JESSICA – PDV

Depois de nosso longo banho e eu me vingar da Sara pela tortura que ela havia me feito minutos antes, saímos do banheiro e vamos para o quarto para descansarmos um pouco antes de irmos até o encontro de Mike.

- Se você for me recompensar assim toda vez que ficar com ciúmes, até me permito senti-lo todos os dias. – brinco assim que nos deitamos na cama.

- Então você assume que estava com ciúmes? – questiona a morena ao meu lado, entre risos.

- E você acha que eu não deveria? – pergunto levantando meu rosto para encara-la. – Ele praticamente e comeu com os olhos Sara. – digo me sentindo ficar brava novamente.

- Até que ele não era de todo mal. – ela diz séria para me provocar. Olho incrédula para ela, esperando que ela esboçasse algum riso, mas não. Na mesma hora me levanto da cama e antes que eu pudesse chegar ao meio do quarto ela se levanta e me puxa contra seu corpo.

- Me solta. – peço séria tentando sair de seus braços. – Acho melhor irmos. – ainda estávamos sem roupa alguma e nossos corpos estavam colados pele a pele.

- Estou brincando sua boba... – ela diz me virando de frente p ela e me prendendo pela cintura. – Só estava seguindo o conselho de Mike e sendo boa atriz. – ela diz rindo e nos conduzindo de volta para cama.

- Não tem graça. – digo revirando os olhos. Nos deitamos novamente e me aconchego em seus braços. Ela me abraçava carinhosamente, sua mão direita fazendo movimentos leves em minha costa. Meu rosto estava apoiado em seu colo. Nossas pernas entrelaçadas.

- É eu sei que não tem. – diz ela. – Mas confesso que me senti estranhamente feliz em vê-la assim por minha causa. Acho que nunca tiveram ciúmes de mim.

- Só se fossem idiotas. – respondo. – existe um mar de pessoas querendo uma chance com você Sara. Uma longa fila eu diria.

- Poderia me dar alguns nomes? – pede ela voltando a me provocar. Como resposta belisco a lateral do seu corpo fazendo-a gritar de dor. – Isso dói sabia?

- É pra doer mesmo. Para da próxima vez você pensar bem antes de ficar dando mole pro primeiro que aparecer. – respondo séria.

- Você acha que eu estava dando mole pra ele? – pergunta fingindo-se magoada.

- E não estava? – digo levanto o olhar para ela.

- Claro que não. – responde. – Só tenho olhos para você Jess, nunca duvide disso. – ela completa fazendo meu coração disparar. Selo nossos lábios em um beijo doce e delicado. Somos interrompidas pelo toque do celular dela em algum canto do quarto.

- Alô?

- Eu sei que você não me quer na sua vida e agora entendo o porque.

- O que você quer Ryan?

- Só quero dizer que acho uma loucura isso que você está fazendo, Jessica não é a pessoa certa pra você.

- E seria você?

- Sei que cometi muitos erros Sara, mas estou arrependido e hoje posso ver o quanto te fiz sofrer e o quanto te amo.

- E só agora se deu conta disso?

- Quero lutar por você e por seu amor novamente, não use essa mulher como desculpa para me afastar de você.

- Você realmente acha que você é o motivo pra tudo que faço na minha vida? Eu amo a Jessica. Por favor me deixa em paz.

- Tudo bem Sara, por enquanto. Mas quero que saiba que não vou desistir de você, estarei te esperando.

Me incomodava esse retorno descabido do Ryan, ainda mais agora que Sara e eu estávamos juntas. Ela disse que ele havia sumido desde a última vez que se falaram, então era provável que essa ligação se devia a algo que tivesse lido. Fiquei analisando a morena a minha frente para ver se encontrava algum indicio de que ela estivesse mexida com tudo que ele havia dito, mas não, ela estava normal e feliz.

