uma criatura tão grande e intimidadora podia se emocionar fácil como Hagrid. Sorriu, sentindo algo quentinho no peito ao perceber aqueles sete difíceis anos não tiveram mudado Hagrid. Pelo menos não completamente. A única mudança visível era o maior número de rugas e fios grisalhos. – Todos acham que eu sou estúpido e não sei dizer a diferença de quando estão mentindo e quando estão falando a verdade. Mas eu sei.
-Então sabe que eu estou falando a verdade.
Ele fungou novamente.
-Sei.
Ginny cruzou os braços e olhou ao redor enquanto ele se acalmava. Percebeu que não conseguiria voltar para a Mansão se quisesse.
-Então... qual o plano?
-O plano era dar uma olhada nos territórios do canalha para ver se eu conseguia achar uma brecha nos feitiços. Há várias criaturas mágicas e me mandaram investigar, porque esse frio não me afeta. – ele começou. – Quando cheguei fui entrando e foi ficando cada vez mais fácil. A neve deve ter espantado a maioria dos animais e por algum motivo as barreiras mágicas estão fracas. Foi aí que eu te vi no lago. E agora estamos indo pra sede da Ordem da Fênix. Estão me esperando.
Ginny deu um passo para trás, abraçando os próprios braços.
-Hagrid. – começou. – Eu não sei se essa é uma boa idéia.
-Não?
-Eu não tenho a sua resistência. – disse, sentindo seu pescoço subitamente gelado. – Eu não estou vestida apropriadamente para enfrentar a nevasca e não sei se vou agüentar caminhar... – ela olhou para a profundeza e escuridão da interminável floresta. – tudo isso.
-Quem é você e o que fez com Ginny Weasley? – ele perguntou. – Uma vez você teve detenção na floresta negra e eu tive que implorar pra você parar de invadir o território dos centauros.
-ELES SEQUESTRARAM MEU MINI-PUFE! – ela berrou subitamente. Antes de se recompor e respirar fundo. – História bizarramente antiga e irrelevante de quando eu era nova e inconseqüente.
-Pelo que eu ouvi, você está mais inconseqüente do que nunca... e sinceramente, Ginny, você ainda cheira a leite.
Ginny piscou, confusa.
-É o que?
Hagrid cruzou os braços grandes e gordos.
-Por que isso agora? Parece que você quer ficar aqui.
Ginny desviou o olhar. Balançando uma perna levemente para espantar o frio.
-Ginny. – ele chamou desconfiado ao ver que ela não o encarava nos olhos. – Você não...?
Passaram alguns segundos assim até que uma vermelhidão começando do pescoço de Hagrid invadiu o resto de seu rosto completamente lívido.
-AH SUA COISINHA... – ele berrou antes de correr até ela com as mãos mirando seu pescoço. Ginny gritou e correu em zigue zague confundindo o meio-gigante, que acertou a neve antes de alcançá-la.
Ao invés de apertar seu pescoço, como Ginny imaginou que ele pretendia, Hagrid a levantou pela cintura. Demorou alguns segundos para que ela percebesse que estava por cima do ombro dele.
-Hagrid! – berrou. Odiando a histeria em sua própria voz. Seu corpo, desconfortavelmente dobrado no ombro duro e largo do antigo professor, debatia-se.
-Se você acha que não consegue andar, eu te carrego. – ele resmungou. – Mas você vem comigo e eu não quero ouvir nem um pio.
Mas Ginny não ficou calada. Gritou, esperneou, ameaçou, socou, e exigiu que ele a colocasse no chão. Amaldiçoou e chorou feito uma criança antes de finalmente cansar e deixar-se levar. A temperatura baixa também foi um fator determinante para que ela parasse de se mexer. Seus lábios tremiam e suas mãos começavam a doer.
O gigante suspirou aliviado com o silêncio enquanto Ginny tentava detectar o que era o cheiro desagradável que o casaco de couro de Hagrid exalava.
Ela gritou ao perceber algo se movimentando no bolso da calça do meio gigante. Apavorada com a perspectiva de um dos monstrinhos de Hagrid pulando em seu rosto, ela cobriu-o com a mão.
O que viu por entre os dedos, no entanto, foi uma criatura muito familiar e querida.
-Tobbias! – exclamou enquanto ele escalava as longas costas de Hagrid até ela e subia por seu ombro.
-Ah, esse é o nome do ratinho? – Hagrid perguntou. – Não tive como desgrudá-lo de mim depois que cheguei em Willesdeen Green. Ele é seu?
-Sim. – Ginny respondeu, ligeiramente tonta. – Ele sempre dá um jeito de vir a mim.
-Ele não é um rato comum. Você obviamente já percebeu.
-Você disse Willesdeen Green?
-Estamos usando uma casa de lá para nos encontrar. Destruímos a mansão de Richmond depois das capturas. Era muito arriscado continuar ali.
Ginny sentiu o bichinho entrando em suas roupas e aninhando-se em sua pele. Ela podia sentir a felicidade dele, só não sabia exatamente como.
-Não. Ele não é um rato comum.
-Dean era quem estava cuidando dele. – Hagrid comentou. – O garoto está bem deprimido desde que você foi embora.
Ginny sentiu um súbito aperto no coração ao ouvir falar de Dean. Ele ficara do seu lado nos momentos mais difíceis e ela o compensara traindo-o daquela forma. Sentiu ganas de chorar, mas decidiu que isso não ajudaria em nada.
Enquanto Hagrid cuidadosamente a montava em um hipogrifo, parecendo satisfeito por ela não estar lutando para voltar para a mansão, Ginny planejou o que deveria fazer quando chegasse à Ordem. O que deveria dizer a todos e para Dean.
Deitou-se no hipogrifo, se envolvendo mais fortemente com o casaco pesado de peles que Hagrid usou para protegê-la do frio e aninhando-se nas penas gelados do animal. O calor do seu corpo e do enorme casaco acabou por aquecer ao animal. Ele pareceu voar com mais facilidade na intensa nevasca. Hagrid o ajudava com magia, mas o velho guarda-caça de Hogwarts nunca fora muito bom nisso. Ele vinha em uma moto voadora.
Ginny pensou em perguntar por que Hagrid havia trazido o hipogrifo se não pensava em encontrá-la, mas ela provavelmente teria que gritar para que ele a escutasse.
Sentia um nó no coração, por estar se afastando de Draco e por ter que enfrentar a Ordem da Fênix. Ela sabia que esse dia chegaria, mas não queria que tivesse chegado tão rápido. Queria mais tempo de paz com Draco antes de ter que enfrentar o mundo real. Antes de ter que falar com Dean.
Ela amava-o profundamente. Mas só o suficiente para tornar tudo mais doloroso. Teria que terminar com ele mesmo que não houvesse possibilidades de ficar com quem realmente queria. Teria que contar a ele toda a verdade.
Sem sua varinha e com um gigante que não sabia muita magia, os dois levaram a noite toda para chegar à Ordem. Parando por várias horas para que o hipogrifo pudesse descansar.
-O que eu faço, Tobbias? – ela perguntou inutilmente ao animal, que repousava em suas mãos extremamente doloridas pelo frio. Os dois estavam envolvidos pela manta de peles de Hagrid, encostados em uma pedra, enquanto o gigante procurava alguma coisa para o cansado hipogrifo comer.
Ginny tremia violentamente. Mesmo com a manta grande envolvendo seu corpo, o frio ainda era cortante. Quanto mais ela tentava se aquecer, mas o frio parecia querer roubar suas forças. Ergueu a cabeça para procurar Hagrid. Por que ele demorava tanto? Não sabia que deixá-la no meio daquela floresta fria poderia ser fatal?
Sua respiração saía difícil, em espirais de fumaça gélida. Enrolou o corpo em uma bola e tremeu. Tentou chamar por Hagrid, mas apenas um baixo gemido saiu de sua boca.
Pensou em Draco, considerando quanto tempo levaria para que ele se desse conta de sua ausência. Por um segundo, sentiu vontade de chorar. Queria os braços dele a envolvendo e a aquecendo. Queria os lábios dele beijando carinhosamente sua pele enquanto suas mãos a apertavam quase dolorosamente. Queria o cheiro dele.
Queria ir pra casa.
Não sabia se seu choro a havia distraído ou se era realmente normal aquela estranha dormência que tomou conta dos seus membros. A dor, ao invés de se intensificar, como ela havia imaginado, foi substituída por um estranho e perigoso cansaço.
Seus pensamentos pareciam cada vez mais desconexos e embaralhados.
Ela tinha o estranho pressentimento que assim que se entregasse aquela súbita força invisível que queria puxá-la para a escuridão, não teria mais volta.
Forçou seus olhos a se abrirem, o que foi um erro. O mundo fazia espirais ao seu redor. A paisagem gelada, que antes achara tão relaxante, parecia querer derrubá-la e engoli-la.
Teve certeza de que estava alucinando quando viu Harry Potter parado perto de uma árvore.
-Harry. – tentou dizer. Deixando escapar uma exclamação fraca no lugar.
Reconheceu brevemente que dormência e alucinação antecediam a morte por congelamento.
O barulho do uivo do vento parecia piorar tudo.
Ela estava certa.
Era suicídio sair naquele frio.
Mesmo sabendo que ele era simples fruto de sua alucinação, Ginny se perguntou por que Harry a encarava tão fixamente. Por que ele não a ajudava? Por que estava tão mortalmente parado?
E por que ela não estava com Draco?
Com esse último pensamento, Ginny foi empurrada para a escuridão gelada da inconsciência.
X
-Crucius. – a voz cortante de Draco Malfoy proferiu enquanto ele apontava a varinha para seu antigo professor de Defesa contra as Artes das Trevas. Com prazer o viu arqueando as costas e rangendo os dentes. Finalmente gritando de dor. – Onde ela está, lobisomem?
-Draco. Eu não sei! – ele berrou quando a maldição o abandonou. Ignorando o gosto metálico forte em sua boca. – Quando eu fui capturado Ginny ainda estava com você!
