Uma Coleção de One-shots SasuSaku da autora Ohwhatsherface
Postagens: aleatórias.
Classificação etária: T
Não contém spoilers/ UA
Gênero das Ones: Romance/Humor/drama
Disclamer: O Naruto não é meu. D;
Sinopse: Eu não acreditava em destino. Mas tão logo procuro, você está bem ao meu lado. What a feeling!
Autora: Ohwhatsherface
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Brighter Than Sunshine
não diga uma palavra
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Ela está cansada.
E quando está cansada (a palavra que substitui estressada) ela acha que observar bebês a acalma.
Toda vez que algo dá errado no hospital - quando perde um paciente ou tem que lidar com os parentes do mesmo ou sempre que tem uma briga com seu pai sobre ele, ou sempre que tem dificuldade em aprender uma nova lição de sua mentora, ou sempre que...
Sempre.
Encontrava-se observando aqueles recém-nascidos completamente maravilhada.
Eles são bonitos, pensa, inclinando-se um pouco contra o vidro.
Ela quer um bebê.
Um dia.
Talvez em breve, enquanto sabe que seu útero ainda é saudável e capaz de lhe prover um.
O olhar de Sakura cai ate o canto direito, onde uma base improvisada serve como cama temporária para um menino de cabelinhos negros e muito macios e cujas pálpebras lentamente caem, caindo no sono. Ela sequer se move, mesmo quando percebe que alguem se aproxima de si.
"Sakura -"
"Cala a boca".
As pálpebras do menino erguem-se, revelando-lhe um tom de verde escuro, como as árvores da floresta em que varias vezes ja havia treinado. Ela se pergunta se essa e a mesma cor de seus olhos quando a vida costumava ser mais fácil. Quando tudo o que tinha para fazer era comer, dormir e respirar naturalmente. Quando ela poderia ser tão egoísta quanto quisesse e não havia pessoas importantes para perder. Não havia pessoas para curar, nem para matar, nem para confortar, nem por quem chorar, nem a quem amar.
Ela franze a testa e espera que os olhos desse menino permaneçam os mesmos, que nunca mudem. Sakura não quer que esse menino venha a ter os olhos como os dela, que vêem pessoas morrerem, ou sendo feridas ou chorando, ou perdendo-as pouco a pouco, lentamente fazendo seu interior quebrar e morrer outra e outra vez.
Ela está cansada.
"Se tivéssemos um filho, ele provavelmente se pareceria com esse menino."
Sakura pisca e não se sente mais cansada, a frase de seu companheiro a acorda.
"O- O quê?" A gagueira faz-se inevitável, esperando que ele a dissesse que nao havia dito nada e ela estava imaginando coisas.
Ele está olhando para o bebê, aquele com os cabelos negros e os olhos verdes - cujos verdes devem permanecer como são agora.
A observação dos bebês está lentamente perdendo o efeito de acalma-la - e isso tudo por culpa de Sasuke.
"Ferir você nunca foi a minha intenção."
Sakura impede o rosnar que quer partir de sua gargante. Ela o evita porque é assim que uma dama deve faze-lo, ser elegante e educada e porque não é sempre que Sasuke costuma falar. Ela teme que, se qualquer som fosse feito agora (mesmo se seu futuro-parecido filho chorasse), Sasuke imediatamente fecharia-se completamente.
Ela acena com a cabeça.
Em vez de rosnar, ela quer falar. Quer gritar e acertá-lo, mas tal comoção poderia acordar os bebês e ela se preocupava mais com o conforto deles. Uma das primeiras cenas da vida que viriam certamente não deveria ser a de um casal (bem, se podem mesmo chama-los de "um casal"?) brigando e gritando. Violência e vulgaridade não devem ser as primeiras coisas gravadas em suas mentes delicadas.
Sakura quer dizer a ele que mesmo nao querendo magoá-la, ele o fez, e que ele tem sido um cretino consigo desde seus 12 anos?
Ela acena com a cabeça novamente.
"E me desculpe se eu o fiz."
"Se?" Ela estremece quando uma palavra desliza de sua língua com amargor. Sasuke lhe envia uma acarranca e Sakura se sente um pouco culpada por soar tão furiosa. "Sinto muito."
"Não", diz calmamente. "Você não deveria se desculpar."
Ela balança a cabeça. "Tudo bem ... Você tem razão, eu não deveria."
Eles continuam a observar o menino.
"Eu não estou."
"O que eu disse ..." Sasuke começa. Ele esta calmo e fala lentamente e tão, tão inseguro sobre o que exatamente quer dizer. Ele nunca foi muito de falar. "Saiu tudo errado, Sakura..."
"Na verdade, Sasuke, acho que deu tudo certo", rosna de volta. Sakura coloca a mão contra o vidro e se inclina um pouco, enquanto um pequeno sorriso (triste) aparece em seus lábios. "Tão, tao certo..."
Ela vira a cabeça e olha para ele.
"Você estava sendo honesto, Sasuke. Eu não deveria ter esperado que mentisse pra mim e fizesse as coisas soarem melhor."
"Sakura -"
"Um dia", murmura numa voz quase entrecortada, dando um passo a frente , ficando bem na frente dele, a centímetros de toca-lo. E pode sentir o calor emanando dele e precisa de toda sua força de vontade para não pressionar-se contra ele. "Um dia", repete lentamente. "Um dia vai perceber o quanto eu significo pra você… e o quanto você precisa de mim. Um dia vai olhar pra mim."
Ela sorri tristemente.
"E eu não vou estar lá."
Ele permanece imóvel e ela se aproveita dessa oportunidade para ficar na ponta dos pés e pressionar os lábios contra os dele em um adeus final.
Porque ela está cansada demais.
E agora…
… ja teve o bastante.
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Bem, eu acho que um domingo chuvoso merece uma historia agridoce.
E vcs?
