Marcus já estava de pé. Os punhos dele estavam fechados com força do lado dele. Ele se forçou a não virar pro jovenzinho na frente dele, como ele tão desesperadamente queria, mas em direção à lareira que residia bem do outro lado da sala. Ele aproximou dela rapidamente. Sua respiração estava difícil – forçada, respirações profundas e constantes fluindo pelos pulmões dele e de volta pelo nariz dele.

Marcus estava com raiva. Não só com Jesse, mas consigo mesmo. Consigo mesmo, Brendon e Shelby porque ela simplesmente deveria saber melhor.

Os olhos dele – os quais estavam previamente tão desfocados quantos os pensamentos frenéticos e frustrados dele – finalmente pousaram em um retrato sobre a lareira. Era uma foto que foi tirada cinco anos antes. Os três Berrys estavam parados no meio do Times Square. Rachel tinha inocentemente dado a câmera digital nova dela para um passante aleatório enquanto já perguntava se eles seriam 'tão gentis e tirar uma foto minha e dos meus pais?'

Marcus tinha se impressionado com a inocência da garota – sua fé cega e sua confiança absoluta de que um estranho não ia fugir com seu pequeno equipamento caro, facilmente se perdendo na multidão.

O homem a quem ela tinha dado a câmera sorriu brilhantemente e concordou com a cabeça. 'Claro, garotinha. Vá lá ficar perto dos seus pais, agora.' Marcus foi e colocou o seu braço fortemente e amorosamente ao redor dos ombros de Brendon. Este tinha sorrido pra ele, beijado a bochecha dele e virado o rosto pra câmera. Rachel tinha se apertado entre os pais; um dos seus pequenos braços tinham se envolvido ao redor da perna de Marcus. Ela gritava – agudamente e forte – enquanto pulava pra cima e pra baixo. A mão de Brendon tinha ido pra baixo e repousou gentilmente no ombro dela, fazendo com que ela ficasse parada.

A câmera deu um flash.

Marcus se sentiu bobo por ter ficado todo nervoso enquanto o homem devolvia a câmera pra pequena Rachel e dizia, 'Agora, certifique-se de manter essa foto pra sempre. É uma das boas!' Rachel tinha sorrido brilhantemente e exclamou, 'Muito obrigada!' antes de literalmente se esticar e dar um abraço aperto ao redor do pescoço do homem.

Um momento no tempo, congelado pra sempre. Uma breve olhada na felicidade do momento – Rachel e Brendon sorrindo brilhantemente pra câmera, Marcus sorrindo docemente enquanto olhava pra baixo pra filha perfeita dele.

A filha dele – obviamente não de sangue, mas de coração, alma, espírito e simplesmente a conexão profundamente emocional que só um pai pode ter com seu filho. Brendon, enquanto possuía o aparente relacionamento sanguíneo com Rachel, nunca deixou pairar isso sobre a cabeça de Marcus – não era necessário. Seria quase cômico agora – dezesseis anos na vida da filha – considerar ela como qualquer coisa além deles.

E ainda assim...

E ainda assim aqui estava Jesse St. James – que tinha, com apenas algumas simples palavras, potencialmente esmagado a unidade familiar em pedaços de nada. E se, depois de hoje à noite, eles não pudessem simplesmente ser Rachel, Brendon e Marcus, Os Berrys? E se, depois de hoje à noite, Shelby conseguir forçar seu caminho para a vida da filha dele – se forçar para o papel de 'Mãe' que ela tinha legalmente abandonado há anos? Podia a filha dele – sua filha grávida e emocional e ainda assim incrivelmente corajosa e com muita força de vontade – lidar com as implicações de outra figura de autoridade em sua vida? A esse ponto, Shelby não seria só 'outra' figura de autoridade; ela seria a mãe que Rachel nunca tivera, ela seria a única mulher adulta com quem Rachel poderia discutir todas as coisas... Femininas.

Marcus ficaria obsoleto? Brendon ficaria?