-Mas você sabe onde a levariam! Você sabe onde ela estava antes de eu consegui-la de volta! Nós procuramos em suas lembranças, mas por algum motivo elas parecem bloqueadas. Eu tentei legilimência, mas você insiste em manter sua mente fechada. Então vou fazer você falar.
Remus gritou quando, ao torcer o pulso, Draco fez a maldição de dor voltar a atingi-lo. Remus nunca sentira um Crucius tão poderoso. Os olhos cinzas de Draco pareciam enlouquecidos. Sua expressão demoníaca escondia claramente um intenso sofrimento.
-ME DIGA! – ele gritou aproximando-se exasperado e socando o homem, o sangue tingindo os dentes do lobisomem de vermelho. – EU ESTOU ENLOUQUECENDO, REMUS! Me diga onde ela está!
-Você a ama. – Remus constatou dificilmente, respirando fundo. Sentindo seus ossos arderem com esse simples ato.
-Ela é minha! – Draco rebateu.
-Draco, a única forma que vou te mostrar onde Ginny está é se você vier comigo. – ele disse. – Se você vier comigo, se afastar dos comensais e se unir a Ordem da Fênix, poderá ficar com Ginny.
Um tenso momento separou a proposta de Remus e a risada fria e ensandecida de Draco.
-Pra quê? Para sermos massacrados por Voldemort depois? Não, Lupin. Eu vou ter Ginevra ao meu lado. E eu vou fazer o que for preciso para mantê-la segura.
-Você acha que Ginny aprecia isso? – Remus bradou em resposta. Suas entranhas torcendo-se doloridamente com o esforço. – Você acha que ela vai amar você ao saber o que está fazendo comigo? Ao saber que está torturando os amigos dela?As pessoas que ela ama?
Draco deu um passo para trás. Passando a mão nervosamente pelos cabelos.
"- Ela foi má nesses últimos anos. Coloque isso na sua cabeça, Draco. Ela só estará segura se estiver com você, só ao seu lado a vida dela estará a salvo do meu governo e dos patéticos amigos dela."
-Ela não precisa saber. – murmurou. – E se ela souber, não importa. Pelo menos vai estar comigo. Vai estar a salvo.
-Você está vivendo em um mundo fantasias. – Remus constatou. Sua respiração difícil. As correntes pesadas impedindo que ele se levantasse.
-Ela me perdoou por ter matado sua família. Ela já me ama, Lupin. – Draco disse, um sorriso sarcástico em seus lábios. – Ela mesma me disse isso.
Draco riu.
-Ela ainda era virgem sabia? – ele comentou cruelmente, divertindo-se com a dor nos olhos do ex-professor. – E ela é simplesmente deliciosa.
-Seu bastardo! – Remus gritou, lutando contra as correntes, tentando avançar em Draco.
-Eu não a forcei a nada! – Draco bradou. – Ela quis! Ela me ama tanto quanto eu a amo! E ela vai voltar pra mim! Nem que eu tenha que arrastá-la de volta! E você vai me dizer onde ela está! Crucius!
O corpo de Remus desfaleceu e ele se contorceu contra as pesadas e dolorosas correntes no chão.
Só conseguia pensar na face doce e decidida de Ginny Weasley e o quanto a vida não havia sido justa para ela. Mesmo sabendo exatamente como aquela complicada história de guerra e amor deveria se desenrolar, no fundo ele ainda tinha esperanças de que sua querida ex-aluna poderia se livrar daquele fardo.
Tinha a esperança de que ela pudesse escapar do destino tão sombrio que, há pouco tempo, ele descobriu que ela teria.
Remus sabia que Draco estava falando a verdade.
Ginny o amava.
E, por isso, estava condenada.
X
Um ruído horrível preencheu os ouvidos de Ginny. Demorou alguns segundos para ela notar que havia saído de sua garganta. Gotas de fogo atingiam sua pele, e ela tentava se esquivar. Mãos grandes e restritivas agarravam seus membros e arrancavam suas roupas, deixando sua pele nua mais exposta ao fogo líquido que a acertava.
Um cheiro semelhante a cloro invadiu suas narinas e ela tentou novamente se esquivar das mãos duras como correntes que a seguravam firmemente, a mercê das chamas.
"Estou queimando viva." Foi o que pensou desesperadamente .
-Ginny! Está tudo bem! Fique quieta, por favor! – uma voz nervosa pedia.
A dor não a deixava pensar claramente. Mas alguma parte de sua mente reconheceu aquela doce e amável voz. Tentava se agarrar aquele familiar som para suportar a dor.
-Queimando... - gemeu. – Estou queimando...
-Ginny, a água nem está tão quente. – a voz era doce e preocupada. – Pare de lutar.
A cada segundo, ouvindo aquela voz mansa, Ginny começou a se sentir mais consciente e desperta. Abriu os olhos com certa dificuldade, refreando o choro. Sua pele parecia cada vez mais tolerante a água escaldante.
Percebeu que usava apenas suas roupas de baixo. Uma lingerie branca, que, como todas as suas roupas da Mansão Malfoy, fora presente de Draco. De cada centímetro do seu corpo pulsava uma intensa e persistente dor. Seus músculos tremiam em espasmos doloridos. Estava deitada no que, agora percebia, era uma banheira.
-Não lute, querida. – ouviu uma voz mais forte. Provavelmente do dono das mãos grandes nos seus ombros. – Vamos lá. Mova seus membros. Precisamos fazer com que o sangue volte para os seus músculos.
Tentou. E cada pequeno movimento se assemelhava a facadas, a água escaldante parecia queimar sua pele. Mal conseguia respirar, quanto mais se mover!
-Ginny... você precisa tentar.
E ela tentou. Chorou de dor. Quis gritar. Mas tentou. Tentou até ter certeza de que iria desmaiar com a dor. As mãos em seus ombros seguraram seu braço, onde lhe foi aplicada uma injeção. Um gemido baixo escapou seus lábios.
A dor agora vinha em forma de pequenas alfinetadas por todo o seu corpo. Desistiu de lutar contra a água escaldante que o chuveiro arremessava em seu corpo. Tentou se concentrar na doce voz que lhe murmurava palavras de consolo. Mordia os lábios e rangia os dentes com a dor.
As mãos grandes e masculinas agarraram seus braços, começando a movê-los.
Ela gritou quando ele o fez.
A dor dilacerante, por algum motivo, a fez pensar em Draco.
O contraste daquele momento tão horrível com o curto espaço de paraíso que vivera com Draco era gritante.
Agradeceu aos céus quando as alfinetadas no seu corpo, lentamente, se dissipavam. Abriu os olhos novamente. Sua visão, mais nítida, encontrou Suzan. Certamente a dona da voz que a confortara durante aquele pesadelo. Olhou para cima e assustou-se ao ver o rosto sério de Torrence.
Com as mangas arregaçadas e molhadas ele a levantou, puxando-a pelos braços enquanto Suzan a envolvia com uma toalha grande e felpuda, esfregando-a no seu corpo. Torrence ajudou-a a sair da banheira e caminhar para fora do banheiro, com os braços envolvendo-a, praticamente a carregando para o quarto. À meia-luz, a cama de casal pareceu extremamente convidativa para Ginny.
Quando Torrence a fez deitar na cama, sentiu as mãos pequenas de Suzan massageando seus membros vigorosamente. O capataz da Ceifatorus fez o mesmo.
Havia coisas demais na sua cabeça para Ginny se importar com o fato de um comensal da morte estar na base da Ordem, ao lado de Suzan, massageando seu corpo seminu. Tremeu de susto com a pontada em seu braço. Recebera outra injeção.
-Adrenalina. – Torrence informou quando ela o encarou.
Sentiu a droga espalhando-se por suas veias e revigorando os músculos que banhava. Mesmo assim, movimentos ainda pareciam-lhe um sacrilégio.
-Está tudo bem agora, Ginny. – Suzan disse. – Você está a salvo. Hagrid te trouxe pra casa.
-E quase a matou no processo. –resmungou Torrence.
-O que... – Ginny tentou clarear a garganta. – O que aconteceu?
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.
-Você não lembra?
-Cadê meu colar? – Ginny perguntou, sentindo falta do familiar e confortável peso ao redor de seu pescoço.
-No banheiro, com suas roupas. – Suzan respondeu. – Do que você lembra, amiga?
Ginny fechou os olhos e forçou sua mente. Onde estava antes?
-Frio. Dor. – suspirou. – Harry... Eu vi Harry.
Suspirou com a lembrança e com as mãos ternas de Sue massageando fortemente sua pele. Estimulando o sangue a fluir naturalmente para seus membros.
-É normal ter alucinações nessa situação. – Torrence informou tranquilamente. – Não precisa fazer essa cara, Bones. Ela vai ficar bem.
Ginny abriu os olhos e percebeu que as roupas dos dois estavam completamente molhadas. Provavelmente se molharam nas tentativas de segurá-la e mover seus membros.
-Me desculpem. – murmurou debilmente.
-Não peça desculpas, menina tola. – Torrence disse, subitamente irritado. – Nada disso é culpa sua.
Ginny apertou os olhos.
-Torrence... – começou. – O que diabos?
-Agora não, Ginny. Vamos deixar as explicações para mais tarde. É uma longa história. – ele pediu antes de ser interrompido por Suzan.
-Ele trabalha para a Ordem desde sempre, Ginny. Só que como ele é um espião quanto menos de nós soubermos, melhor. Eu fiquei sabendo há pouco tempo também.
Ginny tentou abrir os olhos para ver a expressão de Torrence, mas a pouca luz incomodava seus olhos.
-Isso faz tanto sentido. – comentou, lembrando de como Madame Warbler gostava do capataz e como ele a olhava daquela forma analisadora e piedosa sempre que se encontravam.
Todo esse tempo achara que ele cuidara dela por ser empregado de Draco quando ele estava, na verdade, apenas zelando por um membro da Ordem da Fênix.
-Estamos no bairro Willesdeen Green. Só estamos eu, Torrence, Hagrid e Dean. Dean estava fora, mas sabe que você está aqui e vai chegar a qualquer minuto.