Meia hora depois já estávamos seguindo para o escritório de Mike. Liguei para Sasha para saber se ela poderia nos encontrar lá, gostaríamos que ela estivesse a par de todos os detalhes do caso. Ela confirma que nos encontraria lá. Como não teríamos gravação aquele dia, Sara e eu combinamos de passar o resto do dia juntas. Apesar de ser apenas o começo, mas aquele era um dia para se comemorar.

A tarde passou tranquila com Mike nos deixando bem cientes do que enfrentaríamos diante do tal Sr. Edwards. De fato não me parecia uma pessoa fácil de lidar naquela situação e acho que nem a beleza da Sara o faria ser menos rigoroso.

Sasha foi muito útil, como imaginávamos. Ela acabou nos fazendo lembrar de algo que havíamos deixado passar, nossas famílias e o restante dos amigos. Falar com nossas famílias era mais do que essencial, já que teria um casamento em poucos dias. Seria totalmente imprudente de nossa parte deixar para comunica-los apenas através do convite.

Não sei quanto a Sara, mas não via problemas em tratar daquilo com minha família. Minha mãe, Kate, sempre foi amiga e parceira, sabendo de todos os meus namoricos e aventuras. Sabia que poderia contar com ela e, para ela contaria a verdade real. Já par os demais, os deixaria saber o que o resto do mundo saberia. Não podia correr o risco de entregar Sara.

Quando finalmente saímos do escritório Mike, Sara pediu para que fôssemos até sua casa buscar umas roupas pra ela. Preferimos ficar juntas até o dia da entrevista. E como ela mora em apartamento, e a Érica estava sempre por lá, decidimos que iriamos ficar na minha casa. Era mais fácil de sermos vistas e eu não teria que acordar pela manhã e dar de cara com a loira carrancuda.

- Mas você sabe que a Érica trabalha pra mim certo? – ela pergunta assim que entramos no elevador do seu prédio.

- E daí? – questiono não dando importância.

- E daí, que ela é minha secretária, inevitavelmente você irá esbarrar com ela todos os dias quando nos mudarmos. – ela explicava. – Então preciso ter certeza que você sabe que evita-la agora, não mudará o fato de você ter que esbarrar com ela na nossa casa.

- Nossa casa. – repito suas palavras sentindo uma alegria doce me invadir. Meu sorriso logo se abre e ela retribui. – Gosto do som disso. – completo.

- Sim meu amor, nossa casa. – ela repete. – Mas sério, você sabe que vai ter que conviver com ela não sabe? – ela pergunta preocupada.

- Relaxa Sara, ok? – peço. – Tudo bem que não vejo necessidade dela ficar aqui o tempo todo e nem ficar na nossa casa com a mesma frequência, mas...

- Mas? – ela diz.

- Mas me comportarei se ela se comportar. Só não vou admitir que ela dê em cima de você na cara dura como sempre fez. – respondo e ela me dá um olhar tipo não sei do que você está falando.

Para minha alegria ela não estava na casa da Sara, apenas deixou recado de que havia refeito toda sua agenda e que no dia seguinte Sara precisaria comparecer para gravação da dublagem de Sofia the Frist. A latina, pega sua agenda e uma pequena mala com algumas roupas e acessórios que precisaria para os próximos dois dias em que ficaria comigo. Como ela estava comigo desde cedo, resolvemos voltar para minha casa, cada uma em seu carro, assim nós não dependeríamos apenas de um carro.

Assim que chegamos a minha casa, levo suas coisas para meu quarto e coloco suas roupas em meu closet. Não podia negar, aquele simples fato de ter as roupas da latina junto da minha me dava uma sensação de realização pessoal. Amava aquela morena e estar junto dela e dividir meu dia, minha casa, meu armário e minha cama com ela era simplesmente espetacular.

Pedimos pizza e compramos para o jantar. Passamos boa parte da noite falando sobre nossa infância e adolescência. Compartilhamos alguns segredos e rimos feito bobas das encrencas que já havíamos nos metido quando jovens. Eu estava feliz por aquele momento. Percebia que Sara também estava.

