Cap 25 – Desprezo...
Psique sentia a angustia de Lithos... a menina queria sumir... a revolta e o desprezo que sentia no Cosmo de Aioria a estava matando... e se sentia completamente merecedora disso...Aioria por sua vez se sentia culpado, a diferença entre a menina moça que era Lithos/Psique...pouco importava para ele qual das duas fora, por que ambas eram culpadas, para com Marin era tão absurda que ele se sentia terrível em se deixar enganar... um fraco... um bobo que caia em truques antiquados... e irresponsáveis! Afinal e se Lithos...
-Não...não quero nem cogitar essa idéia! – Aioria resmungou para si em voz baixa... que não escapou aos ouvidos aguçados de Eros que, no entanto...nada disse.
Marin não tirava os olhos do discípulo, mas mantinha a atenção focada em Eros que não lhe dera ainda uma resposta, com o olhar procurava por marcas no corpo do menino de bronze, mas aparentemente ele estava bem, uma fina linha vermelha no pescoço indicava a presença de uma lâmina ali... e uma Adaga dourada caída aos pés de Psique davam a Marin uma idéia de o que acontecera... a Amazona achou melhor quebrar o silencio que se estendia...
-Então... Eros, que partido tomará?
-Antes penso em outra questão... pois antes de você e seu consorte entrarem eu julgava Psique...- Eros não queria invadir as memórias dos recém chegados ou de Psique e da jovem que compartilhava o corpo dela, achava indelicadeza fazer isso, ao contrario da Mãe que usava os corações alheios como diversão, para ele esse era um assunto sério... mas era palpável que entre os recém chegados havia uma história, e mais palpável ainda que a jovem Lithos dentro de Psique, de alguma forma fazia parte dela...
-Julgava? – Aioria falava entre dentes... como um gato ronronante diante de uma presa...- e o que exatamente você Julgava, Deus Eros? – Marin sentiu-se gelar...Aioria estava entrando num jogo perigoso...
-Desculpe-me Cavaleiro mas este assunto, diz respeito á elas, e á sua redenção...
-Desculpe o caralho! Esse assunto diz respeito á mim! Pois a menina que está diante de você é minha Serva, que eu criei desde criança e que me apunhalou pelas costas! É a responsável pela morte do MEU Filho, por causa dos caprichos dela e da Sua Mãe – Aioria agora se aproximava de Eros apontando-lhe o dedo e rosnando entre os dentes – eu quase perdi tudo, meu filho que eu sequer sabia que teria e a mulher que eu amo...- Aioria voltou-se para Psique agarrando-a pelos ombros e a erguendo do chão até a altura de seus olhos – Quer perdão vagabunda...peça para Marin, por que ela pode até te perdoar um dia, já que é bem mais racional que eu, mas eu não vou!
O Dourado deixava seus dedos marcados na pele alva da jovem que balançava os pés suspensos do chão, Marin pousava com delicadeza a mão no rosto de Aioria e tentava em vão fazê-lo soltar ...
-Aioria, solte a menina... – a voz dela parecia não alcançar mais o leão...- Aioria por favor, solte a menina!
Psique foi ao chão num baque, as mãos de Aioria deixavam marcas que logo estariam roxas e ela sentia dor na extensão dos ombros, pescoço e braços...
Eros veio passando por Aioria e Marin e ajoelhou-se na frente dela...
-Eu poderia descobrir a verdade vasculhando dentro de você ou de qualquer um deles, mas prefiro lhe perguntar... o que fizeste aos amantes que tenho atraz de mim? – Psique fez menção de abrir a boca mas Eros com um gesto de mão á interrompeu...- Perguntei a menina Lithos, não á você...
-Deixe-me falar...por favor...
-Quero a menina moça... sua história eu já conheço... deixe Lithos tomar a palavra agora...
Marin sentiu o braço esquerdo de Aioria à envolver, e viu o punho direito dele se fechar... via gradativamente Psique mudar...as asas de Borboleta murchavam, os cabelos ficavam cada vez mais claros encurtando-se até os ombros marcados pelas mãos de Aioria, e os olhos deixavam o tom metálico que tinham para voltar aos olhos de Lithos...e as sombras projetadas no chão se invertiam, uma vez que agora a sombra possuía asas que a moça já não tinha. Aos olhos de Eros ela parecia excessivamente frágil... e amedrontada...