Por mais que tenha sido de forma ilegal, o fato permanecia – a mãe biológica de Rachel tinha acabado de entrar na vida dela. E consequentemente, ela tinha entrado completamente novamente em todas as vidas dos Berrys.

Marcus se virou, sem querer retirar o olhar da foto emoldurada na lareira. Ele viu Rachel enquanto ela dava um passo hesitante em direção à Jesse onde, antes, seus passos tinham se retraídos.

"M-minha mãe?"

Jesse concordou e brevemente deu uma olhada na forma alta de Marcus antes de responder, "Sim."

Quinn também deu um passo à frente, colocando seu corpo diretamente entre Rachel e Jesse. "Escute, eu não estou inteiramente certo de quem você pensa que é, vindo a essa casa como se fosse dono do lugar e despejar esse tipo de notícia em Rachel. Quer queira ou não você é o pai do bebê dela, eu gostaria de saber o que diabos você está pensando. Porque, como Rachel disse, você sabe o que é amanhã. Eu queria poder passar por cima dos possíveis motivos escusos nessa situação, mas eu não acho que possa."

Marcus viu Jesse ajeitar os ombros e levantar a cabeça. Um desafio.

"Eu posso fazer a mesma pergunta, Quinn." Ele pareceu dizer o nome dela com o mais leve e quase imperceptível toque de sarcasmo. "Até onde eu pude perceber, essa não é sua casa tanto quanto não é minha. E o que eu tenho a dizer Rachel não lhe diz particularmente respeito. De forma alguma, realmente, quando você pensa sobre isso. Isso diz respeito a mim, Rachel e aos pais dela e, sim, isso diz respeito à mãe dela. Eu não vejo nem um pouco como você encaixa-se nessa equação."

Marcus viu a cabeça de Quinn cair, os ombros dela começarem a cair e suas pálpebras começarem a piscar rapidamente. Ela se virou de volta em direção ao sofá, de volta à Brendon, com as mãos dela firmemente plantadas nos quadris. Marcus podia ver sua face ainda mais claramente agora. Qualquer confiançazinha que eles estiveram construindo de volta dentro da garota desde que ela tinha vindo morar com eles tinha acabado de ser esmagada.

Marcus não ia aturar mais isso. Ele ficou quase envergonhado do quão longe as coisas já tinham ido – essa era a casa dele, dele e do marido dele.

"Eu acho," Marcus disse enquanto andava pra frente com propósito, "essa é a hora de você ir embora, jovenzinho." Ele envolveu o braço ao redor do ombro de Quinn e ela imediatamente virou o rosto pro peito dele – tentando esconder o olhar vulnerável de cortar o coração que estava atrelado ao rosto dela. "Quinn está certa, e essa casa é mais o lar dela do que seu. Nós não apreciamos muito – nada mesmo – do que você tinha a dizer desde que você passou por aquela porta. E o problema da mãe de Rachel é algo que o pai dela e eu iremos falar com ela – não você. Agora," ele começou enquanto gentilmente dirigia Quinn até o sofá ao lado de Brendon que bateu no joelho dela enquanto ela sentava. "Se não há nada mais, você pode ir andando."

Jesse pareceu apropriadamente atordoado. Ele enfiou as mãos nos bolsos da frente e inclinou a cabeça ligeiramente. Virando-se para dirigir-se ao mesmo tempo à Marcus e Brendon, ele disse baixo, "Você está certo. Eu devo ir andando. O que quer que vocês possam pensar, minha intenção não foi nunca causar estresse à Rachel na noite anterior à competição dela. Eu quis dizer o que eu disse – nós só não podíamos esperar mais."

Quando a palavra 'nós' saiu dos lábios de Jesse, Brendon raivosamente ficou de pé finalmente. "Eu escutei o bastante." Ele deu um passo pra mais perto de St. James. "Fora. Agora." Brendon – apesar da sua compleição ser significantemente menor do que o marido – era bem intimidados quando com raiva.

