Capítulo 24:
A despedida

Bella's POV

As lágrimas que teimavam em tentar cair pelo meu rosto maquilhado tinham, simplesmente desaparecido. Todo o meu medo, todo o meu receio ou angustia estavam, como que por magia, evaporados do meu corpo, da minha alma. Com o olhar de Edward sobre o meu, dizendo-me em silêncio que me amava, eu tinha coragem para dar um passo em frente, entrando na igreja e enfrentando as várias dezenas de pessoas que, naquele momento, olhavam para mim.

Eu parecia não ter coragem de deixar de olhar Edward, mas, por um momento, atrevi-me a olhar em redor, observando os rostos de todos os convidados. Ao lado de Edward estavam Carlisle e Esme. Do outro lado, Renée olhava-me com uma tímida lágrima no canto dos olhos. Na primeira fila, os restantes Cullen, Phil, Angela e Ben. Continuei a passar os meus olhos pelos convidados. Vi os meus ex-colegas de escola e os respectivos pais, vi os policiais da esquadra que trabalham com Charlie. Vi quatro mulheres lindas e de olhos dourados que suspeitei serem Tanya e as suas irmãs, vindas de Denali. Vi imensas pessoas e, por uns instantes, gelei ao ver Billy acompanhado de Sue Cleanwater e do filho dela, Seth. Mas Jacob não estava ao seu lado, assim como não estava sequer na igreja. Senti-me triste por ele não se encontrar ali, mas, ao mesmo tempo, uma onda de alívio correu-me o corpo. Jacob não estava, mas Enyo também não.

Cheguei ao pé de Edward e não consegui deixar de sorrir. Charlie passou o meu braço para ele e trocaram um olhar de camaradagem. Paramos em frente ao altar, a minha mão sobre o braço dele, um sorriso verdadeiro no meu rosto e ambos fixamos o olhar no padre à nossa frente, que começou a discursar de imediato. Pouco depois, viramo-nos frente a frente, de modo a que pudéssemos dizer os nossos votos e trocar alianças. As minhas mãos na dele tremiam levemente e Edward sorria-me, acalmando-me.

Foi então, quando Edward estava prestes a iniciar os seus votos, que uma corrente de ar gelado passou por mim e me fez arrepiar por completo. Vi Edward olhar para o lado, para a porta da igreja, de uma forma totalmente discreta, e um sorriso estranho, um misto de felicidade e tristeza, esboçar-se-lhe no rosto de porcelana. A medo, imitei-o olhando também para a entrada. E, do nada, era como se alguém me tivesse dado um valente murro no estômago e todo o meu peito ficasse, subitamente, sem ar.

Mesmo ao fundo, em pé, encostados a uma das colunas do lado esquerdo, encontravam-se duas pessoas. Ou talvez devesse dizer dois deuses, já que o nível de perfeição e de esplendor dos seus corpos era mais que divino, era colossal. Eu quase que conseguia ver a aura de brilho que envolvia os dois e, ao mesmo tempo, parecia que mais ninguém reparava neles. E, subitamente, consegui perceber o sorriso de Edward, já que, naquele momento, era um igual que rasgava o meu rosto.

Jacob estava... indescritível! Vestia um tuxedo negro, de corte super moderno, que eu poderia jurar ter visto numa das revistas de alta costura de Alice. Pelo que eu conseguia perceber, não usava gravata nem laço, tinha o primeiro botão da camisa branca aberto e um ar de informal elegância que eu nunca imaginei possível nele. Ele sorria, um sorriso ladino e fantástico que eu nunca vira no seu rosto. Os olhos escuros brilhavam e os cabelos negros encontravam-se lisos, perfeitamente cuidados e brilhantes, com algumas mechas sobre o rosto, deixando-o terrivelmente atractivo. Foi então que eu, finalmante, percebi. Aquele não era mais o meu Jacob. Aquele era o Jacob dela.

Ela, que tinha uma mão apoiada no ombro dele e que nos dirigia um sorriso ladino. Ela, que trazia os cabelos negros definidos com ondas grandes e delineadas, enquadrando-lhe o rosto de deusa e os olhos ferinos. Ela, que usava um vestido negro de cetim - ou seria seda? - com várias dobras vincadas, apenas tapando-lhe um ombro pálido, contornando-lhe o peito, terminando numa saía curta que, do lado direito, caía até quase ao chão, deixando-lhe uma perna de modelo exposta. Ela, a mulher que eu mais odiava e invejava no mundo.