Sinto um desconforto me cortar ao lembrar que eu precisava contar a ela sobre a noite que fui pra casa da Tessa e sobre o beijo que ela havia me dado na outra noite em que apareceu aqui. Mas estava tudo tão... perfeito. Não queria estragar aquilo deixando-a irritada com algo tão sem importância pra mim. Mas ela percebe minha mudança e me questiona, quando crio coragem para contar somos interrompidas por meu telefone.

- Ei Jus. – cumprimento assim que atendo o telefone.

- Então quer dizer que vocês não tem nada? – ele pergunta num tom investigativo.

- Do que você está falando? – pergunto sem entender.

- Achei que éramos amigos e que você confiava em mim. – ele continua e finge uma voz triste.

- Pode ser mais claro? – peço.

- Saiu ainda pouco no twitter uma foto de você e Sara se pegando no elevador. – ele diz e fico confusa por um instante até lembrar da situação de hoje mais cedo.

- Como assim nos pegando? – pergunto preocupada, pois mesmo que quiséssemos ser vistas juntas, não era bom pra nossa imagem sermos flagradas passando dos limites.

- Na verdade vocês só estão bem próximas uma da outra, mas está claro que vocês estão se pegando. – ele brinca e eu rio.

- Ok, olha só. Desculpe não ter falado antes, mas Sara pediu que eu não contasse a ninguém, pois praticamente terminei com Chris outro dia, ai podia ficar mal pra nós duas. – tento fingir uma explicação razoável. Nesse momento a latina me olhava de fazendo sinal de joinha em aprovação a minha atuação.

- Mas sou seu amigo, deveria ter me contado. – ele insiste. – Mas entendo ela. Bom, fico feliz que tenham se acertado. Até amanhã. – ele diz. – Ah, mais uma coisa, acho bom vocês se pronunciarem logo, pois existem pessoas que não são bem intencionadas.

Eu agradeço a preocupação dele e logo desligo o telefone para contar a Sara as boas novas. Ela resolve pegar meu computador e checar as redes sociais. Sim, lá estava à foto do elevador que alguém tirou e mais um milhão de comentários especulando sobre a imagem. Sem que eu esperasse ela coloca o computado no meu colo e levanta a procura de algo. Continuo ali apenas lendo os comentários.

Uma luz forte chama minha atenção e então vejo o que ela havia ido fazer. Pegou seu celular e tirou uma foto minha sentada na cama com o computador. Eu estava vestida com uma calça de algodão e uma regata. E logo em seguida uma notificação aparece em meu twitter.

Sara havia postado a foto em sua TL com a legenda "Apenas nos divertindo com tudo isso... #FamilyGrey's #Lovemyjob #Night #Dating? #Whynot? #Grateful", usou alguns filtros para disfarçar um pouco a imagem, mas ainda era visível que se tratava de um quarto, meu quarto, mesmo que não soubessem. Um mar de comentários logo começaram a se formar.

Passamos mais alguns minutos ali rindo um pouco de todo alvoroço que se tornou nossas TL's, e fomos obrigadas a desligar nossos celulares para poder ficarmos sossegadas. Nossos amigos e alguns parentes próximos começaram a ligar enlouquecidamente.

Dormir abraçada a Sara era a melhor sensação da minha vida. Da última vez, mesmo lembrando, eu estava bêbada demais pra registrar o momento com clareza. Mas agora, estávamos na mesma cama, abraçadas apenas aproveitando a presença uma da outra. O cheiro das minhas loções de banho combinavam perfeitamente com ela e aquilo me enchia de satisfação. Eu tinha a latina comigo.

A noite passou tranquila. Dormimos e acordamos completamente entrelaçadas uma na outra. Eu acordo primeiro e fico olhando-a dormir. Seu cabelo cobria seu rosto e lhe dava um ar ainda mais sensual. Começo a afastar da mechas para poder olhar sua carinha de sono. Ela dá umas leves piscadas e resmunga alguma coisa. Eu apenas sorrio.