"Ok," Jesse murmurou. Ele encarou rapidamente Rachel e a puxou pra um abraço – quer fosse contra a vontade dela ou não, não importava; acabou antes mesmo de começar. Enquanto Jesse se afastava, ele deslizou as mãos pelos braços de Rachel só para apertar os dedos dela. Os olhos de Rachel se arregalaram em surpresa quando ela sentiu a inconfundivelmente forma de um bilhete dobrado sendo colocado na mão esquerda dele. Seus olhos verdes brilhantes perfuraram os de Rachel enquanto ele dizia baixinho, "Até nos encontrarmos novamente."

Jesse abruptamente se virou e fez seu caminho rapidamente pra fora da sala. Ele disse sobre o ombro, "Eu me apresento a saída."

E então – tão repentino quanto se um tornado tivesse passado e arrasado a casa deles – Jesse St. James tinha ido.


"Quinn," Brendon colocou uma mão acolhedora no ombro da garota. Ela olhou pros olhos dele enquanto ela mentalmente se desfazia dos seus pensamentos. "Você se importaria de nos deixar a sós? Eu acho que Marcus e eu precisamos ter uma conversinha com Rachel antes que fique muito tarde."

Quinn concordou. "Não," ela disse. "Eu devo me preparar pra ir pra cama. Grande uuuhh... Grande dia amanhã e tal."

Enquanto ela passava por Rachel no seu caminho pra fora da sala, ela tentou olhar Rachel nos olhos – ela tentou segurar o olhar dela, mesmo que por um segundo para se certificar de que Rachel estava bem... De que tudo ficaria bem. De que as coisas não estavam se despedaçando pra outra garota. Mas ela não conseguiu chamar a atenção de Rachel de forma alguma.

E então os passos de Quinn nas escadas estavam pesados e miseráveis enquanto ela se encaminhava pro quarto dela.


Rachel se achou esmagada entre os pais no sofá. Ambos tinham os braços ao redor dela. A posição era normalmente uma de familiaridade e conforto – era como eles sempre tinham sentado juntos, desde que Rachel era uma garotinha. Seu Papaizinho ficaria à sua direita, seu Papai à sua esquerda. Eles a envolveriam com seu amor e apoio e Rachel iria inclinar a cabeça em um dos ombros deles antes de eventualmente mudar pro outro...

Mas nesse momento, isso não parecia familiar para Rachel. E isso estava provendo quase nenhum conforto. Ao invés disso, ela se sentia sufocada. E pressionada. E toda a situação parecia estranha.

O bilhete de Jesse estava firmemente enfiada no bolso da frente do jeans dela. Ela podia sentir uma das suas pontas firmemente dobradas picando sua coxa.

"Rachel," Brendon começou. "Você sabe que nós te contamos como nós chegamos a ter você em nossas vidas antes," Rachel concordou bobamente. "Bem, talvez seja hora de contar mais a você sobre como tudo se deu – mais do que só as tecnicalidades. Talvez devamos contar a você o que sabemos sobre sua mãe." Rachel se mexeu um pouco e Brendon continuou. "Mas, docinho, nós realmente não sabemos muito sobre a vida pessoal ou nada antes – ou depois – da gravidez."

"Eu acho que tudo que podemos fazer –" Marcus disse "- é começar do começo."

Rachel se mexeu ligeiramente – só para sentir o bilhete pressionar sua coxa novamente. "Eu acho que seria melhor," ela disse suavemente.


"Muito obrigado por ter vindo hoje. Seu tempo é enormemente apreciado. Nós entraremos em contato com você tão logo meu marido e eu façamos as decisões finais." Brendon ficou de pé e se moveu ao redor da mesa dele para apertar a mão da outra mulher na sua brevemente. "Foi um prazer conhecê-la, Srta. Holiday."

A jovem mulher na frente dele se levantou rapidamente enquanto continuava a balançar a mão de Brendon. "Oh, foi tão bom conhecê-lo também, Sr. Berry! Eu anseio por escutar do senhor em breve."

Enquanto Brendon fechava a porta, ele retirava os óculos dele e levemente apertava a ponte do seu nariz. Jovem demais, ele pensou.