-E então? – Eros olhava para a menina Lithos esperando uma resposta
-Sou culpada... cedi á Vênus sem sequer esboçar resistência, não tinha noção que os atos iriam tomando proporções cada vez mais graves, até que cometi o mais grave dos delitos... de pirraça em pirraça fui ficando mais maldosa em minhas palavras e atos até que cheguei aos extremos...
-Conte-me sua história... – Eros sentia a dor que emanava ali mas não sabia dizer de qual deles ela emanava mais, o Amor é suscetível ao sofrimento, e sofria junto... se envolvia na historia dos Amantes Mortais que caminhavam pelo mundo dos homens ao longo dos séculos, toda história de amor, era uma História de Eros... e influenciavam o Deus... vendo a hesitação de Lithos Eros repetiu... – Conte-me sua história... deixe-me ver o que você tem vergonha de falar... – e dizendo isso penetrou com seu Cosmo nas memórias de Lithos...
Jesé de Taça fechou com destreza o corte em que trabalhava no braço do Santo de Virgem e levantou-se encarando o Cavaleiro de Peixes...
-Aioros está dopado, o pobre quase voltou ao Hades hoje! Como quer que eu o acorde?
-Jesé, não entende... ele tem de levantar, as coisas estão saindo do controle! – o sueco falava com uma aspereza fora de seu normal sempre tão cordial...
-Este Santuário foi tomado, os Kerubins que invadiram Athenas estão derrotados e mortos, a vitória é questão de tempo! Deixe o Kíron convalescer!
-Va benne Jesé! Mas a Guerra em si está acontecendo già! – Enquanto falava Mascara da Morte ajudava Afrodite a sentar-se em uma maca improvisada destinada á novos feridos o Italiano falava de modo grosseiro...com descaso para com Jesé – e Precisamos de Aioros!
-Vocês sempre sabem mais do que aparentam saber não é? – Shaka se levantava encarando os dois com os olhos cerrados, - Por que Aioros é tão imprescindível?
-A Aljava de Eros que trouxe com ele... – Afrodite apontava para a Aljava dourada que se dependurava na Armadura de Sagitário...
-Vi a Aljava e está vazia! – Shaka falava com a habitual serenidade que lhe era própria, Afrodite porém o olhou curioso, havia algo diferente nos modos do Santo de Virgem...
-Engano seu Virgem! – Afrodite contraiu a bela feição momentaneamente, sentia as dores do corpo ferido agora que estava esfriando a musculatura, deixou sua Armadura avariada deixar seu corpo e postar-se num Peixe Dourado ao lado do Centauro alado e da Jovem Virgem – Alguém digno deve empunhar o arco e tentar retirar uma flecha de lá... mas o "Digno" neste caso significa alguém que Eros julgue como merecedor, por seus méritos e defeitos, e que tenha passado pelas tres formas da amar... como vê nem eu nem Câncer poderíamos fazer, por que nossos "métodos" muitas vezes apesar de éticos, são completamente imorais, e não temos muita compaixão para com aqueles que se fazem nossos inimigos, e mesmo sendo sempre um santo a ignorância se tratando de Amor faz com que você também não seja uma opção, precisamos de Aioros para atirar a flecha! É o único aqui que pode!
-Por que a Flecha é tão importante á esta altura da Guerra? – Shaka indagava tentando parecer sereno e tranqüilo, mas a mente estava em polvorosa... como pudera deixar desapercebido a importância que Athena dera ao objeto?
-Por que o único modo de deter uma Paixão Desenfreada...- o sueco não pode evitar de sorrir – é transformá-la em Amor... assim como o único modo de acabar com o Desprezo... – Afrodite parecia pensativo nas próprias palavras, falando-as como quem fala mais para si que para os outros – é transformá-lo em Amor da mesma maneira...
