NOVO CAP ON!

Finalmente, ugh! A demora deve-se a mais uma época de exames longe de terminar ;_; socorro!

Mas não se esqueçam, o facto de eu não conseguir postar não significa que eu não continue escrevendo! - talvez seja melhor colocar um alerta para estar a par das atualizações mais facilmente.

Agradecimentos: A quem acompanha a fic e principalmente a todas as pessoas que, apesar da demora em atualizar, deixam feedback - espero que continuem a seguir, a gostar e a deixar a vossa opinião, encoraja-me e motiva-me bastante, sobretudo agora nesta parte tão crucial!

AVISO: Draco Malfoy está irritado. Ele diz/pensa asneiras quando está irritado.

Bom, acho que é tudo e que não me escapou nenhuma gralha, mas já se sabe como é, apanhá-las a todas é uma grande proeza.

Disclaimer: Harry Potter não me pertence, não lucro com nada disto, a ideia é minha e esta fic também and so on. (Se eu pudesse roubava Malfoy e o vestido de Bellatrix, MAS NÃO VOU ROUBAR, portanto escusam de me acusar disso se acontecer)


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You Shall Overcome

O Violinista

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Hermione fez um gesto com a varinha. Draco conseguiu ouvir claramente a porta trancar-se atrás de si enquanto observava silenciosamente o movimento que a jovem fez. Sabia que Granger devia estar a adorar exibir as suas qualidades de "bruxa muito acima da média" enquanto o atraía para aquela jaula. O desconforto que sentia acentuou-se assim que os seus instintos despertaram e disseram-lhe que quanto mais cedo saísse dali, mais probabilidades teria de escapar àquelas perigosas garras, que, discreta e praticamente, já se haviam fechado à sua volta.

- Não são horas para exibir qualidades. – comentou, escondendo a irritação que o invadia. Voltou costas à rapariga no mesmo instante e, dirigindo-se para a porta, retirou a sua varinha do manto e amaldiçoou-se por segundos ao constatar que, ao contrário dela, ele não conseguia lançar feitiços não-verbais. Rangeu os dentes, sentindo o seu orgulho ferido ao pronunciar o mais baixo possível e a contragosto – Alohomora.

- Oh, eu receio que isso não seja suficiente.

Malfoy tentou mais duas vezes o feitiço, que fora realizado corretamente. Tentando conter a raiva crescente, voltou-se de novo para ela com os olhos brilhantes de exigências.

- Abre a porta. Agora – ordenou fria, calma e pausadamente.

A Gryffindor sentara-se de pernas cruzadas no parapeito da janela, deixando transparecer o desafio que lançava ao rapaz no seu olhar. Mentiria se negasse o gozo que a situação lhe estava a proporcionar.

- Não sem antes conversarmos. Consegues conversar, Malfoy?

- Sua…

- Ah, ah – avisou – se me ofenderes podemos passar aqui a noite. Tu também dormes, Malfoy? – desta vez não conseguiu esconder o pequeno sorriso de superioridade formado nos seus lábios. Era ela quem estava, pela primeira vez, no comando.

Draco apertou com força a varinha na sua mão de forma a impedir o impulso de a amaldiçoar. Com o mesmo intuito, mordia também os lábios.

Respirou fundo um par de vezes.

Não ia dar o gostinho de se rebaixar mas também não podia ficar ali muito mais tempo. Se ficasse, as coisas poderiam descontrolar-se, uma vez que Hermione assumira sem rodeios a sua faceta mais perigosa. Sabia que ela atacaria em força e com toda a sua graça, de forma certeira e impiedosa. Perante esta sua faceta, este seu lado normalmente adormecido, ele sempre se rendera.

- O que é que queres?

- Apenas conversar, nada que ocupe muito o tempo de sua Alteza. – sentia em si um incontrolável desejo de provocar e torturar o loiro. Desde quando é que era capaz de agir ou falar assim? Era uma pergunta para a qual não tinha resposta e, se não tivesse mais em que pensar, perceberia que estava muito mais surpreendida com o seu próprio comportamento do que o jovem à sua frente. Na verdade, se se tivesse dedicado a analisar a sua postura, viria que a atitude dele demonstrava alguém reencontrando-se com um velho, indesejado mas viciante inimigo.

Contudo, Hermione não tinha a mente focada para verificar todos os pormenores que ele descuidada e involuntariamente lhe dava de mão beijada. Não, a sua preocupação era outra. Precisava testar se ele ainda estava sob o efeito do que lhe dera. De início não soubera bem como o iria fazer, mas assim que entrara naquela sala a resposta surgiu de imediato na sua mente, como se sempre estivesse lá estado. Aliás, tal resposta de tal maneira óbvia que, se a tivesse deixado passar, esconder-se-ia nos seus lençóis durante os próximos dias, envergonhada com o tamanho da sua idiotice.