Mal ele tinha recolocado os óculos no rosto dele e começou a andar em direção ao escritório, a campainha tocou. Curiosamente, ele virou pra porta novamente. Nenhuma outra mulher tinha ligado em resposta para o anúncio deles no jornal, então ele não estava realmente esperando mais ninguém hoje.

Apesar disso, ele virou e se encaminhou pra porta da frente dele. Ele abriu a porta pra dentro, pronto pra se dirigir a pessoa do outro lado. Sua respiração ficou momentaneamente presa na garganta.

É ela, ele pensou. E enquanto o pensamento cruzava a mente dele, ele sabia bem no fundo da sua alma que era verdade.

"Olá," ele disse. "Posso ajudar você?"

"Sim," ela disse. A voz dela era confiante. "Meu nome é Shelby Corcoran e eu estou aqui em resposta à esse anúncio que eu encontrei." Ela segurou o jornal, mas Brendon não precisou mais do que uma olhadela. Ele sabia as palavras de cor. Ele tinha as escrito com Marcus só há algumas semanas.

Pais na área da Grande Lima procuram por uma mulher entre as idades de 20-28 que estejam interessadas em atuar como barriga de aluguel para nos ajudar a completar nossa família com uma linda criança.

Por favor nos contate no 555-1432 para detalhes. Compensação generosa será providenciada uma vez que o arranjo esteja finalizado.

"Entendo," Brendon disse. "Por favor, entre!" Ele se afastou e estendeu a mão num gesto convidativo. Shelby concordou gentilmente e entrou. "A sala é logo por aqui. Podemos nos sentar e conversar um pouco. Você gostaria de beber algo?"

"Um copo de água seria ótimo na verdade, obrigada."

"Claro, eu volto logo." Ele rapidamente foi à cozinha para preparar a bebida pra ela.

Enquanto ele tinha ido, Shelby passeou lentamente ao redor do longo espaço aberto da sala do homem. Ela verificou as fotografias penduradas na parede e passou os dedos por cima de algumas mesas na sala. Ela parou na frente de uma e pegou uma fotografia. O homem que a tinha convidado pra entrar estava na foto, assim como um homem alto negro. Eles estavam abraçando um ao outro, num abraço solto e amoroso. Suas mãos estavam descansando em cima da superfície logo na frente deles – duas alianças lindas e brilhantes de casamento estavam aparecendo destacadamente.

"Então eu vejo que você achou minha favorita."

Shelby ficou ligeiramente assustada e decidiu que era mais seguro gentilmente abaixar a moldura antes que ela derrubasse ou algo igualmente mortificante. "Oh, me desculpe. Eu só estava olhando suas fotografias e essa me chamou a atenção."

"Não, não! Por favor, não se desculpe. Eu falei de verdade – essa é minha favorita. Esse é meu marido, Marcus," Brendon disse amorosamente, pegando a moldura por si mesmo. "Essa foi tirada uma semana depois que voltamos da nossa lua de mel. E isso foi," ele colocou uma mão no queixo pensativamente enquanto continuava a olhar a fotografia. "Há dois anos e sete meses." Ele recolocou a foto na mesa e sorriu feliz pra Shelby. "Nós estamos pensando em ter um filho por um longo tempo – realmente, mesmo antes de nos casarmos. Nós estamos juntos há um longo tempo – nove anos mês que vem. Eu sei que você leu o anúncio e eu não tenho necessariamente que contar isso a você, mas... Bem, nós realmente estamos prontos e contentes por uma adição pra essa família – uma adição que, nós sentimos, que nos completará."

Shelby concordou com a cabeça e sorriu, engolindo com dificuldade ao redor do bolo que se formara em sua garganta. "Eu entendo." Ela tinha cortado o anúncio do jornal há alguns dias, e tinha consumido seus pensamentos desde então. Ela vira a barriga de aluguel como uma oportunidade de completar os sonhos de alguém como também a chance de dar a ela mesma uma segurança financeira pra perseguir os seus próprios. Entretanto, naquele momento, algo clicara dentro dela. O casal que ela ia ajudar não era mais sem rosto – eles não mais seria representados somente pelo pedaço de papel que estava no seu bolso da frente, amassando-se levemente enquanto ela se movia ao redor do cômodo. Eles eram pessoas reais e eles queriam que ela os ajudasse a criar e desenvolver dentro de si mesma uma vida de um ser humano real. Enquanto esses pensamentos giravam em sua mente, ela percebeu que teria que fazer isso com a menor quantidade humana de emoção. Ela tinha que ser desapegada, ou então ela nunca sobreviveria ao que ela estava concordando.

