Beyblade não me pertence
Capítulo anterior: A hora do combate que iria decidir que equipa competiria na final finalmente chega. Um combate entre dois grandes jogadores do campeonato, Alexander e Kai. Durante todo o combate existia uma enorme pressão, não tanto pela vitória, mas pelo assunto que unia os dois rapazes: Ling. Esta, vendo Kai ser atacado, quase consegue que o rapaz seja desqualificado, mas Tala impede-a a tempo. Um combate intenso tem lugar e, para infelicidade de muitos, Kai acaba por perder, ficando desmaiado no chão após o ataque de Alexander.
Capítulo 25: Amo-te
A noite já tinha caído em Tóquio. Fria e silenciosa, tal como o hospital da cidade. O profissionalismo dos médicos e enfermeiros acentuava a frieza que se sentia naquele lugar e o silêncio abatia-se pelos corredores do enorme edifício à medida que as horas passavam. Viam-se alguns doentes a serem transportados nas camas de um lado para o outro, alguns em cadeiras de rodas. Enfermeiros e médicos andavam furiosamente pelos corredores na esperança de salvar mais uma vida.
No entanto, todo este movimento passava ao lado dos muitos jovens que estavam na sala de espera. Logo após o final do combate entre Kai e Alexander, a ambulância não demorou a chegar. Para conseguir pôr o rapaz na maca, tiveram que recorrer a medidas extremas para arrancar Ling e Tyson de pé dele. Hilary, Daichi, Kenny, Ray, Max, os restantes Blitzkreig Boys e o Sr. Dickinson também estavam junto do rapaz. Algumas pessoas do público tentaram uma aproximação, mas os seguranças impediram-nos. Boris e os The Demons já tinham abandonado o local.
Assim que a ambulância partiu, todos se dirigiram para o hospital, divididos em três carros. Ling chorou durante todo o caminho, culpando-se mentalmente por tudo o que se passava. Agora, sentada numa das cadeiras da sala de espera, estava com a cabeça encostada à parede e olhava para o chão não vendo nada em concreto. Os seus olhos, outrora cheios de vida, estavam vazios e inchados. Ao seu lado estava Hilary, que mantinha as mãos juntas e estava com a cabeça encostada no peito do namorado, sendo agarrada pela cintura. Tyson, ao seu lado, tinha o outro braço por cima das costas da cadeira, tinha a cabeça virada para cima e mantinha os olhos fechados.
Daichi estava ao lado de Tyson, balançava as pernas devagar enquanto apoiava as mãos nos joelhos e mantinha a cabeça baixa. Kenny, ao lado do rapaz de cabelos vermelhos, segurava no seu portátil, de cabeça baixa. Max e Ray estavam de pé. O loiro estava encostado a uma cadeira e via o movimento dos corredores, enquanto que Ray assumira a antiga posição de Kai. Os três Blitzkreig Boys estavam mais afastados do grupo e encontravam-se de pé. Tala era o único que não conseguia ficar parado. Os ferimentos que fizera durante o combate já tinham sido tratados, e mesmo com algumas dores, insistia em andar para a frente e para trás. O Sr. Dickinson, cansado da tensão sentida naquele local, fora beber um café ao bar e ainda não tinha voltado.
O grupo ouviu passos de alguém a aproximar-se, uma pequena esperança cresceu nos seus peitos, mas logo desapareceu ao verem que era apenas o Sr. Dickinson. O homem, ao ver que eles continuavam na sala de espera, assumiu que ainda não haviam notícias. Não sabia se a situação de Kai era grave ou não, mas o facto de ele ter desmaiado preocupava-o. Desejava do fundo do coração que aquela demora não significasse nada. Sabia também que não era bom para eles ficarem à espera sem comer nada, mas todos se recusaram a acompanhá-lo ao bar.
Enquanto ponderava novos passos são ouvidos no corredor. Dessa vez todos tiveram a certeza que eram notícias sobre Kai. Pouco a pouco, foram-se levantando e dirigindo-se às duas pessoas que se aproximavam. Ling e Tyson, junto com Hilary, tomaram a dianteira indo de encontro com um médico, acompanhado por Miya.
Ling: - Mãe... – a mulher olhou a filha tristemente, agarrando-lhe nas mãos. O médico, ao ver as caras de preocupação, decidiu dizer as notícias sobre o estado de Kai.
Médico: - Ele está bem. – vários suspiros de alívio puderam ser ouvidos. – Mas ele ainda não acordou. – as caras preocupadas voltaram com isto. – Ele tinha uma ligeira fractura no braço esquerdo e vários ferimentos por todo o corpo. Por sorte não eram demasiado graves, mas ele perdeu muito sangue, por isso tivemos que lhe dar sangue. Demoramos mais pois fizemos vários exames para ter a certeza de que estava tudo bem. Mas não se precisam preocupar mais. – disse com um sorriso. Miya podia ver uma enorme preocupação no olhar da filha e decidiu acalmá-la.