- Despacha lá isso então, – retorquiu impacientemente o loiro – tenho mais que fazer.

- Relaxa, eu não te vou pegar a doença dos Sangue de Lama – consolou com despeito.

Draco não podia estar mais nas tintas para a tal "doença". O que ele queria era estar longe daquele ser em específico, tivesse ele o mais sujo ou puro dos sangues, não faria qualquer diferença. Hermione não se reduzia a carne e osso, embora tal fosse aceitável. Não, ela era muito mais que isso, era essência. Uma essência que o intoxicava de tal forma que perdia o ar, e isto sem sequer estar perto dele, sem ter necessidade de olhar para ele. Não era a doença que ele temia, era somente ela. Ela, que simplesmente não fazia ideia do quanto o destabilizava e, se Merlin e todo o seu autocontrolo permitissem, nunca iria redescobri-lo.

Observado a contraditória e incerta atitude de Malfoy, a curiosidade da jovem aguçou-se ainda mais. Estaria ali, perante ela e à sua mercê, uma faceta que nunca vira? Queria descobrir e tirar o máximo proveito disso, mas sentia as areias do tempo moverem-se e escorregarem por entre os seus dedos.

Teria que lutar contra tal ímpeto com toda a sua veemência. Encheu o peito de ar, estava na hora de dizer o que queria. Para tal teria que batalhar com o nó na sua garganta que tentava demovê-la, assim como os nervos que a atacavam de mansinho para, depois disso, se instalarem em força.

Toda a confiança que a invadira momentos antes parecia desvanecer-se, mas ela rapidamente a substituiu por determinação. Estava ali a sua chance, era agora o seu momento.

- Malfoy… - começou, apertando o saco que se encontrava repousado entre as suas pernas cruzadas. Ele encarava-a, tentando envergar uma falsa calma, em vão. Procurava perceber o porquê da drástica mudança de atitude e Hermione conseguia ver que ele estava nervoso também, apenas não tanto quanto ela. Ainda – … és tu o violinista?

A pergunta fez Draco arregalar os olhos. Porque raio é que aquele assunto tinha que vir à baila novamente? Era suposto já estar morto e enterrado, ele não voltara a tocar desde que queimara o seu instrumento e aconteceram demasiadas coisas desde então, contara que, com tudo isso, a jovem se esqueceria do assunto e ocuparia a sua cabeça com algo mais relevante. Mas não, ele devia ter percebido que tal era bom demais, que a sabichona nunca iria deixar um mistério de Hogwarts sem solução. Estúpida – maldita – teimosia muggle!

Enganara-se e, de certa forma, fora ingénuo.

Era óbvio que Hermione não iria deixar escapar o assunto tão facilmente, não sem ter a certeza absoluta de que estava errada. Ele devia sabê-lo, já que conhecia a sua persistência como ninguém. Contudo, já havia esgotado todos os seus recursos e esforços para a convencer. Ele negara, despistara-a, mostrara-lhe o seu saco… que mais poderia ter feito? Brincar outra vez às escondidas? Mentir e negar novamente? Ela pelos vistos parecia não se importar que tal acontecesse, visto que permanentemente quase lhe implorava para ser ludibriada. Sabia que não o fazia conscientemente, mas, mesmo assim, não deixava de ser irónico.

Suspirou, tentando ocultar o que ia na sua mente. Sentia que era meticulosamente observado e a inicial surpresa fora certamente captada, portanto agora convinha encobrir o resto. Enganar Hermione era algo que ele nunca fizera enquanto estivera com ela, uma vez que o simples facto de lhe ocultar coisas já de si era extremamente complicado. No entanto, desde então que a situação alterara-se drasticamente.

Ele passara a precisar desesperadamente de o fazer.

E era o que faria agora novamente, não tinha outra hipótese. Recusava-se a correr o risco de criar os mínimos laços. Bolas, tinha lutado o melhor que conseguia para o evitar até ao momento – com falhas, é certo, uma delas quase fatal, mas as outras haviam sido corrigidas e estavam destinadas a não acontecer novamente –, não podia deitar tudo a perder, o que estava em jogo era-lhe demasiado querido.

Ela era-lhe demasiado querida.

Franziu o nariz, enjoado consigo próprio. Envergonhava-se de ter tais pensamentos dignos dos fracos de espírito. Faziam com que parecesse uma menininha ridícula e frágil do seu vestido de folhos cor-de-rosa. Só a imagem era digna que provocar o vómito. Poderia, secretamente e apenas para si, parecer uma menina, mas iria voltar a ser um homem. Um homem que todos veriam e aplaudiriam pelo sucesso que alcançaria. Viria a ser respeitado e respeitado, deixaria os seus pais orgulhosos. E tinha a certeza que, se as coisas tivessem sido diferentes, também ela ficaria orgulhosa. Ele queria ser esse tipo de homem.