Ginny sentiu as lágrimas transbordando de seus olhos. Não queria ver Dean agora! Não estava preparada! Não queria ter que enfrentá-lo e contar a verdade que iria dilacerá-lo e extinguir o brilho dos olhos bondosos. E extinguir qualquer resquício de afeição que tinha por ela.
-Está sentindo alguma dor? – Suzan perguntou. Sua voz embargada pelo choro. Por entre os olhos, Ginny pôde perceber que Torrence dera uma leve, porém irritada, cotovelada em sua amiga, numa clara mensagem para que se controlasse. – Desculpe. Só estou tão aliviada por você estar de volta.
Ginny balançou a cabeça. Ainda tremia de frio, mas estava melhor.
-Sue... por favor. Não me odeie. Eu...
-Do que está falando, Ginny?
-Agora não é hora para esse tipo de conversa, Ginny. – Torrence cortou. – Você precisa descansar. Pelo menos até sua temperatura voltar ao normal.
Ginny fez que sim, sentindo-se patética pelo nó insistente em sua garganta.
-Hagrid... – clareou a garganta. - Por que ele me deixou sozinha na neve por tanto tempo?
-Perceberam que você havia fugido antes de vocês dois chegarem aqui. Ele teve que despistar a equipe de busca. – Suzan respondeu. - Ginny, ele não tinha idéia de que você estava congelando.
-Já chega, Bones. – Torrence repreendeu.
Ginny agradeceu mentalmente. Seu coração sangrava por Draco pensar que ela tinha o abandonado por vontade própria. Tremia ao tentar imaginar sua reação.
Talvez pensasse que o tempo todo ela apenas brincara com as emoções dele, esperando o momento propício para fugir. E essa suspeita deveria estar corroendo-o e matando-o. Arrastando seu ser no antigo vale de ódio, caos e melancolia do qual Ginny se esforçara tanto para tirá-lo.
Para Ginny, conhecer a dor do homem que amava sem poder envolvê-lo em seus braços e beijar suas lágrimas era a pior espécie de tortura.
Respirou fundo várias vezes, sentindo seu corpo sendo envolvido por macios e grossos cobertores.
Pôde ouvir a voz de Torrence ao fundo antes de dormir pesadamente.
Antes de mergulhar na inconsciência, Ginny prometeu a si mesma que quando acordasse, seria forte. Iria contar a verdade diretamente para aquelas pessoas que tanto amava. A quem, de certa forma, traíra. Iria se submeter ao julgamento deles, e iria zelar por Draco.
Iria permanecer na Ordem, lutando pelos seus ideais. Mesmo que todos passassem a odiá-la.
Iria terminar com Dean. Mesmo que ainda o amasse.
Iria contatar Draco e trazê-lo para o seu lado.
E ela iria derrotar Voldemort. O filho da puta responsável por toda aquela merda.
X
As pálpebras de Ginny tremeram antes que ela decidisse abrir os olhos.
Não sabia exatamente onde estava e não tinha qualquer noção de tempo, só sabia que estava segura e quentinha. E que era noite. Acomodou-se melhor nos edredons, abraçando os próprios joelhos. Seus pés, antes dolorosamente gelados, estavam protegidos por meias. A cama macia parecia abraçá-la.
-Está acordada? – um sussurro ao lado da cama perguntou. Virou-se para encarar o dono da voz, e deparou-se com Torrence, sentado em uma poltrona, inclinado em sua direção, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos unidas.
-Oi. – cumprimentou-o baixinho. Sua voz soando extremamente rouca.
-Como você está?
-Quentinha. – foi a primeira coisa que pensou em responder.
-Bom. – ele disse. – Você e Hagrid chegaram de manhã. Você dormiu o dia todo.
Lentamente, Ginny se sentou. Não sabia o que estava vestindo então manteve o edredom enrolado no seu corpo.
-Que horas são?
Torrence deu uma rápida olhada no relógio de pulso.
-Quinze para as dez. – ele respondeu. – Eu entrei agora. Suzan está cozinhando e queria saber se você já tinha acordado.
-Uhum. – Ginny fez, se espreguiçando.
Ficaram em silêncio alguns segundos, enquanto Ginny analisava as feições naturalmente cansadas do capataz.
-Não o vejo há tanto tempo.
Ele sorriu fracamente. Como se essa fosse uma verdade dolorosa.
-É uma pena que só nos vejamos em situações tão... delicadas.
Ginny franziu o cenho, olhando para cima. Deu uma leve risadinha depois de pensar por alguns segundos.
-Sempre que estou à beira da morte. – comentou. – Na cela da Ceifatorus, quando caí das escadas, quando fui esfaqueada e agora... – virou-se para ele subitamente alarmada. – Você não contou para os outros sobre Zacharias, contou?
-Não. – Ginny soltou o ar ao ouvir essa resposta. – Meu contato com a Ordem naquela época era muito restrito. Eu apenas lhes passava informações, mas não era exatamente um membro dela. Era mais um simpatizante. Quando Zacharias fez aquilo, Malfoy estava decidido a matá-lo. Smith não fazia parte da Ordem então não achei a informação relevante.
Ginny concordou. Incentivando-o a continuar com sua atenção.
-No dia em que Malfoy foi a Ceifatorus com o intuito de acabar com a vida dele, nos deparamos com celas vazias. Havia ocorrido uma fuga silenciosa e em massa de prisioneiros. – Torrence contou. Ginny ainda lembrava-se. Quantas vezes não pensou que ela própria poderia ter sido libertada naquele dia se não tivesse sido atacada por Zacharias e levada da prisão. – A fuga foi possível graças às coordenadas e ao mapa que eu passei para a Ordem, eu esperava que a fuga acontecesse, e que contassem com minha ajuda, mas fizeram tudo sem que eu tivesse conhecimento. Até hoje não entendo como, mas acho que foi melhor assim. Não tive que fingir surpresa ao perceber quantos prisioneiros faltavam.
-Mas agora você está aqui. O que significa que você é um membro da Ordem oficialmente. Quando isso aconteceu? – Ginny perguntou.
-Logo depois que Madame Warbler morreu. – disse. – Eu decidi que devia deixar minhas covardias de lado e ingressei na Ordem. Levou um tempo até que confiassem completamente em mim. Mas um dos motivos para confiarem foi eu ter ajudado na sua fuga, sempre mantendo-os informados de onde você estava e o que Malfoy pretendia e fazia com você. Só descobri que Smith fazia parte da Ordem depois que você foi resgatada. E como nem você nem Bones o denunciaram, achei melhor não fazê-lo.
-Bom... obrigada. – Ginny respondeu. – E não sei como a Ordem reagiria a isso. Eu não o vejo desde então. Acho que criamos um acordo mudo de nos evitarmos.
-É uma boa. Eu e ele devíamos ter esse acordo também.
Ginny analisou o capataz por alguns segundos. Sabia que, por algum motivo, Torrence se importava com ela. Sabia que ele odiava Smith pela sua covardia ao atacá-la. Não entendia muito bem porque, no entanto, como sua querida Madame Warbler uma vez lhe dissera, Samuel Torrence era um bom rapaz.
-A última vez que vi Warbler foi na mansão de Draco. Quando ela foi embora... nunca pensei que nunca mais a veria. – Ginny comentou, levando uma mão ao peito, tentando segurar a súbita dor ao lembrar-se da antiga aliada e amiga.
-Ela sabia que eu era aliado da Ordem. Me incentivou a me unir a resistência. Prometi a ela que o faria.
Ginny sorriu levemente.
-Estou feliz que o tenha feito. Provavelmente... – parou por alguns segundos e suspirou, desviando o olhar dele. – Por sua causa que Hagrid pôde me achar não é verdade? Deve ter acesso a Mansão de Draco já que ele confia em você.
-Sim... – Torrence respondeu. – Hagrid chegou lá com minha ajuda, e Malfoy confia em mim. Eu realmente não acho... – ele baixou o tom de voz antes de proferir as próximas palavras, como se estivesse se arrependendo delas enquanto saíam de sua boca. – que ele seja tão mal assim.
Ginny deu uma risadinha rápida e sem humor.
-Eu também não, Torrence. – ela respondeu tristemente. – E isso não é exatamente uma coisa boa.
-Entendo.
Os olhos profundos e compreensivos do capataz olhavam intensamente para Ginny, fazendo-a perceber que ele realmente entendia. Sorriu para ele. Era bom ter um aliado garantido naquele momento tão difícil. Sempre teria uma ligação especial com o homem à sua frente, mesmo que mal se conhecessem, por ele ter estado ao seu lado e ajudado-a em momentos que estivera com a vida ameaçada.
-Pode me passar o penhoar que está em cima da cadeira? Acho que preciso descer e... conversar com os outros.
-Vai ser difícil. – Torrence alertou enquanto lhe passava a roupa.
Ginny sorriu, tentando animar a si mesma ao levantar-se.
-Nada que vale a pena é fácil.
X
-Onde está, Ginny? – foi a primeira coisa que Colin perguntou, enquanto entrava na casa, espanando neve do seu casaco.
-Como ficou sabendo? – Suzan perguntou, ajudando-o a tirar o cachecol.
-Acho que todo mundo já sabe, Sue. – Colin respondeu. – Eu estava por perto e decidi... – suspirou longamente. – que talvez devesse vir aqui.
Suzan ergueu as sobrancelhas, Colin parecia preocupado demais. Conduziu-o até o sofá onde se sentaram de frente para a lareira.
-Por que você não me parece muito feliz? – perguntou em um resmungo.
-Disseram que ela estava mal. Que Hagrid quase a fez morrer congelada. Achei que talvez fosse exagero.
Suzan encarou fixamente o fogo.
-Não foi exagero. – suspirou antes de continuar. – Quando chegaram, ela já estava num estágio avançado de hipotermia. A nossa sorte é que Torrence estava por aqui e... ele simplesmente sabe lidar com qualquer situação. Ele começou a me dar instruções e... – levou as mãos ao rosto, deixando algumas lágrimas escaparem. – Ela chorou tanto. Foi horrível vê-la daquele jeito.
