Dalton

Episódio 20: Atos Duplos — parte 02


Logan saiu da sala de aula e ficou surpreso ao encontrar Blaine esperando-o.

— Olá, Logan — disse ele friamente, parecendo para o resto do mundo como se apenas estivesse caminhando ao lado do monitor de Stuart no corredor.

— Você está aqui, então imagino que ouviu a condição de Murdoch para Kurt, estou certo? — perguntou Logan com igual compostura, olhando para seu caderno enquanto os dois seguiam para o período de almoço.

— Bom, você é um ser humano razoavelmente inteligente; não imaginei por um segundo que você acharia que haveria outra razão para eu estar aqui?

— Sério. Eu também imaginei que nossa emocionante conversa no jardim memorial o tinha compelido, mas essa expressão ardente expressão no seu rosto diz o contrário.

Blaine o encarou, mas Logan, sem sequer conceder o outro garoto um olhar, continuou:

— Não, isso não foi ideia minha; você muito bem sabe que meu plano original envolvia Kurt mudando-se para Stuart. O tiro saiu pela culatra e Pavarotti foi roubado e agora estou tentando manter-me calmo por enquanto. Não tinha ideia que Murdoch obrigaria Kurt a ter aulas de reforço depois da aula. — Mas agora ele olhou para Blaine brevemente. — Uma vantagem surpresa, e não estou ingrato.

— Contanto que elas permaneçam lições de literatura, Logan — respondeu Blaine.

Logan suspirou, exasperado.

— Não farei promessas. Você é mesmo tão contrário à nossa possível amizade? Considerando que é você que ele está namorando, não vejo porque você deveria estar preocupado.

— Você sabe muito bem porque estou preocupado.

Logan o olhou surpreso.

— Um admissão de fraqueza? De você? Puxa vida... — Logan balançou a cabeça. — As coisas realmente mudaram. Você confia tão pouco assim no Kurt?

Kurt parou no corredor quando ouviu seu nome. Ele estava atrás dos dois garotos, e obviamente eles ainda precisavam notar sua presença. Ele ouvira a conversa e assim como na primeira vez, perguntou-se quão larga ou estreita realmente era a distância entre os outros dois.

— Não é em Kurt que não confio — disse Blaine enfaticamente, parando Logan com um braço, que o olhou com olhos verdes que nunca exatamente tiveram esse tipo de intensidade antes. — É em você que não confio. O que você disse para mim no jardim memorial não ajudou muito na questão de confiança, sabe.

Jardim memorial...?, perguntou-se Kurt.

Logan virou-se para ele com um sorriso.

— Tudo bem. Entendo o que você está tentando dizer.

— Só agora? — Blaine arqueou uma sobrancelha.

Logan ergueu as mãos e sorriu cordialmente. Era um imagem estranha para Kurt. Logan parecia capaz de verbalmente discutir com Blaine como ordinariamente fazia, mas não parecia que toda a medicação tinha perdido o efeito. E ainda assim ele era capaz de continuar a conversa com Blaine como se nada estivesse errado. Ele parecia quase... normal agora.

Será que isso significava que Logan era mais si mesmo... quando estava confrontando Blaine? Quando ele estava apenas com Blaine?

Logan sorriu para Blaine em um jeito que não exatamente atingia seus olhos.

— Não vou fazer nada que Kurt não queira. E considerando o quão terrivelmente leal ele é a você, pode ficar tranquilo que serão sessões de estudo profundamente, profundamente entendiantes.

Blaine mexeu-se, cogitando, enquanto o encarava, e então concedeu.

— Tá. Vou acreditar em você aqui. — Ele podia ainda não confiar nele muito, mas Logan acenara a bandeira branca (por mais conflitosa que a bandeira branca tivesse sido, considerando suas motivações e a conversa deles) ao enviar os grupos de busca atrás de Shane.