Miya: - Ele vai ficar bem. – disse, sorrindo e passando a mão pelo rosto da filha. Ling olhou para ela, com a sua expressão triste.
Ling: - Podemos ir vê-lo? – Miya sabia que não era boa ideia e como não tinha a autoridade em suas mãos olhou para o médico. O homem ponderou por momentos e respondeu.
Médico: - Têm cinco minutos. Sigam-me. – um pequeno sorriso brilhou na face de todos por o pedido ser aceite.
Seguiram o médico, em silêncio, pelos enormes corredores do hospital. Passaram por várias pessoas e por vários quartos até que o homem pára em frente de uma porta e abre-a, dando passagem aos restantes. A primeira a entrar foi Ling. O quarto era relativamente pequeno e estava pintado de branco. Do lado esquerdo, estava um armário onde se colocavam os pertences do doente e ao seu lado uma mesa com uma pequena televisão. Do lado direito, havia uma porta que dava para o quarto de banho. Os tijolos beges e gastos pelo tempo tentavam dar alguma cor ao quarto. Ao meio encontrava-se a cama onde Kai estava deitado, ligado a máquinas.
Respirava por si só, mas mesmo assim haviam várias máquinas ligadas ao seu corpo. Uma delas mostrava os seus batimentos cardíacos e haviam muitas outras que não se sabia para que serviam. De cada lado da cama, haviam mesinhas de cabeceira. Uma delas tinha um jarro com água e um copo e na outra um jarro vazio, decerto para colocar flores. Do lado direito da cama havia um pequeno banco e, por trás da cama, havia uma grande janela que mostrava as luzes brilhantes da grande cidade no céu azul-escuro.
Ao ver a figura deitada, e praticamente sem vida, uma enorme vontade de chorar atinge novamente a rapariga. Ling leva as mãos à boca e consegue evitar uma nova onde de choro. Mentalmente culpava-se do que tinha acontecido no combate. Sabia que se Kai não insistisse em protegê-la nada daquilo teria acontecido. Pelo menos, era o que pensava. Os outros foram entrando lentamente, nenhuma palavra foi proferida por eles. Saber que Kai estava bem trazia-lhes um alívio enorme, mas vê-lo naquela cama, de olhos fechados, sem fazer um dos seus típicos discursos cheios de frieza, mesmo por vezes sendo fingida, preocupava-os.
O médico e Miya sabiam que, por eles, ficavam lá o resto da noite até Kai acordar, mas ele tinha de descansar. O Sr. Dickinson estava junto de Miya e sentia um peso na consciência por ver o rapaz daquela maneira. Tinha sido por sua culpa. Aquilo começara por ter medo de Boris. Por ter medo que ele ferisse alguém caso não cumprisse as ordens dele. Mas agora via que estavam a haver mais feridos com as ordens cumpridas do que provavelmente haveriam se tivesse denunciado as ameaças em primeiro lugar. Já não havia nada a fazer, sabia disso. E sabia também que o fim estava cada vez mais próximo.
Médico: - Meninos, está na hora. – avisou o médico, olhando para o relógio. Alguns saíram de imediato, mas Ling foi umas das que ficou. Miya foi até à filha e pôs-lhe as mãos nos ombros.
Miya: - Querida, temos de ir. – Ling olhava o rapaz, sem se mexer. Não queria sair dali. Olhou para a mãe e tentou pedir o que já tinha pensado várias vezes.
Ling: - Posso ficar com ele? – Miya sabia que não poderia conceder esse desejo à filha e isso era o que mais a magoava. Já temia que ela quisesse fazer aquilo, mas era algo que estava fora do seu alcance.
Miya: - Ling, não podes. Ele tem de descansar. – disse, inconformada.
Ling: - Mas... – novas lágrimas começaram a formar-se nos olhos escuros de Ling. Ela, no fundo, sabia que não havia hipóteses, mas queria tentar.
Miya: - Querida... – Miya não sabia o que dizer para convencer Ling. Quando algo lhe surgiu ouviu-se a voz do médico no quarto.
Médico: - Eu acho que não será má ideia ele ter alguém consigo para quando acordar. Talvez assim não fique tão confuso.
Ling: - Então eu posso ficar? – perguntou, surpresa. O médico assentiu com a cabeça. Ling olhou para os amigos. Estes apenas lhe sorriram, sabendo que seria melhor ela ficar com Kai e foram-se embora mais descansados. Miya olhou para a filha, com um sorriso cansado.