-Como ela está agora?
Suzan balançou a cabeça, olhando para o chão. Sua expressão transtornada. Colin esperou pacientemente até que ela decidisse responder.
-Quando a deitamos, ela estava limpa, seca e aquecida. Deitei com ela um pouco pra emprestar calor do meu corpo. Só saí quando ela parou de tremer. – franziu o cenho. – Ela ficava murmurando coisas... pedindo que eu não a odeie. – Suzan levantou os olhos preocupados para Colin. – Por que eu a odiaria, Colin?
A expressão de Colin foi de quem recebe uma notícia má, porém previsível. Esfregou o rosto e depois passou a mão pelos cabelos.
-Suzan... – começou. – Ginny passou um bom tempo com Malfoy. Eu acho que ela pode estar... diferente.
-Como assim?
-Eu estou dizendo que Ginny não bate muito bem da cabeça desde que a família dela morreu. – Colin falou, tomando fôlego, e, com ele, coragem. – E que todo esse tempo com Malfoy... Suzan, eu acho que o cara realmente a ama e isso pode ter... afetado... Ginny.
-Realmente a ama? – Suzan repetiu, o tom de voz aumentando sem querer, devido a incredulidade. – Colin, ele a torturou! Ele destruiu a família dela! Ela tem pesadelos com ele desde o massacre à Toca! E ele a seqüestrou e a manteve isolada do mundo! Como ele a ama?
-Você pode ser especialista em Ginny. – Colin murmurou. – Mas eu sou especialista nos Malfoy.
A expressão da mulher era cada vez mais confusa.
-O que quer dizer? – perguntou. – Eu não entendo.
-O que eu quero dizer, é que Malfoy, da forma doentia dele, realmente ama Ginny. – ao ver o escárnio estampado no rosto de Sue, sua voz aumentou involuntariamente, ajeitando-se no sofá para ficar de frente a ela e ilustrar suas palavras com gestos. – É sério, Sue! Pensa comigo! Ele não a matou na Toca! A família toda dela foi morta, mas ele a poupou. Depois a levou para uma prisão... mas lhe deu uma suíte! E por mais que quisesse, não a estuprou nem nada. Nunca! Ele a drogou várias vezes, sim. Mas quando Ginny foi atacada pelo tal capataz, ele a trouxe pra própria casa, claramente queria protegê-la.
-Ele a via como propriedade. Queria proteger sua propriedade.
Colin negou com a cabeça.
-Escuta, Sue. Pode ter sido assim no começo. Mas acredito que ele a levou para casa para que pudesse cuidar dela pessoalmente. Porque a queria segura perto de si. – insistiu. – No tempo que ela ficou lá, ele construiu um novo quarto pra ela e fez de tudo para tratá-la com respeito.
-Foi só uma forma de levá-la pra cama, Colin! E depois ele desistiu disso, a drogou novamente e tentou forçá-la!
-E quando ela ficou inconsciente ele a levou para o melhor hospital do Reino Unido. Meus informantes me disseram que quando ela estava no Sacre Coeur ele visitava todos os dias, e passava horas sentado, só olhando para ela. Arrasado como se fosse sua esposa num coma, e não uma reles prisioneira. Uma mera propriedade.
Suzan não teve o que responder.
Sempre ouvira apenas o lado de Ginny da história. Aquela nova afirmação de Colin não batia com seus raciocínios.
-Todo dia ele perguntava para os médicos sobre sua melhora. E durante todo esse tempo que Ginny passou longe dele, ele a procurou incessantemente. Teve só uma ou duas namoradas e usou o anel que havia dado pra ela como pingente. Ele nunca o tirava de si.
-O anel... – Suzan lembrou de quando tirou o colar pesado de Ginny e... o anel de brilhantes do seu dedo.
-Está comigo agora. – a voz rouca de Ginny Weasley reverberou timidamente pela sala. Os dois viraram-se, olhando para o corredor, de onde ela vinha acompanhando de Torrence. Seu corpo enrolado em um longo e negro penhoar. Ela sorriu. – Me cumprimentem, por favor.
Depois do inicial choque, Colin abriu um largo sorriso e se levantou para abraçá-la. Ela correu e deixou-se envolver por seus braços.
-Senti tanto sua falta, Ginny.
-Eu também, Colin.
-Droga. – ele amaldiçoou quando se afastaram. – Você ainda está gelada, querida.
-Ginny. – Sue murmurou antes de abraçá-la também. – Amiga, quase pensei que não te veria mais. Passou tanto tempo.
Ginny abraçou a amiga fortemente. Aproveitando cada segundo daquela afeição. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela não permitiu que estas escorressem. Precisava ser forte.
Afastou-se de Sue. As mãos dela ainda estavam na sua cintura quando Ginny limpou suavemente as lágrimas que desciam descontroladas por sua bochecha.
-Eu estou bem. – sorriu. – O mais difícil dos últimos meses foi a distância de vocês. Saber o quanto deviam estar preocupados.
-Ginny... – Suzan começou tocando seus braços como se estivesse procurando machucados.
-Ele não me machucou, Sue. - Ginny ponderou que os momentos na cama não contavam, porque não fora intencional e ela havia lhe dado "permissão para machucá-la", por assim dizer. – Colin está certo, Sue. Ele me ama.
Suzan se afastou repentinamente, fazendo com que a ruiva se sentisse subitamente desamparada. Queria abraçar a amiga novamente. Queria sentir aquele amor incondicional e fraternal que as duas compartilhavam. Queria chorar em seu ombro. E ao mesmo tempo, queria sorrir e confidenciar-lhe os momentos com Draco.
Juntou esses desejos e despejou-os em algum lugar no fundo da sua mente.
Precisava ser forte.
-Precisamos conversar. – Suzan constatou, puxando-a pela mão para o sofá.
-Sim. – Ginny concordou baixinho. – Precisamos.
X
-Caara. – A voz rouca e abobalhada de Seth Lucas se fez ouvir. Trêmula pelo vento frio. – A porta veio na minha cara, assim... – ele fez batendo a própria mão na testa para demonstrar. No entanto, usou mais força do que calculara, ficando tonto por alguns segundos.
Dean Thomas pareceu não perceber. Seth Lucas o seguira até a casa de Willesdeen Green, onde Ginny deveria estar. O homem tremia inteiro e parecia frenético como se tivesse ingerido êxtase. Seth pôde ouvir vozes vindas da sala. Percebeu que parecia estar havendo alguma espécie de acalorada discussão.
Franziu o cenho.
Por que todos não podiam estar felizes como ele?
Se não soubesse que a Ordem era contra as drogas, ofereceria àquele bando de babacas um pouco da erva que sobrara guardada na sua mochila.
Coçou a cabeça cheia de neve enquanto Dean arrancava rapidamente seu casaco pesado e suas botas.
Percebeu que o que ele fazia era o aconselhável já que, dentro da casa, o ambiente estava bem aquecido. Começou lentamente a livrar-se das roupas de frio.
-Dean, caaara. Você tá tremendo, mano. – comentou. Suas sílabas mais arrastadas e seu olhar mais distante do que o normal denunciando seu estado aéreo e nada sóbrio. – A Ginny não vai a lugar nenhum.
-Cala a boca, Lucas. – Dean bradou. Correndo para a sala, provavelmente doido para ver a namorada.
Quando ficaram sabendo que Ginevra Weasley havia sido resgatada, a primeira coisa que Seth pensou foi que era um plano brilhante fugir com ela no meio da tempestade de neve, quando as buscas seriam mais difíceis, dando-lhes tempo o suficiente para levá-la para Ordem.
Até que eles foram informados que ela chegou em um estágio avançado de hipotermia.
Aí Seth não achou mais a idéia tão brilhante assim.
Estava com Dean quando recebeu o recado e por mais que ele tivesse insistido (veementemente) em vir sozinho, Seth sentiu que ele estava muito nervoso e ansioso para isso. Sem falar que Seth queria ver Ginevra. Na mente do jovem, Ginny era como uma deusa nórdica. Ou uma espécie de anjo vingador. Ela era forte, poderosa, extremamente sagaz e um tanto sanguinária... no entanto, também era linda, amável, engraçada e sedutora.
Seth Lucas gostava de admirá-la de longe. Como admiraria uma personagem de cinema.
Queria vê-la.
Queria saber das suas últimas aventuras.
Agora, devidamente chapado, as histórias parecer-lhe-iam mais fantásticas e excitantes.
Quando estava perto a adentrar a sala, percebeu que Dean havia parado na soleira da porta, escondido pelas sombras, ouvindo a conversa acalorada entre os ocupantes da casa.
-Caara.
-Sssh! – Dean fez. Apontando para a sala, indicando que queria ouvir em silêncio.
Seth fez sinal de okay e moveu-se de forma exageradamente sorrateira (abrindo seus braços e pernas, colado a parede e trocando de posição rapidamente a cada passo) para um lugar escondido e escuro.
Em silêncio, começou a prestar atenção.
-... e agora você vem me dizer que ele não é má pessoa? – bradava Suzan. Seth espiou e percebeu que ela estava em pé, olhando para a figura elegantemente sentada de Ginny Weasley no sofá. Seus olhos brilharam. Conflitos entre garotas eram tããao cool.
-Suzan, eu sei que isso parece estranho...
-Estranho? Ginny, isso é um absurdo, okay? Pelo amor de Deus! Eu te vi chorando e sendo assombrada pelas coisas que esse comensal te fez e agora você me vem com essa de que ele não é má pessoa? ELE MATOU SUA FAMÍLIA GINNY! QUAL SEU PROBLEMA?
-Ele não os matou exatamente. – Ginny respondeu, sua voz diminuindo a cada palavra.
-O quê? – foi Colin que perguntou. Sentado na poltrona, seus olhos arregalados de interesse.
-Ele só levou o crédito por matar meu pai. E meu irmão foi meio que... um acidente.