'Deixa de olhar para nós e casa-te, idiota!'

A voz dela na minha mente foi como um despertar para a realidade, um despertar para encontrar os olhos de Edward sobre os meus e o seu sorriso. Eu não podia esquecer a presenta de Enyo e de Jacob nos fundos da igreja, não podia. Mas podia, e devia, fazer com que isso não me incomodasse mais nesse momento. Sorri.

- Eu, Edward Cullen, aceito-te a ti, Isabella Marie Swan, - recitou ele, sem desviar os olhos dos meus e colocando, delicadamente, a aliança de ouro no meu dedo anelar - e juro amar-te e respeitar-te, por todos os dias da minha vida, sem que nada, nunca, nos separe!

Era estranho sentir o peso que aquele anel fazia sobre o meu dedo. Não eram mais que duas gramas e, mesmo assim, parecia que todo o mundo estava depositado ali. Respirei fundo, tentando acalmar-me e não deixar que, desta vez, lágrimas de felicidade escorressem pelo meu rosto.

- Eu, Isabella Swan, aceito-te a ti, Edward Masen Cullen, - repeti, pegando na aliança e, tremendo, colocando-a no dedo dele - e juro amar-te e respeitar-te, por todos os dias da minha vida, sem que nada, nunca, nos separe!

Eu juro que não ouvi o padre proferir o habitual 'Declaro-vos marido e mulher' nem o 'Pode beijar a noiva'. Também não ouvi as exclamações dos convidados, nem as palmas, nem nada. Era como se eu estivesse completamente sozinha com Edward naquela igreja, como se o nosso amor fosse secreto e o nosso casamento um segredo dos deuses.

Senti os lábios frios dele contra os meus, num beijo intenso e, ao mesmo tempo, delicado, selando toda aquela cerimónia. E, depois, todo o barulho dos convidados, todas as exclamações, palmas e euforia, irromperam no ar, voltando a chamar-me, a chamar-nos, para a realidade. Senti o braço dele sobre a minha cintura enquanto nos virávamos para os convidados, sorrindo de pura felicidade. Então, os meus olhos escaparam para os fundos da igreja, para a coluna da esquerda.

Eles já não estavam lá, mas algo me dizia que eu ainda os voltaria a ver naquele dia.

.X.

A festa que seguiu o casamento estava a ser fantástica. Todos os convidados elogiavam os Cullen pela organização e Alice agradecia satisfeita. Haviam pequenas mesas com comida e aperitivos para os convidados e uma mesa maior com o bolo que ainda não havia sido cortado. Uma música calma soava no salão e as pessoas iam dançando, aos poucos.

Bella dançava uma valsa com Charlie enquanto Edward dedicava aquela dança a Esme. Do outro lado da pista, Rosalie e Emmett rodopiavam levemente enquanto que Renée se deixava conduzir por Carlisle. Alice conversava com uma das vampiras de Denali e Jasper... Jasper encontrava-se a um canto, com as mãos no bolsos e uma expressão de quem se estava a divertir enquanto ria. Bella prestou mais atenção ao loiro e então percebeu. Ele conversava animadamente com Enyo.

Desviou os olhos para a outro ponta do salão e pode ver Jacob à conversa com Billy, Sue e Seth. Afastou-se de Charlie quando a valsa terminou e, a custo, caminhou até perto de Jacob. O moreno sorriu-lhe quando ela se aproximou.

- Parabéns pela festa, Mrs. Cullen - disse Jacob, virando-se para Bella. - Está divinal!

- Agradece à Alice, ela é que organizou tudo - respondeu a morena.

- Achas que o teu marido se importa se eu te roubar para uma dança? - perguntou o Black, estendendo a mão.

- Acho que não - murmurou, sorrindo, e colocando a mão sobre a dele, permitindo que lhe puxasse para a pista de dança. - Tu estás... muito diferente.

- A Enyo é louca - riu-se ele, conduzindo-a calmamente pelo salão. - Fomos a New York hoje de manhã e ela comprou mais de metade das lojas de alta costura.

- New York? - adimrou-se a morena.