- Você é tão linda, sabia? – pergunto abraçando-a fortemente.

- Você tem um quarto muito claro, sabia? – ela resmunga. – Parece que estou dormindo no meio da rua.

- Na verdade não, a iluminação é perfeita, você que dorme numa caverna. – provoco e ela sorri. Seu sorriso sonolento era ainda mais encantador.

- Que horas são? – pergunta ela. – Pela claridade, deve ser meio dia. – ela provoca me dando um beijo na testa.

- Engraçadinha... – respondo. – São 7:30, temo meia hora para nos arrumarmos e irmos trabalhar. – explico. – Como você tem que ir fazer a dublagem do desenho primeiro, hoje sairemos em carros separados.

- Verdade... Você terá que encarar nossos amigos sozinha. – ela brinca.

- Está preparada para enxurrada de pessoas sobre nós hoje? – pergunto levantando meu rosto para encara-la.

- Hunrum... – ela responde de olhos fechados. – Pela primeira vez ficarei feliz em confirmar boatos sobre mim. – ela responde me olhando nos olhos e selando nossos lábios em um beijo terno.

Não aprofundamos muito mais o beijo, pois sabíamos onde aquilo ia parar e logo estaríamos atrasadas pro trabalho. Tomamos banho juntas e eu bem que me aproveitei para provoca-la a cada vez que espalhava espuma pelo seu corpo. Terminamos o banho, nos arrumamos e tomamos um café rápido. Aproveitava qualquer oportunidade que tinha para beija-la.

Apesar de estarmos totalmente envolvidas naquele nosso momento cor de rosa, algo parecia não estar normal. Ao sairmos de casa, nos damos conta do que se tratava. Parecia que o mundo inteiro havia sido transportado para frente da minha casa. Eram tantos flashes e pessoas nos cercando que para facilitar as coisas entramos em seu carro.

Ela me deixa no estúdio e segue para seu outro destino. Assim que chego, todos os olhos conhecidos correm para mim. Não queria fazer isso sem a Sara, queria contar boa nova com ela ao meu lado e dividir esse momento com nossos amigos. Sem dar chance para perguntas, sigo para meu trailer para me preparar.

Agradeço internamente por termos tido boa parte da manhã bem atolada de cenas. Estávamos atrasados nas gravações, então todos estavam em algum lugar dos bastidores gravando uma cena ou passando texto. Sendo assim não tive tempo de responder as perguntas que surgiam hora ou outra. Mas logo o horário do almoço chega e eu sabia que ali não teria como escapar. Para minha alegria, minha morena chega bem na hora.

- Três... dois... um – diz Sara em contagem regressiva. – Não falei. – ela brinca assim que nossos amigos se sentam a nossa mesa.

- Como assim vocês começam a namorar e não nos contam? – começa Ellen que sentou-se ao meu lado.

- Bem... – Sara tenta dizer algo, mas é interrompida.

- Eu sempre desconfiei que aquelas cenas de vocês era mais do que beijo técnico. – brinca Sandra e todos riem.

- Ei, não é bem assim. – eu digo. – As coisas só aconteceram. – digo dando de ombro.

- E desde quando estão saindo? Espera por isso você terminou com Christopher? Como vocês bobearam e se deixaram flagrar? Vocês o que isso significa né? E porque vocês não parecem preocupadas? – nos bombardeia Sarah com suas perguntas.

- Posso explicar? – pede Sara. – Vou contar logo a todos assim não precisamos ficar repetindo – ela completa. A mesa estavam Ellen, Sandra, Sarah, Chandra, Justin e Kevin.

- Você que precisará repetir tudo de novo para Patrick, James e Jesse né? – pergunta Chandra e nós rimos, já que os três eram os mais tagarelas.

- Sabemos. – respondo rindo.

- Então... Assim que Jessica entrou, tivemos um caso, mas eu estava com Ryan e, mesmo estando numa fase difícil decidir ficar com ele... – ela explica, mas eu a interrompo.

