POV Draco

- PAPAI! – o grito estridente me fez levantar de imediato na cama

Gina sentou prontamente também, apenas cobriu o corpo nu com um lençol enquanto eu vestia a calça que estava jogada no chão.

- Ele deve ter tido um pesadelo, só isso! – eu a acalmei e tentei me acalmar também, mas algo me dizia que não era só isso

Andei pelo corredor escuro com cautela, a varinha em punho. A vida tinha me ensinado a desconfiar de tudo. Catherine começou a chorar no quarto ao lado, ouvi Gina se levantar para vestir uma roupa.

- Enzo? – chamei quando cheguei a porta do seu quarto

- Papai! – ele estava logo ali, em pé diante da porta, os olhos cheios de lágrimas

- O que houve pequeno? – pedi estranhando tudo aquilo

- Não consigo sair! – ele disse fungando

- Do quê está falando? – aproximei-me da porta, mas algo me repeliu de volta – O que é isso?

- Meu quarto está cheio de monstros papai...e eu não consigo sair... – ele voltou a chorar, os olhos fixos em mim

- O papai já vai tirar você daí! – eu comecei a ficar agoniado, levantei a varinha para a porta – Finite Incantatem!

O feitiço ricocheteou na barreira invisível e voltou na parede atrás de mim. Alguma coisa não me deixava entrar no quarto do meu filho.

- Está tudo bem? – Gina apareceu do meu lado, Catherine estava em seus braços

- Chame o Potter! – eu falei baixinho – Júlia fez alguma coisa antes de ser presa e eu não sei como quebrar!

- Do quê está falando? – ela pediu, assustada

- Chame o Potter, agora! – eu exclamei voltando a olhar para Enzo – Meu pequeno, o papai não vai sair daqui está bem?

- Eles estão dizendo que vão me levar para junto da mamãe! – Enzo parecia estranhamente calmo, sentou sobre os joelhos no chão e ficou ali

- Não vão levar você! Não agora! – eu me exasperei – Quem são eles?

- São negros, tem rostos estranhos... – ele olhou para cima e para os lados, estava sendo assombrado por monstros inexistentes e eu nada podia fazer

- Eles não vão pegar você! Ouviu, não vão, porque eu não vou deixar! – eu me aproximei o máximo que podia e me sentei de frente para ele – Você gosta daqui?

- Prefiro a casa na praia. – ele deu de ombros

- E você gostaria de morar lá com a mamãe, a Catherine e comigo? – pedi, tentei distraí-lo

- Nós ficaríamos sempre lá? – ele pediu, por um momento vi seus olhos brilharem

- Sempre, si viríamos para a cidade para visitarmos quem gostamos! – eu sorri de lado – Você quer?

- Eles disseram que eu não vou porque não vou sair daqui... – ele deu de ombros

- Não está com medo? – engoli em seco, como ele podia estar tão calmo se tinha apenas sete anos?

- Mamãe está aqui...não preciso ter medo! – ele sorriu para mim – Ela disse que você está muito bonito.

- Sua mãe...? – minha voz embargou – O que mais ela diz?

- Que finalmente você consegue sorrir... – ele falou com calma, olhou para o lado esquerdo e sorriu para o nada

- Diga a ela que eu sinto muito! – eu suspirei pesadamente

- Mamãe disse que não foi sua culpa, que ela já sabia de tudo e que segue amando você...

- Eu também a amo! – sussurrei

- Não, você ama a mamãe Gina... – ele voltou a olhar para mim – Minha mãe disse que entende e que seu amor por ela é verdadeiro, mas que pela Gina é muito mais forte. Ela disse que sabe que você a ama e que merece ser feliz ao lado da sua alma gêmea.

- Ela vai levar você? – pedi baixinho – Não quero que ela me tire você! Não vou suportar!