Miya: - Eu vou estar aqui toda a noite. Se precisares de alguma coisa, o que quer que seja, vai ter comigo, está bem? – Ling apenas assentiu com a cabeça, levemente. Miya deu-lhe um beijo na testa e abandonou o quarto.
Quando a porta se fechou, Ling suspirou. Estava finalmente sozinha com Kai. Não era a primeira vez que isso acontecera, mas decerto era a primeira vez que não tinha os olhos dele a encará-la friamente. Não, já não era friamente. Ele tinha mudado, Ling sabia disso. Ela sentia isso. Sentia-o mais próximo de si e isso era reconfortante.
Aproximou-se lentamente da cama e sentou-se no banquinho. Olhou para o rosto pálido do rapaz; os seus habituais triângulos não estavam mais lá e uma calma pairava junto dele. Não tendo a certeza do que fazia, Ling agarrou na mão de Kai, que estava sobre a cama. A mão que estava livre foi-se aproximando lentamente do rosto pálido. Hesitou um pouco, mas logo tocou levemente no rosto dele. Não sabia se era certo fazer aquilo, mas já o tinha desejado milhares de vezes que nem se conseguia conter mais.
No mesmo segundo que colocou a mão, retirou-a. Deixou a mão descansar sobre a cama, enquanto a outra continuava a segurar a de Kai. Olhou pela janela e viu o céu escuro. Estava sem estrelas e as únicas luzes visíveis eram as da cidade. Já sabia o motivo de tudo aquilo se estar a passar, mas ainda não o compreendia de todo. Continuava confusa, mas isso não importava no momento. Durante o combate apercebera-se de uma coisa. Podia perdê-lo.
A pessoa que mais amava poderia desaparecer da sua vida para sempre, sem que pudesse fazer nada. Sem que ao menos lhe dissesse o que sentia. Durante todo o tempo em que esteve na sala de espera ponderou sobre o assunto. Sobre ele nunca saber o que ela sentia, sobre nunca obter uma resposta por parte dele. Amava-o, sabia disso. Mas não era algo que ela precisasse saber, era ele quem o precisava ouvir.
Ling não percebera quando, ao certo, ele começara a dar sinais de despertar, mas a sua atenção sobre a cidade foi quebrada ao sentir a mão de Kai. Olhou para ele, enquanto os olhos dele começavam a abrir-se. O rapaz tentou levar o braço esquerdo à cabeça, mas não o conseguiu mexer por causa do gesso.
Ao abrir os olhos por completo, e começar a tomar consciência de onde poderia estar, Kai olhou para a pessoa ao seu lado. Não retirou a sua mão de junto da dela, apenas limitou-se a segurá-la também. Demorou um pouco a habituar-se à luz, por isso não viu as pequenas lágrimas que se quiseram formar nos olhos de Ling. Estava feliz, ele tinha acordado.
Kai: - Onde é que eu estou...? – perguntou, um pouco tonto.
Ling: - Estás no hospital. – respondeu, num tom de voz mais baixo que o habitual.
Kai: - No hospital? – perguntou, ainda com os olhos semicerrados.
Ling: - Depois do teu combate com o Alexander desmaias-te. Uma ambulância foi buscar-te ao estádio logo depois. O médico disse que tens uma ligeira fractura no braço e que as tuas feridas não são graves. Perdeste muito sangue, mas não foi nada. Estiveram a fazer-te exames, nada demais. Vais ficar bem. – explicou. Kai olhou para o tecto branco, pensativo.
Kai: - Eu perdi... – disse, vagamente.
Ling: - Desculpa...por minha culpa...tu... – não conseguiu continuar. Estava a chorar novamente.
Kai: - Não tens a culpa. – disse, no seu tom normal, sem olhar a rapariga.
Ling: - Tenho sim! – disse pondo a mão livre em frente dos olhos e fazendo força para parar de chorar. Kai olhava para ela, cansado. Não gostava de a ver triste, mas aquilo estava a piorar. Ele teria de fazer alguma coisa para ela compreender de uma vez.
Kai: - Pára de chorar! – disse num tom sério e autoritário. Ling parou de imediato e olhou para ele, um tanto assustada. – Quantas vezes tenho que te dizer que a culpa não é tua? O teu pai, a tua equipa, eu...tudo o que aconteceu foi culpa única e exclusivamente do Boris!
Ling: - Mas é por causa de mim que... – Ling não conseguiu continuar, pois Kai interrompeu-a.
Kai: - Será que não ouves o que eu te digo? – perguntou já irritado. – A culpa não é tua, é do Boris. – Ling ficou a olhar para o rapaz em silêncio. Ele tinha razão. O único culpado era Boris. Um pequeno sorriso formou-se no rosto da jovem.