-Ah sim! – Suzan fez sarcasticamente, jogando os braços pra cima. – Ele invadiu sua casa com uma máscara de comensal, apontou a varinha para ele e o matou por acidente.
-Ele se sente muito mal por isso Suzan... droga! – ela suspirou, passando as mãos no rosto. Ela estava de costas para Seth então ele não conseguia ver sua expressão. - Eu sei como isso soa, tá bom? Mas eu realmente acho que ele me ama!
-Ele NÃO TE AMA, Ginny! – Suzan irritou-se. – Ele só está obcecado por você! Só isso! Um dia vai enjoar e te jogar fora! Ele é doentio. Ele é um assassino.
-Sim. Ele é um pouco doentio, mas eu também sou. – fez uma pausa, levantando a cabeça na direção da amiga. – E você também é.
Pelo rosto de Suzan, Seth teve o gelado pressentimento que Ginny não estava chamando-a de doentia.
-Como vai Lizzie? A família está procurando por ela?– ela perguntou incisivamente. Fazendo Sue ficar vermelha.
-Não vire isso pra mim! Isso não tem NADA a ver! Malfoy é um sanguinário maldito!
-Ele foi criado para isso, Suzan! Ele era novo! A família dele estava nas mãos de Voldemort! Se Draco não fizesse o que ele mandava seus pais seriam massacrados! Eu não te julgo pelo que você fez! Porque não pode tentar entender... ?
-O que eu fiz foi por JUSTIÇA! Draco fez isso por motivos mesquinhos! Para seu próprio lucro! Atacando pessoas inocentes!
-Motivos mesquinhos? Suzan, você os matou POR VINGANÇA! VINGANÇA! Quer motivo mais mesquinho do que esse? ELE TAMBÉM ACHOU QUE O QUE ESTAVA FAZENDO ERA JUSTO! – Ginny bradou levantando-se para encarar Bones nos olhos. – Não estou justificando, mas acho que devíamos parar antes de julgar! Não tem ninguém na Ordem sem seus próprios fantasmas no armário! Nós também matamos pelos nossos ideais, então poderíamos, POR FAVOR, deixar de ser hipócritas por um segundo?
Suzan parecia estática. De olhos arregalados ela levou uma mão trêmula à boca.
-Eu não acredito nisso... – murmurou, aumentando a voz. – Eu não acredito no que estou ouvindo! Ginny...?
As duas ficaram em silêncio. Se encarando por alguns segundos. Mais do que tudo, Seth gostaria de ver a expressão de Ginny. Seja lá qual fosse, estava assustando Bones. Colin, parecendo pressentir perigo, levantou-se da poltrona e posicionou-se discretamente atrás de Bones.
-Você se apaixonou por ele não foi? –ela disse. A postura de Ginny não mudou. – Você se apaixonou por um maldito comensal?
Colin desviou o olhar para Ginny com as palavras. Seth então notou, pela primeira vez, em um canto da sala, encostado na parede, Torrence. O capataz da Ceifatorus, espião da Ordem. As sobrancelhas dele estavam erguidas e sua boca levemente aberta.
-VOCÊ NOS TRAIU! – Suzan gritou. Lágrimas brotando de seu rosto vermelho.
Os ombros de Ginny se contraíram e Seth percebeu que ela lutava contra as lágrimas.
Suzan avançou contra Ginny balançando-a pelos ombros. Seth arregalou os olhos ao perceber o quão forte ela era para alguém de formato tão pequeno.
-COMO VOCÊ PÔDE! Você traiu Dean!
-Suzan, me perdoe!
-NÃO! – ela bradou. – EU NÃO DORMI! EU NÃO CONSEGUI DORMIR TODO ESSE TEMPO PENSANDO QUE VOCÊ ESTAVA SOFRENDO NAS MÃOS DE MALFOY! PLANEJANDO MEIOS DE TE RESGATAR... – ela soltou Ginny, levando uma mão à boca. Seu corpo torcendo-se com a força do pranto. – Oh Meu Deus... Dean ficou... horrível... tão deprimido e você... e você estava feliz com Malfoy, não é? Brincando de casinha com ele e TRAINDO A TODOS NÓS!
-Suzan, NÃO! – Ginny defendeu-se. Sua voz tremida. – Eu traí... traí Dean. – admitiu, levando uma mão a boca e chorando fortemente. – Eu vou lidar com as conseqüências disso, mas eu NÃO traí a Ordem! Eu nunca abandonei a Ordem! Eu nunca traí...
Ginny não pôde continuar, Suzan a empurrou, fazendo-a cair deitada no sofá. Arrancou a varinha das vestes em um rompante, enquanto montava em cima da ruiva, e encostou a ponta do objeto no pescoço de Ginny.
Colin mal se aproximou de Suzan e Torrence já a puxava pelos braços.
-Já chega, mocinha. – ele dizia. – Você está exagerando.
No calor do momento, Suzan empurrou Torrence com um forte jato de magia, fazendo-o voar para o outro lado da sala, batendo o corpo contra a parede. Depois foi a vez de Colin. Com um movimento rápido, o imobilizou.
Voltou a apontar a varinha para o pescoço de Ginny. Ela encarou a amiga, as lágrimas descendo do seu rosto e caindo nela. Parecia frustrada.
-Reaja, droga! – berrou. – Lute comigo!
-Não, Sue. – Ginny murmurou de volta. – Faça o que tiver que fazer.
-Vadia... – Suzan murmurou. Chorando mais fortemente. Limpou as lágrimas, e Ginny fez menção de querer se levantar, mas a varinha voltou a apertar dolorosamente seu pescoço.
Seth prendeu a respiração.
Estava chapado o suficiente para imaginá-las com menos roupas. Ouviu Dean arfando dificilmente, como se estivesse chorando, mas estava muito hipnotizado na cena para prestar atenção ou pensar em consolá-lo.
O que o prendia não era erotismo ou qualquer fantasia, que com certeza teria mais tarde, com as duas garotas. Era a energia do momento. Podia sentir claramente a troca de energia entre elas. Podia sentir a melancolia e o desespero de Ginny, podia sentir a raiva e a decepção de Suzan. Podia sentir o amor entre as duas duplicando a intensidade de todos esses sentimentos.
Podia sentir o que Suzan não queria expressar em palavras.
"Você me traiu."
Podia sentir que, além das óbvias razões, desenvolvia-se em Suzan um ódio crescente de Ginny. Nos últimos anos, as duas dividiram suas desgraças, apoiando uma na outra. Suzan lidara com sua dor da pior maneira possível e recorrera à vingança. Seu lado mais cruel e mesquinho queria que Ginny continuasse em pé de igualdade com ela. Que se rebaixasse, que assassinasse, que tivesse sangue em suas mãos. Para que as duas continuassem a se apoiar, na desgraça e no sofrimento.
Suzan estava, para sempre, condenada. E odiava Ginny por ela não estar.
E ao mesmo tempo, não conseguia deixar de amá-la intensamente.
-Ginny. – Suzan murmurou entre as lágrimas. – Eu já ouvi sobre essas coisas, isso é... – sua voz era chorosa e não mais raivosa, porém, sua varinha estava firmemente colada na amiga. – Uma síndrome. Você se afeiçoa pelo seu captor. Mas agora você está em segurança, amiga. Dean... ele vai te perdoar. Ele vai entender. Tudo pode voltar a ser como era antes.
-Não, Sue. – Ginny murmurou. – Nada vai voltar a ser como era antes. Agora tudo mudou.
-NÃO! – ela apertou ainda mais a varinha contra o pescoço de Ginny. – Me prometa que não vai mais vê-lo de novo. Prometa que da próxima vez que encontrá-lo vamos matá-lo. Matá-lo para que ele não machuque mais ninguém!
-Eu nunca faria isso, Suzan. – Ginny murmurou. – Suzan, eu amo Dra...
-Crucius!
Seth arregalou os olhos quando o grito de Ginny tomou conta da sala. O que parecia afetá-la mais era a surpresa, e não a dor em si. A ruiva se debatia e lutava para tirar Bones de cima de si, que a prendia firmemente entre suas pernas.
Por alguns segundos, Seth Lucas continuou parado. Admirando a cena. Admirando o corpo de Ginny se contorcer. Admirando os olhos cheios de sentimentos contraditórios e dolorosos de Sue, admirando os olhos de Colin movendo-se para todo o lado, e Torrence movendo-se lentamente, ainda se livrando da azaração de Sue.
Por fim, admirou Dean. Completamente chocado e parado. Seus braços jogados do lado de seu corpo, as lágrimas rolando incontrolavelmente por suas bochechas.
Ginny não gritava mais. Apenas gemia fracamente de dor.
-Sue...
-Stupefy. – a voz rouca de Seth preencheu a sala, lançando Suzan para fora do sofá. Caminhou até Ginny e finalmente viu seu rosto.
Era poético, era épico!
Seus olhos achocolatados estavam marcados de lágrimas. Ela tremia com soluços vacilantes. Suas mãos tentando insistentemente ajeitar o penhoar ao redor de seu corpo. A esmeralda em seu pescoço contrastando com a brancura de sua pele e o preto da seda. Ela olhou para Seth assustada, levantando-se.
-Seth Lucas... – murmurou. – Você ouviu tudo isso?
-Caara. Foi lindo. – ele murmurou deixando seu olhar viajar por uma rachadura do teto.
A fonte mais forte de iluminação da sala era a lareira, e as sombras que as labaredas provocavam nas paredes davam a tudo uma espécie de teatro macabro. Colin ainda estava paralisado, e Suzan, caída, chorava com o rosto voltado para o chão. Torrence levantava-se, parecendo sentir dor.
-Dean... – ouviu a voz suave de Ginny murmurando atrás de si. Voltou-se para ela, que caminhava hesitantemente na direção de Dean.
Ele aproximou-se. Lágrimas ainda rolavam por seus olhos, mas sua expressão era dura. Suas mãos estavam fechadas em punho. Ele aproximou-se de Ginny e por um instante Seth achou que iria agredi-la. Ginny chegou até a levar as mãos ao rosto, mas tudo o que ele fez foi puxá-la contra si.