- Ela só está aqui para me proteger, disse que irá me levar com carinho se algo acontecer, mas que meu lugar é ao seu lado. – ele deixou uma lágrima escapar

- Eu te amo pequeno, não quero me separar de você! Diga o que posso fazer e eu farei, qualquer coisa para ter você aqui comigo ao alcance dos meus braços! – eu mordi meu lábio com força, eu só queria que tudo aquilo acabasse

- O que houve Draco? – Potter apareceu na ponta do corredor

- Aquela maldita fez algo no quarto do meu filho, ele não consegue sair dali e tem monstros o assombrando! – eu me levantei – Não sei o que fazer para quebrar a barreira! Não consigo entrar!

- Vou mandar um patrono para Azkaban, quero que eles quebrem todo o contato mental que Júlia possa ter com essa maldição! – ele balançou a cabeça e o cervo prateado saiu voando – Creio que não poderemos fazer nada...

- De que adianta ser um auror, se não pode fazer nada contra uma maldição? – indaguei furioso

- Maldições exigem contato visual, mas pelo que percebi a sua queria inimiga consegue isso só com a mente! – ele esbravejou também – Tem sorte de seu filho não estar desesperado!

- Alexia está com ele! – eu disse, indiferente

Potter arregalou os olhos para mim e balançou negativamente a cabeça, como se eu estivesse louco.

- Estou falando sério! Ele mesmo disse! – eu esfreguei meu rosto – Só quero que isso acabe! Tudo isso! Por favor...

- Você está implorando! – ele riu com gosto

- Cale a boca Potter e tire meu filho dali! – eu rosnei

- Vou tirar! – ele apoiou a mão em meu ombro

O patrono voltou com uma nova mensagem que só ele pode ouvir e então o Potter aproximou-se da porta e levantou a varinha.

- Não sei como seu filho irá sair dali. – ele disse sem olhar para mim – Mas aconselho a ir embora dessa mansão, há muitas mortes aqui dentro! Não vai conseguir ser feliz aqui Draco!

- Eu sei. É o que pretendo fazer. – eu prendi a respiração

A luz da varinha de Harry atingiu a barreira, ela quebrou-se em vários pedaços, como cinzas. Parecia a morte em pessoa na minha casa.

- Enzo, você pode vir agora. – eu abri os braços

O pequeno hesitou, mas então correu e se atirou em meus braços, eu o ergui firme em meu colo, sem querer largá-la nunca mais. Olhei por sobre seu ombro, no quarto, sentada sobre a cama estava ela.

Os cabelos negros, os olhos azuis. Alexia. Ela sorria calmamente, bem, como nunca estivera em vida. Ela estava linda e em paz.

- Obrigado. – sussurrei

Ela acenou e mandou um beijo no ar, depois desapareceu para nunca mais voltar.

- O que aconteceu com Júlia? – perguntei enquanto descia para o andar inferior

- Recebeu o beijo do dementador. – ele disse baixo, Enzo não ouviu

- Posso parecer um monstro, mas ela merecia. – eu estava sério demais

Gina estava sentada no sofá, Pansy estava junto com ela e no outro sofá Catherine e um garotinho dormiam tranquilamente.

- Agora tudo acabou? – Gina pediu baixinho

Eu podia ver o sofrimento no rosto dela, em seu olhar. Queria poder dizer que sim, mas eu não conseguia, porque nem eu sabia se havia realmente acabado. Tudo o que eu sabia era que aquela que nutria um ódio mortal por mim e meu filho, estava sem alma presa em uma masmorra naquela ilha infernal.

- Eu não sei...O único jeito seria se você...

- Nem pense! – ela se levantou e veio até mim abraçando Enzo e a mim junto – Eu te amo, vamos dar um jeito!

- Como eu disse, se fosse você, começaria uma vida longe daqui. – Harry bateu a mão em meu ombro e então seguiu até Pansy – As coisas vão melhorar agora, você vai ver...

- Obrigado. – eu agradeci e aconcheguei Gina em meus braços

Iria melhorar sim, como Alexia disse, eu merecia ser feliz agora.