- Ela tem um jacto particular - contou Jake, revirando os olhos. - Não me vou conseguir habituar ao estilo de vida dela tão cedo. Vai ser complicado.

- Por quê? - indagou Bella, olhando para o rapaz, que, imediatamente desviou os olhos dela.

O silêncio instalou-se entre eles. Jake não lhe respondeu, mas não foi preciso. A nova Cullen olhou para o lado e viu Enyo a conversar com Charlie, que parecia levemente desapontado com algo. Aproximaram-se enquanto dançavam e ela pode ouvir o que diziam.

- É uma pena, Dra. Valdis, o hospital de Forks já estava habituado consigo - comentou Charlie.

- Eu sei - disse ela, sorrindo suavemente. - Mas eu não posso, de forma nenhuma, recusar o convite do Hospital de Oxford. É uma oportunidade única!

- Eu sei que não tenho nada a ver com isso, mas - começou Charlie. - Então e o Jacob? Vai despedaçar o coração do rapaz.

- É claro que não - ela gargalhou e o Swan olhou-a, confuso. - Ele vem comigo!

- O quê? - interrogou Bella, encarando Jake de olhos arregalados. - Tu vais deixar La Push?

- Eu não sou mais bem-vindo à alcateia, Bella - contou ele, baixando levemente os olhos. - Eu tive de optar entre eles e a Enyo e fiz a minha escolha. Eles não precisam de mim e o meu pai ficará bem com Sue.

- Mas é ridículo! - protestou a morena, parando de dançar a um canto e encarando o amigo. - Vais para Oxford? Fazer o quê?

- Estudar - respondeu ele, colocando as mãos nos bolsos e ainda sorrindo de lado. - A Enyo já tratou dos documentos todos, vou terminar a escola lá e depois escolho um curso. Ela até se matriculou na mesma escola que eu, diz que vai regressar à universidade de novo.

- Eu não acredito nisto! - exclamou ela, ainda abismada. - Tu vais mesmo deixar La Push!

- Bella, tu escolheste morrer por amor - disse ele, simplesmente. - Eu escolhi deixar a reserva, ter uma nova e completamente diferente vida com ela - suspirou. - Ela fez-me ver que a vida é feita de escolhas. Eu não posso permitir que ela renuncie à vida dela sem lhe dar nada em troca. Eu virei a La Push, ocasionalmente, ver o meu pai e os meus amigos, mas não poderei continuar aqui.

- E eu? - questionou ela, em voz baixa. - Como e quando poderei eu ver-te?

- Ah, Bella! - exclamou ele, passando a mão sobre o rosto da amiga. - A eternidade é muito tempo. De certo que os nossos destinos se cruzarão um dia.

- Mas-

- Tal como te disse - interrompeu, limpando uma lágrima que ousava tentar cair dos olhos da rapariga. - Tu fizeste a tua escolha, eu fiz a minha. Não nos podemos culpar por serem escolhas opostas.

- Bella - chamou Edward, parando atrás deles - Jacob.

- Sim, Edward? - indagou o Black, encarando-o.

- Eu gostaria de vos perguntar, aos dois, se não se importam que eu dance uma música com a Enyo - pediu ele, em voz baixa, perante o olhar admirado de Bella e o inexpressivo de Jacob.

- Nós conhecemos-nos com uma valsa - comentou Enyo, aparecendo atrás do Black e deslizando uma mão sobre as costas do moreno. - Despedir-nos-emos com um tango! Isto se ainda souberes dançar, Edward!

- E se o teu namorado mo permitir - completou o Cullen, olhando para Jacob que apenas sorriu em resposta. - Bella?

- Claro - murmurou, sem tirar os olhos do marido.

- Miss Valdis - chamou Edward, fazendo uma pequena vénia. - Dá-me a honra desta dança?

Enyo não respondeu, olhou para Jake, proferindo um 'confia em mim' apenas com os lábios, imperceptível aos restantes, apoiou a mão sobre a do Cullen e ambos caminharam, delicados, até ao centro da pista de dança. Alice parou a valsa e trocou-a por um tango. Ambos se prepararam. Edward parado, Enyo à sua frente, os braços no ar, cruzados acima da cabeça, o olhar no chão, ambas as pernas flectidas sensualmente. Bella olhou para as sandálias negras e brilhantes que Enyo usava e arrepiou-se ao ver o salto demasiado alto.