"Você gostaria de se sentar? Marcus está pra chegar logo em casa. Eu estou certo de que ele amaria conversar com você também."

"Isso parece ótimo," Shelby disse enquanto colocava um sorriso doce no rosto. "Eu mal posso esperar para conhecê-lo."


"Então," Marcus começou. "Você é de Carmel?"

"Sim," Shelby disse depois de engolir outro gole de água. "Eu cresci ali e me formei na escola de Ensino Médio Carmel." Ela parou brevemente e se permitiu rir levemente. "Na verdade, eu fui capitã do clube do coral." Marcus e Brendon riram levemente com ela. "Eu sei quão bobo isso pode soar, mas eu amava aquilo mais do que vocês podem imaginar."

Brendon se inclinou pra frente e bateu gentilmente no joelho de Shelby. "Não é bobo de forma alguma. Eu creio firmemente que as artes são incrivelmente importantes. E enquanto meu marido não necessariamente compartilhar meu amor por musicais e shows da Broadway, ele sempre foi indulgente com minhas paixões." Shelby levantou os olhos e firmemente segurou o olhar de Brendon antes de mudar pra Marcus e nivelar com ele em um olhar igualmente intenso.

"Eu quero fazer isso pra vocês. Eu quero ajudar vocês a ter um bebê." As palavras dela estavam cheias de determinação. Enquanto Marcus e Brendon ambos sabiam que a decisão era – obviamente, no final – deles, havia uma finalidade de certeza no tom dela que inspirava confiança de que essa mulher faria isso até o final.

Os olhares dos homens se conectaram pelo espaço da sala e – depois de convergir os pensamentos deles um com o outro com a habilidade que eles tinham desenvolvido em todos os anos juntos – cada um deles acenou com a cabeça, completamente crentes que, juntos, eles estavam tomando a decisão correta.

"Nosso advogado redigirá os papéis amanhã."


Todos sentaram no mesmo lado da mesa e a energia no ar era palpável. Os papéis estavam feitos. Shelby não tinha saído correndo – não que os homens esperassem que ela fizesse isso, claro. Todos ainda estavam sob o efeito da adrenalina que só podia vir da mais alta confiança que o que eles estavam fazendo era perfeito – que nem uma outra versão desse cenário podia possivelmente se comparar.

"Aqui está o último rascunho do contrato," Sr. Gow – o advogado dos Berrys – disse enquanto colocava os papéis na frente de Shelby. "Srta. Corcoran, você precisa só assinar aqui –" ele apontou para um local na primeira página " – e aqui –" ele apontou na página três " – aqui – " – e finalmente, aqui –" na página nove.

Shelby desfocou um pouco depois de concordar e pegar a caneta providenciada, não escutando enquanto Marcus e Brendon começaram a assinar as parte deles do contrato. Ela tinha lido tudo. Ela sabia o que queria dizer. Eles tinham perguntado a ela, "Agora Shelby... Você tem certeza que entendeu? Nós estamos providenciando pra você uma compensação na forma de pagar as contas médicas, compras de roupas de maternidade, vitaminas e suplementos necessários, um cheque de cinco mil dólares na metade da gravidez e um cheque final de sete mil dólares depois do parto. O bebê será nosso e você não terá permissão de contatá-la sem a nossa permissão antes do décimo oitavo aniversário dela."

Shelby tinha simplesmente dito, "Perfeito. E eu sempre quis e ir pra Nova York e perseguir a carreira na Broadway. Talvez agora... Bem, isso será perfeito pra todo mundo."