Até onde ele sabia, ele está se rendendo à competição, mas nesse ponto, ele tinha que confiar em Kurt, e se Logan sabia o que era bom para ele, ele realmente iria seguir sua promessa e não fazer nada que Kurt não quisesse. Mas não havia como evitar a situação. E a não ser que ele fosse com Kurt às sessões de estudo, o que deixaria as coisas monumentalmente piores, não havia nenhuma razão praticável para ele impedir Kurt de seguir os comandos de Murdoch.

A não ser o estonteante, completamente inexplicável desejo de defender seu território. Mas ele não estava muito pronto para admitir isso ainda.

Logan assentiu com um sorriso.

— Bom. Suponho que a ameaça pela minha vida não precisa ser dita.

— Não, não precisa — respondeu Blaine como se estivesse declarando um fato.

— Bom!

— Ótimo!

E Logan virou-se nos calcanhares e caminhou para longe. Blaine ficou ali, fumegando para si mesmo, antes de também se virar — e quase bater no próprio Kurt Hummel. Ele quase pulou um metro no ar.

— Kurt! Hm... faz quanto tempo que você está aí?

— Tempo o bastante. — As sobrancelhas de Kurt estavam arqueadas, os braços cruzados. — E o que foi tudo isso?

Blaine hesitou por tempo o bastante para que Kurt franzisse os olhos. O moreno podia apenas jogar as mãos para o ar e suspirar.

— Tá. Mas você não pode me culpar por isso. O histórico dele não é excelente. Pelo menos não comigo.

— Sei disso — replicou Kurt. — Mas também sei que ele é tolerável. Para mim, pelo menos.

— Então não tem nada que eu possa fazer, tem? — Blaine apenas suspirou. Ele parecia preocupado. Seus olhos estavam preocupados mesmo quando ele os desviou para a janela. Havia uma hesitação nele que gritava que ele queria dizer algo a mais, mas propriedade não o permitia.

Kurt balançou a mão.

— Vai dar tudo certo. Estou com você, lembra? Não ele. Não é como se eu fosse aquele solista ridículode vocês.

— Ei. — Blaine lançou-lhe um olhar de aviso, mas ele estava sorrindo um pouco.

— Ei você. Você fica com as preocupações com Logan, e eu fico com a oportunidade de dizer que se esse solista voltar, vou ter que bater nele por causar todo esse problema em primeiro lugar.

— Então... agora que estamos lutando por você, você que está causando todo o problema? — Blaine arqueou uma sobrancelha.

— Não é uma luta quando você já ganhou — disse Kurt simplesmente. A frase recebeu uma expressão inestimável do rosto de Blaine. Kurt continuou casualmente: — Vou te ver no seu quarto depois da aula de reforço. Assim a gente pode jantar juntos.

Blaine encontrou-se sem fala — Kurt tomou controle sem quase nenhum esforço. Ele se perguntou se sempre fora assim com ele, lá em McKinley, abrigado em sua própria grandeza no meio de todos os outros. Mas ele não estava desgostoso com a proposta.

— Me soa bom... Supondo que nada aconteça de incomum em Windsor antes. — Ele sorriu. — E vou ter que expulsar Shane.

— Dê ele para Reed, tenho certeza que ele vai ficar mais que feliz. — Kurt sorriu torto. — E pode apostar que estou morrendo para ter um pouco mais de desenvolvimento entre seu irmão e meu amigo desastrado.

— Tem certeza que quer submeter Reed ao meu irmão...? Imagino que Reed pode ter possivelmente te dado nos nervos em alguma hora, mas me refuso a acreditar que ele mereça ser submetido à Shane e sua... — O olhar que ele recebeu de Kurt o fez sorrir e quase rir. — Certo. Você me pegou. Eu estava começando a ficar curioso também. — Ele desceu o corredor com Kurt, segurando sua mão no caminho. — Faz um tempinho desde que Shane realmente se interessou dessa forma por alguém.

— E Reed me disse que o sentimento é mútuo... até onde ele consegue retribuir. — Kurt sorriu de novo para seu namorado, os dedos entrelaçados. — Eles poderiam... provavelmente aprender um pouco um do outro.

