N/A: Mas 4 capitulos e a fic acaba ;.;

espero que gostem ^^


Cap 24 – Esconderijo.

- Sam. – Thiers se materializava na minha frente dizendo isso. – Nós temos que ir. Eles levaram Hosun!

Eu tentei responder ou fazer alguma coisa, mas eu mal consegui arregalar meus olhos. Também não tinha certeza se eu estava sonhando ou se era a realidade, e não tinha muita certeza do que ele havia dito também. Eu estava fraca, não mais como se estivesse morrendo, mas como se estivesse morta.

Fiz um esforço imenso para conseguir abrir a boca.

- O-o que?? – eu perguntei com a voz fraca.

- A Hosun! – Thiers disse com a voz urgente. – Talvez eles tenham pensado que ela era você, não sei, foi muito rápido. Kevin está de guarda aí fora...Dan foi atrás da Hosun, ele levou o celular então vamos poder manter contato com ele caso algo mude. Agora nós temos que ir.

- Ir?? Ir pra onde? – eu perguntei ainda com muito esforço.

- Ir embora daqui, oras! – Thiers disse um pouco confuso com a minha atitude. – Porque você ta...? – ele parou no meio da pergunta e bateu na própria testa, se dando conta de algo. – Desculpe. Me esqueci! Você precisa de sangue.

E dizendo isso, para o meu horror ele puxou a manga de seu próprio braço e o ofereceu para mim.

- O que??? Não... – eu neguei.

- Não se preocupe. Eu já sou vampiro. – ele disse tentando fazer seu sorriso assustador de sempre.

Eu iria negar de novo, mas antes que eu tomasse forças para falar novamente, ele mordeu o próprio braço. Quando o sangue começou a pingar ele o levou para minha boca. Eu não tinha forças para evitar.

Quando a primeira gota de sangue bateu nos meus lábios, foi como se acordasse o meu corpo. E junto a isso acordou uma sede gigantesca que eu não sabia que era capaz de sentir. Sem nem perceber o que estava fazendo direito eu peguei o braço de Thiers e suguei um pouco de seu sangue. Depois de alguns segundos Thiers me afastou gentilmente e perguntou:

- Já consegue se levantar??

- Sim. – eu respondi me pondo de pé.

Ainda me sentia fraca e com sede, mas agora minhas veias não doíam mais.

Thiers pegou minha mão, me guiando para fora. Kevin estava de costas para nós na frente do mausoléu, usava um rabo de cavalo e uma grande mochila transversal. Quando ele se virou ele estava com uma cara de mau humor horrível.

- Demoraram muito. – ele disse com olhos estreitos. – Vamos rápido para o metrô.

Dizendo isso ele se pôs a andar na frente, e ele andava tão rápido que Thiers e eu tivemos que correr para acompanhar.

Pegamos o metrô e para a minha surpresa fomos para a rodoviária. Kevin pagou passagens com um cartão de crédito, e logo descemos para o terminal para esperar o ônibus.

Thiers e eu sentamos em um banco, na frente da plataforma 20. Kevin andava para um lado e para o outro irritado, bem afastado de nós, e olhava para o relógio freneticamente.

- Você está bem? – perguntou Thiers para mim de repente.

- Para onde estamos indo? – eu perguntei sem responder sua pergunta.

- Avaré. – ele respondeu. – É a cidade em que eu morei até os 18 anos.

- E o que vamos fazer lá? – perguntei.

- Nos esconder. Achei que era mais seguro que fosse dentro de uma casa. E longe daqui. São umas quatro horas de viagem.

- E a Hosun?

- Kevin acredita que é possível que os vampiros nos sigam, então não precisaremos procurar pela Hosun, eles nos trarão, quando perceberem que pegaram a vampira errada, talvez tentem uma troca.

- E se o esconderijo for realmente bom e eles não nos encontrarem? – eu perguntei.

- Então pelo menos manteremos você segura. Hosun sabe se virar, é provável que ela fuja antes dele se darem conta que ela não é você. – ele disse esperançoso.

Olhei para o relógio, eram 22:00 em ponto.

E se eles matassem Hosun por minha culpa?