E agora enquanto ela assinava os papéis no escritório do Sr. Gow, ela tinha dito a si mesma várias vezes, Esse bebê não será seu. Você terá que desistir dele. E está tudo bem. Está tudo bem. Está Tudo Bem. Cidade de Nova York. Meus sonhos...

Meus sonhos.


Shelby era jovem, seu corpo era saudável. Ela era relativamente alta para uma mulher. Ela era linda.

E o fato de que ela tinha a voz de um anjo não escapou à percepção de Brendon e Marcus.

Tecnicamente, a gravidez estava correndo sem problemas, perfeitamente. Mas uma vez que os detalhes completos da gravidez de Shelby vieram à tona, os pais dela a chutaram pra fora de casa – onde ela ainda vivia desde formada do ensino médio há apenas alguns anos. Ela apareceu na porta dos Berry naquela noite com uma mala e uma mochila e lágrimas correndo pelo rosto enquanto sua mão protetoramente se agarrava na sua barriga.

Os últimos meses da gravidez dela, ela viveu na casa deles. Eles cuidaram dela como se ela fosse uma princesa. Qualquer coisa que ela precisasse, a qualquer hora do dia ou da noite. Consultas médicas. Desejos. Viagens ao shopping (apesar de Marcus nunca hesitar quando concernia à comprar). E finalmente, eles estavam ali quando a bolsa dágua estourou. E no parto.

Eles estavam lá à cabeceira dela quando a enfermeira trouxe a linda bebezinha deles. Ela colocou a recém nascida nos braços de Shelby. Não chore, não chore, não chore, ela reiterara várias vezes em sua cabeça. Mantenha o desapego emocional. Ou senão você vai perder – perderá tudo! Mas no final, seus meses treinando a si mesma para esse momento não significaram nada e as lágrimas caíram dos seus olhos convictamente.

Marcus se inclinou e levemente beijou Shelby na testa enquanto simultaneamente acariciava a pele macia da cabeça do bebê deles.

"Você gostaria de saber como nós decidimos nomeá-la?" Brendon perguntou suavemente, um olhar de pura reverência no rosto enquanto ele via o que os três tinham criado juntos. Magnífico.

Um soluço estrangulado escapou da garganta dela e Shelby conseguiu balançar a cabeça uma, duas vezes. "Não," ela disse. "Por favor não me conte."

Marcus e Brendon tinham concordado. Profundamente, eles entendiam; eles sempre tinham entendido.


As malas dela já estavam preparadas no dia seguinte. Ela andou pelo corredor do quarto que eles tinham graciosamente tornado dela. Ela passou pelo quarto que seria o do bebê – o quarto em que a garotinha iria crescer, o quarto dentro da casa que certamente seria cheia de nada além de amor, aceitação e a promessa que cada dia seria melhor do que o anterior.

Os homens Berry estavam dentro do berçário – Brendon segura o bebê e Marcus segurava Brendon.

Tão silenciosamente quanto podia, Shelby saiu. A porta da frente fechou silenciosamente atrás dela. Ela colocou as malas no bagageiro do carro antes de entrar atrás do volante. Sua cabeça se encostou no descanso do banco. Ela não chorou. Ela já tinha feito isso suficiente na cama de hospital – naquela noite depois que Marcus e Brendon tinham saído, depois que o bebê tinha sido levado de volta ao berçário para uma noite de observações, as lágrimas tinham fluído continuamente. Ela tinha chorado tudo que podia e permitiu que toda a emoção que ela não tinha se permitido nos últimos onze vezes serem soltas em uma suave cachoeira. E então ela tinha mentalmente se desconectado daquele capítulo da vida dela.

Ela tinha que fazer isso.

Ela dirigiu todo o caminho para Nova York. Para começar uma nova vida. E não importava o quão difícil as coisas tinham sido pelos meses seguintes, ela nunca tocou no dinheiro daquele segundo cheque.