Ling: - Obrigado. – ao ver a expressão dele suavizar, decidiu que estava na altura de fazer o que tinha em mente. – Kai, há algo que eu te quero contar. – o rapaz olhou para ela, intrigado. – Há já algum tempo que eu tenho isto guardado dentro de mim e acho que está na altura de to dizer. Isto é algo complicado para mim. Eu...eu nunca pensei sentir isto por alguém na minha vida. Pensava que não era para mim. Mas eu realmente fico feliz por tudo o que aconteceu, por te ter conhecido e por ter estado ao teu lado. – a cada palavra que Ling dizia o seu sorriso ganhava um maior brilho e Kai ficava mais confuso. – Bem, o que eu quero dizer é...eu gosto de ti! – disse fechando os olhos e sentindo as suas faces aquecerem. – Não, é mais que isso... – Ling olhou para Kai, séria. – Eu amo-te.
Kai não conseguiu evitar a expressão de espanto. Então...ela amava-o? A ele? Não era a Alexander? Lembrou-se do último dia que passaram em França. Ele perguntara-lhe por motivos inexplicáveis, mas perguntara-lhe. E a resposta dela tinha-o confundido.
" - É claro que não! De onde raio é que foste buscar essa ideia? Eu seria incapaz de me apaixonar pelo Alexander.
- E porquê?
- Porque... eu... eu amo... outra pessoa..."
Era dele de quem ela estava a falar naquela noite. Mas então a amizade que tinham construído tinha sido na base do amor que ela sentia por ele? Isso indignava-o, mas não conseguia irritar-se com ela. Não depois daquilo. Suspirou e olhou para Ling, cansado.
Kai: - Eu não sei que dizer...
Ling: - Não digas nada! Quer dizer, leva o tempo que precisares, eu não tenho pressa. Apenas não queria manter isto guardado só para mim. – disse, sorrindo. – Eu só queria pedir-te uma coisa: que não deixemos de ser amigos, por favor!
Kai: - É uma promessa. – disse segurando com mais força a mão de Ling
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Aeroporto, 11: 25
- Ah, finalmente no Japão! – disse uma jovem enquanto olhava pelas janelas do aeroporto e observava os princípios da cidade.
- Para ser sincera, eu nunca pensei que fôssemos conhecer este país depois do nosso combate em França. – comentou uma segunda rapariga de longos cabelos liláses amarrados num alto rabo-de-cavalo. A jovem ao seu lado ajeitou os cabelos azuis e olhou para a líder.
Miharu: - Haruka, tu sabes que ninguém pode impedir as Night Girls de cumprir os seus objectivos. Ou por acaso já te esqueceste que ninguém nos pára?
Haruka: - É claro que não me esqueci Miharu, mas nós falhámos a promessa que tínhamos com o Sr. Dickinson. Eu nunca me vou perdoar por isso. – lembrou, ficando mais séria.
Rika: - Meninas, o que se passa? Porque estão tão sérias? – perguntou a menina de cabelos de mel aproximando-se das companheiras.
Miharu: - Rika, chega aqui! – chamou Miharu. Quando as duas se juntaram a jovem de cabelos azuis sussurrou qualquer coisa no ouvido da outra. À medida que Miharu falava um brilho crescia nos olhos azuis de Rika.
A pequena afastou-se um pouco do local para fazer de contas que não passara por lá. Haruka, no momento, estava demasiado distraída, por isso o plano deveria funcionar. Rika aproximou-se lentamente da líder e posicionou a câmara. Fez o zoom e ajustou os ângulos. Ao obter a expressão de raiva e insatisfação perfeita por parte de Haruka, a menina preparou-se para disparar. Mas quando ia a carregar no botão o seu dedo toca no botão do flash, fazendo o mesmo disparar quando Rika tirou a fotografia. No exacto momento, Rika engoliu em seco temendo o pior.
Miharu: - Oh não... – Miharu levou a mão à cabeça desejando nunca ter tido aquele plano.
Haruka: - Rika... – os olhos vermelhos de Haruka encaravam a outra em chamas. Uma péssima aura negra rodeou a jovem de cabelos lilás e Rika apenas suava frio vendo a líder aproximar-se.
Shiori: - Meninas, já podemos...ir? - a rapariga de cabelos de vinho ficou a olhar espantada para a cena à sua frente. Haruka agarrada ao pescoço de Rika balançava a pequena enquanto Miharu tentava a todo o custo soltar Rika das mãos de Haruka. Shiori decidiu não se meter ficando apenas a observar a cena que se desenrolava com uma gota. Se ela ao menos tivesse uma máquina fotográfica...
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A manhã há muito tinha decido entrar pelas janelas enormes do quarto de hospital. Aos primeiros raios de sol, Kai despertou não conseguindo dormir mais. Durante toda a manhã tinha estado a observar Ling. A rapariga tinha ficado junto dele a noite toda e agora dormia com a cabeça deitada no corpo dele. As mãos deles continuavam juntas, sendo a vez de Kai segurar a de Ling.