A música começou, alta, chamando a atenção dos convidados que os olhavam curiosos, não percebendo o motivo daquilo. Edward caminhava lentamente em volta de Enyo, que sorria, movimentando o corpo com uma suavidade única. Ela inclinou a cabeça para trás ao mesmo tempo que o braço de Edward lhe contornava a cintura e a puxava para si.

Encaravam-se, as mãos sobre os corpos e perto dos respectivos rostos. Valdis rodopiou rapidamente duas vezes entre os braços do Cullen e ambos marcaram na música, esticando as pernas para trás. Giraram os dois, ao mesmo tempo que a perna dela se enlaçava nos quadris do rapaz, terminando com uma inclinação para trás, em que Enyo curvou as costas e deixou pender a cabeça, fixando o olhar no de Bella e sorrindo-lhe provocantemente.

Voltou a endireitar-se, segurando a nuca de Edward e olhando-o nos olhos, vendo uma sombra negra sobre as íris douradas. Fizeram uma troca de passos, enquanto rodavam em volta deles mesmos e atravessaram o salão em seguida. Valdis voltou a rodar duas vezes entre os braços do rapaz e se deixou cair nas mãos dele, voltando para a posição inicial rapidamente e trocando um novo conjunto de passos rápidos.

Edward rodou-a, deixando que ela se afastasse, para então soltá-la num movimento marcado, e virar-se de costas, tal como a música mandava. Baixou a cabeça, seguindo a música e esperou. Enyo, por sua vez, deu dois passos rápidos e marcados em direcção ao Cullen, abraçou-o por detrás, colando a lateral do rosto às suas costas, subindo a perna desnuda pelo corpo dele, permitindo que a mão de Edward a segurasse, e abrindo furtivamente os olhos, fiando-os novamente nos de Bella.

A morena deu um passo atrás, sentindo-se zonza e prestes a cair. O que apenas não aconteceu porque Jacob a amparou. E o tango continuava na pista.

Mais um rodopio e uma série de troca de passos. Enyo baixou-se, esticando uma perna para trás e o braço em direcção a Edward, que a segurou pela nuca e a puxou para si, voltando a unir ambos os corpos. Rodaram juntos, seguindo-se uma segunda piroeta de Enyo, no que Edward a abraçou por detrás enquanto ela inclinou a cabeça de modo a expor o pescoço ao vampiro, sempre com um sorriso nos lábios. Apoiou as mãos sobre a barriga dela, puxando-a para si, caminhando ao ritmo da música pelo salão, deixando que ela se afastasse, segurando-lhe os braços quando esta se encontrava com os lábios a escassos milímetros dos de Jacob.

Roçou os lábios nos dele, sendo em seguida puxada pelo Cullen de volta para os seus braços, rodando mais duas vezes em parceria. Os olhos colados nos dos outro, verde e dourado numa despedida silenciosa. Uniram os corpos, permitindo-se inclinar e a mão de Edward simular que percorria o corpo de Valdis. Endireitaram-se, voltando a trocar passos, ele permitindo que Enyo se afastasse do seu corpo, e voltando a enrolar-se nos seus braços, para, finalmente, rodarem, inclinando-se e marcando o último acorde do violino.

Levantaram-se enquanto as palmas dos convidados enchiam o salão. Olharam-se, digirindo-se para Jacob e Bella, a última completamente pálida. Edward tomou a esposa nos seus braços, passando-lhe uma mão sobre o rosto e sorrindo, enquanto que Enyo, se deixava envolver pelos braços fortes de Jake e roubando-lhe um caloroso beijo em seguida. Os dois olharam-se uma última vez.

- 'Y asi se baila el Tango' - proferiu Enyo, acenando com a cabeça para Edward e afastando-se com o Black.

O Cullen apenas ficou a vê-los desaparecer entre os convidados. Sabia que aquela fora a sua despedida oficial, mas tinha plena certeza de que ainda veria Enyo mais uma vez, apenas os dois nesse momento, antes de se separarem para a eternidade.

.X.