— Se você diz... — Blaine então olhou para ele enquanto eles viravam à esquina para a cafeteria. — Acha que eles vão ficar bem?

— Eles vão ficar bem... — disse Kurt, sorrindo. — Contando que ninguém interfira, assim como aconteceu com a gente. Acha que seu irmão vai dar o primeiro passo?

— Mas, quanto à passos, Shane é um mestre — respondeu Blaine calmamente. — Só não posso garantir que são os certos.


— Shane? — Reed bisbilhotou dentro do quarto que ele dividia com Kurt, o último lugar onde ele tinha visto Shane. — Você está aí, Shane?

Ele não estava mais ali — o quarto estava vazio, salvo por Pavarotti, que parecia estar cochilando. Não havia planos para Shane voltar para casa até de noite, ou pelo menos foi isso que Blaine lhe dissera quando eles tiveram que deixar o outro garoto em Windsor (com a permissão hesitante de Howard). Todos além de Han estava em aula, e o Lagarta concordara em verificar de tempo em tempo para garantir que Shane ainda estava respirando e não tinha destruído nada.

Reed olhou ao redor apreensivamente, esperando que Shane não estivesse com problemas. Um garoto que ainda precisava de uma muleta e tinha um braço numa tala não poderia ter ido muito longe. Reed deixou o quarto para dar uma olhada, até que ouviu música tocando no final do corredor, atrás da porta do quarto de Blaine.

Surpreso, ele aproximou-se, e gentilmente abriu a porta.

Ele viu Shane ali, sentado no sofá, abraçando o violão de Blaine. Ele tirara a tala do braço e estava tocando uma melodia levemente. Atordoado, Reed entrou.

— Shane?

O outro garoto quase deu um pulo.

— Reed! Cara, você quase me fez infartar!

— O que você está fazendo? Pensei que seu braço estivesse quebrado!

— Não, não está — respondeu Shane distraidamente. — Os paramédicos que me trouxeram da montanha disseram que eu poderia ter rompido um tendão, mas quando os médicos de verdade puderam dar uma olhara, foi só uma torção séria ou algo assim.

— Quer dizer, você disse para Blaine que estava quebrado.

— Ele deixa eu fazer o que eu quero quando acha que estou machucado.

Reed cruzou o quarto com olhos tortos.

— Não faça isso com ele! Ele estava super preocupado com você todo esse tempo! Todos nós estávamos super preocupados com você quando você estava sumido!

— Ei! — Shane esticou-se no momento que viu Reed prender o pé no carpete. Ele segurou seu braço e conseguiu segurá-lo antes que o outro garoto saísse voando. Reed o olhou sem fôlego, um pouco aturdido, para encontrar Shane abraçando a perna onde ele tinha apoiado seu peso quando se moveu.

— Você...

— Minha perna, talvez você devesse saber, está machucada — respondeu Shane, cuidadosamente erguendo-a para movê-la. Ele suspirou. — … não posso dançar. Não vou poder por um tempinho. Acho que vou perder algumas apresentações e performances...

Reed o encarou. Shane era um dançarino como Blaine era um cantor, e se isso era qualquer indicação do seu amor pela sua arte...

— Bom... — Reed gagejou. — Pelo menos... seu braço não... está tão ruim.

Shane o olhou, e começou a rir.

— Relaxa! Credo... mas você está certo. — Ele suspirou, pegando o violão enquanto Reed sentava-se ao seu lado. — Eu realmente devia ter pensando em Blaine... não tenho ideia do que fiz ele passar.

— Você não pediu que acontecesse... — murmurou Reed, mas Shane parara de olhá-lo. Ele atingira um ponto fraco e sabia disso. — Hum...

Shane apenas levantou a mão para calá-lo.

— Não, não... você está certo. Eu devia pensar antes de fazer as coisas... aparentemente é bem útil.

Um silêncio estranho seguiu-se. Shane continuou a ignorar seu olhar, e Reed estava assistindo Shane tocar o violão levemente, um pouco fascinado. Shane estava tocando ociosamente, murmurando um pouco, e Reed esqueceu de seu objetivo original — verificar se ele comera alguma coisa.