"Eu amo-te."
Desde que despertara essas palavras tinham ecoado na sua cabeça. Nunca imaginara que tal coisa pudesse ser verdade. Mas isso era o que menos importava no momento. Tinha de lhe dar uma resposta, mas na verdade não tinha uma. No início tinha-a odiado. Sabia que a sua entrada para os BBA Revolution não era por uma simples falta de elementos e isso sempre o intrigou. Pensava que ela tinha algum plano, mas à medida que a ia conhecendo via que não podia estar mais errado.
À medida que o tempo passava aquele seu sorriso calmo e alegre ia-o derrotando. Tudo o que acontecia com ela tornava-se mais pessoal para ele. Quando soube a verdade sobre ela muitas perguntas foram respondidas e sentiu-se na obrigação de ajudá-la. Mas quando fora prometer-lhe protecção já ia esquecido de quem era e do seu hábito frio. Já a olhava de forma diferente e não o conseguia evitar mais. De facto, ela tinha-o derrotado.
Mas daí a conseguir dar-lhe uma resposta...não sabia se era capaz. Nunca tinha se dado ao luxo de viver uma loucura adolescente. De se deixar levar pelos instintos, sempre fez as coisas pela lógica e pela razão. Apaixonar-se, amar alguém, ter um desgosto e voltar a encontrar o amor não constava da sua lista de lógica racional. Mas tinha de admitir: ela mexia com ele de uma forma que ele já nem controlava. Tinha-se habituado demais à companhia dela e quando não a tinha por perto começava a sentir a sua falta. Amor? Olhava para ela como uma boa amiga, mas amor? Já não sabia nada, já não percebia nada. Tinha que esclarecer aquilo. Tinha que falar com alguém.
Enquanto deambulava nos seus pensamentos, a jovem de cabelos pretos começava a dar sinais de despertar. Ling levantou a cabeça devagar ainda com os olhos semicerrados. Com a mão que estava livre esfregou os olhos numa tentativa de focar melhor o local. Olhou para Kai que continuava deitado e observava-a atentamente. Corou com o acto do rapaz e sorriu timidamente.
Ling: - Bom-dia. Já acordaste à muito tempo?
Kai: - Não conseguia dormir. – respondeu um tanto aborrecido.
Ling: - E eu só tenho estado a dormir este tempo todo. – disse sentindo-se um pouco envergonhada. Quando Kai estava prestes a dizer alguma coisa, o estômago de uma certa menina decide mostrar-lhe à quanto tempo ela não comia. Ling ficou com o rosto no tom de um tomate. – Bem, eu suponho que está na hora de tomar o pequeno-almoço. Já comeste?
Kai: - Ainda não. – respondeu com um pequeno sorriso devido ao ocorrido.
Ling: - Mas não vieram trazer-te o pequeno-almoço? – perguntou, estranhando aquela atitude por parte das enfermeiras. Kai virou a cara e corou de leve.
Kai: - Eu disse-lhes para virem mais tarde, tu estavas a dormir. – Ling corou novamente. Ele não tinha comido nada para não a acordar. Sorriu e decidiu que estava na hora de ambos comerem.
Ling: - Então vou falar com a minha mãe e pedir-lhe que nos arranje o pequeno-almoço. Já volto. – e pela primeira vez desde que Ling se sentara à beira da cama de Kai, as mãos de ambos soltaram-se e Ling abandonou o quarto.
Quando ela saiu, Kai iniciou a sua batalha para se sentar. Estava cansado de estar deitado e, com muito trabalho, conseguiu sentar-se. Aconchegou a almofada e encostou-se. Minutos depois ouviu barulho no corredor. Vozes bem conhecidas por ele aproximavam-se cada vez mais até que...
Hilary: - Não achas que devias fazer menos barulho, Tyson? Nós estamos num hospital e além disso o Kai deve estar a descansar, faz pouco barulho. – pediu antes de abrirem a porta.
Tyson: - Relaxa Hilary, eu não estou a falar assim tão alto. E, mesmo que estivesse, o Kai nunca se iria zangar comigo só porque lhe estraguei o sono de beleza. – comentou, demasiado relaxado ao abrir a porta. No mesmo segundo que ia pôr o pé dentro do quarto uma almofada voa em sua direcção, acertando-lhe na cara. Todos olham para dentro e vêem um Kai chateado a encará-los.
Hilary: - Estavas a dizer? – perguntou convencida. Tyson simplesmente agarrou na almofada e levou-a a Kai.
Tyson: - Bom-dia para ti também. – disse com um sorriso ao entregar a almofada.