Envolvendo-a em um forte e esmagador abraço.
Dean a ajeitou dentro de seus braços, apertando-a sem pudor. Ginny chorava fortemente, sem conseguir entender o que acontecia.
-Ginny. – ele murmurou raivosamente. – Você me enganou. Você me fez de idiota.
-Dean... – ela chamou urgentemente, tentando afastá-lo para poder olhá-lo nos olhos.
-Cala a boca. – ele murmurou de volta. – Fique quieta. Você não merece falar mais nada.
-Seth... – Torrence murmurou do seu lado. Seth pulou de susto. – Seth, eu acho que tenho uma costela quebrada.
-Caara, eu não sei feitiços de cura. – respondeu, tirando a mochila das costas e abrindo os bolsos. – Mas eu tenho um negócio que tipo... deve te ajudar com a dor e essas coisas.
-Nós vamos embora. – Colin, recuperado do feitiço, bradou. -Suzan usou uma imperdoável. Esse é um dos feitiços mais fáceis de rastrear.
Torrence balançou a cabeça.
-Não. Eu desconectei as varinhas do Ministério lembra? Agora só a Ordem rastreia o feitiço dos seus membros.
-Eles já devem saber disso agora. Vamos encontrá-los e esclarecer as coisas. Suzan, levante-se, ponha seu casaco. Vamos. Agora! – ordenou Colin.
Suzan obedeceu. Ainda chorando copiosamente.
-Oh Meu Deus! O que eu fiz? – ela murmurava entre as lágrimas. – Ginny, oh meu Deus!
Seth virou-se para ver a reação da ruiva ao pranto de Suzan, mas nem ela nem Dean estavam mais lá. Raciocinou que provavelmente eles deviam ter ido para o andar de cima. Só não entendera como não os vira saindo.
Considerou que estava mais chapado do que pensara. Também mal percebeu quando Suzan e Colin saíram. E mal percebeu quando Torrence saiu também, reclamando de dor nas costelas e dizendo que iria para o St. Mungus.
Correu para a cozinha, e depois de comer todas as coisas apetitosas que achou, escreveu em guardanapos tudo o que acabara de presenciar, dando ênfase nas suas partes favoritas, como por exemplo, a forma que a perna musculosa de Suzan apertava o corpo pequeno e voluptuoso de Ginny embaixo de si, e como as lágrimas da traída Bones atingiam a pele alva da ruiva.
Escreveu que imaginava que talvez Colin estivesse afastando Suzan para lhe dar uma bronca e não deixá-la fazer mais mal a Ginny e que, talvez, Torrence tivesse voltado para Ceifarus para avisar ou a Draco ou aos membros capturados da Ordem, que Ginny fora salva. Seth escreveu que não tinha certeza se Torrence era realmente fiel à Ordem.
Escrevia rapidamente porque, por algum motivo, tendia a esquecer as coisas.
Guardou os guardanapos dentro dos bolsos e decidiu subir para tomar um banho.
No meio do caminho, a escadaria revestida por carpete lhe pareceu agradável aos pés. Então ele decidiu testar se ela seria agradável ao rosto também.
Apagou.
X
Ele a jogou para dentro do quarto, e trancou a porta com um feitiço.
Enquanto massageava o braço dolorido pelo aperto de Dean, Ginny pensou em se sentar. A maldição de Suzan não havia sido muito forte, mas machucara seu corpo já fragilizado pelo recente episódio de hipotermia.
Respirou fundo várias vezes, tentando conter as lágrimas. Depois de tudo o que ele ouvira, elas poderiam apenas deixar Dean com mais raiva. Tremia, com medo de encará-lo nos olhos. Não queria ver a decepção, a dor... nem a raiva no olhar daquele homem.
Passaram alguns segundos assim. Ginny tentando conter as lágrimas. Respirando fortemente, enquanto Dean, encostado na porta, a encarava.
-Você me traiu. – ele constatou em um sussurro.
-Eu sinto muito.
-Aposto que sente. – Dean respondeu. Sarcasmo carregando sua voz. Um tom venenoso que Ginny nunca pensou que ouviria dele.
-Sinto, Dean.
-E pelo que você sente exatamente, Ginny? – ele perguntou caminhando até ela. – Ter me feito de bobo ao me dar ilusões de que me amava como eu te amo? Ter me beijado e me provocado pra depois ir parar nos braços de outro homem? Por ter me deixado COMPLETAMENTE LOUCO achando que era uma prisioneira quando você estava me traindo com aquele maldito assassino?
Ginny não respondeu. Continuou olhando para o chão, apoiando-se na cama, tentando segurar as lágrimas.
-Dean...
-OLHA NOS MEUS OLHOS! – ele gritou, agarrando-a brutalmente pelos ombros e balançando-a.
Ginny deixou um soluço escapar dos seus lábios pela brutalidade dele. Não era dor física o seu mal. Era a dor de Dean. Tê-lo tão perto de si e não poder abraçá-lo e confortá-lo fazia-a sentir um nó dentro de seu peito que ameaçava sufocá-la. Sentia seu coração sendo esmagado e estraçalhado ao saber que estava causando tanta decepção a uma pessoa que admirava e amava tanto.
-Pára de chorar! – ele ordenou, sua própria voz começando a embargar. – Pára Ginny... – ele pediu balançando-a. – Eu não acredito nas suas lágrimas, Ginny. Você não pode fazer o que fez e depois tentar me comover! Não pode!
-Dean, por favor me deixa explicar!
-NÃO TEM EXPLICAÇÃO! – ele gritou. – VOCÊ ME TRAIU!
-Eu não planejei, Dean! Eu... eu... – ela balbuciou. – Eu amo Draco.
As mãos restritivas a soltaram subitamente. Ginny então soube que seria assombrada pelo resto de seus dias pelo olhar enojado de Dean.
-Você o ama?
Ela fez que sim, tentando se manter forte.
Ela sabia que isso seria extremamente difícil. Precisava se controlar. Precisava ser forte e contar toda a verdade para Dean. Ele merecia pelo menos isso.
-Eu queria fazer a coisa certa e contar tudo pra você. Terminar com você. Mas Draco não me deixava sair ou ter o mínimo contato com...
-Espera... que porra... o que? – Dean perguntou. Seu cenho franzido em confusão.
-Ele não me deixava sair, eu era uma prisioneira. – Ginny repetiu, sem entender porque Dean passava a mão nervosamente pelos próprios cabelos e a encarava como se ela tivesse acabado de proferir uma espécie de blasfêmia.
-O que você quer dizer com... terminar comigo?
Encarou-o por alguns segundos, confusa. Não era óbvio que o que os dois tinham estava acabado? Achava que o término da relação estava implícito.
-Sim. – respondeu hesitantemente.
-Você disse que me amava. – ele murmurou. – Por que você faria isso comigo?
Ela fechou os olhos por alguns segundos, invocando forças das profundezas de sua própria alma. Sem perceber, levou a mão à pedra verde em seu pescoço.
-Eu nunca menti. – disse, olhando-o nos olhos. – Eu amava você. Ainda amo. Muito.
-Então que merda é essa de querer terminar? – ele gritou.
Ginny ficou sem palavras. Depois de estar claro que ela havia dormido com Draco e que o amava, não achou que Dean protestaria com o término.
-Você vai entrar na loucura dele, é isso? Você é noiva dele agora?
-Não! – Ginny respondeu instantaneamente. Podia amar Draco. Mas tinha absoluta certeza de que não queria casar com ele. Não sabia direito quando ou se um dia iria querer. – Não. Por Deus, não. Eu não sou nada dele... eu não queria cometer o mesmo erro duas vezes.
-Que erro?
Ginny suspirou, sentando-se na beirada da cama.
-Me comprometer com alguém. – disse. – Eu decidi dedicar minha vida à Ordem da Fênix. Completamente. E quando eu fiz isso eu abri mão de uma vida normal. Meu rosto é conhecido e procurado pelas autoridades então não me restam opções que não sejam me dedicar inteiramente à resistência e ao que acreditamos. E é o que eu pretendo fazer de agora em diante. Sem relacionamentos e sem distrações.
-Sem... – Dean murmurou. – Eu era uma distração.
-Eu te amo. – ela declarou com sinceridade. – E eu amo Draco. E ele me ama também. Muito. O que nós temos é... inexplicável. Eu sempre o imaginei como um mimado sanguinário com os conceitos doentios, mas na verdade ele tem bastante noção do certo e do errado. Ele continua do lado das trevas porque acha que não temos nenhuma chance contra Voldemort, então prefere se submeter as vontades dele e ter poder o suficiente para evitar pequenos males. Ter poder o suficiente para me proteger, por exemplo. Pensei que talvez eu pudesse usar esse sentimento dele por mim para trazê-lo para o lado certo. Trazê-lo para Ordem.
-Ginny... – Dean murmurou. Sua voz agora era suave. Quando ela levantou os olhos se assustou com a mudança na expressão dele. – Todo mundo acha que você é tão esperta... mas você é só uma garotinha ingênua, não é?
Enervada com o tom e as palavras de Dean, Ginny decidiu se afastar, mas ao se levantar da cama, a excessiva proximidade dele levou-a a encostar-se em uma das colunas de mogno, onde ele a encurralou, agarrando seu pulso e aproximando os corpos até quase se tocarem. Seus gestos eram carinhosos e cuidadosos demais e faziam com que Ginny se sentisse ainda mais acuada.
-Você realmente acredita nisso? Que ele é bom?
-Eu sei que ele é, Dean.
Ele riu baixinho. Um riso amargurado.
-Você não merecia o ataque de Suzan. – constatou. – Nem minha raiva. O que você precisa agora, Ginny, é de tratamento.
Ginny piscou várias vezes, sem entender.
-O quê?
-Mas é claro! – Dean bradou. – Você perdeu sua família toda e o suposto amor da sua vida, sobreviveu a uma guerra sangrenta, viu pessoas morrerem, foi mantida presa, atacada e machucada, passou por inúmeros traumas físicos e mentais sem nunca ter recebido o acompanhamento psicológico necessário...