— … você também toca? Como Blaine?

— Hm? Ah, um pouco... Não tão bem quanto ele. Mal consigo ler partituras. Só imito o que ouço.

— Você sabe cantar? Ouvi você cantando um pouquinho.

Shane agora o olhou suspeitosamente.

— Você... quer que eu cante? Na sua frente? Um Warbler? Isso é algum tipo de vingança via humilhação por fingir ter um braço quebrado?

Reed sorriu.

— Não. Eu só queria ouvir como era a voz do irmão do grande solista principal Blaine.

— Você deveria saber que eu pareço uma vaca morrendo.

Reed o acotovelou afiadamente. Shane tossiu e riu.

— Tá, tá! Tudo bem... Só um pouquinho.

Ele começou a tocar mais um pouco, forçando pouco já que ele claramente ainda tinha um braço machucado, mas ele dedilhou, cantarolando um pouco no começo. Ele começou a cantar cuidadosamente, sua voz com uma qualidade diferente da de Blaine, mas não era, de forma alguma, tão terrível como ele afirmava.

And if you were here (Se você estivesse aqui)

I could deceive you (Eu poderia te enganar)

And if you were here (E se você estivesse aqui)

you would believe…(Você acreditaria...)

Quando ele olhou para Reed enquanto cantava, direto nos olhos, o outro garoto sentiu a respiração se prender apenas um pouco. Ele tinha uma voz própria, e isso estava claro.

But would you suspect (Mas será que você suspeiraria)

my emotion wandering, yeah? (Da minha emoção afastando, é?)

Do not want a part of this anymore (Não quer mais fazer parte disso)

Ele sorriu para ele, como se pedindo por afirmação. Reed sorriu um pouco, aproximando-se mais um pouquinho, e começou a cantar com ele suavemente.

The rain water drips (As gotas de chuvas caem)

Through the cracks in the ceiling (Através das goteiras no teto)

And I'll have to spend my time on repair (E tenho que passar meu tempo no reparo)

And just like the rain I'll be always fallin', yeah (E assim como a chuva sempre estarei caindo, é)

Only to rise and fall again (Só para me levantar e cair de novo)

Shane continuou a tocar, nem olhando para o que estava fazendo, os dois olhando-se enquanto a música continuava. Enquanto Shane o encarava, Reed começou a lentamente sorrir para ele, declarando sem palavras que ele não era um cantor nem um pouco ruim. Shane pareceu um pouco envergonhado e desviou os olhos.

Ele começaram a cantar de novo, as vozes aumentando.

And if you were here (Se você estivesse aqui)

I could deceive you (Eu poderia te enganar)

And if you were here (E se você estivesse aqui)

you would believe (Você acreditaria)

But would you suspect (Mas será que você suspeiraria)

my emotion wandering, yeah? (Da minha emoção afastando, é?)

Do not want a part of this anymore (Não quer mais fazer parte disso)

Suas vozes diminuíram conforme a música acabava, Reed agora inclinando-se contra seu ombro um pouco. Shane apreciou enquanto durasse.

But just like the rain (Mas assim como a chuva)

I'll be always fallin', yeah (Eu sempre estarei caindo, é).

Only to rise and fall again…(Só para me levantar e cair de novo...)

A música terminou, e Reed olhou para Shane com um sorriso. Shane parecia triplamente mais vermelho agora, mas apenas balançou a cabeça com uma risada curta.

— … primeira vez que eu já te ouvi cantar... e... você tinha que cantar comigo. — Ele o olhou. — Me cante um solo da próxima vez.

— Mas eu gostei de cantar com você... — replicou Reed facilmente. — Você não parece uma vaca morrendo.

— Ah, elogios do mestre. — Shane imitou uma expressão de completa adoração. — Sinto-me profundamente honrado de receber tão esplêndido louvor! Já posso morrer feliz!

Reed ficou vermelho e bateu no seu ombro.

— Vem — disse ele, levantando-se. — Vamos comer alguma coisa. Claramente, sua falta de nutrição já está te afetando.