Kai: - Tens sorte de não me teres acordado. – avisou voltando a aconchegar a almofada.
Hilary: - Então, como te sentes? – perguntou colocando-se ao lado de Tyson. Daichi aproximou-se também do líder mas focou a sua atenção na janela. Kenny manteve-se nos pés da cama.
Kai: - Estou bem. – respondeu no seu tom normal.
Tyson: - Se considerares bem a um braço ligado, a ligaduras por todo o corpo e a estares numa cama de hospital então óptimo! – comentou, sarcástico, e com intenções de picar o colega. Kai apenas olhou de canto para o rapaz.
Kenny: - Mesmo com essas coisas todas que o Tyson está a dizer, podia ter sido bem pior. Tiveste muita sorte, Kai. – lembrou o pequeno ajeitando os óculos na cabeça. Naquele momento, a porta do quarto abriu-se.
Ling: - Desculpa a demora Kai, mas a minha mãe obrigou-me a... – Ling não terminou a frase ao ver a sua equipa. – Malta! – disse de forma alegre e correndo para os companheiros. Correu para junto de Tyson e de Daichi abraçando os dois de uma vez.
Daichi: - Estavas assim com tantas saudades? Quer dizer, de mim não tenho dúvidas, mas agora do Tyson? Acho que esta noite no hospital fez-te mal, Ling. – disse o pequeno olhando para a companheira, mas não deixando de notar o olhar furioso de Tyson.
Ling: - Talvez, quem sabe? – disse vagamente olhando para o pequeno. Não continuaram, pois Miya também entrara no quarto.
Miya: - Bom-dia meninos! – cumprimentou alegre. Dirigiu-se à cama com um tabuleiro de comida na mão. – Como é quase hora de almoço já to trouxe. – disse pousando o tabuleiro na mesinha de cabeceira do lado esquerdo. – O médico disse que já não precisas destas coisas todas ligadas a ti, por isso vou tirá-las. – com as mãos delicadas de uma enfermeira desligou as máquinas e tirou os fios que prendiam Kai a elas. Enquanto Miya trabalhava os outros conversavam um pouco.
Ling: - Ainda bem que vieram. Vocês são os primeiros a vir vê-lo.
Hilary: - Bom, só conseguimos depois de praticamente arrastarmos o Tyson da cama. Sem ti é muito mais difícil despertá-lo. – Ling sorriu com o comentário.
Kenny: - Só o conseguimos levantar com o truque do balde de água. – explicou Kenny. – Devias ter visto, foi um momento único. – Tyson olhou chateado para os amigos.
Miya: - Ling, o resto fica por tua conta, está bem?
Ling: - Sim mãe, não se preocupe. – respondeu sorrindo.
Miya: - E tu vais comer tudo e tomar os medicamentos, ouviste? – com um leve olhar zangado Miya avisou Kai do que deveria fazer. O rapaz corou um pouco devido ao tom de voz usado pela mulher. Era como se estivesse a ralhar com uma criança.
Kai: - Como queira. – respondeu inconformado. Miya sorriu com a atitude do seu "genro", como gostava de lhe chamar. Despediu-se dos outros e saiu do quarto voltando ao trabalho.
Quando Miya saiu Ling sentou-se na cama, ao lado de Kai. O tabuleiro com a comida já estava em cima da mesinha, o que adiantava o serviço. Ling pegou na faca e no garfo e começou a partir o bife que estava no prato.
Kai: - O que estás a fazer? – perguntou desconfiado.
Ling: - A partir-te o bife. – respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo. – Tu estás com o braço ligado, não o consegues partir sozinho. – essa atitude por parte de Ling causou risadas nos que assistiam a cena.
Daichi: - Ao menos ela está só a partir-te o bife, imagina que ela insiste em dar-te de comer. – comentou lembrando-se quando era a ele de quem Ling cuidava. Ela lançou-lhe um olhar furioso fazendo-o arrepender-se de abrir a boca. Enquanto Ling partia o bife, Kai lembrou-se de algo.
Kai: - Amanhã é a final. Também vais ficar aqui?
Ling: - Porque perguntas? – Ling olhou o rapaz com um sorriso calmo. O facto dela estar tão perto fez Kai corar um pouco.
Kai: - É porque tens que combater, não tens? – perguntou tentando recuperar a sua pose. Ling sorriu e olhou para Tyson. O rapaz retribui o sorriso e decidiu explicar.
Tyson: - Não te preocupes Kai, ela não te vai abandonar. – Kai franziu a testa, irritado. – Nós temos uma pequena estratégia quanto a isso.
Kai: - E qual é? – perguntou um pouco desconfiado.
Tyson: - Amanhã, no combate contra os The Demons, vou ser eu e o Daichi. A Ling não vai combater na final.
