Demorei, mas voltei. Desculpe a enrolação. Para compensar temos 3 capítulos novos.
Fico muito feliz pelo apoio de vocês, os comentários e tudo mais, até mesmo o pessoal traduzindo para o inglês para ler... Quem diria que minha fic romance que virou ação e mistério se sairia tão bem.
Tema: Infância
Boa leitura!
AS ESCOLHAS DE HANAMIZUKI
O Digivice voou da mão da menina e atingiu a escrivaninha, fazendo com que o bloco de notas e porta-canetas ali presentes voassem e fossem parar no chão. O portal permanecia aberto, esperando apenas que alguém atravessasse por ele, mas Miyako encarava Hawkmon de forma tão estupefata que tinha até se esquecido do computador.
"Se você quiser ir, irá sozinha." O monstrinho rugiu. A garota não se lembrava de tê-lo visto tão bravo antes. "Eu não irei com você."
Quando Miyako abriu o portal, por mais que achasse a ideia de ir para o Digital World perigosa, ela não pensou muito a respeito, tudo que queria era resgatar o adolescente. Mas quando Hawkmon disse que a ideia era no mínimo idiota e que nenhum dos outros concordaria com essa empreitada, ela torceu os lábios. Ela explicou que juntos dariam um jeito, mas o Digimon não pareceu convencido disso.
No final, os dois entraram em uma séria discussão e quando Miyako concluiu que não importava o perigo, ela iria de qualquer forma, o parceiro bateu o pé e disse que não iria ser ele a compactuar com essa ideia suicida.
"Mas, o Ken ainda está lá..."
"E você acha que ele ficará feliz em saber que você colocou sua vida em risco de maneira tão imprudente?!"
"E se ele estiver em perigo?" Protestou com a voz chorosa.
"Miyako, acorda! Ken é mais inteligente que todos vocês juntos, ele sabe se virar." Finalizou.
Hawkmon estava certo, Ichijouji era um gênio, mas talvez exatamente por isso, Miyako temia que se algo errado acontecesse às proporções seriam gigantescas. Apesar de não concordar totalmente, restou a menina permanecer em casa e aguardar que Hawkmon estivesse recuperado da batalha e o grupo concordasse em sair em nova expedição.
Quando a menina acordou na manhã seguinte, levantou empolgada, Hawkmon parecia totalmente recuperado e Wormmon, apesar de ainda estar dormindo, parecia bem melhor. Mas, antes que pudesse fazer contato com seus amigos e partir para o Digital World em busca do namorado, sua mãe entrou no quarto e arrastou para loja.
Miyako tinha folgado no dia anterior e sua família não seria tão benevolente em deixá-la dois dias sem cumprir suas funções na loja, por mais que explicasse a situação no Digital World, coisa que na verdade, não gostaria de fazer. Ou seja, todos os seus planos de ir atrás do namorado tinham ido por água abaixo. Ao menos temporariamente.
Apesar de ser domingo, a loja estava cheia e a garota se sentiu agradecida, pois isso mantinha sua mente ocupada. Só por volta das onze horas, conseguiu um tempo livre, durante sua pausa para o almoço para ligar para Iori.
De acordo com o caçula do grupo, o sinal do Digivice ainda estava funcionando, mas era impossível detectar com exatidão a localização. Através de uma triangulação era possível saber que ele ainda estava na floresta, mas eles teriam que vasculhar o local pessoalmente.
Inoue voltou ainda mais desanimada do almoço. Eles teriam que se embrenhar naquela floresta enorme para localizar o adolescente, não conseguia nem imaginar quanto tempo demorariam para vasculhar tudo, mas não podia perder as esperanças.
Estava perdida em pensamentos quando ouviu a campainha da porta da loja de conveniência soar. Armou-se do melhor sorriso que tinha e com uma pequena mesura cumprimentou os novos compradores.
"Boa tarde, em que posso ajudá..." A frase morreu quando viu Daisuke e Takeru parados diante de si. O loiro trazia Patamon aninhando nos cabelos, mas V-Mon permanecera em casa, afinal a criaturinha azul merecia um descanso depois da depressão forçada. Os dois adolescentes não estavam sozinhos, Hanamizuki Karin desviou o olhar para uma gôndola de doces como se fosse a coisa mais interessante. "O que ela faz aqui?" Curvou as sobrancelhas sem entender.
"Você precisa saber de uma coisa." Daisuke enfiou as mãos nos bolsos.
=8=
Ichijouji Ken puxou o cabelo negro com as mãos, esticando-o para trás e torcendo a ponta, na tentativa de tirar o excesso de água ali acumulado. Desde o dia anterior, uma chuva fina e chata caia incessantemente, encharcando cabelos e roupas, deixando seus lábios e dedos azulados. Fora o frio, estava faminto e preocupado com Wormmon e seus amigos, mas ele não poderia ir para casa, não ainda.