Mas mesmo quando ele ajudou Shane a se levantar, Reed não conseguia olhá-lo nos olhos, mesmo com suas mãos nos braços musculosos que traduziam em um forte dançarino. Cantar com Shane fizera-o lembrar-se de Kurt e Blaine quando eles cantavam juntos. Da forma com que eles o fazia — sempre parecia que eles estavam conversando pela música.

Ele ainda não tinha aprendido essa arte — ele só começara a cantar solos recentemente —, mas ele não podia evitar pensar se Shane já percebera que ele gostava dele.

Talvez ele pudesse deixar isso claro, em algum tempo no futuro. Com um pouco de coragem, ele decidiu, lembrando-se da palavra sobre a foto de Blaine na mesa de Kurt.


Harvey e Medel estavam na frente dos Warblers reunidos depois da aula, os dois sorrindo.

— Certo, garotos, acalmem-se, acalmem-se — disse Harvey, gesticulando para que eles se sentassem. Os Warblers podiam dizer pela suas expressão que alguma coisa importante ia acontecer, e rapidamente ajeitaram-se em seus lugares.

— Ei — disse Blaine no momento que Wes e David sentaram-se ao lado dele e de Kurt. — Não vi vocês o dia todo. Como foi?

— Ela... é, ela... sabe... mesma coisa... nada pra se preocupar — disse David distraidamente, fazendo um gesto de "deixa pra lá". Mas seus olhos estavam terrivelmente distantes. Wes continuava a olhá-lo, apreensivo, e ele olhou para Blaine balançando a cabeça. Kurt o olhou exigindo uma explicação, mas Wes apenas gesticulou para que ele esperasse que ele contaria tudo mais tarde.

Os Tweedles entreolharam-se pelo canto do olho por um longo tempo com uma expressão que sugeria que ele já tinha imaginado o que estava acontecendo — que era algo com que David precisava se preocupar. Mas eles esperariam até que estivesse de volta à Windsor para poder encurralá-lo e exigir por explicações.

Harvey olhou para os gêmeos como se pudesse disser apenas por instinto que eles estavam planejando algo, mas começou:

— Tudo bem então. Como vocês sabem, realmente precisamos melhorar nossa estratégia. Passamos pelas Seccionais, mas para ser bem franco, o Sr. Schuester de McKinley e eu concordamos que não estávamos dando o nosso melhor. O empate significa que apenas somos decentes nesse ponto. — Os Warblers se entreolharam culposamente. — Nós fomos um pouco melhor durante o Festival de Inverno — adicionou Harvey como se para dispersar a direta declaração. — Kurt e Reed foram ótimos... — ele parou com o aplauso que se seguiu, e Kurt sorriu com prazer, endireitando-se, enquanto Reed apenas ficou vermelho com um sorriso, abaixando a cabeça — … e nós vamos tentar manter esse tipo de energia.

— Decidimos que, desde que Reed provou-se excelente, vamos dar mais chances para um lugar de liderança — disse Medel com um sorriso. — Afinal, não sabemos quem mais pode estar apenas escondendo aquela prezada habilidade qualificada para o trabalho.

O sorriso de Kurt caiu um pouco. Mais competição? Depois que ele fora escolhido no lugar de Blaine e Logan, os dois principais cantores, pela primeira vez? De jeito nenhum ele não ia cantar solo nas Regionais, e isso era final.

Blaine, que podia dizer que todas essas emoções estavam passando por Kurt sem nem precisar olhá0lo, apenas sorriu afeiçoadamente. Esse traço competitivo de Kurt não era algo novo para ele — especialmente depois de assistir a ele e Rachel em ação.

— Agora — Medel olhou para todos eles, sorrindo —, o sr. Harvey e eu decidimos fazer uma pequena competição com isso. Para a futura Feira do Dia dos Namorados.

— Feira...? — murmurou Kurt, e Ethan inclinou-se para perto dele, sussurrando:

— Temos uma feira todo ano para o dia dos Namorados. Chamamos pessoas de outras escolas, coletamos dinheiro para caridade.