-Não, espera, Dean. – Ginny pediu, abrindo uma mão na frente dele.
Ele agarrou sua mão e beijou os dedos de forma carinhosa, fazendo Ginny lembrar-se de quando Draco fez algo semelhante. O toque de Dean era mais gentil, mais lânguido e amoroso enquanto o de Draco chegava a ser desesperador de tão apaixonado, devoto e abrasador.
Podia ser completamente apaixonada e amar Draco mais do que tudo no mundo, mas não podia negar que os toques de Dean ainda conseguiam fazer seu coração bater mais rápido.
-Malfoy encontrou um terreno fértil para suas mentiras. Ele achou que poderia então ter você, a quem ele sempre desejou, e, destruir um dos maiores símbolos da resistência.
-Não. Mas eu nunca pensei em trair a Ordem.
Dean sorriu levemente, uma de suas mãos indo para a nuca de Ginny e a outra para sua cintura.
-Eu sei. Ele não devia contar com isso. – ele sussurrou. – E agora você está em casa. E não importa o quanto sua mente esteja tomada por ele, nós podemos cuidar de você.
Ginny balançou a cabeça negativamente.
-Dean, não! – exclamou. – Você não está entendendo.
-Você é quem não está entendendo, Ginny. – ele continuou. – A equipe de Malfoy capturou alguns dos nossos saindo da Inglaterra. Remus incluído.
Ginny paralisou. Sua boca se fechando antes que ela pudesse deixar sair qualquer protesto.
-Torrence não te contou? – Dean perguntou, acariciando o rosto dela. – Meu amor, Draco é o mais violento dos torturadores. Vem extraindo informações dos nossos homens a exaustão. Alguns estão enlouquecendo nas mãos dele.
Ginny sentiu-se perder o chão. Sua mente tornou-se completamente nublada. Sentia uma dor esmagadora no peito ao imaginar seus queridos amigos sendo torturados pelo homem que mais amava no mundo. Sentiu-se traída. Sentiu-se tola. Não conseguia acreditar e entender completamente o que acontecia. Estava tão decidida há pouco tempo! Esse pequeno pedaço de informação que Dean lhe dera de forma tão subitamente carinhosa a deixou sem palavras e sem ação, arrancando o ar de seus pulmões e desorientando-a.
Voltou a ter consciência do ambiente a sua volta graças aos beijos de Dean. Beijos quentes e carinhosos no seu pescoço, no seu queixo, na sua bochecha.
Levou as mãos ao peito dele e o empurrou. Ele resistiu.
-Eu senti tanto sua falta Ginny. – ele disse no meio de um suspiro, antes de puxá-la pela cintura descolando-a da coluna da cama e abraçando-a. – Senti tanta falta da sua voz, do seu perfume.
Deslizou os lábios para a boca da ruiva, beijando-a intensamente. Nos primeiros momentos Ginny permaneceu parada e atônita. Não esperava de forma alguma nada do que estava acontecendo. Não se preparara para isso. Não sabia como reagir.
Só sabia que queria desesperadamente envolver o homem pelo pescoço e deixá-lo aprofundar o beijo.
Então foi o que fez.
Sentiu a alegria dele ao ser retribuído, quando ele a apertou pela cintura com mais firmeza, acariciando suas costas com uma das mãos e, delicadamente, abrindo passagem pelos seus lábios. Ginny suspirou. A sensação de estar nos braços de Dean era refrescante e ao mesmo tempo quente. Havia algo de tão familiar e quente naquele beijo. Com os olhos fechados, podia imaginar uma versão mais nova dos dois escondidos nas passagens secretas do castelo de Hogwarts aos beijos, ou apenas curtindo a presença um do outro no salão comunal.
-Dean... – Ginny começou quando as mãos dele moveram-se para retirar seu penhoar. – Dean, não.
-Qual o problema? – Dean perguntou, o ressentimento evidente em sua voz. – Só ele pode te ter? Você ama a nós dois, mas sexo é exclusividade dele?
Ginny retraiu o corpo.
-Não fale assim, por favor.
Dean ficou calado por alguns segundos, ainda a segurando em seus braços. Quando Ginny levantou os olhos, desejou não o ter feito. Os olhos quentes e castanhos de Dean estavam cheios de lágrimas.
-Dean!
-Eu não devia falar assim com você. – ele disse. – Você precisa da minha ajuda, do meu amor. E não dos meus ciúmes. – Ginny soluçou, deixando as lágrimas correrem livremente por seus próprios olhos. – É que é tão difícil saber que você permitiu que ele a tocasse.
Ginny fechou os olhos enquanto ele agarrava seu pulso dolorosamente.
-Dói demais imaginar que você o envolveu com esses braços. – ele disse. Sua voz era triste e amargurada. – Saber que você deixou que ele a beijasse. – passou os dedos pelos lábios delas, para depois limpar suas lágrimas. – Saber que você deixou que ele tomasse seu corpo. Isso é inaceitável para mim, Ginny. Nós estamos juntos. Sou eu quem devo fazer essas coisas. – ele explicou calmamente.
-Dean... – Ginny suspirou sem ter o que dizer.
-Sssh. Tudo bem. Nós vamos consertar isso.
Quando Dean voltou a beijá-la, Ginny correspondeu com mais entusiasmo. Sua mente girava ao redor de pensamentos dolorosos. Havia tanta escuridão e dor em seu coração! Os toques de Dean pareciam ser a única coisa boa. Pareciam ser a única luz. O único prazer.
Assustou-se quando ele a deitou na cama, mas não o parou.
-Dean... – gemeu levemente.
-Por favor, Ginny. – ele pediu desesperadamente. – Por favor, fique comigo. Só hoje. Mesmo que não me queira mais. Mesmo que ame Malfoy. Só por essa noite. Ame somente a mim.
-Isso não está certo, Dean... – ela fez empurrando-o para encarar seu rosto. Quando o fez, comoveu-se com a dor e a adoração que transbordava dos olhos honestos do homem.
-Eu te amo tanto, Ginny. – ele murmurou. – Você mesma disse que não tem nada com Malfoy. Se você me traiu com ele, porque não pode ficar comigo esta noite? – ele baixou a cabeça e beijou seu pescoço, enquanto sua mão acariciava o seio de Ginny por cima da fina camisola. Ela suspirou alto com o toque. – Eu sei que você quer. – ele murmurou. – Deixe que eu te ame, Ginny. Só essa noite. Seja minha. Só por essa noite.
Ginny não precisou falar nada para expressar seu consentimento. Não pensou em mais nada. Deixou que ele a preenchesse com seus toques carinhosos e gentis, e retribuiu, tentando expressar em seus beijos todo o amor que sentia por ele.
Ela não só devia aquilo a Dean, como também ansiava por isso.
Então, pelo resto daquela noite, ela não pensou em Draco.
Pelo resto daquela noite, ela pertenceu a Dean.
Pelo resto daquela noite, o único homem com quem queria estar e o verdadeiro amor de sua vida era Dean Thomas.
X
N/A: Eu avisei que vocês não iam gostar. .
Como eu sei que as fãs incondicionais do Draco ficaram com ódio da Ginny, vou partir em defesa dela. Gente, vocês tem que considerar que, por mais que queira, ela ainda não pode confiar no Draco plenamente. Por mais que estivesse vivendo um sonho com ele, agora a realidade caiu sobre ela. A realidade no ponto de vista dela é: querendo ou não, Draco invadiu sua casa e matou seu irmão. Ele trabalha para um ditador sanguinário que foi o responsável pela morte das pessoas que mais amava no mundo. Ele a manteve prisioneira. Ela traiu Dean com ele, a quem ela amava. E no topo de tudo isso, ela acabou de descobrir que, enquanto dormia com ele, Draco torturava pessoas que amava, como Remus Lupin, e voltava com cara de santo.
Nós sabemos o ponto de vista do Draco. Ginny não.
E ela fez QUESTÃO de deixar claro para Draco que eles não tinham nenhuma espécie de compromisso porque não queria cometer o mesmo erro duas vezes.
E Draco já dormiu com outras mulheres quando ainda considerava Ginny sua noiva. Ela merecia também né?
E vamos pensar no pobre do Dean. Dean que sempre esteve lá por Ginny, que nunca a machucaria, que a esperou e aturou todas as insanidades dela, que quase ficou maluco quando ela foi capturada achando que ela estava sendo torturada... como ele se sentiria ao saber que depois de tudo isso ela se apaixonou pelo inimigo? O que matou a família dela, a espancou, a manteve presa? O braço direito do Lorde das Trevas, o cara que eles estão DESESPERADAMENTE tentando destruir?
Hehe. É tenso.
Eu sei que demorei de novo (cerca de dois meses), mas estou tentando ser mais rápida. Já estou na metade do capítulo 25 e espero poder atualizar logo. Minhas aulas começaram. Geeente, to amando. Quem está no ano de vestibular: se mata de estudar. Faculdade é tudo o que vocês ouviram dizer de bom E MAIS. *-*
Reviews:
Schaala: (Mudou o nickname?)
Em primeiro lugar, obrigada pelos parabéns! Agora meu party everyday acabou. Já estou na primeira semana de aula e já passaram milhões de coisas pra ler. Hahahaha. Sorte é que eu gosto.
Aaai que bom que você gostou da NC! A sua foi a primeira review que eu recebi, eu estava super nervosa! Você me acalmou viu? Brigada! xD~
O pobre do Draco esperou muito tempo por aquele momento, por isso não queria mais parar. Hahahaha! Ginny que sofre /not. Eu achei engraçada a parte que você mencionou também. Pena que a felicidade dos dois não durou muito...
Bom, não demorei muitos meses viu? Hahahaha!
Vou tentar atualizar cada vez mais rápido!
Beijos e MUITO obrigada pela review!
Gaabii: Eu QUASE fui pra PUC. Mas agora to na UFRJ. Primeira semana já cheia de leituras. Hahahaha! Mas to adorando!
Que bom que você gostou do cap! E aposto que nunca passou pela sua cabeça quem era a figura estranha né? hahahaha!