Kevin parecia muito aborrecido, eu não tinha certeza de qual era o motivo disso. Será que era pelo sumiço de Hosun? Ele nunca pareceu gostar muito dela, alais ele nunca pareceu gostar de ninguém além dele mesmo e Thiers. Talvez ele estivesse aborrecido de estar fazendo aquilo por mim, que com certeza era a pessoa que ele menos gostava no mundo. E talvez ele apenas estivesse com raiva que eu finalmente tivesse me tornado vampira.

Finalmente o ônibus chegou. Kevin foi o primeiro a entrar no ônibus. Nos sentamos em poltronas lado a lado, o ônibus estava bastante vazio.

A viagem pareceu longa. Eu esperava que a qualquer minuto fosse amanhecer, sem me lembrar que eu nunca veria o céu daquele jeito de novo.

Depois de cerca de 4 horas chegamos em Avaré. Tivemos que andar por um bom tempo, deixando pra trás a parte da cidade que era asfaltada, entrando em ruas de terra, em meio a chácaras, cana-de-açúcar e cafezais. Era bastante escuro, mas descobri que agora, com meus olhos de vampira, eu possuía uma ótima visão noturna. Até que finalmente Kevin parou na frente a um grande portão de madeira branco e Thiers exclamou:

- Esse lugar me trás tantas lembranças. – ele disse nostálgico.

- É, e a maioria não é boa. – disse Kevin tirando as correntes e abrindo o portão.

- Mau humor...- Thiers cochichou para mim, eu e ele tapamos a boca com a mão para não rir.

Kevin aspirou o ar por um momento e anunciou:

- Tem alguém aqui. – ele disse. – Sinto cheiro de sangue.

- Ah, deve ser só a Maria, ela cuida da casa. Os que trabalham no cafezal só aparecem de manhã. – Thiers disse.

Isso pareceu bastar pra Kevin, ele caminhou até a casa e entrou sem cerimônia alguma. A casa era grande e rústica. Era um sobrado de aparentemente vários quartos, com várias partes de madeira. As paredes da sala eram brancas, os móveis tinham aparência de serem bastante antigos. Havia um corredor a direita que possivelmente levava a cozinha e uma escada do lado esquerdo que levava aos quartos.

- Maria? – Thiers chamou alto.

- Shiiuu, Thiers. Ela deve estar dormindo. – eu o repreendi.

- Verdade, me esqueci que humanos dormem durante a noite. – ele disse coçando a cabeça.

- Amanhã avisamos a ela que estamos aqui. Qual é o seu nome dessa vez mesmo? – perguntou Kevin.

- Valter. – Thiers respondeu. – Estava lendo Harry Potter na época. – ele se explicou pra mim.

- Onde vamos dormir? – perguntei percebendo que provavelmente não teria caixão nenhum naquela casa.

- Você pretende dormir?? – perguntou Kevin no seu tom de ironia maior.

- Na-não...- eu respondi gaguejando.

- Kevin. – Thiers lhe lançou um olhar reprovador. – Ela acabou de ser transformada, está fraca. E ainda não tomou muito sangue, só um pouco do meu.

Kevin bufou.

- Tudo bem. Nós vamos ficar de guarda então. – Kevin decidiu. – Mas antes não seria melhor ela se alimentar?

- Estou bem aqui, Kevin. Não precisa falar na terceira pessoa. – eu disse. Kevin fez uma cara feia pra mim esperando a resposta. – Você quer que eu saia pelo meio do cafezal procurando alguém pra atacar? No interior ninguém sai de casa a essa hora. – eu disse apontando para um antigo relógio de cuco na sala que indicava que eram duas da manhã.

- Não. Mas por aqui tem gado. – disse Kevin com arrogância.

- Não sabia que vocês tomavam sangue de animais. – eu disse usando um tom arrogante parecido com o dele.

- Nós tomamos. – Thiers respondeu tentando aliviar a tensão entre mim e Kevin. – Quer dizer, não é a mesma coisa que sangue humano, mas na sua situação é melhor que sangue de outro vampiro. Sabe aquela história da biologia de perda de energia? Se aplica aqui também. O sangue de um vampiro não alimenta ou dá energia tanto quanto o sangue de um humano.

- Entendi. – eu disse. – Então já volto. – eu disse dando-lhes as costas, indo para a porta da frente, mas uma mão me deteve.

- É óbvio que você não vai sozinha. – disse Thiers.

Para a minha surpresa ao invés dele se adiantar para ir caçar comigo, ele olhou sugestivamente para Kevin, que se adiantou para a saída esperando que eu o seguisse. Eu não pensei duas vezes, segurei a mão de Thiers e o arrastei junto.