— É muito divertido. — Evan sorriu. — Gente pra caramba vem e a gente pode pregar peças em metade delas e não levar a culpa.

Kurt os calou com um aceno da mão enquanto Medel voltou a falar.

— Os Warblers irão apresentar-se na multidão para a Feira; e, considerando que é dia dos Namorados, vamos procurar ter mais duetos do que solos. Dois pares serão escolhidos para se apresentar no palco.

— Dois pares...? — arfaram alguns Warblers. Eles nunca tiveram dois duetos antes. Isso significava quatro cantores principais; o máximo que os Warblers jamais tinham tido em uma única apresentação.

Então havia alugar para todos, pensou Blaine. Mas então por que Medel estava sorrindo daquela forma?

— Esse dueto está aberto para todos. Qualquer um que queria se apresentar pode e deve cantar, em solo ou em dueto, na nossa frente aqui no Saguão dos Warblers. E eu acho que vocês deveriam, porque estamos falando de mais do que apenas a apresentação aqui. — Ele olhou para os garotos. — Quem quer que seja escolhido para apresentar-se na Feira do Dia dos Namorados será liberado de qualquer e todo trabalho relacionado à Feira. O que significa que vocês podem passar o tempo livre de vocês da forma que quiserem durante todo o dia.

Murmúrios começaram no Saguão, especialmente entre os garotos querendo passar o dia com seus acompanhantes para a Feira — e assistir todos os outros serem feitos de escravos para montarem tudo. Todos ajeitaram-se enquanto Harvey continuou:

— A essas mesmas quatro pessoas serão dados nota extra no exames do final do semestre — e agora os sussurros estavam ficando ainda mais altos — … e, finalmente, lhes será ada uma particular preferência para um solo durante as Regionais.

Kurt endireitou-se tanto que Reed achou que alguém tinha batido nele. Sobre o barulho de animação no Saguão dos Warblers, todos os garotos estavam mais que dispostos em darem uma chance a oportunidade não importasse quão improvável ela parecesse ser.

Blaine olhou para Kurt e sorriu.

— Então... você está planejando competir.

— Tente me impedir.

— Suponho que você não queria minha ajuda para... digamos... um dueto? — perguntou Blaine sutilmente. Isso chamou a atenção de Kurt. Blaine apenas sorriu. — Só estou dando a ideia... é no dia dos Namorados, afinal... Mas não importa o que aconteça, eu vou lutar por um lugar também. — Seus olhos estavam devastadoramente intensos nos de Kurt. — … eu quero cantar com você no palco. Na frente de todo mundo desta vez.

Kurt corou profundamente contra a vontade.

— … então melhor nós dois conseguirmos um lugar.

De repente o barulho de conversa aumentou na sala, e os outros ergueram os olhos para ver Wes levantando a mão silenciosamente. Harvey o olhou e assentiu.

— Sim, Wes?

Wes levantou-se lentamente e David o olhou em surpresa.

— Senhor, se o senhor permitisse... eu sei que não é como as coisas normalmente funcionam, mas eu só precisava tirar algo do peito. Eu gostaria de apresentar algo, se fosse possível.

— Você quer cantar, então? — disse Medel, piscando, surpresa. Wes já cantara solo em duelos, mas já fazia algum tempo desde a última vez.

— Sim — disse ele com finalidade. — A verdade é... eu queria cantar para alguém que está aqui... um grande amigo meu. E sinto que ele não vai me ouvir a não ser que eu faça algo drástico. E... — Ele respirou fundo e não olhou para David, que o estava encarando. — … eu realmente queria que ele falasse comigo.

Os dois diretores se entreolharam enquanto os outros Warblers começaram a cochichar confusamente. Blaine e Kurt se entreolharam, e então de volta para os outros dois — um intenso, o outro um pouco cansado. E entre Wes e David, era o inverso do que normalmente acontecia.