Shaka sentou-se tentando pensar... Athena tinha pensado muito bem aquela empreitada, agora fazia sentido, por isso a presença de Fortuna... afinal como Athena descobriria os padrões extravagantes de Eros sem a Sorte ao seu lado? Sendo completamente racional a Deusa dependia da Sorte (boa ou má, mas ainda assim Sorte) para alcançar Eros, e também por isso o esforço em reaver a Aljava mesmo estando ela aparentemente vazia... Athena se preparava para esta batalha à tanto tempo quanto Vênus... tinha de haver outro meio de disparar aquela Flecha... Shaka agora podia sentir o Cosmo de Aioria Marin e Seiya muito próximos, e um quarto Cosmo poderoso...o de Eros... e ele estava em metamorfose, era palpável... o Amor estava mudando...foi então que o Santo de Virgem notou o sorriso adornar o canto da boca de Mascara da Morte...
-Me corrijam se eu estiver errado – O italiano começou a falar em tom baixo, como quem pensa alto, e de imediato ganhou a atenção de ambos os Dourados – Ma estoi a pensare... Athena ama á todos seus Cavaleiros, e os tem como seus filhos durante milênios e apenas pede confiança em troca e claro, para aqueles que se tornam Cavaleiros de Fato, a dedicação e tudo o mais, isso é o que os Gregos chamam de Philia, o amor fraterno que une as pessoas numa relação de troca mútua... Athena também ama a Humanidade mesmo ela adorando outros Deuses e se esquecendo de suas origens, mesmo que se matem uns aos outros e desprezem a vida humana que ela tanto aprecia, isso é o Ágape, o amor abnegado e sublime que não exige nada em troca e que nos torna bons...
-Esquece-se do próprio Érhos, o "Amor de Eros" – Shaka interrompeu o raciocínio de Mascara da Morte de forma sutil – Athena não passou pelo Érhos...
Uma centelha brilhou nos olhos turquesas de Afrodite que levantou-se mais rápido que seu corpo ferido gostaria sobressaltado com o raciocínio que se desenvolvia...
-Shaka, Athena conhece o Érhos! Não podemos ignorar Seiya! – Shaka mesmo com os olhos cerrados mirou o Sueco de forma curiosa... para Afrodite a idéia que a transformação da menina Saori em jovem Mulher passara despercebido aos olhos de alguém tão sábio quanto Shaka era absurda... como o indiano não notara que sua Deusa e Seiya partilhavam o leito á tempos?
-Mas Athena e Seiya mantém distancia, Seiya é um Cavaleiro, todos sabemos dos sentimentos deles mas ela é uma Deusa e ele seu protetor! Eles não iriam...- Shaka ponderou as próprias palavras... sentiu-se ingênuo! Pensou em Sapho e na avalanche que sentiu ao conhecê-la tão profundamente com seus Cosmos e suas Memórias, e pensou então em Seiya e Athena, não era sua Deusa pouco mais que uma menina? E que ambos se amavam profundamente era notado á olhos vistos, como poderiam se privar, em pleno auge de suas vidas, no momento critico em que os corpos se desenvolvem, e os corações se confundem... e como ignorar a pessoa amada tendo-a tão perto de si? Rapidamente tomou a Aljava que se dependurava na Armadura de Sagitário em suas mãos mas Mascara da Morte lhe estendeu a mão direita pedindo o objeto...
- Eu vou levá-la para Athena, você está bem ferido, e Afrodite também me preocupa, portanto irei eu... – Ao pegar a Aljava de Eros Mascara da Morte sentiu ela pesar, pesava de forma anormal, mas mesmo assim ele estava decidido á levar o objeto até sua Deusa, assim Afrodite poderia cuidar de si e com Shaka ali teria certeza que o sueco não faria nenhuma loucura... estaria tranqüilo...pos o pesado fardo nas costas e saiu da tenda... mal dera tres passos percebeu que alguém estava atraz de si...
-Você é mesmo um Carcamano sem educação não é? Sai assim sem nem mesmo se despedir? – Afrodite tinha um sorriso na boca e batia o pé direito no chão, de forma divertida e repetitiva... puxou pela mão o Italiano grosseiro até atraz das tendas...
-Dite não temos tempo agora...
-Shhhhh! Não vou te prender aqui muito tempo! Só me deixe ficar um minuto aqui Gio!Está bem?
O Italiano era desajeitado no cuidado para com o corpo ferido de Afrodite, mas o abraçou firme contra si...
-Você fala demais peixinho!