Ele estava na floresta, em meio a árvores altas e sombrias. As raízes se retorciam para fora da terra e o solo lamacento dificultava o caminhar. Ao menos para ele, pois Kariya parecia não ter dificuldade alguma em avançar no terreno inóspito. O garoto corria animadamente, sem se importar com os pés cheios de lama. Vez ou outra encarava Ken por cima do ombro, apenas para se certificar de que o mais velho continuava na sua cola.
Diferente do que o gênio poderia imaginar, Kariya não estava assustado, constrangido ou irritado por ter se encontrado com o mais velho, na verdade, ele parecia incrivelmente feliz.
"Você e seus amigos são incríveis." Falou animado quando os dois se encontraram, quando Ken correu em direção a floresta, sem ter certeza das formas que divisava em meio a chuva, teve certeza que era Hanamizuki. Por isso, ficou totalmente sem reação quando encontrou o garoto.
"Ei." O menino parou de repente e espiou por cima de uma pequena moita. Do outro lado, havia um Leomon saltando pela floresta, em busca de alimento. "Ele deve dar um bom parceiro." Falou animado, apontando seu Digivice na direção do monstro.
"Eu não acho que seja uma boa ideia." O mais velho puxou o braço do menor, levantando o Digivice.
"Por que não?" Resmungou o menino.
"Você não pode escolher seu parceiro ao acaso. São os Digimon quem nos escolhem." Sentenciou, soltando o braço do garoto.
"Eu sei disso, mas isso não funciona para mim." Fez um biquinho e encarou o Digimon que se afastava. "Eu não tenho um parceiro."
"Se você tem um Digivice..." E tentou espiar o dispositivo na mão do menino, que instintivamente o envolveu, impedindo que Ken o avaliasse corretamente.
"De qualquer forma, eu preciso de um parceiro grande." Os olhos ainda presos em Leomon que agora mal podia divisar por causa da distância.
"Por que precisa de um Digimon assim?" Uniu as sobrancelhas, ele não sabia exatamente o que o garoto queria dizer com aquilo.
"Ele não precisa ser poderoso igual ao seu, só precisa ser grande o suficiente para pisotear aquela vadia." A voz saiu cheia de rancor. Pisotear? Então era isso que ele queria dizer com grande.
"Que vadia?" Se surpreendeu ao ver um garoto tão pequeno falar palavrões, ele mal falava tais coisas e era pelo menos seis anos mais velho.
"Karin."
=8=
O estalo ecoou pelo beco atrás da loja de conveniências da família Inoue. O rosto de Hanamizuki estava marcado, cinco dedos e uma palma bem aberta estampada no lado esquerdo da face.
A garota não se lembrava de ter sentido tamanha dor assim antes. Seus pais raramente a repreendiam e o faziam apenas verbalmente; nunca entrara em confusões no colégio, nem tivera atrito com ninguém, ao menos não ao ponto de chegar a agressão.
Os olhos cheios de lágrimas divisaram sua agressora, parada alguns metros a sua frente. Inoue estava com o rosto vermelho, o olhar encolerizado, quase espumando pela boca. Ao fundo, podia ver Takeru e Daisuke imóveis diante da cena que se desenrolava, nenhum deles parecia surpreso com a cena que presenciaram.
"Você me disse que nunca estivera no Digital World antes, e eu acreditei em você." A voz da veterana ecoou pelo beco.
"Mas eu nunca estive lá." Choramingou incerta do que dizer, temia que se usasse as palavras erradas poderia desencadear uma reação ruim na outra.
"Então que história é essa?" A garota do cabelo lavanda não se lembrava da última vez que estivera tão irritada com alguém, mesmo suas desavenças com Ken, ela desejava entendê-lo e não esganá-lo, como desejava fazer com a garota diante de si.
"Eu só tive contatos com Digimon uma vez, e foi há muito tempo, achei que não fosse importante." E se encolheu contra a parede tentando fazer o olhar mais inocente que conseguia.
"E por que decidiu nos contar isso agora?" Por mais que seu desejo fosse estapear Hanamizuki até deixá-la inconsciente, sabia que precisava ouvir o que a garota tinha a dizer.
"Bem..." Os olhos buscaram Daisuke nunca tentativa de apoio, mas o ruivo permaneceu imóvel. Ela tinha contado parcialmente a situação aos dois garotos quando pediu para que eles a levassem até Miyako e não fora tão difícil narrar a história, mas agora as palavras simplesmente não saiam. "A pulseira que vocês encontraram, ela não é minha, mas eu sei de quem é."
Os olhos escuros se arregalaram atrás das grossas lentes dos óculos e a mente precisou de um segundo para organizar os pensamentos. "Espera... Como assim, mas você tinha dito que..."
"Kariya." A menina interrompeu. "O nome dele é Hanamizuki Kariya, eu dei a pulseira a ele." Admitiu, o estrago estava feito.
"Hanamizuki? Mas esse não é seu sobrenome?" As sobrancelhas se curvaram e desta vez, até Takaishi e Motomiya pareceram espantados com a informação. Quando a garota procurou por eles e disse que sabia informações importantes relacionadas à pulseira, ela não deu muito detalhes.
"Ele é meu irmão."