Beijos!
Natyss Potter: Eu já li Moira sim. Pena que a autora parece ter desistido no meio da continuação, né? Adorei aquela das melhores que já li. Obrigada pela comparação! xD
E pode ficar calma que eu não vou mais deixar você curiosa por muito tempo. Os próximos capítulos vão ter todas as explicações. Só espero não deixar nenhuma ponta solta.
HAHAHAHA! NÃAAO! Não me chame de demônio! Demorei menos dessa vez!
Muito obrigada pela review!
Beijos!
Juuh Malfoy: Pra variar, a merda foi a Ginny quase morrendo. Hahaha. Até ME enche o saco o quanto essa garota vive a beira da morte. Logo, logo sua curiosidade vai acabar. E quando eu digo logo, logo quero dizer próximo capítulo. xD~
Vou tentar atualizar mais rápido!
Beijos e obrigada pela review!
Bellatrix Amarante: Sorte a minha que você decidiu dar uma olhada nas fics em português. Geralmente eu só vejo em inglês também. O fandom brasileiro perdeu muito a qualidade. D: Espero estar contribuindo pra melhor né? Mas a gente nunca sabe até que passe alguns anos e a gente releia nossas obras com mais maturidade. Hehe.
Que bom que vc gostou! Achei esse capítulo de agora tenso, mas espero que tenha dado pra aproveitar. Hehe!
Beijos e obrigada pela review!
Cheib: Dessa vez demorei menos, viu? \o/
E se você é uma pervertida eu sou o que? Hahahahaha!
E nossa, fiquei MUITO feliz e honrada em estar só embaixo da tia J.K no ranking das suas escritas favoritas. Haha! Sério! Amei! Muito obrigada mesmo! Reviews como a sua realmente me estimulam a continuar escrevendo e a fazer isso com um sorriso de orelha a orelha.
E não se preocupe. Fiquei tão traumatizada que estou passando longe de bebida! Hahahaha!
Beijos!
Lidiia: O que eu estava mais preocupada é que eu criei muita expectativa para o NC. Fico aliviada de ter dado conta de atendê-las! xD~ Acho que o legal do amor do Draco e da Ginny nessa fic é que está bem longe de ser um amor ideal. É cheio de contradições, um sempre machucando o outro... quis expressar isso na NC. Que bom que consegui.
E hoje em dia quem ainda gosta de príncipes né? Hehehehe!
Obrigada por todos os desejos de boa sorte e etc. Te desejo tudo isso também só porque sua review me fez muito feliz. Hahahaha! E não se preocupe por não ter deixado recado antes. Eu entendo que as vezes a gente ta sem inspiração e não quer só mandar "Fic legal. Bjusmeliga." Hahahaha! Mas continue me dizendo o que está achando da fic viu?
Um beijo!
Srta. Snape: Eu acho um absurdo, sendo a feminista que eu sou, sabendo que mulheres nunca devem ser remotamente comparadas a objetos, eu achar tão sexy um homem possessivo. Hahahaha. Acho que isso é um mal de muitas de nós. Mas tudo bem. É só fazer que nem a Ginny e rebater: Nós pertencemos um ao outro. É a boa xD~
Obrigada pela review! Vou tentar atualizar logo!
Beijos!
Vi Malfoy Cullen: Não era Voldemort. Muitas pessoas pensaram que era, então acho que vou me divertir muito com a reação de vocês. Hahahaha! Que bom que você gostou do capítulo! Quando puder, eu recomendo reler sim. Acho que muitas coisas vocês só vão notar quando derem uma relida. É que eu demoro tanto para atualizar que é normal que esqueçam alguns detalhes.
Beijos e obrigada pela review!
Helena Malfoy: hahaha! Desculpa! É que tinha um errinho no final do cap 24, e quando eu fui corrigir, ao invés de substituir eu acabei acrescentando um capítulo. Corri pra apagá-lo mas os e-mails já tinham sido mandados e todo mundo achou que já tinha saído o 25. D: Mas se serve de consolo, aqui está. Hahahha! Beijos!
Vaamp Malfoy: atualizei! E nem demorei tanto dessa vez! Haha! *-*
Ginny Danae Malfoy: Aaaah! Que bom que você gostou! Entre as melhores que você já leu? Vou ficar com o ego inflado demais desse jeito! Hahahaha!
E foi a primeira e última vez que eu passei mal daquele jeito! Criei trauma! Não chego perto de álcool tãaao cedo! HAHAHAHA!
Beijos e MUITO obrigada!
Dani: Sua fic preferida? Owwn! Que linda! Brigada! Dessa vez eu nem demorei taanto pra atualizar viu? Hahahaha! Tomei muito cuidado pra não acabar deixando a NC vulgar. Tenho pavor de algumas coisas que leio aí pelo fanfiction. Que bom que consegui deixar legal.
Estou cursando direito. Comecei essa semane e estou AMANDO. xD~
Beijos e muito obrigada pela review!
Bezzi: Obrigada pelos parabéns! Realmente estou muito feliz por ter passado! É uma sensação indescritível ter todo o esforço recompensado dessa forma! Estou adorando!
Eu adoro True Blood! Então muito obrigada pela comparação. Uma cena que na verdade foi até meio inspirada no sonho da Sookie foi o sonho que Ginny teve com Voldemort no capítulo passado. Eu até usei cenas de True Blood no trailer de AEDC.
Você chegou a reler tudo? Eu reuni todos os capítulos no Word e agora que me toquei que é realmente MUITA coisa. Contando com esse capítulo são umas 430 páginas! OoO
Espero que suas férias tenham sido ótimas também!
Obrigada pela review!
Um beijo!
SamaraKiss: É. O problema deles é basicamente esse: nenhum dos dois consegue abandonar seu mundo. Nem Draco os comensais, nem Ginny a Ordem. Amor bem tenso e proibido mesmo. Como você disse... um relacionamento delicado. Por isso que a gente ama né? Também tenho inveja da Ginny. Só não da parte em que ela perdeu toda a família. Hehe. Só tenho inveja do capítulo passado mesmo.
Que bom que você gostou do capitulo!
Muito obrigada pela review maravilhosa!
BEIJOS!
Nana Ai: Seu desejo é uma ordem! Haha! Obrigada pela review!
Bella Black Malfoy: Antes tarde do que nunca! Sempre espero ansiosa pelas suas reviews.
Bom, esse medo da NC não combinar me assombrou realmente até o final. Eu fiquei satisfeita com ela, mas a gente nunca sabe até realmente ver a reação dos leitores não é? Estou tão feliz que você gostou! Que todo mundo gostou! Eu estava realmente nervosa!
Tive medo que ficasse forçado, muito fora da realidade, não atendesse expectativas... e se eu ainda tinha algum resquício desse medo desapareceu quando li sua review. Como sempre, você captou exatamente a mensagem que eu estava tentando passar. Na NC eu não queria só uma cena de "Hot Love", queria expressar toda a essência do relacionamento deles.
Quando ao Voldie, não vou deixar vocês no escuro por muito mais tempo. Nos próximos capítulos já teremos as explicações. As coisas desagradáveis começaram nesse capítulo, mas ainda tem bastante pela frente. Mas continue confiando em mim! Vou fazer de tudo para que os desfechos se desenrolem da melhor forma possível.
Muito obrigada pela review, pelos elogios, pela confiança e pela fidelidade na leitura!
Mais uma vez sua review me deixou com um sorriso de orelha a orelha e inflou meu ego a níveis estratosféricos. Hahahaha!
Um beijo!
Aelle Malfoy: Aaah! Que bom que a espera valeu a pena. Dessa vez nem demorei tanto viu? Tudo bem que esse capítulo ta meio tenso mas... hehehe. Voltando a falar da NC... *perva mor* sou eu que escrevi isso. Hahaha! Que bom que você gostou tanto assim!
Gwen é uma personagem bastante complexa. Ela e Voldie. Nos próximos capítulos só vai ter para esses dois, que ainda vão atormentar muito nosso casal doentio e querido. Também gosto muito do Slytherin, mesmo que ele seja bem malvado mesmo. Estou muito ansiosa pra começar a escrever a história envolvendo ele e Gwen. Acho que vocês vão gostar.
Síndrome de Estocolmo é um assunto muito legal pra ser abordado. Nunca havia associado Bela e a Fera com isso mas agora que você falou, FAZ MUITO sentido. Deve ser por isso que eu amava tanto aquele desenho! Haha!
E esse sentimento que você tem quando lê AEDC, eu tenho quando estou escrevendo!
Que louco né?
Obrigada pela confiança! Continue confiando mesmo que ache a situação cada vez mais tensa! Espero que eu não te desaponte (pelo menos não muito)!
Muito obrigada pela review maravilhosa! E não se preocupe porque as minhas favoritas são essas longas mesmo! Hahahaha!
Mil beijos!
X
Ai, ai gente. Vou tentar atualizar ainda mais rápido, mas sabe como é difícil pra mim me concentrar? Agora que eu tinha que estar mais concentrada ainda, mas minha mente se desvia. Tanto elementos da "vida real" quanto criativos mesmo. Nas férias começou a brotar uma fic H/G/D muito boa na minha mente. Se passa nos tempos de Hogwarts mesmo. Meio universo alternativo.
Já até escrevi um pouquinho.
Quem gosta de triângulos amorosos (que nem eu) vai amar. E seria triângulo amoroso mesmo! Não aquelas coisas tipo "dã. É óbvio com quem ela vai ficar. Esse extra aí é só pra deixar a história legalzinha". Sem falar na história da Gwen e de Salazar!
Acho que estou desesperada pra criar uma fic logo depois de AEDC porque vou sentir muita falta de vocês. Shuiff.
Mas seguinte, me sigam no twitter que sempre posto novidades de como ta indo a escrita e etc. Se identifiquem que eu sigo de volta. \o/
gmdourado
Quem quiser me adicionar no Orkut e no Facebook é só ir no meu profile.
Então é isso aí.
Mil beijos da sua querida,
Ella Evans
-G