Medel olhou para os dois amigos e talvez sabia de seu próprio jeito o que estava acontecendo. Ela olhou para Harvey significativamente. Ele olhou para eles, pensou um pouco, e ela arqueou as sobrancelhas. Ele suspirou, mas sorriu, gesticulando para Wes.

— Faça o precisar. — Ele não apreciava rixas entre os Warblers, e prezava a união deles. Se essa era o próprio jeito deles de consertá-la, então ele sabia que precisava permitir.

— Obrigado, senhor. — Ele moveu-se para a frente, sua manga fora do alcance de David mesmo quando ele tentou pará-lo. Os gêmeos inclinaram-se para a frente, interessados, e até Logan parou de olhar para as partituras em seu colo para assistir.

Wes moveu-se para a frente, indicando-se alguns dos Warblers mais novos ao passar — entre eles Drew de Windsor, Bailey de Stuart e Jesse de Hanover — provavelmente garotos com quem ele falara antes do encontro, já que ele levantaram-se e o seguiram.

O grupo moveu-se para a frente, com Wes no meio deles. Os outros garotos começaram a fazer uma harmonia para ele, um tom firme em perfeita união como todos os Warblers eram capazes de fazer.

Wes ergueu a cabeça, olhando para ninguém em particular, e começou a cantar.

She's all laid up in bed with a broken heart (Ela está deitada na cama com um coração partido)

While I'm drinking jack all alone in my local bar (Enquanto eu bebo vodka sozinho no bar local)

And we don't know how— (E não sabemos como)

How we got into this mad situation (Chegamos a essa louca situação)

Only doing things out of frustration (Só fazendo coisas por causa da frustração)

Trying to make it work but man, these times are hard… (Tentando dar um jeito mas, cara, os tempos estão difíceis)

Alguns Warblers começaram a cantar também, harmonizando com sua voz, e os outros Warblers pareciam surpresos. A música tinha um objetivo original completamente diferente, mas a forma com que Wes a cantava dava uma outra interpretação. Ele estava certamento tentando ajudar alguém.

Kurt virou-se para David, que parecia um pouco atordoado ao abaixar os olhos.

Wes continuou a cantar.

And we don't know we got into this mess it's a gods test (E não sei como chegamos a essa confusão, é um teste dos deuses)

Someone help us cause we're doing our best (Alguém nos ajuda porque estamos dando nosso melhor)

Trying to make it work but man, these times are hard… (Tentando dar um jeito mas, cara, os tempos estão difíceis)

But we're gonna start by drinking old cheap bottles of wine (mas vamos começar bebendo garrafas velha de vinho barato)

Sit talking up all night… (De pé conversando a noite toda...)

Saying things we haven't for a while, a while yeah (Dizendo coisas que não dizemos faz tempo, faz tempo é)

We're smiling but we're close to tears (Estamos sorrindo mas estamos próximos às lágrimas)

Even after all these years (Mesmo com todos esses anos)

We just now got the feeling that we're meeting (Só agora temos a sensação de nos encontrar)

For the first time… (Pela primeira vez...)

Enquanto os Warblers na frente continuaram a cantar, em uma melodia perfeita usando apenas suas vozes, David inclinou-se no seu assento, um pouco incapaz de reagir ao fato de que Wes estava disposto a ir à tais alturas apenas para chamar sua atenção — para fazê-lo entender quando palavras comuns não era o bastante.

E, pela primeira vez, Wes encontrou seu olhar.

She's in line at the door with her head held high (Ela esta na porta com a cabeça erguida)

While I just lost my job but didn't lose my fight (Enquanto eu acabei de perder o trabalho mas não perdi a luta)

But we both know how— (Mas nós dois sabemos como)

How we're gonna make it work when it hurts (Como vamos dar um jeito quando dói)

When you pick yourself up you get kicked in the dirt (Quando você se monta você é jogado na lama)

Trying to make it work but man, these times are hard (Tentando dar um jeito mas, cara, os tempos estão difíceis)

Wes não desviou os olhos do de David. Ele não sabia o que tinha que fazer para ajudar seu amigo, mas ele precisava que ele soubesse que ele estava ali, e ele queria ajudar. E não importava o quão forte David achava que era, ninguém deveria ter que passar por isso sozinho.