Continua...
Xia: - O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊ? – ao som da minha voz estridente o estúdio todo abana e quase vai abaixo.
Dimitri: - Wow, acalma-te lá Taichou, eu sou só o mensageiro.
Xia: - Como é que queres que eu me acalme? Eu, Xia Matsuyama, estou sem guarda-costas! Outra vez!
Ivan: (que decidiu vir saber o que se passava ao ouvir o meu grito) – Mas não podes contratar os dois idiotas outra vez?
Xia: - Estás louco? Eu nunca, NUNCA mais vou contratá-los. E eu a pensar que poderia pagá-los...eles arruinaram-me! Se eu os contratasse mais um dia que fosse nós iríamos transmitir o Cantinho directamente de debaixo da ponte!
Miharu: - O que podemos fazer agora? – a minha assistente também se quis juntar à festa.
Xia: - Sei lá o que podemos fazer agora. Se eu soubesse não estava neste estado! Eu não acredito que o estúpido do Kai se despediu para poder andar a passear com a Ling e que o Tala se despediu porque o Kai também o fez! Será que eles já não se preocupam com a chantagem? O que é que eu vou fazer? O que é que eu vou fazer?
- Não se preocupe, nós vamos ajudá-la! – de repente três vultos aparecem no meio do estúdio. Como são vultos não lhes vemos as caras, mas sabemos que um tem um leque aberto em frente da cara...
Dimitri: - Ai sim e quem são vocês? – perguntou o loirinho, desconfiado.
- Nós somos simplesmente aqueles que intercedem pelas mulheres. Sempre que uma mulher está em perigo, nós corremos em seu socorro. Sempre que uma mulher está triste, nós vamos animá-la. Sempre que uma mulher tem problemas, nós vamos ajudá-la!
Xia: - Não...pode...ser...
Miharu: - O quê? O que se passa Taichou? – naquele momento os três vultos dirigem-se a mim finalmente revelando-se. O do leque guiava o grupo e demonstrou ter cabelos loiros e olhos azuis. Mais atrás vinha um rapaz moreno de cabelo azul e olhos como o mel e ao seu lado vinha um rapaz de cabelos pretos e olhos cinzentos.
- Não se preocupe menina, nós vamos resolver o seu problema. – disse o loiro agarrando a minha mão de forma muito delicada e educada.
Xia: (corando muito) – Ah, sim, pois, huh...Espera aí, o que pensas que estás a fazer? Não! O que vocês pensam que estão a fazer aqui? Nokoru, Suoh, Akira, o que significa isto? – yup, são os detectives da escola Clamp. Quem diria que viriam por mim?
Nokoru: - Bem, nós viemos ajudá-la.
Akira: - E trouxemos bolinhos. n.n – estende um cesto cheio de doces.
Xia: - Obrigado. – pego no cesto e dou-o ao V.D.A.B.. – Mas expliquem lá, vocês vieram ajudar-me?
Nokoru: - Sim, o que quer que nós façamos?
Xia: - Hum, receber a ajuda dos detectives Clamp não era nada má ideia...Como devem saber os meus guarda-costas decidiram dar de frosques e eu fiquei sem ninguém para tomar conta do estúdio.
Suoh: - Se quiser eu faço de guarda-costas por esta noite.
Xia: - Não, é muito querido da tua parte, mas não é isso que tenho em mente. Além disso o Nokoru deve dar-te imenso trabalho. – olhares furiosos para minha pessoa. – Mas eu gostava que vocês me fizessem um favorzinho. Queria que vocês me encontrassem duas pessoas indicadas para serem os meus guarda-costas.
Suoh: - São à nossa escolha?
Xia: - Céus, não! Eu já vos dou as informações que precisam. São ambos homens. Adultos. Ambos tem o cabelo loiro, no entanto um tem o cabelo curto, parecido com o do Dimitri e o outro tem o cabelo longo e liso. O de cabelos curtos tem os olhos dourados, assim parecidos com o do Souh-kun e o de cabelos compridos tem os olhos azuis e usa uns óculos pequenos.
Nokoru: - Mais alguma coisa? – perguntou enquanto acabava de tomar notas.
Xia: - Querido, eu não te vou dificultar as coisas. Eu quero que vocês me tragam ao estúdio, do anime Loveless, Agatsuma Soubi (cabelos compridos) e do anime Gravitation, Yuki Eiri (obviamente o de cabelos curtos).
Dimitri/Ivan: - O QUÊ? Vais mandar buscar dois tipos de animes de yaoi?
Xia: - E depois? Algum problema? Ò.Ó
Dimitri/Ivan: - n.n'' Não, nenhum!
Nokoru: - Não se preocupe, nós iremos trazer os seus guarda-costas em breve. – e com isto os três detectives vão-se embora.