-Então me faça ficar quieto!
Mascara da Morte não esperou mais nenhuma palavra, mesmo por que não era bom com elas, num beijo violento tomou para si a boca de Afrodite, que esquecia-se do corpo ferido e retribuía com sua lassidão natural, esquecendo-se por instantes da Aljava Dourada que já não pesava nas costas do Cavaleiro de Câncer...
Cássius tentava focar a visão, a pressão do Cosmo da Deusa Vênus era esmagadora,e ele sentia-se cada vez mais desligado do corpo de Ares, agora livre das investidas cortantes dela, ele sentia a cabeça zonzear conforme o sangue lhe lavava o corpo, mesmo para toda a resistência dele os ferimentos eram graves, outro já teria desmaiado, mas ele tentava se erguer á todo custo, sua Mestra estava lutando e ele não pareceria um fraco aos olhos dela, não dessa vez... com custo ele podia ver, mesmo que de forma embaçada o céu sendo cortado por uma tempestade elétrica e ouvia o característico grito que antecedia cada golpe mais violento que a Cobra dava, ela lutava como as Amazonas dos tempos antigos, Cássius sempre pensou dessa forma... que se fosse em outros tempos ela seria como as antigas Amazonas... Hipólita, Xena, Demescena, Calisto, e outras que ele estudara durante infância com dificuldade pois lia muito mal, para impressionar a mestra... mestra que ele mal conseguia ver agora... a vista escurecia a cabeça zonzeava cada vez mais...perdera muito sangue... mas continuava lutando para manter a consciência...
Shina estava começando a cansar, manter o mesmo ritmo de Vênus era muito penoso para ela, mesmo com toda sua agilidade, a Deusa não dava sinais de cansaço nem hesitava, os golpes violentos da Cobra porém lhe davam poucas chances de revidar, mas graças as pequenas Lâminas que tinham um fio de corte absurdamente afiado a Deusa mantinha-se em vantagem brincando com a Amazona irritada...
Com um rápido movimento Shina desceu suas garras usando a mão direita, Vênus desviou-se saindo pela esquerda e vindo numa joelhada que Shina repeliu usando a mão esquerda, e virando-se num chute com a perna direita que encontrou apenas o ar, pois Vênus abrindo as pernas num esparcate desceu ao chão deixando que o chute passasse por cima de sua cabeça, assim que viu o corpo da Amazona ser levado pela força do golpe aproveitou-se para rapidamente erguer-se e cravar-lhe nas costas uma de suas pequenas laminas arrancando de Shina um grito abafado e um olhar irado. Shina segurou o grito de dor e virou-se com força atingindo Vênus com as costas da Mão direita bem no rosto, a Deusa de um salto para traz tomou distancia e tocou com a ponta dos delicados dedos bem feitos o local atingido...
-Por que me ataca se posso dar-lhe tudo o que sempre desejou? – Vênus fazia a cara de uma criança que tenta compreender o mundo á sua volta... Shina detestava esses teatros...
-Não sabe nada sobre meus desejos! Bagascia! – Saltando o mais alto que pode Shina desceu num chute violento que Vênus evitou esquivando-se para traz e revidou num soco revestido com as pequenas e afiadas lâminas contra o rosto da Amazona que tombou o corpo para traz quase em ponte agarrando com a mão esquerda o punho da Deusa e fincando nele suas garras fazendo-a soltar as armas num grito estridente de dor... imediatamente subiu a perna esquerda atingindo com força o outro braço da Deidade e fazendo-a largar as lâminas que lhe restavam...foi então que Shina sentiu o verdadeiro poder de Vênus, pois com seu Cosmo poderoso a Deusa a arremessou metros longe fazendo com que batesse no chão várias vezes... com a Armadura já bastante avariada pela luta no Santuário restava apenas proteger-se com seu Cosmo, e mesmo assim não pode evitar de ferir o corpo todo ao raspar a pele nua no chão com tamanha força...Vênus segurava o punho ferido com a mão, e tinha ódio no olhar...