- O que com certeza foi a pior decisão da vida dela. – respondo e faço a todos concordarem. – Nos separamos... Ai apareceu o Christopher, não deu certo. E naquela última festa acabou rolando de novo e estamos até hoje. – resumo a história apenas lhes deixando saber o que precisavam.

- E é isso. – completa Sara com um sorriso travesso nos lábios.

- Bom, sendo assim, acho que eu e todos os outros estamos felizes por vocês. – começa Kevin. – Vocês merecem mesmo serem felizes. – o ruivo sempre sendo gentil.

Assim que esse burburinho inicial cessa, voltamos a tratar das coisas corriqueiras de sempre. Sara e eu trocávamos olhares a todo momento, não passando despercebido por todos ali. Mas Justin sempre que tinha oportunidade brincava fazendo trocadilhos vez ou outra.

Em meio a nossas risadas e conversa paralela, alguém se aproxima por trás de mim e toca em meu ombro me fazendo virar para olhar. Quando nossos olhares se cruzam, tento disfarçar meu conforto. Mas pareceu inútil já que silêncio constrangedor tomou conta da mesa depois que loira foi embora. Eu tento retomar algum assunto evitando olhar diretamente para a latina a minha frente.

Tessa veio nos felicitar a respeito do namoro. O que acho ter sido totalmente desnecessário. Eu sabia que ela havia feito aquilo para mexer comigo e para irritar Sara, ela sabia que a latina não ia muito com sua cara. Sem contar que ela aproveitava cada cena nossa, para abusar dos toques ou afagos. Sem contar que quando ela leu que haveria um beijo no script, fez questão de deixar claro que iria se aproveitar daquilo.

- Você viu? Temos que nos beijar hoje. – ela fala com um sorriso cínico no rosto. Sara, que estava ao meu lado revira os olhos de raiva. – Callie terá que saber lidar com isso. – ela completa se afastando. – Ah, e eu farei meu melhor. – ela diz virando pra nós novamente.

Para alegria de Sara, Shonda achou que a cena poderia ser cortada, deixando apenas a parte em que eu entraria no banho com ela. Confesso que me senti completamente aliviada com aquilo. Sei que o beijo que ela me daria não seria em nada técnico e eu não queria sentir um beijo intimo dela, não de novo.

Os dois dias seguinte passaram voando. Sara e eu enfrentávamos uma verdadeira maratona entre correr de casa pro trabalho, do trabalho para o escritório de Mike, de lá para casa e sempre correndo os repórteres que nos cercavam diariamente tentando ter algum grande furo. Se estava assim só porque estávamos namorando, imagina quando a novidade do casamento viesse a tona.

Finalmente o dia da tão esperada entrevista chegou. Não sei se me sentia aliviada ou nervosa. Eu sabia que essa entrevista definiria de vez o destino da latina pelo próximo ano e eu não poderia permitir que ela ficasse longe de sua vida tão batalhada por todo esse tempo. Ela estava nervosa o suficiente por nós duas, então eu ficaria de bom grado com a função de manter a calma por nós duas.

- Que bom que vocês chegaram, estou tão ansioso. – diz Mike assim que nos ver.

- Imagina nós duas. – respondo. – Tive que dá um remedinho natural para conseguir fazer a moça aqui conseguir pegar no sono. – digo passando a mão nas costas da morena.

- Poxa estou decepcionado Jessy, achei que você fosse melhor de cama. – brinca o homem e a latina lhe lança um olhar duro de reprovação.

- Desculpe garotas, estou nervoso. – ele pede. – Enfim, tratando do nos interessa, ele deve chamar primeiro a Sara e depois a Jessica. E lembrem-se caso fiquem na duvida sobre o que responder, sejam firmes em se desviar da pergunta.

- Ok. – respondemos em coro.