Sit talking up all night… (De pé falando a noite toda)

Saying things we haven't for a while, a while yeah

We're smiling but we're close to tears (Estamos sorrindo mas estão próximos às lágrimas)

Even after all these years (Mesmo depois de todos esses anos)

We just now got the feeling that we're meeting (Só agora temos a sensação de nos encontrar)

For the first time… (Pela primeira vez...)

David e Wes tinha sido melhores amigos desde o começo do ensino médio. E para ambos, esses anos pareciam ter durado para sempre, mesmo os dias às avessas quando eles tinham a presença um do outro pelo bom e pela ruim. Eles tinham sido inseparáveis, mas essa dureza que estava surgindo em David, mesmo quando Wes estava ali ao seu lado...

Ele podia ter esquecido que ele tinha um amigo com quem podia contar. E um tão teimoso que ele iria — independente do que fosse dito — dar um jeito de apoiá-lo de alguma forma, principalmente agora que ele estava lentamente se perdendo.

Oh these times are hard (Ah, os tempos estão difíceis)

Yeah they're making us crazy… (É, eles estão nos deixando loucos...)

Enquanto a música terminava, Wes finalmente abaixou os olhos. Os Warblers explodiram em aplausos, todos bem impressionados. Os garotos mais novos estavam gratos com a aprovação dos outros, mas Wes não estava ali para procurar por aprovação.

Ele voltou-se para Harvey e assentiu.

— Obrigado, sr. Harvey, sra. Medel.

— Você foi ótimo... — respondeu Medel com um sorriso, colocando uma mão nas suas costas quando ele passou por ela. — Todos vocês. Foi lindo.

— Isso foi — afirmou Harvey. Ele sorriu um pouco ao voltar-se para o resto dos garotos. — Vocês ouviram Wes aqui. Vão ter que ser tão bons quanto, e talvez até ainda melhores, se querem aquele solo e tudo que vem com ele.

Conversas explodiram na sala novamente, todos animadamente falando e fazendo planos. Se a apresentação de Wes fora qualquer indicação, a competição era dura.

Mas quando Wes sentou-se no seu lugar entre David e Blaine, ele não disse nada. Blaine virou-se para ele e gostaria de ter falado alguma coisa, mas Wes apenas levantou a mão sutilmente, apenas dobrando seu pulso levemente, como se pedindo que ele não dissesse o que estava prestes a dizer.

Blaine o encarou, e então David. David também estava olhando para o chão. E, depois de um momento de hesitação terrível, ele soltou a respiração.

— … tá — sussurrou ele. — Tá, Wes, eu entendi.

— Vamos conversar depois — replicou Wes quietamente.

David assentiu. Ele não estava certo do que ia dizer. Mas tinha a sensação de que contar para seus amigos alguma coisa — qualquer coisa — seria o suficiente. Tanto para eles quando para ele.


Músicas do capítulo

If You Were Here, de Cary Brorther

For the First Time, de The Script


N/T.: desculpa só postar hoje, mas com The Box Scene, I Want You Back e Hello 12 essa semana, eu não estive em condições de me concentrar em tradução. Eu estava muito ocupada fangirling no Tumblr.

(E se vocês ainda não viram pelo menos The Box Scene, procurem no YouTube: Klaine — The Box Scene (legendado). Um pessoal do GleekOutBr postou. E depois podem me mandar mensagem surtando, porque eu ainda não superei a cena.)

E se vocês amam o Burt tanto quanto eu, deem uma olhada na tradução que o Coldplayer01 está fazendo, Burt and the Kid. É sobre o relacionamento do Burt e do Blaine. Já tem três capítulos, e eu estou adorando.

Contando que o Ryan não poste nenhuma cena nova essa semana - ele provavelmente vai postar, já que descobriu como fazer o fandom o amar e vai aproveitar enquanto pode -, capítulo novo (ou a terceira parte desse) no sábado :)