-Uma vez Quirão, o Centauro, que para os Helenos era chamado Kíron me fez uma injúria pela qual eu me vinguei... conhece a história de Tróia, Amazona? Helena foi uma ofensa a minha pessoa desde o começo, Kíron fora seu mestre e a lapidou unicamente para me enfrentar, chamava-me de "Uma Erínia disfarçada de prazer", vejo em você o mesmo despeito que ela me dedicava... Mortal insolente! Mas sabe o que Helena ganhou? Foi ridicularizada ao longo dos séculos, como a Prostituta de Tróia, Senhora das mulheres de Carne Fraca! – Vênus aumentou a pressão de seu Cosmo dificultando a respiração de Shina, e fazendo-a afundar os pés no chão que se abria cedendo aos poucos perante ao peso do Cosmo de Vênus... A Amazona inflamava o Cosmo com ardor mas sentia-se fraca perante o poder de uma divindade... morreria em breve se nada mudasse... pedia em silencio que seu Cosmo fosse poderoso o suficiente para repelir tamanha pressão, a Armadura semi destruída adquiria o leve brilho dourado próprio de seu signo, Ophyucus, signo solar que era, sua musculatura tensa e dolorida pulsava, sentia as veias saltarem com o esforço, e seu nariz e ouvidos sangrarem, não ousava clamar por Athena por que sabia que ela se esforçava com seu Cosmo para despertar Seiya, sua vista começava a embaçar mas podia ver o borrão ao longe que julgava ser Cássius, seu discípulo que lutara tão bem contra Aphrodite e agora estava ali sofrendo sua segunda morte esvaindo-se em sangue... a visão escurecia mais com o esforço, os dentes cerrados faziam doer o maxilar e os olhos ardiam... Shina lutava para manter os sentidos...a consciência...
Milo sentia-se tonto, a vista escura estava clareando aos poucos, a dor na nuca era irritante, e suas pernas estavam moles... por instinto levou a mão ao peito fazendo com o dedo por cima da Armadura de Escorpião parcialmente destruída o contorno da cicatriz que ela lhe fizera... Cobra traiçoeira! Até para ajudá-lo ela tinha de lhe passar a perna? O que raios ela tinha na cabeça quando o nocauteou? Como se ele não soubesse, se ela tivesse dado chance ele próprio pretendia fazer aquilo, ele pretendia nocauteá-la... mulher arredia! Por que Shina tinha de ser mais bicho do que gente? Levantou-se firmando as pernas já não tão moles no chão... concentrou-se atraz dos Cosmos que poderia sentir...especialmente o dela... quando a encontrou foi como se um peso enorme lhe caísse no peito, ele tinha dificuldade em respirar era algo sufocante por instantes sentiu uma pontada nas costas... estava tão embargado no Cosmo dela que nem notara a aproximação de Mascara da Morte...o Canceriano deu um chacoalhão no Cavaleiro de Escorpião para fazê-lo voltar do transe...
-Diva mia... Milo! Que passa? – O Italiano olhava para Milo com um semblante inquiridor, o Escorpião estava ofegante e suava frio... sem cerimônias o grego sacudiu a cabeça e com um gesto brusco afastou a mão de Mascara da Morte de seu ombro...
-Mulher maluca! Enfrentando uma Deusa! Sai da minha frente carcamano tenho de ir...
Mascara da Morte riu sozinho vendo o Escorpião correr templo à dentro, como os apaixonados eram engraçados... quase patéticos, mas tinham dentro de si uma força devastadora não é? Em seguida redobrou o esforço de seu Cosmo para carregar o fardo da Aljava que o repudiava, podia sentir a pele queimar por baixo da Armadura mas não se importava... pessoas eram assim aos olhos dele... faziam loucuras... quando amavam... o que o fazia pensar quando fora que isso acontecera com ele ...
Vênus se divertia, Mortais sempre foram divertidos, e pra ela toda mulher, Mortal ou Imortal ou era sua serva, ou sua Rival direta, Vênus Aphrodite não fazia anuências, fora assim desde sempre e agora se repetia... Mulher, Amazona, Serva de Athena, além de alguém que teve a audácia de ferir-lhe a pele perfeita e desafiá-la sem a odiosa Mascara no rosto! Como se fossem iguais! Era de um prazer quase sexual para ela apostar consigo mesma quanto tempo mais Shina agüentaria e quanto tempo levaria até gritar... estava tão entregue ao ato de minar aos poucos a vida da Amazona que sequer sentiu a aproximação rápida que vinha por suas costas... apenas deu-se conta quando brusca e violentamente sentiu a dor de ter seu corpo perfeito jogado ao chão...dor... detestava sentir a dor dos mortais, sequer teve tempo de ver a mão Gigantesca fechar-se sobre seu rosto perfeito e erguer seu corpo, sentia a mão suja de sangue espremer-lhe o crânio e com igual selvageria bater com ela contra o chão...