Não sei por quanto tempo ficamos ali a espera do tal homem. Para nosso desespero ele se atrasou o que aumentou ainda mais nossa tensão. Mal conversamos, estávamos muito nervosos para isso. Sara esfregava as mãos em sua calça tentando inutilmente obter algum tipo de alivio.

- Desculpem pelo atraso. – pede um homem com seu tom nada amigável. – Como já estamos muito atrasados, iremos pular a formalidade e ir direto ao ponto. – ele disse sério. – Sra. Sra Ramirez, por favor entre.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

SARA – PDV

Acordar na manhã da entrevista foi relativamente difícil. Primeiro, porque estava aterrorizada e queria fugir daquilo. Segundo, porque apesar de todo medo e preocupação, eu estava deitada ao lado da loira mais linda do mundo. Esses dias que dividimos uma rotina juntas, foi simplesmente ótimo e me fez esquecer o que eu estava prestes a encarar.

Estávamos em uma sala de espera junto com mais umas seis ou sete pessoas, não sei ao certo por não dar muita atenção a isso. Todos estavam ali pelo mesmo motivo que eu, passar em algum tipo de entrevista especifica que definiria suas vidas.

Assim que o homem carrancudo, de mais ou menos uns 60 anos chega a sala de espera, todos ali se enrijecem em seus lugares, então pude saber que seria ele quem nos avaliaria. Esse tal Sr. Edwards, fazia o tipo Tio Phil, de Um maluco no pedaço, só que sem o sorriso simpático e o carisma.

Assim que ele me chama e eu entro em sua sala, sinto uma aura pesada cobrir o ambiente. Ele é mais sinistro do que você imagina, choraminga meu cérebro e meu corpo inteiro treme.

- Bom, vamos direto ao ponto. – ele começa e me oferece a cadeira em frente sua pesa para que eu sentasse. – Fui informado que seu visto não foi renovado e você será deportada. – ao ouvir aquilo senti como se já estivesse tudo perdido. – E agora, surge um pedido requerimento de noiva, certo? – ele conclui.

- Sim, senhor. – é tudo que consigo dizer.

- Trouxe seus documentos? – ele pergunta e logo o ofereço envelope que continha os mesmos.

- Está tudo aqui. – digo.

- Então vamos lá. – ele anuncia. E eu me entrego ao momento esperando apenas que acabasse logo.

- Seu nome... Data e cidade onde nasceu... Profissão... E endereço. – ele pede.

- Sara Elena Ramirez, nascida em 31 de agosto de 1975,Mazatlán, México. Sou atriz e cantora e resido no centro de Los Angeles, Califórnia há quase 10 anos. – respondo confiante.

- Quando estou faço perguntas diretas desejo obter respostas especificas. Nada de quase, talvez, eu acho. Não estamos aqui para meio termos Sra., estamos aqui decidindo se mereces ou não o seu visto e tenho certeza de que não desejarás um meio visto. – ele diz rudemente e eu perco o chão. Se não estivesse sentada provavelmente cairia dura no chão.

- Ok, me desculpe. – peço sem jeito.

- Continuando. Quando, onde e como conheceu a Sra... – ele faz uma pausa tentando lembrar o nome. – Jessica Capshaw?

- Nós duas somos atrizes e já havia participado de eventos junto com ela. – começo a explicar. – Mas só quando ela entrou pro elenco de Grey's Anatomy é que de fato nos aproximamos.

- Isso tem quanto tempo? – ele prossegue.

- Mais ou menos 5 anos. – respondo e vejo o olhar severo do homem sobre mim. – Exatos 5 anos. – me corrijo.

- E vocês já se relacionavam mais profundamente nesse período? – ele pergunta.

- Não senhor. – respondo e percebo que ele queria saber mais. – Quando ela entrou pro programa eu estava em outro relacionamento que não estava mais em sua melhor fase. Ai tivemos um breve caso, mas logo decidimos por um basta, pois eu era comprometida. Fizemos um acordo de que aquilo não aconteceria mais e ficamos apenas amigas. – concluo.