A cabeça de Rachel bateu no travesseiro com um pesado thump. Ela estava exausta – emocionalmente, fisicamente. Suas costas estavam doendo. Sua cabeça estava pulsando. Ela queria tanto só ir embora por um tempo. Escapar. Como minha mã fez, quando ela fugiu, ela pensou com uma ponta de amargura. Mas mesmo enquanto ela pensava isso, ela sabia que não era verdade. Ela sabia que não havia realmente uma única coisa que ela pudesse ter contra Srta. Corcoran. Ou os pais dela... Não importa o quanto ela queria odiá-los por fazer legalmente impossível Shelby contatá-la antes de Rachel fazer dezoito, ela nunca poderia odiá-los.

Rachel ficou de costas e alcançou sua mesinha de cabeceira, procurando algo. Quando ela achou o que procurava, ela segurou na frente do rosto. O bilhete. Ela virou na mão, observado cada pequeno detalhe do papel bem dobrado pela primeira vez naquela noite. Ela passou os dedos sobre as letras que estavam escritas em um lado

Para Rachel

Para mim, Rachel pensou, enquanto ela continuava a continuar a letra feminina no papel. O que meus pais achariam se eles soubessem que eu tenho isso? Se eles soubessem que ela conseguiu entrar ainda mais na minha vida do que simplesmente com as palavras que Jesse disse...

Rolando de volta, Rachel abriu a gaveta da sua mesinha e gentilmente colocou o bilhete dentro.

Outra noite, talvez, mas não hoje.

Ela desligou a luz e, na escuridão, a dor a assaltou.

Seu coração estava doendo, como se tivesse sido arrancado do peito horas atrás e sua adrenalina só agora permitia que a dor registrasse em sua mente. As lágrimas estavam fluindo tão livremente que Rachel sequer podia ver as formas do seu quarto que eram iluminados pelos raios da luz entrando pela janela – suas lágrimas estavam obscurecendo as formas da realidade e ela estava caindo.

O leve abrir da porta deveria ter feito com que Rachel tentasse controlar o fluxo de lágrimas. Mas não o fez. Ao invés disso, ela só colocou uma mão pra cima e vergonhosamente cobriu os olhos. Ninguém podia possivelmente querer ver isso, vê-la como uma total bagunça.

"Rachel."

Rachel escutara seu nome ser falado tão suavemente que quase não entendeu.

"Rachel."

Dessa vez, o sussurro foi tão perto que Rachel podia sentir quase na nuca. Quinn. Era Quinn, e Rachel deveria ficar feliz – mas ela não conseguia achar dentro de si a força para só ser feliz e então ela estava confusa, envergonhada e enojada consigo mesma tudo ao mesmo tempo. Então quando ela sentiu o leve toque de Quinn – seu toque quente, confortador e deliciosamente suave – ela se afastou.

Houve um momento. Um momento no tempo. E nada aconteceu. Quinn não se moveu pra sair. E Rachel não se moveu pra se desculpar ou retornar o toque de Quinn ou sequer pra dizer 'Por favor não me deixe, por favor não o faça. Não pare de me tocar, por favor. Eu posso quebrar inteira se você sair.'

"Boa Noite, Rachel," Quinn disse suavemente – e ai Deus, tão docemente que talvez algo dentro do peito de Rachel algo talvez tenha se partido ao meio.

O colchão se mexeu e foi apenas questão de segundos antes que Rachel estivesse totalmente sozinha em seu quarto novamente.

A escuridão era opressiva.

Levou menos do que cinco minutos para ela se recompor o suficiente para andar pelo corredor até o quarto de Quinn. Ela deslizou pra debaixo das cobertas de Quinn. Esta imediatamente se virou pra Rachel e começou a acariciar o braço dela suavemente.

"Me desculpe," Rachel sussurrou. As lágrimas começaram novamente, imediatamente. "Sinto tanto. Tanto tanto, Quinn, droga."

"Shhh, Rach. Está tudo bem. Eu prometo, está tudo bem." Ela puxou a garota pra mais perto dela, envolvendo os braços ao redor dela e sequer se encolheu quando a mão de Rachel acidentalmente esbarrou nas costelas enfaixadas dela. "Você vai ficar bem."

"Como você sabe?" Rachel fungou.

"Eu sou Quinn Fabray," ela disse. "Eu só sei essas coisas."