Cássius sentia uma dor que não julgava um vivo capaz de suportar, talvez por isso a suportava, posto que já morrera, não permitiria que sua Mestra morresse ali... antes disso morreria ele e levaria consigo aquela pretensa Deusa... cada vez que erguia o braço segurando Vênus que se debatia sentia um pouco de sua própria vida falsa se esvair, sua alma se desprendia a cada segundo daquele belo corpo que não lhe pertencia, o corpo de Ares... quantas vezes golpeara o chão com Vênus? Ele não sabia dizer, não pensava sentia-se entregue a morte e a dor sem se apegar por um instante sequer ao desejo de permanecer entre os vivos, queria apenas garantir que Shina permanecesse... ele continuava a ordenar mas seu corpo emprestado, já não respondia, sentia as mãos de Vênus a segurar-lhe o braço forte que já não se movia e com o Cosmo poderoso ela o repeliu... ele já não enxergava nada, apenas sentia a dor no corpo que já não obedecia seus comandos... melado de seu próprio sangue tentou erguer-se novamente...
-Por que Raios não permanece morto homem! – Vênus gritava com ele e novamente o jogou ao chão com seu Cosmo... Cássius teve a impressão de ouvi-la chamando por ele... seria mesmo verdade? Sua Mestra chamou seu nome? Os sons agora pareciam distantes, e ele ergueu-se novamente com custo... o corpo não obedecia bem seus comandos e sua visão agora era nula, a audição aos poucos se ia e todo tato que sentia estava entregue a dor e ao formigamento devido ao sangue perdido em demasia, tinha de ganhar tempo até sua Mestra se erguer, ou até alguém chegar... lançou-se contra Vênus com tudo que lhe restava... o próprio Corpo... o Corpo de Ares...
Milo corria o quanto podia, invadiu o Templo ignorando tudo que havia em volta, seguia na direção do Cosmo de Shina, ao chegar no local da batalha deparou-se com a Amazona caída de joelhos tentando se erguer, ela chorava com o rosto tomado pela raiva á sua frente Vênus Aphrodite e Cássius, o Escorpião demorou alguns segundos para compreender o que se passava... a mão de Vênus saia pelas costas do Gigante, encharcada de sangue num espetáculo grotesco... ela atravessara o peito de Cássius usando-se de seu Cosmo...fizera isso com as próprias mãos... ele ainda esboçava alguma reação pois jogava –se mais para frente fazendo o braço de Vênus entrar mais fundo em seu Corpo, e a segurando com os braços fortes num abraço de dor... mas seus braços já não tinham a mesma força, e todo esforço que fazia para tentar ferir Vênus era ridículo... o corpo gigantesco escorregou para o chão nos pés da Deusa...
-Ele viveu por você, morreu por você, voltou dos mortos por você... acho que não deveria estar surpresa com a segunda morte dele... – o descaso que ela dava ao assunto enojou Milo que deixou-se tomar pela fúria de seu Cosmo agitando o ar numa tempestade de ventos...
-Ah! Que bela reunião... mais um cordeiro para o abate... – Vênus olhou para a Amazona antes de prosseguir a frase – sei que deve ser difícil levantar-se, portanto fique aí quieta enquanto me livro de mais um enfadonho servo de minha Sobrinha... já termino com você...
Shina sentiu o Cosmo de Athena junto ao seu ao olhar para Milo percebeu que ele também sentira... sua Deusa iria lutar com eles, ela ergueu-se dolorida e postou-se para lutar, como era quente o Cosmo de Athena... seria assim também com Seiya e os demais cavaleiros de Bronze?
-Então querem lutar juntos? – Novamente o pouco caso de Vênus – O que eu juntei posso bem destruir... vão morrer juntos... como o gigante morreu...