E foi isso que lhe deu coragem para abrir a boca, preparando mentalmente e com todo o descaramento a sua mais recente mentira porque, afinal de contas, passara a ser essa a sua especialidade.

- Sim, sou eu.

Hermione olhou para ele sem demonstrar qualquer tipo de reação, a sua expressão mantendo-se neutra como se fosse um mestre de um jogo muggle, aquele onde se aposta imenso dinheiro, seja qual for o nome de tal futilidade.

- Eu sabia...

Draco franziu as sobrancelhas, surpreendido. Acabara de ouvir a sua própria voz banalmente responder com toda a serenidade à pergunta. E respondera com a verdade. Estava louco? Quanto tempo iria demorar a emendar a borrada que fizera?

Nenhum.

- Ah, não, quero dizer, sim, sou eu o violinist- - mordeu a língua antes de terminar. Mas que brincadeira era aquela, afinal? O seu cérebro comandava uma ordem e a sua boca fazia o oposto enquanto os seus olhos procuravam não babar perante o sorriso triunfante que aos poucos se delineava no rosto de Hermione. Era surreal.

De início, ela ficara tão surpreendida quanto ele. Obter a confirmação, mesmo quando já desconfiava, bem lá no fundo, da identidade do violinista, fora algo que impreterivelmente a deixaria sem reação. No entanto, depois de se recompor, podia ver com toda a clareza a confusão que se apoderava dele, e fê-lo com grande satisfação. O jovem, desnorteado, era realmente qualquer coisa. Qualquer coisa muito… magnética.

- Ora, ora, quem diria… quase que ficas amoroso quando não sabes o que fazer.

- Cala a boca! – ripostou, nervoso – Que raio é que se passa aqui?

- Não faço ideia, mas tu devias saber. Afinal de contas, após teres feito uma poção tão difícil hoje de manhã, és o novo geniozinho do Castelo.

Malfoy encarou-a com desdém. A cabra, não percebia como é que uma cobra daquelas fora parar a Gryffindor.

- Não me gozes, sabes perfeitamente que a poção não era assim tão complicada. Aliás, não compreendo como é que tu não conseguiste fazê-la, trocar quantidade de… - interrompeu-se ao ver o rosto dela escurecer noutro tipo de sorriso. O tipo de sorriso que raramente surgia naqueles lábios mas que, quando tal acontecia, revelava um lado obscura de uma personalidade constantemente enterrada. Um lado que até ele vira poucas vezes. Ao recordar-se de uma delas, vacilou ligeiramente, apercebendo-se aos poucos do que se passava – Tu não?... – começou, deixando a pergunta no ar.

- Sim, Malfoy, eu troquei de propósito as quantias dos ingredientes. Sabes porquê?

Ele ignorou a pergunta.

- Mas tu és parva?

- Devias morder essa língua antes de dizeres disparates e deixar de ser ingrato. Afinal de contas, o sacrifício que fiz ao receber aquele F, a minha primeira nota negativa, foi por ti.

- 'Tás à espera do quê, que te agradeça? Poupa-me, nem sequer há uma justificação plausível para o que tu fizeste.

- Mas é claro que há. Preciso que me contes a verdade e esta era a única forma de o fazeres.

Ele ponderou o melhor possível antes de responder, usando a pouca calma que restava para escolher bem as palavras que diria.

- Qual verdade Granger? Acorda, sai dessa paranoia de uma vez!

- A que me escondes há imenso tempo. Já chega, eu quero saber e sinto que tenho o direito de o saber.

Draco tentou gritar que não havia verdade nenhuma para ser contada, mas as palavras não saíram da sua boca. Havia uma desconexão severa entre o seu cérebro e a sua boca e ele não fazia ideia do motivo para tal. Antes que a verdade escapasse pelos seus lábios, voltou a concentrar-se e esforçou-se por dizer algo diferente.

- Não te vou contar nada.

- Tsk, tsk – Hermione abanou a cabeça – Vais. Podes apostar.

- Vais obrigar-me, é? – perguntou descrente.

- Não, mas olha à tua volta Draco, olha bem e aprecia. Porque desta vez não tens como fugir.


Continua...


Notas da Autora:

Mais uma vez desculpem a demora! Espero que todos os acontecimentos deste capítulo tenham sido claros, caso contrário já sabem, perguntem :D

O que acharam? Gostaram? Sugestões? Já sabem, deixem a vossa opinião, já sabem como reviews são importantes para os autores!

PS: De futuro procurarei render-me a 100% ao Novo Acordo Ortográfico, que tem em vista estreitar e facilitar as relações entre os PALOP, mas toda a gente sabe que velhos hábitos... portanto levarei o meu tempo a ambientar-me.