25. Tão diferentes, tão iguais.
Emmett estava deitado em sua cama, e olhava-me ansioso. Aqueles eram os seus últimos minutos como vampiro. Eu estava sentada na beirada da mesma cama, temerosa. Eu estava com muito medo de que tudo desse errado. Eu também não queria vê-lo sofrendo, sentindo a dor da re-transformação o consumindo. Mas eu não podia voltar atrás. Tinha dado a minha palavra a Emmett, e eu mesma mal podia esperar para voltar a ter uma vida normal. Mesmo sendo limitada, a vida humana é algo incomparável. Estava sentindo falta de algumas sensações, que eu só sentia quando era humana. Apesar das dores e de todas as desvantagens, eu sentia falta de ser humana.
Transformei-me pela última vez, e olhei-me no espelho. Era a última vez que eu me veria na forma lupina. Nunca mais eu me transformaria naquele lobo cinzento, que tinha os olhos súplices, e, ao mesmo tempo, um aspecto corajoso. Aproximei-me de Emmett. Eu precisava fazer aquilo transformada, senão não daria certo. Ele afagou o meu focinho, e disse que tudo ia dar certo.
Tomada por um fôlego de confiança, abri a boca e posicionei meus dentes exatamente sobre as marcas no pescoço de Emmett. Fechei os olhos. Hesitei por um momento, e, calma e vagarosamente, mordi. Ele começou a gritar, seu corpo contorcendo-se em dor. As batidas do meu coração aceleraram, e minha respiração começou a falhar. Minhas articulações doíam, uma dor afiada e excruciante. Arranjei forças para voltar à minha forma humana. Quando voltei, vi no espelho que eu era aquela Julie que eu tanto senti falta. A Julie franzina. A Julie humana.
Emmett continuava a gritar, e aproximei-me dele, desesperada. Carlisle, que estava acompanhando a re-transformação, me puxou para fora do quarto, o que me deixou mais desesperada ainda. Ficar sem saber como Emmett estava era como enfiar um punhal em meu peito. Não agüentaria se algo de ruim acontecesse com ele! Se ele morresse, com certeza eu morreria junto com ele.
Três dias depois, voltei ao quarto de Emmett para ver como ele estava. Ele parecia dormir profundamente, seu peito movimentava-se enquanto ele respirava. Calmamente, sentei-me na beirada da cama e toquei em seu peito. Seu coração batia, e sua pele não era mais fria. Estava tão quente quanto a minha. Abracei-o. Ele também não cheirava mais a vampiro, mas até o seu cheiro humano me instigava.
Senti uma mão tocar as minhas costas, e olhei para o rosto de Emmett. Ele tinha acordado. Seus olhos não eram mais marrom-dourados. Eram azuis. Azuis límpidos como as águas dos oceanos, que facilmente faziam-me mergulhar neles e afundar-me em suas profundezas. Ele sorriu. Dentes alvos, perfeitamente talhados. Meu sentimento por ele não havia mudado. Creio que até tivesse aumentado. Eu amava Emmett mais do que tudo, e eu sabia que aquele era o começo. O começo de uma vida juntos, aproveitando cada momento com intensidade. O começo do resto de nossas vidas.
"O amor é incondicional. Ele não vê restrições. Não vê idade, etnia, sexo ou religião. É apenas amor. E, por mais que a pessoa que você ame seja diferente de você, tem algo que faz com que vocês se tornem as pessoas mais parecidas do mundo, e que todas as diferenças caiam por terra: o amor que um sente pelo outro."