Bella's POV

Havia-me custado imenso saber que Jacob deixaria La Push em breve. Assim como me havia custado ainda mais ver Edward e Enyo a dançarem um tango tão incrível. Incrível não pelos passos, não por toda a coreografia em si, nem pela intensidade dos movimentos dos dois. Incrível pelo seu significado, pelo marcar o final de algo que eu nunca iria compreender, nem mesmo na eternidade. Mas que reparei, invejosamente, que Jacob entendia na perfeição.

Durante toda aquela dança, aquela despedida ousada e maravilhosa, eu quase morrera de ciúmes, de inveja, de aflição por ver Edward tão devotamente entregue àquela mulher. E, entretanto, Jake apenas sorria, como se apreciasse um tango entre dois estranhos e não entre a sua alma-gémea e o ex-marido dela. Seria possível que a confiança entre eles já atingisse tais níveis que nem o mais perverso dos ciúmes os atingisse? E conseguiria eu e Edward, algum dia, ter semelhante confiança quando eram aquelas duas pessoas que estavam em questão?

Tentei esquecer aquele pensamento durante o resto da festa e manter um sorriso no rosto. Os convidados riam e eu sentia-me feliz, verdadeiramente feliz. Eram cerca de onze horas quando Alice nos informou que estava na hora de partirmos. Entramos, os dois, no volvo de Edward, depois de nos despedirmos de todos e rapidamente já estávamos na estrada, a caminho do aeroporto de Seattle. O avião que nos levou até ao Hawaii partiu às horas certas.

Ainda era de noite quando chegamos ao nosso destino e percebi que a nossa lua de mel iria ser passada numa fantástica e luxuosa cabana no interior de uma das ilhas mais desertas. Havia de tudo naquela cabana, como se tivesse sido equipada de propósito para a nossa estadia ali e, em parte, eu tinha certeza que realmente fora.

Edward prometera-me uma noite de núpcias divinal e, o que ele me dera, foi, de longe, muito superior a isso. O corpo dele sobre o meu, arrancando-me suspiros de prazer e proporcionando-me o melhor momento da minha vida é algo que eu nunca iria esquecer. Se eu morresse naquele momento, eu morria uma mulher feliz, com a sensação de plenitude a correr-me nas veias.

E, finalmente, chegou o momento pelo qual eu ansiava há muito.

Ele murmurava ao meu ouvido, dizendo-me que ficaria tudo bem, que não precisava de me preocupar com nada, que seria apenas uns momentos de dor e que ele estaria sempre a meu lado. Fechei os olhos, respirando fundo, esperando pelo contacto os lábios frios dele no meu corpo. Ficaria tudo bem, eu acreditava veemente nisso.

E então, senti. A mão dele sobre a minha, segurando-a como se a protegesse. Senti um vulto impedir que a fraca luz do luar chegasse até mim, debruçando-se sobre o meu corpo, os lábios frios no meu pescoço, a minha pele a ser cortada por afiados dentes e o meu sangue a arder enquanto uma fragrância minha conhecida se instalava nas minhas narinas, fazendo-me sobressaltar. Quis abrir os olhos, mas não conseguia, o meu corpo não respondia à minha mente, não fazia o que eu lhe mandava e eu apenas sentia o meu sangue a arder.

Ardia cada pedaço, cada célula, cada parte do meu corpo, devagar e torturante. A mão de Edward ainda sobre a minha, os meus gritos desesperados e baixos a ecoarem na minha cabeça, o cheiro do demónio ainda nas minhas narinas.

Ouvi a voz de Edward a murmurar algo imperceptível e, no momento seguinte, senti que algo se perdia na minha mente. O cheiro de canela e menta já não mais estava no ar, a inveja e o ciúme desapareciam aos poucos, as imagens nítidas que eu tinha corrompiam-se lentamente, desvanecendo-se aos poucos até não mais existirem. As minhas memórias apagavam-se aos poucos, desaparecendo da minha mente. E enquanto isso, o meu corpo ardia. Permitindo o veneno consumir cada vestígio da minha humanidade, transformando-me, assim, num ser imortal.

Edward segurava a minha mão... e eu apenas ardia.


N.A.: Oi xD
Vocês sabem que a fic termina aqui? xDD
Ok, ainda falta o epílogo e o extra. Querem? Reviews, please ^^ Eu ficaria super feliz :D
Gostaram do casamento? A cena da dança foi culpa da senhora minha beta x)
Prometo o epílogo rapidinho (se comentarem) xD
Just