- Por quanto tempo? – ele insiste e eu sinto uma irritação me subir, ele iria querer mesmo todos os detalhes.

- Ficamos amigas por todo e esse tempo que trabalhamos juntas, 5 anos. – explico.

- E vocês não tiveram mais nada até agora? – ele pergunta num tom desconfiado e posso sentir que estava prestes a estragar tudo.

- Basicamente. Pois ela teve outros relacionamentos, eu terminei o meu. Daí ela conheceu o seu mais recente ex-namorado, mas as coisas entre eles não andavam bem nos últimos meses. Quebramos nosso acordo e estamos aqui hoje. – digo de uma só vez.

Aquela tortura toda durou mais tempo do que eu gostaria. Ele parecia saber tudo sobre Jessica e eu. Perguntou até sobre o traste do Ryan. Qual a importância dele nessa história? Perguntou sobre meus pais, se aprovavam a relação, se eram cientes do meu atual estado quase ilegal no país e até sobre minha relação com Mike. Que merda isso ia importar? Eu só queria um visto de noiva. Estava nesse país há quase 10 anos, acho que já tenho histórico suficiente comprovando que cumpri com todos meus deveres cíveis e que não era nenhuma lunática querendo dominar Tio Sam.

- Ok, como a Sra. sabe tens até o final da semana que vem para permanecer legalmente no país. – ele diz. – Passando esse período a Sra. já será considerada como ilegal. – ótimo, geme meu cérebro diante da explicação dele.

- Sim senhor, estou a par dos prazos, por isso estou aqui. – digo firme e sem paciência, ele me olha por cima dos óculos e me amaldiçoou por ser tão impulsiva.

- Pois bem, para que nosso departamento lhe conceda o visto de noiva o casamento deverá ser realizado até as 00:00 horas do sábado que vem, mas a questão é, o que garante que esse casamento não é apenas fachada? – ele diz incisivo.

- O senhor já amou alguém, Sr. Edwards? – pergunto e ele me estuda. Com um aceno de cabeça ele me responde. – Pois bem, aquela mulher lá fora trouxe ainda mais vida para minha vida. Ela é inteligente, sagaz, esforçada, carinhosa, ótima amiga e excelente amante. – o homem pigarreia diante da minha última citação. – Estar com a Jessica é como se meu coração não coubesse mais dentro de mim, nada faz sentido.

- Isso não quer dizer nada oficialmente, são apenas palavras. – ele mantem seu tom rude.

- Dizer que queria me casar agora? Não, eu não queria, ainda mais nessas circunstâncias. – digo completamente sincera. – Meus pais me educaram seguindo o catolicismo, crenças e tudo mais. Casar é um sonho pra mim, mas fazer isso por estar prestes a ser expulsa nunca do país, nunca foi uma opção. – digo mantendo o tom firme. – Meus pais sempre me ensinaram que casamento era algo sério e para vida toda e apesar de toda criação religiosa, sempre me permitiram escolher meu próprio caminho. E Jessica é o caminho que escolhi. – digo encarando-o com seriedade. - Então casar agora é sim para que vocês não me mandem embora, mas também é para que eu não perca o amor da minha vida. E antes mesmo dessa bagunça toda nós já estávamos pensando em morar juntas, o senhor pode comprovar isso na data inicial do contrato de compra da nova casa. – explico tudo de uma só vez esperando apenas que o tivesse convencido.

- Uma casa? Huumm... – ele diz analisando desleixadamente o papel. – Ok, Sra Ramirez por hora não temos mais nada a tratar. – diz ele friamente me guiando até a porta sem me dá chance de falar mais nada.

- Sra. Capshaw, por favor. – ele chama lhe indicando a porta de sua sala para que entrasse. A loira me lança um olhar preocupado provavelmente por causa da minha cara ao sair.

- Eu ferrei tudo Mike. – digo abraçando o homem a minha frente. – Eu ferrei tudo.