- Kevin deu prejuízo para os criadores de gado uma época. – Thiers disse tentando puxar conversa. – Lembra da história do chupa cabra?

Nem eu e nem Kevin respondemos, zangados um com o outro. Thiers se deu por vencido finalmente e seguimos Kevin calados através da estrada de terra.

Logo avistei um cercado com bois. Era estranho, por um momento eu senti que teria mais dó de matar um animal do que uma pessoa, quando me lembrei que eu nunca fui vegetariana, e comia carne de boi sempre.

Kevin me explicou rapidamente o jeito mais fácil de matá-los, que era atacando o pescoço para atingir a jugular. Com o pensamento de que assim seria menos doloroso para o boi eu imitei o Kevin que acabava de atacar um animal.

O animal que eu perseguia fugiu de mim, percebendo a minha aproximação, então tive que correr pro um tempo atrás dele, mas finalmente o alcancei. A sua morte foi rápida. Bebi, acredito, que todo o seu sangue, até que finalmente me senti satisfeita.

- Ainda precisa melhorar muito. – Kevin disse com arrogância, mas eu não liguei muito, afinal era a pura verdade. Eu infelizmente estava usando uma blusa branca por baixo do sobretudo preto, e ela ficou completamente vermelho sangue. Enquanto Kevin não tinha sequer uma gota de sangue em sua blusa azul.

Eu estava me sentindo muito mais positiva agora, com a energia renovada. Mal percebi o forte cheiro de sangue humano que exalava de dentro da casa. Kevin foi mais rápido, sentindo que havia algo errado há 20 metros de distância. Ele correu a nossa frente, Thiers pegou minha mão e corremos juntos atrás dele.

Ao entrar na sala deparamos com ela cheia de sangue. E na parede branca estavam escritas em sangue as seguintes palavras:

"Estamos com a garota. Vocês tem 24 horas para fazer uma troca, caso contrário ela estará morta."

Fiquei paralisada quando acabei de ler aquilo. Eles realmente haviam nos seguido! Eles estiveram ali na casa e estavam com Hosun, dispostos a matá-la!

Ao reler o recado pela terceira vez o achei mal escrito, fora a falta de informações, vampiros tão antigos não deveriam escrever coloquialmente?

- Tem algo muito errado com esse recado. – disse Kevin com uma expressão concentrada.

- Você quer dizer além deles estarem ameaçando matar a Hosun? – perguntei irônica, apesar de saber exatamente ao que ele se referia.

- Não. Eu não acho que eles o tenham escrito. – ele respondeu sem se alterar.

- MARIA! – Thiers de repente gritou, indo para o corredor. Quando eu vi uma mulher caída ao chão ensangüentada. Ela havia sido morta decididamente por um vampiro.

Kevin continuou sem se mexer do lugar, analisando as palavras escritas.

- Maria está morta. O que vamos fazer agora? – perguntou Thiers preocupado.

- Se eles realmente quisessem levar a Samantha, porque não aproveitariam agora? – Kevin disse pensativo. – Quero dizer, para que eles nos dariam 24 horas para fazer uma troca por Hosun. Eles obviamente estão em maior número que nós agora, estamos sem o Dan e sem a Hosun e com uma vampira recém transformada.

Fiquei pouco tempo tentando entender a que Kevin estava se referindo. Não importava os motivos deles para aquele teatrinho, era tão sem sentido quanto eles esperarem eu me tornar vampira para me matar. O fato é que Hosun estava em perigo e nós deveríamos fazer alguma coisa. Qualquer coisa!

- Isso me cheira...- Kevin disse finalmente tirando os olhos da mensagem e procurando em volta, cheirando o ar a procura de algo. - ... a Hosun!

Antes que eu conseguisse exclamar um grande e desacreditado "O que?" uma voz atrás de mim, perto das escadas tomou a palavra:

- Ahh! O que foi que me entregou?


"E seu rosto pinga em uma pilha de carne
E então seu coração, coração bate
Ele bombeia até a morte
Principal ordem, exterminar
Qualquer coisa que ainda sobreviveTudo que eu quis dizer
E tudo que eu tenho que fazer
Para quem eu faria isso?
Hey, eu ou você"

[Astro Zombies – Misfits]