V.D.A.B.: - Taichou. – olho para o meu empregado. – Eu não queria estragar a sua alegria, mas o Cantinho já começou...
Xia: - Como assim já... – olho para o público que acena para mim maldosamente. – Ok, obrigado. – ele vai-se embora. – IVAN! – no mesmo segundo o rapaz vai para a cabine de locutor.
Ivan: - Leitoras e leitores, escritoras e escritores sejam todos bem-vindos à 24ª edição do Cantinho da Xia! Convosco, seriamente atrasadas, Xia Matsuyama e Miharu Kinomoto!
Xia: - Olá minna! Antes de mais desculpem lá aquele início, mas quando uma pessoa perde os guarda-costas a vida torna-se complicada. Só espero que os rapazes me encontrem aqueles dois.
Miharu: - Uma pergunta Taichou. – olho para a minha assistente, curiosa. – Qual foi a ideia de mandares buscar aqueles tipos?
Xia: - Simples. Um irrita-me e o outro fascina-me.
Miharu: - Em que ordem? – perguntou franzindo a testa.
Xia: - O Soubi irrita-me. Acho que para quem conhece Loveless percebe e o Yuki fascina-me. (olhos brilham)
Miharu: - ¬¬' Ah pois...Passando ao capítulo foi...romântico? Sinceramente, acho que a definição melhor é ser a tua cara, Taichou.
Xia: - Obrigado Miharu! – grande sorriso da minha parte.
Miharu: - Não era um elogio... – felizmente para ela eu não ouço.
Xia: - Vamos ver as reviews... , não tens que agradecer. É meu dever como escritora responder às pessoas que lêem E comentam a fic. Sim, aquilo é sobre o tal P.S. que me deixaste na primeira review e só para que saibas já fiz a do teu casal favorito. Irei postá-la no blog das fics em breve. Tudo nas mãos da Ling? Como se ela não vai combater? Eu sou má! xD Ah – lá estava eu pronta para responder quando aparecem quatro loucos desvairados no meio do estúdio vestidos de fatinho e com ramos de flores na mão. A Miharu e grande parte do público não se aguentam e desatam a rir.
Miharu/Público: - ! xD
Xia: (tentando abafar o riso) – Bem, isto é...diferente. – os The Demons eram os quatro loucos desvairados de fatinho e ramos de flores em mãos.
Dimitri: - Deixa-nos em paz Taichou! Nós viemos aqui agradecer pessoalmente pela demonstração de respeito e de admiração de uma das nossas fãs e vocês querem estragar tudo!
Alexander: - De facto, acho que merecemos um pouco de respeito enquanto vamos agradecer à menina. Como líder dos grandes vencedores do campeonato...
Xia: - Primeira eliminatória. u.u
Alexander: - ¬¬ Que seja! Como líder dos The Demons agradeço-te pelo apoio. Temos aqui flores que depois irão ser-te entregues pelos contactos da Taichou. – lanço-lhe um olhar furioso.
Ivan: - Pá, não se esqueçam que ela nos acha BEM GIROS!
Nicolau: - Só tu para ficares por aí. u.u – Ivan lançou-lhe um olhar furioso - o regresso.
Dimitri: - Esquece-o Ivan. O que interessa é que sabemos que teremos o apoio de mais uma das nossas fãs para vencer o campeonato. E só para que ela saiba, o meu número de telemóvel vai junto com as flores. ;p
Xia: - ¬¬ Eu mereço...bom se não se importam eu agora gostava de fazer a preview do próximo capítulo:
Os truques podem estar em cada canto, ao virar da esquina. Quando pensamos que está tudo nas nossas mãos as esperanças podem esvanecer-se das nossas mãos como fumo. Rostos alteram-se em nome da vitória, sentimentos nunca antes sentidos mostram finalmente a sua face. O final que se ansiava esconde-se esperando um novo momento para atacar. Capítulo 26: O princípio do fim – Parte I
Xia: - E aqui está! Como já deu para perceber este capítulo irá ser dividido em duas partes. Nestes últimos capítulos as coisas estão a ficar mais tensas e o que é uma boa fic sem um capítulo dividido ao meio:p Acho que já está tudo por hoje, por isso está na hora de fechar o Cantinho. Dimitri, é contigo!
Dimitri: - Certo! Minna! Vejam lá se não concordam comigo quando digo que o capítulo foi chato. Concordam não é? Eu sabia! (sorriso Pepsodent) De qualquer forma esperamos as vossas opiniões aqui no Cantinho e as vossas perguntas, se tiverem. Até ao próximo capítulo onde nós, os grandes The Demons, demonstramos mais uma vez como somos poderosos!
Jinhos minna-san!
Bye, bye!
